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Humanismo

Brasil Seikyo

Editorial

Em seu lugar

Eles desceram do carro e, enquanto caminhavam pela avenida principal, avistaram o monumento comemorativo da independência do México, O Anjo da Independência, no alto de um pilar, com tom dourado, segurando em uma mão uma coroa de louro, representação da vitória, e na outra uma corrente partida, símbolo da liberdade.

— Era aqui, não é mesmo?

— Sim, isso mesmo. (...) Hoje é dia 2, data de falecimento de Toda sensei.

— É isso mesmo. Justamente nesse dia, ao descermos do carro e caminharmos, acabamos chegando a esse local…

— Sem dúvida, deve ter sido sensei que nos trouxe até aqui.

Foi assim que o presidente Ikeda e sua esposa, Kaneko, conversaram ao avistar o monumento O Anjo da Independência, no México, durante uma visita ao país em 2 de março de 1981. Ao perguntarem um ao outro se estavam no lugar certo, eles se referiram a uma conversa que Ikeda sensei teve com seu mestre, Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, poucos dias antes de ele falecer, o qual descreveu nitidamen­te o sonho que tivera na noite anterior:

Ontem, sonhei que fui ao México. Estavam me esperando… todos estavam esperando. Ansiavam pelo Budismo de Nichiren Daishonin. Queria muito ir ao mundo. Para a jornada do kosen-rufu… Daisaku, é o mundo. Seu verdadeiro palco é o mundo… Daisaku, viva! Viva bastante! E vá para o mundo!1



O casal se emocionou ao se vir diante do cenário descrito por Josei Toda, realizando o sonho do mestre. Em seu coração, Ikeda sensei bradou: “Sensei! Estou percorrendo o mundo. Sem falta edificarei um sólido alicerce do kosen-rufu mundial, no lugar do senhor!”.²

No mês de fundação da Soka Gakkai, organização nascente do movimento mundial estabelecido pelo presidente Ikeda, vamos juntos relembrar que o que sustenta esse fluxo constante na história de 91 anos é a unicidade de mestre e discípulo, com o desejo de, a todo momento, no lugar do Mestre, com incessante esforço, tornar os sonhos dele realidade, como Ikeda sensei nos ensina: “O sonho do mestre é o sonho do discípulo. A vitória do discípulo é a vitória do mestre. Esse é o caminho Soka de mestre e discípulo. Gostaria que todos vocês (...) também seguissem esse caminho”.³

Boa leitura!


Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana, v. 30-I. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, p. 289, 2020. 

2. Ibidem, p. 290.

3. RDez, ed. 198, jun. 2018, p. 6-10.

4-11-2021

Encontro com o Mestre

Vencer as dificuldades é a fonte da felicidade indestrutível

Com forte fé, podemos suplantar qualquer adversidade, transformando-a em oportunidade para revelar o estado de buda que existe dentro de nós. Neste Encontro com o Mestre, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, oferece incentivos para impulsionar nossa transformação por meio da prática do Budismo de Nichiren Daishonin para vivermos plenamente

DR. DAISAKU IKEDA

Ao explanar o princípio de “quanto mais forte a fé, maior a proteção das forças positivas do universo”, Nichiren Daishonin declara:

Digo isso para o seu próprio bem. Sei que sua fé sempre foi admirável, mas, agora, deve fortalecê-la mais do que nunca. Somente assim as dez filhas demônios a protegerão ainda mais.1

Por mais que tenhamos nos esforçado no passado, é importante o desafio que assumiremos a partir de agora. Precisamos edificar uma fé mais forte do que a que tínhamos antes. As divindades celestiais, ou funções benevolentes do universo, nos protegerão se procedermos dessa forma. O surgimento dos “três poderosos inimigos” e dos “três obstáculos e quatro maldades” — de qualquer tipo de adversidade — é simplesmen­te um teste para a nossa fé, neces­sário para que manifestemos o estado de buda.

Por esse motivo, fortalecer ainda mais nossa crença é o caminho para superar as dificuldades e triunfar. Ao agirmos assim, não haverá adversidade que não possamos vencer. Como Daishonin afirma, “Por acreditarmos unicamente no Sutra do Lótus, podemos penetrar na torre do tesouro do Gohonzon”.2 Abraçar o Gohonzon do Nam-myoho-renge-kyo e nos empenhar para realizar o kosen-rufu nos permite entrar no mundo do estado de buda, que é o palácio da felicidade existente em nossa própria vida, onde quer que estejamos ou quaisquer que sejam nossas circunstâncias. Não temos motivo para nos preocupar, e nada temer.

Nichiren Daishonin declara: “Inde­­­pen­­dentemente de quantos inimigos terríveis os senhores enfrentem, livrem-se de todo o medo e jamais recuem”.3

Gravem profundamente no coração a recomendação de Daishonin de que não devemos nos sentir amedrontados e nunca abandonar nossa fé.


Adversidades são fonte de orgulho

Meu mestre, segundo pre­sidente da Soka Gakkai, Josei Toda, sempre incentivava os jovens a ler, especialmente obras literárias célebres. Ele repreendia severamen­te os que não liam. Se nos flagrasse lendo revistas sem nenhum valor positivo, ficava furioso. Lembro-me de que, na minha juventude, li avidamente as obras de Eiji Yoshikawa (1892–1962), autor de livros épicos como Romance dos Três Reinos e Musashi.

Yoshikawa certa vez disse a um rapaz de situação privilegiada algumas palavras marcantes que me acompanharam a vida toda.

Você é um jovem desventurado, porque não há infortúnio maior do que ver coisas belas demais e ter acesso à cozinha requintada demais desde tão moço. É triste ver esmaecer a sensibilidade — a habilidade de perceber a alegria como alegria — de um jovem.4


Aqueles que na juventude são cercados de todos os tipos de conforto, protegidos e mimados, não carecem de nada ou nunca enfrentam nenhuma dificuldade, não são, de forma alguma, felizes ou afortunados. São, de fato, os mais desventurados, pois não conseguem se desenvolver como indivíduos grandiosos.

A ausência de dificuldades não significa felicidade. A verdadeira felicidade e a alegria na vida repousam em não sermos derrotados pelas adversidades, em nos levantar novamente quando caímos, em suportar e sobrepujar obstáculos.

Dificuldades são inevitáveis. Nossa prática do Budismo Nichiren nos fornece o empoderamento para construir um forte eu capaz de encarar com bravura as provações, possibilitando-nos desafiar todas as situações com espírito positivo e enxergando-as como oportunidades de crescimento. Aqueles que possuem esse espírito de luta vencem no final.

Budismo é razão

A prática assídua do budismo faz florescer uma felicidade inigualável na vida, resultante do acúmulo de benefícios inconspícuos. Isso condiz com a razão; o budismo baseia-se na razão.

É por esse motivo que Daishonin nos instrui, repetidas vezes, a manter a prática budista por toda a vida, sem nunca desistirmos ao longo do caminho nem desviarmos da órbita da fé, não importando o que aconteça.

Uma vida sem esforço e de­safio, livre de obstáculos, pode parecer tranquila e agradável, mas, tal como uma criança que nunca foi exposta ao ar livre, cresce frágil e fraca. Uma vida, um espírito que nunca foi testado ou aprimorado não consegue alcançar a verdadeira felicidade, que só pode existir no coração de uma pessoa de forte e sólida identidade, capaz de superar confiantemente qualquer coisa.

Nesse sentido, sermos capazes de nos treinar enfrentando repetidas dificuldades é fonte de felicidade. E, mais que tudo, nossa prática budista dedicada à realização do kosen-rufu nos lapida para que tenhamos uma felicidade diamantina.

Quanto mais exercitarmos corpo, cérebro e espírito, mais fortes nos tornaremos, mais nos aperfeiçoaremos e maior será o potencial que manifestaremos. Sem exercícios, decaí­­mos rapidamente, com o risco de adoecer facilmente. Da perspectiva médica, isso é mais que natural.

No campo da fé, também. É somente desafiando-nos em meio às adversidades que atingiremos um estado de felicidade absolutamente indestrutível.

Nichiren Daishonin afirma: “As dificuldades surgirão, e estas devem ser consideradas como [paz e tranquilidade]”.5

O âmbito do kosen-rufu — no qual concebemos as dificuldades como paz e tranquilidade, como uma medalha de honra, e avançamos enquanto vencemos todos os obstáculos — é o “solo” no qual se cultivam e se desenvolvem pessoas de caráter verdadeiramente nobre.

Esse é o grandioso caminho para a construção da paz duradoura e, como Daishonin instrui, é a estrada soberana pela qual o ensinamento do budismo está sendo amplamente propagado.

Discurso do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, publicado no Brasil Seikyo, ed. 2.301, 28 nov. 2015.

 

flores

Foto tirada pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda. A orquídea exala sua fragrância e beleza, assim como o Budismo de Nichiren Daishonin transforma nossa vida quando o colocamos em prática (Japão, maio 2007)

No topo: presidente da SGI e fundador do Colégio Soka, Dr. Daisaku Ikeda, junto com os estudantes, em momento descontraído. Para ele, os estudantes são considerados tesouros do futuro. (Tóquio, 1970)

Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 642, 2016.

2. The Writings of Nichiren Daishonin. Tóquio: Soka Gakkai, v. I, p. 832.

3. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 415.

4. Traduzido do japonês. Yoshikawa Eiji to Watashi [Eu e Eiji Yoshikawa]. Tóquio: Kodansha, 1992. p. 248.

5. The Record of the Orally Transmitted Teachings [Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, p. 115.

4-11-2021

Especial

Jornada épica rumo ao centenário em 2030

REDAÇÃO

O início

Em 1903, aos 32 anos, Tsunesaburo Makiguchi publicou, pouco antes da Guerra Russo-Japonesa, a obra Jinsei Chirigaku [Geografia da Vida Humana]. A mentalidade da sociedade japonesa da época pode ser simbolizada pela atitude de sete famosos acadêmicos do Japão, da Universidade Imperial de Tóquio, que fizeram uma petição ao governo para que endurecesse sua postura com a Rússia, inflamando ainda mais a população à guerra. Já Makiguchi, professor desconhecido, enfocava a comunidade local, mas com a consciência de cidadania global. Aos 42 anos, Makiguchi foi nomeado diretor de uma escola de ensino fundamental em Tóquio, e durante os vinte anos seguintes desenvolveu os trabalhos de algumas das mais notáveis escolas públicas de Tóquio.

Uma das maiores influências do pensamento de Makiguchi foi o filósofo americano John Dewey, em cuja ideologia ele se baseou para criar uma mudança no sistema educacional japonês. Franco defensor da reforma educacional, Makiguchi se encontrava sob constante vigilância e pressão das autoridades.

Em 1928, aos 57 anos, Makiguchi conheceu o budismo e sentiu que havia encontrado nessa filosofia os meios pelos quais poderia concretizar os ideais que buscara durante toda a vida — um movimento pela reforma social por meio da educação.

Em 18 de novembro de 1930, Tsunesaburo Makiguchi e seu discípulo, o também professor Josei Toda, publicaram o primeiro volume do livro Soka Kyoikugaku Taikei [Sistema Pedagógico de Criação de Valor]. Eles decidiram chamar a editora de Soka Kyoiku Gakkai [Sociedade Educacional de Criação de Valor], que se tornou a instituição precursora da Soka Gakkai [Sociedade de Criação de Valor], e formaram um grupo para empreender atividades educacionais e religiosas.

Makiguchi pretendia publicar doze volumes da obra. O primeiro foi lançado em 1930; o segundo em 1931; o terceiro em 1932; e o quarto em 1934. Os oito volumes seguintes jamais foram publicados. Dez anos se passaram desde o lançamento do quarto volume até o falecimento de Makiguchi na prisão, em 1944. O ponto de vista do educador passou por uma grande mudança nesse período por ter se convertido ao Budismo de Nichiren Daishonin. Seu interesse por essa filosofia era tão grande que começou a se dedicar totalmente às atividades da Soka Gakkai. Nela, ele via a possibilidade de propagar seus ideais humanísticos em prol da educação.

Criação de valor

Em 1935, o estatuto da Sociedade Educacional de Criação de Valor ficou pronto. O artigo 1o estabelecia seu nome e o artigo 2o estipu­lava que seus objetivos estavam voltados para as pesquisas relacionadas à “criação de valor”, ao desenvolvimento de professores altamente capacitados e à reforma do sistema educacional do país.

Então, em julho de 1936, o primeiro dos seminários foi promovido pelo grupo e, em 1937, Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e mais de cinquenta pessoas realizaram uma cerimônia no Auditório Meikei de Tóquio, marcando novo começo para a organização, instituindo assim oficialmente a Soka Kyoiku Gakkai. Iniciou-se também um grande movimento de propagação do Budismo Nichiren com a realização de reuniões de palestra, que logo se tornaram uma atividade tradicional da organização.

Em 1940, foi promovido um segundo encontro. A organização havia atingido o número de quinhentas famílias, sendo necessária uma revisão em seus estatutos. Tsunesaburo Makiguchi foi nomeado presidente, e Josei Toda, diretor-geral. Nessa época, eclodiu a Segunda Guerra Mundial com a invasão da Polônia pelos nazistas. As tropas do Japão também avançavam, invadindo a China e a Coreia.

Makiguchi criticou abertamente a política dos governantes japoneses de unificar todos os ensinamentos ao xintoísmo, religião oficial do governo.

Como consequência, em junho de 1943, os líderes da Soka Gakkai foram convocados pelos clérigos a prestar esclarecimentos. Nessa ocasião, o clero sugeriu que os membros da organização acatassem a decisão do governo e abraçassem “provisoriamente” o talismã xintoísta. Makiguchi ficou indignado com essa proposta que feria totalmente o espírito do Budismo de Nichiren Daishonin. Em vista disso, todas as atividades da Soka Gakkai passaram a ser vigiadas pela Polícia Especial de Segurança.

Tsunesaburo Makiguchi não se intimidou e isso resultou na prisão dele, de Josei Toda e de vários líderes da organização, acusados de violar a Lei da Preservação da Paz e de desrespeitar os santuários xintoístas. Devido à pressão, somente Makiguchi e Josei Toda se mantiveram firmes e irredutíveis. Makiguchi foi enviado para a prisão de Sugamo e submetido a interrogatórios, sendo privado de todos os direitos, até de escolher o próprio advogado, sofrendo diversos tipos de dificuldades. Debilitado pela desnutrição, no dia 17 de novembro de 1944, ele pediu aos carcereiros que o transferissem para o ambulatório da prisão, onde logo entrou em coma e faleceu por volta das 6 horas da manhã do dia 18 de novembro de 1944, aos 73 anos.

Novo passo para a Soka Gakkai

Após ser libertado da prisão, em 3 de julho de 1945, Josei Toda deu continuidade aos ideais de Tsunesaburo Makiguchi, reformulando e construindo a base da organização, que passou a se chamar Soka Gakkai. Ele assumiu sua presidência em 3 de maio de 1951 e se engajou em amplo movimento de expansão do Budismo Nichiren no Japão, convertendo 750 mil famílias antes de falecer em 2 de abril de 1958.

Com o falecimento de Josei Toda, alguns duvidavam de que a Soka Gakkai sobrevivesse, mas a determinação e o empenho de seu discípulo, Daisaku Ikeda, fizeram com que as dúvidas se dissipassem do coração dos companheiros, devolvendo-lhes esperança e dando novo impulso à organização.

Em 3 de maio de 1960, Daisaku Ikeda assume a terceira presidência da Soka Gakkai. A data simboliza a unicidade de mestre e discípulo e o espírito primordial do Budismo Nichiren. Decidido a impulsionar o kosen-rufu mundial, no mesmo ano ele parte rumo ao exterior para estruturar a organização e estreitar os laços de amizade entre os povos — missão que vem sendo cumprida até hoje —, levando a filosofia budista para 192 países e territórios.

Em um discurso, Ikeda sensei diz:

Era 18 de novembro de 1930, uma terça-feira. Tsunesaburo Makiguchi, aos 59 anos, com o apoio de seu discípulo Josei Toda, na época, com 30 anos, publicou Soka Kyoikugaku Taikei. A criação da Soka Gakkai foi uma corajosa declaração pela eterna transmissão da Lei, revitalizando o fluxo do ensinamento correto e das doutrinas do Budismo de Nichiren Daishonin numa época em que estes se dispersaram. A unicidade de mestre e discípulo é eterna. O caminho da revolução humana ensinado pela Soka Gakkai possibilitou às pes­soas, uma após a outra, despertar e fincar vigorosamente raízes no lamaçal da sociedade como altivos budas. Essas pessoas incorporam a Lei Mística, fazendo com que a nobreza da vida desabroche com toda a magnificência.1

Neste momento em que comemoramos os 91 anos de fundação da Soka Gakkai, é hora de reconfirmarmos nossa determinação de corresponder aos ideais de Ikeda sensei e construirmos uma vida vitoriosa, contribuindo para a sociedade como pessoas valorosas, rumo ao centenário da organização em 2030.

Nota:

1. Terceira Civilização, ed. 507, nov. 2010, p. 5.



Fontes:

Brasil Seikyo, ed. 2.346, 5 nov. 2016, p. A3.

Idem, ed. 1.793, 30 abr. 2005, p. A7.

Idem, ed. 1.770, 6 nov. 2004, p. A6.

Terceira Civilização, ed. 393, maio 2001, p. 2.

Vamos escalar juntos o Monte Everest do kosen-rufu

Neste discurso, presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, comenta sobre o centenário da Soka Gakkai, a ser comemorado em 2030

Dr. Daisaku Ikeda

Na Reunião Nacional de Líderes [realizada em 25 de abril de 2001], sugeri que lançássemos nosso próximo grande objetivo para o ano 2030 — centenário de fundação da Soka Gakkai.

O pico do kosen-rufu é elevado. A Soka Gakkai chegou enfim à metade do caminho em sua escalada do Monte Everest do kosen-rufu. E sou profundamente grato pelo fato de ter chegado até aqui junto com todos vocês.

Vamos desfrutar uma longa existência e seguir para o topo dessa montanha com alegria, esperança e forte comprometimento, com o objetivo de concluir as bases do kosen-rufu. Apesar de alguns terem falecido no curso dessa jornada, eles atingirão o estado de buda e renascerão rapidamente. E como a vida e a morte são inseparáveis, eles continuarão a lutar pelo kosen-rufu como nossos eternos companheiros da fé.

A primeira difícil escarpa do século 21 está bem diante de nós. As pessoas que conseguirem subir essa escarpa, e vencerem esse desafio, serão vitoriosas em todas as batalhas. Os próximos anos serão muito importantes. Agora estou criando com seriedade o impulso para a vitória total da Soka Gakkai. Vamos deixar registrada uma história magnífica!

Gostaria que os jovens, com a força e a paixão inatas, adornassem essa ocasião conquistando uma admirável vitória pela causa do bem.

Não há felicidade maior que participar de uma significativa batalha. Essa é também uma maneira rápida de transformar o carma. Dos grandes desafios surgem os grandes benefícios. Toda sensei sempre dizia: “Gostaria que enfrentássemos perseguições maiores!”; “Será que não há alguma batalha maior para empreendermos?”. Makiguchi sensei possuía o mesmo espírito. E eu também.

A Lei budista é impressionante e insondável. Quanto maiores os esforços que empreendermos pelo kosen-rufu, maiores a força e a energia que surgem em nós. Nossa vida ficará transbordante de ricos benefícios.

Somente com esses incansáveis esforços construiremos uma base sólida e duradoura capaz de direcionar não apenas o Japão, mas também a humanidade. (...) Os que possuem um grandioso poder não são aqueles que detêm uma posição de autoridade, tampouco as pessoas famosas na sociedade. [O escritor francês] Victor Hugo (1802–1885) sempre conclamava aos seus concidadãos insistindo que não se considerassem pessoas sem importância. Ele os incentivava a demonstrar para os adversários a força colossal das pessoas despertas. (...)

Fonte:

Trechos do discurso proferido pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, na 6ª Reunião Nacional de Líderes da Soka Gakkai, realizada no dia 21 de maio de 2001 no Auditório Memorial Toda de Sugamo, em Tóquio, em conjunto com a 2ª Convenção Nacional da Divisão Feminina e com a reunião geral das regiões de Kyushu, Chugoku e Okinawa; e publicado no Brasil Seikyo, ed. 2.149, 29 set. 2012, p. B2.

4-11-2021

Relato

Crescer inspirada no Mestre

Conheci o Budismo de Nichiren Daishonin por intermédio de uma amiga, Tatiane Kruschefes. Ela já havia me falado sobre essa religião, mas meu coração ainda não tinha sido tocado. Num momento em que meu marido e eu atravessávamos grandes dificuldades, decidi participar das reuniões. Nos primeiros encontros, estudávamos sobre os “dez estados de vida”, que são dez condições diferentes de vida, conhecidas hoje como os “dez mundos”, e foi assim que me apaixonei pelos ensinamentos e pelas atividades da Gakkai.

A partir daqueles estudos, aprendi a não culpar os outros pelas minhas adversidades e a encará-las. Na época, meu marido e eu chegamos a nos separar, devido às diversas dificuldades. Quando isso aconteceu, eu o culpei pelo meu sofrimento, porém, com o budismo, compreendi que precisava transformar meu coração para que tudo ao meu redor se transformasse também. Retomei meu relacionamento e sigo aprendendo a cada dia. Em dezembro de 2014, no Centro Cultural Campestre (CCCamp), recebi meu Gohonzon. Estava grávida e não sabia.

Em 2019, assumi como responsável pela Divisão Feminina (DF) do Bloco Veneza e, desde essa ocasião, tenho várias oportunidades de representar Ikeda sensei onde ele não está. Reflito: “Qual deve ser minha postura para apoiar aos membros?” e “Qual seria a postura do meu mestre diante desta situa­ção?”. Entre tantos cuidados com os membros, nós lhes enviamos individualmente convites para as atividades, conversamos com eles para saber como se sentem e se estão conseguindo recitar daimoku e gongyo.

Revolução humana

Desde criança, tinha dificuldades de me concentrar durante a leitura, por isso era comum eu desistir de ler. Em 2020, com isolamento social devido à pandemia, defini algumas metas a ser alcançadas. Pensava: “Afinal, quando teríamos a oportunidade de aproveitar alguns dias para dedicar a algo?”. Na época, resolvi me dedicar a ler, na verdade, a ouvir. Em razão da dificuldade de me concentrar, fui incentivada pela Tatiane, e conheci os audiolivros. Ela me indicou diversas obras, e ouvir livros se tornou algo maravilhoso!

Na Comunidade Palmares, surgiu a ideia de gravarmos trechos da obra Nova Revolução Humana (NRH), a fim de popularizar os incentivos de Ikeda sensei entre os nossos membros. Uma oportunidade única, pois todos os que fazem parte da localidade se desafiam na leitura para gravar um trecho da NRH. A gravação serve também como incentivo para aqueles que não sabem ler ou que não conseguem por causa da idade avançada. Periodicamente, discutimos os trechos utilizados com um líder convidado. Essa iniciativa deu origem a um grande movimento de leitura na comunidade.

Sem me dar conta, a partir da prática de ouvir os audiolivros e das gravações, desenvolvi o hábito de ler, obtendo melhor concentração na leitura. Como consequência, cresci profissionalmente e, na organização, passei a apresentar algumas matérias em nossas reuniões de palestra, nas quais muitas vezes utilizo podcasts e “Incentivo do Dia” do BS+.

Que sensação incrível conseguir ler as obras escritas pelo buda Nichiren Daishonin e pelos Três Mestres Soka (Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e Daisaku Ikeda)! São textos extremamente atuais; até parece que foram escritos ontem! Precisamos ler para aprender e pôr essas diretrizes e ensinamentos em prática no nosso dia a dia.

Entre tantas preciosas orientações, percebi quanto o presidente Ikeda é um homem de sabedoria, de atitude e possui um coração grandioso. Em momentos tão difíceis, algumas vezes doente, ele sempre encontrava forças para participar das atividades e incentivar os membros. Ele me inspira!

Sei que sou humana e tenho altos e baixos, mas jamais deixarei de ser grata e lutar em prol da Gakkai e das pessoas. Essa é a minha decisão! Aprendi, lendo e ouvindo a NRH, a sempre refletir: “O que meu mestre espera de mim?”; “Ele aprovaria tal atitude da minha parte?”.

Agradeço ao nosso mestre; aos meus amigos e veteranos, que me incentivam diariamente; à minha filha, por ser uma companheira de luta e por orar junto comigo. Agradeço também por ela poder crescer na Gakkai, conhecendo os ensinamentos budistas e participando dos grupos horizontais; e ao meu marido, que, mesmo ainda não sendo convertido, está envolto pela boa sorte do nosso daimoku. Agradeço ainda pelas dificuldades, porque nelas eu enxergo a oportunidade de transformar veneno em remédio.

Estudando o budismo, aprendi a moldar minha conduta em relação a vários aspectos da vida. Lendo a NRH, aprendi a encarar as dificuldades, assim como a dialogar e zelar pelo próximo, mesmo nos meus momentos mais desafiadores e sem duvidar da vitória, como o trecho do escrito de Daishonin que diz:

Eu e meus discípulos, ainda que ocorram vários obstáculos, desde que não se crie a dúvida no coração, atingiremos naturalmente o estado de buda. Não duvidem, mesmo que não haja proteção dos céus. Não lamentem a ausência de segurança e tranquilidade na vida presente.Embora tenha ensinado dia e noite a meus discípulos, eles nutriram a dúvida e abandonaram a fé. Os tolos tendem a esquecer o que prometeram quando chega o momento crucial.1

Vanessa Antonialli Dauber, 38 anos. Professora de educação física. Responsável pela DF do Bloco Veneza, Comunidade Palmares, RM Santo André, CGSP.

familia

Vanessa com seu esposo e filha


Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v, I, p. 296, 2014.

4-11-2021

Rede da Felicidade

Vencer a si mesmo

Em janeiro de 1963, Shin’ichi Yamamoto [pseudônimo do Dr. Daisaku Ikeda na obra Nova Revolução Humana] viaja com uma comitiva de líderes da Soka Gakkai para os Estados Unidos. Em Honolulu, ele participa da fundação do Distrito Havaí, transmitindo importantes e calorosos incentivos aos pioneiros da organização na região

DR. DAISAKU IKEDA

No início da noite foi realizada a reunião de fundação do Distrito Havaí no auditório da escola primária Kaewai, em Honolulu, com a presença de aproximadamente quatrocentos associados. Shin’ichi entrou no recinto acenando para todos os presentes e, em seguida, agradeceu pela calorosa recepção.

No auditório havia um grande palco onde foram colocadas cadeiras para os dirigentes e uma mesa coberta de tecido branco para os palestrantes, o que dava um aspecto imponente ao recinto. Shin’ichi subiu ao palco e, junto com os jovens, começou a descer as cadeiras.

Ele disse:

— Vamos realizar a reunião desta noite deixando de lado as formalidades. Todos nós somos iguais perante o Gohonzon. Assim, vamos ficar todos no mesmo nível. Por favor, desçam também a mesa. Como a reunião não é muito grande, as pessoas que sentarem no fundo não terão dificuldade de ver os palestrantes. Todos somos companheiros da família Soka, somos uma família mundial. Por isso não devemos criar diferenças entre nós.

Depois de tudo arrumado, Shin’ichi disse:

— Vamos começar a nossa reunião com muita alegria.

Após as palavras dos representantes da comitiva, foi anunciada a fundação do Distrito Havaí e em seguida a nomeação de seus dirigentes. (...)

Com a fundação do distrito, a organização foi ampliada de duas para oito comunidades. Os membros do Havaí se desenvolviam rapidamente. Na primeira visita de Shin’ichi, uma senhora chamada Katsue fez a seguinte pergunta a Katsu Kiyohara logo depois da reunião de palestra: “Se eu recitar daimoku, poderei ficar mais alta?”. Ela tinha estatura baixa e depois que se mudou para o Havaí, casando-se com um militar americano, começou a sofrer um forte complexo de inferioridade, pois a maioria dos havaianos eram altos. Ao encontrar-se com Kiyohara, que também era baixa, sentiu que poderia falar sobre o seu problema.

Quando Shin’ichi ficou sabendo da pergunta de Katsue, pediu que lhe transmitisse a seguinte recomendação: “Embora esteja preocupada com sua estatura, a senhora será certamente muito feliz mantendo o mesmo aspecto”.

Ao ouvir essas palavras, Katsue ficou um pouco decepcionada: “Mesmo recitando daimoku, existem algumas orações que não podem ser respondidas...”

Agora, nesta segunda visita de Shin’ichi, ela continuava, naturalmente, com a mesma estatura. Porém, crescera tanto na prática da fé como na disposição de prestar assistência às suas companheiras a ponto de ser nomeada uma das responsáveis pela comunidade.

Na reunião de fundação do Distrito Havaí, após a apresentação dos novos dirigentes e as palavras de decisão de seus representantes, Shin’ichi dirigiu-se ao microfone:

— Quero inicialmente dar os parabéns a todos por esta partida com a fundação do Distrito Havaí. Esta ilha é a terra em que assinalei o meu primeiro passo no movimento pelo kosen-rufu mundial. Por isso, espero que se empenhem junto comigo na ampliação do kosen-rufu e pela felicidade de todos como pioneiros desse movimento no mundo. Os senhores concordam?

A princípio, somente os membros que entendiam o japonês responderam com um “Hai!” (Sim!, jap.) e bateram palmas. Porém, quando Masaki traduziu as palavras de Shin’ichi para o inglês, toda a plateia respondeu com voz mais vibrante e as palmas foram mais intensas.

— Quando entrei na Soka Gakkai, havia apenas sete jovens. Ao vê-los, pensei: “Vou criar um dia a maior organização de jovens do mundo. Mesmo que ninguém o faça, eu a criarei sem falta”. Selei esse juramento ao presidente Toda em meu coração. Passados alguns anos, contamos atualmente com 560 mil membros na Divisão Masculina de Jovens e um pouco menos na Divisão Feminina de Jovens. Portanto, em pouco tempo, conseguimos formar a maior organização de jovens dentro do Japão. Quando existe uma pessoa que atua com seriedade e firme consciência de sua missão, tudo se desenvolve. Quero dizer a todos que a nossa atividade de propagação é um sublime ato de benevolência que ensina às pessoas o mais correto modo de vida, embasado no supremo ensino do budismo. Nossas ações visam, acima de tudo, à felicidade de cada um. Por essa razão, quando atuamos nesse sentido podemos criar boas amizades e um círculo de confiança entre as pessoas. Além disso, a propagação do ensino é o mais nobre exercício budista pelo qual podemos realizar a nossa revolução humana. Isso é possível porque a propagação se inicia com o ato de vencer a si mesmo, de superar a fraqueza interior e as dificuldades imediatas da vida.

Shin’ichi continuou a incentivar os companheiros havaianos.

– Quando nos empenhamos em falar sobre o budismo para os amigos, nosso coração se enche de alegria, elevamos nosso nível de vida e a missão como bodisatva da terra começa a pulsar em nosso espírito. Além disso, a propagação é a forma mais eficaz de promover a transformação do destino e a construção da paz e da felicidade perenes em nosso mundo. Por isso, desejo que uma grande bandeira da propagação do budismo seja hasteada pelos senhores aqui no Havaí. Porém, isso só é possível se criarem uma forte união. Hoje, o Sr. Mitsuru Kawa­kami foi nomeado responsável pelo Distrito Havaí. Se houver alguém que não concorde com essa indicação, por favor, levante o braço.

Naturalmente, não houve nin­guém que discordasse. Todos estavam felizes com a nova partida e dispostos a corresponder aos incentivos de Shin’ichi.

— Muito bem. Sinto-me agora mais tranquilo. Nichiren Daishonin nos ensina sobre a prática da fé, dizendo o seguinte: “Confie na Lei, não nas pessoas”.1 Portanto, a base fundamental de nossa fé é a Lei. E para concretizar o sublime objetivo do kosen-rufu devemos impulsionar as atividades com a firme e forte união de todos os companheiros. Se existir entre os senhores pessoas que não se simpatizem com seus dirigentes ou que reclamam por serem mais veteranos na prática da fé do que eles, e que por isso merecem ser dirigentes, estarão trocando a base fundamental, que é a Lei, pelo sentimentalismo em relação às pessoas. Essa atitude é um comportamento infantil de quem está sendo derrotado pela própria fraqueza, como também é o comportamento de pessoas que se desviaram do correto caminho da prática da fé. No final, criarão a própria infelicidade. Ao contrário, se os senhores apoiarem o dirigente central, serão da mesma forma protegidos pelos outros. Esta é a lei de causa e efeito. Por outro lado, as pessoas que se tornaram dirigentes devem agir com humildade e sem prepotência, procurando sempre cuidar da melhor forma dos seus membros. Os dirigentes existem justamente para se dedicar aos companheiros, oferecendo-lhes assistência, pois todos os que lutam pelo kosen-rufu são budas e bodisatvas da terra. E a boa sorte que poderão acumular é proporcional ao empenho com que incentivam os associados. Em todo caso, os senhores devem manter a confiança e o respeito mútuo por serem companheiros, cobrindo por outro lado as falhas de cada um. Desta forma, poderão criar uma forte união e multiplicar suas forças. Na escritura consta: “Se o espírito de ‘diferentes em corpo, unos em mente’ prevalecer entre as pessoas, elas alcançarão todos os seus objetivos, ao passo que se o espírito de ‘unos em corpo, diferentes em mente’ predominar, não conseguirão obter nada digno de nota”.2 Portanto, se os senhores atuarem unidos em prol do kosen-rufu, tudo se transformará em grande vitória. Com esta disposição desejo que avancem para criar um novo alvorecer na vida de cada um.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

 

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Membros pioneiros da Soka Gakkai no Havaí unidos para promover o kosen-rufu em sua localidade

 

Fonte:

IKEDA, Daisaku. Broto. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 7, p. 86-91.

Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. Editora Brasil Seikyo: São Paulo, v. I, p. 105, 2016.

2. Ibidem, p. 646.

Reger o seu universo

Durante a sua viagem ao Havaí, em 1963, Shin’ichi Yamamoto incentiva Emiko Haruyama, uma das líderes da organização nos Estados Unidos, sobre como encarar as dificuldades

— Emiko, como estão os membros na América?

Procurando as palavras certas, ela apenas conseguiu dizer:

— O que eu sinto é que a América é demasiadamente extensa... Essas palavras exprimiram todo o seu sentimento em não poder obter um resultado expressivo por mais que se esforçasse.

Shin’ichi respondeu-lhe sorrindo:

— Isso eu já sei. Entretanto, do meu ponto de vista, por mais que a América seja um país muito extenso, é como se fosse o jardim de minha casa. O mais importante é criar um elevado padrão de vida. Se você olhar um muro de pedra do nível do chão, terá a impressão de ser muito alto. Contudo, se o observar da janela de um avião voando pelos céus, não passará de uma minúscula saliência. Da mesma forma, com a mudança do padrão de vida, o modo de sentir e ver também muda. As dificuldades se transformam em desafios a serem superados com alegria e tranquilidade. A fonte dessa mudança é a recitação do daimoku com seriedade e forte determinação. Quando conseguir isso atuando ao mesmo tempo com coragem, conseguirá ter uma nova visão e derrubar a barreira que você mesma criou dentro de seu coração. O Nam-myoho-renge-kyo é a grande Lei que rege o nosso universo, e você será capaz de reger o seu universo.

Ao ouvir essas palavras, Emiko percebeu imediatamente que estava sendo derrotada pelo rigor da realidade devido à sua estreita visão, e não pelo fato de a América ser um grande país. Ela pensou consigo mesma: “O presidente Yamamoto não considera os Estados Unidos como um país distante. O que existe é a distância entre o meu pensamento e o dele”. Ela sentiu como se uma névoa estivesse se dissipando diante de seus olhos.

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ilustração retrata Shin’ichi Yamamoto dialogando com Emiko Haruyama.

 

No topo: ilustração retrata Shin’ichi Yamamoto incentivando os companheiros durante a reunião de fundação do Distrito Havaí (Honolulu, jan. 1963)


Fonte:

IKEDA, Daisaku. Broto. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 7, p. 82 e 83.

4-11-2021

Caderno Nova Revolução Humana

Perseverança e coragem

PARTE 65

O tempo dado para as palavras de cumprimento de Shin’ichi Yamamoto não chegou a dez minutos.

Até agora, nessas convenções, Shin’ichi lançava diretrizes da esperança e planos de sua grande aspiração pelo kosen-rufu. Também não foram poucas as vezes que anunciou propostas que indicavam meios para solucionar temas enfrentados pela sociedade e pelo mundo. Além disso, em sua maneira de falar, dialogando individualmente com cada participante e com um humor na medida certa, ora transmitia a todos uma sensação de aconchego, ora provocava grandes gargalhadas, e juntos vieram solidificando a decisão pelo novo avanço. Porém, essa convenção estava muito formal, sem qualquer ligação de vida a vida.

Após os cumprimentos de Shin’ichi, houve um discurso especial do sumo prelado Nittatsu, e então se passou para os cumprimentos do novo diretor-geral, Kazumasa Morikawa, e depois, do novo presidente, Kiyoshi Jujo.

Jujo relatou a decisão contida em seu coração de se esforçar para realizar um desenvolvimento estável, contínuo e constante sobre a sólida base edificada até então pelos três sucessivos presidentes.   

A convenção foi concluída conforme a programação.

Com certeza, nesse momento, os sacerdotes perversos do clero que caluniaram quase enlouquecidamente a Soka Gakkai e tramavam dominar os adeptos e os vigaristas ardilosos que agiram pelas costas estavam rindo com atroz satisfação: “Tudo ocorreu conforme o planejado. Está feito!”. Shin’ichi conseguia enxergar muito bem a imagem real da ruína daqueles que se tornaram presas da inveja e dos desejos. 

Ao andar pelo corredor após deixar o ginásio de esportes, algumas pessoas que estavam no campo, como uma senhora que carregava seu bebê nas costas, perceberam a presença de Shin’ichi, e correram para perto da cerca do campo, gritando: Sensei! Sensei!. Não eram participantes da convenção. Deviam ter ficado muito tempo do lado de fora aguardando, com a esperança de poder encontrá-lo, mesmo de relance. Em seus olhos, lágrimas brilhavam.

Shin’ichi acenou e disse:

— Obrigado! Cuidem-se!

Foi um encontro que durou apenas um instante. Mas aí havia a profunda junção de almas, que nunca mudará, independentemente do que aconteça. Havia a verdadeira ligação da Soka Gakkai.

“Quem protegerá de agora em diante estas nobres pessoas, os filhos do Buda verdadeiramente bons e honestos? Quem os fará felizes? Vou protegê-los sem falta, até o fim!”

Shin’ichi renovou sua decisão de proteger estritamente os membros.



PARTE 66

Após se despedir dos sacerdotes, a começar pelo sumo prelado Nittatsu, Shin’ichi Yamamoto entrou numa sala e solicitou à sua esposa, Mineko, que providenciasse papel japonês, tinta em carvão sumi e pincel. Nesse dia que registrava um marco na história da Soka Gakkai, ele queria deixar inscrito em forma de caligrafia seu juramento e seu sentimento aos discípulos.

Ele já tinha decidido os ideogramas que estariam na caligrafia.

O grande pincel com sumi correu vigorosamente pelo papel branco, fazendo um som como se estivesse arranhando-o.

Taizan (“Grande Montanha”)

Ele escreveu abaixo: “Orando para que meus amigos tenham uma prática da fé inabalável perante as tempestades”; “Registrado em 3 de maio de 1979, na Universidade Soka, após a cerimônia”.

Em janeiro de 1950, quando o empreendimento do seu mestre, Josei Toda, se encontrava em situa­ção extremamente crítica, Shin’ichi compôs um poema intitulado Orando ao Fuji.

Em um trecho desse poema constam os versos:

Dentro da casa em chamas

Da maior cobiça e avareza

do século

Vivo sem me apegar

à aparência externa da ostentação

Não temo críticas e ataques

Eu louvo o distante Fuji.

Naquele momento, em seu coração, o Monte Fuji sobrepunha-se à imagem imponente e heroica do seu venerado mestre, Josei Toda, que, buscando viver em prol do kosen-rufu, permanecia inabalável diante das tempestades de calúnias e de difamações.

Na caligrafia Taizan (“Grande Montanha”) estava contido o brado da alma de Shin’ichi:

“A Lei Mística é eternamente indestrutível. Nós, que vivemos até o fim pelo kosen-rufu, temos uma ilimitada esperança. Tal qual uma grande montanha, devemos permanecer inabaláveis por mais vio­lentas que sejam as tempestades. Existe necessidade de temer a algo? A Soka Gakkai manteve a ação de ‘devoção abnegada pela propagação da Lei’, conforme afirmado por Nichiren Daishonin. A organização veio avançando vestindo a armadura da perseverança. Mestre e discípulos Soka vieram vencendo em tudo por meio desta fé inabalável”

Shin’ichi correu o pinceu mais uma vez:

Oozakura (“Grande Cerejeira”).

Então, registrou logo abaixo, na lateral:

“Orando para que os benefícios dos meus amigos desabrochem com toda a exuberância”; “Dia 3 de maio de 1979. Na Universidade Soka. Unindo as mãos em reverência”.

Shin’ichi desejou com sinceridade: “Independentemente da árdua provação à qual seja exposto, a lei de ‘causa e efeito’ do budismo é rigorosa e absoluta. Avancem tendo no coração a ‘Grande Cerejeira’ Soka”.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

4-11-2021

Conheça o Budismo

Agora é a hora de ser feliz

REDAÇÃO

A questão do tempo é algo complexo e essencial dentro da perspectiva da vida. Sabemos que tudo tem seu devido tempo. Existe o período que passamos dentro da barriga de nossa mãe, a época de crescimento na infância e na adolescência, a de estudar, de se formar, de trabalhar e assim por diante. Não podemos obrigar uma criança recém-nascida a se formar imediatamente na faculdade, assim como não podemos exigir que uma árvore já dê frutos amadurecidos. Tudo depende da época e das condições propícias.

No budismo acontece algo muito parecido, pois um buda somente pode expor a Lei quando reúne quatro condições: tempo, resposta, capacidade e Lei. Tempo, no budismo, indica aquele em que o Buda aparece para expor a Lei em resposta à capacidade das pessoas que buscam seu ensinamento. Em outras palavras, é o tempo em que o Buda e as pessoas se encontram.

O levantar do Buda

O termo “neste momento” (niji) abre o capítulo “Meios Apropriados” (Hoben), do Sutra do Lótus, que recitamos em nosso gongyo diário. Sobre ele, o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, explicou:

“Neste momento” refere-se ao conceito de tempo empregado no budismo. Difere do tempo no sentido que costumamos usar para indicar as horas, as estações do ano ou para especificar uma época. Nem é comparável à típica introdução dos contos infantis “Era uma vez...”. O tempo, no sentido aqui expresso, corresponde ao momento em que um buda, percebendo a ansiedade das pessoas em ouvi-lo, aparece a fim de expor seu ensinamento.1



Do ponto de vista do Budismo de Nichiren Daishonin, podemos interpretar “neste momento” como indicativo do tempo em que o buda iniciou seu empenho para salvar a humanidade com a propagação da Lei Mística. Além disso, podemos dizer que “neste momento” indica o tempo em que seus discípulos se levantam unidos ao mestre para realizar o kosen-rufu, que é o movimento praticado pelos membros da Soka Gakkai para edificar uma vida de felicidade, inspirando os outros a fazer o mesmo.


Niji em nosso dia a dia

Se analisarmos nossa prática, entendemos que “neste momento” existe somente quando oramos ao Gohonzon e manifestamos determinação e consciência de nossa missão pelo kosen-rufu. É preciso determinar, orar e agir. Se não o fizermos, nosso ambiente em nada mudará. Mesmo que decorram cinco ou dez anos, “este momento” jamais chegará. Somente nossa sincera determinação pelo kosen-rufu cria o “tempo”.

Em conclusão, é o momento em que nós, espontaneamente, determinamos realizar algo pelo kosen-rufu e não quando é solicitado que o façamos. Refere-se a “este momento”, o tempo de sua missão. O presidente Ikeda enfatiza:

“O que importa é o coração.”2 Nisso se encontra a essência da vida. Nosso coração e nossa mente envolvem toda a sociedade, o mundo e o universo. Tudo se decide pela determinação em nosso coração neste exato momento.3


O grande escritor Romain Rolland (1866–1944) disse: “Viva o presente. Reverencie cada dia. Ame o presente, respeite o presente...”.4 Nichiren Daishonin nos ensina a grande alegria de viver o “agora” — o momento presente, que abarca tanto o passado eterno como o futuro infinito.

Todo dia é Ano-Novo

Independentemente da situação em que se encontra, quando uma pessoa se dedica seriamente à prática budista, é sua fé no presente, e não seu carma do passado, que exerce influência determinante em sua vida. Assim, com esse grande poder da fé, podemos “começar a partir de agora”, em qualquer momento que determinarmos. É esse ponto que Nichiren Daishonin enfatiza no escrito Carta de Ano Novo, por meio da qual nos ensina que celebrar esse dia fazendo oferecimentos ao Gohonzon é fonte de imensa boa sorte. Naturalmente, essa atitude é válida não somente no Ano-Novo, como na partida de cada novo dia. Daishonin também exalta o desenvolvimento que uma pessoa alcança por manter essa atitude na vida diária, tornando-se mais virtuosa e amada por todos.

“Neste momento” refere-se ao instante em que criamos a seguinte determinação do fundo do coração: “Hei de me levantar agora e lutar!”. É a partir desse instante que o destino começa a mudar, a vida começa a se desenvolver e a história tem início. Dessa forma, o niji da transformação da nossa vida é definido pela qualidade da nossa determinação individual com que nos levantamos em prol da realização do kosen-rufu, conforme Ikeda sensei afirma:

Fazendo uma reflexão, a vida nada mais é do que o acúmulo de cada momento presente. Se não for capaz de tornar o dia de hoje gratificante, não colherá nenhum resultado positivo amanhã. Pode fazer os maiores planos em longo prazo, mas se não valorizar cada momento, esses planos terminarão apenas como sonhos vazios. Causas passadas e resultados futuros estão todos contidos no “verdadeiro aspecto de todos os fenômenos” no presente momento, e a transformação de um único momento da vida pode extinguir os impedimentos cármicos do passado distante e também assegurar a boa sorte que se estenderá pelo eterno futuro.6

Notas:

1. Brasil Seikyo, ed. 1.876, 10 jan. 2007, p. A5.

2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 267, 2019.

3. Brasil Seikyo, ed. 1.906, 8 set. 2007, p. A8.

4. Idem, ed. 2.315, 12 mar. 2016, p. C4.

5. Idem, ed. 1.617, 25 ago. 2001, p. A3.

6. Idem, ed. 2.314, 5 mar. 2016, p. B3.

Fonte:

Brasil Seikyo, ed. 1.782, 5 fev. 2005, p. A5.

11-11-2021

Caderno Nova Revolução Humana

A importância da decisão

PARTE 3

Para unir o mundo e abrir o caminho seguro para a paz, Shin’ichi Yamamoto prosseguiu em seus esforços vigorosos para estabelecer intercâmbios com pensadores e embaixadores de diversos países. No dia 19 de maio, ele se encontrou em um hotel de Tóquio com o presidente da Associação da Amizade Sino-Japonesa, Liao Chengzhi, que visitava o Japão como chefe de uma delegação de intercâmbio que viajara a bordo do navio de cruzeiro chinês Minghua.

Durante a conversa, Shin’ichi expressou sua decisão de continuar trabalhando cada vez mais pela amizade entre Japão e China, promovendo o intercâmbio de paz, cultura e educação entre ambos os países, independentemen­te de qual viesse a ser sua posição. Ele também enfatizou a importância de desenvolver fortes laços entre os cidadãos comuns para garantir as relações de amizade duradouras.

Por outro lado, o presidente Liao solicitou que Shin’ichi realizasse sua quinta visita à China.

Desde a primeira visita de Shin’ichi à China, ambos dialogaram diversas vezes e estavam ligados por uma profunda amizade. O presidente Liao faleceu quatro anos depois, em junho de 1983. Shin’ichi visitou a família dele no ano seguinte para prestar condolências e compartilhou lembranças da vida e das realizações do presidente Liao com a viúva Jing Puchun e seu filho.

Em outubro de 2009, a Universidade de Agricultura e Engenharia de Zhongkai, de Guangzhou, capital da província de Guangdong, China, concedeu tanto a Shin’ichi como à sua esposa, Mineko, o título de professor honorário. “Zhongkai” era o nome do pai do presidente Liao Chengzhi, Liao Zhongkai, um amigo e aliado do líder revolucionário chinês Sun Yat-sen. A precursora da universidade, a Escola Agrícola e Industrial Zhongkai, foi fundada pela viúva de Zhongkai, He Xiangning, que desempenhou importante papel no estabelecimento da República Popular da China, como ativista ao lado do marido.

Nessa universidade, ainda foi inaugurado um centro de pesquisas dedicado ao estudo da filosofia e dos ideais de Liao Chengzhi e de Shin’ichi Yamamoto em novembro de 2010.

As mudas de amizade cultivadas por Shin’ichi continuaram a crescer e a expandir seus galhos amplamente nos céus do século 21.

Alguns dias após a sua reunião com o presidente Liao, Shin’ichi se encontrou e dialogou com o chefe do departamento internacional e com os membros da equipe editorial da Agência de Imprensa Novosti, da União Soviética, e também com os representantes da Embaixada da União Soviética, no Centro Cultural de Kanagawa, em Yokohama. Entre os assuntos em pauta estavam a troca de opiniões a respeito da limitação de armas estratégicas (Salt II) entre os Estados Unidos e a União Soviética e questões relacionadas a paz, cultura e educação na Ásia e no mundo. Durante esse encontro, os representantes soviéticos expressaram o forte desejo de que Shin’ichi visitasse a União Soviética.

Como praticantes budistas, é nossa responsabilidade trabalhar e atuar com seriedade por uma paz duradoura.

Shin’ichi Yamamoto seguiu pro­movendo ativamente o diálogo pela amizade e pela paz.

PARTE 4

Em 25 de maio, ele se encontrou com o embaixador da Zâmbia, Mapanza Morris Katowa, e, em 29 de maio, com o principal escritor e pensador chinês Zhou Yang e sua esposa, Su Lingyang. Em junho, ele esteve com o embaixador da Nova Zelândia, Rod Miller; com o embaixador da Nigéria, Balarabe Abubakar Tafawa Balewa; e com outros.

Shin’ichi fazia um esforço especial para se encontrar e dialogar com representantes da África. Isso porque era sua convicção de que o século 21 seria o “século da África”. Ele também sentia profundamente que não haveria futuro para a humanidade caso não existisse um comprometimento com a paz e a prosperidade da África, que por longos anos foi dominada como colô­nia das grandes potências e veio sofrendo com a pobreza e a fome.

Ao mesmo tempo em que dialogava com dignitários do exterior, ele procurava manter conversações também com figuras importantes do Japão.

E encontrando brechas em sua agenda lotada, ele viajava para locais como as regiões de Tsurumi e Kohoku, em Yokohama, província de Kanagawa, e bairros de Itabashi, Chuo e Toshima, cidades de Koganei e Kodaira, Tóquio. Aonde quer que fosse, seu único objetivo era visitar os membros que lutavam com toda a seriedade ao seu lado pelo kosen-rufu e encorajá-los.

Se o coração do mestre e o do discípulo do kosen-rufu estiverem fortemente ligados, a rede de união Soka não se abalará nem um pouco sequer, mesmo diante de quaisquer tempestades. Para isso, o diálogo franco e aberto é essencial. Será uma fonte de inspiração que desperta as pessoas para a sua missão e cultiva os laços de confiança.

Sempre que se reunia com companheiros veteranos, havia algo que Shin’ichi lhes dizia invariavelmente: “Na vida, o que mais importa é o momento da sua conclusão”. Não importa se foram ativos no passado e quais feitos gloriosos alcançaram. Se pararmos de lutar e abandonarmos a fé no final, isso será uma derrota da vida.

Nichiren Daishonin afirmou: “A jornada de Kamakura a Kyoto leva doze dias. Se viajar onze dias e parar quando estiver faltando apenas um dia, como poderá admirar a Lua sobre a capital?”.1

É mantendo sempre os espíritos de “buscar o caminho por toda a vida”, de “desafiar por toda a vida” e de “lutar por toda a vida” que existirá a vitória da vida, a qual resplandecerá pelas “três existências” — passado, presente e futuro — e por toda a eternidade.

Com a renúncia de Shin’ichi Yamamoto aos cargos de representante-geral dos adeptos da Nichiren Shoshu e da presidência da Soka Gakkai, os ataques dos jovens sacerdotes à Soka Gakkai deveriam ter acabado.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.



Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. Editora Brasil Seikyo: São Paulo, v. II, p. 294, 2019.

25-11-2021

Matéria Grupo Coração do Rei Leão

Comunicação positiva

Muitos pais são nascidos na década de 1970 e, portanto, acompanharam o avanço da tecnologia em seu lar, com televisores, aparelhos de som, geladeiras etc. Sabidamente, nós também temos o privilégio de vivenciar o avanço tecnológico. E, num processo mais rápido e intenso, vimos quanto o telefone atualmente exerce forte influência em nossa vida.

Com certeza, em sua família ou de algum conhecido que tenha filhos na fase dos 5 aos 9 anos, eles conhecem e manuseiam perfeitamente o celular, o notebook e sabem bem a importância que tem o sinal do Wi-Fi.

Engraçado que até há pouco conseguíamos “controlar” o tempo que as crianças “passavam na internet” simplesmente desconectando o cabo do Wi-Fi. Dizíamos que a internet estava com algum problema e eles acreditavam. E o tal do problema do Wi-Fi sempre se dava no mesmo horário.

Em um diálogo sobre o avanço tecnológico, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, comenta sobre a importância de mantermos o diá­logo saudável.


À medida que a revolução na tecnologia da informação continua a avançar, é natural que o diálogo de pessoa a pessoa, em que acontece uma verdadeira comunicação de vida a vida, seja cada vez mais essencial para a saúde individual e para o desenvolvimento social.1


Devido a pandemia, a rotina de todos nós sofreu diversas altera­ções: alguns pais começaram o famoso home office, além das aulas on-line. Com a rotina de aulas virtuais, por exemplo, houve um aumento considerável do uso da tecnologia. Não que seja um fator ruim, mas cabe a nós, pais, incentivarmos nossos filhos a usar corretamente a tecnologia.


A importância do diálogo

Nosso dia é cheio de tarefas, ainda assim devemos mostrar exemplos de um convívio harmonioso em nosso lar e com nossos filhos. Lemos na Nova Revolução Humana sobre a rotina de Ikeda sensei, mesmo com várias tarefas, e o que ele fazia para estar próximo aos seus filhos.


Mesmo percorrendo todo o país, ele jamais se esqueceu de enviar cartões-postais de cada localidade para seus filhos. Os textos eram simples, muitas vezes apenas informando onde estava e aonde iria no dia seguinte. Porém, jamais enviou um cartão endereçado a todos; sempre fez questão de remeter um postal para cada um de seus filhos.2


Atitudes simples põem em ação a revolução humana individual e familiar. Pequenos gestos continuamente farão surgir verdadeiros frutos em nosso lar, como nosso mestre nos direciona por meio do seu incentivo a seguir:


A questão principal é que tudo é enfim decidido pela fé dos pais. Em particular — e digo isso com base na experiência de centenas de milhares de pessoas — a fé da mãe é crucial. É isso o que significa “consistência do início ao fim”. “Início” significa a fé dos pais e “fim”, a fé dos filhos. Essencialmente, não há separação entre as duas.3


Vamos, juntos, cada vez mais, construir as bases de nossa família com alegria e radiância.


Grupo Coração do Rei Leão




Relato familiar

Ricardo e Lívia Imai - RM Cachoeirinha, Sub. Casa Verde, CNSP


Nossos filhos, Leonardo, de 9 anos, e Yasmin, de 5, ainda são crianças, mas conhecem e manuseiam perfeitamente todas as tecnologias (celular, computador). Dividindo uma situação pessoal e interessante, nas conversas virtuais com os amigos da escola, nossos filhos comentavam que, em determinado horário, o Wi-Fi de casa “dava problema”. E logo um “sabidinho” revelou o segredo para eles. Quando descobriram, demos muitas risadas.

A luz amarela acendeu quando percebemos que eles não conseguiam ficar desconectados nem nos momentos das refeições ou recusavam um convite para um passeio. Observando essa dependência de uso dos gadgets, num momento de sabedoria (iluminação), passamos a incentivar Leonardo a estudar a utilização correta das salas de reuniões virtuais e, com isso, ele começou a se interessar pelo assunto, compartilhando os links para as atividades da comunidade. Em pouco tempo, passou a controlar o ingresso de participantes nas reuniões, abrir e fechar microfones, compartilhar telas, registrar as fotos das reuniões, enfim, fazendo bom uso da internet. Já Yasmin, por sua vez, foi incentivada a fazer desenhos enquanto as atividades estavam em andamento para, ao final, apresentá-los a todos os participantes, que, por sua vez, com muita benevolência, elogiaram seus lindos feitos.

Pode parecer pouco, mas, dessa forma, entendemos que nossos filhos estão mais próximos do mundo real e temporariamente distantes do mundo virtual. Sabidamente, nem tudo são flores, pois, vez ou outra, eles têm recaídas, e, ainda assim, nós os incentivamos a contribuir da melhor maneira.

Em algum momento, ouvimos dizer que “os filhos crescem vendo as costas dos pais” e, então, de alguma forma, precisamos nos esforçar também para dar um bom exemplo para eles.


03

Ricardo e Lívia com os filhos Leonardo e Yasmin


Notas

1. Brasil Seikyo, ed. 1.579, 11 nov. 2000, p. A4.

2. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. Editora Brasil Seikyo: São Paulo, v. 2, p. 214.

3. Brasil Seikyo, ed. 1.569, 26 ago. 2000, p. 3.

25-11-2021

Notícias

Esperança e renovação

REDAÇÃO


No mundo inteiro, o dia 18 de novembro foi marcado pelas comemorações dos 91 anos de fundação da Soka Gakkai. No Brasil, muitas organizações que integram a BSGI celebraram a data, dentre elas, a Subcoordenadoria Centro (CCLP), que realizou seu encontro comemorativo na Sala Mestre e Discípulo (Shitei) do Centro Cultural Dr. Daisaku Ikeda (CCDI), em São Paulo. O presidente da BSGI, Miguel Shiratori, participou da atividade, que contou com representantes no CCDI e na transmissão simultânea, totalizando cerca de duzentos participantes.

O encontro foi um dos primeiros a ser realizados na BSGI de forma híbrida (presencial e virtual). Para isso, foram tomados os cuidados de higiene e de segurança, como o uso de máscaras, álcool em gel e distanciamento físico. Na entrada, os membros foram recepcionados calorosamente e passaram por procedimentos, como aferição de temperatura, fornecimento de máscaras e checagem do comprovante de vacinação.

É importante destacar que os líderes das organizações que compõem a BSGI estão estudando minuciosamente as condições para a retomada segura e gradativa das atividades presenciais em cada localidade, sempre seguindo os direcionamentos dos órgãos de saúde do Brasil e da região.

Após a recitação do gongyo, um vídeo abordou o significado do Dia da Soka Gakkai e a luta incansável dos Três Mestres Soka, Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e Daisaku Ikeda, para propagar o Budismo de Nichiren Daishonin para as pessoas.

Outro momento marcante foi a realização da cerimônia de concessão de Gohonzon e conversão ao Budismo de Nichiren Daishonin, realizada pelo presidente Miguel Shiratori, a primeira desde o início da pandemia. Na oportunidade, receberam o Gohonzon somente aqueles que já são membros da BSGI como, por exemplo, as pessoas que passaram a constituir uma nova família. Os líderes de cada organização estudam a retomada da concessão também aos novos membros.

Jorge Niyazima, vice-responsável pela Divisão Sênior de RM, cumprimentou a todos e enfatizou a importância de levar o budismo às pessoas do nosso convívio.

Em suas palavras, Newton Issamu Kariya, responsável pela Subcoordenadoria Centro, parabenizou e agradeceu a todos, sobretudo aos jovens, que contribuíram para tornar realidade o encontro comemorativo. E, a exemplo do bairro de Shinanomachi, em Tóquio, Japão, onde se encontram importantes edificações da Soka Gakkai, convidou os participantes a tornar a Subcoordenadoria Centro a “Shinanomachi do Brasil”, a proteger a sede da BSGI e a criar inúmeras pessoas valorosas.

Congratulando a todos pela significativa comemoração e transmitindo o respeito por aqueles que perderam os entes queridos durante a pandemia, o presidente Miguel Shiratori salientou a importância de elevar a condição interior de vida por meio da recitação do Nam-myoho-renge-kyo a fim de transformar quaisquer circunstâncias e cumprir a missão como praticantes do budismo, visando 2030, ano do centenário da Soka Gakkai. “Esta década é decisiva para o destino de toda a humanidade e somos os protagonistas desta nova história”, conclamou Shiratori.

Após a atividade, Patrícia Yumi Suzuki, da Divisão Feminina de Jovens (DFJ), que atuou pelo Cerejeira (grupo de bastidores da DFJ da BSGI), revelou sua grande expectativa pela atividade e pelos preparativos realizados. “Depois de tanto tempo de distanciamento social, senti como se fosse minha primeira atuação. O sentimento foi de gratidão por reencontrar os membros e fazer o melhor por eles”, revelou.

Já Newton Kariya enfatizou: “Seguimos todos os protocolos sanitários da BSGI e dos órgãos públicos. Precisamos cuidar muito bem da saúde e da integridade de cada pessoa”.


13

participantes assistem à atividade por transmissão

14

integrante do grupo Cerejeira checa a temperatura de participante. Todos os cuidados de higiene e de segurança são tomados para a realização do encontro


No topo: cerimônia de concessão de Gohonzon e conversão ao Budismo de Nichiren Daishonin são as primeiras após o início da pandemia do novo coronavírus

Assista ao vídeo da primeira reunião da BSGI com concessão de Gohonzon após a retomada gradativa das atividades.

25-11-2021

Mensagem

“Manifestem uma fé ainda mais vigorosa e resoluta no local do seu juramento seigan”

Sinceros parabéns pelo radiante encontro alusivo ao dia 18 de novembro, aniversário de fundação da Soka Gakkai!

Mesmo em meio às contínuas provações, os senhores vêm avançando decididamente com fé inabalável e união de “diferentes em corpo, unos em mente”.

Nichiren Daishonin afirma que, na passagem do Sutra do Lótus “junto com Nichiren chegarão à terra onde o tesouro está”, essa única palavra “junto” significa que, enquanto estiverem junto com Nichiren, chegarão à terra do tesouro.1

Em exato acordo com essa passagem, nosso orgulho, como membros da Soka Gakkai, é vivermos pelo juramento seigan dos emergidos da terra junto com o buda Nichiren Daishonin e avançarmos vigorosamente em prol do kosen-rufu.

Certa vez, o presidente Josei Toda disse: “Meu anseio é que vivam até o fim junto com a Soka Gakkai, a organização da ordem e do desejo do Buda. Com certeza, todas as preocupações atuais se transformarão em grande boa sorte! Munidos dessa alegria da ‘revolução humana’, vamos dedicar a vida em prol da paz e da felicidade das pessoas na comunidade local e na sociedade!”.

Por favor, peço que manifestem uma fé ainda mais vigorosa e resoluta no local do seu juramento seigan e expandam a rede da paz e da felicidade, fazendo com que aquele e este amigo criem uma relação com o Buda.

Minha esposa e eu estamos enviando daimoku, orando com todas as forças pela saúde e longevidade, pela harmonia e tranquilidade, e pela felicidade e vitória de cada um dos senhores.

Em novembro de 2021


Daisaku Ikeda

Presidente da Soka Gakkai Internacional

Nota:

1. Cf. The Record of the Orally Transmitted Teachings [Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente]. Tóquio: Soka Gakkai, p. 78.

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Membros da SGI em frente ao Auditório do Grande Juramento pelo Kosen-rufu (Tóquio, Japão, nov. 2013)

25-11-2021

Frase da Semana

Frase da Semana

A renovada decisão de cada pessoa torna-se a força motriz para impulsionar o progresso dinâmico. Ao assistirmos à reunião de líderes junto com os companheiros emergidos da terra, vamos dar partida com transbordante coragem!

Dr. Daisaku Ikeda

Publicada no jornal Seikyo Shimbun em 24 de novembro de 2021.

25-11-2021

Caderno Nova Revolução Humana

“Eu também me levantarei!”

PARTE 5

No dia 10 de maio, o departamento de assuntos internos do clero emitiu a seguinte diretiva a todos os clérigos:

“Nas cerimônias de oko, é expressamente proibido falar sobre qualquer outra coisa que não sejam os ensinamentos embasados nos escritos de Nichiren Daishonin. Embora numerosos avisos nesse sentido tivessem sido feitos, são evidentes as violações a essa regra. A partir de agora, solicitamos que se abstenham estritamente desse tipo de conduta. Em relação aos membros da Soka Gakkai, não há objeção em aceitar o ingresso daqueles que queiram ser, por vontade própria, adeptos diretos do templo; fora isso, é terminantemente proibido realizar qualquer tipo de abordagem”.

Até mesmo o sumo prelado Nittatsu chegou a repreender pessoalmente alguns clérigos que continuaram a falar mal da Soka Gakkai, desafiando essa diretiva. Contudo, em muitos templos dominados por jovens sacerdotes, a Soka Gakkai continuava a ser difamada e atacada em encontros como os da cerimônia de oko. Também se intensificaram os esforços em convencer os membros a deixar a organização e a se tornar adeptos diretos do templo.

Os sacerdotes desses templos já não davam mais ouvidos às instruções do departamento de assuntos internos nem às do sumo prelado. O clero começou a mostrar sinais de crescente turbulência e confusão interna.

Pouco depois das 6 horas da manhã do dia 22 de julho, Shin’ichi recebeu a notícia de que o sumo prelado Nittatsu havia falecido. O sumo prelado tinha participado de um funeral num templo de Fukuoka em 17 de julho e retornado ao templo principal no dia seguinte. Mas, como não se sentira bem na manhã do dia 19 de julho, foi internado num hospital da cidade de Fujinomiya. Lá, ele morreu após sofrer um infarto do miocárdio às 5h05 do dia 22, aos 77 anos.

Shin’ichi partiu imediatamente do Centro Cultural de Kanagawa para o funeral. Ele chegou ao templo principal antes das 9 horas. Recitou daimoku do fundo do cora­ção, ofereceu a queima de incenso e orou em sua memória.

O velório se iniciou na noite daquele dia no Grande Salão de Recepção (Daikyakuden) e, nessa ocasião, um clérigo de cargo elevado fez um “importante anúncio”. Ele disse que, em abril do ano anterior, Nittatsu havia designado em particular o administrador-geral Shinno Abe como seu sucessor, indicando-o para se tornar o 67o sumo prelado. Nesse momento também, a postura da Soka Gakkai foi de desejar a harmonia entre clero e adeptos e seguir protegendo o clero em prol do kosen-rufu.



PARTE 6

Os serviços oficiais de velório e do funeral do sumo prelado Nittatsu foram realizados no templo principal de 6 a 8 de agosto, com a presença de Shin’ichi Yamamoto e de outros líderes representantes da Soka Gakkai.

Naquele verão, 1.300 membros da SGI de 41 países e três territórios estavam em visita ao Japão. Como presidente da SGI, Shin’ichi Yamamoto os incentivou participando de um encontro internacional da amizade, realizado no Centro Cultural de Kanagawa, em 13 de agosto, e de uma reunião de gongyo de Oração pela Paz Mundial, promovida no Auditório Memorial Toda de Tóquio, em 15 de agosto.

Independentemente da situa­ção em que se encontrasse, de modo algum ele poderia deixar de incentivar esses bravos companheiros que se dedicavam tanto pelo kosen-rufu e tinham viajado até o Japão de vários cantos do mundo movidos por um ardente espírito de procura.

Nichiren Daishonin afirma:

Se alguém — inclusive um demônio ou um animal — proclamar ainda que um só verso ou uma só frase deste sutra, respeite-o como se fosse o Buda. Esse é o significado da seguinte passagem do sutra: “Deve se levantar e cumprimentá-lo de longe, com o mesmo respei­to que demonstraria ao Buda”1 como “o ponto mais importante que ele [Shakyamuni] desejava nos transmitir”.2

Devemos sempre ter como base os ensinamentos de Nichiren Daishonin.

Em seu coração, Shin’ichi estava cada vez mais convencido de que enfim havia chegado uma nova era do kosen-rufu mundial.

No encontro internacional da amizade, Shin’ichi declarou:

— O próprio fato de 1.300 membros do mundo terem vindo ao Japão com espírito de procura pelo Budismo de Daishonin é um acontecimento marcante na história do budismo. Tenham sempre a consciência de que os senhores são os pioneiros que estão abrindo caminhos sem precedentes do kosen-rufu em todo o planeta e estão criando a história. Ao retornarem ao seu respectivo país, talvez a realidade seja de que ainda são poucos em número ou que seja o único a praticar o budismo em vasta área. Mas o importante é lutar com o espírito de levantar-se só. Nichiren Daishonin iniciou sozinho as ondas do kosen-rufu. O presiden­te Josei Toda também iniciou, sozinho, a reconstrução da Soka Gakkai após a guerra. Esse é o espírito de um praticante do budismo e é o espírito da Soka Gakkai. Agora é hora de cada um de nós se levantar como um leão! Eu também me levantarei!


O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.



Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. Editora Brasil Seikyo: São Paulo, v. II, p. 14.

2. The Records of the Orally Transmitted Teachings [Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmen­te]. Tradução: Burton Watson, p. 192.

2-12-2021

Matéria da Divisão Feminina

Sabedoria, coragem e fé são a base da vitória!

Iniciamos o ano de 2021 em meio a grandes desafios, recitamos muito mais daimoku, realizamos visitas virtuais e oferecemos incentivos com o objetivo de não deixar ninguém para trás. Mesmo diante de situações difíceis, ouvimos relatos de membros que se mantiveram firmes, não se permitindo ser derrotadas na prática da fé, fazendo das circunstâncias o ponto de partida para a vitória total.

A profunda filosofia e o empenho diário para manter a prática, recitar daimoku e impulsionar o movimento pelo kosen-rufu têm sido a base que nos fortalece interiormente para travarmos uma batalha contra as funções negativas e vencê-las. Compreendemos a rea­lidade que nos cerca, agravada pela pandemia, de uma forma mais esperançosa, tendo sempre os incentivos diretos do Mestre, que não se poupou para escrever mais uma mensagem, mais um poema e ainda nos incentivar compartilhando fotos tiradas por ele. Quão grandioso é nosso Mestre!

Em comemoração do Dia da Fundação da Soka Gakkai, Ikeda sensei dedicou poemas a todos os membros e destaca a importância do Gosho e da “fé, prática e estudo” em nossa vida, conforme os seguintes trechos:


Jornada de mestre e discípulo,

que vencem na batalha

vivendo pelo Gosho.

(...)

Cientes de que a prática e o estudo

são as asas da liberdade,

as jovens águias voam

rumo ao jubiloso progresso dinâmico

do grande céu do século.1



Ele ainda afirmou:


Ler o Gosho significa compreender, de forma direta, a mente ou o espírito de Daishonin, e entrar em contato com o seu elevado estado de vida, exatamente como ele é. Os escritos de Nichiren Daishonin são as palavras que ele expressou como fruto do seu profundo desejo benevolente de conduzir todas as pessoas à iluminação. (...) Quando lemos seus escritos, nossa vida se revitaliza, como se fosse banhada pelo brilhante sol da manhã do tempo sem início. Uma flamejante chama de coragem, esperança, força e sabedoria surge dentro de nós.2


Por meio dos seus escritos, Nichiren Daishonin nos fez olhar para dentro de nós próprios e enxergar o potencial infinito que temos, ou seja, o estado de buda. E ele também nos ensina que somos capazes de superar as dificuldades, transformar o carma e ainda mudar nosso ambiente. É possível vencer quando nossa vida está ligada diretamente à vida de Daishonin por meio de seus escritos. Esse sempre foi o espírito da Soka Gakkai.

O presidente Ikeda explana:


Em outras palavras, por meio da recitação do daimoku, haja o que houver, adquirem um poderoso senso de autoconfiança, um espírito resoluto de levantar-se só. Com o Gohonzon como seu firme apoio, não se deixem intimidar pelos problemas, e sempre extraem de seu interior a coragem e a sabedoria necessárias para enfrentar as dificuldades. Essas pessoas sentem uma profunda gratidão por todos os que a rodeiam e se destacam por serem capazes de oferecer-lhes alento, tranquilidade espiritual e convicção.3


Queridas amigas, vamos nos esforçar ainda mais com o “espírito de vencer infalivelmente com base no Gosho” — o eterno caminho de mestre e discípulo Soka — e, assim, continuar a iluminar o coração daqueles que sofrem.

Desejamos que desfrutem boa saúde, encerrem o ano 2021 com vitória e sigam com toda a disposição para o “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”.

Concluindo, citamos versos de O Grande Poema Épico da Vitória de Mestre e Discípulo4 e renovamos a nossa decisão de luta conjunta com o Mestre visando o centenário de fundação da Soka Gakkai, em 2030.


Continuar bradando o ardente espírito de

mestre e discípulo.

Dessa maneira, pode-se evidenciar

muito mais capacidade.

Pode-se mudar a si.

Tudo se define a partir do coração.

Deve-se lutar todos os dias com o

sentimento

de comunicar ao mestre:

“Hoje, também, abri o caminho de uma

nova vitória”.



Um forte abraço!

Divisão Feminina da BSGI

03

Líderes da Divisão Feminina da BSGI já visualizam o “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”.



Notas:

1. https://www.brasilseikyo.com.br/central-de-noticias/noticia/999559982  

2. Terceira Civilização, ed. 551, jul. 2014, p. 6.

3. IKEDA, Daisaku. Abertura dos Olhos. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, p. 315, 2008.

4. Brasil Seikyo, ed. 2.588, 20 nov. 2021, p. 3.

2-12-2021

Rede da Felicidade

Vitória sobre as dificuldades

DR. DAISAKU IKEDA


O primeiro grupo do Brasil, constituído de cinco membros, chegou de avião no dia 26 de março. O segundo grupo, formado por 13 pessoas, desembarcou no Porto de Yokohama em 5 de abril. Nessa época, a passagem aérea de São Paulo a Tóquio custava em torno de 1,5 mil dólares, e a viagem marítima, aproximadamente quinhentos dólares.

O grupo do Brasil era composto por japoneses e seus descendentes. Eram imigrantes que, nesse país, construíram a base de sua vida a partir do zero até conseguirem criar as condições mínimas para participar da peregrinação. Enfrentaram naturalmente muitas dificuldades ao conseguir o dinheiro para as despesas da viagem.

O navio Argentina Maru partiu do Porto de Santos no dia 25 de fevereiro levando a bordo os 13 membros do Brasil, liderados por Manzo Koyama.

Koyama era responsável de comunidade. Dois anos após converter-se ao Budismo Nichiren, em 1956, ele emigrou para o Brasil com o intuito de trabalhar na lavoura. A vida que encontrou na nova terra foi muito mais difícil do que imaginara.

Em outubro de 1960, por ocasião da primeira visita do presidente Yamamoto ao Brasil, Koyama ouviu suas orientações e decidiu: “Comprovarei infalivelmente os benefícios da prática da fé em minha vida e irei ao Japão por ocasião da cerimônia do sétimo ano de falecimento do presidente Toda!”. Como ele tinha experiência no cultivo de flores, resolveu plantar palmas-de-santa-rita. Os agricultores da vizinhança não deram muito crédito ao sucesso desse tipo de cultivo. Apesar disso, as plantas cresceram normalmente e Koyama já estava esperando uma boa colheita. Entretanto, uma inesperada geada arrasou praticamente toda a plantação. Koyama ficou desesperado. A única fonte para sustentar sua família e pagar a viagem para o Japão havia desaparecido numa única madrugada. Vencendo o desespero, ele orou fervorosamente a fim de encontrar uma saída para a terrível situação. Quando foi vender as flores que não haviam sido atingidas pela geada, teve uma grande surpresa. O preço alcançou um grande aumento por falta de flores no mercado justamente devido à geada. Com essa inesperada reviravolta, Koyama conseguiu reservar o dinheiro da viagem e partiu com toda a alegria do Porto de Santos.

Todos os demais membros do grupo também passaram por uma experiência semelhante. Ninguém estava viajando em condições econômicas favoráveis. Eles economizaram ao máximo e alguns financiaram a passagem em longas prestações.

Só a viagem marítima durava em média quarenta dias, o que significava que levariam o mesmo tempo para voltar, além do período de permanência no Japão. Não era fácil deixar o trabalho por tanto tempo. Contudo, a decisão de participar da cerimônia do sétimo ano de falecimento de Toda e o desejo de encontrar o presidente Yamamoto superavam quaisquer desafios.

Eles estavam imbuídos do espírito de aprender a prática da fé com os membros do Japão e procuraram aproveitar o tempo livre da viagem para realizar reuniões e estudar algumas orientações. Realizaram duas reuniões por semana, uma para homens e outra para mulheres; e, no domingo, uma reunião de palestra com a participação dos 13 componentes. Estudavam as escrituras do buda Nichiren Daishonin duas vezes por dia, uma de manhã e outra à tarde. (...)

A travessia foi muito turbulenta. O navio balançava tanto que era impossível manter-se em pé. Era preciso agarrar-se em algo fixo para não ser atirado ao chão. Na hora da refeição, as pessoas não podiam se sentar nem colocar pratos na mesa.

As enormes ondas pareciam engolir o navio. Todos sofreram intensamente de enjoo e não conseguiram comer nada. A maioria ficou acamada, sentindo fraqueza. Na hora do gongyo, somente duas ou três pessoas conseguiam se levantar.

Eles resolveram então cancelar as reuniões e o estudo dos escritos de Nichiren Daishonin por alguns dias até que o mar se acalmasse.

Numa tarde em que o navio não parava de balançar, Manzo Koyama, encostado na parede de seu camarote, disse aos companheiros:

— Esta viagem de navio parece a jornada do kosen-rufu. Existem dias em que singramos por um mar calmo, mas enfrentamos também dias turbulentos, com as ondas tentando engolir o navio. Pensando bem, o presidente Yamamoto está comandando o navio chamado Soka Gakkai pela rota do kosen-rufu mesmo nos dias tempestuosos.

Ouvindo essas palavras, um dos membros do grupo percebeu que estava sendo fraco diante das turbulências e sugeriu:

— Vamos realizar uma reunião de palestra? Mesmo que o navio balance terrivelmente, de nada adiantará ficarmos apenas deitados na cama. Se chegarmos desse jeito ao Japão, será vergonhoso para todos nós.

E uma senhora completou a sugestão:

— Ele está certo. Vamos colocar uma foto do presidente Yamamoto na parede como se ele estivesse participando conosco.

— É uma boa ideia. Com certeza, vamos nos sentir mais encorajados.

Embora o navio ainda balançasse, todos os 13 membros do grupo se reuniram animadamente para renovar a decisão.

No começo, os demais passageiros não viam com bons olhos esses encontros que os membros do Brasil realizavam a bordo. Achavam que era um grupo estranho, que recitava orações de manhã e à noite, além de cantar batendo palmas. Quando souberam que eram membros da Soka Gakkai, alguns começaram a comentar que eram praticantes de uma religião violenta, cujos seguidores eram apenas pobres e doentes. Entretanto, à medida que se conheceram melhor com contatos quase diários dentro do navio, os passageiros começaram a mudar de opinião, cativados pela alegria e cordialidade demonstradas pelos membros do Brasil. Sentiram também que a reunião de palestra era cheia de alegria, pois todos trocavam incentivos e encorajamentos.

Com o passar dos dias, alguns passageiros, manifestando o desejo de conhecer melhor a Soka Gakkai, começaram a participar espontaneamente da reunião de palestra, chegando até mesmo a decidirem abraçar o budismo.

O estudo dos escritos foi realizado durante toda a viagem. Quando faltavam alguns dias para a chegada a Yokohama, foi promovido um exame simulado.

Desde o dia em que recebeu a informação de que os membros do Brasil haviam zarpado de Santos em 25 de fevereiro, Shin’ichi Yamamo­to orou seriamente pela saúde de todos durante a longa viagem. Com a aproximação do dia da chegada, ele organizou uma comissão de recepção para atendê-los da melhor forma possível.

Nas primeiras horas da manhã do dia 5 de março, o navio Argentina Maru já estava próximo de Yokohama aguardando a hora para aportar no cais, às 9h30. Os membros não conseguiram dormir naquela noite, ansiosos por ver o Japão depois de muitos anos. Quando começou a clarear, eles saíram dos camarotes e viram ao longe a silhueta ainda escura de sua terra natal. Um deles trouxe uma faixa com os dizeres “Soka Gakkai — Distrito Geral da América do Sul”.

Por volta das 7h30, uma lancha saiu do Porto de Yokohama em direção ao navio e parou próximo da faixa. Acenando as mãos, uma das três pessoas da lancha gritou para eles:

— Vocês são membros da Soka Gakkai do Brasil? Sejam bem-vindos ao Japão!

Ele era um dos líderes encarregados de recepcionar o grupo do Brasil.

Os membros responderam acenando efusivamente. A ansiedade transformou-se em emoção e as lágrimas começaram a cair sem parar pelo rosto queimado pelo sol.

Quando o navio atracou ao cais às 9h40, todos ouviram a Canção da Paz Mundial. Era o coro de recepção formado por trezentos membros de Yokohama.

Os olhos encheram-se de lágrimas novamente. Eles também cantaram com altivez, movendo as mãos para acompanhar o ritmo da canção. O cansaço da viagem desapareceu de imediato.

Do alto do navio, Koyama agradeceu pelas inesperadas boas-vindas.

— Muito obrigado pela recepção. Nós, 13 membros do Brasil, chegamos enfim a este saudoso Japão. Foi uma travessia muito árdua, principalmente por nenhum de nós ter condições econômicas para fazer esta viagem. Porém, o desejo de vir ao Japão e de se encontrar com o presidente Yamamoto foi o que nos trouxe até aqui após quarenta dias no mar. Não foi fácil conseguir dinheiro para viajar e deixar o trabalho por tanto tempo, além de o enjoo ter sido terrível. Entretanto, ao sermos recepcionados tão calorosamente pelos senhores, companheiros de Yokohama, todas essas dificuldades já são boas lembranças. Nosso coração está agora revigorado e repleto de ânimo e alegria.

Koyama estava tão emocionado que quase não conseguia falar. Ele enxugou as lágrimas, respirou fundo e prosseguiu:

— Todos nós estamos muito felizes. Não esperávamos ser recepcionados de forma tão calorosa mesmo antes de pôr os pés em nossa terra natal. Prometemos a todos os senhores que vamos aperfeiçoar nossa prática da fé durante a permanência no Japão para criarmos uma nova onda do kosen-rufu no Brasil. Muito obrigado. Contamos com o apoio dos senhores.

Após essas palavras, os membros do Brasil começaram a desembarcar em meio à intensa salva de palmas. Eles receberam abraços e apertos de mãos no cais, iniciando o primeiro intercâmbio com os membros do Japão.

Shin’ichi Yamamoto recepcionou os membros do Brasil no templo principal.

— Sejam bem-vindos após essa longa viagem!

Ele estendeu a mão e cumprimentou cada um.

— Estão todos bem de saúde? Estou me lembrando de alguns de vocês...

A maioria havia se encontrado com Shin’ichi em sua primeira visita ao Brasil em outubro de 1960. E ele estava se lembrando do encontro que mantivera com cada um.

Ao ver o rosto de Koyama, Shin’ichi cumprimentou-o com muita satisfação, passando o braço em volta do seu ombro.

— Seja bem-vindo. Estava aguardando ansiosamente o encontro com o senhor. Será que não terá dificuldades por deixar o trabalho durante tanto tempo?

— Por favor, não se preocupe. Meus filhos estão cuidando do serviço.

— Quando retornarem para casa, transmitam minhas melhores recomendações a seus familiares. O fato de virem ao Japão imbuídos de forte espírito de procura é semelhante ao ato de plantar a semente da felicidade e do desenvolvimento na prática da fé. Ao mesmo tempo, os senhores estão criando a causa para o grande progresso de seu país. Com toda a certeza, o Brasil será, no futuro, o modelo do kosen-rufu mundial. Porém, terão de enfrentar muitas adversidades nessa jornada. Quando conseguirem vencer cada uma delas, verão que avançaram muito em direção ao horizonte da felicidade. Por isso, haja o que houver, jamais abandonem a prática da fé e nunca se afastem da Gakkai. Assim construirão a própria felicidade. Eu irei novamente ao Brasil. Até lá, acumulem benefícios e boa sorte na vida.

Todos estavam emocionados com o tão esperado encontro com o presidente Yamamoto. Foi por esse motivo que eles haviam enfrentado e superado as adversidades. Todos choravam de profunda emoção.

Uma senhora disse com lágrimas nos olhos:

— Eu vendi de porta em porta as flores que plantei no meu sítio. Guardei esse dinheiro e consegui finalmente vir ao Japão.

— A senhora deve ter passado por muitas dificuldades. Porém, isso já é passado. O importante é que a senhora está aqui junto conosco. Isso é vitória. A senhora venceu e será muito feliz no futuro. Daqui a dez anos, venha novamente ao Japão.

Shin’ichi aproveitou cada momento para incentivar os membros do Brasil, fincando no coração deles a forte cunha da prática da fé. Ele procurou encorajá-los ao máximo, prometendo um reencontro em terras brasileiras.


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embarcação enfrenta mares tempestuosos para chegar a seu destino

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Shin’ichi Yamamoto recebe os membros do Brasil

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logotipo Rede da Felicidade

No topo: ilustração retrata reunião dos membros brasileiros a bordo do navio Argentina Maru a caminho do Japão.


O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.



Fonte:

IKEDA, Daisaku. Nova Era. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 9, p. 25-32.

2-12-2021

Notícias

Distrito Veloso dialoga sobre saúde masculina

REDAÇÃO


O dia 24 de novembro foi um marco para o desenvolvimento dos membros do Distrito Veloso, da RM Osasco Oeste (Sub. Castelo/Régis, CGSP). É que nesse dia foi realizado o Novembro Azul, encontro promovido a partir da união da Divisão Sênior (DS) com a Divisão Masculina de Jovens (DMJ) para reforçar a necessidade de cuidados com a saúde masculina, com ênfase na prevenção do câncer de próstata, tão discutidos no mês de novembro. A reunião virtual foi aberta aos participantes de todas as divisões e atraiu cerca de cinquenta pessoas.

Na atividade, a palavra-chave foi “conscientização” cuja proposta era alertar sobre a importância dos cuidados com a saúde cada vez mais cedo, o que possibilita diagnósticos e tratamentos cada vez mais precoces. A interatividade, mesmo diante de um tema tão sério, foi motivada a partir da palestra do médico Ronaldo Utiyama, que esclareceu, de forma leve e direta, as principais dúvidas e mitos acerca do tema no tradicional momento “Pergunte ao Doutor”.

Para Luiz Guilherme, responsável pela DMJ do Distrito Veloso, o encontro foi esclarecedor e funcionou como excelente oportunidade para obter mais esclarecimentos. “O ponto alto da atividade foi o momento de perguntas e respostas, em que vários membros da DS tiraram suas dúvidas e contaram relatos sobre os exames realizados, como o de próstata, ou relacionados a outros problemas de saúde que eles venceram. Foi um grande momento de incentivo! Muitos pediram para falar e disseram que ficaram mais tranquilos para fazer exames e decididos a se cuidar após ouvir as experiências dos veteranos da localidade”, conta Guilherme.

José Luiz Venturas, responsável pela DS do Distrito Veloso, salientou que o Novembro Azul de 2021 teve um saldo positivo: “A atividade foi muito boa. Um momento de conscientização masculina na tentativa de quebrar alguns tabus da sociedade. É o segundo ano que o realizamos. Foi uma oportunidade de alertar para a prevenção ao câncer de proposta e quanto essa doença mata. Mesmo sendo um diálogo direcionado aos homens mais velhos, realizamos conjuntamente com a DMJ, para que os jovens entendam a necessidade de se cuidar”. Ele também revelou que, ao final, recebeu ligações de membros da DS decididos a agendar e fazer os exames. “Ao ouvir isso, acredito que o propósito da atividade foi alcançado. Se houve aqueles que abriram a mente e decidiram se cuidar, isso já me deixou bastante feliz”, confessa o líder.

2-12-2021

Notícias

Colégio Soka do Brasil promove formatura

REDAÇÃO


No dia 27 de novembro, aconteceu a cerimônia de formatura dos alunos do nível infantil 3, além do encerramento das atividades escolares de 2021 da educação infantil do Colégio Soka do Brasil. O evento, que foi realizado no Auditório da Paz, do Centro Cultural Dr. Daisaku Ikeda, em São Paulo, SP, contou com a participação de 32 estudantes. Compuseram a mesa da solenidade: Jeni Ikeda, primeira vice-presidente do Instituto Educacional Soka do Brasil; Rita Kojima, diretora do Colégio Soka; Ticyanne Gelotti, coordenadora da educação infantil; e Lirian Parizotto, orientadora educacional.

A participação de familiares dos estudantes deu um ar ainda mais especial ao evento, que foi promovido em total acordo com as normas sanitárias recomendadas pelos órgãos de saúde competentes — os cuidados sanitários foram estabelecidos desde o início dos preparativos, inclusive, em cada ensaio da atividade escolar. Além disso, o entusiasmo se fez presente a cada etapa que antecedeu a atividade. Para os organizadores, a formatura foi a representação de uma grandiosa vitória, não somente para os alunos, que festejavam a conclusão do ano letivo, mas também para os pais e funcionários do Colégio Soka. O ponto alto do evento foi a entrega de certificados e o juramento feito pelos alunos, mas a emoção tomou conta de todos na homenagem realizada pelos pais a seus filhos.

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Em meio à emoção, alunos do Colégio Soka finalizam as atividades escolares deste ano (São Paulo, 27 nov. 2021)

2-12-2021

Notícias

Ikeda Kayo Kai realiza encontro e formatura da 13ª turma

REDAÇÃO / COLABORAÇÃO LOCAL


Durante o mês de novembro, foi realizada em toda a BSGI a formatura da 13a turma do Ikeda Kayo Kai (IKK), grupo de treinamento da Divisão Feminina de Jovens (DFJ). Respeitando as características de cada localidade, as irmãs Kayo utilizaram ao máximo a criatividade, proporcionando, segundo depoimentos, atividades realmente emocionantes. Um diferencial desse encontro é que participam não só as componentes da DFJ, mas também veteranas do grupo, atualmente membros da Divisão Feminina (DF).

A respeito dessa atividade, Livia Endo, coordenadora da DFJ da BSGI, declara que “De forma diferente, no mês de fundação do IKK do Brasil, as jovens realizaram encontros de aquecer e renovar o coração, com o desejo de criar uma grande rede humanística que leva esperança e coragem a todas as pessoas com quem se relacionam”.

As jovens da Sub. Amazônia Oriental (CRE Oeste, CGRE) comemoraram os treze anos do Ikeda Kayo Kai e a formatura no dia 13 de novembro, reunindo cerca de cinquenta participantes. Representantes da DF e da DFJ compartilharam suas vitórias e estudaram sobre a confiança que o Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), deposita nas mulheres.

As integrantes do grupo da Sub. Distrito Federal (CRE Oeste, CGRE) realizaram seu encontro no dia 21 de novembro, atraindo cerca de setenta mulheres. O objetivo da atividade era para que, juntas, renovassem a decisão de continuar a se dedicar ao kosen-rufu, movimento em prol da paz e do desenvolvimento de cada indivíduo, como também reconfirmar o juramento Kayo individual.


Juramento e vitórias

Para as componentes do IKK da RE Sergipe (Sub. Nordeste 1, CGRE), o encontro promovido no dia 14 de novembro teve um motivo especial para ser comemorado. É que, nessa data, três novas participantes ingressaram no Ikeda Kayo Kai da localidade. “Foi bastante emocionante, já que são meninas valorosas que recentemente assumiram a liderança de bloco na organização e que atuam como verdadeiras ‘discípulas Ikeda’. Vê-las fazer o juramento ao Mestre neste ano bastante significativo na vida delas me encheu de orgulho e gratidão”, declara Ingrid Nayara, responsável pela DFJ do Distrito Oeste.

Maria Paula, responsável de comunidade pela DFJ na RM Salvador Sul (Sub. Bahia, CGRE), também expressou a alegria de ter participado do 13ª encontro do IKK: “Participei na minha Comunidade Sol Nascente. Como de costume, a atividade foi incrível! Tivemos uma formanda na 13ª turma, conseguimos dialogar e incentivar umas às outras por meio da marcante mensagem da Livia Endo e também da matéria baseadas na qual reafirmamos o nosso eterno ‘Juramento Kayo’”.

A sensação de alegria permeou o encontro na Regional Guarulhos (RM Guarulhos, CGSP), promovido no dia 20 de novembro, conforme relata Karen Mayumi Miyamoto, responsável pela DFJ da regional: “Em nossa localidade, o encontro anual do IKK é sempre muito esperado! É uma atividade tão especial, uma grande oportunidade em que as ‘DF e DFJ Kayo’ dialogam e se incentivam como grandes amigas! Não importa a dificuldade, não importa a realidade, nosso encontro sempre reflete o melhor aspecto de todas!”.

A expectativa também foi grande para as DFJ do Distrito Francisco Real (RM Realengo, CGERJ), conforme revela Bruna José, responsável pela DFJ da localidade: “Foram muitos desafios em meio à pandemia para realizar essa atividade junto com as demais líderes; contudo, foi um encontro maravilhoso. Todos os anos crio muita expectativa porque amo o IKK. Determinei que levaria minha vitória por meio do meu relato. Determinei que venceria até o dia da atividade e consegui! Meu sentimento naquele momento era de gratidão!”. A RM Realengo reuniu, no dia 21, cerca de trinta participantes e o tema da atividade foi “Sejam os Alegres Sóis da Felicidade”.

Sobre a felicidade das integrantes da DFJ, Livia Endo incentiva: “Avançando como mulheres de primeira categoria, cada uma vem se espelhando no exemplo da menina-dragão que representa o princípio de atingir o estado de buda na forma como você se encontra, ou seja, ser verdadeiramente feliz do jeitinho que você é”.

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2-12-2021

Relato

Carma é missão

Abracei o Budismo de Nichiren Daishonin há 32 anos e fui eliminando do meu coração todas as minhas tristezas. Sou mãe de Denis William, filho incrível e grande valor para o kosen-rufu. Sou esposa de William Mauro, marido carinhoso, que me possibilita dedicar prazerosamente ao kosen-rufu. Experimentei a dor da perda, os dissabores da desarmonia familiar, a convivência com as drogas e o alcoolismo. Hoje, minha família e eu desfrutamos uma vida feliz.

A vida dos meus pais não era fácil. Como meu pai era aposentado por invalidez, para ajudar no sustento dos seis filhos, minha mãe começou a lavar roupas para fora. Devido ao uso de álcool e de drogas por alguns familiares, as desavenças eram muitas. Foi nessa época que meu marido me falou sobre o poder da recitação do Nam-myoho-renge-kyo (daimoku). A princípio, não dei importância, pois, na época, praticava o catolicismo. Mas, um tempo depois, iniciei a recitação do daimoku. Que sensação incrível! Vi a mudança do ambiente familiar, começando por meus pais, que deixaram a bebida e o cigarro e passaram a ser exemplos para mim.

Desde o início, procuro seguir as orientações do meu mestre, Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), e o jornal Brasil Seikyo sempre foi minha bússola. Recorria a ele constantemente para encontrar orientações de Ikeda sensei nos momentos de desafios e também em momentos de alegria.

Em 1989, casei numa linda cerimônia budista e, em 1993, descobri que estava grávida, uma felicidade tamanha! Meus pais estavam radiantes com a vinda do bebê. Próximo do quinto mês de gestação, perdi meu pai, vítima de aneurisma. Não tenho palavras para descrever aquele momento. Além disso, tive de deixar a casa em que morava, pois fazia parte do inventário. Grávida e pagando aluguel, foi bem difícil. Contudo, objetivamos transformar nossa condição. Naquele momento crucial, recitava muito daimoku. Vencemos, ao construirmos a “casa do kosen-rufu”. Comprovamos que “o inverno nunca falha em se tornar primavera”.1 Determinamos construir uma sede particular.

Meu filho nasceu saudável e nos trouxe muitas alegrias. Porém, em 2005, minha mãe faleceu. Após 43 dias, um dos meus irmãos faleceu e, seis meses depois, outro, vítima de infarto. Apesar da dor, nós nos fortalecemos para vencer o carma da doença. Manifestei trombose, embolia pulmonar, síndrome de Sjögren, condromalácia patelar, traço da talassemia, diagnóstico de lúpus. No entanto, transformei “veneno em remédio”, ou seja, meu “carma em missão”. Devido às perdas familiares, meu angiologista descobriu que tenho trombofilia, isto é, predisposição para formação de coágulos no sangue. Por meio da pesquisa de DNA, foi descoberto que meu pai, minha mãe e meus irmãos tinham a mesma doença e, por isso, faleceram jovens. Tive a imensa boa sorte e proteção de descobrir a tempo e poder me tratar.

Em 2014, construímos nosso “castelo do kosen-rufu”, a Sede Comunitária Era da Paz, para expansão do budismo na localidade de Nova Lima (MG). Uma alegria imensa! Concretizei 22 shakubuku. Durante todos esses anos, aprendi, na prática, quanto é fundamental a relação de mestre e discípulo e a esperança da vitória absoluta.

Sempre acreditei que um dia participaria de um curso de aprimoramento no Japão e, em 2019, fui selecionada. O treinamento para esse curso foi o que me transformou. Hoje, sou uma nova Rose, aquela que transforma o impossível em possível. No Japão, conhecemos Okinawa, um verdadeiro paraíso, contudo, palco da Segunda Guerra Mundial. Nosso grupo foi denominado “Grupo Brasil Okinawa da Vitória de Unicidade de Mestre e Discípulo”. Meu grupo e eu renovamos nossa decisão de nos dedicar ainda mais pela paz em nosso país e proteger com justiça as pessoas e a legitimidade do Budismo Nichiren.

Em 2020, o mundo passou por momentos adversos de muito medo e de incertezas com a pandemia do coronavírus. Aprendi muito nesses meses. Eu me fortaleci e sinto gratidão por ter a prática da fé como base. Dia após dia, venci os obstáculos e as maldades. Como faço parte do grupo de risco, fiquei por um ano e seis meses trabalhando home office. Já voltei ao trabalho presencial e tudo caminha superbem. Tenho um emprego maravilhoso, sou agente de saúde. Visito 178 famílias todos os meses em sua casa, oportunidade de incentivá-las a se prevenir de doenças.

Sou eternamente grata ao meu mestre, Daisaku Ikeda, por me ensinar a priorizar o que realmente importa e sinto que, a cada dia, eu me torno um ser humano melhor.

Rosilene Reis Oliveira, 55 anos, agente de saúde. Responsável pela DF da RM Zona da Mata (Sub. Minas Gerais, CGRE).

12

com o marido e os três irmãos

13

em Okinawa (Japão)

14

na inauguração da Sede Comunitária Era da Paz

15

Rosilene com marido William e filho Denis. As fotos das atividades são de antes da pandemia da Covid-19



Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin, v. I, p. 560, 2020.

2-12-2021

Especial

Ode à juventude

REDAÇÃO


“Por que se escala

uma montanha?

Porque aí se encontra

uma montanha” —

assim disse um

famoso alpinista.


No dia 10 de dezembro de 1981, o Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), surpreendia a todos com um poe­ma cujo título já representa uma forte diretriz para a atuação dos jovens de várias gerações: Jovens, Escalem a Montanha do Kosen-rufu do Século 21!. O cenário da época era a luta da Soka Gakkai contra a maldade autoritária do clero que, visando ao lucro e ao predomínio religioso, tentava tirar proveito da fé dos componentes da organização. E, mesmo subestimando a força daquelas pessoas comuns, o clero não contava que a relação de mestre e discípulo criada entre os membros e o presidente Ikeda já estava muito bem enraizada e se fortalecia a cada dia. O fruto colhido foi a independência religiosa conquistada anos depois, e o poema, sem dúvida, foi essencial para o fortalecimento da Soka Gakkai.

No volume 30 da obra Nova Revolução Humana (NRH), sabemos mais sobre o dia em que o Mestre compôs o poema. Estava programada para as 18 horas do dia 10 de novembro de 1981 a reunião de líderes da Divisão dos Jovens (DJ) da província de Oita. Naquela data, completavam-se trinta anos do anúncio do Preceito aos Jovens, de Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, que iniciava com a icônica frase: “O que constrói a nova era é a força e a paixão dos jovens”. Shin’ichi Yamamoto, personagem que representa o presidente Ikeda na NRH, percebe a importância de deixar uma nova diretriz para os jovens. Ele começa a ditar os versos que são prontamente anotados pelos líderes da Divisão Masculina de Jovens (DMJ) e da Divisão Feminina de Jovens (DFJ) presentes no local. E enfatiza sobre a importância de “escalar a montanha” da vitória diá­ria e que a força necessária para isso está na recitação do gongyo e do daimoku.


Sensibilidade


Tenho certeza.

A era vindoura

aspira e aguarda tais

jovens líderes.

Uma pessoa

sem fé e sem filosofia

é como um navio sem bússola.

A era está mudando,

instante a instante,

da era material

para a era espiritual,

e desta para a era da vida.


Jovens, Escalem a Montanha do Kosen-rufu do Século 21! é um poema longo e intenso. Composto por cerca de quarenta estrofes e mais de 2.200 palavras, em português, reflete o desejo do presidente Ikeda de que aquelas expressões se tornassem a “nova diretriz rumo ao século 21”,1 e conclamou a todos reforçando que, com base na prática da fé, “independentemente do que ocorresse, não se permitissem ser derrotados jamais”.2 Ler esse poema, na atualidade, é uma forma de observar quanto avançamos como membros, se estamos exercitando essa importante diretriz do sensei e também de lançar novas decisões e objetivos para os próximos anos.

Compor um poema com tamanho significado e profundidade, ainda que servisse como diretriz para diferentes gerações de membros da Soka Gakkai, é uma tarefa que requer, muito além de habilidade, sensibilidade. O sentimento de incentivar e tocar profundamente o coração de cada pessoa está contido em cada poema, em cada obra, artigo, discurso ou foto produzida pelo presidente Ikeda, que dedica a vida ao empreendimento de desenvolver as pessoas para que se tornem felizes e avancem com o desenvolvimento social. Um dos resultados desses esforços foi seu reconhecimento como poeta laureado pela World Academy of Arts and Culture (Academia Mundial de Artes e Cultura), em julho de 1981. De maneira geral, um poe­ta é laureado por um país ou uma instituição dada a importância de suas obras.

Na mensagem enviada pelo presidente Ikeda para as atividades comemorativas do 18 de novembro deste ano, Dia da Soka Gakkai, ele registra:


Por favor, peço que manifestem uma fé ainda mais vigorosa e resoluta no local do seu juramento seigan e expandam a rede da paz e da felicidade, fazendo com que aquele e este amigo criem uma relação com o Buda.3


Nessa parte da mensagem, o Dr. Ikeda manifesta seu sincero desejo de que os membros da Soka Gakkai, com base na prática budista, manifestem sua fé e vençam as dificuldades, ao mesmo tempo em que propagam o Budismo de Nichiren Daishonin para a sociedade. Numa estrofe de Jovens, Escalem a Montanha do Kosen-rufu do Século 21, o Mestre reforça aos jovens a importância de manter a decisão de vencer. No poema consta:


No curso de vida significativo,

verdadeiro e repleto

de plenitude,

torna-se necessário

o grandioso budismo

e a fé em seus ensinamentos.

Saibam que o máximo orgulho de vocês

está no bailar da sua juventude,

abraçando o Budismo de Nichiren Daishonin.


A atuação da Divisão dos Jovens, assim como a decisão de todos os demais em manter o espírito jovial, não somente na organização, mas também na vida, inspira as pessoas e é uma das formas de manifestar a grandiosidade da prática budista. Em sua totalidade, o poema Jovens, Escalem a Montanha do Kosen-rufu do Século 21!, além de ser uma diretriz para a vida, eterniza o sincero desejo do Mestre de que seus discípulos se tornem fortes e vitoriosos em todos os momentos da existência deles.


Curiosidades

O poema Jovens, Escalem a Montanha do Kosen-rufu do Século 21! foi revisado pelo Dr. Ikeda e publicado no jornal japonês Seikyo Shimbun no dia 22 de março de 1999, ocasião em que foi registrado como “diretriz para o século 21”.

Além disso, o poema foi musicado por Masato Kai e se tornou uma tradicional canção da Soka Gakkai, constantemente apresentada por grupos e departamentos musicais da organização.

Recentemente, o naipe de madeiras da Orquestra Filarmônica Brasileira do Humanismo Ikeda (OFBHI) regravou a canção que será apresentada em formato de vídeo.

Clique aqui e leia o poema na íntegra.

15

Cadeia de montanhas do Himalaia retratada em foto tirada pelo presidente Ikeda no subúrbio de Katmandu (Nepal, nov. 1995)


16

“Os jovens devem transmitir a luz da esperança para a humanidade neste século.” Acima, presidente Ikeda dialoga com os estudantes na Universidade Nacional Autônoma do México (1981)

No topo: jovens participantes de um curso de aprimoramento da SGI no Japão em frente à pintura Pico Chomolungma, do artista chinês Chang Shuhong, que retrata o Monte Everest (Auditório Memorial Makiguchi de Tóquio, Hachioji, set. 2012)


Notas:

1. Cf. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 30-II, p. 65, 2020.

2. Ibidem, p. 61-62.

3. Brasil Seikyo, ed. 2.589, 25 nov. 2021.

2-12-2021

Encontro com o Mestre

Escalando uma nova montanha do kosen-rufu rumo ao centenário da Soka Gakkai

DR. DAISAKU IKEDA

Nós, que dedicamos a vida ao kosen-rufu, o grandioso movimento pela paz e felicidade de todas as pessoas, estamos sempre junto com Nichiren Daishonin, o Buda dos Últimos Dias da Lei.

Enquanto morava no Monte Minobu, província de Kai (atual província de Yamanashi), Daishonin enviou uma carta à idosa monja leiga de Ko, dedicada seguidora que vivia na Ilha de Sado — “a mil [milhas de distância], atravessando montanhas e mares”.1 O Buda diz a ela: “Sempre que sentir saudades de mim, olhe na direção do Sol que se levanta [pela manhã] e para a Lua que se ergue à noite. A qualquer hora, estarei refletido no Sol e na Lua”.2

Somos integrantes da família Soka, ligados pela Lei Mística. Os prodigiosos laços que compartilhamos na grandiosa odisseia do kosen-rufu são refletidos nesses espelhos luminosos do céu — Sol e Lua. Unidos em oração com os membros do mundo para concretizarmos nosso juramento pelo kosen-rufu, vamos continuar incentivando uns aos outros calorosamente e expandir nosso inigualável movimento, um exemplo de união na diversidade.


* * *


Sete de outubro foi o Dia da Divisão das Ilhas da Vitória [anteriormente, Dia da Divisão das Ilhas Remotas] no Japão. Nesse contexto, recebi uma série de notícias atualizadas dos membros das mais de 230 ilhas.

Muitos membros pioneiros daquelas ilhas se empenharam incansavelmente desde os primórdios da organização. Perseverando em meio a críticas daqueles que não compreendiam nossos propósitos e ideais, munidos de paciência, eles fincaram raízes em sua localidade e trabalharam duro para contribuir para o desenvolvimento de sua comunidade. Hoje, desfrutam a sólida confiança de seus vizinhos e concidadãos.

Os membros que vivem nessas ilhas remotas também encararam os desafios da pandemia da Covid-19 com um espírito indômito e estão demonstrando provas reais de revolução humana inspiradoras. E nossas dinâmicas Divisão dos Jovens (DJ) e Divisão dos Estudantes (DE) resplandecem como tesouros de esperança em cada comunidade.

Junto as mãos num gesto de profundo respeito e reverência a esses bodisatvas Jamais Desprezar.3 Sem se deixarem vencer pelos ventos da adversidade, são brilhantes exemplos de amizade e de serviço à coletividade. Recito daimoku com o desejo de que minha oração alcance cada ilha, sem exceção. Oro todos os dias para que cada um dos nossos membros desfrute de boa sorte e segurança, honra e sucesso.

Mesmo enquanto esteve exilado em Sado, uma longínqua ilha cercada por mares revoltos, Daishonin demonstrou caloroso interesse por seus discípulos e pelos moradores locais que tiveram contato com ele. Também foi lá que ele emitiu sua imponente predição de que a Lei Mística se propagaria amplamente no futuro.4

“O corpo e a mente dela permeiam todo o mundo dos fenômenos”.5 Nossa determinação de cumprir nosso grande juramento como bodisatvas da terra pode superar todas as limitações.

Promover o avanço do kosen-rufu em uma única ilha, realizando progressos constantes na concretização do ideal de “estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra” numa única comunidade — esses esforços são um modelo para a consecução desses objetivos em âmbito global.

Daishonin encoraja seu dis­cípu­lo, dizendo: “Confio ao senhor a propagação do budismo em sua província”.6 Não importando onde você more, portanto, espero que se orgulhe de ser incumbido da missão de realizar o kosen-rufu, de trabalhar pela felicidade das pessoas, desse exato lugar.


* * *


Numa carta para a monja leiga Sennichi, em Sado, Daishonin escreve: “Jurei fazer com que todas as mulheres recitem o daimoku [Nam-myoho-renge-kyo] deste sutra a fim de retribuir o muito que devo à minha própria mãe”.7 Desde a época dos presidentes Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda, acatar com seriedade esse desejo de Daishonin e demonstrar máximo respeito pelas mulheres têm sido o espírito de mestres e discípulos Soka.

Meio século já se passou desde que compus o poema Haha (Mãe).8 Ele foi anunciado e lido numa reunião de líderes da Divisão Feminina (DF) de Kansai, no Ginásio Higashiyodogawa, em Osaka, em outubro de 1971. Aquele ano assinalou o 15º aniversário da Campanha de Osaka9 e eu quis apresentar esse poema em primeiro lugar para todas as mulheres da “Kansai de Contínuas Vitórias”, que haviam se empenhado ao meu lado com tamanha sinceridade naquela ocasião. Minha esposa, Kaneko, participou da atividade em meu lugar, levando consigo a versão final do poema, ainda com as marcas de revisão de última hora.


Mãe! Oh, mãe!

Que força vasta e misteriosa

você possui!10


A emoção e o afeto respeitoso que expressei naqueles versos permanecem inalterados até hoje. Também estou convicto de que a “força vasta e misteriosa” das mulheres brilhará cada vez mais intensamente no futuro.

A propósito, minha esposa sempre sorri encantada quando passamos de carro em frente ao Centro Internacional das Mulheres Soka,11 um lindo prédio em celebração das mulheres, inaugurado no último ano (2000) do século 20.

Em uma carta enviada a Nichigen-nyo, esposa de Shijo Kingo, Nichiren Daishonin louva o grande poder benéfico da Lei Mística, dizendo: “Existe algo que supere o brilho do Sol e da Lua? (...) O Sutra do Lótus é o Sol, a Lua e a flor de lótus.12

Hoje, as mulheres Soka, radiantes como o Sol e a Lua e puras como uma flor de lótus, estão partilhando felicidade e sabedoria com todos ao redor e abrindo o caminho para uma triunfal era das mulheres que prezam o valor inestimável da vida.

Em 18 de novembro, Dia da Fundação da Soka Gakkai, nossa comunidade de mulheres Soka no Japão dará uma nova partida com a fusão entre a Divisão Feminina e a Divisão Feminina de Jovens (DFJ).13 Espero que zarpem juntas para rea­lizar esforços ainda maiores pela paz e felicidade, como precursoras de uma era de crescente diversidade, respeitando e valorizando umas às outras e apreciando mutuamente as qualidades ímpares de cada uma, de acordo com o princípio da “cerejeira, ameixeira, pessegueiro e damasqueiro”.14

O mundo aguarda a luz resplandecente das mulheres Soka a iluminar a escuridão da nossa época conturbada.


* * *


É o outono de jovens ativos, o outono da esperança e o outono da vitória!

O grande poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749–1832) afirmou que “O jovem exerce uma força muito poderosa sobre o jovem”,15 acrescentando que a influên­cia dos jovens anima o mundo e não permite que pereça nem moral nem fisicamente.

Em outubro de 1951, há sete décadas, nós, membros da Divisão dos Jovens, entramos em ação de forma vigorosa, abraçando o Preceito para os Jovens, que o nosso mestre, Josei Toda, havia nos apresentado. Nele, Toda sensei escreveu: “O que constrói a nova era é a força e a paixão dos jovens”16 e “Jovem, levante-se só, com coragem! Jovem, junte-se a mim na luta!”.17

Cada palavra fazia com que nós, rapazes, e moças igualmente, nos enchêssemos de entusiasmo e de inspiração.

Com a mais alta expectativa, ele nos exortou: “Elevem o ânimo dos membros e empenhem-se com a consciência de que vocês são as pessoas centrais na concretização do grande juramento pelo kosen-rufu”.18

Em uma convenção da Soka Gakkai, realizada no mês seguinte (em novembro de 1951), expus minha determinação como representante da Divisão Masculina de Jovens (DMJ) num discurso intitulado “A convicção dos Jovens”. Na ocasião, eu atuava como líder da DMJ de bloco.

Selei o juramento de que viveria de maneira fiel ao Preceito para os Jovens, do nosso mestre, declarando diante de Toda sensei: “Nós, jovens, jamais permitiremos que suas palavras sejam em vão. (...) A convicção dos jovens da Soka Gakkai é a de que somos jovens repletos de espírito de luta e coragem”.

Como se oferecesse uma resposta ao compromisso firmado por seus discípulos naquela convenção, Toda sensei proferiu um discurso intitulado “O Grande Juramento da Soka Gakkai”. Citando passagens da Carta para Hojo Tokimune, na qual Daishonin advertiu o regente japonês, nosso mestre frisou: “O âmago da Soka Gakkai consiste em fazer do coração de Nichiren Daishonin seu próprio coração. O espírito da Soka Gakkai é possibilitar que todas as pessoas atinjam a iluminação por meio do poder do veículo único da Lei Mística”.19

Em 5 novembro, uma década depois (em 1961), data hoje comemorada como Dia da Divisão Masculina de Jovens [Japão],20 100 mil membros participaram de uma convenção da DMJ, e, em 12 de novembro, atualmente celebrado como Dia da Divisão Feminina de Jovens [também no Japão],21 85 mil moças se reuniram para uma convenção da DFJ. Os dois eventos representaram um marco triunfal para nossos jovens e foram realizados apenas dezoito meses após eu assumir a liderança como terceiro presidente da Soka Gakkai. Foi uma vitória alcançada pelos jovens, que se levantaram como nobres torres de tesouro, com base no espírito de unicidade de mestre e discípulo. Relatei esse feito a Toda sensei como o cumprimento de um dos juramentos que havia firmado a ele.


* * *


Duas décadas mais tarde — em 1981, denominado “Ano dos Jovens” —, viajei, não me limitando apenas ao Japão, mas abrangendo também os Estados Unidos, onde estive no Havaí, e os países da América do Norte, como Canadá e México, depois segui para a União Soviética e para diversos países da Europa.

Quando um jovem se levanta com um compromisso genuíno, nosso movimento pelo kosen-rufu cresce com “duas, três, cem pessoas”22 seguindo-o. Quando um jovem assume para si o espírito do seu mestre, o futuro de sua comunidade e do seu país será promissor. Esse é o caminho que abri com a orientação do meu mestre. Por essa razão, sempre tentei encontrar uma maneira de incentivar os jovens de todo o coração, mesmo que não pudesse me encontrar com eles pessoalmente.

Em novembro de 1981, reuni-me com os jovens de Shikoku para celebrar o alvorecer de uma nova era com a canção Kurenai no Uta [Canção do Carmesim]. E meu poema Jovens, Escalem a Montanha do Kosen-rufu do Século 21!, que apresentei em Oita, Kyushu, assinalou o auge daquele “Ano dos Jovens”.23

A contraofensiva, minha e dos nossos corajosos membros, lançada [em resposta à opressão implementada pelo clero] a partir daquele ensejo — uma “luta conjunta de campeões”24 — assentou o caminho para o desenvolvimento do kosen-rufu mundial que vemos hoje.

Daishonin assegura: “Quando um grande mal ocorre, um grande bem o sucederá”.25 Ele descreve o espírito desafiador positivo que devemos ter, afirmando: “Deveriam estar todos bailando (...), deveriam estar saltando e bailando. Quando o bodisatva Práticas Superiores emergiu da terra, não o fez bailando?”.26

Levantar-nos corajosamente nu­ma época de grande mal, uma época de dificuldades e desafios assustadores, com a convicção de que podemos mover nossa vida e a sociedade para a direção do grande bem — esse é o nosso espírito como praticantes do Budismo Nichiren.

Uma vida assim é livre de pessimismo, autocomiseração ou resignação. É repleta de alegria — a grande alegria de praticar a inigualável Lei Mística — e honra de cumprir sua missão. Não existe vitória mais nobre ou mais gratificante na juventude do que essa.

Os bravos integrantes da DMJ e da DFJ daquele tempo, quatro décadas atrás, escalaram a montanha do kosen-rufu ao meu lado e criaram vários sucessores maravilhosos. Eles estão sempre comigo no fundo do meu coração.

Agora, outra montanha do kosen-rufu se encontra diante de nós.

Ao trilharmos nosso caminho em direção a 2030, centenário da Soka Gakkai, devemos escalar essa montanha para garantir a vitória do nosso movimento pela paz e felicidade da humanidade no século 22. Portanto, clamo, mais uma vez, a vocês a quem confio e estimo, meus queridos jovens amigos, meus verdadeiros discípulos:


Ao atingir o topo da montanha,

o mundo todo

se desenrolará diante de vocês

e lhes pertencerá.

Não há caminho mais elevado na vida

do que esse — de uma juventude devotada

à alegria e infinita satisfação de lutar

em prol da Lei budista.

Sabendo disso,

confio tudo a vocês!27


21

Vinte e um anos desde a inauguração do Centro Internacional das Mulheres Soka, em Shinanomachi, Tóquio. A partir deste castelo da paz e da felicidade, emana o precioso brilho da esperança para a sociedade e para o mundo! (foto tirada em novembro de 2021 por Ikeda sensei)

22

Jovem é o pilar do mundo. Acima, ilustração retrata quando, em novembro de 1961, 100 mil jovens se reuniram com Ikeda sensei no Estádio Nacional (na época), e registraram a história da “Vitória” (Shori, no painel).

24

Leões Soka não temem a nada. Avanço corajoso com o entrelaçamento de jovens leões! Esta caligrafia de Ikeda senseiYuja Kyosen (Luta Conjunta dos Heróis) – foi anunciada no mês dos jovens em julho de 1982

No topo: presidente Ikeda e sua esposa, Kaneko, durante sua segunda visita a Kansai no ano do Grande Terremoto de Hanshin-Awaji (Terremoto de Kobe). Ao encontro dos companheiros indomáveis perante os sofrimentos e as dificuldades (Centro Cultural de Kansai, Osaka, maio 1995)



Notas:

1. cf. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 313, 2017.

2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 623, 2014.

3. Bodisatva descrito no 20º capítulo do Sutra do Lótus “Bodisatva Jamais Desprezar”. Esse bodisatva — Shakyamuni numa existência anterior — viveu no fim dos Médios Dias da Lei subsequente à morte do buda Rei do Som Imponente. Ele se curvava a todos que encontrava e dizia: “Eu os reverencio profundamente, jamais ousaria tratá-los com desdém ou arrogância. Por quê? Porque todos estão praticando o caminho do bodisatva e infalivelmente atingirão o estado de buda” (LSOC, cap. 20, p. 308). Entretanto, era atacado por monges, monjas leigas e leigos arrogantes, que o agrediam com varas e bastões e atiravam pedras nele. O sutra explica que essa prática se tornou a causa para que o bo­disatva Jamais Desprezar atingisse o estado de buda.

4. Cf. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 417, 2014.

5. Palavras do grande mestre Miaole em Anotações sobre “Grande Concentração e Discernimento”. Cf. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 384, 2014.

6. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 385, 2014.

7. Ibidem, p. 196.

8. Esse longo poema posteriormente constituiu a base para uma canção da Soka Gakkai homônima muito apreciada pelos membros, composta em 1976.

9. Campanha de Osaka: Em maio de 1956, os membros de Kansai, unidos em torno do jovem Daisaku Ikeda, que havia sido enviado pelo segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, para apoiá-los, tiveram um aumento de 11.111 famílias no distrito num único mês.

10. Versos do poema.

11. Próximo à sede da Soka Gakkai, em Tóquio, Japão.

12. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 194, 2014.

13. Essa alteração organizacional se aplica apenas ao Japão.

14. cf. The Record of the Orally Transmitted Teachings [Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente]. Tóquio: Soka Gakkai, p. 200.

15. GOETHE, Johann Wolfgang von. The Autobiography of Goethe: Truth and Poetry: From My Own Life [Autobiografia de Goethe: Verdade e Poesia: Da Minha Própria Vida]. v. 1. Tradução: John Oxenford. Londres: George Bell and Sons, 1897. p. 386.

16. Traduzido do japonês. TODA, Josei. Toda Josei Zenshu [Obras Completas de Josei Toda]. v. 1. Tóquio: Seikyo Shimbunsha, 1992. p. 58.

17. Ibidem, p. 59.

18. Ibidem, p. 61.

19. Traduzido do japonês. TODA, Josei. Toda Josei Zenshu [Obras Completas de Josei Toda]. v. 3. Tóquio: Seikyo Shimbunsha, 1991. p. 450.

20. O Dia da Divisão Masculina de Jovens celebra a convenção da DMJ realizada no Ginásio Nacional de Esportes em Tóquio, em 5 de novembro de 1961, dezoito meses após o presidente Ikeda ter assumido como terceiro presidente da Soka Gakkai, reunindo mais de 100 mil membros pela primeira vez.

21. O Dia da Divisão Feminina de Jovens celebra a convenção da DFJ, que reuniu 85 mil membros em 12 de novembro de 1961. O encontro ocorreu no Estádio Mitsuzawa, em Yokohama — mesmo local em que o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, proferiu sua Declaração pela Abolição das Armas Nucleares, em setembro de 1957.

22. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I. p. 404, 2014.

23. Este ano assinala tanto o 40º aniversário da canção Kurenai no Uta [Canção do Carmesim] como do poema Jovens, Escalem a Montanha do Kosen-rufu do Século 21!

24. Citação de palavras de uma caligrafia dedicada por ele no ano seguinte, 1982.

25. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 387, 2017.

26. Ibidem.

27. O presidente Ikeda apresentou o poema Jovens, Escalem a Montanha do Kosen-rufu do Século 21! em 10 de dezembro de 1981. A tradução utilizada nesse ensaio consta na seguinte fonte: IKEDA, Daisaku. Journey of Life: Selected Poems of Daisaku Ikeda [Jornada da Vida: Coletânea de Poemas de Daisaku Ikeda]. Londres: I. B. Tauris, 2014. p. 76.

Publicado no jornal Seikyo Shimbun, de 14 de outubro de 2021.

2-12-2021

Incentivo do líder

Missão: ser feliz!

Como é gratificante pertencer à Soka Gakkai, a união de pessoas de bem que prezam a vida da humanidade.

Gostaria, nesta oportunidade, como mulher Soka, enfatizar a felicidade e a enorme gratidão pela fundação da Divisão das Mulheres no Japão e agradecer ao presidente Ikeda por tanta consideração e carinho às rainhas e princesas. Sabemos que, no Brasil, ainda não é possível essa oficialização, mas nosso coração já sente como se assim fosse.

Temos um Mestre e uma organização que protege, cuida e direciona as mulheres para que conquistem a felicidade total. Aqui, aprendemos que “todas as mulheres da Soka Gakkai devem ser infalivelmente felizes”.

Quero compartilhar um fato que ocorreu aqui na nossa região, Ribeirão Preto, SP, no mês de novembro, com uma mulher que eu conhecia e que foi vítima de feminicídio. Esse acontecimento me fez pensar nela, relembrar casos que presenciei e oferecer a ela o título de “Grandiosa Mulher”, pois passou por muitas dificuldades; era mãe, esposa, amiga e sempre cuidou com muito carinho de sua família. A filha dela tinha uma síndrome, o que exigia muito cuidado e atenção, e essa “Grandiosa Mulher” sempre se dedicou a ela sem poupar esforços.

Esse fato demonstra a incapacidade de uma parcela considerável da nossa sociedade de evidenciar respeito à dignidade da vida. Muitas pessoas se encontram ainda vivendo imersas nos “três venenos” — avareza, ira e estupidez —, que são gerados pela escuridão fundamental levando ao sofrimento e à infelicidade. A violência contra as mulheres está tão próxima de todos nós, e percebemos isso pelas notícias diárias.

Aprender o valor da vida e lutar para que ela seja valorizada pelos outros fazem parte do dia a dia das mulheres.

Ikeda sensei em sua orientação diz:


As integrantes da DF e DFJ da Soka Gakkai são invencíveis. Vivem com sabedoria, força e alegria. Avançam com muita persistência, dia após dia e passo a passo a jornada do kosen-rufu. Quero bradar do fundo do meu coração que, enquanto houver o juramento e o avanço das mulheres Soka, o alicerce da Soka Gakkai estará firme.1


Quanta consideração! A todo momento, somos valorizadas e elogiadas pelo Mestre.

Quando lemos a Nova Revolução Humana, encontramos relatos de mulheres comuns e anônimas, mas que, no palco do kosen-rufu, são as protagonistas, vivem pelo bem das pessoas, levando felicidade e encorajamento a esse e àquele amigo.

Desde a época de Shakyamuni, passando pelo período em que Nichiren Daishonin viveu, até os dias atuais com os Três Mestres, mesmo a sociedade agindo de outra forma, no budismo, o que aprendemos é sobre a grandiosidade das mulheres.

Em outra orientação, Ikeda sensei enfatizou às mulheres Soka: “Minha missão é o kosen-rufu. Minha missão é fazer com que todas vocês sejam felizes”.2

Então, não podemos deixar essas palavras serem em vão. Devemos nos tornar verdadeiramente felizes, crescer a cada dia e fazer mais e mais pessoas felizes.

À Divisão Sênior e à Divisão Masculina de Jovens, imensa gratidão pelo cuidado, carinho e proteção às mulheres Soka.

Muitíssimo obrigada!

Desejo um vitorioso 2022, “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”.


Joana D’arc Suzuki

Coordenadora da Divisão Feminina de coordenadoria


Notas:

1. Brasil Seikyo, ed. 2.186, 6 jul. 2013.

2. Idem, ed. 1.864, 21 out. 2006.

2-12-2021

Frase da Semana

Frase da Semana

“Respeito-o como se fosse o Buda.”1 Vamos reverenciar os companheiros do kosen-rufu e louvar-nos mutuamente do fundo do coração! Levem, ainda mais, os belos laços da família Soka para a comunidade local e a sociedade!

Dr. Daisaku Ikeda

Publicada no jornal Seikyo Shimbun em 28 de novembro de 2021.

Nota: 1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 14, 2017.

2-12-2021

Relato

Música e educação em prol da paz

Nasci numa família de praticantes do Budismo de Nichiren Daishonin, membros da Soka Gakkai. Iniciei minha trajetória ao entrar na banda Taiyo Ongakutai da Divisão Masculina de Jovens (DMJ), com a qual me identifiquei de imediato por ser apaixonado por música. Fui alfabetizado por minha mãe, professora Hamilta Queiroz, que também me incentivou à cultura, mas o reforço nos estudos veio do meu pai, José Queiroz.

O tempo passou e comecei sentir a necessidade de trabalhar. Minha mãe e eu sempre conversamos bastante e, certa vez, ela disse: “Um homem tem de saber fazer de tudo”. Trabalhei em vários empregos, mas nenhum me completou. Minha mãe possui uma creche escola comunitária e eu sempre estava por perto para ajudar no que precisasse. Surgiu então a oportunidade de prestar vestibular para pedagogia na Universidade do Estado da Bahia (Uneb). Na época, eu fazia um curso de extensão em música na Universidade Federal da Bahia (UFBA), sonhando em viver como músico. Ver de perto as dificuldades enfrentadas por profissionais da área foi importante na minha decisão de fazer o concurso para pedagogo, uma das melhores escolhas que já fiz.


Música, pedagogia e Ayo

Eu me identifiquei muito com o curso e não estou dizendo que prefiro pedagogia a música, mas alfabetizar é um trabalho lindo. Enquanto cursava pedagogia, trabalhava com minha mãe na creche e dava aulas de percussão no interior, pondo em prática tudo o que aprendi quando fiz parte da banda mirim do Olodum e com o saudoso mestre da música baiana Neguinho do Samba. Aliás, foi por intermédio dele que toquei no Pelourinho junto com outras crianças na gravação de um clipe do astro Michael Jackson e fiquei conhecido como o menino que dançou com ele, no vídeo.

Trabalhei em algumas escolas e, numa delas, em especial, a diretora me deixava livre para conduzir minhas aulas. Fiz um excelente trabalho de expansão cultural nessa escola particular. Infelizmente, a instituição fechou, pois os alunos migraram para uma escola municipal inaugurada ali perto. Surgiu então a oportunidade de dar aula de música em outro estabelecimento de ensino particular, no qual aprendi bastante, inclusive a lidar com bebês. Nessa época, meu filho, Ayo, nasceu. O dinheiro era pouco para manter a família e tive de deixar a escola e buscar outro trabalho. Voltei para o telemarketing e fui demitido após três meses. Continuei procurando trabalho, mas sem sucesso. Estava prestes a me desesperar quando a mãe do meu filho conseguiu um emprego e “segurou a onda” por um ano. Enquanto isso, eu cuidava de Ayo e estudava para concursos. Passei em alguns, mas nunca fui chamado. Esse foi um dos motivos que desgastaram meu relacionamento, ocasionando separação.

Decidi trabalhar temporariamente como motorista de aplicativo e, com o apoio da minha mãe, compramos um carro. Quando as coisas começaram a dar certo, fui roubado e levaram o veículo cujo seguro estava atrasado. Como não há oração sem resposta, encontramos o carro, um pouco avariado, porém perdi os instrumentos musicais que estavam dentro dele. Apoiado por um amigo, concertei o veículo e voltei a trabalhar.


Daimoku
e amigos

Quando as contas estavam quase em ordem, veio a pandemia. Sem clientes, não conseguia pagar as parcelas do carro e decidimos vendê-lo. A situação apertou e recebi o apoio dos amigos, com incentivos e daimoku, o que foi crucial para me recuperar. Após a venda do veículo, a energia da minha casa foi cortada, a geladeira queimou e várias outras coisas aconteceram.

Sonhava fazer mestrado, conquistar um emprego melhor, sem sucesso. Desempregado, aceitei um trabalho totalmente fora da minha área, durante o qual chorava muito. Tinha vergonha da minha mãe e me perguntava se Ayo teria orgulho de mim.

Recebi a seguinte orientação: “Você não pode perder para aquilo que depende de você”. Percebi que precisava me esforçar e recitar muito mais daimoku. Passei a acordar mais cedo para orar e me dedicar mais à busca pelo emprego. Participava das atividades da Gakkai e, mesmo estando péssimo por dentro, tinha certeza da vitória como um digno discípulo do Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI). Mariane do Carmo, minha namorada, foi uma grande parceira de daimoku.

Quando menos imaginávamos, abriu novamente a inscrição para mestrado e, em seguida, um concurso para lecionar música. Senti que era a oportunidade que eu precisava. Fiz todo o processo outra vez, e, apesar de várias dificuldades e de dormir apenas três horas por noite, fui aprovado para o mestrado da UFBA e também no concurso.

Apesar das dificuldades, 2021 foi um ano de grandes vitórias. Eu me baseio sempre nas orientações de Ikeda sensei e agradeço por ele ter trazido esse maravilhoso ensinamento para o Brasil. Agradeço também aos meus familiares e amigos, que estavam comigo em todos os momentos, e à Mariane, que foi um farol quando mais precisei. Finalizo esse relato com um trecho do Gosho, em que Nichiren Daishonin declara:


Sofra o que tiver que sofrer, desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimento como a alegria como fatos da vida e continue recitando Nam-myoho-renge-kyo, independentemente do que aconteça. Que outro significado isso poderia ter senão a alegria ilimitada da Lei?1


Jeison Wilde de Jesus Queirós, 37 anos, músico e pedagogo. Responsável pela DS da Comunidade Cabula (Sub. Bahia, CGRE).



Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin, v. I. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2014. p. 713.

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com o filho Ayo

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no desfile do Sete de Setembro, representando o Taiyo Ongakutai (antes da pandemia)

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com a mãe, Hamilta, e a irmã, Víviam

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com seus irmãos e o pai, José Queiroz

No topo: com Mariane do Carmo, sua namorada, e o filho, Ayo

9-12-2021

Notícias

Dr. Daisaku Ikeda é homenageado pela Universidade Federal de Pernambuco

REDAÇÃO


Que alegria! Que felicidade!

Coração Brasileiro,

Demonstrando ao

mundo inteiro

Humanismo e Liberdade


Os versos acima são da canção Coração Brasileiro, que os membros da BSGI entoam em suas reuniões. A alegria e felicidade foram demonstradas, uma vez mais, na manhã de sábado, 4 de dezembro, quando foi transmitida ao vivo para todo o Brasil a cerimônia de outorga da condecoração oferecida pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

A solenidade, realizada obedecendo todos os protocolos de segurança sanitária, foi realizada na Concha Acústica Paulo Freire da UFPE. A entrega foi feita pelo reitor Alfredo Macedo Gomes ao presiden­te da BSGI, Miguel Shiratori, que representou o Dr. Ikeda.

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Diploma que concede o título a Daisaku Ikeda


Homenagem de número 398

A primeira instituição de ensino superior a conferir-lhe o título de doutor honoris causa foi a Universidade Estatal de Moscou. Isso aconteceu em 1975, por ocasião da segunda viagem de Ikeda à União Soviética (atual Rússia). No Brasil, a primeira homenagem acadêmica ocorreu na quarta visita do presidente Ikeda em terras brasileiras, em 1993, sendo agraciado com o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Iniciando a cerimônia, o professor Madson Góiz Diniz, diretor de relações internacionais da UFPE, falou sobre a infância de Daisaku Ikeda e seu encontro com Josei Toda, e sobre a expansão da organização. “Daisaku Ikeda, doutor honoris causa desta universidade, nosso reconhecimento e nossa gratidão! Para nós, é uma honra e um privilégio tê-lo no roll das nossas figuras mais ilustres. Sr. Daisaku Ikeda, a UFPE, Casa de Paulo Freire, é, a partir de hoje, a sua casa.”

Durante o evento na concha acústica, o vice-reitor da UFPE, prof. Moacyr Araújo, afirmou que este ano a universidade completa 75 anos de fundação e, em meio à comemoração do centenário do patrono da educação, Paulo Freire, a oportunidade de conceder o título líder da SGI é motivo de alegria e de felicidade. Em sua fala, o professor comparou o lema escolhido pela universidade para as comemorações com os ideais do presidente Ikeda. “Transformando pessoas que transformam o mundo — isso é absolutamente a história do professor Daisaku Ikeda. É absolutamente a história do professor Paulo Freire. Muito obrigado por incorporarmos o professor Ikeda em nossa Universidade”, enfatizou o docente.

Na cerimônia foram lançadas as bases do Observatório Internacional Daisaku Ikeda, que é um projeto em implantação na universidade voltado para a Educação Básica.

Ao final do seu discurso, o vice-reitor comentou: “Muito obrigado pela oportunidade. Vamos transformar pessoas que transformam o mundo”.

Miguel Shiratori, presidente da BSGI e representando o homenageado, leu a mensagem de agradecimento pelo título concedido. Em um trecho, ele cita:


Um aspecto que admiro profundamente na Universidade Federal de Pernambuco é sua tradição de guiar, com vigor, o “desenvolvimento sustentável do Brasil”, buscando resolver desafios globais como a desigualdade social e a destruição ambiental, sempre ao lado do povo. É por meio de ações pelo bem do povo que os jovens se empoderam fortemente.
Nesse sentido, tenho a firme convicção de que os jovens do Brasil e do mundo, que hoje estudam diligentemente e se empenham para contribuir em prol das pessoas, suportando inúmeras adversidades, alçarão, sem falta, um vigoroso voo impulsionando o início de um novo capítulo na história da humanidade.


Em suas palavras, o professor Alfredo Macedo Gomes, reitor da UFPE, ressaltou: “É uma grande alegria e honra prestar homenagem e reconhecimento a uma figura tão ilustre quanto o Dr. Ikeda. Como reitor, tenho a honra acadêmica em conferir o título de doutor honoris causa a Ikeda”.

Durante o pronunciamento, o reitor elucidou as ações empreendidas pelo presidente Ikeda e a visão de futuro sustentável que proporciona ao mundo por meio das Propostas de Paz enviadas anualmente à ONU. Destacou também a atenção especial dada pelo presidente Ikeda à educação, assim como o diálogo mantido por ele com o professor Austregésilo de Athayde com o tema “Direitos Humanos no Século 21”, registrado em livro.

Ao final, ele destacou quatro pontos fundamentais da universidade, em perfeita consonância com a filosofia de Daisaku Ikeda, entre eles com foco na diversidade.

“O respeito à diversidade é um passo fundamental para superar as profundas desigualdades que existem. E para que possamos construir um projeto político de paz, mas fundamentado em condições de qualidade de vida como alimentação, educação e projetos fortes na área da saúde. O significado da política é a liberdade, uma condição para que possamos viver bem de forma coletiva decidindo o destino da nossa sociedade”, enfatizou o reitor, declarando: “A Universidade Federal de Pernambuco tem a grande alegria e honra de confraternizar com a sociedade pernambucana a concessão desse importante título a Ikeda”.

Leia o discurso de agradecimento do presidente Ikeda na íntegra. Clique aqui.

  

Depoimentos


"Um sentimento indescritível e sem precedentes invade meu coração. Sabemos que Ikeda sensei vem dedicando a própria vida, lutando diariamente em prol da paz, cultura e educação, numa relação eterna de mestre e discípulo. O presidente Ikeda sempre acreditou no potencial do povo nordestino. Minha eterna decisão é lutar pela felicidade das pessoas, pondo os princípios humanísticos da Soka Gakkai em ação.”

Elineide Alves da Silva, vice-responsável pela Divisão Feminina do Distrito Beberibe

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“Minha decisão como jovem e líder da Divisão dos Estudantes é de edificar o kosen-rufu na minha localidade, para formar jovens líderes herdeiros de Ikeda sensei na sociedade, levando a filosofia do budismo e da paz mundial às pessoas. Obrigado, sensei!”

Guilherme Machado Manueles, responsável pela RM Pernambuco Norte

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“A partir das palavras de agradecimentos enviadas à UFPE nessa ocasião, colocarei como direcionamento na minha atuação visando ao desenvolvimento de jovens sucessores no estado de Pernambuco o princípio de respeito à diversidade, buscando, a cada dia, comprovar na sociedade os ideais de humanismo Soka. E assim construir a força jovem nos quatro estados da amada Sub. Nordeste 1 de um só coração.”

Andrea Maria Coutinho Souto, vice-responsável pela Divisão Feminina da Sub. Nordeste 1

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Assista ao vídeo dos depoimentos do reitor e do diretor executivo de relações internacionais da UFPE:


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Miguel Shiratori, presidente da BSGI, representando o homenageado, lê mensagem de agradecimento enviada por Daisaku Ikeda

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Autoridades da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).


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Membros prestigiam a cerimônia

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Na tarde de 3 de dezembro, foi promovido um encontro presencial dos integrantes da Rede de Reitores do Nordeste (RENE), no auditório do prédio da reitoria da UFPE. Nele, a BSGI apresentou os projetos realizados pelo Instituto Soka Amazônia e as exposições como a itinerante Da Cultura de Violência para a Cultura de Paz. O encontro tratou de assuntos específicos da RENE, tal como a primeira participação na Cop 26 com dois representantes, além da cooperação com a Soka Gakkai Internacional e com a Universidade Soka para futuros projetos

No topo: membros e convidados participam da cerimônia na Concha Acústica da UFPE (Pernambuco, 4 dez. 2021)

Assista ao vídeo dos depoimentos do presidente da RENE e do diretor de irrigação da Codevasf:

9-12-2021

Encontro com o Mestre

Vamos criar uma sinfonia da grande alegria!

A Nona Sinfonia, de Ludwig van Beethoven (1770–1827), é do ano 1824. Portanto, no fim do período Edo. É a última sinfonia composta pelo músico alemão, de fato, três anos antes do seu falecimento, quando estava com 53 anos.

Essa sinfonia, muito famosa por seu trecho de coro conhecido como “Ode à Alegria”, era, naquela época, algo sem precedentes, tanto na Europa como no mundo inteiro. Era um novo pensamento. O desafio de Beethoven era fazer algo novo e oferecer ao mundo. Essa obra musical foi composta e concluída a partir dessa decisão.

Ode à Alegria é uma composição musical baseada no poema de mesmo nome de autoria do famoso poeta alemão Friedrich Schiller (1759–1805), que viveu na mesma época de Beethoven.

Afirma-se que Beethoven pensou em escrever uma canção para esse famoso poema de Schiller na juventude, aos 22 ou 23 anos. Ele sempre pensava nisso: “De alguma forma, vou colocar uma música neste poema que transborde amor à humanidade, paz e alegria. Vou compor uma ‘Ode à Alegria’”.

Com esse pensamento desde que era jovem, ele decidiu criar a melhor música do mundo para aquele mais elevado poema. Os novos pensamentos surgiram na época da juventude. E esse sonho se tornou realidade após trinta anos. Nessa ocasião, como é do conhecimento de todos, Beethoven não conseguia ouvir nada. Na estreia da Nona Sinfonia, em sua primeira apresentação, ao terminar a canção Ode à Alegria, os estrondosos aplausos foram intensos e infindáveis. Contudo, como Beethoven não conseguia ouvir nada, não ficou sabendo se houve ou não aplausos. Esse também é um comentário verídico, apesar de ser um triste episódio.

A Nona Sinfonia foi a última obra da vida de Beethoven, que superou e venceu todas as suas angústias. Foi a comprovação da alegria da própria vida. “Eu consegui me realizar como compositor.” Por ser surdo, houve opressões de todo o tipo, além de ciúme. “Contudo, deixarei essa obra para o mundo.” Essa é a declaração contida na Nona Sinfonia.

O mestre literário francês Romain Rolland louvou essa obra, dizendo: “É a canção triunfal do espírito de Beethoven, que superou a vida de tempestades”.1 É preciso vencer. Budismo também é vitória ou derrota. Numa luta, há sempre um inimigo. Se não houver adversário, não haverá competição, seja no sumô, no boxe ou em qualquer outro tipo de esporte. No fim, você vence ou perde. Beethoven venceu. Por desejar que vocês também vençam, eu os incentivo até o limite da minha voz.

Romain Rolland disse ainda: “Beethoven — um ser humano solitário, infeliz, pobre e doente. Uma pessoa cujo destino era uma vida unicamente de sofrimentos. O mundo rejeitou todo tipo de alegria que ele poderia ter. Mas Beethoven criou a própria alegria. Esse foi seu presente para o mundo”.2

É realmente uma maravilhosa vitória humana da vida. “Empregando o próprio infortúnio e o próprio sofrimento, Beethoven fortaleceu a própria alegria”, assim enaltece Romain Rolland. “Conquiste a alegria, ultrapassando as dificuldades!” Esse foi o brado do espírito de Beethoven.

Nós também vamos conquistar uma vida de alegria e de vitórias ainda melhor com a Lei Mística.

Em 1943, Makiguchi sensei e Toda sensei foram presos no Centro de Detenção de Tóquio, localizado em Sugamo, onde hoje foi construído o Auditório Memorial Toda. Esse fato é do conhecimento de todos. E, em 18 de novembro de 1944, Makiguchi sensei faleceu nesse local aos 73 anos.

Em agosto de 1944, Toda sensei, com 44 anos na época, redigiu uma carta dessa prisão de Sugamo. É uma carta enviada ao pai da esposa de Josei Toda, ao “vovô”. Ela está preservada. Toda sensei escreveu o seguinte a esse “vovô”: “Por favor, sobreviva fortemente. Não importa quão doloroso e miserável seja agora, mas, enquanto eu viver, será uma ‘pessoa afortunada’, uma pessoa feliz. Prossiga sem perder a confiança de ser a pessoa afortunada”.

Assim está escrito. Os ataques aéreos não cessavam. Toda sensei estava preso, e seu filho tinha sido evacuado para o interior. O próprio Japão vivia um período extremamente conturbado.

Nessa época, Toda sensei escreveu: “Sem perder a confiança de ser a pessoa afortunada”. Essa é a grandiosidade de uma pessoa e a essência da fé. Vocês também são filhos da Gakkai que abraçaram o Gohonzon. São pessoas que receberam a ordem do Buda. Não são simples pessoas, são bodisatvas da terra.

“Enquanto eu estiver presente, não haverá nenhum problema.” “Será a pessoa mais afortunada.” Pelo princípio de “unicidade da vida e seu ambiente” (esho-funi), todas as pessoas são afortunadas. Vou mostrar que são. Devem praticar com essa disposição. Se não for assim, qual é a finalidade de praticar? Gostaria de lhes dizer “para quê” estamos vivendo. Vamos todos, sem exceção, receber, mais uma vez, o magnífico 70º aniversário de fundação (naquela época), de forma majestosa e grandiosa, transbordando de vitalidade, sempre com alegria e mais alegria, não importando o que aconteça, pondo em prática de forma sólida a fé para acumular boa sorte.

Muito obrigado pelos esforços!

Estou orando diariamente com seriedade e dedicação pela boa saúde, longevidade, felicidade e total ausência de acidentes de todos. Portanto, avancem tranquilamente.


Trecho de discurso proferido pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, na 35ª Reunião de Líderes da Soka Gakkai, realizada no Auditório Memorial Toda, em Sugamo, Tóquio, em 16 de novembro de 1990, comemorando o 60o aniversário de fundação da Soka Gakkai. O vídeo do trecho deste discurso foi apresentado na 5ª Reunião Nacional de Líderes, realizada no mesmo auditório, no dia 18 de novembro de 2021.

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pintura retrata Ludwig van Beethoven, um dos maiores compositores clássicos da humanidade

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5a Reunião Nacional de Líderes da Soka Gakkai, realizada no Auditório Memorial Toda, em Sugamo, Tóquio (18 nov. 2021).

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apresentação musical durante o encontro

No topo: presidente Ikeda e sua esposa, Kaneko, visitam a Casa de Beethoven, em Heilingenstadt, próxima a Viena, Áustria (29 maio 1981)

Notas:

1. ROLLAND, Romain. Beethoven. Tradução: B. Constance Hull. Londres: Kegan Paul, Trench, Trubner and Co., Ltd., 1919. p. 54.

2. Ibidem.

9-12-2021

Encontro com o Mestre

A felicidade de viver por um grande juramento

DR. DAISAKU IKEDA


Para qual propósito devo viver?

Missão é outro nome para essa autoconsciência.

Afinal, para qual finalidade devo utilizar minha vida?

A partir do momento em que se conscientiza profundamente

da missão de viver pelo grande objetivo,

a condição de vida se expande amplamente.


Felicidade,

Por mais que se corra atrás dela,

não é algo que consiga capturar.

Felicidade é uma consequência.

Ela vem ao encontro da pessoa que abraça a Lei Mística

e acumula a boa sorte.

Com certeza, ela vem atrás.


Todos os seres humanos nasceram

para ser felizes.

O budismo ensina que

“O que importa é o coração”.

Sem nutrir o espírito,

não há verdadeira felicidade.

É por isso que, para tornar todas as pessoas felizes,

deve empregar o melhor de si.


Não há orgulho tão altivo

quanto a alegria e a satisfação

de ter lutado até o fim pelo kosen-rufu.

Seus benefícios são incalculáveis.

Lutar em prol da Soka Gakkai.

Lutar em prol do kosen-rufu.

Por meio de seus benefícios,

a vida se transforma numa caminhada

de boa sorte e de felicidade.


Os sofrimentos se transformam em iluminação e felicidade.

Quanto maiores os sofrimentos e as tristezas,

mais eles se transformam em felicidade maior.

Esse é o poder do daimoku.

Por essa razão, quem recita a Lei Mística

não teme a nada.

Nem é preciso temer.


Vida sem arrependimentos —

isso não é estabelecido pela reputação na sociedade

nem por outras pessoas.

É algo inteiramente estipulado por si próprio.

A vitória ou a derrota não se definem

pelo aspecto no meio da caminhada.

Aconteça o que acontecer,

a convicção de que, no final, “venci!”

é a fé chamada “atingir o estado de buda nesta existência”.


Publicado no Seikyo Shimbun do dia 31 de outubro de 2021.

No topo:

Raios da vitória

A vida está deslumbrante. Iluminadas pelos raios do sol, as folhas das árvores brilham nas cores avermelhadas e douradas, como se competissem com o vívido céu azul. Em dezembro de 2001, num clima ameno de fim de outono, Ikeda sensei dispara o obturador de sua câmera a partir do Auditório Memorial Makiguchi de Tóquio, localizado em Hachioji. Nichiren Daishonin afirma: “Além disso, ela é mais luminosa no outono e no inverno do que na primavera e no verão”.1 O brilho fica mais nítido quando o frio se torna mais intenso e a atmosfera mais límpida nos períodos de outono e de inverno. Da mesma forma, quando as pessoas são envoltas pela escuridão dos sofrimentos, o grande brilho do budismo irradia muito mais. É isso que indica a passagem do escrito.

Enviar raios benevolentes da paz e da felicidade para a sociedade. Essa é a grandiosa missão da Soka Gakkai. Fazendo brilhar plenamente nossa vida, que avança pelo rissho ankoku, com as chamas ardentes, vamos iniciar o “mês de fundação”!


Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 96, 2017.

9-12-2021

Incentivo do líder

Desafie a si próprio

Olá, estimados leitores! O ano de 2021 está findando e, inevitavelmente, fazemos nossas reflexões e renovamos decisões para o período vindouro.

Do latim tempus, a palavra “tempo” é a grandeza física que permite medir a duração das coisas, estabelecendo um passado, presente e futuro. Alguns calendários consideram datas distintas para o ano novo, mas ainda assim possuem uma data para o seu início.

No budismo, temos a oportunidade de renovar nossa disposição diariamente por meio da nossa prática e buscar trazer a importância do momento presente para entendermos a época e compreendermos nossa missão como bodisatvas da terra.

Em um ano com tantos acontecimentos, muitos aguardam ansiosamente iniciar um rumo revigorado após a passagem do ano. Assim como na natureza, depois da passagem das estações, ela se renova. Em um trecho do livro Diálogo sobre a Religião Humanística, Ikeda sensei fala:


As cerejeiras florescem com tanta beleza porque resistem ao extremo rigor do inverno. O mesmo se aplica à vida humana. A vida é uma sucessão de mudanças. É preciso travar uma luta incessante — enquanto observamos, aguardamos e criamos o tempo. Por meio do acúmulo de esforços, podemos fazer com que as “flores da vitória” desabrochem plenamente em nossa vida.1


Na sequência do diálogo, o Sr. Katsuji Saito comenta:


Em outras palavras, cada momento é uma batalha. Lembro-me dos versos de um poema que o senhor compôs: “Destruição — em um único instante. / Construção — uma luta de vida e morte”.2 O budismo ensina a importância de vivermos com o espírito de avançar continuamente.3


Se somos o resultado de todas as 365 batalhas espirituais diárias empreendidas, quais momentos “presentes” vamos nos proporcionar em 2022?

Em discurso proferido em 2003, Ikeda sensei enfatiza a importância de jamais sermos vencidos pelos obstáculos e nos orienta sobre o que fazer quando tudo parece estar contra nós.


O Budismo de Nichiren Daishonin ensina o conceito das “três propriedades iluminadas do Buda”.4 O Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente diz: “Se empenhar cem milhões de kalpa de esforço num único momento de vida, as três propriedades iluminadas do Buda emergirão de sua vida a cada momento”.5 O poder da benevolência, a luz da humanidade que brilha em sua vida após terem realizado um esforço inimaginável na fé é o maior de todos os poderes.
Não sejam derrotados por si próprios! Vençam a si mesmos. Retornem uma vez mais ao seu ponto primordial da prática da fé e desafiem a si próprios novamente.6


Ótima leitura e um forte abraço!


Luana Freitas

Coordenadora de coordenadoria da DFJ


Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Diálogo sobre Religião Humanística. v. 2. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2018. p. 191.

2. Idem. Canto da Construção. Cantos do Meu Coração. Tradução: Geir Campos. Rio de Janeiro: Record, 1995. p. 92. Esse poema foi escrito para marcar o início de 1969, denominado pela Soka Gakkai de “Ano da Construção”.

3. Idem. Diálogo sobre Religião Humanística, v. 2. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2018. p. 192.

4. Leia mais na revista Terceira Civilização, ed. 450, fev. 2006, p. 11.

5. Gosho Zenshu [Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin]. Tóquio: Soka Gakkai, p. 790.

6. Brasil Seikyo, ed. 1.726, 6 dez. 2003, p. A3.

9-12-2021

Frase da Semana

Frase da Semana

O mundo maravilhoso da Lei Mística “apresenta inúmeras palavras de louvor”.1 Vamos louvar os preciosos companheiros de mérito dos bastidores e expandir a alegria e os benefícios, focalizando-os com a luz da prática da fé.

Dr. Daisaku Ikeda

Publicada no jornal Seikyo Shimbun em 6 de dezembro de 2021.

Nota: 1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 704, 2014.

9-12-2021

Notícias

Casal Ikeda visita Universidade Soka

No dia 2 de dezembro de 2021, o presiden­te da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, e sua esposa, Kaneko, visitaram o campus da Universidade Soka (foto) e da Faculdade Feminina Soka, em Hachioji, Tóquio.

Ikeda sensei ficou feliz com o desenvolvimento da Universidade Soka, que, no dia 2 de abril deste ano [2021], recebeu o cinquentenário da fundação. Ele manifestou gratidão aos professores, funcionários e a todas as pessoas envolvidas pelos esforços e desejou, de coração, saúde e progresso aos alunos.

Antes da passagem pela Universidade Soka, o presidente Ikeda e sua esposa também visitaram o Auditório Memorial Makiguchi de Tóquio. Nesse dia, completaram-se 57 anos desde que Ikeda sensei começou a escrever o romance Revolução Humana (em 2 de dezembro de 1964), que narra a luta de mestre e discípulo dos três presidentes da Soka Gakkai (Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e Daisaku Ikeda).

O casal recitou gongyo e daimoku relembrando as virtudes do mestre predecessor, Tsunesaburo Makiguchi, e orou pela saúde, boa sorte e vitória dos companheiros do Japão e do mundo que iniciaram vigorosamente o avanço rumo a 2022, “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”.

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9-12-2021

Caderno Nova Revolução Humana

Rede da solidariedade Soka

PARTE 9

Em Karuizawa, onde estava a convite do seu mestre, Josei Toda, e enquanto conversava sobre sua emoção ao ler o romance Revolução Humana, Shin’ichi Yamamoto fez uma profunda resolução em seu coração:

“A Revolução Humana de Toda sensei termina com seu herói, Sr. Gan, que representa ele próprio, presidente Josei Toda, prometendo na prisão dedicar a vida ao kosen-rufu”.

No dia 3 de julho de 1945, Josei Toda saiu vivo da prisão sucedendo o espírito de seu mestre, Tsunesaburo Makiguchi, que havia falecido ali. Mas o que Josei Toda concretizou de fato e de que forma edificou as bases do kosen-rufu do Japão?

Shin’ichi ponderou que, se não deixasse isso registrado por escrito, ele seria incapaz de transmitir às gerações seguintes o grande empreendimento do seu mestre e o sublime espírito de mestre e discípulo Soka que permeava Makiguchi sensei e Toda sensei.

Então, Shin’ichi chegou à conclusão: “Eu sou o único que pode registrar a verdade sobre Toda sensei. Com certeza, essa era a expectativa dele em relação a mim e deve ser minha missão como discípulo”.

Nesse momento, a ideia de escrever um romance biográfico como sequência da obra Revolução Humana, de Josei Toda, algo que ele já havia considerado por várias vezes anteriormente, transformou-se em um compromisso inabalável. A província de Nagano se tornou o local em que ele estabeleceu seu forte juramento de que garantiria que o espírito de mestre e discípulo Soka perdurasse para sempre.

O Centro de Treinamento de Nagano havia sido inaugurado um ano antes, em agosto de 1978. Essa era sua primeira visita ao local. Ele viajou para Karuizawa, onde Josei Toda havia desfrutado seu último verão, para registrar o primeiro verão de um novo capítulo do kosen-rufu mundial. A partir dessa terra, de profundos laços cármicos, Shin’ichi decidiu criar um novo impulso nas visitas familiares e nas orientações individuais e começar a construção de uma nova
Soka Gakkai.

Embora digamos kosen-rufu mundial, ele se inicia a partir do incentivo a uma única pessoa, de um passo dado de onde se encontra agora.

A decisão de Shin’ichi já se transformou em ação no trem a caminho do centro de treinamento.

Quando um jovem o reconheceu e foi ao seu encontro para cumprimentá-lo, Shin’ichi o incentivou oferecendo um poema:


Encontro ao acaso,

você também é meu discípulo.

Jornada de felicidade.


E ao chegar ao seu destino, ele apertou a mão do jovem e lhe disse: “Sinceras recomendações aos seus pais. Torne-se uma excelente pessoa”.

“Decisão é ação.”


PARTE 10

Duas horas e meia após ter partido do calor de final de verão de Tóquio, Karuizawa coberta pela névoa noturna dava sensação de frio.

Quando Shin’ichi Yamamoto chegou ao Centro de Treinamento de Nagano, foi recebido por várias pessoas, como líderes e membros de grupos de bastidores da localidade. Embora estivessem sorrindo, pareciam de alguma forma preocupados, talvez porque muito pouco se divulgava a respeito das atividades de Shin’ichi no Seikyo Shimbun e em outras publicações periódicas da Soka Gakkai após a sua renúncia à presidência.

Então, para dissipar esse sentimento dos companheiros, Shin’ichi disse de modo enérgico:

— Eu estou bem! Vamos dar a partida novamente!

O rugido do leão ressoou na terra de mestre e discípulo.

Ele apertou a mão do coordenador da província de Nagano, Takashi Saida, um jovem líder de 37 anos, e disse:

— Agora que sou presidente honorário, poderia interromper as atividades do kosen-rufu ou desistir completamente. Isso com certeza me deixaria mais relaxado. Mas se eu tiver o pensamento de recuar, o mínimo que seja, já não será mais mestre e discípulo Soka que vivem em prol do kosen-rufu. Toda sensei ficaria extremamente zangado comigo. Quando nos conscientizamos da missão de bodisatva da terra, podemos encontrar uma forma de prosseguir na luta e de contribuir para o kosen-rufu, não importando que tipo de restrições limite nossas ações. É a batalha da sabedoria e da coragem. Daishonin declarou: “Mesmo diante de tudo isto, ainda não fui desencorajado”.1 Com esse espírito, ele continuou lutando até o fim, sem se curvar diante de nenhuma opressão! Espero que vocês também nunca desistam da batalha pelo kosen-rufu e da batalha pela fé enquanto viverem, não importa o que aconteça e em que situação se encontrem. Continuarei a lutar em prol dos nossos membros.

A visita de Shin’ichi a Nagano estava prevista para durar nove dias.

No dia seguinte ao da chegada, 21 de agosto, ele incentivou os jovens dos grupos de bastidores logo de manhã. Almoçou e dialogou com cerca de dez companheiros dos primórdios da Soka Gakkai e, em seguida, foi visitar a residência de Takashi Kibayashi, vice-responsável pela Regional Ko­mo­ro. Quando eles se conheceram onze anos antes, Takashi havia lhe pedido: “Por favor, venha sem falta à minha casa”, e ele foi para cumprir a promessa feita.

Naquela noite, ele se encontrou e dialogou seguidamente com representantes dos membros da localidade. O constante esforço de promover diálogos cultiva a terra da vida e cria o jardim de felicidade.


PARTE 11

Entre os membros com quem Shin’ichi Yamamoto conversou na noite do dia 21 de agosto estavam Torao Tamori e sua esposa, Tami, os quais tinham atuado como os primeiros responsáveis pelo Distrito Karuizawa como líder do distrito e líder da Divisão Feminina (DF) de distrito.

Torao era um padeiro que aperfeiçoou suas habilidades trabalhando em um hotel de primeira classe e se converteu ao budismo em 1955 junto com os filhos, ao ver sua esposa, Tami, que sofria de uma doença no coração, se tornar cada vez mais saudável ao realizar a prática. Por ter conseguido adquirir a própria padaria, que era seu sonho, entre outros, ele fortaleceu sua convicção em relação à fé e se empenhou na propagação do budismo com alegria no coração.

No entanto, as pessoas ao redor tinham preconceito contra a Soka Gakkai e muitas delas desaprovavam o fato de ele praticar o budismo. Os fregueses também foram se distanciando.

Um veterano da Soka Gakkai orientou com convicção os Tamori, que estavam angustiados com a situação:

— Nichiren Daishonin afirmou claramente: “Se a propagarem, demônios surgirão sem falta. Se isso não acontecesse, não haveria maneira de saber que esse é o ensinamento correto”.2 Os obstáculos e as maldades surgiram porque vocês se levantaram resolutamente na luta pelo kosen-rufu. Não é exatamente o que afirma o Gosho? Portanto, não há dúvidas de que, se vocês se mantiverem firmes na prática da fé, conseguirão edificar uma condição de vida de absoluta felicidade sem falta. Por isso, jamais recuem na fé!

Na época, muitos membros enfrentavam situações semelhantes, em maior ou menor grau. Em meio a isso, os companheiros foram se empenhando ainda com mais afinco nas atividades da Soka Gakkai e cada vez mais com ardente espírito de luta. Ao lerem os escritos de Nichiren Daishonin, incentivavam-se mutuamente.

Torao pensou: “Daishonin disse: ‘Quanto piores forem as adversidades que recaírem sobre o devoto, maior será a alegria que ele sentirá devido à forte fé’.3 Quanto mais desafiadora a situação, avançarei ainda com maior alegria, manifestando fé forte e vigorosa. Agora é o momento da verdade!”.

As atividades da Soka Gakkai existem junto com o Gosho e o estudo do budismo está relacionado com a vida diária. Aí reside a força indestrutível da Soka Gakkai. Pensando bem, isso só se tornou possível com a publicação de Nichiren Daishonin Gosho Zenshu [Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin] pelo segundo presidente da organização, Josei Toda. Com isso, ele abriu uma nova época sem precedentes na história em que os princípios corretos do Budismo Nichiren foram estabelecidos como um modelo de vida para pessoas de todas as esferas.


PARTE 12

Torao Tamori cerrou os dentes e continuou se empenhando na prática budista. Com o tempo, recebeu um contrato para fornecer pão a escolas locais, e também ganhou um número crescente de fregueses estrangeiros. Mais tarde, ele se tornou fornecedor de uma grande loja de panificação ocidental. Além disso, sua loja se transformou numa das padarias mais populares e bem estabelecidas de Karuizawa.

Ele não apenas mostrou a comprovação do poder da prática budista em seu trabalho, como também contribuiu para o desenvolvimento da comunidade local e para o bem-estar das pessoas da sua localidade. Com o seu exemplo, os equívocos e preconceitos das pessoas em relação à Soka Gakkai foram se dissipando, e muitas pessoas passaram a compreender e a apoiar os propósitos da organização.

Enquanto conversava com o casal Tamori no Centro de Treinamento de Nagano, Shin’ichi Yamamoto decidiu realizar uma reunião de diálogo no dia seguinte, na cafeteria que havia no primeiro andar da loja de Tamori, convidando representantes dos membros da localidade.

Nessa atividade, Shin’ichi compartilhou o conteúdo de algumas conversas que teve com Josei Toda em Karuizawa, no verão de 1957, quando foi chamado por ele:

— Toda sensei amou este lugar, com seu cenário de notável beleza, e dizia de maneira compenetrada: “No futuro, gostaria de realizar um curso de treinamento de verão aqui”. Com a inauguração do centro de treinamento, sinto que estamos um passo mais perto da concretização dos planos do mestre. No futuro, membros de todo o Japão e do mundo inteiro virão ao Centro de Treinamento de Nagano e isso se tornará fonte de energia dinâmica para o kosen-rufu. Por esse motivo, peço que vocês criem nesta província de Nagano uma organização modelo para o mundo. Eu também os apoiarei com todas as minhas forças.

Nesse dia à noite, foi realizada uma reunião conjunta de líderes dos distritos Karuizawa e Naka-karuizawa, no Centro de Treinamento de Nagano.

Quando a reunião terminou, Shin’ichi entrou na sala e se juntou aos membros para recitar gongyo. Então, sentou-se ao piano e tocou várias músicas para incentivá-los, incluindo Ureshii Hina-matsuri e Tsuki no Sabaku, e outras peças. Foi uma explosão de alegria de todos e o ambiente foi tomado de muita emoção.

Gravando em seu coração a imagem de Shin’ichi ao piano, os companheiros renovaram a decisão de seguir orgulhosamente pelo sublime caminho de mestre e discípulo Soka.

Nenhum poder ou autoridade pode romper os laços do coração de mestre e discípulo.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.


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Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. Editora Brasil Seikyo: São Paulo, v. II, p. 5, 2019.

2. Ibidem, p. 524

3. Ibidem, p. 33.

16-12-2021

Matéria Grupo Alvorada

Cultivar uma convicção absoluta para vencer as dificuldades

Grandiosos amigos do Grupo Alvorada da BSGI! Desejamos que estejam bem de saúde ao lado dos familiares. Iniciemos 2022, “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”, com inúmeras vitórias em todos os aspectos da vida.

Em um editorial do Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), comemorando a fundação da Divisão Sênior (DS), com o título Sejam Líderes da Lei Mística, ele cita seis itens como condições para ser um excelente líder: 1) ter convicção absoluta no Gohonzon; 2) ser capaz de enfrentar e desafiar as dificuldades; 3) conhecer as questões da sociedade; 4) ter paixão em desenvolver os sucessores; 5) ser uma pessoa humanista e magnânima; 6) ter senso de responsabilidade e de planejamento. Com esse editorial, Ikeda sensei estabelecia claramente as diretrizes de atuação da DS.1

Nesta matéria, gostaríamos de abordar os dois primeiros itens mencionados e convidar a todos para uma reflexão sobre como podemos comprová-los em nossa vida.


Ter convicção absoluta no Gohonzon

Em Abertura dos Olhos, Nichiren Daishonin bradou:

Eu e meus discípulos, ainda que ocorram vários obstáculos, desde que não se crie a dúvida no coração, atingiremos naturalmente o estado de buda. Não duvidem, mesmo que não haja proteção dos céus. Não lamentem a ausência de segurança e tranquilidade na vida presente. Embora tenha ensinado dia e noite a meus discípulos, eles nutriram a dúvida e abandonaram a fé. Os tolos tendem a esquecer o que prometeram quando chega o momento crucial.2


Nichiren Daishonin manifestou em toda sua vida o aspecto do verdadeiro comportamento de um ser humano. E que comportamento é esse? É a convicção absoluta. Ikeda sensei orienta: “A convicção mais poderosa que existe é a fé no Gohonzon, que representa a verdade eterna e imutável — o Nam-myoho-renge-kyo que existe dentro de si.”3

O segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, definiu o que é essa convicção ou fé no Gohonzon:


Você é realmente uma pessoa de forte fé se tiver a profunda convicção de que tudo ficará bem porque possui o Gohonzon, e você ficará bem porque ora ao Gohonzon. Você mantém o Gohonzon? Orou diante dele esta manhã? Você está mantendo-o agora? Se tiver a convicção de que ficará tudo bem na sua vida, então ficará. A partir de hoje, adote esta atitude. Não há a menor dúvida de que você se tornará feliz.4


A pessoa que possui uma firme convicção é forte. Não importa quais sejam os problemas ou desafios que ela enfrente ou mesmo se está sozinha ou conta com o apoio de alguém. Quando há convicção, baseada na prática da fé, a pessoa manifesta coragem e sabedoria necessárias e não se abala diante das adversidades.

Essa convicção e coragem sempre se iniciam com uma profunda decisão ou juramento da pessoa, uma forte oração diária e um grande exercício de mudança interior. Mudar o comportamento diariamente e evidenciar uma vida iluminada não é fácil. Cuidar da família, rever a atitude no trabalho, na organização e no zelo consigo são os primeiros passos dessa vigilante ação. Ter a convioção de jamais desistir, orar firmemente e buscar o apoio dos companheiros no diá­logo sincero com foco na vitória, com certeza vencerá!

Na mensagem dedicada à Divisão Sênior em agosto de 2021, sensei nos incentiva:


Não obstante as circunstâncias ou a situação de vida em que se encontrem, a mais profunda e magnífica filosofia da Lei Mística e o mais profundo juramento seigan pelo kosen-rufu possibilitam a todas as pessoas, sem exceção, alcançar infalivelmente a vitória e a felicidade no final.5


Ser capaz de enfrentar e desafiar as dificuldades

Na terceira diretriz eterna da Soka Gakkai, “Prática da fé para vencer as dificuldades”, aprendemos com o Mestre a importância de desafiarmos as circunstâncias recitando Nam-myoho-renge-kyo diante do Gohonzon, com forte fé e decisão, sem nos deixar abalar por nenhum obstáculo.

Toda sensei salientava a importância de ultrapassarmos cada dificuldade com as quais nos depararmos: “Cada vez que sobrepujarmos uma montanha de adversidades, fortalecemos dentro de nós a condição de vida do estado de buda que nada será capaz de destruir”.6

O fator crucial é desafiarmos cada problema no momento em que ele ocorrer. Não devemos aguardar até nossa fé ser profunda o bastante para tanto. É por enfrentarmos as dificuldades que lapidamos nossa vida e edificamos uma fé indestrutível como o diamante. Como confirma Daishonin: “Mas, uma espada que foi bem forjada resiste até o calor de um intenso fogo”.7

Esperamos, portanto, que orem pela solução de seus obstáculos diante do Gohonzon. Quando transformamos a lamentação dos problemas em oração e recitamos daimoku, a coragem brota e a esperança começa a brilhar em nosso coração.

Como pilares de ouro Soka, da Divisão Sênior da BSGI, devemos ter essa convicção absoluta! Temos a grande oportunidade de comprovar, junto com o Mestre, o lema da Divisão Sênior de 2022: “Contudo, eu vencerei!”.

Vamos retornar ao ponto primordial, fortalecer a fé, a prática e o estudo e nos tornar um sênior de excelência.

Para ilustrar essas duas diretrizes, compartilhamos um maravilhoso relato de vitórias de um companheiro do Grupo Alvorada do Rio de Janeiro.


Superando as dificuldades

Minha família se converteu ao budismo em 1965, no significativo dia 24 de agosto, quando meu avô recebeu o primeiro Gohonzon da nossa família. Tive a oportunidade, desde muito pequeno, de construir e fortalecer minha relação com Ikeda sensei. Aprendi esse espírito de unicidade de mestre e discípulo com a postura da minha falecida mãe, Gloria Costa, e com o treinamento e companheirismo que vivi na banda masculina Taiyo Ongakutai e na Divisão dos Jovens. Também aprendi a fortalecer a convicção absoluta na minha vida, ou seja, coragem e força para vencer quaisquer dificuldades por meio da recitação do daimoku para, assim, manifestar o comportamento do Buda diante das circunstâncias.

Há anos, convivi com duas doenças que não tinham tratamento: a facilidade em criar cálculos renais e a hepatite C. Durante as crises, meus olhos ficavam amarelados e a barriga verde; eu não tinha forças nem para me vestir. Os hepatologistas falavam de pacientes que faleceram com crises semelhantes à minha, porém eu mantinha a convicção absoluta de combater a doença. Em 2021, voltei a repetir os exames e, desta vez, o resultado foi surpreendente: constatou-se que não tenho mais hepatite C em meu corpo! Uma grandiosa vitória, uma vez que essa doença me acompanhou por quase toda a minha juventude sempre com o risco de virar cirrose hepática ou câncer.

Em paralelo, no início de 2021, realizei nova bateria de exames para tentar identificar a causa da minha facilidade em criar cálculos renais. Esses exames identificaram o motivo da fabricação de cálculos e já estou tomando o remédio que combate a formação deles. E, em meados de 2021, repeti os exames para detectar pedras nos rins e realmente nenhum cálculo foi formado, indicando que o medicamento está fazendo o efeito desejado! Ao longo da minha vida, fiz três cirurgias para retirada desses cálculos.

Apesar dos desafios dos últimos dois anos, venho conquistando vitórias no campo profissional, financeiro, de saúde e da família. Em abril de 2021, assumi como responsável por um distrito e, partir de então, venho aprendendo com cada membro da Divisão Sênior.

Nossa luta na DS do distrito se baseia na recitação do Nam-myoho-renge-kyo. Promovemos encontros para recitar daimoku juntos, de forma virtual, aos sábados pela manhã e para realizar um diálogo sobre o livro Pilares de Ouro Soka. No encontro comemorativo do dia 24 de agosto, atingimos o objetivo de ter vinte membros da Divisão Sênior ativos e comprovando a força da prática da fé diariamente.

No distrito, estamos vivendo uma transformação real dos bairros e das ruas, por meio do movimento de daimoku, estudo e diálogos realizados em nossa comunidade e em nosso bloco. Mesmo promovendo uma luta em meio a esse mundo virtual, percebemos a alegria e o comprometimento dos nossos líderes e membros nesse movimento visando à mudança social da nossa localidade.

Estou muito feliz e tenho eterna gratidão ao presidente Ikeda, aos meus familiares e a todos veteranos e membros.

Vitor Costa de Sousa, responsável pela DS de Distrito,

RM Cachambi, Sub. Engenho Novo, CCSF, CGERJ.


4

Vitor com sua esposa, Veridiana e seu filho, Vicente


Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 10, 2021. Cf. Pilares Ouro Soka. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 222, 2018.

2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 296, 2020.

3. Terceira Civilização, ed. 565, set. 2015, p. 16.

4. Idem, p. 46.

5. Brasil Seikyo, ed. 2.576, 21 ago. 2021, p. 3.

6. Terceira Civilização, ed. 583, mar. 2017, p. 18.

7. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 99, 2018.

16-12-2021

Aprender com a Nova Revolução Humana

Chegou o momento do discípulo Ikeda

HIROMASA IKEDA

VICE-PRESIDENTE DA SGI

O volume 30, da Nova Revolução Humana, o último do romance, publicado em dois livros, consiste em seis capítulos: “Grande Montanha”, “Aguardando o Tempo”, “Levantando Voo”, “Sino do Alvorecer”, “Brado da Vitória” e “Juramento Seigan”.

Tendo como cenário 1979, o capítulo “Grande Montanha” fornece uma ideia sobre o espírito de Shin’ichi ao se empenhar para promover o avanço do kosen-rufu diante da primeira problemática do clero. Descreve também como inscreve, nos dias 3 e 5 de maio [logo após a sua renúncia à presidência da Soka Gakkai], quatro peças de caligrafia: “Grande Montanha, “Grande Cerejeira”, “Luta Conjunta” e “Justiça”.

Essas peças de caligrafia só foram divulgadas publicamente muitos anos depois. “Justiça” foi a primeira a ser revelada para os membros da Soka Gakkai em outubro de 2004, 25 anos depois de ter sido inscrita, e “Luta Conjunta” foi exibida em abril de 2009, cinco anos mais tarde.

“Grande Montanha” e “Grande Cerejeira” foram apresentadas na Reunião Nacional de Líderes de junho de 2010. Essa atividade se tornou um importante marco para os discípulos do presidente Ikeda, pois ele optou deliberadamente por não comparecer ao evento.1 Em vez disso, solicitou que esses dois trabalhos de caligrafia fossem compartilhados com os membros, pela primeira vez, e enviou uma mensagem dizendo: “Chegou a hora de dar os toques finais em meu trabalho e deixar tudo para vocês”.

Embaixo dos ideogramas representando “Grande Montanha”, Shin’ichi registrou uma dedicatória:


Meus amigos, oro para que

a sua fé

permaneça inabalável diante de quaisquer tempestades.


De fato, na peça pulsa o espírito da Soka Gakkai de “permanecer inabalável por mais violentas que sejam as tempestades”. Além disso, uma inscrição sob os ideogramas simbolizando “Grande Cerejeira” diz: “Orando para que os benefícios dos meus amigos desabrochem com toda a exuberância” (p. 103). Como retrata o capítulo “Grande Montanha”, Shin’ichi busca encorajar os membros com a convicção de que “Independentemente da árdua provação à qual seja exposto, a lei de ‘causa e efeito’ do budismo é rigorosa e absoluta. Avancem tendo no coração a ‘Grande Cerejeira’ Soka” (p. 103-104).

No mesmo capítulo, ele afirma:


O verdadeiro momento decisivo do discípulo não é quando ele está lutando dia a dia sob orientação do mestre. Podemos dizer que isso é um período de treinamento. O momento decisivo, da vitória ou derrota, é quando o mestre deixar de liderar pessoalmente. (...) Devem se levantar vigorosamente em meu lugar! Todos devem se tornar “Shin’ichi”! (p. 75-76)


Chegou a hora de se levantar com a consciência de que “Eu sou Shin’ichi Yamamoto”. Com fé inabalável como uma grande montanha, este é o momento de cada um de nós fazer florir plenamente essa grande cerejeira — simbolizando a vitória do kosen-rufu.


Budismo é vitória

O capítulo “Aguardando o Tempo” foi serializado no Seikyo Shimbun de março a junho de 2017. Durante esse período, o presidente Ikeda estava visitando várias sedes regionais da Soka Gakkai em Tóquio, como meio de incentivar os membros.

Abarcando os meses que se seguiram à sua renúncia como terceiro presidente, em abril de 1979, o capítulo em si ilustra os esforços de Shin’ichi para visitar e encorajar os membros em Tóquio. Descreve também uma cena no decorrer da Reunião Nacional de Líderes de novembro daquele ano, no Auditório Memorial de Tóquio, na qual, pela primeira vez desde a sua renúncia, ele rege o coro dos participantes entoando uma canção da Soka Gakkai. Enquanto regia, seu coração clamava aos membros de Tóquio, e, de fato, de todos os lugares, que se levantassem e entrassem em ação.

A edição que mostra esse episódio foi publicada em 26 de abril de 2017. Naquele dia, o presidente Ikeda fez a sua 66ª visita ao Auditório Memorial Toda. Lá, no salão adornado com retratos dos dois primeiros presidentes da Soka Gakkai, orou pela vitória, felicidade, saúde e segurança de todos os membros.

No capítulo “Aguardando o Tempo”, também verificamos o seguinte: “Budismo é vitória. Por isso mesmo, nossa missão e nosso destino é alcançar infalivelmente a vitória na luta pelo kosen-rufu, não importando quantos obstáculos encontremos ao longo do caminho” (p. 150).

Em vista disso, empenhemo-nos em estender a mão aos amigos que estão passando por dificuldades e vamos dar o máximo de nós para lhes oferecer incentivo e apoio.


Rumo ao nosso centenário

A data de 6 de junho de 2021 assinalou o 40º aniversário do Dia de Mestre e Discípulo da Europa. Membros de mais de trinta países do continente reuniram-se para o “Encontro do Juramento Seigan da Europa”, realizado nessa ocasião. A voz deles entoando Ode à Alegria, de Beethoven, como parte das celebrações2 propagaram ondas de esperança para membros do Japão e do mundo.

O capítulo “Sino do Alvorecer” narra de maneira minuciosa a origem do Dia de Mestre e Discípulo da Europa. Em 6 de junho de 1981 — aniversário de nascimento do presidente fundador, Tsunesaburo Makiguchi —, os membros da Soka Gakkai se reúnem para um curso de aprimoramento no Centro de Treinamento Europeu, em Trets, França. Shin’ichi participa e sugere: “Gostaria de propor que façamos dessa significativa data o Dia da Europa, tornando-o comemorativo e um marco em que anualmente possam juntos prometer um novo avanço. O que os senhores acham?” (p. 359).

No decorrer de 1981, Shin’ichi realiza várias viagens para fora do Japão com o intuito de se encontrar com os membros e incentivá-los. De janeiro a março, percorre as Américas do Norte e Central, e de maio a julho, visita a União Soviética (URSS) e a Europa, e viaja mais uma vez para a América do Norte.

No capítulo “Levantando Voo”, iniciou-se o ano de 1981. Era o período decisivo (p. 281) para a Gakkai lançar sua contraofensiva em relação às forças que tentavam impedir o avanço do kosen-rufu. Lemos que Shin’ichi decide “se lançar ao mundo junto com os companheiros e assumir verdadeiramente a liderança do movimento pelo kosen-rufu” (p. 282).

Em maio, ele visita a Casa de Tolstói, em Moscou, e a Casa de Goethe, em Frankfurt. Refletindo sobre o fato de esses dois gigantes da literatura terem dedicado a vida à tarefa de escrever, Shin’ichi percebe quão jovem ainda é aos 53 anos e diz a si mesmo: “A verdadeira batalha da vida é a partir de agora” (p. 317). Ele intensifica sua decisão de continuar agindo e prosseguir escrevendo até o último momento de vida.

Após a sua renúncia como terceiro presidente da Soka Gakkai em abril de 1979, havia poucas reportagens sobre as atividades de Shin’ichi no Seikyo Shimbun. Isso porque indivíduos traiçoeiros e interesseiros e um grupo de reverendos da Nichiren Shoshu estavam em conluio conspirando às escondidas para impedir que proferisse orientações nas reuniões e que o jornal organizacional publicasse suas palavras.

No entanto, no dia 30 de abril de 1980, a edição do Seikyo Shimbun estampa um artigo sobre a visita de Shin’ichi a Nagasaki na primeira página. Então, a partir de julho daquele ano, começam a ser serializados seus ensaios “Meus Inesquecíveis Companheiros de Fé”, e em agosto, é retomada a publicação da Nova Revolução Humana, após quase dois anos de suspensão, com episódios do volume 11.

No outono daquele ano, fotos de Shin’ichi participando de uma série de eventos comemorando o 20º aniversário do movimento pelo kosen-rufu nos Estados Unidos são veiculados no Seikyo Shimbun. Suas atividades como presidente da SGI durante a suas viagens de orientação de 1981 ao exterior também são mostradas, proporcionando enorme incentivo aos membros do Japão.

Podemos encontrar uma forma de prosseguir na luta e de contribuir para o kosen-rufu, não importando que tipo de restrições limite nossas ações. É a batalha da sabedoria e da coragem.

Shin’ichi persevera com esse espírito, determinado a animar o coração de seus companheiros.

No dia 18 de novembro de 1980, em uma reunião celebrando o 50º aniversário de fundação da Soka Gakkai, ele brada com a convicção do rugido de um leão: “Vamos, a partir de hoje, com o espírito renovado, iniciar um novo grande avanço objetivando o centenário de fundação da Soka Gakkai em prol da paz, cultura e do kosen-rufu do mundo!”.

Como discípulos do presidente Ikeda, sigamos nos aprimorando com sabedoria e coragem, e asseguremos a vitória neste primeiro decisivo ano da década crucial rumo ao nosso centenário.

Principais trechos

“Mestre é aquele que abre o caminho para o discípulo. E verdadeiro discípulo é aquele que expande e estende amplamente o caminho aberto pelo mestre.” (Grande Montanha, p. 65)

“Independentemente do que acontecesse, continuaria realizando diligentemente as tarefas que estabeleceu para si, dia após dia, sem se desviar da órbita do kosen-rufu — é avançando tal qual o sol em seu curso imutável que existe a glória da vida e também a vitória do kosen-rufu.” (Aguardando o Tempo, p. 111)

“Avançar com a determinação de nos unirmos e trabalharmos juntos pelo bem do kosen-rufu, não importando o que aconteça, seguirmos adiante com a fé embasada no espírito de ‘diferentes em corpo, unos em mente’ — essa é a regra imutável de ouro da Soka Gakkai.” (Aguardando o Tempo, p. 156)

“Ao se empenhar de corpo e alma, pode-se oferecer um incentivo que realmente toca e inspira fortemente o coração dos companheiros.” (Levantando Voo, p. 255)

“Nosso movimento budista se inicia a partir do foco em cada pessoa que faz parte da sociedade.” (Sino do Alvorecer, p. 313)


Resumo do conteúdo

Grande Montanha

No dia 24 de abril de 1979, Shin’ichi renuncia à presidência da Soka Gakkai. Após a Reunião Nacional de Líderes de 3 de maio, ele inscreve “Grande Montanha”, “Grande Cerejeira” e “Luta Conjunta” em caligrafia, e, subsequentemente, “Justiça”, no dia 5 de maio.

Aguardando o tempo

Shin’ichi devota-se a oferecer orientações pessoais e prepara o terreno para o futuro. Em 1980, membros das ilhas Shikoku e Amami vão até Kanagawa para se encontrar com o mestre.

Levantando Voo

No dia 21 de abril, Shin’ichi visita a China pela quinta vez. Ao voltar para o Japão, dirige-se a Nagasaki, retornando à linha de frente para assumir a liderança do kosen-rufu. Em 1981, viaja para as Américas do Norte e Central e para a União Soviética.

Sino do Alvorecer — Parte 1

Shin’ichi participa de várias atividades na Europa. Ele visita a Bulgária e se empenha em treinar a Divisão dos Jovens em todo o continente.


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Notas:

1. Até então, ele costumava participar dessas reuniões mensais e oferecer orientações aos membros.

2. Leia no site da Editora Brasil Seikyo, https://www.brasilseikyo.com.br/home/bs-digital/edicao/2591/artigo/999560075  

16-12-2021

BS Reunião de Palestra

Melodias da vitória

REDAÇÃO


Um dos momentos mais alegres e vibrantes das nossas reuniões de palestra é anunciado quando geralmente o apresentador pergunta: “Vamos cantar uma canção?”. O dito popular “quem canta seus males espanta” ganha novo significado nessa hora, quando entoamos essas vigorosas melodias que marcam o avanço de cada um de nós e da organização, sobrepujando os obstáculos e estabelecendo novas etapas de desenvolvimento. Canção para a Paz Mundial, Mais um Dia Feliz, Saudação a Sensei, Monarcas da Era da Paz e tantas outras músicas embalam as reuniões de palestra e têm lugar guardado no coração dos membros da BSGI.

Para conduzir uma canção, realizamos o shiki, que significa “reger a canção”. O regente é quem determinará o ritmo da música. Além disso, com o shiki, transmitimos para as pessoas o espírito da Soka Gakkai de demonstrar nossa determinação e um aspecto maravilhoso de vitória.


Alegria e decisão

Hoje, a maioria das atividades está sendo feita de forma virtual devido à pandemia do novo coronavírus, e normalmente não há regência ao vivo das canções; elas são apresentadas em vídeos, mas nada que atrapalhe o ânimo e a emoção dos participantes. Enquanto todos seguem com ações de combate à doença, prezando em primeiro lugar a saúde, aguardam ansiosamente o momento de retornar às reu­niões presenciais.

Também nas atividades, podemos apreciar diversas apresentações culturais com músicas populares e clássicas, realçando as características e os costumes de cada país, região ou localidade. Nesta matéria, entretanto, vamos dar destaque às canções da Soka Gakkai, várias delas compostas pelo próprio presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, ou por membros do Brasil, do Japão e do exterior.

Sentimento do Mestre

De forma muito humana e calorosa, Ikeda sensei comenta:


Os senhores, meus amigos, estão empenhando esforços e mais esforços, dia após dia, nas atividades da Soka Gakkai. Meu sentimento é de querer transmitir minhas mais sinceras palavras de estima, de agradecimento e também de gratidão a todos. Então, apesar de não serem primorosas, componho essas canções com sincero esforço e dedicação com o sentimento de que todos se alegrem. Ao receberem esta música, espero que ela se torne pelo menos um incentivo e esperança para cada um.1


No romance de sua autoria, Nova Revolução Humana, o presidente Ikeda relata por diversas vezes como compôs canções de cada província ou cidade, de braços dados com os membros locais, criando uma vigorosa etapa de crescimento e visualizando um grandioso futuro para eles.

Particularmente, em 1979, quando nosso mestre foi impedido de discursar nas atividades ou de escrever para o Seikyo Shimbun devido às ardilosas tramas do clero, ele se dedicou incansavelmente para visitar as pessoas, além de compor e tocar canções ao piano para encorajar os membros.

Sensei declara:


O avanço do kosen-rufu sempre foi embalado pelas canções da Soka Gakkai. Em tempos bons e ruins, nas horas alegres em que nos empenhamos para compartilhar o budismo com as pessoas e nos momentos de rajadas de críticas e insultos na sociedade, os membros extraíam inspiração e força entoando as canções da Soka Gakkai.2

Atitude de incentivar

Em meio a intensos compromissos, seja escrevendo suas obras ou mensagens de incentivo, participando das atividades, dialogando com personalidades e com as pessoas do povo, o Mestre reserva tempo também para compor e reger canções.

Uma passagem emocionante da Nova Revolução Humana conta a dedicação de Ikeda sensei a incentivar, com a regência de uma canção, os membros da Divisão dos Estudantes Herdeiro em um curso de aprimoramento:

Depois da oração, quando Shin’ichi3 ia despedir-se dos participantes, uma voz surgiu da plateia.

— Presidente Yamamoto, poderia, por favor, reger uma canção para todos nós?

Esse pedido foi seguido por uma forte salva de palmas.

Shin’ichi aceitou o pedido com um sorriso nos lábios.

— Está bem. Vou reger uma canção. Antes, porém, gostaria de solicitar aos vice-presidentes e demais líderes que a regessem para vocês.

Os líderes se levantaram e regeram uma canção acompanhada do coro entusiasmado dos estudantes.

Em seguida, Shin’ichi apanhou um leque e perguntou:

— O que vocês querem cantar?

— Por favor, gostaríamos que o senhor regesse a canção Takeda-bushi.

— Está bem. Vamos cantar com ânimo total!

A regência de Shin’ichi, acompanhada das palmas dos participantes, criou um ambiente repleto de vigor e decisão. Muitos deles viam pela primeira vez a regência de Shin’ichi.

Quando terminou, outro estudante gritou da plateia.

— Por favor, poderia reger mais uma vez?

— Está bem. Regerei quantas vezes vocês quiserem!

Shin’ichi começou a reger pela segunda vez. As palmas dos estudantes intensificaram-se ainda mais.

Ao término, eles pediram que regesse mais uma vez.

Shin’ichi enxugou o suor com o lenço e regeu a canção pela terceira vez.

Como os pedidos não cessavam, os líderes começaram a ficar preocupados com a saúde do presidente Yamamoto, e o coordenador Masaya Ueno quis até se levantar para acalmar o entusiasmo de seus companheiros. Entretanto, uma vez que o próprio presidente estava disposto a atender todos os pedidos, ele permaneceu sentado em seu lugar.

Um quarto pedido de regência surgiu da plateia. Shin’ichi aceitou sorrindo e levantou bem alto o leque. Sua regência era como o vigoroso bailar de uma grande fênix. Por essa dedicação, atendendo a todos os pedidos, os estudantes ficaram emocionados e as lágrimas começaram a deslizar pelo rosto. Esse encontro com o presidente Yamamoto ficou gravado no coração dos participantes como uma lembrança inesquecível.4

Com todo ânimo!

Uma sugestão para a pessoa que deseja aprender a realizar o shiki, ou seja, reger uma canção, é conversar com um veterano para que lhe ensine e a incentive. Embora existam diferenças na regência de uma pessoa para outra, o mais importante é transmitir força, paixão e determinação a cada movimento, conforme Ikeda sensei salienta: “A canção da Gakkai existe junto com a decisão. Por esse motivo, onde ecoam as vozes que a cantam, desponta altivo o sol da vitória”.5

Assim, cantar ou reger uma canção, muito mais que uma forma para “animar a reunião”, é a oportunidade de mostrar e aprofundar nossa decisão em nos dedicar cada vez mais ao cumprimento da nossa missão pelo kosen-rufu.

Dica dourada do Mestre

As canções da Soka Gakkai promovem a união e incentivam as pessoas a renovar a determinação. Ikeda sensei enfatiza:

O importante é, independentemente das circunstâncias ou das situações, criar verdadeiros filhos do leão que viverão pela missão em prol do kosen-rufu. Para isso, quero fazer músicas que inspirem com coragem a alma e o coração de todos. Isso porque a Soka Gakkai é uma organização que avança alegre e radiantemente entoando a canção do júbilo e da esperança.6




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Ilustração retrata o presidente Ikeda regendo canção em curso de aprimoramento da Divisão dos Estudantes Herdeiro



Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Contínua Felicidade. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 29, p. 38-39, 2020.

2. IKEDA, Daisaku. Estandarte da Lei. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 26, p. 128-129, 2019.

3. Shin’ichi Yamamoto é o pseudônimo do presidente Ikeda no romance Nova Revolução Humana.

4. IKEDA, Daisaku. Jovens Herdeiros. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 9, p. 103-104, 2019.

5. Idem. Grande Caminho. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 28, p. 163, 2019.

6. Idem. Hino da Ampla Propagação. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 28, p. 16, 2019.


Fonte:

RDez, ed. 76, abr. 2008.

16-12-2021

Notícias

Sabedoria, coragem e compaixão

REDAÇÃO / COLABORAÇÃO LOCAL

Cerca de 2 mil pessoas refletiram sobre a “educação Soka” e a importância da atuação de educadores humanistas numa ação promovida pela Coordenadoria Educacional (CEduc) da BSGI. As atividades estavam programadas para os dias 4 e 5 de dezembro, porém algumas organizações as realizaram antecipadamente. Por todo o Brasil, foram promovidos o Curso de Aprimoramento da Academia Magia da Leitura e a Conferência sobre Práticas Educacionais, ambos no nível de coordenadoria — é a primeira vez que essas programações são produzidas nesse formato. Para isso, os organizadores tiveram como maior desafio vencer questões tecnológicas, e o resultado pode ser medido pelo alcance de público.

O Curso de Aprimoramento da Academia Magia da Leitura foi promovido nos dias 4 e 5, oportunidade em que foi feito um balanço dos resultados do ano e o lançamento dos planos para 2022. Já na Conferência sobre Práticas Educacionais, também realizada nos dias 4 e 5, os organizadores optaram por centralizar-se nos depoimentos sobre os resultados da aplicação da “educação Soka”, ampliando o conhecimento sobre esse tema e aprofundando-se no conceito de educação humanística, a partir da visão do Dr. Daisaku Ikeda, presiden­te da Soka Gakkai Internacional (SGI) e sua abnegada dedicação ao ramo da educação.


Do aprendizado à prática

Na CRE Oeste, Tânia Sakuma, responsável pelo Núcleo de Estudos e Aplicação da Educação Soka (Nupas) da CEduc, ressaltou alguns pontos relacionados à educação humanística como: compreender os “quatro sofrimentos da vida” (nascimento, envelhecimento, doença e morte); cultivar a força física e espiritual; conquistar felicidade; e triunfar sobre todas as adversidades da vida.

Já na Coordenadoria Norte-Sul Paulistana (CNSP), um dos destaques foram os relatos de educadores que mostraram perseverança e firme propósito em sua atuação no trabalho, aplicando o que aprenderam nas atividades da coordenadoria.

Andréia Quintiliano Amaral, mem­bro da Divisão Feminina (DF) do Bloco Jardim Dourados (Distrito Três Lagoas, Sub. Mato Grosso do Sul), compartilhou suas reflexões: “A conferência foi uma ‘abertura de mentes’ e as palavras do Dr. Ikeda nos ajudam a elevar nossa condição de vida. Estou ainda mais orgulhosa da pessoa que estou me tornando com a minha revolução humana. A ‘grande correnteza’ sou eu”.


Objetivos para 2022

Para a coordenadora da CEduc da BSGI, Sônia Kato, o objetivo lançado para 2021 de adequar as ações ao atual momento da sociedade e ao movimento da BSGI de fortalecer as organizações de base foi alcançado. “Realizamos diálogos internos visando ao fortalecimento das equipes e nos aprofundamos nos estudos sobre a “educação Soka”, diá­logos sobre a Proposta de Paz, do Dr. Ikeda, através do olhar da educação e os princípios da CEduc de ‘sabedoria, coragem e compaixão’”, declara a líder.

O que esperar da coordenadoria para 2022? Sônia Kato revela: “Desejamos unir o coração de cada integrante ao coração do presidente Ikeda na construção do ‘Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico’, como protagonistas da ‘educação Soka’ e da criação de pessoas valorosas na organização de base. E que esses indivíduos promovam uma profunda revolução na educação brasileira e contribuam assim para a prosperidade do nosso país, como dignos ‘bodisatvas da terra’ que nasceram nesta nação para conduzir o povo à felicidade”.

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CEduc da BSGI atinge número recorde de participação em atividades realizadas nos dias 4 e 5 de dezembro

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Notícias

Depart da Sub. Bahia promove encontro anual

REDAÇÃO / COLABORAÇÃO LOCAL

Uma grande festa cultural marcou o último encontro de 2021 do Departamento de Artistas (Depart) da Sub. Bahia (CRE Leste, CGRE). A atividade realizada no dia 30 de novembro teve como inspiração o Dia da Consciência Negra, celebrado no dia 20 daquele mês, e ainda comemorou os três anos de fundação do departamento. Na programação, não faltaram itens fundamentais como relatos e estudo do budismo, este último foi promovido por um representante do Departamento de Estudo do Budismo (DEB) da localidade.

Na ocasião, objetivando a valorização da cultura local, as artes de alguns membros também foram apresentadas, inclusive pelos próprios criadores. Uma das grandes surpresas da noite foi a participação do maestro Ubiratan Marques, indicado ao Grammy Latino 2021, junto com a Orquestra Afrosinfônica. Ele compartilhou com os integrantes do Depart sobre a atuação da orquestra no combate ao racismo por meio da arte. Foi apresentada, em formato de vídeo, a música 1835, executada pela Orquestra Afrosinfônica e pelo grupo afro Malê Debalê, um dos mais antigos e respeitados movimentos musicais e culturais da Bahia.

O núcleo baiano do Depart, segundo a responsável Angelina Yoshie, vem estreitando laços de amizade com instituições locais e compartilhando experiências com a sociedade civil organizada, com base na Carta da Soka Gakkai. Esses diálogos têm gerado muitos frutos, entre eles a participação do maestro Ubiratan Marques. “Movimentar ainda mais as visitas virtuais e fortalecer a esperança, o acolhimento e o compartilhamento de experiências para transformar a realidade. Estudar a obra Nova Revolução Humana, de autoria do Dr. Daisaku Ikeda, e criar vários tipos de expressões artísticas com base na leitura e no estudo. Fortalecer todos os sete setores do Depart, com seus respectivos líderes. Esses são somen­te alguns dos nossos objetivos para 2022”, declara Angelina.

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Depart da Sub. Bahia estreita laços de amizade com instituições locais

16-12-2021

Relato

Quando você muda, tudo se transforma

Integrante da Coordenadoria Centro-Sul Fluminense (CCSF), a família Magalhães se resume extremamente unida. A BSGI, assim como o Budismo de Nichiren Daishonin, chega até os familiares por intermédio da matriarca Leusa Magalhães. Uma mulher forte que, durante muito tempo, sofreu com as irresponsabilidades do marido, levando uma vida de altos e baixos, passando fome e mudando frequentemente de casa para que não fossem despejados. Quem nos conta sobre isso é Leila Magalhães Rodrigues, filha de Leusa, tão forte quanto a mãe.

Aos 13 anos, Leila viu a mãe sair para tirar a segunda via do documento de identidade e ser presa sem saber o porquê. “Meu pai a fazia assinar vários papéis em branco, falsificando a assinatura dela num cheque sem fundos. Assumi a casa por um ano, sendo pai e mãe de meus quatro irmãos. Em 1978, ele saiu de casa e nos deixou literalmente na rua. Nós nos dividimos em casas de parentes e depois fomos morar num quarto com a ajuda de uma amiga. Apesar de tudo, minha mãe não sentia raiva e nos criou com base na união. Entre nós, filhos, não existem brigas.”

É em meio a esse cenário que Leusa, a mãe, encontra a BSGI e o budismo. Era abril de 1979 e, na época, a Soka Gakkai enfrentava a primeira problemática do clero. A pessoa que os apresentou ao Budismo Nichiren deixou a organização, mas eles receberam o Gohonzon em 16 de novembro de 1980, lado a lado com o Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI).

“Minha mãe abraçou o Gohonzon e se dedicou intensamente a todas as lutas. Escreveu muitas cartas para Ikeda sensei, as quais foram respondidas. Conseguiu ter a casa própria, eliminando o carma de despejo. Encerrou sua missão dignamente em 2007, recebendo considerações do Mestre, inclusive o plantio de uma árvore no Centro Cultural Campestre (CCCamp) da BSGI.”

Leusa deixou como legado o Gohonzon aos filhos e hoje os netos e bisnetos são praticantes também.


Sorriso grandioso

Leila Magalhães relata que sentia tanta raiva do pai que se tornou amarga e fechada. “As pessoas não se aproximavam de mim com medo, pois eu não sorria para ninguém. Minha mãe vivia falando, ‘Dá um sorriso, cumprimenta as pessoas’, e eu, nada. Educadamente, comentavam com ela: ‘A sua filha é tão diferente da senhora’.”

Leila revela que a oração foi crucial no processo de mudança: “Recitei muito daimoku e li diversas orientações do Mestre e vários escritos de Nichiren Daishonin para entender que meu pai foi apenas a relação externa para manifestar nosso carma. Hoje, consigo orar por sua iluminação”. Ela destaca uma frase do Ikeda sensei da qual gosta muito:


Quando você muda, todo o ambiente também muda. Essa é a regra básica infalível da nossa revolução humana. Elevando alto a grandiosa filosofia da esperança, recitem sempre daimoku, incansavelmente, e façam com que os ventos da “eternidade, felicidade, verdadeiro eu e pureza” se tornem fragrância em sua vida. E ampliando cada vez mais o movimento pela paz e pela felicidade das pessoas, vamos concretizar a construção da terra da felicidade com muito ânimo e jovialidade em nossa localidade!1


A cada oportunidade, em que recebia uma nova função na organização, Leila confessa divertidamente que pensava: “Preciso melhorar essa ‘cara’. Sentia como se Daishonin me dissesse: ‘Você está recebendo mais uma oportunidade para mudar; aproveite’. Eu me esforço ao máximo!”.

Leila se define uma mulher batalhadora. Sempre trabalhou fora de casa para ajudar a mãe e nunca deixou de participar das atividades da Soka Gakkai, mesmo quando a filha nasceu. “Eu me locomovia de ônibus, levando-a nos braços. Hoje, ela é líder de bloco e faz o mesmo com meus netos.” Momentos especiais? Ela relata: “Encontrei-me com Ikeda sensei pessoalmente no Festival Cultural de 1984 e na Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1993. Tive ainda a boa sorte de participar de dois cursos de aprimoramento no Japão. Só alcançamos um grande e radiante avanço quando tiramos as dúvidas que se instalam no coração. Há vinte anos estou casada com um budista de ‘tirar o chapéu’. Somos aposentados e dedicamos nosso tempo para ‘fazer feliz todas as pessoas com quem temos relação’”.

Atualmente, como vice-responsável pela Divisão Feminina (DF) da Coordenadoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (CGERJ), Leila se dedica às visitas e aos diálogos, oportunidades em que aprende com as demais integrantes da DF.


Jovens de decisão

A garra da família Magalhães se estende e se desdobra nas gerações seguintes, sendo dois exemplos Anderson e Adriana.

Desde pequeno, Anderson Magalhães foi envolvido na órbita da Soka Gakkai. Com naturalidade, sua mãe, Denise, sempre o levava com ela nas visitas e atividades. Ele conta que um momento inesquecível aconteceu quando tinha 12 anos. “Minha avó insistia diariamente para que eu entrasse para o Sokahan (grupo de treinamento da Divisão Masculina de Jovens [DMJ]). Eu era muito preguiçoso e tinha medo de ter grandes sonhos. Nesse período, ela me fez vencer na prática diária durante um ano e o ponto marcante foi que ela faleceu exatamente na semana da minha primeira atuação no grupo. Entendi que sua missão comigo estava cumprida.”

Anderson afirma que, devido à sua avó, nunca se afastou da prática e venceu inúmeros desafios, como nos estudos, na saúde, na área profissional, no relacionamento e em todos os campos de atuação. “Tenho plena convicção de que, por ter o Gohonzon, sou capaz de vencer qualquer desafio. Agradeço por estar construindo uma vida vitoriosa com o Mestre, tendo sempre minha família e bons amigos ao meu lado. Minha decisão é, sem falta, empreender uma grande marcha da esperança, incentivando todas as pessoas ao meu redor e conduzindo-as à felicidade”, assim decide Anderson que, aos 27 anos, atua como coordenador da Divisão dos Estudantes (DE) da CGERJ.

Na continuidade do forte legado das mulheres da família está Adriana Magalhães. Também aos 27 anos, atua como vice-responsável pela DE da Sub. Engenho Novo e como vice-responsável pelo Cerejeira (grupo de bastidor da Divisão Feminina de Jovens [DFJ]) da CCSF. Mesmo nascendo numa família budista, ela considera que iniciou a prática com 12 anos, ao ingressar no Cerejeira, quando passou a recitar daimoku e gongyo diariamente. “Ter crescido vendo a prática da minha avó, da minha mãe e das minhas tias é meu maior tesouro. É a certeza de que posso vencer qualquer adversidade e realizar qualquer sonho por meio do daimoku. Sou profundamente grata por ter nascido em um lar budista. Minha mãe, Kátia, sempre me levou com ela nas atividades e tive a boa sorte de crescer no ambiente da Gakkai.”

Foram muitas vitórias em diversos aspectos, como desarmonia familiar, dificuldades financeiras e problemas de saúde. Adriana se formou em publicidade, trabalha na área e constantemente renova a decisão: “Continuarei a me desenvolver como ser humano de referência na sociedade, expandindo minha vida por meio dos estudos, e a concretizar todos os meus sonhos com gratidão a Ikeda sensei, ao lado de minha família, amigos e companheiros”, enfatiza a jovem.

Essa é a história da família Magalhães que, por meio da fé e da dedicação ao kosen-rufu, venceu a fome, a falta de moradia e encontrou no Budismo Nichiren e na Soka Gakkai a razão de viver e ser feliz!


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Leila (segunda a partir da dir.) entre integrantes do grupo Sumirê da DF no CCRJ (antes da pandemia)

27

Leusa Magalhães , da primeira geração de praticantes da família


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Adriana junto com as integrantes do grupo Cerejeira

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com a irmã (ao centro) e a mãe (à dir.)

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No Japão, Anderson posa com grupo de jovens brasileiros em frente ao Auditório do Grande Juramento pelo Kosen-rufu

33

após a formatura do grupo Sokahan


No topo: família Magalhães reunida


Nota:

1. Brasil Seikyo, ed. 2.338, 3 set. 2016.

16-12-2021

Caderno de Estudo

Carta de Ano Novo

Trecho do Gosho

“Recebi cem bolinhos de arroz cozidos a vapor e uma cesta de frutas. O dia de Ano-Novo representa o primeiro dia, o primeiro mês, o começo do ano e o início da primavera.1 A pessoa que celebra esse dia acumulará virtudes e será amada por todos, assim como a Lua vai aumentando de tamanho à medida que se move do oeste para o leste,2 e assim como o Sol brilha mais intensamente enquanto se desloca do leste para o oeste.

Em primeiro lugar, sobre a questão de onde exatamente se encontram o inferno e o buda, um sutra diz que o inferno está abaixo da terra, e outro afirma que o buda reside no oeste. No entanto, um exame mais cuidadoso revela que ambos existem em nosso corpo de um metro e meio de altura. Isso deve ser verdade, pois o inferno está no coração da pessoa que, em seu íntimo, despreza seu pai e ignora sua mãe.”3

Cenário histórico

O escrito Carta de Ano Novo foi endereçado a uma discípula, a esposa de Omosu, que enviou cem bolinhos de arroz cozidos a vapor a Daishonin e uma cesta de frutas comemorativa do Ano-Novo.

A esposa de Omosu era a irmã mais velha de Nanjo Tokimitsu, e tinha perdido sua amada filha, acometida de uma doença, em 1278. Essa filha havia enviado várias cartas a Nichiren Daishonin. Antes de morrer, ela escreveu para ele dizendo que provavelmente seria sua última carta e expressou seu estado de espírito sereno enquanto enfrentava a morte.4

Embora não conste a data, presume-se que Carta de Ano Novo tenha sido escrita em 1281, um ano antes do falecimento de Daishonin.

Com certeza, a esposa de Omosu recebia cada novo ano com a determinação de permanecer firme em sua prática budista como discípula de Nichiren Daishonin, não somente para seu próprio bem, mas também em nome da filha que havia partido. Como o ano novo se aproximava, ela deve ter renovado sua decisão enviando esses oferecimentos a Daishonin. Ele, por sua vez, louva de todo o coração a sinceridade e vibrante determinação de sua discípula.

Explanação

Fazendo oferecimentos ao Sutra do Lótus com toda a sinceridade

No início desta carta, Nichiren Daishonin reforça a importância da sinceridade de se fazer oferecimentos ao Sutra do Lótus no início do ano novo, ressaltando quanto esse comportamento é nobre. Ele compara esse sincero coração às flores de cerejeira que brotam das árvores, ao lótus que desabrocha no meio da água lamacenta, às folhas de sândalo que se espalham nas Montanhas de Neve, ou à lua que começa a se erguer.5 As palavras utilizadas por Daishonin nessas analogias são todas cheias de vida, tais como “brotar”, “desabrochar”, “erguer”, “espalhar”.

O primeiro dia do ano novo é um dia de começos. Todos podem recomeçar com nova e revigorante determinação. É uma excelente oportunidade para despertarmos para o espírito budista da “verdadeira causa”6 — o espírito de sempre avançar a partir do presente momento. Quando agimos assim, nossa vida certamente transbordará de incontida alegria.

Nichiren Daishonin afirma que uma pessoa que comemora esse dia, com base na Lei Mística, acumulará constantemente virtude e benefício e será amada por todos, assim como a lua cresce gradualmente, ficando mais cheia, e o sol brilha ainda com mais intensidade à medida que sobe mais alto no céu.7

Daishonin imprimiu um profundo significado ao ideograma chinês hajime — que pode significar “em primeiro lugar”, “começo” ou “início”. Por exemplo, no escrito Os Benefícios do Sutra do Lótus, Daishonin escreve: “Em toda esta nação japonesa, sou a única pessoa que recita o Nam-myoho-renge-kyo. Sou como a única partícula de pó que marca o início do Monte Sumeru8 ou como a única gota de orvalho que dá origem ao grande oceano”.9


O inferno e o buda existem dentro de nós

Nichiren Daishonin deve ter considerado o espírito sincero da esposa de Omosu — seus esforços para apoiá-lo e continuar lutando com base na fé — incrivelmente nobre e belo.

Ele lhe assegura que o buda não pode ser encontrado em algum lugar distante, mas dentro do próprio coração. E explica a essência fundamental da vida, a “possessão mútua dos dez mundos”10 de forma acessível no trecho seguinte.

Para ilustrar seu ponto de vista, Daishonin escolhe como exemplos os estados de inferno e de buda, os dois extremos dos dez mundos. Essas condições de vida, que aos nossos olhos de mortais comuns parecem as mais distantes da realidade cotidiana, estão, na verdade, presentes em nosso coração. Da ótica dos ensinamentos que eram amplamente difundidos a respeito de inferno e buda naquela época, essa foi uma mudança radical.

Nesse escrito, Daishonin afirma claramente que inferno e buda estão aqui, no “nosso corpo de um metro e meio de altura” e “no coração da pessoa”.11 Em primeiro lugar, usando a palavra “nosso”, Daishonin indica que esses estados estão dentro de todos nós, inclusive dele próprio, sem qualquer distinção ou discriminação. Em segundo, o estado de inferno e o estado de buda não estão distantes de nós. Eles existem em nossa vida, na vida de pessoas reais aqui e agora.

Ao explicar a “possessão mútua dos dez mundos”, Daishonin primeiro dá um exemplo de como o estado de inferno é um potencial dentro da própria vida, descrevendo-o, por exemplo, como o “coração da pessoa que, no seu íntimo, despreza seu pai e ignora sua mãe”.12

O auspicioso descortinar do “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico” é um momento propício para renovarmos as nossas decisões junto com o Mestre. No prefácio da nova edição de Nichiren Daishonin Gosho Zenshu (Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin), Ikeda sensei declara:

O Gosho exalta a igualdade de todos os seres vivos, elucida a filosofia da coexistência e da harmonia e a filosofia da tolerância e da compaixão. Não é exagero afirmar que o Gosho é o tesouro imortal capaz de extrair a “sabedoria que opera de acordo com as mudanças das circunstâncias” (zuien-shinnyo-no-chi) no desafio dos problemas globais, tais como guerras, epidemias, miséria, desastres naturais, mudança climática, entre outros, e elevar e unir toda a humanidade. Desejo, do fundo do coração, que os preciosos amigos emergidos da terra avancem bailando alegremente pela jornada da unicidade de mestre e discípulo do juramento seigan pelos “dez mil anos e mais, por toda a eternidade”, rumo à pacificação da terra e do mundo por meio do estabelecimento do ensinamento.13

Notas:

1. De acordo com o calendário lunar japonês, a primavera começa com o primeiro mês, isto é, por esse sistema oficial se inicia o ano novo. Pelo calendário gregoriano, essa data corresponde a algum dia entre 21 de janeiro e 19 de fevereiro.

2. Refere-se ao fato de que a lua nova é vista pela primeira vez a oeste logo após o pôr do sol. Nas noites que se seguem, como a lua cresce mais cheia, parece ter se movido um pouco mais para leste.

3. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 405, 2018.

4. Cf. Ibidem, p. 166.

5. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 405, 2018.

6. “Verdadeira causa”: Também chamada de princípio místico da “verdadeira causa”. O Budismo de Nichiren Daishonin expõe diretamente a verdadeira causa para a iluminação, como o Nam-myoho-renge-kyo, que é a lei da vida e do universo. Ele ensina uma forma de prática budista de sempre avançar a partir deste momento e superar todos os problemas e dificuldades com base nesta lei fundamental.

7. Cf. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 405, 2018.

8. Monte Sumeru: Na antiga cosmologia indiana, montanha que se ergue do centro do mundo.

9. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, v. 703, 2014.

10. “Possessão mútua dos dez mundos”: Segundo esse princípio, cada um dos dez mundos possui o potencial inerente a todos os dez. “Possessão mútua” significa que a vida não se fixa a um ou outro dos dez mundos, mas pode manifestar qualquer um dos dez — do estado de inferno ao estado de buda — a qualquer momento. O ponto fundamental desse princípio é que todos os seres, em qualquer um dos nove mundos, possuem a natureza de buda. Assim, cada pessoa tem o potencial para manifestar o estado de buda, da mesma forma que um buda também possui os nove mundos, não sendo, portanto, separado ou diferente das pessoas comuns.

11. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 405, 2018.

12. Ibidem.

13. NOTÍCIAS. BS+, 24 nov. 2021. Disponível em: https://www.brasilseikyo.com.br/central-de-noticias/noticia/999560002 . Acesso em: 1º dez. 2021.

16-12-2021

Encontro com o Mestre

A pessoa com resoluta determinação pelo kosen-rufu é a “vencedora com boa sorte”

DR. DAISAKU IKEDA


No mundo do budismo,

não há absolutamente nada

sem significado.

As pessoas que mais se esforçaram,

em uma posição difícil,

são aromatizadas com os maiores benefícios.

As pessoas que mais se empenharam,

reservadamente nos bastidores,

são as que brilham com maior glória.

Esse é o significado de “ser observado mesmo não sendo visto” (myo no shoran).



O importante é para que lado

está voltada a sua determinação.

Deve estabelecer o objetivo fundamental

de “para que propósito”.

Para nós, significa direcionar nossa determinação

para o Gohonzon e para o kosen-rufu.

A determinação resoluta é invisível aos olhos.

Porém, a força dessa determinação resoluta

pode nos direcionar rumo à vitória e à felicidade.



A devoção de vocês pelo kosen-rufu

é a mais elevada doação ao Buda.

Os benefícios por atuar em prol da Lei Mística

tornam-se a força para o estado de buda,

não só de si mesmo, mas de todas as pessoas relacionadas,

como pais e irmãos.

Podem-se direcionar todos rumo à felicidade.



As diferenças sutis no coração da fé

manifestam-se, com o tempo, na forma de

enormes variações na condição de vida.

Conforme afirma Nichiren Daishonin,

vocês, que acumulam no coração o grande bem

pelo kosen-rufu mundial,

resplandecerão, infalivelmente, como

“afortunados da vida”,

“vencedores da boa sorte”,

e “monarcas da esperança”

pelas “três existências”.



Oh, meus amigos!

Companheiros de luta conjunta!

Vamos começar hoje

a eterna jornada de mestre e discípulo Soka!

A jornada de glórias e vitórias da revolução humana!

Agora é a nova partida acendendo as chamas da

paixão do juramento seigan pelo kosen-rufu!


No topo: Nova determinação

As árvores douradas de Ginkgo biloba (nogueira do Japão) contrastam com o refrescante céu azul. Ikeda sensei tirou esta foto em novembro de 2021, nas imediações da sede central da Soka Gakkai, em Shinanomachi, Tóquio.

Com o passar do outono, o ginkgo se torna cada vez mais dourado. Seu aspecto parece nos clamar: “Já é hora da finalização”.

Nos escritos de Nichiren Daishonin consta: “Se você fortalecer sua determinação constantemente, sua cor será mais forte que a de outras pessoas e receberá mais benefícios que elas”.1 Quando avançamos com elevada determinação resoluta pelo kosen-rufu, nossa vida brilha mais intensamente, e podemos expandir uma condição de inabalável felicidade.

Com gratidão por termos uma existência de mestre e discípulo, vamos renovar o juramento de persistir pelo caminho dourado da felicidade chamado Soka.


Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 643, 2014.


Publicado no Seikyo Shimbun do dia 14 de novembro de 2021.

16-12-2021

Encontro com o Mestre

Trinta anos desde a independência espiritual — O caminho da religião da revolução humana

DR. DAISAKU IKEDA


Originalmente, o objetivo e a base da religião

são o renascimento e a alegria da vida de uma única pessoa.

Portanto, o que se busca verdadeiramente

é a religião que torna sábia e forte uma única pessoa,

elucidando a dignidade da vida.

Aqui se encontra o eixo da

“religião em prol das pessoas” que não seja a

“religião em prol da religião”.



O Budismo Nichiren é, do começo ao fim,

a “religião em prol das pessoas”.

O que deve ser visto com maior importância é sempre

salvar a pessoa que está à sua frente, e

agir para torná-la feliz.

O valor da religião encontra-se na ação prática

de devotar-se inteiramente com amor e compaixão

para socorrer a pessoa que está sofrendo.



É a religião que transforma

as pessoas com sofrimentos e preocupações,

que sempre estiveram “ao lado dos que recebem ajuda”,

para “o lado daqueles que ajudam os outros”,

tornando-as “o pilar, os olhos e a grande nau”.

No mundo inteiro,

a Soka Gakkai está criando seres humanos de valor,

os verdadeiros “pilares do povo”,

“os olhos da felicidade” e

“a grande nau da esperança”.

Essa é a grande prova da

“religião da revolução humana”.



Em nossa Soka Gakkai,

há o grande brilho da compaixão

capaz de romper a escuridão dos sofrimentos das pessoas,

e proporcionar-lhes coragem e esperança.

Há o rugido do leão que brada pela justiça

para derrubar as maldades de forma resoluta.

Há a grandiosa convicção na fé

capaz de construir a felicidade da pessoa, junto com a de outras,

transformando o destino dela.



Não há um fim na luta pelo kosen-rufu,

do grande desejo pelos dez mil anos

dos Últimos Dias da Lei.

É a luta contínua e ininterrupta

de ações e diálogos que conduzem

a humanidade à paz.

Nesta persistente devoção corajosa e diligente,

existem nossa própria revolução humana

e a transformação do nosso destino.


No topo: Desabrochar

As rosas com cores vermelhas, amarelas e azuis vibrantes chamam a atenção. Ikeda sensei direcionou as lentes de sua câmera para as flores com as três cores da Soka Gakkai, em novembro de 2010 (em Tóquio), em comemoração do dia de fundação da organização [em 18 de novembro de 1930].

Em 28 de novembro de 2021, completaram-se trinta anos desde a independência espiritual com a separação do clero da Nichiren Shoshu. Cortando as amarras do clero que escravizava o ser humano, a Soka Gakkai se desenvolveu de forma dinâmica como religião mundial. A rede dos emergidos da terra se expandiu para 192 países e territórios, e a bandeira de três cores tremula em todas as partes.

O mundo busca por uma nova filosofia capaz de fazer desabrochar o potencial humano, unir os povos e sobreviver a civilização global. Deixando de lado o ciúme e as difamações, vamos caminhar imponentemente pela estrada do kosen-rufu mundial que é, em si, a paz do mundo.


Publicado no Seikyo Shimbun do dia 28 de novembro de 2021.

16-12-2021

Encontro com o Mestre

Londres — Espírito indomável que resplandece na história

O mundo está empreendendo uma feroz batalha contra a Covid-19. A disseminação do vírus é bastante séria também na Inglaterra. Ikeda sensei visitou por sete vezes esse país e, além de realizar a série de diálogos com o maior historiador do século 20, Dr. Arnold J. Toynbee (1889–1975), veio estabelecendo profundos laços de amizade com as pessoas dessa nação. E mesmo agora, em que a Inglaterra se encontra diante de uma situação crítica nunca antes vista, sensei continua encorajando os companheiros por meio de mensagens e considerações.


DR. DAISAKU IKEDA


Espero ver

as árvores verdejantes

crescendo altivas

sem sucumbir a tempestades

rumo ao grande céu.


Londres fica a 51 graus de latitude norte. A cidade está localizada em uma latitude ainda mais alta do que Hokkaido, Japão.

No inverno, o sol se põe muito cedo e dizem que, no início dessa estação, o pôr do sol pode ser visto antes das 16 horas. A primavera também só chega em maio. Em compensação, ao longo do rigoroso inverno, os raios do sol ofuscam, o verde se revigora e tudo o que possui vida transborda de vivacidade. Não seria uma das estações mais brilhantes e luminosas do mundo?


Os ventos de março

e as chuvas de abril

trazem as

flores de maio.1


E uma das “flores de maio” muito apreciada entre os ingleses é a de hawthorn [família do espinheiro]. É uma flor que representa a Inglaterra e cujo significado é “esperança”.

Suportando as adversidades com alegria e, fazendo até dos ventos e das chuvas de provações um alimento para o vigor de sua alma, aguarda o momento certo, cria o tempo e, por fim, faz desabrochar as flores da “esperança” exalando seu perfume. Na Inglaterra, existem muitos companheiros cheios de disposição e de espírito indomável.


Resposta ao desafio

[Nota do Editor: Quem convidou o presidente Ikeda para conhecer Londres foi o Dr. Arnold J. Toynbee. O diálogo entre ambos ocorreu em maio de 1972 e de 1973, na residência de Toynbee, em Londres. Além de falar a respeito da trajetória de vida do grande historiador e de sua esposa, Veronica, apresenta histórias de vitórias de companheiros que se empenharam nos bastidores para o sucesso desse diálogo. Ele declara que o “coração como sol” das mulheres possui a força de transformar tristezas em esperança.]


Juntos,

partamos agora

para a jornada das

flores desta era.


O Dr. Toynbee, que foi pioneiro e original no desenvolvimento dos horizontes da história da civilização, a começar pela sua grande obra Um Estudo da História, e da discussão a respeito da paz e da fé na humanidade, foi exposto a inúmeras pressões. Ele também perdeu o amado filho num terrível acidente.

Contudo, o Dr. Toynbee, que defende a visão histórica de que o avanço da humanidade reside na “resposta” diante do “desafio” a diversas questões, manteve até o fim a convicção de que ele próprio encontraria sentido mesmo a partir do sofrimento.

Sua esposa o apoiou sempre, com o mesmo coração. Com certeza, deve ser por isso que ele pôde afirmar: “Para alguém que tem uma companheira tão próxima, mesmo o exílio deixa de ser exílio. Qualquer que seja o lugar, onde está o amor da esposa se torna a sua pátria”.2

Numa vida dedicada a abrir novos caminhos, adversidades da mesma grandeza estão à espreita. À medida que nos incentivamos diante de cada uma delas e as superamos, acredito que aprofundam, fortalecem e dignificam o amor e a confiança da família, fazendo desabrochar belas flores da alegria de viver.

Tenho amigos que me apoiaram diariamente com toda a seriedade nos trabalhos do meu diálogo com o Dr. Toynbee. Quando o diálogo do dia se encerrava, ouviam novamente as gravações para transcrevê-las, datilografando o conteúdo. Sem esse árduo trabalho nos bastidores, a coletânea de diálogos entre o Dr. Toynbee e eu jamais seria concluída.

Uma mulher, que também ajudava nesse processo, estava envolvida com uma peça teatral. Ela se esforçava ao máximo para datilografar tudo antes de correr para o teatro onde trabalhava. Ela evidenciou sua força jovem com alegria e coragem fazendo desses dias árduos um tesouro da história de sua juventude.

Posteriormente, ela se tornou diretora de palco do mundo do teatro, posição essa que ainda era dominada pelos homens.

Em uma passagem de um drama de Shakespeare, que honra a Inglaterra, consta: “De agora em diante, vamos suportar qualquer sofrimento, até o sofrimento gritar ‘eu desisto’ e morrer”.3

Como mãe solteira, ela trabalhou arduamente para criar os filhos e também se engajou ativamente a fim de contribuir para o bem-estar da comunidade. Foi uma luta indescritível contra a ansiedade e a insegurança diante de vários problemas, entre eles a dificuldade financeira.

No entanto, ela decidiu em seu coração que não culparia ninguém pelas dificuldades, não reclamaria e teria autoconfiança. Ela transformou tudo em palco para a própria revolução humana. Ela assumiu um alto cargo executivo de uma das escolas de teatro musical mais importantes do país e ainda atua como diretora do departamento de teatro de uma universidade, contribuindo para o desenvolvimento de muitos jovens.

Nada poderia deixar minha esposa e eu mais felizes que o drama de vitória de uma mulher que se empenhou arduamente na luta nos bastidores. Nós dedicamos a ela uma grande salva de palmas com gratidão e respeito.

Já no século 18, Mary Wollstonecraft (1759–1797), pioneira do movimento em defesa dos direitos das mulheres, afirmava que as mulheres eram o sol.4 O “coração como sol” das mulheres, seja no teatro da vida ou no palco do mundo real, está repleto da força que transforma a escuridão em luz, o sofrimento em alegria, a tristeza em esperança e a desunião em harmonia.


De hoje, rumo ao amanhã

[Nota do Editor: Ao final, o presidente Ikeda conclama para que todos tenham uma existência sem arrependimentos munidos de compaixão e de coragem, mencionando a história de Londres, que moveu a história do mundo e veio observando o transcorrer das épocas.]

Historicamente, foi o povo de Londres que acendeu a chama do espírito pela independência e buscou fortemente os direitos dos seres humanos e sua dignidade enquanto superava incontáveis dificuldades como sujeição e grandes incêndios.

Durante a Segunda Guerra Mundial, nunca foram dominados pelo medo, mesmo diante dos ferozes bombardeios nazistas. Assim como o rio Tâmisa, sempre caudaloso e sereno, fluindo calmamente, tanto a cidade como as pessoas de Londres nunca se deixaram derrotar pelas adversidades e seguiram adiante.

O Centro Cultural de Taplow Court, onde conheci muitos dos meus amigos britânicos, era originalmente a residência do Sir Desborough, que se empenhou para o sucesso dos primeiros Jogos Olímpicos de Londres (1908). É um local famoso também por ter sido frequentado por diversas figuras do mundo da cultura.

Um deles, o dramaturgo Oscar Wilde (1854–1900), escreveu: “A vida não pode ser compreendida sem compaixão. Não se pode viver sem uma profunda compaixão”.5

Hoje, mais que ontem, amanhã, mais que hoje, deve agir em prol das pessoas e dos mais novos, passo a passo, a seu modo. As marcas desses esforços é que resplandecerão como uma existência sem arrependimentos.

Por isso mesmo, vamos lutar “agora” e viver ao máximo “hoje”, com ardente coragem e compaixão no coração!

Os céus bradam:

não seja derrotado

em sua jornada!


47

Jardins do Centro Cultural de Taplow Court da SGI-Inglaterra, local muito apreciado pelos cidadãos da comunidade para o lazer (foto tirada pelo presidente Ikeda, maio 1989)


48

Rio Tâmisa, que corre sereno por Londres, e o Palácio de Westminster, onde fica o Parlamento do Reino Unido (foto tirada pelo presidente Ikeda, maio 1989)

No topo: presidente Ikeda dialoga com o maior historiador do século 20, Dr. Arnold J. Toynbee (segundo à esq.). Eles são acompanhados pela Sra. Veronica (canto direito) e pela Sra. Kaneko (residência do Dr. Toynbee, em Londres, maio 1972)


Publicado no Seikyo Shimbun do dia 27 de abril de 2020.


Notas:

1. Uma passagem de Mother Goose é Mother Goose 3. Tradução: Shuji Terayama. Shinshokan.

2. Palavras de Toynbee. In: Toynbee History and Dialogue with Contemporary / Future GR Urban. Tradução: Kosaku Yamaguchi. Social Thought. A Study of History. v. 14. MATSUNAGA, Yasuzaemon (superv.). Tradução: Muraji Shimojima e outros.

3. Publicação A Study of History; Shakespeare. In: Shakespeare Complete Works II. Tradução: Yushi Odashima. Hakusuisha.

4. WOLLSTONECRAFT, Mary. A Vindication of the Rights of Women. Tradução: Takako Shirai Miraish.

5. WILD, Oscar. Oscar Wild Complete Works III. Tradução: Koji Nishimura. Seidosha.

16-12-2021

Editorial

Órbita da fé

No século 13, Nichiren Daishonin declarou, de maneira poética, que a pessoa que celebrar o Dia de Ano-Novo receberá benefícios e que isso é tão certo quanto a lua aumentar de tamanho conforme se move.1 Tecnicamente, sabe-se que as fases da Lua, fenômeno imutável descrito pelo Buda, são a representação da posição em que ela está em certo momento em relação ao Sol e à Terra. De forma resumida, a maneira como enxergamos esse satélite varia de acordo com a perspectiva.

Em diálogo com um dos cientistas responsáveis pela ida do primeiro homem à Lua, Ikeda sensei disse que a observação do grande universo alarga o coração, expande os horizontes, ensina a preciosidade da paz e abre os nossos olhos para a grandeza da vida.

De fato, a vastidão da natureza e seus fenômenos são a representação das nossas capacidades. Mas, por vezes, as dificuldades que nos levam ao sofrimento podem fazer com que duvidemos desse poder inerente à nossa vida. Então, Daishonin nos ensina sobre o poder da fé usando, mais uma vez, uma analogia com a Lua:


Se a sua oração será ou não respondida, isso dependerá de sua fé; [caso não seja,] de maneira alguma deverá me culpar. Quando a água é transparente, esta reflete a Lua”.2


A fé é como a água de um lago, e o reflexo da Lua, os benefícios de praticar este budismo. Num lago em que a água está cristalina, é possível enxergar a beleza da Lua. Mas se você deixar que os problemas agitem ou perturbem sua fé, a imagem da Lua, ou os benefícios, não poderão mais ser vistos. Manter a serenidade das águas da sua fé não significa deixar de se angustiar. A fé budista é mais que isso. Significa manter a recitação do Nam-myoho-renge-kyo, a crença na dignidade da vida de todas as pessoas e a esperança. Isto é, manter-se na órbita do kosen-rufu. Dentro da órbita da fé nem mesmo os sofrimentos são em vão. Até os obstáculos se tornam fundamentais para refletir a boa sorte e os benefícios na vida. Ikeda sensei explica como isso é possível:


Passar por sofrimentos é angustiante, mas é importante encarar a realidade, fitar a dificuldade que está diante dos olhos sem se desviar e enfrentá-la. Não há nenhuma pessoa grandiosa ou heroica que não tenha passado por duras adversidades e provações. Os sofrimentos são como uma fornalha para forjar um “férreo espírito”. Cada adversidade da vida se transformará em força para aprimorar a si mesmo e em fonte da criação de valor. Por exemplo, o sofrimento com a doença também pode se transformar em força para que uma pessoa seja um ser huma­no melhor. Nos escritos de Nichiren Daishonin consta: “Ele se vê imerso nessa doença há um longo tempo e agora busca o caminho”.3 Quando uma pessoa enfrenta uma doença e sofre com isso, manifesta ardente determinação movida pelo espírito de procura e uma forte fé imbuída da decisão de curar a enfermidade, levando-a para o próprio desenvolvimento. O budismo elucida que “os sofrimentos do nascimento e da morte são o nirvana”. É um princípio que afirma que sofrimentos e ilusões se tornam a própria iluminação. Por existirem os sofrimentos é que há iluminação. O “grande despertar” acontece porque existem os grandes sofrimentos.4


O compromisso deste jornal é compartilhar os ideais do presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, e manter os leitores nessa órbita — uma trajetória em que pessoas corajosas, com espírito jovem, buscam a sua felicidade, enquanto assumem a responsabilidade pela transformação da sociedade.

Brasil Seikyo deseja a você, leitor, um feliz ano-novo, um feliz “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”, certo de que, na órbita da fé, está criando no presente um futuro maravilhoso!

Ótimo ano e excelente leitura!


Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 405, 2020.

2. Ibidem, p. 347.

3. Ibidem, p. 203.

4. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana, v. 27. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2021. p. 198-199.

16-12-2021

Mensagem do presidente Ikeda

Um coração sempre jovem e repleto de ilimitada esperança

Parabéns pelo início do “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”, transbordante de nova e vibrante energia!

Hoje, ao escalarmos uma nova montanha do kosen-rufu mundial rumo ao nosso centenário em 2030, novos membros, imbuídos de profundos laços cármicos, estão emergindo alegremente por todo o globo, e nosso movimento pela paz, cultura e educação continua ganhando cada vez mais força.

Em meio aos sérios desafios que a humanidade enfrenta, vocês, meus preciosos amigos, vêm orando mais intensamente do que nunca pela proteção e segurança da sociedade e se unindo de forma mais sólida do que nunca pela felicidade e pelo bem-estar dos outros. Nichiren Daishonin, o Buda dos Últimos Dias da Lei, com certeza aplaudiria os esforços dos senhores.

Em tempos difíceis, o caminho Soka consiste em manifestar o “coração de um rei leão”1 e desafiar nossas circunstâncias com base na “estratégia do Sutra do Lótus”2 — ou seja, a fé na Lei Mística. Ao transformar nosso carma em missão e vencer todos os obstáculos, demonstramos o grande poder benéfico da Lei Mística. Convertemos o lugar onde nos encontramos neste exato momento no palco para o drama da alegria e do progresso dinâmico que se desenrola continuamente.

O fator determinante para extrair esse poder latente em nossa vida é a oração imbuída do profundo juramento pelo kosen-rufu. É recitar o rugido do leão do Nam-myoho-renge-kyo. E nos unir solidamente aos nossos companheiros com o espírito de “diferentes em corpo, unos em mente”.

Nichiren Daishonin expressa: “Grande alegria [é o que] a pessoa experimenta ao compreender pela primeira vez que sua mente [ou vida] desde o início sempre foi um buda. Nam-myoho-renge-kyo é a maior de todas as alegrias”.3

Exultantes pela inigualável alegria de reconhecer tanto a dignidade da nossa própria vida como a dos outros, com base no nosso potencial comum para o estado de buda, efetuemos progressos dinâmicos em nossa revolução humana, que, por sua vez, acarretarão diretamente o progresso do kosen-rufu e da paz mundial.

Este ano assinalará o 75o aniversário do primeiro encontro com o meu mestre,4 e o início de minha jornada com o espírito de “unicidade de mestre e discípulo”. Toda sensei sempre dizia: “Na vida, esperança é essencial. Desde que tenham esperança, poderão seguir em frente. Serão capazes de encarar qualquer desafio. Conseguirão persistir até conseguir”. Eu também me lembro de ele dizer: “Aqueles que conseguem viver com espírito jovem, uma condição de vida jovem, são realmente admiráveis”.

Continuemos incentivando e promovendo calorosamente o desenvolvimento dos membros da Divisão dos Jovens e da Divisão dos Estudantes — tesouros da Soka Gakkai e de toda a humanidade — e prossigamos avançando ao lado deles com o coração sempre jovem e repleto de ilimitada esperança.

Minha esposa e eu estamos orando ainda mais fervorosamente pela saúde, longevidade, felicidade, segurança, sucesso e vitória de vocês e de seus familiares.

Votos de imensa felicidade a todos!

No Ano-Novo de 2022


Daisaku Ikeda

Presidente da Soka Gakkai Internacional


No topo: Daisaku Ikeda, presidente da SGI, e sua esposa, Kaneko


Notas:


1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 318. 

2. Ibidem, v. II, p. 267.
3. The Record of the Orally Transmitted Teachings. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, p. 211-212.
4. O primeiro encontro se deu em 14 de agosto de 1947.

16-12-2021

Caderno Nova Revolução Humana

Fé firme e resoluta

PARTE 13


O que Shin’ichi Yamamoto mais desejava do fundo do coração era que todos mantivessem uma fé firme e resoluta e se tornassem felizes.

Com a intenção de romperem a ligação de mestre e discípulo Soka, traidores e desertores do budismo e sacerdotes do clero tinham conspirado nos bastidores para impedir que Shin’ichi orientasse em reuniões ou que algo sobre ele fosse publicado no jornal Seikyo Shimbun. Nessa atmosfera opressiva imposta, uma nuvem sombria pairava sobre a organização.

Quando sua participação em grandes reuniões foi restringida, Shin’ichi se empenhou em realizar esforços na visita familiar e nas orientações individuais. Quando lhe disseram para não discursar, ele compôs poemas e tocou piano para incentivar os companheiros.

Nada pode conter ou suprimir um espírito indomável pelo kosen-rufu.

Shin’ichi propôs aos membros reunidos no Centro de Treinamento de Nagano:

— Se os senhores concordarem, gostaria de tirar uma foto comemorativa no dia 26, domingo, com todos os que estão aqui. O que acham? Se outros quiserem vir, serão bem-vindos.

Os membros responderam com grande salva de palmas e ovações de alegria. Isso era algo que os companheiros de Nagano desejavam havia muito tempo. As comunicações se espalharam rapidamente por toda a província.

Os líderes da província não faziam ideia de quantas pessoas se reuniriam de fato. Os integrantes da Divisão dos Jovens (DJ) lideraram os preparativos para recepcionar a todos sem que houvesse confusão ou desordem, mesmo que viessem 2 mil ou 3 mil pessoas. Eles decidiram também montar três plataformas para que as sessões de foto pudessem ser realizadas de maneira ordenada e tranquila.

Além disso, eles organizaram os horários de chegada de cada área. Algumas localidades iriam para lá de ônibus fretado. Muitos membros, no entanto, certamente chegariam de carro. Preocupados com a possibilidade de não haver espaço suficiente para todos estacionarem, os líderes negociaram com o proprietário de um terreno baldio, que ficava do lado oposto da estrada em frente ao centro de treinamento, para utilizá-lo como estacionamento extra. Eles receberam permissão do dono, mas o lugar não poderia ser usado, pois estava cheio de mato e de arbustos.

“Então, vamos nós, da Divisão Masculina de jovens (DMJ), limpá-lo!” — todos estavam com grande disposição.

Eles estavam realmente felizes em poder trabalhar junto com o mestre para incentivar os membros naquele momento tão significativo. A alegria emana onde existe a consciência e a ação da “luta conjunta de mestre e discípulo”.


PARTE 14


Shin’ichi recebeu o dia 24 de agosto, o 32o aniversário de sua conversão, no Centro de Treinamento de Nagano. Ele fez o gongyo com seriedade, jurando um novo começo com renovada decisão.

Pouco depois do meio-dia, Shin’ichi Yamamoto circulou pelos arredores de bicicleta em companhia dos jovens. Percorrendo as terras onde Josei Toda passou o último verão, queria recordar os dias em que viveu junto com seu venerado mestre.

Quando ele retornou ao centro de treinamento, um grupo de jovens educadores do Departamento Educacional da Gakkai havia acabado de chegar para participar de um curso de aprimoramento.

Enquanto ainda estavam no ônibus, eles foram informados de que Shin’ichi Yamamoto estava lá, e ficaram exultantes. Todos se alinharam em frente à entrada do centro de treinamento e cumprimentaram Shin’ichi com um grande sorriso.

— Obrigado a todos! Estou muito feliz por me encontrar com vocês. Então, vamos tirar uma foto comemorativa juntos!

Ele tirou uma foto com os membros e disse:

— Como podem ver, estou bem! Espero que vocês também avancem conquistando a vitória com energia e disposição pelo caminho de sua missão, ostentando o orgulho Soka em seu coração. Independentemente do que aconteça, jamais desistam da fé. Gravem este ponto profundamente no coração. Para mim, nada é mais doloroso e triste do que ver as pessoas se desviarem do caminho do kosen-rufu.

Na noite desse dia também, Shin’ichi visitou a casa de um membro da localidade e dialogou com as pessoas que se reuniram lá.

Na manhã do dia seguinte, 25 de agosto, ele jogou tênis com os membros do Departamento Educacional no jardim do centro de treinamento e continuou a incentivá-los.

Uma quadra de tênis foi montada de improviso pelos membros da localidade, com o desejo de proporcionar uma agradável recordação às pessoas que visitam o centro de treinamento para participar de cursos.

Depois disso, Shin’ichi fez gongyo junto com todos e se despediu dos membros que partiam com calorosos aplausos.

Ele orou com todo o coração, ponderou e extraiu a sabedoria para encontrar as melhores maneiras de incentivar e de encorajar os companheiros em meio às restrições que lhe foram impostas. Nos escritos consta: “Se a mente de fé for perfeita, a água da sabedoria, a grande sabedoria imparcial, jamais secará”.1

Enquanto permanecermos fortemente determinados e orarmos pela realização do kosen-rufu, podemos superar todos os obstáculos e abrir sem falta o caminho para a vitória.


O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.


Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. Editora Brasil Seikyo: São Paulo, v. II, p. 282, 2019.

13-1-2022

Rede da Felicidade

Nossa missão como membros da SGI

DR. DAISAKU IKEDA


O sol da paz despontou. Abriram-se as cortinas de novos horizontes para o kosen-rufu mundial. Em 26 de janeiro de 1975, uma onda de paz colossal irrompeu da paisagem verde-esmeralda da ilha de Guam, no extremo sul das Ilhas Marianas, no Pacífico Ocidental. Naquele dia, 158 membros representando 51 países e territórios se reuniram no prédio do Centro do Comércio Internacional de Guam para a Primeira Conferência para a Paz Mundial. No evento, deu-se a fundação da Soka Gakkai Internacional (SGI), entidade composta por organizações afiliadas espalhadas pelo mundo inteiro; e por solicitação de todos os presentes, Shin’ichi Yamamoto [pseudônimo do presidente Ikeda no romance Nova Revolução Humana] foi nomeado presidente da instituição. Assinalava-se um momento histórico e decisivo para a edificação do século da vida e da paz. (...)

O budismo ensina que o universo inteiro existe dentro do nosso coração. Segue-se, portanto, que não devemos praticar a fé com a postura de um observador passivo. Como aponta [Nichiren] Daishonin: “Esse tipo de pessoa, mesmo que estude o budismo, é considerado não budista”.1 Uma vida passiva é triste e maçante, permeada pela escuridão de um coração vazio.

As pessoas que se reuniram em Guam eram líderes em sua respectiva localidade, campeões que haviam se levantado para lutar pelo kosen-rufu com base num firme senso de missão. Eram pioneiros dos ideais Soka. Cada um deles havia se oferecido voluntariamente com a decisão de trabalhar de mãos dadas para construir a SGI, tornando-a uma fortaleza da paz capaz de unir os povos do mundo. (...)

Na entrada do hall, havia sido colocado um livro de visitas para todos assinarem, como registro de participação naquele memorável evento. Shin’ichi também assinou o livro, que possuía colunas reservadas para a pessoa indicar o nome e a nacionalidade. Ele registrou seu nome e, então, na coluna para a nacionalidade, escreveu: “O Mundo”. As pessoas que estavam em volta dele se emocionaram profundamente.

Enquanto assinava o livro, recordou-se ternamente do compromisso do seu mestre, segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, com o ideal da cidadania global. Shin’ichi declarou em seu coração: “Toda sensei, dedicarei a vida ao kosen-rufu mundial, para promover a paz e a felicidade para toda a humanidade”.

Shin’ichi já havia libertado seu coração de qualquer fronteira muito tempo atrás. Para ele, a verdadeira pátria não era o pequeno país chamado Japão, no leste da Ásia, mas o próprio mundo. Na coluna da nacionalidade, ele escreveu “O Mundo”, pois isso representava seu sentimento mais íntimo e genuíno. (...)

A histórica Primeira Conferência para a Paz Mundial iniciou-se ao meio-dia com a escolha do presidente do evento; na sequência, houve o discurso de abertura em inglês proferido por um representante de Guam. Dando as boas-vindas a Shin’ichi e aos demais membros da ilha, ele externou sua mais sincera alegria pela realização da conferência de paz. Prosseguindo, disse:

— Trinta anos atrás, Guam foi cenário de uma terrível tragédia, na qual um número incalculável de civis inocentes perdeu a vida numa guerra horrenda. (...)

— Nós, que convivemos com essa história trágica de Guam, temos a missão de clamar pela paz. Com essa determinação e com o olhar voltado para este auspicioso dia, canalizamos todos os nossos esforços em compartilhar com os outros a filosofia budista de paz e felicidade. (...)

Como afirma Daishonin: “Não há duas terras — pura e impura. A diferença reside apenas no bem e no mal da própria mente”.2 Por meio da mudança de nossa atitude ou decisão interior, podemos transformar tudo, inclusive nossa comunidade, nossa sociedade, nosso país e o mundo inteiro. (...)

De manhã cedo, em 26 de janeiro, dia em que se daria a Primeira Conferência para a Paz Mundial, Shin’ichi estava na praia da ilha de Guam.

Lembrou-se de uma viagem que fez com seu mestre, Josei Toda, no verão de 1954, à terra natal dele, Atsuta, um vilarejo em Hokkaido. Fitando o Mar do Japão enquanto o sol se punha, o Sr. Toda disse a Shin’ichi:

“Construirei uma sólida base para o kosen-rufu no Japão, mas você assentará o caminho para o kosen-rufu no mundo inteiro”.

Shin’ichi gravou aquelas palavras em seu coração como se fossem uma ordem expressa e final.

E agora, recordando-se delas, disse a Josei Toda em seu coração:

Sensei! Hoje, membros de 51 países e territórios estão se reunindo para a conferência para a paz mundial. O kosen-rufu está se propagando para todos os cantos do mundo, divulgando sua mensagem de paz global. Parece que, na conferência de hoje, vou me tornar presidente da Soka Gakkai Internacional e passar a assumir a liderança, tanto nominal como efetiva, do kosen-rufu mundial. Como seu representante, estou prestes a alçar voo pelo mundo”.

E naquele dia, Shin’ichi foi, de fato, nomeado presidente da SGI por decisão unânime dos participantes da conferência. Aquele momento assinalou o alvorecer de um novo e épico dia na história do kosen-rufu. (...)

Logo depois, o americano que havia sido escolhido para secretário-geral da Liga Internacional de Budistas dirigiu-se ao púlpito para proferir a leitura do Manifesto pela Paz. (...) O Manifesto pela Paz foi uma celebração das convicções mais profundas e da consciência moral dos budistas, pautadas pelo princípio budista da dignidade absoluta da vida. (...)

Após a leitura do manifesto, cada um dos representantes dos 51 países e territórios foi apresentado, começando com Hong Kong. O nome do país ou território era anunciado e o representante levantava-se, e o restante do público aplaudia. (...)

Em seguida, vários representantes participantes proferiram bre­ves discursos. (...)

Kiyoshi Jujo, que se tornara diretor-geral da Soka Gakkai em outubro de 1974, apresentou seus cumprimentos como representante do Japão. (...)

A voz eufórica do mediador ressoou ao anunciar que Shin’ichi proferiria seu primeiro discurso como presidente da Soka Gakkai Internacional. Aplausos e aclamações tomaram conta do recinto.

— Parabéns! Muito obrigado! — exclamou ao se levantar para se dirigir ao púlpito. Ele sorriu para todos os participantes e externou seus sinceros agradecimentos aos membros de Guam, que deram suporte aos preparativos da conferência.

Demonstrando profundo apreço pelos sinceros esforços dos participantes procedentes de 51 países e territórios, que haviam se reunido, Shin’ichi discorreu sobre o significado da Primeira Conferência para a Paz Mundial:

— Talvez se possa dizer que se trata de uma pequena conferência, uma reunião de pessoas anônimas de vários países e territórios. Entretanto, acredito que o encontro de hoje resplandecerá intensamente na história por séculos no futuro, e o nome de vocês, sem dúvida, ficará gravado não apenas na saga da propagação mundial do budismo, mas também na história da humanidade. (...)

Dando continuidade, assinalou que a predominância da lógica do lucro e do poder militar, político e econômico na sociedade contemporânea representava um obstáculo para a paz e uma fonte de tensão constante no mundo. Frisou que uma filosofia religiosa superior teria o poder de sobrepujar os impedimentos à paz, unir a sociedade e abrir um caminho perene para a paz. (...)

O rosto dos presentes estava corado repleto de entusiasmo e os olhos brilhavam com vibrante determinação. Shin’ichi imprimiu uma paixão cada vez maior em suas palavras:

— O sol do Budismo Nichiren começou a despontar no horizonte. Em vez de buscarem aclamação ou glória pessoal, espero que dediquem sua nobre vida a plantar as sementes da paz da Lei Mística no mundo. Farei o mesmo. Às vezes, assumirei a liderança na linha de frente; outras, estarei ao seu lado; e, em outros momentos, zelarei por vocês nos bastidores. Sempre estarei apoiando-os de todo o coração.

Shin’ichi encerrou clamando ardentemente aos participantes:

— Como bravos, compassivos e dedicados discípulos de Nichiren Daishonin que se devotam inteiramente à verdade e à justiça, vivam de modo positivo e edificante, lutando pela prosperidade do seu respectivo país, pela felicidade das pessoas e pela preciosa existência da própria humanidade.

Tão logo as palavras de Shin’ichi foram traduzidas para vários idiomas, o recinto explodiu em salva de palmas. Eles aplaudiram até as mãos ficarem vermelhas.

Naquele dia, naquela hora, na ilha de Guam, membros de todas as partes do globo levantaram-se com Shin’ichi em prol da paz mundial, sentindo intenso orgulho de ser seus discípulos.

“Espero que dediquem sua nobre vida a plantar as sementes da paz da Lei Mística no mundo todo.” Esse chamado emitido por Shin’ichi Yamamoto momentos antes ecoava no coração dos representantes enquanto eles o aplaudiam de pé. Todos refletiram profundamente sobre aquela determinação.


3

presidente Ikeda relembrando juramento ao seu mestre, Josei Toda, pela concretização do kosen-rufu


4

Desenho representa integrantes da SGI de diversos países unidos pelo compromisso de construir a paz para a humanidade

No topo: ilustração retrata a cerimônia de fundação da SGI


Leia mais

Sobre a fundação da SGI no Especial desta edição.


O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.


Fonte:

IKEDA, Daisaku. SGI. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 21, p. 9-39.


Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Dai­shonin, v. I, p. 4.

2. Ibidem.

13-1-2022

Colunista

Sociedade conjugal e regime de bens

Em seu livro Kaneko, Seu Sorriso, sua Felicidade,1 a Sra. Kaneko Ikeda relata que, na cerimônia do seu casamento com o então jovem Daisaku Ikeda, em 3 de maio de 1952, o segundo presidente da Soka Gakkai, professor Josei Toda, fez duas solicitações, sendo uma delas que ela mantivesse rigorosamente um caderno com anotações do orçamento familiar.

O casamento constitui entre o casal o vínculo conjugal, a família e gera a sociedade conjugal. Um dos efeitos jurídicos do matrimônio é de natureza patrimonial.

Nesse sentido, o regime de bens é que estabelece o conjunto de regras patrimoniais dessa sociedade. Vejamos, muito resumidamente, cada um desses regimes e seus efeitos:

a) Comunhão universal de bens. Os bens adquiridos anteriormente e os adquiridos na constância do casamento, por um ou outro cônjuge, bem como as dívidas, tornam-se dos dois, na base de metade para cada um. Alguns bens não se comunicam, por exemplo, os recebidos por doação ou testamento, apenas em nome de um dos cônjuges, se houver previsão de cláusula de incomunicabilidade em relação ao outro cônjuge.

b) Comunhão parcial de bens. Nele, não se comunicam os bens de cada cônjuge adquiridos antes do casamento. Comunicam-se os bens adquiridos na constância do casamento; mas nem todos. Por exemplo, os adquiridos por doação exclusivamente feita em favor de um dos cônjuges ou por herança não se comunicam.

c) Separação de bens. Os bens anteriores e os havidos durante o casamento não se comunicam com o outro cônjuge. O rigor dessa regra poderá ser flexibilizado pelo juiz, em relação aos bens adquiridos na constância do casamento.

d) Participação final nos aquestos. Trata-se de um regime que não caiu no gosto dos brasileiros. Cada cônjuge possui patrimônio próprio, e os administra e os aliena livremente durante o casamento. Extinguindo o casamento, pelo divórcio ou por morte, a partilha é feita com regras semelhantes às do regime da comunhão parcial.

Desde 1977, o regime legal de bens é o da comunhão parcial, e é nele que de regra se casam os nubentes; porém, o casal tem liberdade para escolher outro. Mas, para isso, terá de realizar previamente o “pacto antenupcial”, por escritura pública, indicando a opção.

Essa liberdade de escolha, contudo, não é absoluta. Se um ou ambos os cônjuges tiverem menos de 16 anos ou, mesmo tendo 16 anos (e menos de 18 anos), não contarem com consentimento dos pais, esse casamento obrigatoriamente será realizado sob o regime da separação de bens. O mesmo ocorrerá se um dos contraentes ou ambos tiverem mais de 70 anos.

Na união estável, havendo documento escrito entre os companheiros, poderão escolher o regime de maior agrado, entre os já mencionados. Não havendo contrato ou escritura, o regime aplicado será o da comunhão parcial de bens.

Na separação, no divórcio, ou vindo a falecer um dos cônjuges, a partilha será feita de acordo com as regras do regime de bens respectivo.

No caso de falecimento, o cônjuge sobrevivente recolhe a sua parte do patrimônio, de acordo com o regime. Já a parte do cônjuge falecido é levado a inventário, e será destinado aos seus herdeiros legítimos (descendentes, ascendentes, cônjuge e colaterais) e testamentários. O regime de bens também poderá definir se o cônjuge, além de recolher a sua parte, herdará ou não parte dos bens deixados pelo falecido, concorrendo com os descendentes dele.

Enquanto o Código Civil anterior priorizava o aspecto patrimonial do direito de família, o atual Código tem por foco o afeto a reger esse ramo do direito. Mesmo assim, a questão patrimonial é uma parte importante da sociedade conjugal.

Josei Toda orientava:


Um lar sem disciplina e sem controle das finanças é infeliz; jamais prosperará. Uma família que se preocupa com a estabilidade econômica valorizará a vida e pode desfrutar segurança e saúde. Por essa razão, é importante controlar minuciosamente os gastos diários em um caderno.2

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Notas:

1. IKEDA, Kaneko. Kaneko, Seu Sorriso, sua Felicidade. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2006.

2. Brasil Seikyo, ed. 1.688, 15 nov. 2003, p. A3.

13-1-2022

Notícias

Incentivo de vida a vida

REDAÇÃO

O “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico” (2022) começou de forma extraordinária para os membros da Divisão Feminina da BSGI. É que um grande movimento de visitas virtuais liderado por elas está se expandindo por toda a organização. Seu objetivo, conforme o plano de atividades, é o de “prezar os laços com cada pessoa e intensificar o incentivo mútuo”. Os assuntos abordados nos encontros vão desde a utilização do BS+ até o desenvolvimento de jovens valorosos. Essas visitas, previstas para ser rea­lizadas no primeiro trimestre deste ano, começaram bem antes do previsto em diversas localidades, assim como em algumas organizações da CRE Oeste (CGRE).

Para Lúcia Iwamatsu, coordenadora da DF da CRE Oeste, as visitas estão entre as principais atividades da Soka Gakkai, oportunidades em que se compreende a real situação dos membros e que se pode dialogar de “vida a vida”. “Especialmente nesses tempos de isolamento social, em que não podemos nos reunir fisicamente, as visitas virtuais são ainda mais relevantes para o incentivo mútuo. A CRE Oeste é muito extensa geo­graficamente e, além disso, temos um número considerável de membros. Para não deixar ninguém de fora, iniciamos esse movimento de visitas virtuais em novembro de 2021. Os encontros estão sendo muito animados e inspiradores, cruciais para vencermos neste ‘Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico’”, explica Lúcia.

Na Sub. Amazônia Oriental (CRE Oeste), as visitas tiveram início em outubro de 2021, começando pelas líderes. Quem nos conta como a ação vem sendo desenvolvida é Sônia Igawa, líder da DF dessa organização: “Realizamos visitas para todas as líderes de RM e de localidades, como Santarém, Marabá e Amapá, e líderes de área, de distrito, inclusive do grupo Zenshin, sempre com apoio das líderes da CRE Oeste e da CGRE. Continuaremos a realizar visitas neste início de 2022, visando a não deixar ninguém para trás e até chegarmos aos membros com muita alegria e gratidão”.

A DF da RM Cuiabá (Sub. Centro Oeste), também está se dedicando às visitas virtuais. No decorrer do mês de novembro, as líderes “se aqueceram” para os encontros do primeiro trimestre do ano. Líderes de distrito e acima promoveram visitas para 100% das 71 líderes de comunidade e representantes das organizações do interior do estado. Todas elas compõem um grupo carinhosamente denominado “Rainhas Desbravadoras”, e sua atuação tem como intuito ouvir cada integrante da DF e incentivá-la na conquista dos objetivos. Ayuko Caramori, líder da DF da RM Cuiabá, destaca um ponto fundamental das visitas: “Nelas, abordamos a conscientização sobre a importância de sermos assinantes do BS+ e participantes do Kofu. As visitas de novembro também foram atualizadas periodicamente num gráfico, para que todas estivessem sintonizadas e unidas numa empolgante contagem regressiva”. Os resultados foram compartilhados numa atividade de lançamento das atividades de 2022.


No topo: Divisão Feminina da Sub. Amazônia Oriental antecipa as visitas decidida a não deixar ninguém para trás

13-1-2022

Notícias

Partida para a grande vitória em 2022

REDAÇÃO

O “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”, tema da Soka Gakkai para 2022, inicia de forma brilhante com reuniões comemorativas de Ano-Novo em diversos países. No Brasil, a BSGI marcou seus primeiros passos nesse novo ciclo e comemorou o aniversário de 94 anos de Ikeda sensei, com a rea­lização, no dia 1ode um encontro com a participação de seus líderes centrais, na Sala Mestre e Discípulo (Shitei), do Centro Cultural Dr. Daisaku Ikeda, em São Paulo. O evento seguiu todas as normas de higiene e de segurança de combate à pandemia da Covid-19 adotadas pelos órgãos de saúde e foi transmitido pela internet, alcançando uma audiência aproximada de 15 mil pessoas, com ativa participação dos membros pelo chat.

A atividade teve início às 10 horas, com as boas-vindas e a apresentação da Mensagem de Ano-Novo do líder da Soka Gakkai Internacional (SGI) feita por integrantes da Divisão dos Jovens (DJ) de diversas localidades (leia a mensagem na íntegra nas eds. 2.592 e 2.593, 31 dez. 2021, p. 1).

Em seguida, o significado do tema do ano foi exposto em um vídeo que enfatizou a criação de jovens sucessores e a importância de viver com espírito jovial. Nesse clima de renovação, os coordenadores das Divisões dos Jovens, Masculina de Jovens (DMJ), Feminina de Jovens (DFJ) e dos Estudantes (DE) da BSGI — respectivamente, Monique Tiezzi, Edjan Santos, Livia Endo e Camila Akama — expressaram sua determinação em concretizar os ideais do Mestre, evidenciando plenamente a força jovem brasileira.

Meiry Hirano, coordenadora da Divisão Feminina (DF) da BSGI, citou o escrito Carta de Ano Novo, de Nichiren Daishonin, e os incentivos de Ikeda sensei para enfatizar que a esperança e a sabedoria manifestadas com a prática budista são fundamentais para transformar quaisquer obstáculos e desafios em vitórias, transformando a sociedade.

O presidente da BSGI, Miguel Shiratori, transmitiu sua solidariedade a todos os que perderam entes queridos em decorrência da pandemia do novo coronavírus e também àqueles que estão enfrentando dificuldades, em especial, as causadas pelas enchentes no país. Comunicou que, antes do evento, todos os presentes recitaram gongyo pela saúde e longevidade do presidente Ikeda e de sua esposa, bem como pela felicidade da humanidade. Citando trechos da Mensagem de Ano-Novo do presidente da SGI, salientou pontos fundamentais para a vitória em 2022, entre os quais promover a revolução humana como ponto de partida para a transformação social e o apoio às atividades nas organizações de base e ao desenvolvimento dos jovens. “Com espírito jovial e com ações concretas para o progresso dinâmico, junto com Ikeda sensei, vamos lutar e transformar o grande mal em um grande bem, iluminando assim toda a localidade onde estamos”, conclamou Shiratori.

Celebrando os 94 anos do presidente Ikeda, a ser comemorados no dia 2 de janeiro, foi mostrada a grandiosa trajetória de vida do Mestre, dedicada à felicidade das pessoas e à concretização do kosen-rufu, e todos cantaram, parabenizando-o com gratidão e com direito a um bolo comemorativo.

Uma apresentação musical com integrantes dos grupos horizontais da DJ encerrou a atividade, que abriu as portas deste ano, período fundamental para a vitória da BSGI e da Soka Gakkai rumo a 2030.


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presidente da BSGI, Miguel Shiratori, congratula membros durante a celebração de Ano-Novo

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participantes da atividade parabenizam presidente Ikeda pelo seu aniversário de 94 anos com direito a bolo comemorativo

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bolo comemorativo ao aniversário de 94 anos do presidente Ikeda

13-1-2022

Relato

Superando todos os impasses

Conheci o budismo em 2016, participando das reuniões da BSGI no Pará, com minha mãe. Era resistente a filosofias e religiões e demorei para aceitar o budismo, mas me sentia bem ao participar das atividades, sempre alegres e incentivadoras, e passei a acompanhar minha mãe na recitação do Nam-myoho-renge-kyo (daimoku) em casa. Eu me converti em 6 de janeiro de 2018, dois anos depois da minha mãe. Nesse processo de aceitação do budismo, aprendi mais sobre mim mesmo e também que transformar qualquer situação só depende de mim.

Comecei 2020 visualizando a conclusão do curso de antropologia na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). Como estava de férias, aceitei o empréstimo do carro da minha ex-madrasta para curtir com tranquilidade e, mais tarde, lhe fiz a proposta para comprar o veículo. Aproveitei minhas férias na capital, Belém, estudando edição de vídeo, atividade com a qual trabalho, mas devido o surgimento e rápido avanço da Covid-19, adiei meus planos. Nossa atenção se voltou para minha avó, que morava sozinha, em Belém. Decidimos trazê-la para Santarém, PA, o que aconteceu em março, mesmo contra a sua vontade, para evitar uma possível contaminação.

Em abril, fiz um card de incentivo ao daimoku com o logotipo do Brasil Ikeda Myo-on Kai (Bimok), grupo horizontal [da Divisão Masculina de Jovens (DMJ)] do qual faço parte. Nele, escrevi três objetivos: harmonia familiar, vitória nas finanças — eu devia muito no cartão de crédito — e felicidade absoluta, inclusive no relacionamento.

Nos primeiros quatro meses, ficamos isolados. Para pagar as contas, peguei serviços temporários que fazia de casa. Além disso, atuei integralmente no núcleo de estudos da universidade, criando conteúdo relacionado com a Covid-19, adequando as informações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para os moradores das comunidades quilombolas do Pará, devido às dificuldades no acesso a políticas públicas, maximizadas pela pandemia.

Ao conversar com minha mãe, notamos que a vovó não se adaptou a Santarém, principalmente ao clima. E, com a redução dos casos de Covid, optamos por levá-la de volta para Belém, em agosto. Nessa época, já tinha recitado cerca de 120 horas de daimoku e pago metade das minhas dívidas.

Retornando a Belém, conheci as lideranças quilombolas que eu apoiava on-line e fui incentivado por uma professora a fazer meu trabalho de conclusão de curso (TCC) sobre essa experiên­cia. Aceitei a ideia e nos meses seguintes desenvolvi meu trabalho em formato audiovisual, um curta-metragem sobre a vivência de comunidades quilombolas na pandemia. Em novembro, defendi meu TCC, obtendo nota máxima. Fiquei muito feliz por concretizar esse objetivo, conforme decidi no início do ano, mas ainda havia pendências a resolver para me graduar. Paralelamente, estudava para tentar mestrado em antropologia em duas universidades.

Em dezembro, errei na inscrição do mestrado da Universidade Federal do Pará (UFPA), pois faltava um documento que deveria ter sido emitido pela coordenação do curso de antropologia da Ufopa e perdi aquela chance. Apesar da tristeza, ainda havia outra instituição. Determinado, concluí o ano com 190 horas de daimoku.

Em janeiro de 2021, consegui que a coordenação da Ufopa emitisse meus documentos. Juntei minha documentação e fiz a inscrição no mestrado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), restando um mês para estudar para a prova oral. Ainda em janeiro, recebi a feliz notícia de que as pendências do curso anterior haviam sido resolvidas abrindo o caminho para me formar.

No fim do mês, saiu a primeira nota do mestrado. Tirei 8 e fiquei em terceiro lugar. Em fevereiro, nervoso e ansioso, fiz a prova oral. Apesar de insatisfeito com minha atuação, recitei daimoku focado na aprovação. A nota foi publicada no fim do mês. Conquistei 7,7 e fiquei absolutamente feliz. Confiante quanto ao meu currículo, na fase seguinte, obtive nota 7,6.

Recebi a notícia de que pessoas próximas positivaram para a Covid-19, o que me levou a fazer o teste. E, antes do resultado, positivo, os sintomas surgiram. Mesmo indisposto, recitava daimoku do jeito que dava e repetia para mim mesmo que não seria derrotado. Minha maior preocupação era não transmitir a doença para a vovó. Durante a minha recuperação, saiu o resultado final do mestrado, confirmando meu terceiro lugar. O resultado e o daimoku recitado me deixaram com mais energia ainda.

No dia 12 de março, concluiu-se definitivamente o processo e, enfim, eu me graduei. Dias depois, fiz o último pagamento do carro e, no mês seguinte, do cartão de crédito. Desde o início do meu desafio de daimoku há um ano, afirmo que venci por meio da prática da fé e da minha atuação na organização. Nunca imaginei que conseguiria fazer tanto num momento tão difícil como esse. Sinto que “produzi fogo com lenha encharcada” e “obtive água do chão ressequido”.1 Em maio de 2021 concluí 1 milhão de daimoku e, no final desse mesmo ano meu documentário foi premiado com menção honrosa no Prêmio Ana Maria Galano, no 45o Encontro da Anpocs (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais).

Compartilho um trecho dos escritos de Nichiren Daishonin que carrego desde a primeira vez que o li:


Ainda que surjam problemas seculares, nunca permita que estes o perturbem. Ninguém pode evitar problemas, nem mesmo veneráveis ou reverenciáveis. (...) Sofra o que tiver de sofrer, desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimento quanto a alegria como fatos da vida e continue recitando Nam-myoho-renge-kyo, independentemente do que aconteça. Que outro significado isso poderia ter senão a alegria ilimitada da Lei?2



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Gabriel com a namorada (esq.), a mãe (centro) e a avó (dir.)


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momento com os membros da localidade, antes da pandemia

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momento com os membros da localidade, antes da pandemia


Sérgio Gabriel Baena Chene, 24 anos. Antropólogo. Responsável pela DMJ do Bloco Jardim Santarém, Comunidade Amazonas, CRE Oeste.



Notas:

1. Cf. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 464, 2020.

2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 713, 2020.

13-1-2022

Especial

Alvorecer da paz para a humanidade

REDAÇÃO

Em busca de concretizar os sonhos do seu mestre, Josei Toda, no ano de 1974, Daisaku Ikeda se esforçava para visitar vários países envolvidos diretamente na Guerra Fria. Seu objetivo era dialogar com os líderes e criar uma corrente de paz.

Em meio a esses esforços, em 26 de janeiro de 1975, no Centro do Comércio Internacional, na ilha de Guam, 158 representantes de 51 países participaram da fundação da Soka Gakkai Internacional (SGI). Ikeda sensei, então com 47 anos, assumia como presidente da organização.

Nesse dia, foi realizada a Primeira Conferência para a Paz Mundial, e a finalidade daquela fundação era a contribuição da organização para uma sociedade baseada no movimento pela paz, cultura e educação.

Ao chegar ao local da conferência, o presidente da SGI subiu até o salão no nono andar para assinar o livro de registros dos participantes. Na primeira página ele escreveu seu nome e na coluna do país de origem colocou “O Mundo”.

A ilha de Guam foi escolhida para assinalar o primeiro passo em direção à paz da humanidade por haver sido palco de sangrentas batalhas entre tropas nipônicas e norte-americanas durante a Segunda Guerra Mundial. Logo depois do ataque a Pearl Harbor, no Havaí, tropas japonesas ocuparam Guam, dando início, no fim de julho de 1944, a uma violenta batalha de três semanas, após a qual as forças norte-americanas recuperaram a ilha. Cerca de 1.400 soldados americanos perderam a vida, e os japoneses, vinte mil. Os habitantes de Guam suportaram terríveis sofrimentos e muitos cidadãos também morreram.

Na época da fundação da SGI, o mundo vivia a tensão entre os Estados Unidos e a União Soviética, e à Guerra Fria se somavam as conflitantes relações entre os líderes chineses e soviéticos. A hostilidade entre os países era grande e o risco de uma Terceira Guerra Mundial se fazia presente. Se a guerra acontecesse, seria o fim da humanidade pelas armas nucleares.


Conferência pela paz

Durante a solenidade, foi aprovada o Manifesto pela Paz. Em seu documento, diz: “A vida é um direito inalienável de todo ser humano, independentemente da etnia, nacionalidade, idioma ou costume. Como budistas que almejam sinceramente restaurar esse direito a todas as pessoas do mundo de hoje e ampliá-la, estamos decididos a efetuar com afinco as seguintes atividades, com o intuito de assegurar a paz perene para a humanidade”.1 O manifesto apresenta três pontos embasados na valorização do ser humano. A carta termina com os seguintes dizeres: “Por termos suportado os horrores de duas guerras mundiais neste século, devemos compreender que nossa maior responsabilidade em relação às gerações futuras é fazer do século 21 que se aproxima o “século da vida”, a era dourada do humanismo, na qual as pessoas valorizem a dignidade da vida.”2

No discurso de fundação, o presidente Ikeda declarou: “O sol do Budismo Nichiren começou a despontar no horizonte. Em vez de buscarem aclamação ou glória pessoal, espero que dediquem sua nobre vida a plantar as sementes da paz da Lei Mística no mundo. Farei o mesmo”.3 E ainda salientou: “Talvez se possa dizer que se trata de uma pequena conferência, uma reunião de pessoas anônimas de vários países e territórios. Entretanto, acredito que o encontro de hoje resplandecerá intensamente na história por séculos no futuro, e o nome de vocês, sem dúvida, ficará gravado não apenas na saga da propagação mundial do budismo, mas também na história da humanidade”.4

A fundação da SGI marcou um avanço fundamental na expansão do movimento pelo kosen-rufu em todo o mundo, fazendo com que o Budismo de Nichiren Daishonin, anteriormente conhecido como uma “religião japonesa”, se tornasse real­mente uma religião mundial, sem fronteiras ou nacionalidade. Com sua fundação, as organizações no mundo inteiro realizaram, de maneira mais efetiva, atividades voltadas para a paz, cultura e educação em sua respectiva sociedade. Em meio a tudo isso, Daisaku Ikeda empenhou-se pela paz, visitando e dialogando com líderes de diversas áreas e de vários países.

Em 1981, a SGI foi oficializada como organização não governamental (ONG), filiada à Organização das Nações Unidas (ONU). E engajou-se em uma série de ações, dentre elas a fundação de universidades, centros culturais e museus e a realização de intercâmbios.

O Budismo de Nichiren Dai­shonin se expandiu para 192 países e territórios, nos quais os integrantes da SGI em sua respectiva localidade têm herdado o bastão de mestre e discípulo e se empenhado na divulgação dos ideais humanísticos e pacíficos do líder da organização, Daisaku Ikeda, como ele tem feito dia após dia durante todos esses anos, incansavelmente, para tornar realidade o sonho do seu mestre, Josei Toda.

Todo dia 26 de janeiro de cada ano, desde 1983, além de promover a cultura e o diálogo, o presiden­te Ikeda se dedica a escrever e apresentar propostas de paz à ONU. O objetivo é conceder uma estrutura que visa ao humanismo e ao respeito à dignidade da vida. Assim, essas propostas de paz têm servido para gerar forte diálogo humanístico sobre importantes temas globais entre as pessoas do mundo todo.


De Guam para o mundo

Desde a Primeira Conferência para a Paz Mundial da SGI, em 26 de janeiro de 1975, um encontro que marcou a fundação da SGI, seus membros (hoje mais de 12 milhões) se esforçam para tornar realidade os ideais humanísticos.

O líder da SGI afirma:


Encontramos nossa inspiração da fé inabalável que os presidentes [Tsunesaburo] Makiguchi e Josei Toda depositaram na força da educação para unir os homens em sua bondade, certos de que este é o caminho correto e infalível para a eterna vitória da humanidade.5


A Soka Gakkai Internacional atua em várias frentes para ajudar a solucionar diversas questões ao redor do mundo. Seu enfoque está voltado para a transformação de cada indivíduo, ou seja, a revolução humana de cada pessoa, e para um planeta melhor.

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em 192 países e territórios, membros da SGI se empenham para criar os alicerces da paz em sua localidade. Acima, participantes de um curso de aprimoramento no Japão


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reunião de palestra, uma das principais atividades da organização

No topo: presidente Ikeda discursa durante a cerimônia de fundação da Soka Gakkai Internacional, lançando as bases da organização mundial


Leia mais
na seção Rede da Felicidade nesta edição.


Fontes:

Brasil Seikyo, ed. 2.355, 21 jan. 2017, p. A8.

Brasil Seikyo, ed. 2.403, 20 jan. 2018, p. A6.


Notas:

IKEDA, Daisaku. SGI. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 21, p. 30.

2. Ibidem, p. 32.

3. Ibidem, p. 38.

4. Ibidem, p. 36.

5. Terceira Civilização, ed. 441, maio 2005, p. 28.

13-1-2022

Encontro com o Mestre

O que importa é o coração

DR. DAISAKU IKEDA

“O inverno nunca falha em se tornar primavera”1 — são palavras que os membros do mundo inteiro gravaram no fundo do coração e nutrem como fonte de esperança em sua prática budista. Certamente, não há palavras que expressem, de maneira mais sucinta, a essência da revolução humana. Nelas, podemos sentir intensamente o coração de Daishonin — sua convicção de que podemos infalivelmente superar qualquer obstáculo e atingir o estado de buda nesta existência.

O escrito de Nichiren Daishonin O Inverno Nunca Falha em se Tornar Primavera é endereçado à monja leiga Myoichi, discípula de forte fé que vivia em Kamakura. Embora vários seguidores de Daishonin tenham abandonado a fé durante a Perseguição de Tatsunokuchi e seu subsequente exílio em Sado, Myoichi e seu marido mantiveram resolutamente sua devoção à fé no Sutra do Lótus. Em decorrência disso, enfrentaram muitas adversidades, inclusive tendo suas terras confiscadas. O marido faleceu antes de Daishonin receber indulto e permissão para voltar de Sado.

Nessa carta, Nichiren Daishonin retribui a sinceridade de Myoichi incentivando-a de todo o coração, determinado a ajudá-la a se tornar feliz e a atingir o estado de buda em sua presente existência, sem falta.


Por que enfrentamos tantas dificuldades?

Nessa passagem, Daishonin declara como premissa básica que “Aqueles que creem no Sutra do Lótus parecem viver no inverno”.2 Desfrutar a primavera da esperança significa ultrapassar o inverno das adversidades.

Por que “aqueles que creem no Sutra do Lótus” têm de enfrentar duras provações comparáveis ao gélido inverno? Assim como o Sutra do Lótus explica, é porque os “três obstáculos e quatro maldades”3 e os “três poderosos inimigos”4 infalivelmente surgem e tentam obstruir o caminho da prática budista visando à consecução do estado de buda nesta existência.

O budismo nos assegura, porém, que “o inverno nunca falha em se tornar primavera”. Se observarmos o fluxo natural das estações, o inverno nunca retrocede ao outono, e mesmo o mais longo e rigoroso inverno dá lugar ao calor da primavera. De modo semelhante, se suportarmos a gélida oposição à nossa prática budista e continuarmos nos empenhando ao máximo, ativando forte fé, conseguiremos infalivelmente fazer desabrochar exuberantes e profusas flores da vitória. Essa é uma verdade inquestionável.

Por isso, é importante perseverar na fé até o fim. Se pararmos no meio do caminho ou sucumbirmos a dúvidas e abandonarmos a prática, todos os nossos esforços serão em vão. O segredo é continuar instigando a nós mesmos a seguir em frente, com firmeza, constância e ânimo, convictos da chegada da primavera repleta de alegria e de felicidade.


Não deixar ninguém para trás

A chegada da primavera não é restrita a um seleto grupo de pessoas. A Lei Mística abre o caminho para a iluminação de todos, sem que ninguém seja excluído ou deixado para trás. Isso só é possível mediante o ato de plantar as sementes da Lei Mística — a causa para atingir o estado de buda — na vida das pessoas. É o que distingue o Budismo Nichiren como religião universal.

Em outro escrito, Nichiren Dai­shonin declara: “Basta ver um único botão de flor para perceber a chegada da primavera”.5 Podemos sentir que a primavera se aproxima ao ver um simples botão florescendo de forma resplandecente em meio ao vento gelado. Em outras palavras, o “coração convicto” de uma única pessoa que conquistou a flor da vitória com a fé na Lei Mística pode produzir uma perfumada brisa de esperança e ensejar a primavera da felicidade e da vitória para todos ao redor.


Três perspectivas para um nobre coração

Numa carta enviada da prisão para a sua família, Makiguchi sensei escreveu: “Dependendo do estado de espírito da pessoa, até o inferno pode ser aprazível”.6 Os censores do governo tentaram apagar essas palavras, que transmitem claramente a condição inabalável que ele havia conquistado.

Nesta oportunidade, gostaria de discorrer sobre a relevância do coração a partir de três perspectivas: o “coração altruísta, ou que se dispõe a beneficiar os outros”, o “coração desafiador” e o “coração convicto”. Como membros da Soka Gakkai, nossa fé no Budismo Nichiren nos habilita a manifestar elevada condição de vida interior.

Com nossa firme prática budista diária, de modo bastante natural, ativamos de dentro de nós os estados de bodisatva e de buda, cuja característica mais marcante é o espírito inabalável sempre vitorioso, pioneiro, dinâmico, resiliente, decidido, corajoso, compassivo, tolerante, encorajador e grato. Possuímos os extraordinários recursos incorporados no princípio dos “três mil mundos num único momento da vida”,7 que nos permitem, mediante uma mudança fundamental em nosso coração, transformar a nós mesmos, nosso ambiente e a sociedade.

Mudar o coração não se refere a fazer algo que levante nosso ânimo ou nos faça sentir, momentaneamente, melhor, sem que a realidade se transforme. A mudança genuína do coração é mais profunda; produz transformação efetiva da vida. Ampliar a profundidade do coração — da condição de vida — é a essência da religião da revolução humana. Receber benefícios com a prática budista na verdade sinaliza nossa transformação no âmbito mais profundo.

Portanto, devemos ter uma postura de seriedade na fé. Se nos deixarmos vencer pelas funções negativas e nos entregarmos à lamentação, nosso coração perderá a vitalidade. A mais sutil alteração em nosso coração pode ocasionar resultados drasticamente diferentes.

Nosso coração determina se atingiremos ou não o estado de buda. Por essa razão, “o que importa é o coração”.

De fato, quando temos uma vida que se baseia na Lei Mística, no caminho de mestre e discípulo, e se empenha ao lado dos companheiros de fé, conseguimos descobrir infinitas possibilidades em toda parte. Aquilo que pulsa em nosso coração neste momento molda o futuro. Portanto, levantemo-nos, dentro do nosso contexto individual, e partamos para a ação. Somos todos bodisatvas da terra munidos de uma missão a cumprir neste mundo.

Que nossa vida irradie a resplandecente luz da revolução humana. O sol da era do humanismo budista brilha com intensidade cada vez maior à medida que avançamos rumo à primavera da paz e da felicidade de toda a humanidade.


22

Membros da SGI-Reino Unido se encontram e participam de diálogo com Dr. Daisaku Ikeda, presidente da SGI, em sua primeira visita a Glasgow (Escócia, jun. 1994)

No topo: presidente Ikeda e sua esposa, Kaneko, no Auditório do Grande Juramento pelo Kosen-rufu (Japão, 18 nov. 2013)


Leia discurso e explanação completos do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, na ed. 2.431, 11 ago. 2018.


Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 560, 2018.

2. Ibidem.

3. “Três obstáculos e quatro maldades”: Vários obstáculos e adversidades que tentam impedir a prática budista. Os “três obstáculos” são: (1) obstáculo dos desejos mundanos; (2) obstáculo do carma; e (3) obstáculo da retribuição. As “quatro maldades” são: (1) maldade dos cinco componentes; (2) maldade dos desejos mundanos; (3) maldade da morte; e (4) maldade celestial.

4. “Três poderosos inimigos”: Três tipos de pessoas arrogantes que perseguem aqueles que propagam o Sutra do Lótus na era maléfica após a morte do buda Shakyamuni, descritos na parte em versos que conclui o capítulo 13, “Encorajamento à Devoção”, do Sutra do Lótus. O grande mestre Miaole da China os resume como leigos arrogantes, sacerdotes arrogantes e presunçosos, e sacerdotes arrogantes respeitados como sábios.

5. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 280.

6. Traduzido do japonês. MAKIGUCHI, Tsunesaburo. Makiguchi Tsunesaburo Zenshu [Obras Completas de Tsunesaburo Makiguchi]. Tóquio: Daisanbunmei-sha, v. 10, p. 285, 1987.

7. “Três mil mundos num único momento da vida” (ichinen sanzen, jap.): Sistema filosófico estabelecido por Tiantai da China. “Três mil mundos” indicam vários aspectos e fases que a vida assume a cada momento. A cada instante, a vida manifesta um dos “dez mundos”. Cada um desses mundos possui o potencial de todos os dez em si, totalizando cem possíveis mundos. Cada um desses cem mundos possui os “dez fatores” e opera em cada um dos “três domínios da existência”, totalizando “três mil mundos”. Em outras palavras, todos os fenômenos estão contidos num único momento da vida, e um único momento da vida permeia os três mil mundos da existência, ou a totalidade dos mundos dos fenômenos.

13-1-2022

Encontro com o Mestre

Rumo à nova montanha e ao grande céu da missão

DR. DAISAKU IKEDA


Depois de conquistar uma montanha,

comece a jornada em uma nova!

Avançar e continuar a lutar.

É aí que se encontra o desenvolvimento como ser humano,

e o verdadeiro prazer da vida.

O kosen-rufu, movimento para expandir

o grande caminho da paz e da felicidade para o mundo,

é o supremo empreendimento sagrado como ser humano.



Alçar voo altivamente,

sem recuar jamais,

enfrentando as tempestades de provações —

esse é o espírito da Soka Gakkai.

Quando não se esquece dessa disposição,

conquista-se o progresso e a vitória.



Viver pelo kosen-rufu significa

abrir amplamente as asas do altruísmo.

E quando se voa pelo grande céu da missão,

ocorre o voo dinâmico de sua condição de vida.



Liberte as pessoas das correntes

do destino e do sofrimento, e

com suas asas, ajude-as a voar

pelo grande céu da missão.

O que torna isso possível é a

força do incentivo de pessoa a pessoa.

É por essa razão que

devemos nos mergulhar em meio às pessoas

e falar sobre a filosofia da esperança e da justiça

que ilumina a humanidade.



Nós possuímos a fé,

de “diferentes em corpo, unos em mente”.

Possuímos o persistente espírito invencível,

capaz de romper quaisquer barreiras.

Possuímos as asas da compaixão e da sabedoria

para voar pelo grande céu da infindável criação de valor.

É hora de fortalecer ainda mais

o agrupamento de contínuas vitórias,

para avançar e avançar com coragem!



Vamos dar a partida!

Se acender as chamas do juramento pelo kosen-rufu

em seu íntimo,

todos serão eternamente jovens.

Vamos lutar com essa vida de

“princípio místico da verdadeira causa”.

Vamos todos, juntos, em direção à

nova e grandiosa montanha dourada da esperança,

entoando altivamente a canção triunfal da alegria!


No topo:

Picos cobertos por neves brancas continuam sem fim. Ikeda sensei apontou sua câmera para as montanhas dos Alpes de cerca de 4 mil pés de altura, que estavam abaixo de seus olhos. Em maio de 1994, o presidente Ikeda viajava de avião da Alemanha rumo à Itália. Vencendo imponentemente as opressões do clero, ele voava por todas as partes do mundo abrindo asas do movimento pela paz.

Em dezembro de 2021, completaram-se quarenta anos desde que sensei anunciou o longo poema Jovens, Escalem a Montanha do Kosen-rufu do Século 21! na província de Oita, região de Kyushu. Agora, diante de nós que demos o primeiro passo de vitória em direção ao centenário da Soka Gakkai em 2030, estende-se a nova montanha do kosen-rufu.

Rumo ao meu progresso dinâmico e ao da Soka Gakkai, vamos iniciar agora a escalada junto com o Mestre!


Publicado no Seikyo Shimbun de 12 de dezembro de 2021.

13-1-2022

Incentivo do líder

Amplas oportunidades

Iniciamos um novo ano e temos pela frente 365 dias, que, com toda a certeza, serão de muitas oportunidades. Já se questionou como vamos viver cada um desses dias?

O tempo passa rápido e, se não nos dermos conta disso, o ano termina e algumas coisas ficam pela metade.

Há um episódio na Nova Revolução Humana em que o presidente Ikeda dialoga com um agricultor que perdeu toda a sua colheita. Entre outras questões, ele pergunta o porquê do fracasso, mas o agricultor não consegue responder. Sensei o incentiva:


Antes de tudo, para não repetir o erro, deve avaliar o que causou o insucesso na colheita. O senhor pode consultar os agricultores que tiveram êxito na colheita e anotar o que eles têm para dizer. Procure também tomar as devidas providências para evitar outros fracassos. (...) É um grande erro pensar que terá uma colheita farta só porque está se empenhando na prática da fé.1


Nesse diálogo, Ikeda sensei o incentiva sobre quatro pontos para a vitória. Acredito que estamos vivendo o momento propício para refletirmos sobre cada um deles.

1. Decisão: onde quero chegar, para este ano que está se iniciando, quais são meus objetivos. “Não há verdadeira alegria ou emoção numa vida sem direção ou objetivos concretos”.2

2. Oração: a recitação do daimoku faz com que minha vida se encha de energia e muita sabedoria; por isso, quando tenho um objetivo claro, minha oração é canalizada com toda a força para a concretização dele.

Nichiren Daishonin diz:


O infortúnio de Kyo’o se transformará em boa sorte. Reúnam a sua fé e orem a esse Gohonzon. Então, o que não poderá ser concretizado? Não pode haver dúvida em relação às seguintes passagens do sutra: “Este sutra pode transformar seus desejos em realidade assim como um lago límpido pode satisfazer a todos os que estão sedentos”, e “Desfrutarão paz e segurança na presente existência e boas circunstâncias nas existências futuras”.3


3. Planejamento: muitas vezes é exatamen­te no planejamento que acabamos nos perdendo. “Em se tratando de oração, existem naturalmente várias formas de orar. Alguns oram para que tudo caia do céu, sem que tenham de se esforçar. A religião que incentiva esse tipo de oração conduz as pessoas à ruína”.4

Para cada objetivo lançado, devo ter um planejamento bem-definido. Aí vão algumas dicas de planejamento: anotar os objetivos no papel e deixar em lugar visível, listar todas as ações necessárias para alcançá-los em ordem de prioridades, detalhar ao máximo cada passo dessas ações, estabelecer metas e prazos para a execução de cada objetivo etc.

4. Esforço: esse ponto é muito importante, pois, por mais que eu tenha decisão, oração e um planejamento maravilhoso, se não me esforçar, sair da minha zona de conforto, arregaçar as mangas e fazer a coisa acontecer, nenhum dos meus objetivos serão concretizados.

Este budismo é pura razão, assim preciso saber exatamente aonde quero chegar, ter metas claras, empenhar-me mais que qualquer outra pessoa para realizar todos os meus objetivos.

Ikeda sensei diz:


Somente seres humanos são capazes de buscar crescimento e autoaperfeiçoamento. Possuímos a faculdade de mudar de forma consciente a direção de nossa vida, de engrandecê-la e aprofundá-la, em vez de apenas permitir que ela siga a esmo.5


Então, "bora" lá, temos 365 dias para alcançarmos nossos objetivos, criarmos uma vida repleta de muita esperança, coragem e empoderarmos a todos os que estiverem ao nosso lado.

Feliz “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”!


Magda Lombardi

Vice-coordenadora da Divisão Feminina da BSGI


Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. p. 237, 2019.

2. Diretrizes para Líderes de Bloco, p. 56.

3. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. Editora Brasil Seikyo: São Paulo, v. I, p. 431-432, 2020.

4. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 239, 2019.

5. IKEDA, Daisaku. Coragem. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 23, 2018. (Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz)

13-1-2022

Editorial

O sol surgirá

A cada instante, a luz vai dispersando a escuridão. Já se enxerga a primeira claridade da manhã, o desabrochar, o começo, o princípio. A alvorada é o primeiro sinal de que o dia está despontando; e quando enxergamos o alvorecer, podemos assegurar que amanheceu.

As obras Revolução Humana e Nova Revolução Humana são a expressão da jornada da unicidade de mestre e discípulo a partir do exemplo da vida de Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, e de Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI). O primeiro capítulo da Revolução Humana chama-se “Alvorada”, representando a luz que havia surgido no coração do presidente Josei Toda ao se reconhecer como bodisatva da terra e entrar em ação com base nisso. E o primeiro capítulo do romance Nova Revolução Humana é intitulado “Alvorecer”, por descrever os primeiros passos dados pelo discípulo Shin’ichi Yamamoto (personagem que representa o presidente Ikeda na obra), que avança em prol do kosen-rufu mundial com a vivacidade e o ímpeto de um sol raiando.

Hiromasa Ikeda, vice-presidente da SGI, é quem explica essa relação entre o nome dos capítulos das obras e o significado dado a esses títulos associados ao Sol. Não se trata da narração sobre a condição externa vivida pelos personagens, mas o estado de seu coração.

Da mesma maneira, podemos utilizar essa analogia na nossa vida, como Ikeda sensei orienta:


Olhando para o alto da superfície nos dias nublados, não se enxerga o sol. Quando persistem vários dias de chuva ou de neve, encobertos por nuvens escuras, tem-se a sensação de que tal clima continue por longo tempo e a tendência é de até os corações ficarem fechados e obscuros. Porém, acima das nuvens, ele está sempre brilhando radiantemente. Da mesma forma, ao elevarmos nossa condição de vida e rompermos as nuvens, nossa existência também será como essa grande estrela do sistema solar. Além disso, mesmo nos dias em que pareça estarmos diante das tempestades, a prática da fé possibilita vivermos com o sol em nosso coração.1


As celebrações de Ano-Novo são como a alvorada, e, para o Brasil Seikyo, esta edição marca o nascer do sol, a primeira de 2022. Desejamos que as próximas páginas e as próximas edições sejam capazes de aquecer seu coração para que assim surja, a partir de você, leitor, o sol a iluminar a humanidade.

Ótima leitura!


Nota:

1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana, v. 29, São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2021. p. 295-296.

13-1-2022

Frase da Semana

Frase da Semana

Cumprimente sempre os vizinhos e as pessoas no local de trabalho com sorriso no rosto! A partir deste comportamento contínuo começa o drama da amizade e produz as flores e os frutos da confiança.

Dr. Daisaku Ikeda

Publicada no jornal Seikyo Shimbun em 11 de janeiro de 2022.

13-1-2022

Nova Revolução Humana

Detalhes que fazem a diferença

PARTE 15

A chuva, que começara a cair antes do meio-dia, foi se intensificando cada vez mais.

Shin’ichi Yamamoto partiu do Centro de Treinamento de Nagano para visitar a residência de um veterano benemérito da cidade de Saku.

Os integrantes da Divisão Masculina de Jovens estavam trabalhando na chuva limpando o terreno vago à beira da estrada que serviria como estacionamento extra para as sessões de foto que seriam realizadas no dia seguinte.

Shin’ichi disse ao líder que o acompanhava:

— Quando os jovens encerrarem o trabalho, por favor, deixe-os tomarem banho no centro de treinamento para que não fiquem resfriados. Precisam tirar a lama e o suor e se aquecerem.

Eram os preciosos jovens, os “tesouros Soka”. Ele já se sentiu pesaroso por fazê-los trabalhar em meio à lama, por isso estava determinado fortemente a garantir que ninguém ficasse doente por conta disso.

Cerca de cinquenta minutos após deixarem o centro de treinamento, chegaram à residência de Katsuo Ishizuka, na cidade de Saku. Ishizuka era um sênior de pouco mais de 40 anos que atuava como responsável pela Regional Saku.

Profundamente emocionado, ele apertou firme a mão de Shin’ichi e disse: “Sensei! Muito obrigado por vir até a nossa casa!”.

O pai de Ishizuka vestia terno e a mãe estava de quimono. Eles recepcionaram Shin’ichi e comitiva com sincero respeito.

Shin’ichi teve a oportunidade de conversar com Ishizuka quando ele foi ao centro de treinamento para atuar como membro do grupo de bastidores. Nessa ocasião, soube que Ishizuka oferecia uma sede particular para realizar atividades da Soka Gakkai, e Shin’ichi quis visitá-lo para agradecer a ele e à sua família.

Os locais de reunião oferecidos pelos membros têm papel inestimável no avanço do kosen-rufu. Mesmo que grandes sedes e centros culturais fossem construídos em cada localidade, as sedes particulares e as residências dos companheiros ainda seriam os locais que serviriam de ponto de encontro para reuniões de palestra e base para as atividades diárias da organização como comunidades e distritos. São locais sublimes da “assembleia” budista da atualidade.

Shin’ichi e os demais foram conduzidos à sala de estar da residência dos Ishizuka. Na conversa que se seguiu, soube-se que aquele dia era o aniversário de 80 anos do pai de Ishizuka.

— Quero lhe dedicar um poema em comemoração — disse Shin’ichi.

Ele então dirigiu o olhar para um calendário destacável pendurado na parede e perguntou:

— Posso escrever nele?

O calendário foi retirado da parede, e orando pela saúde e longevidade do casal idoso, registrou ao lado da data:


Como feliz estou ao ver

o semblante de ouro

do ancião de oitenta anos!



PARTE 16

Shin’ichi Yamamoto disse a Katsuo Ishizuka:

— Por favor, cuide bem do seu pai e da sua mãe por toda a vida. O caminho de um ser humano começa com o ato de saldar as dívidas de gratidão com os pais. Aqueles que nunca se esquecem do espírito de gratidão são verdadeiros praticantes do budismo.

Agradecendo a Ishizuka por oferecer uma sede comunitária particular para as atividades da Soka Gakkai, Shin’ichi falou a respei­to de vários pontos a serem observados no dia a dia:

— De toda forma, é importante estar sempre em contato com os responsáveis pelas reuniões e alinhar detalhes como estacionamento dos carros e das bicicletas e o volume da voz ao conversar para não causar transtornos aos vizinhos. Isso pode exigir um esforço maior de sua parte, mas é importante também visitar os vizinhos regularmente para dialogar com eles e pedir para que lhe avise imediatamente se houver algum problema, mantendo sempre uma comunicação aberta. Conquistar o apoio e a cooperação dos vizinhos já é, por si só, o aspecto do kosen-rufu. As sedes comunitárias particulares são castelos do kosen-rufu do povo. Edificar bases sólidas de confiança, tais como o muro de pedra dos castelos, contribuirá para tornar a Soka Gakkai ainda mais firme e segura.

Depois disso, Shin’ichi foi visitar a sede comunitária particular dos Ishizuka, localizada ao lado da residência dele. O piso térreo abrigava o escritório da empresa de engenharia elétrica de Ishizuka, e o andar superior, com cerca de 49 m2, era reservado para as atividades da Soka Gakkai.

Na sede comunitária particular, já estavam reunidos representantes da localidade como os líderes de distrito da Regional Saku. Shin’ichi recitou gongyo junto com todos e dialogou com eles informalmente.

Ele compôs e dedicou um poema aos companheiros de Saku:


Eu nunca me esquecerei

dos olhos felizes

dos membros de Saku.

Enquanto oro todos os dias,

penso como estarão

meus amigos de Saku.


Depois de visitar a família Ishizuka, Shin’ichi se dirigiu à residência de Tatsuomi Kurabayashi. A família Kurabayashi possuía laços profundos com a região, cujos ancestrais serviram como oficiais do distrito desde o início do período Edo (1603–1868). A casa principal havia sido construída há 350 anos e era chamada pelas pessoas da localidade de Uguisu Yakata (“Casarão Rouxinol”).

Tatsuomi Kurabayashi estava em pé na frente da residência segurando um guarda-chuva japonês tradicional, esperando por Shin’ichi e Mineko.

— Eu vim como prometi — disse Shin’ichi com um sorriso.

Por ocasião de uma reunião de líderes realizada há seis anos, em Tóquio, Kurabayashi havia dito a Shin’ichi a respeito da casa que era herança da sua família e tinha solicitado que a visitasse.


O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

20-1-2022

Conheça o Budismo

Torne-se uma árvore de felicidade

REDAÇÃO

O budismo explica que o estado de buda, condição repleta de compaixão e de sabedoria, é originalmente inerente à própria vida do ser humano.

O objetivo da prática budista consiste em evidenciar essa elevada condição de vida e conquistar a felicidade absoluta. Porém, para essa força se manifestar na existência da pessoa, é preciso realizar um trabalho concreto de transformação a partir do seu interior. Em outras palavras, para manifestar o estado de buda, são necessárias contínuas ações centradas na razão. Essas ações correspondem à “prática”.

Há dois aspectos na “prática”: um deles refere-se à prática individual, o exercício budista visando à conquista dos benefícios da Lei para si mesmo; e o outro corresponde à prática altruística, a ação de ensinar o budismo às outras pessoas para elas obterem benefícios.

Em um de seus escritos, Nichiren Daishonin afirma:

Entretanto, agora entramos nos Últimos Dias da Lei e o daimoku que eu, Nichiren, recito é diferente daquele das eras anteriores. Esse Nam-myoho-renge-kyo inclui tanto a prática individual como a altruística.1


Nos Últimos Dias da Lei, tanto a prática individual (jigyo) como a altruística (keta) são essencialmente a prática do Nam-myoho-renge-kyo, a Lei fundamental para se tornar buda. De forma concreta, a “prática individual” é composta pela recitação do gongyo e do daimoku e se estende à participação nas atividades e à dedicação ao estudo do budismo; e a “prática altruística”, pelo shakubuku — o mais nobre ato de benevolência, quando oramos e desejamos a felicidade de outra pessoa — e pelo estudo e diálogo dos ensinamentos junto com outras pessoas, incluindo as visitas que realizamos para ajudar alguém a se aprofundar na fé.

Ações que se complementam

Em termos de benefícios, não há distinção entre os dois tipos de prática, ou seja, envolvem a todos. Por exemplo, o daimoku que recitamos beneficia a nós próprios e àqueles a quem dedicamos nossas orações. Os esforços empenhados para incentivar os que se encontram em dificuldades nos fortalecem também. Quando uma pessoa inicia a prática e consegue comprovar a veracidade do budismo, é um tesouro desfrutado não somente por ela, mas por quem lhe ensinou essa filosofia. Isso se deve à nossa profunda relação com essas pessoas e às causas extremamente positivas realizadas com essas nobres ações.

Caminho do bodisatva

A prática individual é também o processo pelo qual uma pessoa pode fazer sua revolução humana, isto é, a transformação interior e o desenvolvimento de seu pleno potencial com base na manifestação do estado de buda contido em sua vida. Esse autoaprimoramento começando pela prática budista é o ponto de partida para a mudança da sociedade.

Estamos ligados aos nossos pais, por nos conceber e nos criar; aos professores, pela educação recebida; e aos amigos, por nos incentivar. Estamos ainda unidos àqueles com quem nunca nos encontramos, mas nos favorecem plantando as frutas e verduras para nossa alimentação, confeccionando nossas roupas, escrevendo os livros que nos transmitem conhecimento, enfim a uma infinidade de pessoas.

Essa compreensão deu origem ao caminho do bodisatva, como é chamado no budismo. Um bodisatva é aquele que se esforça para atingir a iluminação, ou seja, faz a sua revolução humana, e para auxiliar outros a atingi-la. Ele realiza os dois tipos de prática budista.

Comprovação

Realizar as práticas individual e altruística gera o benefício budista, conhecido como kudoku, ou seja, a extinção do mal e a manifestação do bem. Conforme afirma o presidente Ikeda:

No Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, [Nichiren] Daishonin diz: “Ku [de kudoku — benefício] significa extinguir o mal, e doku quer dizer evidenciar o bem”.2 Somente quando nos empenhamos intrepidamente em vencer o mal e o negativismo em nós próprios e nos outros é que o poder do bem inerente à Lei Mística emergirá. Sem esforços corajosos, nenhum benefício significativo pode ser evidenciado. Para ter uma existência realmente grandiosa, é importante realizar a prática do shakubuku.3

Árvore inabalável

O segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, declarou:

A prática da fé significa abraçar o Gohonzon, e equivale a plantar uma árvore que se transforma em felicidade absoluta. Em outras palavras, significa plantar a semente para se tornar Buda no “arrozal do seu coração”. A partir de então, embora invisível, os deuses budistas4 estarão se empenhando firmemente para sua proteção. A semente irá então brotar e desenvolver troncos e ramos; surgirão densas folhagens, e em seguida flores e frutos. (...) A isto, chamamos de estado de buda ou a conquista de uma vida de verdadeira felicidade.5


De acordo com o presidente Josei Toda, quando iniciamos a prática, estamos na fase em que a semente está apenas germinando; e se a semente for atacada por insetos e pragas, a planta não se desenvolverá. E se a plantação for invadida por ervas daninhas, suas raízes apodrecerão. Justamente por isso, ele nos solicita a retirar as “ervas daninhas” do coração com a realização do shakubuku e nos ensina que a recitação diária do daimoku, pela manhã e à noite, é equivalente a fertilizar o solo do arrozal e as pessoas não conseguem evidenciar os benefícios porque não estão “carpindo” suas “ervas daninhas”.

Vamos, portanto, manifestar a atitude correta da fé, incentivando-nos a dedicar persistentemente às práticas individual e altruística e, assim, criar uma frondosa árvore repleta de comprovações.

“Deve se tornar uma pessoa admirada em sua localidade. Se tiver uma única árvore de grandes proporções, as pessoas se reunirão em torno dela nos dias de intenso calor para se refrescar e nos dias de chuva para se proteger dela. Se você que abraçou o budismo for admirada e confiada por todos, tal como a grande árvore, esse fato em si trará a simpatia das pessoas pelo budismo e resultará na propagação dos ensinamentos. Por favor, desenvolva a si mesma como uma grande árvore. Torne-se uma valorosa grande árvore da localidade”6

Dr. Daisaku Ikeda


Notas:

1. The Writings of Nichiren Daishonin [Escritos de Nichiren Daishonin]. v. II. Tóquio: Soka Gakkai, p. 986.

2. Gosho Zenshu [Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin]. Tóquio: Soka Gakkai, p. 762.

3. Terceira Civilização, ed. 435, nov. 2004, p. 18.

4. Deuses budistas: Também conhecidos como “deuses protetores” ou “divindades celestiais”, entre outros. São as funções do universo que protegem os ensinamentos do budismo e seus praticantes. Elas beneficiam tanto pessoas quanto locais em que habitam, proporcionando-lhes boa sorte. Cabe ressaltar, porém, que a visão budista em relação a essas divindades não é absolutamente no sentido de objeto primário para a crença ou devoção, mas sim de funções de suporte e de proteção à Lei, aos ensinamentos budistas e aos seus praticantes.

5. Terceira Civilização, ed. 88, dez. 1975, p. 19.

6. IKEDA, Daisaku. Sino do Alvorecer. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 30-I, p. 371.


Fontes:

Os Fundamentos do Budismo Nichiren para a Nova Era do Kosen-rufu Mundial. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 41, 2019.

Terceira Civilização, ed. 401, jan. 2002, p. 10.

Brasil Seikyo, ed. 1.613, 28 jul. 2001, p. A6.

20-1-2022

Notícias

Sub. Itaquera-Guaianases promove diálogo

REDAÇÃO

O diálogo é o ponto de partida para o alinhamento de ideias e a ferramenta ideal para atingir objetivos coletivos. Ciente disso, a Sub. Itaquera-Guaianases (CCLP) realizou a atividade Papo Reto, no dia 16 de janeiro. O objetivo, como o nome sugere, era dialogar abertamente sobre os temas mais recorrentes na rotina dos participantes, líderes de distrito e acima. De forma anônima e voluntária, foram compartilhados desafios e questões individuais, cabendo aos líderes centrais incentivos e direcionamentos. Houve espaço também para que os demais participantes expusessem observações sobre os temas. Além de canções da organização, no encontro, foi lida a Mensagem de Ano-Novo do presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, e na sequência houve incentivos e agradecimentos.

Para Wagner Massini, vice-responsável pela Divisão Sênior (DS) da Sub. Itaquera-Guaianases, o sentimento de realizar a atividade é o de “não deixar ninguém para trás”, aproximando o coração de todos ao do Mestre. “Em nossa organização estamos decididos a não deixar ninguém de fora da órbita do sensei. Essa atividade também tem o objetivo de despertar todas as pessoas para a missão pelo kosen-rufu e possibilitar que cada uma tenha plena ciência do caminho que está seguindo, para onde aponta seu coração”, declara Wagner.

No topo: na arte comemorativa, encontram-se as palavras mais abordadas no diálogo da Sub. Itaquera-Guaianases

20-1-2022

Notícias

Distrito Tietz realiza primeiro encontro de 2022

REDAÇÃO

Com o slogan “Luta Conjunta do Progresso Dinâmico”, o Distrito Tietz, integrante da Sub. Leste Esperança (CCLP), promoveu um encontro virtual que marca a partida das atividades da organização, no dia 15 de janeiro. Sob o tema “Distrito Tietz em luta conjunta na criação de jovens valores das cinco divisões baseados na prática da fé”, participantes das quatro comunidades conheceram também os objetivos para o “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”. Além da exibição de um vídeo com retrospectiva das atividades realizadas em 2021, outro momento importante foi quando representantes de cada comunidade apresentaram temas, planos de luta e objetivos a ser concretizados, sempre de acordo com o direcionamento lançado pela organização. Meiry Hirano, coordenadora da Divisão Feminina (DF) da BSGI, ressaltou aos presentes que todas as nossas ações em prol do kosen-rufu são oportunidades para revolucionar nossa própria vida.

Para Eduardo Pereira, responsável pelo Distrito Tietz, atividades como essa são a chance de estreitar os laços de amizade. Ele declara: “Nosso objetivo é que todos os membros do distrito estejam na mesma órbita avançando na sua organização de base, desenvolvendo pessoas valorosas, tendo sempre os jovens e os estudantes na linha de frente com o apoio das demais divisões”.

No topo: Distrito Tietz inicia 2022 com a decisão de desenvolver pessoas valorosas

20-1-2022

Relato

Uma mulher afortunada

Nasci numa família budista. Meus pais, convertidos no grande movimento da organização de 1974, se mudaram para o Pará cerca de dez anos depois. Minha infância e adolescência foram por aqui no estado, mas tive oportunidades maravilhosas de viajar durante a minha juventude.

Hoje, como uma jovem senhora, orgulhosamente, faço parte do grupo Zenshin da Área Amapá (Sub. Amazônia Oriental, CGRE). Tenho uma família incrível, bem como muitas amigas e amigos maravilhosos. Moro no Vale do Jari, que abrange três municípios, sendo dois no sul do Amapá e o outro em Almeirim, banhado pelo rio Amazonas. Minha residência fica justamente no distrito de Monte Dourado, pertencente a esse município do Pará, mas boa parte da minha rotina é em Laranjal do Jari, Amapá, onde sou concursada pelo município e pelo estado. Logo em seguida, após passar nos dois concursos públicos, em 2005, engravidei da minha primeira filha, Júlia. Além dela, tenho mais dois filhos, Vítor Cauã e Tainá.

Sou professora de educação física da rede pública de ensino e, atualmente, trabalho numa escola de ensino fundamental 2 e EJA (Educação de Jovens e Adultos) do município. Amo essa escola e é um grande privilégio atuar em apenas uma escola, um dos diversos benefícios conquistados entre 2020 e 2021.

Ainda muito jovem e imatura, queria continuar com minha grande paixão, a dança, a qual me possibilitou muitos aprimoramentos. Ao passar por essa fase, voltei a focar na sala de aula. Estava cheia de angústias e preocupações, porém com vontade de fazer a diferença. Nessa época, ocorreram mudanças na educação nacional, o que refletiu positivamente na minha área, um grande benefício.

Na BSGI, por meio de diferentes atividades, surgiram diversas oportunidades que me ajudaram a munir meu coração de esperança e de coragem, assim como descobrir muitas ferramentas tecnológicas para desbravar novos caminhos inimagináveis, inclusive profissionalmente. Tenho estreitado laços de amizade e parcerias com outros “bodisatvas educadores”, também consegui desenvolver materiais de trabalho baseados em outros existentes em vários estados do Brasil, mas adaptados para nosso currículo prioritário amapaense. De maneira sutil, sugiro reflexões sobre quanto nosso estado precisa de leis e de políticas públicas na educação, que não se resumem a políticas de governo. Sei que estou no caminho correto.


Sabedoria, paciência e benevolência

Antes de falecer, minha mãezinha fez uma grande causa positiva ao decidir que a Júlia, sua primeira neta, cursaria o ensino médio no Colégio Soka do Brasil, em São Paulo. Herdei essa decisão dela e, graças ao surgimento do programa de homestay, no qual os estudantes de outros estados convivem com famílias indicadas pela instituição, esse sonho se tornaria possível. A questão é que, no início, Júlia foi super-resistente à ideia.

Para minha surpresa, no fim de 2020, Júlia manifestou o desejo de estudar no Colégio Soka e foi assim que nossa jornada teve início. Recebemos a resposta de aprovação, porém Cléber, meu marido, por não ser membro da BSGI, não compreendeu a importância disso e foi totalmente contra devido às condições financeiras. Senti então a profunda necessidade de comprovar a veracidade do Budismo de Nichiren Daishonin e manifestar sabedoria, paciência e benevolência. Como realizar o sonho da minha família sem causar desarmonia com meu parceiro, pai dos meus filhos, homem que tanto admiro e amo? Com a recitação do Nam-myoho-renge-kyo (daimoku), os incentivos de veteranas, as visitas e o estudo, e muito afeto e amor da família, respeitei e compreendi o coração do Cléber que, aos poucos, aceitou a ideia e assumiu as negociações com o colégio. Graças a ele, tenho grandes oportunidades. E, hoje, vê-lo ao meu lado compartilhando o mesmo propósito de garantir um futuro promissor para nossa filha, dentro da órbita da Gakkai, não tem preço.

Minha lista de vitórias não para por aí. Muitas coisas maravilhosas estão acontecendo em minha vida. No âmbito profissional, o reconhecimento dos meus esforços tem se manifestado constantemente. Na família, percebo quanto inspiramos uns aos outros. Meu pai, aos 75 anos, se submeteu ao processo seletivo para estudar engenharia civil, o que me deixa muito emocionada. Outra grande vitória é que voltei a dançar. Precisava disso, pois, ao parar, por mais que estivesse ocupada, sentia um vazio em mim. E, além de cuidar da saúde física, estou cuidando da minha saúde mental, acompanhada por uma psicóloga excelente. Eu me sinto a mulher mais afortunada do mundo!


Existe uma estrada.

E essa é a estrada

que eu amo.

Eu a escolhi.

Quando trilho essa estrada,

as esperanças brotam

e o sorriso se abre

em meu rosto.

Dessa estrada nunca,

jamais fugirei!1


Com essas palavras do meu mestre, Dr. Daisaku Ikeda, manifesto o sentimento de saldar, mesmo que pouco, minha dívida de gratidão com ele e com a Gakkai. Decido avançar cada vez mais em 2022, rumo a 2030.

Fernanda Ramos Zeferino, 41 anos. Professora de educação física. Responsável pela DF do Distrito Jari e vice-responsável pela Área Amapá, Sub. Amazônia Oriental, CRE Oeste.


7

da dir. para a esq., Fernanda; seu pai, Dirceu; sua filha Júlia; a tia Dolores e o tio Mauro. Na mesma foto, à frente de Fernanda estão Cléber, seu marido, e os filhos Cauã e Tainá

No topo: Fernanda num dos projetos culturais da escola na qual leciona



Nota:

1. Brasil Seikyo, ed. 1.730, 10 jan. 2004, p. A4.

20-1-2022

Especial

Soka é criação de valor

REDAÇÃO

Todos nós temos nossas lembranças do frio que sentimos na barriga no primeiro dia de aula, do esforço para compreender uma matéria, das aulas de educa­ção física; enfim, ao sermos questionados sobre o ambiente escolar, teremos uma infinidade de memórias, lembranças que fazem parte da nossa vida e nos moldam como pessoas.

O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, inicia o prefácio do livro Educação Soka — Por uma Revolução na Educação Embasada na Dignidade da Vida falando sobre o propósito da educação e seu objetivo. Ele comenta:


Qual é o propósito fundamental da educação? Tsunesaburo Makiguchi, pai da educação Soka — educação para a criação de valor —, afirmou que é a felicidade do aluno.1 (...) A educação é minha missão como sucessor dos ideais de Makiguchi e Toda. Além disso, acredito que a paz e a prosperidade da humanidade nos séculos vindouros só poderão ser construídas sobre a base da educação.2


Herdando o espírito do primeiro presidente da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, e do segundo presidente, Josei Toda, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, expandiu o amplo caminho da educação humanística Soka para o mundo. No Brasil, a Escola Soka foi inaugurada em São Paulo em 2001, oferecendo inicialmente apenas educação infantil. Posteriormente, abriu o ensino fundamental anos iniciais e o ensino fundamental anos finais e, dessa forma, veio se desenvolvendo como uma escola de educação continuada. Hoje, o Colégio Soka possui turmas do ensino médio e o programa International Baccalaureate (IB), qualificação educacional reconhecida internacionalmente que prepara os estudantes para o ingresso nas melhores universidades do mundo.

Com amplo desenvolvimento, no último dia 19 de janeiro, comemoraram-se os cinco anos de inauguração do edifício-sede do Colégio Soka do Brasil, localizado em São Paulo.

Para a ocasião, o presidente Ikeda enviou uma mensagem, na qual ele destaca:


Tenho absoluta convicção de que a partir desta sede da educação humanística, meus extraordinários cidadãos do mundo que amo incondicionalmente, alçarão voo rumo ao grandioso palco do Brasil e, mais além, de toda a sociedade planetária.3


Ações para o futuro

Em outro trecho da mensagem, Ikeda sensei salienta a importância dos estudantes, afirmando:


Um dos provérbios populares brasileiros de que mais gosto é “enquanto há vida, há esperança”. E com base nele, quero declarar: “Os estudantes Soka são a minha vida. Enquanto eles se desenvolverem, a esperança da humanidade será infinita”.4


Nesses cinco anos, o Colégio Soka alçou voos internacionais como os intercâmbios realizados na Universidade Soka da América, o Study Tour, que acontece desde 2015, onde os alunos viveram momentos únicos. Devido ao isolamento social, todos os intercâmbios, nos últimos anos, foram promovidos de forma virtual.

Quais são os próximos passos do Colégio Soka? Rita Kojima, diretora da instituição, compartilha: “Soka é a força para criar um grandioso valor tornando os sonhos realidade, assim direcionou nosso fundador. Portanto, nossa caminhada é longa e recheada de grandes objetivos. Buscaremos cumprir as diretrizes de ensino da Base Nacional Comum Curricular, fortalecendo também o ensino internacional em todos os segmentos da escola. Seguiremos com os intercâmbios entre os Colégios e Universidades Soka ao redor do globo e demais instituições estrangeiras, para consolidar inúmeros cidadãos globais, nossos preciosos protagonistas do amanhã. Baseados nas diretrizes contidas na mensagem do fundador, Dr. Daisaku Ikeda, em comemoração dos 20 anos do Colégio Soka, ‘Como próxima meta o 30º aniversário de fundação, em 2031, vamos, enfim, irradiar um novo brilho da educação e da criação de valor, a partir do honroso Colégio Soka, para nossa amada terra brasileira e para o mundo!’, rumo ao futuro, o Colégio Soka do Brasil continuará promovendo uma educação humanística que desperte o potencial de criação de valores de cada indivíduo, dando continuidade à construção de uma brilhante jornada de avanços. Com a consciência de que a educação é a base para o desenvolvimento da humanidade, o fundamento da paz e da felicidade, este legado Soka será transmitido para todas as gerações futuras!”.

A base da educação humanística Soka está alicerçada no ensino de respeito e dignidade da vida, assim como a missão do colégio:

Torne-se cidadão de Bom Senso, com um sólido caráter para a consolidação de uma sociedade justa e humana.

Torne-se cidadão de Esperança, despertando em si e no outro o desejo pela paz, fortalecendo laços de amizade sem fronteiras.

Torne-se cidadão de Sabedoria, para o desenvolvimento e a sustentabilidade da comunidade local e internacional.


Vitórias conquistadas pelo Colégio Soka

Na ocasião da inauguração [19 de janeiro de 2017], o Colégio Soka incluiu o ensino médio internacional, preparando-se para receber alunos de todo o Brasil com a implantação do Programa Homestay. Em 2018, foi oficializado como uma escola internacional pelo IB e também se tornou associado à Unesco.



Depoimentos

Raio de esperança
Antes de estudar no Colégio Soka, passei por uma situação traumática no meu antigo colégio, que me fez temer o contato externo, isolar-me de tudo e de todos e até duvidar de que conseguiria voltar a estudar e me relacionar com as pessoas. Ao estudar no colégio, senti-me verdadeiramente abraçada pela educação Soka, e pelos alunos e funcionários da instituição. A cada dia no Soka, tive a chance de crescer e de me fortalecer, superar meus temores, voltar a me relacionar de maneira saudável com professores e colegas.

Quanto ao que aprendi como aluna Soka, hoje não sou a mesma garota que uma vez entrou no colégio, cujos medos amea­çavam os sonhos, pois aprendi a ser eu mesma sem nenhum receio. Agora, preparo-me para estudar na Inglaterra, uma das minhas maiores metas. Quero estudar astrofísica e trabalhar na área de pesquisa científica, contribuindo para uma era de inovação e de criação baseada na ciência.


15

Larissa Ramos Rocha, 19 anos, formanda do ensino médio



Eterna gratidão
O Colégio Soka do Brasil representa minha própria vida, sempre digo que sinto uma alegria tão grande de ir ao colégio todos dias, que não considero como um trabalho ou uma obrigação, e sim um sonho conquistado com muita determinação e convicção. Lembro-me de que, quando fui cursar pedagogia, todos os dias dizia a mim mesma: “Estou estudando e me aprimorando para atuar no Colégio Soka”. Esse sempre foi meu desejo, para representar e pôr em prática os objetivos do fundador, Dr. Daisaku Ikeda. Com o lema “Ser feliz enquanto estuda”, sou feliz enquanto exerço minha missão de educadora Soka e procuro tornar os dias dos alunos felizes, divertidos, sempre despertando os valores de cada um na singularidade e acreditando em um futuro melhor.


16

Valéria Gomes Pires Januário, professora de educação infantil



18

fachada da instituição (São Paulo, 19 jan. 2017)

20

Promovendo intercâmbios culturais, 34 alunos do quinto ano do ensino fundamental anos iniciais do Colégio Soka do Brasil e Thurgood Marshall Academy Lower School (TMALS) da cidade de Nova York se reuniram virtualmente para um diálogo e intercâmbio cultural (15 abr. 2021)

No topo: alunos do Colégio Soka do Brasil em apresentação no dia da inauguração do prédio



Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Educação Soka — Por uma Revolução na Educação Embasada na Dignidade da Vida. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2017. p. 11.

2. Ibidem, p. 14.

3. Brasil Seikyo, ed. 2.356, 28 jan. 2017, p. A7.

4. Idem, ed. 2.356, 28 jan. 2017, p. A7.

20-1-2022

Encontro com o Mestre

Rumo a um ano de progresso dinâmico!

DR. DAISAKU IKEDA


Sempre que chega dezembro, há um poema do meu mestre de que me recordo com infinita gratidão:


Vencer e perder

fazem

parte da vida,

mas oro ao Buda

pela vitória final.


O presidente Josei Toda me presenteou com esse poema em dezembro de 1957.

Depois de superar vários obstáculos descomunais, ele finalmente testemunhara a conquista do seu acalentado objetivo de vida de 750 mil famílias na organização. No entanto, com a sua saúde cada vez pior, foi forçado a repousar para se recuperar; e não pôde realizar a visita a Hiroshima, tão ansiada por ele.

Eu também estava envolvido em intensos esforços para proteger a Soka Gakkai e nossos membros, sobretudo nos assuntos relacionados com o Incidente do Sindicato dos Mineradores de Carvão de Yubari e com o Incidente de Osaka. O processo para provar minha inocência no segundo caso havia se iniciado.

Exatamente como Nichiren Dai­shonin descreve em seus escritos, os três obstáculos e as quatro maldades se manifestaram de forma frenética, e a Soka Gakkai se encontrava num momento decisivo que determinaria se alcançaria ou não um progresso mais dinâmico.

Toda sensei, portanto, acatou com seriedade ainda maior as palavras de Daishonin: “O budismo se preocupa primordialmente com vitória ou derrota”.1

Mesmo doente, ele me incentivou, dizendo:


Aconteça o que acontecer, vamos recitar daimoku intrepidamen­te, com o coração de um rei leão, e continuar lutando! Não importando que problemas possam surgir em nosso caminho, triunfemos no final! Vamos fazer de cada membro da Soka Gakkai, sem exceção, um vencedor!


Estimulado por essas palavras, tomei uma profunda e poderosa decisão como seu discípulo fiel:

Assumirei a liderança e seguirei avançando ano após ano na luta pelo kosen-rufu, sempre focado no futuro, sem me deixar perturbar pelos caprichos da opinião pública. Abrirei o caminho para cada um dos nossos nobres membros, sem exceção, transformar todo veneno em remédio e triunfar no final.

Por isso, nada me deixa mais feliz que ver os membros da nossa família Soka tendo uma vida feliz e vitoriosa.

Recentemente [na edição de 18 de dezembro], o Seikyo Shimbun publicou a história de uma integrante do Grupo Muitos Tesouros, de Hokkaido, onde os presidentes Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda cresceram. Em breve, ela fará 103 anos. Na foto, aparecia sorrindo com nobreza, força e dignidade. Ela superou incalculáveis adversidades, e sua vida irradiava o brilho da convicção expressa por Daishonin: “Eu e meus discípulos, ainda que ocorram vários obstáculos, desde que não se crie a dúvida no coração, atingiremos naturalmen­te o estado de buda”.2 Com profundo respeito e admiração, minha esposa e eu aplaudimos sua orgulhosa declaração de que ela foi vitoriosa na vida.

Inspiradores exemplos de suprema vitória como esse podem ser encontrados entre nossos membros em todo o Japão e no mundo. Gostaria de oferecer o triunfo deles aos presidentes Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda como expressão de minha gratidão aos dois.


* * *


Estou plenamente ciente das dificuldades que nossos membros que vivem nas regiões mais gélidas do hemisfério norte enfrentam nos meses de neve do inverno. Oro para que todos permaneçam seguros e bem em meio às severas ondas de frio e fortes nevascas.

Oro também, em especial, pela segurança dos nossos valiosos “heróis sem coroa”, que entregam o Seikyo Shimbun nas madrugadas frias antes do amanhecer em todo o Japão, e quero expressar minha profunda gratidão a eles pelos sinceros esforços nesse ano que passou.

Quando o Cemitério Parque Memorial Toda foi inaugurado (em 1977) na Vila de Atsuta, terra natal de Toda sensei, participei lá de uma reunião com os membros de Hokkaido e discorri sobre uma passagem dos escritos de Daishonin: “Aqueles que creem no Sutra do Lótus parecem viver no inverno, mas o inverno nunca falha em se tornar primavera”.3

Firmamos juntos o juramento de continuar encarando os de­safios da vida, convictos de que o inverno sempre se torna primavera — de que, ao triunfar sobre o inverno das adversidades como praticante da Lei Mística, a primavera da imensurável esperança e alegria chegará.

A monja leiga Myoichi, para quem essa passagem foi escrita, manteve-se firmemente devotada à sua fé, apesar de enfrentar perseguições, perder o marido e ter de cuidar de seu filho doente. Ela é um modelo para todas as mulheres Soka.

Enquanto Nichiren Daishonin estava exilado na Ilha de Sado, ela enviou um serviçal para lá a fim de apoiá-lo e auxiliá-lo. Uma carta que Daishonin escreveu como forma de agradecimento por esse gesto foi incluída na nova edição da Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin, em japonês, concluída recentemente.

Nela, Daishonin compara o oferecimento de Myoichi aos efetuados por Shakyamuni em suas várias existências passadas e elogia sua admirável determinação de apoiar o devoto do Sutra do Lótus: “O seu propósito supera o dele [de Shakyamuni em suas vidas passadas], portanto, como suas recompensas futuras poderiam diferir de algum modo das obtidas por ele?”.4

Não há dúvida de que as mulheres Soka — e, de fato, todos os nossos membros —, que se empenham em sólida união para propagar a Lei Mística vasta e amplamente, desfrutarão grandiosos benefícios além de qualquer limite ou medida.


* * *


Na carta enviada para Myoichi mencionada anteriormente, que fala sobre o inverno nunca falhar em se tornar primavera, Daishonin cita uma passagem do Sutra do Lótus: “Se houver quem ouça a Lei, então, ninguém deixará de atingir o estado de buda”.5

Essas palavras expressam o desejo do Buda de libertar as pessoas do sofrimento, de ajudá-las a atingir o estado de buda, sem deixar uma única pessoa para trás.

O Budismo Nichiren é a religião do kosen-rufu, alicerçada no juramento fundamental de ultrapassar as barreiras e os obstáculos para propagar a Lei Mística — o ensinamento da iluminação universal — no mundo inteiro e conduzir todas as pessoas à felicidade. É a religião do humanismo, na qual os praticantes respeitam e valorizam mutuamente a singularidade de cada um, tratando todos com igualdade, sem discriminação e reconhecendo-os como seres supremamente nobres que possuem a natureza de buda.

Na manhã de 3 de maio de 1979, pouco antes da reunião em que renunciei oficialmente à função de terceiro presidente da Soka Gakkai, apanhei meu pincel de escrita com o coração sereno, elevando-me acima das manobras de dentro e de fora da organização, e inscrevi esta caligrafia: “A fragrância da cerejeira e da ameixeira / O perfume do pessegueiro e do damasqueiro”.

Jurei em meu coração criar no mundo inteiro jardins de flores humanas repletos de paz e harmonia, onde todos floresçam de maneira singular, do jeito deles, como “a cerejeira, a ameixeira, o pessegueiro e o damasqueiro”,6 vencendo o rigoroso inverno para anunciar uma radiante primavera, assim como Daishonin ensina.


E é uma imensa alegria ver o nosso movimento pela felicidade de todas as pessoas continuar se propagando exatamente dessa forma ao redor do globo, com cada um dos nossos membros, em sua rica diversidade, “iluminando e manifestando sua verdadeira natureza”.7


* * *


Trinta anos se passaram desde que a Soka Gakkai obteve sua independência espiritual (em 28 de novembro de 1991), libertando-se das correntes do autoritário e discriminatório clero da Nichiren Shoshu, que menosprezou a “grande sabedoria da igualdade”8 de Nichiren Daishonin.

De outubro a dezembro de 1991, viajei para cidades e regiões do Japão para oferecer incentivos e orientação aos membros. Isso se deu em paralelo a vários festivais culturais e musicais repletos de vibrantes canções da Soka Gakkai e bailados cheios de vida. Aqueles festivais transbordavam de dinâmica energia do povo, personificando os ditos de Daishonin: “Deveriam estar todos bailando. (...) Quando o bodisatva Práticas Superiores emergiu da terra, não o fez bailando?”.9

Cultura e arte são a luminosa florescência e a diversificada expressão de humanidade. O clero da Nichiren Shoshu rejeitava a arte por dogmatismo e mentalidade estreita, suprimindo essa expressão criativa inata da vida. Ao rompermos nossos laços com o clero, contudo, avançamos com renovada liberdade e vigor. Unimos pessoas do mundo todo pelo poder da arte e da cultura.

Quando visitei Hachioji recentemente (em 2 de dezembro), fui brindado com uma magnífica vista do Monte Fuji coberto de neve a distância. Pensei em nossos bravos companheiro das províncias de Shizuoka e de Yamanashi, por onde o Monte Fuji se estende. Os membros da Comunidade Especial de Fujinomiya [que moram na área próxima ao templo principal da Nichiren Shoshu, na província de Shizuoka] reuniram-se (em 28 de novembro de 2021) para celebrar o 30º aniversário do dia da nossa independência.

Aplaudi a vitória inspiradora deles, bradando-lhes em meu cora­ção: “Bravo, meus leais discípulos de Fujinomiya!”.

Recentemente, membros da Divisão dos Jovens da região de Tokaido (províncias de Kanagawa e de Shizuoka) me enviaram uma coletânea de entrevistas que fizeram com veteranos na fé, os quais tomaram parte naquele esforço há três décadas. Eles realizaram e compilaram as entrevistas movidos pelo desejo de deixar para a posteridade um registro do espírito de luta desses membros, que se levantaram para proclamar a retidão da Soka Gakkai. Senti-me profundamente reconfortado com o espírito desses jovens, sucessores do nosso movimento.


* * *


O grande compositor Ludwig van Beethoven escreveu: “A arte une o mundo”.

Este ano, sem se deixarem abater pela pandemia da Covid-19, nossas orquestras e bandas de pífanos e de tambores continuaram transmitindo ânimo às pes­soas por meio da música e de suas apresentações.

Integrantes de bandas, membros da Divisão dos Jovens e de outros grupos ao redor do mundo, juntaram-se por vídeo para cantar e tocar Ode à Alegria, da Nona Sinfonia, de Beethoven, na Reunião Nacional de Líderes da Soka Gakkai, celebrando a fundação da nossa organização no mês passado (18 de novembro de 2021). A performance deles encheu o coração de todos os que ouviram ou viram a apresentação com o revigorante espírito de progresso dinâmico.

Beethoven também compôs uma ópera intitulada Fidelio. A peça conta a história de Leonora, que assume o nome Fidelio e se veste como homem para, sorrateiramente, libertar seu marido, que havia sido preso injustamente. Diante de uma crise terrível, Leonora canta: “Venha, esperança — não deixe a última estrela dos fatigados se apagar! Ilumine meu propósito”.

A bravura das ações de Leonora leva até o vilão que buscava a morte de seu marido a exclamar: “Que inaudita coragem!”.

No fim da ópera, o marido e todos os outros presos políticos são perdoados e o coro canta: “Louvem com máxima alegria e calor a nobre mente de Leonora”.

Esse enaltecimento também cabe a todas as mulheres Soka do mundo inteiro, que abnegadamen­te estendem a mão para encorajar aqueles que estão sofrendo e se empenham para transformar o grande mal em grande bem. Seguras de que seus sucessores reconhecerão e exaltarão seus esforços, peço-lhes que prossigam avançando prazerosamente, com harmonia e ânimo.


* * *


Sem dúvida, alguns de vocês perderam familiares a quem amavam muito neste ano tumultuado.

Nichiren Daishonin, que havia enviado oferecimentos pela cerimônia em memória da falecida mãe de Shijo Kingo, escreveu: “Ela [sua mãe] se encontra agora na presença dos budas Shakyamuni e Muitos Tesouros e também das dez direções. Talvez todos estejam exclamando: ‘Então, esta é a mãe de Shijo Kingo!’, cumprimentando-a e elogiando-a com carinho e alegria”.10

Estejam certos de que membros da Soka Gakkai que se dedicaram de coração pelo kosen-rufu, assim como seus familiares e parentes, serão abraçados com carinho por Daishonin por todo o sempre, e também serão louvados e protegidos pelos budas e bodisatvas das dez direções e das três existências.

Avancemos do “Ano da Esperança e da Vitória” para o “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico” — procedendo do inverno da perseverança silenciosa e do crescimento interior para a primavera do exuberante florescimento de amizades e benefícios!

Logo as cerejeiras começarão a florir em Okinawa.

Exultantes de alegria pela luta conjunta, com os jovens bodisat­vas da terra na liderança, vamos dar novos passos avante!


Ano-Novo —

aprofundando o juramento

de mestre e discípulo.


23

Viçosas folhas de outono! O vermelho carmesim das folhas é como o brado de vitória daqueles que lutaram ao longo do ano. Ultrapassando o inverno, é como a chama da paixão que delega a missão aos brotos que nascerão na primavera. Acima, foto tirada por Ikeda sensei em novembro de 2021, Tóquio, Japão


24

Caligrafia de Ikeda sensei: “Cerejeiras e ameixeiras são perfumadas / Pessegueiros e damasqueiros têm fragrância”. Na lateral da caligrafia consta: “Entoado na manhã de 3 de maio de 1979. Com as ações internas e externas, Meu coração como brisa límpida

No topo: “A Soka Gakkai se desenvolveu porque valoriza os jovens” – assim afirma Ikeda sensei. Na foto, presidente Ikeda e sua esposa, Kaneko, no Auditório Memorial Makiguchi de Tóquio (Hachioji, Japão, out. 2007)


Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 95.

2. Ibidem, v. I, p. 296.

3. Ibidem, p. 560.

4. Nichiren Daishonin Gosho Zenshu (Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin), p. 1693.

5. Lotus Sutra and its Opening and Closing Sutras [O Sutra do Lótus e seus Sutras de Abertura e Encerramento]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, cap. 2, p. 75. Cf. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 560.

6. Cf. The Record of the Orally Transmitted Teachings [Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente]. Traduçao: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, p. 200.

7. cf. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 3.

8. Lotus Sutra and its Opening and Closing Sutras [O Sutra do Lótus e seus Sutras de Abertura e Encerramento]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, cap. 11, p. 209-210.

9. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 387.

10. Ibidem, v. I, p. 199.

Publicado no jornal Seikyo Shimbun, de 27 de dezembro de 2021.

20-1-2022

Encontro com o Mestre

“Muito obrigado” pela grande vitória do ano

DR. DAISAKU IKEDA


Do coração de gratidão, nasce a alegria.

A alegria torna-se fonte de motivação,

de vitalidade e de criatividade.

Portanto, a vitória na vida também

nasce a partir da gratidão.


Saiba que sua existência atual

se deve a favores de muitas pessoas.

Com sentimento de gratidão, agora

é a sua vez de servir aos outros.

Essa atitude reflete o “reconhecimento à gratidão”

e a “retribuição à gratidão”.

O ato de retribuir à gratidão é a demonstração

da natureza humana.


“O que importa é o coração.”

Aqui se encontra a essência da fé.

Dedicar-se de todo o coração pelo bem das pessoas.

Valorizar a sinceridade que lhe foi dedicada.

Vim pondo isso rigorosamente em prática.

Jamais me esqueço das pessoas que me ajudaram.


Agradecimentos e palavras de gratidão

fortalecem os laços de confiança e de amizade.

Quantas vezes você consegue falar “Obrigado!”,

e quantas palavras de gratidão consegue expressar?

Na verdade, não é exagero dizer que essa é a

demonstração da virtude como ser humano.


Neste ano, também, nossa família Soka

se movimentou muito,

dialogou bastante e promoveu

o avanço do kosen-rufu,

expandiu a esperança e

abriu o futuro.


Sem ser derrotados pelo intenso calor do verão

nem pelos ventos gélidos do inverno,

adornaram imponentemente o ano de vitórias completas.

Fico realmente feliz

pelas grandiosas vitórias

dos meus discípulos, dos meus companheiros.


Mesmo que ninguém saiba, e

mesmo que ninguém elogie,

os budas e as divindades celestiais

estão plenamente cientes.

A devoção nos bastidores

torna-se integralmente

sua virtude e boa sorte, e

o brilho de sua vida.

Aqui se encontra a glória da essência da vida

chamada “virtude invisível e recompensa visível”.


No topo: Vencer cada vez mais

O presidente Ikeda descreve sua profunda emoção ao observar este altivo Monte Fuji: “É o aspecto nobre que louva os esforços de todos os membros que o adornaram com a maravilhosa vitória da vida e do kosen-rufu ao longo deste ano”. Na foto, avista-se do Centro Memorial Makiguchi de Tóquio (Hachioji) o soberbo Monte Fuji, totalmente branco, bem para lá das montanhas. Foto tirada por Ikeda sensei em dezembro de 2021.

O ano 2021 reverberou a canção triunfal Soka superando todo tipo de adversidades. A grande vitória foi a cristalização da força total dos membros que fizeram arder as chamas da missão dos emergidos da terra pelo rissho ankoku (“estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra”). A passagem do ano é a oportunidade de se relacionar com amigos, parentes e familiares. Transmitindo-lhes palavras sinceras de agradecimento, vamos partir rumo ao “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”.


Publicado no Seikyo Shimbun de 26 de dezembro de 2021.

20-1-2022

Encontro com o Mestre

Envolvendo nosso planeta com ilimitados benefícios da Lei Mística

Entrego a vocês o bastão do rissho ankoku rumo ao século 22

Jovens, sejam o corredor líder da justiça


Desde o início do ano, no Japão e no mundo, com nossos jovens emergidos da terra na liderança, a família Soka iniciou o bailar de uma nova marcha grandiosa do progresso dinâmico rumo à paz e à felicidade da humanidade chamada “concretização do kosen-rufu, a propagação benevolente da grande Lei”.1

Quanta admiração e elogios são manifestados pelo Buda dos Últimos Dias da Lei, Nichiren Daishonin, no Ano-Novo do 770º (septingentésimo septuagésimo) ano do estabelecimento do seu budismo!2

Gostaria de dedicar a passagem [dos escritos de Nichiren Daishonin] que louva o jovem Nanjo Tokimitsu no Ano-Novo de 1280 a todos os preciosos companheiros:


Assim como as flores se abrem e dão frutos, como a lua nova cresce invariavelmente até se tornar cheia, como a luz de uma lamparina se intensifica quando se adiciona óleo, e como as plantas e as árvores florescem com a chuva, os seres humanos jamais deixarão de prosperar enquanto realizarem boas causas.3


Aos jovens companheiros que celebram o Dia da Maioridade no Japão [em 10 de janeiro deste ano], manifesto meus sinceros parabéns pela renovada partida!

Atualmente, tendo em vista o dia 26 de janeiro, Dia da SGI, estou preparando a 40ª Proposta de Paz, focalizando, em especial, os jovens e as mulheres, como também o futuro das nossas crianças. Conforme menciono nesse documento, de acordo com a estimativa das Nações Unidas, até o fim do século 21 haverá cerca de 10,9 bilhões de pessoas na face da Terra. 4

Os mestres e discípulos Soka vieram herdando fielmente o grande juramento seigan do Buda, elucidado por Nichiren Daishonin em Abertura dos Olhos: “Desejam assegurar a propagação do Sutra do Lótus [Nam-myoho-renge-kyo] para todos os filhos do Buda das existências futuras”.5 Os membros da Divisão dos Jovens e da Divisão dos Estudantes de hoje, a começar por aqueles que atingem agora a maioridade, são os corredores líderes da maratona de revezamento do kosen-rufu, comprometidos com a justiça e o humanismo. São pessoas que levarão avante e transferirão o bastão do rissho ankoku e da “perpetuação da Lei”6 nos séculos 21 e 22. Espero que, com altivo orgulho dessa nobre missão, percorram confiantemente com espírito invencível.

Adicionalmente, do ponto de vista do conceito budista da eternidade da vida, e como afirma a passagem “Myo significa ‘reviver’, ou seja, ‘retornar à vida’”,7 tenho a convicção de que os companheiros que faleceram até hoje na jornada do kosen-rufu, bem como as pessoas que vieram se relacionando com o budismo, surgirão todos, sem falta, em profusão, bailando como legião a construir um mundo de paz e de coexistência, repletos da majestosa energia vital dos emergidos da terra.


* * *


Recordo-me de que o eminente historiador britânico do século 20, Dr. Arnold J. Toynbee (1889–1975), com quem iniciei um diálogo há cinquenta anos [em maio de 1972], também focalizava sua atenção no século 21. E ele creditou enorme confiança em nosso movimento afirmando que o “caminho médio” praticado pela Soka Gakkai era o caminho certo a ser trilhado pela humanidade no século 21.

Há um dito dourado que tanto Makiguchi sensei como Toda sensei valorizavam muito, sublinhando a passagem em seus exemplares pessoais do Gosho de Nichiren Daishonin. É um trecho de Como Aqueles que Inicialmente Aspiram ao Caminho Podem Atingir o Estado de Buda por meio do Sutra do Lótus, enviado a uma discípula: “Quando recitamos uma vez Myoho-renge-kyo,8 com esse único som, convocamos e manifestamos a natureza de buda (...) de todos os demais seres vivos. Esse benefício é imensurável e ilimitado”.9

A Lei Mística possui o incalculável poder de convocar e manifestar o estado de buda em todos os seres vivos e em todos os fenômenos do universo pelo passado, presente e futuro.

Por ocasião daquela Campanha de Fevereiro10 de setenta anos atrás, em 1952, eu percorria [as localidades], junto com os companheiros do Distrito Kamata, para a propagação do Budismo de Nichiren Daishonin com sentimento de gratidão [a Daishonin e a Toda sensei — ambos fazem aniversário no mês de fevereiro]. Com frequência, observava as estrelas que brilhavam no gélido céu noturno. Em meio à vastidão do universo, dialogava alegremente com os companheiros de juramento do remoto passado sobre a “maior das alegrias”11 em dedicar a vida no drama da propagação da Lei Mística.

Foi também em meio a essa Campanha de Fevereiro que, feliz pelos nossos árduos esforços, Toda sensei compartilhou conosco sua extraordinária visão de “etnia global”, isto é, de toda a humanidade unida em uma família global.

Relembrando a extraordinária condição de vida do venerado mestre, no Ano-Novo de várias décadas atrás [em 1985], registrei um par de caligrafias. No dia de hoje, quero apresentá-las a todos.

Uma delas é a caligrafia Daishin, “Grandioso Coração”, com o significado de vasta e abrangente condição de vida. A outra é Ôzakura, “Grande Cerejeira”.

Neste ano [2022], junto com os preciosos amigos de todo o mundo, e com coração realmente grandioso, gostaria que nos esforçássemos ainda mais para envolver as pessoas da comunidade local e do país onde vivemos, e do nosso planeta, com o ilimitado poder benéfico da Lei Mística.

Concluo a Mensagem de Ano-Novo, decidindo mutuamente desabrochar plenamente a “grande cerejeira” da virtude e da boa sorte na vida e no kosen-rufu com a firme convicção de que “O inverno nunca falha em se tornar primavera”.12

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No nascer do sol, imagem vista da sede central no Dia de Ano-Novo. Tal como o inabalável Monte Fuji diante das tempestades, neste ano, vamos construir em nós uma condição que não se abala por nada


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Caligrafias Ôzakura (“Grande Cerejeira”), à esq., e Daishin (“Grandioso Coração”), à dir., inscritas em comemoração do Ano-Novo de 1985

No topo: “Budismo é vitória ou derrota. Transformem o veneno das dificuldades em remédio por meio da fé poderosa e corajosa e conquistem absolutamente uma vida de vitórias!” Ikeda sensei encoraja os companheiros que deram vigorosa partida rumo ao novo pico do kosen-rufu (Centro Memorial Makiguchi de Tóquio, em Hachioji, jan. 2002)

Notas:

1. Na margem direita do Gohonzon de Consagração Permanente da Soka Gakkai (Soka Gakkai Joju Gohonzon) consagrado no Auditório do Grande Juramento pelo Kosen-rufu consta a inscrição: “Grande Desejo pela Concretização do Kosen-rufu, a Propagação Benevolente da Grande Lei”.

2. Nichiren Daishonin estabeleceu seus ensinamentos no vigésimo oitavo dia do quarto mês de 1253. Conforme a contagem tradicional japonesa, neste ano (2022) inicia-se o 770º ano.

3. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 280.

4. Conforme dados populacionais do Departamento das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais. Disponível em: https://www.un.org/en/development/desa/population/publications/pdf/popfacts/PopFacts_2019-6.pdf. Acesso em: 11 jan. 2022.

5. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 300.

6. Cf. The Lotus Sutra and Its Opening and Closing Sutras [O Sutra do Lótus e seus Sutras de Abertura e Encerramento]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, p. 216.

7. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 155.

8. Em seus escritos, frequentemente, Nichiren Daishonin utiliza Myoho-renge-kyo como sinônimo de Nam-myoho-renge-kyo.

9. A passagem na íntegra diz: “Quando recitamos uma vez Myoho-renge-kyo, com esse único som, convocamos e manifestamos a natureza de buda de todos os budas, de todos os fenômenos, de todos os bodisatvas, de todos os ouvintes da voz, de todas as divindades como Brahma, Shakra e o rei Yama, as divindades do Sol e da Lua, e das miríades de estrelas; das divindades celestiais e terrenas; e assim sucessivamente até a dos seres que habitam o mundo de inferno, dos espíritos famintos, dos animais, dos asura, dos seres humanos e seres celestiais, e de todos os demais seres vivos. Esse benefício é imensurável e ilimitado” (Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 150).

10. Campanha de Fevereiro: Em fevereiro de 1952, como consultor do Distrito Kamata, em Tóquio, Ikeda sensei iniciou uma dinâmica campanha de propagação. Naquele mês, junto com os membros de Kamata, ele rompeu o recorde até então de cem novas famílias convertidas por mês, concretizando 201 novas conversões. Quando Toda sensei tornou-se segundo presidente da Soka Gakkai, em maio de 1951, a organização tinha somente cerca de 3 mil pessoas.

11. The Record of the Orally Transmitted Teachings [Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, p. 212.

12. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 560.

20-1-2022

Frase da Semana

Frase da semana

O acúmulo de incentivos leva ao renascimento de uma pessoa e ao seu despertar da fé. O relato de experiência é a energia que gera alegria. Agora é a hora de realizar uma reunião de palestra capaz de fazer surgir a primavera!

Dr. Daisaku Ikeda

Publicada no jornal Seikyo Shimbun em 17 de janeiro de 2022.

20-1-2022

Nova Revolução Humana

O momento para atuar é agora

PARTE 17

Tatsuomi Kurabayashi tinha 71 anos, e seus cinco filhos também atuavam pelo kosen-rufu. Nesse dia, com exceção do quarto filho, que havia emigrado para os Estados Unidos, todos eles, incluindo os netos, recepcionaram animadamente Shin’ichi Yamamoto e Mineko.

Kurabayashi conduziu Shin’ichi ao lugar de honra diante da alcova ornamental da sala de estar e disse-lhe:

— Por favor, sente-se aqui.

Shin’ichi se negou a sentar-se ali:

— Não, isso não é correto. Por favor, Sr. Kurabayashi, o senhor é um grande veterano da vida, esse lugar é seu.

Por um instante, Kurabayashi pareceu hesitante por trás dos seus óculos, mas diante da gentil insistência de Shin’ichi, ele se sentou no lugar de honra, de costas para a alcova.

A tela vertical da sala estava decorada com uma belíssima caligrafia. Os lustrosos pilares de madeira preta e os painéis esculpidos no vão acima da porta eram de muito bom gosto.

Quando Shin’ichi perguntou sobre a história da residência, Kurabayashi lhe contou uma lenda associada à sua família.

— Conta a lenda que, numa noite de inverno, o chefe da vila, Hikozaemon, gentilmente resgatou uma raposa que havia caído no lago gelado e estava para morrer congelada. Ele aqueceu e secou esse animal e o libertou, deixando-o retornar para as montanhas. A raposa então uivou de alegria e desapareceu. Na manhã seguinte, dois faisões foram deixados na varanda externa da casa do chefe. Vendo pegadas de raposa na neve, ele percebeu que as aves eram um presente desse animal, uma expressão de gratidão por ter sido resgatado. Significa que a raposa veio saldar as dívidas de gratidão.

— Os seres humanos também precisam aprender com este exemplo — disse Shin’ichi.

As pessoas ao seu redor menea­ram a cabeça em concordância com aspecto de seriedade. Elas estavam especialmente conscientes da importância de possuir o espírito de saldar as dívidas de gratidão, pois naquele momento um grupo de indivíduos ingratos conspirava contra a Soka Gakkai e infligia sofrimento e dor aos sinceros e dedicados membros.

Quando os negócios de Josei Toda entraram em colapso, muitas pessoas pelas quais Toda sensei havia feito muito e que se beneficiaram de seu apoio e assistência subitamente se voltaram contra ele, caluniando-o, odiando-o e abandonando-o com rancor no coração.

O grande filósofo Sócrates disse: “Ingratidão é, indiscutivelmente, a maior das injustiças”.

Citando a antiga história da velha raposa e da tartaruga branca, Nichiren Daishonin afirma: “Se mesmo criaturas inferiores têm essa consciência, os humanos deveriam ter muito mais!”.1 Como ele enfatiza, o ato de saldar as dívidas de gratidão é a base do modo de vida de um ser humano.


PARTE 18

Na residência dos Kurabayashi, os dez netos do chefe da família Tatsuomi e sua esposa, Yoshino, proporcionaram a Shin’ichi e comitiva momentos de entretenimento com apresentações de koto (espécie de harpa japonesa), gaita, pífano e canto.

Era encantador ver esses jovens tesouros do futuro, que tinham herdado a fé de seus pais e avós e estavam crescendo de maneira tão esplêndida. O movimento pelo kosen-rufu se desenvolve e se expande à medida que o budismo se espalha em nossa comunidade local e na sociedade como um todo, sendo transmitido para as gerações seguintes e para o futuro.

A chuva começou a cessar e Shin’ichi deu um passeio pelo jardim, de braços dados com Tatsu­omi Kurabayashi que, um pouco acanhado, repetia:

— Estou muito grato. Será a mais sublime recordação da minha vida.

— Sua vida é uma grande vitória. Tanto seus filhos como seus netos estão todos se desenvolvendo de maneira extraordinária. Mas não há um fim na fé nem na prática budista. Enquanto viver, por favor, continue lutando pelo bem dos seus companheiros, da sua comunidade e do kosen-rufu. O momento mais importante é de agora em diante, neste estágio conclusivo da sua vida. Peço que continue avançando com espírito elevado e grande disposição rumo ao amanhã e ao futuro.

Kurabayashi fitou o rosto de Shin’ichi e meneou várias vezes a cabeça em concordância.

Posteriormente, Shin’ichi enviou um poema para essa família imbuindo nela sua profunda gratidão.


Lembro-me com carinho

da casa em Saku,

um castelo de prata.


O dia 26 era a data das sessões de foto comemorativa no Centro de Treinamento de Nagano. Ao ouvirem que todos os que desejassem podiam participar, companheiros de toda a província de Nagano se reuniram nesse local.

A chuva do dia anterior havia cessado, e uma brisa refrescante soprava entre as árvores. Os membros começaram a chegar ao centro de treinamento desde antes do meio-dia. Fazia quase quatro meses que Shin’ichi não era mencionado no jornal Seikyo Shimbun. Todos queriam se encontrar com ele, mesmo que fosse só de relance. Também desejavam renovar sua decisão pelo kosen-rufu.

O vigor da Soka Gakkai se encontra no elo estabelecido entre Shin’ichi e cada um dos membros, e os laços de união entre os companheiros.

“A força nasce da personalidade equilibrada e da forte união” — são palavras de Ahn Changho, pai da independência do povo coreano.


PARTE 19

Três estandes de arquibancadas foram montados no Centro de Treinamento de Nagano para as sessões de fotografia.

Antes das 13 horas, Shin’ichi Yamamoto disse a Mineko:

— Vamos então. Este é o início da nova batalha!

Vestindo camisa polo ele caminhou até o pátio do centro de treinamento para cumprimentar os membros que o aguardavam.

— Estava ansioso para encontrá-los. Sejam muito bem-vindos. Vamos dar uma nova partida rumo ao século 21!

Os participantes ovacionaram. Uma senhora idosa com rugas profundas na testa disse com lágrimas nos olhos:

Sensei! Como não conseguia vê-lo nem no jornal, estava tão preocupada e triste... Durante esse tempo vim orando com todo o meu coração. Mas fiquei aliviada agora ao vê-lo bem. Estou tão feliz!

Shin’ichi dedicou-lhe palavras de incentivo como que abraçasse a senhora idosa com a sua vida:

— Muito obrigado, vovó! Como pode ver, estou muito bem. Se a senhora estiver bem, eu também estarei bem. Gravarei seu rosto em meu coração e lhe enviarei daimoku diariamente. Por isso, nós estaremos sempre juntos. Estaremos juntos também na próxima existência. Por favor, tenha uma vida muito, muito longa. Torne-se cada vez mais cheia de disposição e absolutamente feliz. Isso em si será a força do kosen-rufu. Isso se transformará na esperança dos companheiros.

Para outra senhora idosa, que dizia estar na metade dos seus 80 anos, ele a enalteceu com força:

— Por favor, viva até os 100 anos. Ou melhor, viva para ver o século 21 e o futuro do kosen-rufu. A Soka Gakkai continuará a crescer e a se desenvolver cada vez mais. Ela se expandirá amplamente no mundo. Estou iniciando agora a minha luta para que isso ocorra.

E para um sênior, ele declarou em tom resoluto:

— A verdadeira grandeza da Soka Gakkai se tornará evidente sem falta. No momento, os sacerdotes do clero ainda continuam nos atacando de modo absurdo, e críticas infundadas continuam a ser publicadas em tabloides e nas revistas. Mas se eles se permitirem ser influenciados por isso, com certeza se arrependerão. Somente a Soka Gakkai veio promovendo o kosen-rufu em exato acordo com as palavras de Daishonin. Nunca percam de vista essa incontestável verdade. Vamos lutar!


PARTE 20

Apesar de as sessões de fotos estarem sendo realizadas usando três arquibancadas, a longa fila de pessoas que se formou no Centro de Treinamento de Nagano parecia não ter fim. Os companheiros vinham de todos os cantos: Iiyama, Nagano, Ueda, Hotaka, Matsumoto, Shiojiri, Suwa, Iida e Ina.

Cada vez que terminava uma sessão de foto em grupo, Shin’ichi Yamamoto falava e incentivava os membros, apertando a mão de dezenas, centenas de pessoas.

Quando as sessões pareciam caminhar para o fim, um jovem de traços bonitos e queimado ao sol bradou com forte emoção:

Sensei! Muito obrigado! Nós, da Divisão Masculina de Jovens, lutaremos resolutamente e corresponderemos às suas expectativas com vitória!

Shin’ichi sorriu afetuosamente e respondeu imbuindo força em sua voz:

— Isso mesmo, quando o mestre não pode estar à frente de todos e se mover, é dever dos discípulos se levantar e atuar em seu lugar. Se o fato de não poderem se encontrar comigo faz com que não consigam ter energia nem manifestar coragem, então não são meus verdadeiros discípulos. Vocês devem criar uma onda de avanço do kosen-rufu sem precedentes com ousadia e ação que superem o mestre. Foi para uma época como esta que eu os orientei e os incentivei dedicando todas as minhas forças. Agora é a hora de vocês declararem com orgulho: “Por favor, deixe por nossa conta! Observe a nossa luta do discípulo!”. E em meu lugar, incentivem e alegrem o coração dos companheiros! Isso é mestre e discípulo. Cada um de vocês é Shin’ichi Yamamoto! Não me lembro de ter criado jovens fracos e desanimados que não conseguem evidenciar a verdadeira força no momento crucial. Agora é a hora de vocês assumirem a responsabilidade pela Soka Gakkai em sua respectiva localidade. Nada seria mais decepcionante do que vocês não conseguirem demonstrar sua força justo no momento mais importante por ficarem emotivos e tristes. Esses são meus sentimentos. É o grito da minha alma. Conto com vocês!

Os olhos dos jovens que estavam no local brilhavam com arden­te determinação. Alguns mordiam os lábios. Havia também os que cerravam forte o punho.

Josei Toda conclamou aos 10 mil jovens que se reuniram junto a ele em outubro de 1954:

“Espero que vocês se levantem bravamente para enfrentar os muitos desafios que temos pela frente”.

Shin’ichi sentiu exatamente o mesmo.


2



3




O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.


Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 722, 2014.

27-1-2022

Aprender com a Nova Revolução Humana

“Um único discípulo verdadeiro”

HIROMASA IKEDA

VICE-PRESIDENTE DA SGI

Os capítulos conclusivos do volume 30 da Nova Revolução Humana mostram o desenvolvimento do kosen-rufu de 1981 a 2001, um período de vinte anos no qual Shin’ichi Yamamoto se dedica a incentivar e treinar os jovens e a construir os alicerces para o kosen-rufu mundial.

O capítulo “Brado da Vitória” inicia-se com Shin’ichi enviando uma mensagem de congratulações para a Convenção da Divisão dos Jovens celebrando o 30º aniversário de fundação da Divisão Masculina de Jovens (DMJ) e da Divisão Feminina de Jovens (DFJ), logo após voltar de uma viagem de orientações de 61 dias pelo hemisfério norte. E o capítulo final, “Juramento Seigan”, termina com a cena da Reunião Nacional de Líderes comemorando o 50º aniversário dessas divisões. O fato de os dois últimos capítulos da série como um todo começarem e terminarem com um incentivo de Shin’ichi para os jovens demonstra claramente o profundo compromisso dele com a criação dos jovens durante esse período de vinte anos.

Em novembro de 1981, Shin’ichi visita a região de Shikoku, onde os membros haviam sofrido intensamente com comentários ofensivos dos reverendos da Nichiren Shoshu desde o início da primeira problemática do clero. Por solicitação da DMJ de Shikoku, ele aceita revisar e propor modificações na letra de uma canção que eles haviam composto. Finalmente, após reformulá-la cerca de vinte vezes, conclui-se a canção Kurenai no Uta [Canção do Carmesim].

Em dezembro, Shin’ichi visita a província de Oita, onde os membros também tinham suportado grandes provações diante das constantes conspirações e intrigas dos reverendos da localidade. Numa reunião de líderes da Divisão dos Jovens (DJ) de província, ele apresenta o poema Jovens, Escalem a Montanha do Kosen-rufu do Século 21!, que compusera para a ocasião. Nessa atividade, ele declara que seus esforços até 3 de maio de 2001 determinarão o resultado da segunda etapa do kosen-rufu. Com esse propósito, exorta-os a prosseguir se empenhando com seriedade na prática budista.

No decorrer de 1981, Shin’ichi lança uma série de profícuas iniciativas para acelerar o progresso do kosen-rufu mundial, não obstante e em resposta aos ataques descabidos da Nichiren Shoshu à Soka Gakkai. “Para criar o amanhecer de uma nova era, ele aguardou o momento e criou a época”,1 sempre concentrando sua atenção e energia no desenvolvimento dos jovens.

Em julho de 2021, celebramos o 70º aniversário das Divisões Masculina e Feminina de Jovens. Na mensagem enviada para os respectivos encontros comemorativos, o presidente Ikeda pede aos membros da DMJ que ampliem sua rede de pessoas que incorporam o princípio “do índigo, um azul ainda mais forte” e incentiva as integrantes da DFJ a expandir sua rede solidária assim como o sol nascente.

No capítulo “Brado da Vitória”, Shin’ichi clama aos jovens em seu coração: “Oh, jovens! Delego-lhes a Soka Gakkai. Delego-lhes o kosen-rufu. Delego-lhes o mundo. Delego-lhes o século 21!” (p. 134) Seguindo o exemplo dos jovens que estão abrindo uma nova era na história do nosso movimento, respondamos ao chamado do nosso mestre, fortalecendo a união entre as quatro divisões e nos empenhando juntos para cuidar da Divisão dos Jovens e da Divisão dos Estudantes (DE), originando uma robusta rede de jovens Soka.


Construindo alicerces sólidos como rocha

As duas décadas descritas em detalhes na segunda metade do volume 30 também são um perío­do no qual a Soka Gakkai realiza grandes avanços como movimento religioso global. Como presidente da SGI, Shin’ichi viaja ao redor do mundo, reunindo-se com os membros e estreitando laços de mestre e discípulo no budismo.

Além disso, recebe vários prêmios e condecorações, entre os quais títulos de Poeta Laureado, da World Academy of Arts and Culture (Academia Mundial de Arte e Cultura), em 1981, e da World Poetry Society Intercontinental (Sociedade Intercontinental de Poesia Mundial), em 1995; várias homenagens nacionais, bem como títulos honorários de universidades e instituições do mundo. Para Shin’ichi, tudo isso se tratava de “elevado reconhecimento do movimento pela paz, cultura e educação da SGI, como também o testemunho do louvor e da confiança à contribuição social dos membros de cada país” (p. 183).

Ao longo desses vinte anos, Shin’ichi também canaliza suas energias à realização de encontros e diálogos com líderes de diversos países. Está convicto de que tais ações não apenas ajudarão a assentar o caminho para a concretização da paz mundial e para promover a compreensão sobre a Soka Gakkai, mas também servirão para proteger os membros que vivem nesses países.

Conforme a correnteza do kosen-rufu mundial vai ganhando impulso, a Soka Gakkai se depara com a segunda problemática do clero. Mesmo no período subsequente ao primeiro incidente, Shin’ichi permanecera firme em seus esforços para promover relações harmoniosas entre a Gakkai e o clero, e dedicou-se de todas as maneiras possíveis para apoiá-los pensando no bem do kosen-rufu. No entanto, apesar desse empenho, a Nichiren Shoshu continuou personificando a passagem do Sutra do Lótus “demônios malignos se apossarão”,2 e revelando sua atitude prepotente em relação aos praticantes leigos; no fim, “afastou por si só da Soka Gakkai” (p. 259).

Os membros da Soka Gakkai, por sua vez, foram capazes de perceber, com serenidade, os estratagemas inescrupulosos do clero. Com a ardente paixão de refutar o errôneo e revelar o verdadeiro, eles se desafiaram intrepidamente na prática budista. Acredito que isso se deva, em parte, aos esforços de Shin’ichi para continuar lhes enviando incentivos. Ele estava pronto a dar a vida pelos membros.

O capítulo “Juramento Seigan” descreve como, após a primeira problemática do clero, Shin’ichi se devota a “construir, mais uma vez, uma sólida Soka Gakkai unida pelos laços de mestre e discípulos que vivem pela missão em prol do kosen-rufu” (p. 239). Ele prossegue: “Como resultado desses esforços, os jovens sucessores se desenvolveram de forma esplêndida, edificando o grande castelo Soka unidos pelos laços diamantinos e indestrutíveis de mestre e discípulo” (p. 239-240).

Essa relação de mestre e discípulo passou a ser abraçada não somente pelos membros do Japão, mas do mundo inteiro.

Este ano assinala o 30º aniversário de nossa independência espiritual do jugo da Nichiren Shoshu, quando a Soka Gakkai se livrou das correntes do autoritarismo do clero. Hoje, nossa rede Soka abarca 192 países e territórios. Diante das múltiplas crises globais, como epidemias e mudanças climáticas, chegou a hora de os membros do mundo todo “se unirem em um movimento de base para promover uma nova e grandiosa correnteza da paz” (p. 346).


Um único discípulo verdadeiro

A cena final do volume 30 retrata o momento em que Shin’ichi, durante a Reunião Nacional de Líderes de novembro de 2001, clama aos jovens em seu coração: “Vamos partir juntos! Enquanto houver vida, vamos lutar! Tocando altivamente o segundo ciclo dos ‘Sete Sinos’, vamos avançar imponentemente” (p. 349).

No mesmo capítulo, também consta o seguinte: “O grande empreendimento do kosen-rufu não pode ser concretizado em uma única geração. Ele só pode ser alcançado quando houver a contínua transmissão do mestre para os discípulos, e, então, para sucessivos discípulos das futuras gerações” (p. 347).

Como sugerem essas linhas, acredito que o presidente Ikeda conclua o romance confiando a seus jovens discípulos a missão de concretizar a concepção de kosen-rufu apresentada no segundo ciclo de “Sete Sinos”.

O primeiro ciclo indica os sete períodos consecutivos de sete anos no desenvolvimento da Soka Gakkai, a partir de sua fundação em 1930 até 1979. Nesse intervalo, Shin’ichi consegue tornar realidade os ideais dos presidentes Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda, assinalando marcos significativos no progresso da Soka Gakkai a cada sete anos.

O segundo começa em 2001. Nesse período [que vai de 2008 a 2014], o Auditório do Grande Juramento pelo Kosen-rufu é concluído (em 2013) e os discípulos do presidente Ikeda em todo o globo se unem com o espírito de construir a nova era do kosen-rufu mundial.

Durante o terceiro período de sete anos [de 2015 a 2021], a Soka Gakkai consolida sua estrutura organizacional como religião mundial e o presidente Ikeda finaliza a redação da Nova Revolução Humana (2018).

O próximo ano, 2022, marcará o início do quarto período de sete anos, e 2050 — quando a Soka Gakkai celebrará seu 120º aniversário — assinalará a conclusão de todo o segundo ciclo de “Sete Sinos”. A meu ver, o segundo ciclo proporciona um ideal comum e um direcionamento em torno dos quais os discípulos do presidente Ikeda podem se unir e avançar.

No capítulo final do volume 30, Shin’ichi cita as seguintes palavras do seu mestre, presidente Josei Toda: “Se houver um núcleo de jovens, ou melhor, se houver um único discípulo verdadeiro, o kosen-rufu pode ser realizado infalivelmente” (p. 347). Todo empreen­dimento começa com uma única pessoa séria e dedicada. Rumo ao centenário da Soka Gakkai em 2030, vamos ampliar o nosso potencial como “um único discípulo verdadeiro” e registrar uma esplêndida história pes­soal de revolução humana.

Principais trechos

Pessoas que se tornam meras espectadoras ou críticas da organização, em vez de viverem como protagonistas que assumem sua responsabilidade são covardes. E quem logo critica a Soka Gakkai seguindo sem reflexão o que a sociedade diz é escravo das críticas e opiniões públicas. (Brado da Vitória)

As portas da nova era são abertas pelos jovens. Quando jovens talentos se desenvolvem em sucessão e exercem sua capacidade, há o eterno progresso da organização, da sociedade e do país. (Juramento Seigan)

As pessoas só conseguem sentir e tomar profunda consciência da natureza aterrorizante das armas nucleares ao ouvirem diretamente a voz dos sobreviventes da bomba atômica que vivenciaram os dolorosos e terríveis efeitos colaterais e verem com seus próprios olhos as consequências das explosões em imagens de vídeo e de artefatos reais da destruição. (Juramento Seigan)

A divisão estimula divisões. Por isso, é importante estabelecer uma filosofia unificadora que visa retornar ao denominador comum universal do ser humano. (Juramento Seigan)

É natural que ocorram vários tipos de adversidades ao longo da caminhada do kosen-rufu. Entretanto, a verdadeira fé nos capacita a vencer quaisquer obstáculos, sem medo ou dúvida, e perceber profundamente a verdadeira natureza de cada evento doloroso com os olhos da fé. (Juramento Seigan)


Resumo do conteúdo

Sino do Alvorecer — Parte 2

Shin’ichi visita os Estados Unidos e o Canadá.

Brado da Vitória

Shin’ichi compõe a canção Kurenai no Uta [Canção do Carmesim]. Também compõe o poema Jovens, Escalem a Montanha do Kosen-rufu do Século 21!, em Oita, Kyushu. Membros de Kumamoto, Akita e de todo o Japão exultam de alegria.

Juramento Seigan

Shin’ichi mantém uma série de diálogos com líderes mundiais e intelectuais. A Soka Gakkai se prepara para o século 21, com a perspectiva de se desenvolver de fato como um movimento religioso de âmbito global.


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Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 30-I, p. 415, 2020.

2. The Lotus Sutra and Its Opening and Closing Sutras [O Sutra do Lótus e seus Sutras de Abertura e Encerramento]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, cap. 13, p. 233.


Traduzido do Seikyo Shimbun, jornal diário da Soka Gakkai, edição de 28 de julho de 2021.

27-1-2022

Matéria da Divisão Feminina

Alegria e esperança caminham lado a lado para a conquista da vitória absoluta

Queridas amigas de todos os recantos do Brasil, feliz ano todo! Esperamos que estejam desfrutando muita saúde e disposição, assim como seus familiares, neste significativo “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”!

Em tempos difíceis, o caminho Soka consiste em manifestar o “coração de um rei leão” e desafiar nossas circunstâncias com base na “estratégia do Sutra do Lótus” — ou seja, a fé na Lei Mística. Ao transformar nosso carma em missão e vencer todos os obstáculos, demonstramos o grande poder benéfico da Lei Mística. Convertemos o lugar onde nos encontramos neste exato momento no palco para o drama da alegria e do progresso dinâmico que se desenrola continuamente.1


Recebemos 2022 com a inspiradora Mensagem de Ano-Novo de Ikeda sensei, na qual ele nos direciona a avançar com o coração sempre jovem e repleto de ilimitada esperança, exatamente no local em que nos encontramos agora.

Aproveitamos a oportunidade para compartilhar uma maravilhosa consideração que recebemos do Mestre no dia 5 de janeiro, em resposta a todos os esforços, traduzidos em avanço, dedicação e superação em 2021 de cada integrante do Zenshin do Brasil; e junto com as queridas líderes da Divisão Feminina (DF). Na resposta, sensei diz: “Muito obrigado. Transmita minhas melhores recomendações”. Quanta emoção e alegria, não é mesmo? Gratidão eterna ao Mestre e à Sra. Kaneko Ikeda.

Como componentes do Zenshin, a força jovem da Divisão Feminina, vamos aproveitar as oportunidades deste importante ano para recitar muito mais daimoku e cultivar esse coração jovial e esperançoso, de mãos dadas com os jovens. Além de provocarmos o progresso dinâmico em nossa vida, na família e na localidade, pondo em prática o tema da DF da BSGI, Sou rainha que ora e transforma com muito mais daimoku”.

E por falar em oportunidades, nossos encontros de 2022 estarão repletos de novidades, a começar pelo nosso estudo que será inovador, tendo como base o livro Nova Revolução Humana, volumes 30-I e 30-II, e também um momento especial na programação com o tema “Desenvolvendo Sucessores rumo a 2030”, com o objetivo de apoiar e incentivar todas as companheiras do Zenshin, no desenvolvimento dos valorosos jovens e estudantes tanto da família como da organização, conforme o desejo do Mestre, citado na Mensagem de Ano-Novo:


Continuemos incentivando e promovendo calorosamente o desenvolvimento dos membros da Divisão dos Jovens e da Divisão dos Estudantes — tesouros da Soka Gakkai e de toda a humanidade — e prossigamos avançando ao lado deles com o coração sempre jovem e repleto de ilimitada esperança.2


Dica de amiga: Que tal você iniciar a leitura da Nova Revolução Humana (NRH), volume 30-I, e não deixar para abril, quando teremos nosso encontro na base? Se desejar, você pode fazer uma pesquisa no BS+ e encontrar a publicação dos trechos da NRH volume 30. Para iniciar nosso estudo, compartilhamos alguns trechos do romance, em que nosso mestre nos incentiva:


Quando se avança em direção a uma meta, certamente surgirão obstáculos no caminho. Esse é o momento da verdade, em que se inicia uma luta consigo mesmo. Ao derrotar a própria fraqueza interior, como a tendência a desistir ou a ser complacente, e continuar a avançar, a situação sem falta mudará para melhor. Ven­cedor é outro nome para alguém que tem controle sobre si próprio.3
Pessoas firmemente decididas são fortes. Determinadas a avançar, mesmo com todos os tipos de dificuldades e de desafios, são capazes de realizar o que se propõem a fazer e de vencer na vida. Esse também é o modo de viver de um praticante budista. Por isso, Daishonin afirma: “Não esperem bons tempos, mas tenha os maus como certos”.4


Queridas amigas, com base no nosso lema eterno, “Shitei-funi é a minha vida e avançar é a nossa missão!”, vamos juntas com o Mestre e companheiras vencer no “Desafio dos cem dias daimoku” e chegar até o dia 27 de fevereiro (29 anos do Dia da Divisão Feminina da BSGI) e o aniversário de 90 anos da Sra. Kaneko Ikeda, com grandiosas vitórias e renovada decisão de que 2022 será o melhor ano de nossa vida.


Um forte e carinhoso abraço!

Zenshin da BSGI


Observação para conhecimento:

O desafio dos cem dias de daimoku iniciou em 19 de novembro de 2021 e finaliza dia 27 de fevereiro de 2022 (nesse período de cem dias, as integrantes do Zenshin e da Divisão Feminina da localidade se desafiam na recitação individual de muito mais daimoku a fim de se fortalecer na prática da fé e concretizar os objetivos lançados).

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Encontro do Grupo Zenshin da RM Região dos Lagos, CGERJ

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Atividade do Zenshin da RM Continente


Notas:

1. Mensagem de Ano-Novo do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda. In: Brasil Seikyo, eds. 2.592 e 2.593, 31 dez. 2021.

2. Ibidem.

3. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 30-I, p. 226, 2020.

4. Ibidem, p. 215.

27-1-2022

Colunista

E sua imunidade, como está?

Além da vacina, uma boa alimentação e cuidados são fundamentais para manter o equilíbrio do nosso corpo. Desde o surgimento da Covid- 19, vários estudos foram realizados para compreendermos pontos em nossa saúde. Apresentamos alguns itens que ajudam a manter a imunidade forte. Reforçamos que, a qualquer sintoma, o conselho é sempre procurar orientação médica e não se medicar sozinho.


1. A mudança brusca de temperatura impactaa imunidade?

Devido a mecanismos de circulação em vasos periféricos e centrais, a pressão sanguínea tende a cair quando a pessoa sai de um ambiente frio para o quente. Nesse caso, pessoas que já têm hipotensão podem ter a condição acentua­da e apresentar sintomas como mal-estar e vertigem. Quando o choque é do quente para o frio, a pressão aumenta, o que eleva os riscos de acidentes vasculares cerebrais e de outros problemas relacionados a picos hipertensivos.

O choque é interpretado pelo corpo como um estresse sofrido pelo organismo. Esse estresse leva a uma série de alterações na cadeia metabólica, por exemplo, a liberação de citocinas, causando febre ou até gerando baixa imunidade.


Dicas para impedir o choque térmico

Algumas ações simples podem impedir que o corpo sinta as mudanças bruscas de temperatura. Leve uma garrafinha de água e sempre se hidrate, não use roupas pesadas, prefira as mais claras e leves. Os olhos e o nariz são muito importantes, portanto, hidrate-os com soro fisiológico. Na saída de um local quente para um lugar frio, faça uma transição gradual entre esses ambientes. Também é fundamental não ingerir alimentos muito gordurosos e procurar consumir mais verduras e frutas, que melhoram a homeostase (o equilíbrio das funções internas).


2. Como a alimentação pode ser uma aliada para que o organismo fique mais forte? Como deve ser a alimentação no verão e em tempos de Covid?

As frutas possuem compostos bioativos que melhoram a saúde metabólica por meio de mecanismos diversos, como efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes. Certas frutas, como o morango e o mirtilo (blueberry), podem promover benefícios cardiometabólicos devido ao seu conteúdo de flavonoides, como antocianinas e ácidos fenólicos. Esses compostos bioativos têm sido associados a efeitos protetores contra diversas doenças crônicas, como as cardiovasculares (DCV). Em uma revisão publicada em 2019, foram reunidos dezesseis estudos de intervenção em humanos para investigar os efeitos benéficos à saúde do consumo dietético de morango ou mirtilo na inflamação, doença cardiovascular, função cognitiva e saúde mental.

Os resultados revelam que o consumo diário de morango e de mirtilo contribuem para melhora da saúde metabólica. Nos principais benefícios associados ao consumo de morango estão os efeitos favoráveis sobre a inflamação, sensibilidade à insulina, capacidade antioxidante, resposta à insulina e características das lipoproteínas séricas.

Já o consumo de mirtilo mostrou efeitos positivos em alguns testes cognitivos e, em alguns casos, efeitos positivos na pressão arterial, função endotelial, sensibilidade à insulina e estresse oxidativo. Além disso, cabe ressaltar que outras frutas, como o açaí, são fontes de antocianinas e outros polifenois com efeitos semelhantes.


3. Não há fórmulas mágicas para aumentar a imunidade. O que realmente pode ser feito?

Um aporte adequado de vitaminas e minerais pode melhorar a resposta imunológica nas fases da infecção. Dentre os nutrientes importantes, podemos destacar:

Vitamina D: Pode interagir com receptores ECA2, os mesmos que o Sars-Cov-2 utiliza para infectar o organismo. A suplementação de 2.000 UI/dia demonstrou redução do risco de infecções do trato respiratório. Um estudo retrospectivo associou o baixo nível sérico de vitamina D a maior mortalidade por Covid-19.

Vitamina C: Estimula migração de neutrófilos, auxilia remoção de macrófagos e na diferenciação e maturação das células T. O aumento da ingestão está relacionado a menores concentrações de PCR (um marcador inflamatório). Em um estudo clínico, a ingestão de 200 mg/dia de vitamina C por quatro semanas em idosos melhorou sua condição respiratória. Em uma metanálise, a suplementação de 700-800 mg/dia reduziu a duração, o tempo de recuperação e aliviou sintomas do resfriado. Em crianças, a dose de 500 mg a 2 g/dia reduziu a duração da infecção do trato respiratório superior.

Zinco: A deficiência pode levar a aumento da morbidade respiratória. Doses de 13,3 mg de gluconato de zinco levaram a rápida redução de sintomas de resfriado, diminuição de dias com tosse, rouquidão, dor de cabeça, congestão nasal e dor de garganta.

Complexo B: Aumento de niacina, piridoxina e cobalamina foi inversamente associado aos níveis de PCR.

Fibras: A fermentação pela microbiota produz ácidos graxos de cadeia curta com efeitos anti-inflamatórios.

Fitoquímicos: Interagem com fatores de transcrição como NF-KB e Nrf-2, caracterizando atividade anti-inflamatória e antioxidante.


IMPORTANTE
: Nenhum dos nutrientes mencionados foi estabelecido como protocolo de tratamento para Covid-19. No entanto, baseado em mecanismos bioquímicos plausíveis e estudos clínicos anteriores, é possível considerar a ingestão/suplementação desses nutrientes como parte de um contexto alimentar saudável, a fim de manter adequados os mecanismos anti-inflamatórios e imunológicos. Daí a importância de procurar seu médico e fazer uma avaliação.

Mito ou verdade


Própolis é ótima para melhorar a imunidade.

Verdade

Recente revisão da literatura realizada por pesquisadores brasileiros mostrou que a própolis pode auxiliar no sistema de defesa contra a Covid. Ela não substitui o tratamento médico, mas, segundo os autores: “Considerando o grande número de mortes e outros tipos de danos que a pandemia da Covid-19 está causando, há uma necessidade urgente de encontrar terapias que possam ajudar a evitar ou reduzir a infecção por Sars-Cov-2 e suas consequências. A própolis tem efeitos anti-inflamatórios e imunorreguladores comprovados.


Chá de gengibre ajuda a combater o coronavírus.

Mito

O chá de gengibre ajuda a acelerar o metabolismo; aumenta a temperatura corporal e, quando aliado a uma dieta saudável e prática de exercícios físicos, contribui para a perda de peso.


Comer alho evita o contágio pela doença.

Mito

Embora o alho possua componentes que auxiliam nos processos de defesa do organismo, não há evidência científica que comprove qualquer eficácia no combate à Covid-19.


Uso de vitamina C e fatias de limão em um copo de água ajuda a prevenir ou combater o novo coronavírus.

Mito

De acordo com o Ministério da Saúde, não há nenhum medicamento ou alimento específico que possa prevenir a infecção pelo coronavírus (Covid-19).


Água com limão em jejum fortalece a imunidade.

Mito

Se a alimentação não for boa, nada vai lhe ajudar, muito menos água com limão.


O sono faz toda a diferença para saúde.

Verdade

Avalie se você está dormindo tempo suficiente e com qualidade, pois isso, garanto, é fundamental.


Shot
de imunidade como cúrcuma, gengibre, própolis e limão com bicarbonato ou outros tipos de misturas combatem o coronavírus.

Mito

A imunidade é formada por um conjunto de fatores que atuam na defesa do organismo contra várias doenças. Assim, não existe mistura milagrosa que possa melhorar a imunidade repentinamente.


Não existem evidências sobre o uso de vitamina D e seu possível papel na redução do risco de contrair o novo coronavírus. Segundo o Ministério da Saúde, até o momento não é reconhecida nenhuma relação entre a vitamina D e a infecção pelo novo coronavírus.

Verdade


Os exercícios físicos têm papel importante na função do sistema imunológico.

Verdade

Estudos mostram que exercícios de intensidade moderada podem estimular a eficiência do nosso sistema imunológico. Entre os diversos efeitos positivos da prática de atividades físicas, podemos citar: maior resistência a infecções, diminuição de estresse, melhora do sistema cardiorrespiratório e do humor.


A alimentação saudável pode melhorar a sua imunidade.

Verdade

A relação entre a alimentação e o sistema imunológico é extremamente complexa e recebe o nome de imunometabolismo. Para isso, é essencial ter uma dieta equilibrada que forneça quantidades adequadas de carboidratos, proteína, gordura e micronutrientes. Além disso, é importante ter em mente que ambos os extremos de dieta — desnutrição ou obesidade — estão diretamente relacionados com alterações da imunidade.

É importante tomar vitamina C quando você estiver com um quadro infeccioso/gripal.

Mito

Não há evidências de que a suplementação de vitamina C reduza o número de episódios de infecção, embora alguns estudos mostrem que é possível alterar a duração ou a gravidade do quadro.

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27-1-2022

Cidadania Global

Psicóloga global

REDAÇÃO

A cidade de Lausanne está localizada a 62 km de Genebra, capital da Suíça. Por ser a sede do Comitê Olímpico Internacional (COI), é considerada também “a capital olímpica do mundo”. Quem mora lá há quase oito anos é Mariel Alves Cabral de Miranda, natural de São Paulo, capital, que atuou com os demais companheiros da Comunidade Vila Rosa (RM Jaçanã, CNSP). Ela era vice-responsável pela Divisão Feminina de Jovens (DFJ) de comunidade, uma pessoa considerada bastante determinada na organização. Hoje, ela desenvolve suas atividades na SGI-Suíça como líder da DFJ do Distrito Indigo.

Mariel iniciou a prática budista ainda muito jovem, aos 5 anos, junto com a mãe, Mariazette. Porém, foi a avó materna Nivalda quem introduziu o Gohonzon na família. “Na adolescência eu me dividia entre acompanhar minha mãe nas atividades da BSGI e a família do meu pai em outra religião. E, aos 16 anos, quando vim à Suíça, pela primeira vez, eu me permiti não praticar nenhuma das duas”, revela Mariel.

No entanto, algo mudou, aos 19 anos, na volta para o Brasil, pois, devido a grandes dificuldades, ela precisou adotar outra postura. “Busquei respostas em diversas religiões e só as encontrei no budismo. Foi nesse ensinamento que me reconectei e centrei minha vida. Tomei minha vida nas mãos e assumi a responsabilidade pelo meu futuro”. Foi a partir dessa época que Mariel assumiu diferentes funções de liderança em sua localidade e se desenvolveu como pessoa de grande valor na organização e fora dela.

Do período em que se dedicou como vice-líder de comunidade, a jovem relembra: “Foi uma atuação muito, muito intensa. Estava sempre junto com os líderes das demais divisões fazendo visitas e envolvida nas atividades. Recitava em média dez horas de daimoku por dia, pois estava decidida a vencer aquelas aflições”. Como sempre ouvia que as bases para 2030 estavam sendo construídas, decidiu tornar sólida a base para o seu futuro e o da organização.

O início de 2009 foi um momento importante para Mariel e para os membros de toda a comunidade. Decididos a vencer, estudaram a importância de sonhos e planos e de tornar possível aquilo considerado impossível. A cada visita, ela percebia o desenvolvimento dos membros da sua localidade e também o seu próprio. “Visitamos uma senhora que vivia numa casa muito pequena, de apenas um cômodo. Perguntamos a ela qual era o sonho dela; respondeu que queria uma casa. Eu também tinha um sonho: estudar na Suíça. Após uma situação inesperada, essa senhora ganhou um terreno onde construiu sua casa de dois andares. Inspirada nessa vitória, fui atrás do meu sonho”, compartilha.


Harmonia familiar

Antes de se mudar para a Suíça, Mariel conseguiu vencer o que considerava seu maior carma: a desarmonia familiar. “Minha família era muito desestruturada, e foi por meio do daimoku que conquistei sabedoria e compreensão daquela situação e dos processos internos que eu vivia. Aos poucos, consegui transformar positivamente a relação com as pessoas e a desarmonia como um todo.”

Devido aos desafios enfrentados desde a infância, Mariel revela que, com a oportunidade de estudar no exterior, conquistou o benefício de viver plenamente. Uma vez que havia vencido a desarmonia familiar, era hora de se dar uma nova chance e avançar ainda mais. Ela concluiu mestrado em psicologia na Universidade de Lausanne, e a escolha pelo país não foi aleatória. “Meu maior desejo é me tornar psicóloga global, formar-me psicóloga para o mundo. Vou conquistar a condição de atender e acolher todo tipo de pessoa, independentemente de sua origem geográfica, cultural ou étnica. Escolhi a Suíça por ser um país multicultural”, ressalta.

No âmbito organizacional, ela nos conta que, de maneira geral, a organização europeia possui um perfil bem diferente do que estava acostumada, mas reconheceu ali a possibilidade de empreender ainda mais esforços pelo kosen-rufu e cumprir sua missão como discípula do presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda. “Notei que eles não realizavam atividades com foco no shakubuku. Mesmo eu ainda sendo membro da organização, percebi que podia contribuir de alguma forma. Sugeri uma reunião focada nos convidados e eles ficaram um pouco assustados. Recitei bastante daimoku para tocar o coração daquelas pessoas e fazer com que elas compreendessem o sentimento e a importância da atividade. Eles aceitaram a ideia e fizemos uma incrível reunião de distrito da qual participaram onze convidados.” Todos ficaram encantados com o resultado e com a ousadia da jovem brasileira, porém pouco depois Mariel precisou mudar de cidade.

Ao chegar a Lausanne, cidade na qual vive hoje em dia, ela conheceu duas outras jovens que compunham a DFJ do distrito. Decidida a mudar aquela realidade, pôs, mais uma vez, em prática tudo o que aprendeu na Comunidade Vila Rosa. “Atualmente, somos 26 integrantes da Divisão dos Jovens (DJ), dedicando-nos ao kosen-rufu no nosso distrito. Promovemos uma atuação que considero muito bonita cujo resultado são mais e mais convidados. O foco agora é concretizar esses shakubuku que estão surgindo e que cuidamos com tanto zelo.” Ela nos conta que todo esse avanço é possível mesmo com as poucas atividades promovidas na localidade. “Aqui, na Suíça, na organização de base, promovemos no máximo duas atividades por mês, ambas reuniões de palestra. Fora isso, esporadicamente, são realizadas atividades nos níveis acima, mas são poucas. Assim, temos, no máximo, três ou quatro reuniões por mês.”

Apesar de estranhar as mudanças estruturais da organização, segundo Mariel, há um aspecto inalterável: “A relação com o Mestre não muda. Se tem algo que eu acho muito bonito é que, independentemente do país onde você esteja, mesmo com as diferenças culturais, a relação de mestre e discípulo não se altera. Nesse ponto também, podemos ver a grandiosidade de Ikeda sensei e seu sentimento de promover o kosen-rufu”.

“O desafio nunca acaba”, afirma Mariel. A cada experiência que vive, mesmo em situações completamente diferentes, ela aprende alguma coisa nova em relação à fé e à prática. “Enfrento tudo isso com a bagagem adquirida em minha luta na BSGI, com tudo o que aprendi. Estar aqui agora é resultado da minha revolução humana, por meio da qual desenvolvi bastante confiança — na relação de mestre e discípulo e na Lei Mística. Sei que essa transformação é infinita, ilimitada.”

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Mariel (terceira pessoa, da dir. para a esq.) posa ao lado dos membros da SGI-Suíça

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Mariel (terceira pessoa, da dir. para a esq.) com os membros brasileiros que tanto a apoiaram

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No palco, junto com os jovens da SGI-Suíça

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Entre as oportunidades de viagens pelo mundo, Mariel conheceu membros da SGI de diversos países como Itália (foto em destaque)

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Entre as oportunidades de viagens pelo mundo, Mariel conheceu membros da SGI de diversos países como Inglaterra

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Entre as oportunidades de viagens pelo mundo, Mariel conheceu membros da SGI de diversos países como República dos Camarões (acima)

27-1-2022

Notícias

União, criatividade e tecnologia

REDAÇÃO

A RM Jaraguá (Sub. Noroeste, CNSP) deu o pontapé inicial em suas atividades para o “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”. Foi realizada no dia 15 de janeiro a reunião de partida com participação de aproximadamente 108 líderes de bloco e acima da organização local. A emoção se deu logo na abertura com uma retrospectiva de 2021 e com a mensagem de esperança cantada por Lorrana Siqueira, responsável pela Divisão dos Estudantes (DE) da RM. O destaque da atividade, além da alegria e disposição dos presentes, foi o estudo da matéria, que trouxe aspectos como harmonia familiar, “onda jovem”, “expansão da sala de orquídeas” e aprimoramento de líderes. Para tratar desses pontos foram utilizados vídeos e dinâmicas com base nas histórias de vida dos membros da localidade.

Sobre a importância desta atividade para o futuro da organização, Jady Trindade, vice-responsável pela Divisão Feminina de Jovens (DFJ) da RM, revela: “O objetivo da atividade foi inspirar nossos líderes e renovar o ânimo para que a atuação deste ano seja jovem e dinâmica, assim como sugere o tema de 2022. Desejamos que todos continuem a cuidar da saúde, sem perder o ritmo de vitórias e de avanço, e tornando a tecnologia e a criatividade nossas aliadas para isso. Esperança, companheirismo, jovialidade, criatividade, tecnologia e união são palavras que marcarão o ano de dinâmico avanço em todos os aspectos para nós da RM Jaraguá”.

27-1-2022

Notícias

Bons amigos, bons veteranos

REDAÇÃO / COLABORAÇÃO LOCAL

No dia 23 de janeiro, a Coorde­nadoria da Grande São Paulo (CGSP) promoveu um encontro bastante especial, chamado Bons Amigos, Bons Veteranos. Com cerca de 160 conexões, reuniu virtualmente líderes de RM e acima da coor­denadoria visando estreitar ainda mais os laços de amizade entre os componentes da Divisão Sênior (DS) e da Divisão Masculina de Jovens (DMJ). Além disso, outro grande motivo era dar renovada partida para as atividades de 2022, “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”. Os líderes da localidade foram movidos pelo sentimento de criar uma união ainda mais forte entre os membros da DS e da DMJ, o que faz toda a diferença tanto na promoção das atividades organizacionais como fora também. Para isso, o conteúdo da atividade foi pensado cuidadosamente e, segundo os líderes locais, a repercussão nesse aspecto foi bastante positiva.

Os diversos relatos emocionaram e geraram reflexão, assim como os incentivos dos líderes. Luciano Gonçalves, coordenador da CGSP, destacou a importância de dar continuidade ao movimento de propagação do budismo ao levar esperança para as pessoas, ensinando daimoku e tendo as reuniões de palestra como grande palco. Além do mais, citou pontos essenciais para a expansão do kosen-rufu extraídos da obra Nova Revolução Humana, de autoria do Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), como renovar sempre a decisão de concretizar o kosen-rufu da localidade, conquistar a confiança das pessoas e comprovar na vida os resultados da prática da fé.

Já Edvaldo Kakegawa, coordenador do Grupo Alvorada da BSGI, destacou incentivos extraídos dos discursos do presidente Ikeda e do Gosho. Entre eles, um trecho da mensagem enviada para a 6a Reunião Nacional de Líderes da Soka Gakkai, na qual consta:

Os mestres e discípulos Soka vieram herdando fielmente o grande juramento seigan do Buda. (...) Os membros da Divisão dos Jovens e da Divisão dos Estudantes de hoje, são os corredores líderes da maratona de revezamento do kosen-rufu comprometidos com a justiça e o humanismo. São pessoas que levarão avante e transferirão o bastão do rissho ankoku e da “perpetuação da Lei” nos séculos 21 e 22.1


Kakegawa convocou todos ainda a se esforçar cada vez mais para envolver as pessoas da comunidade local com o ilimitado poder benéfico da Lei Mística.


Nota:

1. Brasil Seikyo, ed. 2.595, 22 jan. 2022.

27-1-2022

Notícias

Avançar com o estudo do budismo

REDAÇÃO / COLABORAÇÃO LOCAL

Nada melhor que iniciar 2022, “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”, estudando a filosofia budista. Com essa disposição, diversas organizações da BSGI têm promovido atividades com essa finalidade. Dois exemplos são a Coordenadoria da Grande São Paulo (CGSP) e a Coor­denadoria Norte-Oeste Paulista (CNOP), que realizaram cursos no último fim de semana.


Espírito de
shakubuku

No dia 22 de janeiro, às 15 horas, foi promovido o Curso Avançado de Budismo da CGSP, na forma de transmissão pela internet e com a participação de integrantes dos Graus Professor e Professor Adjunto, além de líderes da Divisão dos Jovens (DJ) de distrito e acima.

Dando início, o coordenador do Departamento de Estudo do Budismo (DEB) da CGSP, Alexandre Kogake, apresentou as boas-vindas, incentivando os participantes a se empenhar para pôr em prática na própria vida o que aprenderem e os convidou a se juntar ao grande objetivo da concretização de um shakubuku individual por ano até 2030, centenário de fundação da Soka Gakkai.

A obra de Nichiren Daishonin escolhida para a atividade foi Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra, cuja explanação feita pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, foi apresentada por Ricardo Miyamoto, coorde­nador do DEB da Coordenadoria-Geral do Estado de São Paulo (CGESP). Como um dos principais escritos do Buda, esse tratado direciona os praticantes budistas a viver com base nos princípios de dignidade da vida e de respeito máximo a todas as pessoas, objetivando edificar uma vida feliz, pacífica e segura para a humanidade. Para tanto, ressalta que os esforços nesse sentido se iniciam com o próprio autoaprimoramento e com ações sinceras pela felicidade daqueles mais próximos, como familiares, amigos e companheiros da organização de base. Entre essas ações, destacam-se a realização do shakubuku, ou seja, ensinar o budismo aos outros, e o incentivo de vida a vida, por meio das visitas familiares, por exemplo. Miyamoto intercalou a explanação com a apresentação de incentivos de Ikeda sensei, inclusive na forma de vídeos. Em um deles, o Mestre salienta:


Nossos diálogos são uma luta para reavivar o poder dos seres humanos. Nossos diálogos transformam a sociedade, unem o mundo e criam o futuro. Nossos diálogos são fonte de esperança.1


Líderes veteranos travaram um diálogo, em seguida, contando momentos pessoais relacionados ao estudo e aos exames de budismo, ressaltando que recitar daimoku é fundamental para compreendermos o que estudamos, assim como empreender ações concretas com base no aprendizado adquirido, como a realização de shakubuku.

Finalizando, Luciano Gonçalves, coordenador da CGSP, agradeceu aos participantes e àqueles que se dedicaram à preparação da atividade. Também enfocou a importância das reuniões de palestra e enfatizou pontos essenciais para a sua realização de forma vibrante, repleta de incentivos e de vitórias.


30

líderes veteranos da CGSP dialogam sobre a importância do estudo do budismo

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Ricardo Miyamoto, coordenador do DEB da CGESP, transmite a explanação do escrito Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra


Objetivos claros

A CNOP realizou seu Curso Avançado de Budismo no domingo, dia 23, também com transmissão pela internet e enfocando o escrito Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra. Participaram líderes de distrito e acima, bem como integrantes do DEB com, no mínimo, Grau Médio, totalizando mais de quinhentas pessoas assistindo. Foi intensa a participação de jovens tanto nos bastidores como na audiência.

O objetivo da atividade foi estimular a ideia de que estudar o budismo em meio às adversidades do dia a dia é necessário e reconfortante, traz esperança e convicção.

Abrindo a reunião, líderes da Divisão dos Jovens de subcoordenadoria fizeram a leitura da Mensagem de Ano-Novo do presidente Ikeda.

A condução da explanação também ficou sob a responsabilidade dos líderes da DJ, que comentaram trechos da mensagem e dialogaram com o coordenador-geral do DEB da BSGI, Paulo Endo, o qual, citando incentivos recentes do presidente Ikeda, frisou o significado da época atual rumo ao centenário da Soka Gakkai em 2030 e de estabelecer e buscar objetivos concretos na vida com base na prática e no estudo.

Os agradecimentos e incentivos finais ficaram por conta de Ricardo Suzuki, coordenador da CNOP.

Após o curso, Marta Menegheti, vice-responsável pela Divisão Feminina (DF) da Região Metropolitana (RM), manifestou: “Cada vez que estudamos este Gosho, aprendemos um pouco mais, a mente se abre e o coração se enche de esperança”. Já Liria Yoneshima, vice-responsável pela DF de distrito, declarou: “Que maravilhoso estudo! Digno de assistir várias vezes com pausa para refletir e, assim, assimilar cada trecho para nosso avanço e revolução humana”.


No topo: no print, participantes do Curso Avançado de Budismo da CNOP

Nota:

1. Terceira Civilização, ed. 593, jan. 2018, p. 65.

27-1-2022

Especial

Hora de revolucionar

REDAÇÃO

O estudo é considerado um dos aspectos que compõem o tripé “fé, prática e estudo” do budismo da Soka Gakkai Internacional (SGI). Além da “fé” e da “prática”, aprende-se na organização a importância de se dedicar ao “estudo” para compreender o budismo mais profundamente a fim de garantir a vitória em todos os empreendimentos. Os membros da organização têm à sua disposição não apenas os escritos do buda Nichiren Daishonin, mas outros conteúdos, entre eles, a Nova Revolução Humana (NRH), de autoria do Dr. Daisaku Ikeda, líder da SGI. A obra é constituída por trinta volumes, sendo o último dividido em duas partes, que narram a trajetória de Shin’ichi Yamamoto, personagem que representa o presidente Ikeda, pelo desenvolvimento da Soka Gakkai, pondo em prática tudo o que aprendeu com seu mestre, Josei Toda, segundo presidente da organização. Por possuir vasto conteúdo que mostra efetivamente como aplicar no dia a dia os ensinamentos budistas, o romance NRH passou a ser considerado “o livro didático da prática da fé”.

Essa afirmativa tem sido levada realmente a sério pelos membros da BSGI que, dentro da rotina de sua organização e grupos, se preo­cupam em inserir o estudo da NRH nas atividades. Agem dessa maneira com o desejo de se tornar verdadeiramente felizes, além de conhecer a história de desenvolvimento da organização. Exemplo de sucesso da inserção da NRH nas atividades é o da Academia Magia da Leitura (AML) da RM Vila Ema (Sub. Sudeste, CCLP). Eles iniciaram o estudo da obra em 2021 e já concluíram 29 volumes, e está prevista para março de 2022 a finalização do volume 30, encerrando assim o estudo da obra. Para que isso se tornasse possível, os participantes foram divididos em grupos e cada um leu um volume por mês. Os resumos foram compartilhados com todos em uma atividade e, nesse mesmo dia, se iniciava o estudo dos próximos volumes.

Para Roseli Lopes da Silva, vice-responsável pela Divisão Feminina (DF) da RM Vila Ema e coordenadora do Núcleo da Academia Magia da Leitura (AML) da localidade, esse desafio de estudar os principais pontos da NRH foi bastante positivo, principalmente por ser uma oportunidade em que todos puderam também fortalecer a prática budista por meio de uma leitura tão rica. “Fortaleceu tanto a vida de todos que passou a ser algo muito comum os alunos relatarem suas vitórias e superações com base na prática da fé. Além disso, foi uma grande chance para se ler o romance inteiro”, reitera.

Já a Comunidade Arniqueiras, pertencente ao Distrito Águas Claras (Sub. Distrito Federal, CRE Oeste), utilizou alguns meses de 2021 (entre julho e dezembro) num feito bastante especial: juntos, líderes de bloco e de comunidade leram e dialogaram sobre o volume 30 da NRH. Após a realização de uma hora de daimoku, que começava às 6 horas da manhã, eles se reuniam via aplicativo e, por cerca de vinte minutos, promoviam a leitura com o objetivo de fortalecer os líderes e unir o cora­ção deles ao do Mestre com base no que estudaram. Segundo Vitor Brasil, responsável pela Divisão Sênior (DS) da comunidade, por mais que parecesse algo simples, esse estudo era realmente desafiador, pois os encontros aconteciam de segunda a sexta.

Na mesma subcoordenadoria, na organização vizinha, Comunidade Gama Oeste (Distrito Gama Oeste), uma iniciativa muito especial passou a fazer parte da rotina dos membros. Quem nos conta é Reiko Nakayoshi, responsável pela DF da organização: “No início da pandemia sentimos que muitos dos veteranos, que não têm acesso à tecnologia, estavam um pouco afastados das atividades. Por isso, considerando que eu já lia a Nova Revolução Humana para minha mãe, decidi ler para eles também. Lia meia hora por dia, pela manhã e à noite”. Dessa maneira, simples e delicada, foram lidos quatro volumes. Ela ressalta que começou como um incentivo para que as pessoas retomassem o hábito da leitura, se dedicassem à prática e enfrentassem os desafios. O resultado foi surpreen­dente, como revela a própria Reiko: “Durante as leituras, todos conquistaram objetivos, entre eles vitória no daimoku, no desafio da leitura e no âmbito profissional”.


Busca pelo desenvolvimento

Na Sub. Castelo-Régis, o estudo da NRH é algo muito bem explorado. Diversos grupos e organizações estão se dedicado a absorver o conteúdo de cada página dessa importante obra. Em 2021, foram realizados por RM cinco encontros chamados “Avançar na Revolução Humana e Expandir a Rede de Solidariedade Soka”, nos quais líderes de RM e Sub. estudaram os cinco primeiros volumes do romance do presidente Ikeda. Na quinta edição da atividade, excepcionalmente, líderes de regional foram convidados. Para 2022, o foco será o volume 6, novamente para líderes de RM e subcoordenadoria. Além do mais, líderes do grupo Zenshin da Regional Cotia, junto com as líderes da DF de regional e acima, mensalmente promovem, desde setembro de 2021, a Roda Literária: Muito + Estudo. Para elas, essa é uma maneira de corresponder à essência do grupo Zenshin, cujo treinamento é basea­do no estudo de orientações do presidente Ikeda. Para este ano, nos encontros de abril e agosto, as integrantes do grupo terão a oportunidade de estudar juntas a Nova Revolução Humana, volume 30, partes I e II, bem como dialogar sobre o tema “Desenvolvendo Sucessores rumo a 2030”.

Mais uma iniciativa muito importante na Sub. Castelo-Régis é o estudo promovido pela Divisão Masculina de Jovens (DMJ). No Distrito Campesina da RM Osasco Leste, quinzenalmente, os rapazes se reúnem para estudo de um capítulo da NRH. Atualmente, estão iniciando os preparativos para leitura do volume 5, pois, no dia 26 de janeiro, finalizaram o capítulo “Grande Brilho”, do quarto volume. Rafael Shiguematsu Amaral, responsável pela DMJ da Comunidade Campesina, revela seu sentimento em fazer parte desse movimento: “O estudo da NRH tem sido muito prazeroso e enriquecedor. Com ele, tenho conseguido compreender cada vez mais a relação de mestre e discípulo, conhecer o sentimento de Ikeda sensei e toda a sua luta pelo kosen-rufu. A NRH tem sido também um grande guia para meu autoaprimoramento, além de conseguir extrair muitos incentivos para as atividades”.

Na Comunidade Veloso (Distrito Veloso, RM Osasco Oeste), o estudo da Nova Revolução Humana também é feito de forma integral e envolve todos os membros. Iniciada em 2019, essa atividade “esfriou” um pouco devido à pandemia no ano seguinte, porém, ainda em 2020, eles retomaram à leitura e, a partir de então, as atividades vêm sendo realizadas de maneira alegre e radiante. No Bloco Primavera, os membros estão finalizando o volume 4, e no Bloco Veloso, o 5. A dinâmica adotada foi a de uma hora de leitura, seguida de diálogo. Dessa maneira, gradativamente, os participantes avançam no dia a dia ao passo que leem e observam cada detalhe dos registros textuais do Mestre. É comum nessa localidade os relatos de membros que renovaram a paixão pelo kosen-rufu e pela vida por meio da leitura dessa obra. Na Comunidade Veloso, eles destacam quão prazerosa e surpreendente tem sido a leitura da NRH e como se sentem mais próximos do coração do Mestre.

São muitas as iniciativas de localidades por toda a BSGI envolvendo a leitura da Nova Revolução Humana, sempre dedicadas ao desenvolvimento dos participantes com base na leitura. Aliás, esse é um dos motivos pelos quais devemos ler bons livros: desenvolvimento. O aprendizado por meio da leitura é algo que enriquece o ser humano e ter a oportunidade de refletir a partir de conteúdos grandiosos, a exemplo da NRH, não tem preço. Sobre o hábito de ler bons livros, Ikeda sensei revela:


É importante estudar e crescer todos os dias. Desde que eu era jovem, sempre gostei de ler bons livros, utilizando cada minuto de tempo livre em meio às várias responsabilidades que tinha para ler”.1


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Líderes da Comunidade Arniqueiras, assim como do grupo Zenshin da Regional Cotia, promovem atividades de estudo da NRH


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No topo: Ilustração retrata o presidente Ikeda, autor dos trinta volumes da obra Nova Revolução Humana, os quais são fonte de inspiração para os membros de toda a BSGI


Nota:

1. Brasil Seikyo, ed. 1.953, 30 ago. 2008.

27-1-2022

Relato

Uma mulher vitoriosa

Pratico o maravilhoso Budismo de Nichiren Daishonin, na Soka Gakkai, há 24 anos. Recebi o Gohonzon em Lisboa, Portugal, onde morei por quatro anos. Comecei a praticá-lo com o objetivo de transformar a desarmonia que vivia com meu marido. Com base nas orientações do meu mestre, Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), e com a firme recitação do Nam-myoho-renge-kyo (daimoku), conquistei essa grandiosa vitória.

Minha mãe, Edith, foi minha primeira shakubuku, a primeira pessoa para quem ensinei o budismo e hoje, em nossa família, quatro gerações diferentes praticam também.

Meu marido faleceu em junho de 2001 e, em meio a tanta tristeza, manifestei síndrome do pânico e crises de ansiedade. Foi uma fase muito delicada, pois precisava ser forte para criar meus dois filhos, trabalhar, cuidar da casa, estudar e me dedicar às atividades da organização. Foram momentos bem difíceis, mas, acreditando na força da minha fé no daimoku, busquei ajuda e encontrei profissionais maravilhosos nesse processo. O tratamento médico serviu para minimizar os sintomas da doença, e a prática budista, para revolucionar e transformar o mal pela raiz. Seguindo o tratamento, fiz uso de medicação e terapia por dois anos, sem jamais descuidar da recitação de muito daimoku. Com imensa alegria, declaro que venci essa fase.


Orar e agir

Conforme somos orientados, juntei oração e ação; assim, gradativamente venci outras questões. Recitava bastante daimoku também para manifestar forte energia vital e para que meu corpo e minha men­te se tornassem verdadeiramente saudáveis. Sabia que ainda tinha muitas coisas para fazer.

No escrito de Nichiren Daishonin O Inverno Nunca Falha em se Tornar Primavera,1 consta:


Aqueles que creem no Sutra do Lótus parecem viver no inverno, mas o inverno nunca falha em se tornar primavera. Desde os tempos antigos, nunca alguém viu ou ouviu dizer que o inverno tenha se convertido em outono ou que uma pessoa que tem fé no Sutra do Lótus tenha se tornado uma pessoa comum. No sutra consta: “Se houver quem ouça a Lei, então ninguém deixará de atingir o estado de buda”.2


Senti que precisava promover uma grande mudança em minha vida e pus em ação todas as diretrizes da BSGI, orando e dedicando esforços para a minha revolução humana, tornando-me uma pessoa melhor a cada dia.

Em maio de 2016, meu amado Coral Lírio [da Divisão Feminina da BSGI] completou cinquenta anos de fundação e, no dia 19 de outubro, comemorei de uma maneira bastante especial. Fui às terras do Mestre, Japão, e realizei meu juramento seigan no magnífico Auditório do Grande Juramento pelo Kosen-rufu, orando pela paz mundial. De todo o meu coração, agradeci a Ikeda sensei por ter se desafiado e vindo ao Brasil, reunindo forças para plantar a semente da revolução humana e do estado de buda no coração das pessoas. Além disso, jurei em meu coração jamais me afastar da Soka Gakkai, aconteça o que acontecer. Determinei ainda que, em 2021, minha vida haveria de avançar com esperanças e vitórias, seguindo as diretrizes da organização.


Grandes mudanças

No primeiro ano (2021) essencial dos dez anos rumo a 2030, logo nos primeiros dias, testei positivo para a Covid-19 e fui dispensada da empresa que trabalhei por catorze anos. Em meio a isso tudo, meu namorado terminou nosso relacionamento que já durava seis anos. Confesso que fiquei muito triste com tudo isso e não entendia por que tantas perdas de uma vez só. Além do mais, desde março de 2020, sentia dores na mandíbula e fui buscar ajuda. Passei por quatro especialistas e todos chegaram ao mesmo resultado: “No seu caso, só cirurgia”.

Após intensa recitação de daimoku, conheci o Dr. Gabriel e foi com ele que comecei o tratamento, preparando-me para a cirurgia ortognática, na qual teria a retirada da maxila, da mandíbula, corte dos ossos e depois o reposicionamento da arcada dentária, algo bastante complexo. O médico tirou ainda dois dentes de siso superior e um cisto que tinha no nariz. Realizamos a cirurgia no dia 27 de novembro de 2021. O procedimento durou oito horas, e fiquei pouco mais de seis horas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Quando acordei, minha mãe estava ao meu lado. Quanta emoção! A cirurgia foi um sucesso e hoje estou com sete placas e 58 parafusos no rosto. Brinco que quase virei um robô! Agora estou em processo de recuperação, com alimentação pastosa até 30 de janeiro.

Após tudo isso, lembrei-me de que, aos 25 anos, tive a oportunidade de fazer essa cirurgia, mas, por desentendimentos com meu marido, não a realizei. Hoje, entendo que precisava acumular toda essa boa sorte na vida para esse momento.

Outra grandiosa vitória é que, trinta dias após a cirurgia, conquistei mais uma oportunidade profissional na minha área, pois sou contadora. Além disso, ganhei um curso de nutrição suplementar que já está me trazendo rendimentos. Estou em uma nova fase ocupacional na minha vida. Estou amando, desfrutando um momento muito feliz.

Entendi que todas as atividades da BSGI, desde as reuniões de palestra, as visitas, o estudo, a leitura do Brasil Seikyo e das demais publicações, a participação no Kofu, os incentivos, tudo é, na verdade, uma chance para acumular boa sorte na própria vida. Também entendi que estava em um trabalho que me causava muito estresse e em um relacionamento que me trazia grande desânimo e aborrecimentos. Então, não pode haver tristeza, porque não perdi nada, apenas ganhei, revolucionando minha vida no momento certo. Por exemplo, se tivesse feito a cirurgia em meio àquele cenário, jamais teria uma recuperação tão tranquila como estou tendo agora. Serei eternamente grata ao Gohonzon.

Agradeço a cada um dos meus amigos, veteranos e companheiros de luta por todo o daimoku enviado para minha saúde e recuperação e pelos demais momentos vividos. Agradeço à minha mãe, aos meus irmãos, aos meus filhos e à família pelo apoio, cuidado e carinho. Agradeço a Ikeda sensei, pois, se não fosse por ele ter trazido este extraordinário Budismo de Nichiren Daishonin ao Brasil, não teria descoberto em mim esta mulher tão vitoriosa.

Na obra Nova Revolução Humana, do presidente Ikeda, consta:


Levantem-se com base na prática da fé! Lutem com base na prática da fé! E vençam com base na prática da fé! Esta é a atitude fundamental que nos conduz à grande vitória sem depender de outros fatores!”.3


Compartilho com todos uma frase do Gosho que me acompanha em todos os momentos da minha vida:


A poderosa espada do Sutra do Lótus deve ser manejada por alguém corajoso na fé. Então, essa pessoa será tão forte quanto um demônio armado com um cajado de ferro. Eu, Nichiren, inscrevi minha vida em sumi; assim, creiam no Gohonzon com todo o coração. O desejo do Buda é o Sutra do Lótus, mas o espírito de Nichiren é unicamente Nam-myoho-renge-kyo.4


Simone Evangelista Ribeiro, 49 anos. Contadora. Vice-responsável pela DF do Distrito Guaiauna, Sub. Penha-Ermelino, CCLP.


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Simone com a família

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Simone com a mãe, Edith.


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Simone com a família


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Simone em momentos especiais de sua passagem pelo Japão, antes da pandemia da Covid-19

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Simone em momentos especiais de sua passagem pelos Estados Unidos, antes da pandemia da Covid-19


Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 560.

2. Lotus Sutra and its Opening and Closing Sutras [O Sutra do Lótus e seus Sutras de Abertura e Encerramento]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, cap. 2, p. 75.

3. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 11, p. 29.

4. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 431.

27-1-2022

Especial

Progresso dinâmico

REDAÇÃO

O “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico” começou com tudo para os membros da BSGI. Ao assumirem uma postura corajosa diante das dificuldades enfrentadas no dia a dia, tendo como base a prática da fé budista, tornam-se campeões do kosen-rufu, da vida e da amizade, decididos a não deixar ninguém para trás. Inspirados pelo exemplo do presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, enquanto vencem as circunstâncias, emitem brilho próprio sem deixar de ser quem são.

Mesmo nos momentos mais difíceis, Ikeda sensei superou uma a uma as ondas de desafios, transformando-as na chance de desenvolvimento e nos inspira a fazer o mesmo. Ao ouvir o rugido do rei leão do kosen-rufu, o verdadeiro discípulo se levanta e também enfrenta sua adversidade. Assim é a relação de mestre e discípulo. O presidente Ikeda aprendeu com seu mestre, Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, e se levantou para dignificar as palavras daquele em quem tanto confiava. Nos momentos de dificuldades, ter um bom mestre é imprescindível. Na Mensagem de Ano-Novo, enviada este ano pelo Mestre, consta:


Em tempos difíceis, o caminho Soka consiste em manifestar o “coração de um rei leão”1 e desafiar nossas circunstâncias com base na “estratégia do Sutra do Lótus”2 — ou seja, a fé na Lei Mística. Ao transformar nosso carma em missão e vencer todos os obstáculos, demonstramos o grande poder benéfico da Lei Mística. Convertemos o lugar onde nos encontramos neste exato momento no palco para o drama da alegria e do progresso dinâmico que se desenrola continuamente.3


Nesse novo ciclo, surge diante de nós também a oportunidade de renovar nosso sentimento e nossa postura para conquistarmos a felicidade absoluta, além dos objetivos mais comuns. Para aqueles que não acreditam que possuem a força necessária para vencer, lembrem-se das palavras do presidente Ikeda quando ele afirma que a oração é o fator essencial para extrair o poder, de dentro da própria vida, para a conquista da vitória.4 O desafio diário de gongyo e daimoku é crucial para manifestar sabedoria e boa sorte, e para a escalada da montanha do kosen-rufu rumo a 2030.


Rede de solidariedade

O mundo vem enfrentando diversos desafios. Em especial, além da pandemia e do crescente aumento de casos de influenza, o Brasil vem sofrendo com uma série de catástrofes oriundas das fortes chuvas. É interessante observar os membros da BSGI cada vez mais fortes encorajando outras pessoas, budistas ou não, do imenso potencial interior delas e da capacidade de se reerguer mediante tais dificuldades. A rede de solidariedade, formada pelos integrantes da BSGI, é tão poderosa que extrapola os jardins da Soka Gakkai para fortalecer a comunidade local e cada um que dela faz parte. Uma rede tão forte que não pode ser superada por nada.

Na reunião em celebração do Ano-Novo e dos 94 anos do pre­sidente Ikeda, Miguel Shiratori, presidente da BSGI, declarou:


Nestes últimos dois anos, apesar das adversidades causadas pela pandemia do coronavírus em nosso país, a dedicação de cada membro à prática da fé, em sua comunidade e bloco, somado à comprovação das suas vitórias e à sua revolução humana e familiar, o movimento pelo kosen-rufu do Brasil tem se desenvolvido de forma admirável. Agradeço a vocês, heroínas e heróis, que não desistiram dos seus sonhos e objetivos e do compromisso como membros da BSGI, que venceram levando esperança e coragem a todos os que vivem ao seu redor.
Fazer parte de uma organização como a Soka Gakkai nos permite avançar continuamente, muitas vezes sem nem perceber. É um ambiente que favorece a ampliação da nossa rede de amizade e companheirismo, com incentivos, apoio, acolhimento e criatividade que propiciam um dinâmico avanço coletivo e individual.


Dignidade da vida

Princípio fundamental do budismo, o “respeito pela dignidade da vida” pulsa fortemente no coração dos membros da BSGI. Isso se manifesta em diversos momentos: ao ensinar o Budismo de Nichiren Daishonin para outras pessoas, ao prestar ajuda em situações de grandes desafios ou no momento em que cada um, individualmente, decide ser feliz. Mas reconhecer a dignidade de cada pessoa vai além, conforme afirma Ikeda sensei:


Exultantes pela inigualável alegria de reconhecer tanto a dignidade da nossa própria vida como a dos outros, com base no nosso potencial comum para o estado de buda, efetuemos progressos dinâmicos em nossa revolução humana, que, por sua vez, acarretarão diretamente o progresso do kosen-rufu e da paz mundial.5


A paz está no respeito, na ação, no reconhecimento como budas.

E 2022 é o segundo ano essencial rumo a 2030, centenário da Soka Gakkai, no qual comemoraremos também os setenta anos da BSGI.

“Como estarei em 2030?” “O que representarão essas importantes datas em minha vida?”

Entre tantas reflexões, jamais podemos nos esquecer que 2030 será o reflexo de cada uma das nossas ações e da nossa postura de hoje, do agora. Dessa maneira, este ano (2022) é a oportunidade ideal para consolidarmos a condição de vida que desejamos viver em 2030. É necessário mudarmos nossa postura e comportamento para melhor, dentro e fora da organização, convictos de aonde queremos chegar e de como queremos estar. Vale reforçar que dinamismo é algo importante para concretizar essas mudanças.

“Dinamismo” é uma palavra diretamente ligada a “juventude”. Isso faz de 2022 um ano ainda mais especial. Manifestar jovialidade no dia a dia é uma das características do praticante budista, membro da BSGI, que não se deixa vencer por nada. Da pessoa que segue decidida a não ser vencida pelas adversidades àquelas que tiveram a vida abalada pelas dificuldades, há tempo para ser vitoriosa, pois ainda estamos em janeiro. Vencer agora é crucial para o futuro e é preciso ter convicção nessa vitória. Jamais devemos perder a esperança e a jovialidade, conforme nos assegura Ikeda sensei, ao relembrar as palavras de Josei Toda:

Toda sensei sempre dizia: “Na vida, esperança é essencial. Desde que tenham esperança, poderão seguir em frente. Serão capazes de encarar qualquer desafio. Conseguirão persistir até conseguir”. Eu também me lembro de ele dizer: “Aqueles que conseguem viver com espírito jovem, uma condição de vida jovem, são realmente admiráveis”.6

E o futuro da organização? O caminho já está pavimentado pelas ações do Mestre; agora, cabe a nós, seus discípulos diretos, garantir essa continuidade, preparando, abraçando e acolhendo as próximas gerações, conforme o presidente Ikeda orienta:


Continuemos incentivando e promovendo calorosamente o desenvolvimento dos membros da Divisão dos Jovens e da Divisão dos Estudantes — tesouros da Soka Gakkai e de toda a humanidade — e prossigamos avançando ao lado deles com o coração sempre jovem e repleto de ilimitada esperança.7

Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 318.

2. Ibidem, v. II, p. 267.

3. Brasil Seikyo, ed. 2.592, 16 dez. 2021.

4. Cf. Brasil Seikyo, ed. 2.592, 16 dez. 2021.

5. Brasil Seikyo, ed. 2.592, 16 dez. 2021.

6. Ibidem.

7. Ibidem.

27-1-2022

Ensaio

Trilhando eternamente o grande caminho do “Gosho como base”

Lançando o grande brilho do humanismo

Comemorando o 800º ano de nascimento de Nichiren Daishonin,1 foi publicada no dia 18 de novembro do ano passado [2021] a nova edição de Nichiren Daishonin Gosho Zenshu. Ao mesmo tempo em que supervisionou o lançamento da obra, Ikeda sensei dedicou uma diretriz imortal no prefácio, escrevendo: “Nós, da Soka Gakkai, trilhamos eternamente o grande caminho do ‘Gosho como base’”. Neste início do ano, gostaria de renovar esse juramento seigan Soka do “Gosho como base”.

* * *

Kyogaku Zaiho (“Tesouro do Estudo do Budismo”) — eis a caligrafia inscrita por Ikeda sensei que ele nos apresentou para celebrar a publicação do Gosho por ocasião da Reunião de Líderes comemorativa de fundação da Soka Gakkai [veja foto nesta matéria]. Muitos sentiram uma profunda emoção pelo registro Zaiho (“Valioso Tesouro”).

Os “valores humanos” que desenvolvem ações diretamente ligadas a Nichiren Daishonin na vida diária e em sua existência, estudando o budismo com a postura de “Gosho como base”, são não apenas o tesouro da Soka Gakkai, mas também o tesouro da sociedade e ainda o tesouro da humanidade.

Desnecessário dizer que o Budismo de Nichiren Daishonin é o “budismo do povo”. É a religião para a transformação da realidade, na qual as pessoas que despertaram para este ensinamento comprovam o poder benéfico do budismo na vida diária e na sociedade, descobrindo a alegria de viver a felicidade absoluta. De início, para se basear no Gosho, não é necessário realizar alguma prática especial além da recitação do daimoku nem se retirar para as montanhas e florestas. Há pessoas que se dedicam em meio à realidade social chamada mundo saha e promovem ações pela felicidade de si e de outros, visando concretizar a “pacificação da terra”. A imagem real do budismo se encontra justamente nas ações vigorosas dessas pessoas.

Portanto, não é exagero afirmar que o kosen-rufu se realiza pelas pessoas que se levantam com o juramento seigan. Em outras palavras, a real natureza do kosen-rufu se encontra na construção de uma sociedade de paz e de harmonia alicerçada no pensamento de respei­to a todos e à dignidade da vida promovida por pessoas comuns do povo que se tornam fortes, boas e sábias, e transformam a si próprias. Nesse sentido, não há dúvida de que as pessoas comuns são as protagonistas do kosen-rufu.


O estudo do budismo de ligação de mestre e discípulo é tradição da Gakkai

Por essa razão, o Gosho deve ser uma escritura sagrada aberta ao povo. Uma escritura em que pessoas comuns a tenham em mãos e a leiam como nutriente de sua fé e prática. Estou certo de que o Gosho deva ser uma escritura viva, familiar para as pessoas de cada época, sempre pelo bem de todas da mesma geração.

Porém, há um espírito universal que jamais deve ser mudado. É justamente o espírito tradicional de “Gosho como base” construído pelos três primeiros presidentes da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e Daisaku Ikeda. Trata-se da prática vívida do budismo com o mesmo espírito de Nichiren Daishonin, baseada na ligação direta entre as pessoas e o buda Nichiren Daishonin relacionando-se com o seu coração. Ao longo da história de pouco mais de noventa anos, quem nos ensinou sobre essa nobre tradição do “Gosho como base” foram os três primeiros presidentes da Soka Gakkai, em especial Ikeda sensei.

Creio que o “grande caminho com ‘Gosho como base’”, registrado no prefácio dessa nova edição do Gosho, seja a cristalização do espírito de mestre e discípulo Soka. Para os membros da nossa organização, o Gosho é a escritura da luta conjunta que se põe em prática o modo de viver tendo o “Gosho como base” ensinado pelo Mestre. Portanto, é propriamente a escritura da unicidade de mestre e discípulo.

O que se deve gravar na vida é o fato de que o Gosho é o escrito no qual Daishonin registrou a comprovação de sua própria retidão como devoto do Sutra do Lótus enfrentando as tempestades de obstáculos e de maldades, e os “três poderosos inimigos”. Ele afirma: “Se existe um devoto do Sutra do Lótus, também têm de existir os três tipos de inimigos. Como estes já apareceram, quem, então, é o devoto do Sutra do Lótus? Vamos buscá-lo e segui-lo como nosso mestre”.2

O Sutra do Lótus indica que, ao propagá-lo na era maléfica após a morte do Buda, certamente ocorrerão grandes dificuldades. Não há ninguém além de Nichiren Daishonin que, nos Últimos Dias da Lei, tenha lido com a própria vida a estrofe de vinte versos do capítulo “Encorajamento à Devoção”, o qual elucida os “três poderosos inimigos”. Portanto, Daishonin é o mestre dos Últimos Dias da Lei.

Essa grande convicção se torna a força motriz para trilharmos imponentemente o caminho de nossa fé em meio aos obstáculos e às maldades sem nos abalarmos. Pelas suas ações dedicadas sem poupar a vida, os três primeiros presidentes nos ensinaram e nos indicaram esse grandioso caminho em que as dificuldades são a própria honra.


Os membros da Soka Gakkai que leram com a vida diária e com sua existência

Assim, os mestres e discípulos Soka vieram superando muitas dificuldades e perseguições contra a Lei da época atual com o orgulho de estarem diretamente ligados ao Buda: “É exatamente como está descrito no Gosho” e “Não há o menor erro em nossa prática dos ensinamentos do Buda”.

Esse princípio se aplica igualmente no âmbito de cada indivíduo, tal como inúmeros membros da Soka Gakkai que vieram enfrentando e transformando seu destino, e amenizando os efeitos cármicos.

São numerosas passagens do Gosho que os membros da Soka Gakkai gravaram no coração, lendo-as com a vida, mesmo em condições adversas, e fazendo delas o ponto de inflexão para uma vida de esperança e de vitórias: “O sofrimento do inferno desvanecerá instantaneamente”; “O inverno nunca falha em se tornar primavera”; “Myo significa ‘reviver’, ou seja, ‘retornar à vida’”; “O Nam-myoho-renge-kyo é como o rugido de um leão”; “O que importa é o coração”.

A experiência e a comprovação da leitura devotada do Gosho de cada pessoa são o “tesouro [do estudo do budismo]” da Soka Gakkai, o poema épico da vitória do povo e a prova do Budismo Nichiren.

Nesses dois anos, o mundo inteiro foi invadido pela pandemia do coronavírus. Porém, tanto no Japão como no mundo, não houve interrupção do movimento Soka. Sua força motriz foi o estudo do budismo, conforme os líderes de cada país vêm relatando nas matérias deste jornal [Seikyo Shimbun], tais como Companheiros do Mundo, Hoje e Companheiros do Mundo, Hoje, em 2021. Em todos os países, o estudo do budismo se tornou a fonte de luz da esperança por diversas iniciativas, como as reuniões virtuais.

De fato, diante das calamidades de âmbito mundial, em vez de parar, o avanço da caminhada do “Gosho como base” da Soka Gakkai se fortaleceu ainda mais. Pode-se dizer que o princípio do “Gosho como base” vem sendo o eixo da promoção do kosen-rufu mundial.


O precioso tesouro da sabedoria a unir toda a humanidade

No trecho final do prefácio da nova edição do Gosho, sensei escreve que “O Gosho é o tesouro imortal capaz de extrair a ‘sabedoria que opera de acordo com as mudanças das circunstâncias’ (zuien-shinnyo-no-chi) no desafio dos problemas globais”. Na mensagem enviada para a Reunião de Líderes, citada no início do texto, ele declara: “O estudo do budismo é, na verdade, o tesouro para nossa vida, como também o tesouro insubstituível para toda a humanidade”.

De fato, “criação de valor”, que deu origem ao nome Soka, nada mais é que a prova final da “sabedoria que opera de acordo com as mudanças das circunstâncias” (zuien-shinnyo-no-chi). Com o grande brilho do humanismo, da teoria do valor, da filosofia de vida e do ideal da revolução humana, a Soka Gakkai já iniciou o desafio de visualizar a transformação do destino da humanidade, promovendo o reviver das pessoas e a mudança da sociedade. Recebemos uma época em que as ações e a filosofia do “Gosho como base” da Soka Gakkai lançam enorme brilho na sociedade global.

O estudioso do budismo, Dr. Lokesh Chandra, afirma: “A Soka Gakkai é a grande esperança da humanidade para criar valor, como também para seu progresso e desenvolvimento” (cf. edição de 13 de novembro de 2021 do Seikyo Shimbun).

A sabedoria contida no Gosho é aguardada pelo mundo e, ao mesmo tempo, é sua esperança. Até para corresponder a isso, desejamos trilhar com toda a força o grande caminho do “Gosho como base”.

Artigo publicado no jornal Seikyo Shimbun do dia 1º de janeiro de 2022.

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caligrafia Kyogaku Zaiho (“Tesouro do Estudo do Budismo”) apresentada por Ikeda sensei na Reunião de Líderes, realizada em novembro do ano passado [2021]. Houve manifestações como: “Sinto que aprendi, mais uma vez, que as pessoas que estudam o budismo e lutam na organização de base são os ‘valores humanos’ e o tesouro da Soka Gakkai”. Aqueles que avançam com “Gosho como base” são o tesouro da Soka Gakkai! São o tesouro da humanidade!


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exemplar do Gosho utilizado pelo primeiro presidente Tsunesaburo Makiguchi. Observam-se muitos trechos sublinhados e diversas anotações


No topo: Ikeda sensei em sua juventude dedicando-se à leitura e à correção das provas de Nichiren Daishonin Gosho Zenshu



Notas:

1. Nichiren Daishonin nasceu em 16 de fevereiro de 1222. De acordo com o método de contagem tradicional japonês, a pessoa possui um ano de vida no dia em que nasce.

2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Dai­shonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 291, 2020.

27-1-2022

Encontro com o Mestre

Lembremo-nos de que pequenos detalhes importam

Apesar de a barragem entre os campos de arroz ser resistente, se uma formiga cava um orifício de lado a lado, com o tempo, a água escoará e esvaziará o arrozal.1

As Barragens da Fé

Pequenos detalhes importam. Descuido e arrogância — que originam pensamentos como “Eu me viro” ou “Não vai ter problema” — atuarão como um “furinho de formiga” ou fraqueza, acarretando problemas.

Mantermo-nos livres de acidentes compõe a base da felicidade. Alicerçados na forte oração, lembremos uns aos outros de tomar cuidado.

Publicado no Seikyo Shimbun de 14 de dezembro de 2019.


Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 654, 2014.

27-1-2022

Encontro com o Mestre

Fé também se chama coragem

Os discípulos de Nichiren nada poderão realizar se forem covardes.1

Ensinamento, Prática e Prova

No mundo inteiro, os membros da Divisão dos Estudantes (DE) estão mostrando um desenvolvimento extraordinário. Cada um deles, abraçando a Lei Mística desde a tenra idade, construirá sem falta um futuro maravilhoso e cheio de esperança.

Uma juventude dedicada à concretização de uma nobre missão inevitavelmente é repleta de várias adversidades. No entanto, fé também se chama coragem. Com a determinação de recitar Nam-myoho-renge-kyo e reunir a “coragem do rei leão”,2 encarem sem temor qualquer desafio com que se defrontarem!

Estou orando pela saúde e sucesso de todos os nossos jovens amigos que estão estudando com afinco para os exames de admissão escolar.3

Publicado no Seikyo Shimbun de 6 de dezembro de 2019.


Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 503, 2014.

2. Ibidem, v. II, p. 263, 2017.

3. No Japão, a formatura escolar geralmente ocorre em março, e o novo ano letivo se inicia em abril. Os exames de admissão das escolas e universidades são ministrados de janeiro a março.

27-1-2022

Encontro com o Mestre

Saitama — Terra onde resplandecem os “valores humanos”

Dia 29 de setembro é o “Dia da Divisão dos Jovens de Saitama”, data na qual o presidente Ikeda participou do 1º Festival Cultural pela Paz dos Jovens de Saitama. Este ano (2022) marca o 37º aniversário desse evento. Os participantes daquela época hoje atuam como líderes centrais de Saitama da orgulhosa “união do cordão de defesa impenetrável”.

Os jovens sucessores também estão se desenvolvendo em grande número. Citando várias características da localidade onde brilham a regionalidade e a singularidade, Ikeda sensei diz que o modo de viver de “diferentes em corpos, unos em mente” (itai doshin) em que unem as forças respeitando as diferenças é o que cria a beleza de Saitama. Façamos de nossa localidade uma bela terra da diversidade de múltiplas cores. Com um coração que acredita no ser humano e respeita a vida, vamos avançar de mãos dadas com todos os amigos.


DR. DAISAKU IKEDA

Com o céu claro,

o caminho de Saitama

resplandece.

A vitória e a glória

brilham no peito.


Na minha adolescência, o caminho de Saitama era, para mim, o “caminho da esperança” e o “caminho da gratidão”.

No período de escassez de alimentos após o término da Segunda Guerra Mundial, uma família de agricultores, a qual era amiga de um dos meus irmãos mais velhos, morava na cidade de Hanno e gentilmente nos cedia um pouco de batatas-doces e outros produtos.

No caminho de volta, carregando muitos alimentos nas costas, eu imaginava o rosto feliz dos meus pais e irmãos menores. Jamais me esquecerei desse calor humano de Saitama. A cidade é chamada até hoje de “mãe de Edo”.

O extenso e rico solo de Saitama, os produtos agrícolas e as especialidades locais geradas pelo precioso trabalho do povo ainda hoje sustentam de perto a vida das pessoas de Tóquio e região metropolitana.


Tal como um leão

[Nota do Editor: O presidente Ikeda relembra seus dias da juventude, quando se dirigiu até Saitama por muitas vezes para tentar resolver uma situação difícil em que seu mestre, segundo presiden­te da Soka Gakkai, Josei Toda, se encontrava, e também para estudar junto com os companheiros a filosofia da esperança. Ele conclama a todos a não temer a nada, tal como o leão, e a consagrar uma vida de vitórias.]

Meu caminho de Saitama é o “caminho da invencibilidade” e também o “caminho do avanço”.

Em 1950, em meio às turbulências econômicas do pós-guerra, os negócios do meu venerado mestre acabaram entrando em situação crítica. Para tentar solucionar esse impasse, corri por diversas vezes para Omiya, onde o presidente Josei Toda tinha muitos conhecidos, em busca de ajuda.

Escrevi no meu diário na época:


Novamente, avanço junto com Toda sensei rumo ao próximo empreendimento. É apenas isso: avançar, avançar e avançar, eternamente. São várias as situações: dias em que posso trabalhar com toda a alegria e dias de árduas e sofridas batalhas. Mas uma certeza eu tenho: lutando com toda essa seriedade, jamais terei arrependimentos.


Essa “estrada da juventude”, que percorri de corpo e alma, agora está sendo seguida com toda a vivacidade pelos meus amados jovens de Saitama. Além disso, o caminho da minha Saitama é o do “desejo de aprender” e também o “caminho da solidariedade”.

A pedido do meu venerado mestre, que sempre pensava em Saitama, aos 23 anos, muitas vezes fui até Kawagoe estudar com alegria e seriedade a filosofia da dignidade da vida e da esperança junto com os bravos amigos do povo que se dedicavam ao máximo para sobreviver àquela época devastadora. Isso se prolongou por três anos.

“O rei leão não teme outros animais, e da mesma forma agem seus filhotes”1 — uma vez que temos vida, então por que não viver como o leão, o rei dos animais, sem temer a nada e sem ser derrotado por nada? Tenhamos uma existência de vitórias até o fim! — foi o que aprendemos juntos, encorajamo-nos uns aos outros e expandimos os laços de esperança e de coragem.

Para mim, nada me deixa mais feliz do que ver a família dos meus eternos amigos desde a juventude superar muitas provações e comprovar o aspecto de vitória e de prosperidade enquanto transmite a fé para os filhos e netos.


Venha o que vier!

[Nota do Editor: Em Saitama, existe um grupo de mulheres brilhantes. Na época da guerra civil japonesa, no núcleo do grupo, que protegeu com a “união do cordão de defesa impenetrável” o Castelo de Oshi (cidade de Gyoda) do ataque do exército de Toyotomi Hideyoshi, havia uma jovem. Nos tempos modernos, Saitama criou muitas pioneiras que abriram caminho para a atuação das mulheres na sociedade. O presidente Ikeda, além de mencionar essa história, fala a respeito da jornada de uma integrante da Divisão Feminina de Saitama e elogia a característica local de sua regionalidade e também sua rica diversidade. Ele conclui solicitando que avancemos juntos pelo “caminho da construção” e da “vitória”, valorizando o espírito de “diferentes em corpo, unos em mente”.]

Uma integrante da Divisão Feminina (DF), que minha esposa e eu conhecemos muito bem, tinha uma vida de contínuas provações. Ela sofria de doenças cardíacas psicogênicas e tinha convulsões várias vezes ao dia. Houve ocasião em que ela foi abandonada pelo médico e ficou totalmente acamada. Foi então que ela decidiu se erguer fazendo da esperança seu remédio do coração. Seu marido teve de sair da empresa. E eles passaram tamanha dificuldade que, às vezes, mal conseguiam comer. Mesmo assim, ela vivia com ardente coragem e se incentivava com os companheiros, mutuamente, dizendo: “Venha o que vier!”.

Ela percorreu todos os cantos de Saitama para incentivar companheiros com problemas de doen­ça. E quando se deu conta, ela tinha transformado sua condição de vida e estava plenamente saudável a ponto de nem sequer pegar um resfriado.

Seu sentimento era de que “Eu passei por diversos sofrimentos, mas agora isso tem se tornado útil. Hoje, agradeço por tudo o que passei”.

Saitama é a província com maior número de cidades do Japão e possui quarenta cidades. Somando seus 23 vilarejos, é como uma miniatura do Japão, tendo grandes cidades e também extensa riqueza natural. Cada qual possui uma brilhante regionalidade ou singularidade. É uma terra de rica e colorida diversidade.

A exposição de Brian Wildsmith (1930–2016), meu amigo britânico, ilustrador de livros infantis, chamado de “mágico das cores”, também teve lugar na Superarena de Saitama. Ele enfatizava: “Volte os olhos das crianças para a beleza e a alegria que existem ao seu redor”. Isso porque essas descobertas, de como é lindo quando se combinam as diversas cores, aguçam e aumentam a criatividade das crianças.

Meus amigos de Saitama e eu temos prezado muito o princípio de “diferentes em corpos, unos em mente”. Ele representa um modo de vida em que unimos nossas forças e trabalhamos juntos com espírito de acreditar no ser humano e de respeitar a vida, valorizando as diferentes personalidades. Em outras palavras, o colorido surge das diferenças.

Com os companheiros de Saitama, de profundos laços cármicos, desejo avançar, daqui para a frente também, com alegria e vivacidade pelo “caminho da construção” e pelo “caminho da vitória” repleto de luz da esperança.


Ultrapassando

aquela montanha

e este vale,

conquiste a vitória de Saitama!

Entoe a canção triunfal

dos sonhos!



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De dentro do carro, que percorre a rodovia da cidade de Toda, em Saitama, vê-se ao fundo o Monte Fuji coberto de neve (autoria de Daisaku Ikeda, jan. 2016). O Mestre ora para que os companheiros de Saitama tenham uma existência como monarcas como o solene Monte Fuji


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Plantação do Chá de Sayama. Sob o céu azul ensolarado, as folhas verdejantes brilham banhadas pelos raios do sol (autoria de Daisaku Ikeda, cidade de Iruma, em Saitama, jan. 1996)


No topo: Festival Cultural e Musical de Saitama na cidade de Omiya. Em agradecimento à dedicação de todos, presidente Ikeda toca músicas, como Dainanko, ao piano (abr. 1978)


Publicado no Seikyo Shimbun do dia 29 de setembro de 2020.

Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Dai­shonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 263, 2018.

27-1-2022

Incentivo do líder

De “Não tente, você não conseguirá” para “Tente, você conseguirá”

Dentre muitas expressões que ouvi, a que sempre discordei foi “Não tente, você não conseguirá”. Em algum momento da minha vida surgia alguém que dizia essa frase.

Quando ainda jovem, antes de conhecer o Budismo Soka, ao ouvir aquela expressão, era como se tomasse conta de mim um profundo sentimento de derrota, mesmo antes de tentar fazer algo.

Todavia, há 34 anos, ao iniciar a prática budista, a expressão, a meu ver, derrotista, definitivamente deixou de me atingir. Em especial, passei a acreditar que devo tentar e que erros e acertos fazem parte da vida; sobretudo, por meio da experiência, pode surgir a oportunidade de desafiar a circunstância.

Aprendi que, mesmo que o cenário seja desanimador, a ação proativa manifestada pela prática do Nam-myoho-renge-kyo transforma até o ambiente mais sombrio e desolador. E isso se inicia a partir da mudan­ça interior (revolução humana) que exalta o poder inerente à vida, fazendo reverberar uma força extraordinária capaz de mudar qualquer realidade.

A atitude benevolente de uma amiga em me ensinar a prática budista mudou o curso da minha vida.

Nosso mestre, presidente Ikeda, diz:


No budismo, uma pessoa que ajuda outra a atingir esse objetivo, ensinando-lhe sobre a prática ou encorajando-a na fé, é chamada de “bom amigo” ou “boa influência” (zentishiki, em japonês).1


Ele ainda reforça:


A existência do “bom amigo” é de suprema importância para se trilhar um caminho correto na vida. Isso porque, no ato de avançar junto com os bons amigos é que existem o aprimoramento e a satisfação.2


Curiosamente, nunca mais ouvi a frase “Não tente, você não conseguirá”. Pois a prática da fé com base nas preciosas orientações de Ikeda sensei fez com que eu manifestasse coragem, notadamente pelo fato de agir e demonstrar que aqui não há o impossível. O que existe é uma profunda ligação com o Mestre e o desejo de corresponder ao seu ideal de atuar em prol do kosen-rufu, cumprindo o juramento seigan, e isso norteia minha vida de modo a agir com coragem e determinação.

Ikeda sensei incentiva:


Em qualquer ambiente, enquanto houver uma única pessoa com um palácio dourado no coração, um único indivíduo de real habilidade, tudo se desenvolverá numa direção positiva, em direção à felicidade. Vamos continuar a avançar, lutando para criar essas pessoas determinadas, e para que nós próprios nos tornemos essas pessoas. Quando cada membro da SGI brilhar como uma pessoa de ouro puro, com certeza, poderemos guiar a humanidade na direção da felicidade, da paz e da segurança.3


Ainda que as situações se mostrem desfavoráveis, por meio da prática, aprendi a jamais deixar de tentar, sempre buscando realizar o melhor, de modo intenso, comprometido e com seriedade, porque há em mim o juramento seigan de corresponder ao Mestre.


Hilda Araújo dos Santos Fujii

Vice-coordenadora da Divisão Feminina de coordenadoria


Notas:

1. Terceira Civilização, ed. 403, mar. 2002, p. 10.

2. Brasil Seikyo, ed. 2.252, 22 nov. 2014, p. A2.

3. Idem, ed. 1.265, 19 mar. 1994, p. 4.

27-1-2022

Frase da Semana

Frase da Semana

Vamos conversar com os jovens! Ouça com sinceridade e compartilhe esperança. Plante, hoje também, “as sementes do estado de buda para o futuro”1 no grande solo da vida dos jovens!

Dr. Daisaku Ikeda

Publicada no jornal Seikyo Shimbun em 24 de janeiro de 2022.

Nota: 1. The Writings of Nichiren Daishonin [Os Escritos de Nichiren Daishonin]. Tóquio: Soka Gakkai, v. II, p. 534.

27-1-2022

Nova Revolução Humana

Daimoku em primeiro lugar

PARTE 21

Dentre as pessoas que Shin’ichi Yamamoto incentivou estavam o casal Wataru e Shizu Yanagisaka, provenientes de Saku. Os dois vinham quase diariamente ao Centro de Treinamento de Nagano para a manutenção dos jardins também durante a estada de Shin’ichi.

Wataru Yanagisaka tinha cerca de 60 anos e era jardineiro.

Shin’ichi disse ao casal:

— Seu espírito de zelar pelo centro de treinamento é o mesmo que o meu. Meu desejo é que todos os que vêm aqui se revigorem de energia, aprofundem sua fé, criem lembranças maravilhosas e retornem para casa com renovada determinação em realizar o kosen-rufu de sua respectiva localidade. É por isso que é tão importante proporcionar um ambiente bem conservado e agradável. Ambos assumiram essa árdua responsabilidade. Considero isso muito nobre. Sob a luz da lei budista de causa e efeito, não há dúvida de que todos esses árduos esforços se tornarão imensuráveis benefícios e grande boa sorte. Por favor, protejam o centro de treinamento tendo sempre excelente saúde e disposição.

Já era perto das 16 horas quando a última sessão de fotos se encerrou. Foram registradas cerca de trinta fotos de grupo e foram mais de 3 mil membros que tiraram foto junto com ele.

Shin’ichi disse aos jovens que atuaram nos bastidores para organizar e realizar as sessões de foto:

— Muito obrigado! Os participantes ficaram muito felizes. Foi graças a vocês.

Então, ele disse ao coorde­nador da Divisão Masculina de Jovens da província de Nagano, que supervisionava a logística das sessões de foto, incluindo a organização dos componentes para ajudar na limpeza do terreno baldio utilizado como estacionamento:

— Nunca me esquecerei da imagem de todos vocês, cobertos de lama, cortando a grama e as ervas daninhas em meio à chuva. A luta conjunta comigo significa trabalhar incansavelmente em prol dos nossos membros com todo o coração. No longo curso da vida, pode haver fracassos e frustrações, mas é necessário continuar avançando. O mais importante é, independentemente do que venha a acontecer, não se afastar da Soka Gakkai por toda a vida e se dedicar ao máximo pelos membros e pelo kosen-rufu. Não busquem o louvor ou o reconhecimento dos outros. Apenas tenham a certeza de que os budas e as divindades celestiais estão cientes de todos os seus esforços e continuem se dedicando ao kosen-rufu. Essa é a verdadeira coragem. Ao agirem dessa maneira, vocês brilharão ainda mais e serão supremos vencedores da vida. Continuarei a observá-los atentamente.


PARTE 22

No dia 27 de agosto, Shin’ichi Yamamoto partiu do Centro de Treinamento de Nagano para visitar o Centro Cultural de Komoro. Lá também, ele participou de fotos comemorativas com cerca de trezentas pessoas divididas em três grupos e ainda liderou o gongyo e dialogou com representantes.

Shin’ichi enfatizou a importância de pôr o daimoku em primeiro lugar e de lutar com fé firme e constante.

Era perto das 21 horas quando Shin’ichi voltou ao centro de treinamento.

O dia 28 era o último da estada em Nagano. Nessa ocasião também, ele participou de mais de uma dezena de sessões de foto em grupo com os companheiros que visitavam o centro de treinamento e ainda realizou diálogos informais e visitou a casa dos membros. Em meio aos diálogos, conversou com Takashi Saida, coordenador da província de Nagano:

— O Centro de Treinamento de Nagano está bem situado geo­graficamente, é fresco no verão e está agraciado com uma maravilhosa natureza. De agora em diante, ele se tornará um local em que os membros de todo o Japão e do mundo se reunirão e muitos cursos de treinamento vigorosos serão realizados. Aqui será um local favorito das pessoas de todos os lugares. Assim sendo, espero que a Soka Gakkai da província de Nagano, onde está localizado este centro de treinamento, seja a organização modelo de cooperação humana primeira do mundo, com maior número de pessoas capazes do planeta. Quero que nossos membros do mundo inteiro digam: “Vamos seguir o exemplo dos membros de Nagano!”. A única forma de conseguir isso é com a união. Os membros de Nagano precisam unir o coração em um só pelo kosen-rufu enquanto aproveitam ao máximo os pontos fortes de cada localidade. Para que isso ocorra, o senhor, coordenador da província, precisa se empenhar com dedicada obstinação em prol dos companheiros. Os membros trabalharão com o senhor com o mesmo propósito quando souberem que está realmen­te preocupado com eles e está se esforçando com todas as suas forças pelo bem-estar deles. É assim que nasce a união e ela é fortalecida. Se os líderes forem negligentes e irresponsáveis, as pessoas não os seguirão e eles nem sequer conseguirão estabelecer a união entre todos. O senhor conquistará a confiança das pessoas sendo sério e sincero. Por favor, continue se empenhando ao máximo até o fim.

O desenvolvimento de seres humanos de valor começa a partir dos esforços para plantar sementes de encorajamento e inspiração nos campos do coração das pessoas dia após dia.

Durante a sua estada em Nagano, Shin’ichi tentou demonstrar isso por meio do próprio exemplo. Não há melhor “livro didático” para educar ou promover pessoas que a ação.

2





O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

3-2-2022

Rede da Felicidade

Sintonia com o Mestre

Em agosto de 1976, Shin’ichi Yamamoto [pseudônimo do presidente Ikeda no romance Nova Revolução Humana] incentiva os integrantes do Grupo Hosu (Jovens Fênix) da Divisão Masculina de Jovens da Soka Gakkai, discorrendo sobre a sua luta durante a juventude para concretizar os ideais do seu mestre, Josei Toda. A seguir, trechos da NRH com preciosos direcionamentos que revelam a grandiosa expectativa de Ikeda sensei em relação aos membros, sobretudo, às novas gerações.

DR. DAISAKU IKEDA

Shin’ichi dirigiu-se ao microfone e começou a falar com voz baixa, porém solene. Ele disse que a razão pela qual os havia presenteado com cartões onde estavam inscritas as palavras “Sucessores da Soka Gakkai” era o fato de estar confiando a eles o futuro da organização. Imprimindo mais força, continuou:

— Todos sabem que Nichiren Daishonin oferece uma orientação por meio do adágio: “Descartar o superficial e buscar o profundo é próprio de uma pessoa de coragem”.1 Trata-se de uma orientação perfeitamente adequada para os membros do Grupo Hosu. Se quisessem empregar seu tempo aqui na Terra buscando apenas o próprio prazer e uma vida sossegada, não haveria razão alguma para gravarem estas palavras no coração. No entanto, como dedicam a vida à nobre causa do kosen-rufu, espero que continuem trilhando a grande estrada de sua respectiva missão até o fim de seus dias, com a firme determinação de seguir o caminho escolhido, não importando o que aconteça, buscando a essência desse bravo espírito.

No decorrer do discurso de Shin’ichi, a força e veemência de suas palavras foram se intensificando:

— A Soka Gakkai tornou-se ampla organização mundial, uma gigantesca instituição em prol da paz e da cultura. Tudo isso é resultado dos esforços determinados de seus pais e mães, trabalhando ao meu lado, derramando lágrimas amargas e lutando ao máximo. Fizemos exatamente como Nichiren Daishonin instruiu, exatamente como Makiguchi sensei instruiu, e exatamente como juramos a Toda sensei. Agora, cabe a vocês. Nos próximos dez, vinte, trinta anos, vocês devem edificar uma Soka Gakkai ainda melhor e mais forte sobre a base já assentada. Sua eterna missão e destino consistem em consolidar uma expansão colossal do kosen-rufu em benefício da felicidade da humanidade.

As palavras de Shin’ichi tocaram profundamente o coração de todos.

— A Soka Gakkai é a única organização no mundo que está, genuína e verdadeiramente, de acordo com o desejo do Buda. Em virtude disso, à luz dos ensinamentos de Nichiren Daishonin, pode haver ocasiões em que ela será perturbada por tramoias de pessoas maldosas. No entanto, espero que vocês, membros do Grupo Hosu, assim como as raízes do bambu, mantenham-se solidamente entrelaçados debaixo da terra, unam-se de maneira firme e solidária para dar continuidade ao kosen-rufu. Se no futuro o avanço da Soka Gakkai retroceder um ou dois passos, a responsabilidade será toda de vocês; terá sido porque vocês foram negligentes. Quero deixar bem claro aqui e agora que a responsabilidade total pertence a vocês.

Foi um brado das profundezas do seu ser, solenizando aquele encontro como uma cerimônia de transmissão da missão do futuro do kosen-rufu aos seus sucessores.

Eles olhavam fixamente para Shin’ichi, ouvindo cada palavra com muita atenção.

Shin’ichi prosseguiu:

— Vocês são os verdadeiros filhos da Soka Gakkai. São meus legítimos discípulos e sucessores da Soka Gakkai. Os membros da organização e o povo sofrerão se vocês, meus jovens sucessores, carecerem de compaixão e coragem. Estabelecendo como objetivo inicial os próximos dez anos, conclamo-os a avançar intrepidamente com o espírito de assumir responsabilidade total pela Soka Gakkai.

Os líderes centrais que participavam do encontro ouviam Shin’ichi estupefatos. Os membros do Hosu não estavam prontos no que se referia à idade ou ao seu cargo na organização para assumir a responsabilidade total pela Soka Gakkai. Porém, com base na própria experiência, Shin’ichi sabia que se eles se tornassem confiáveis e fidedignos, independentemente da idade ou da função, os integrantes do Hosu poderiam assumir responsabilidade plena pelo futuro da Soka Gakkai.

Quando Josei Toda renunciou à posição de diretor-geral da Soka Gakkai em decorrência de insucessos nos negócios, Shin’ichi decidiu resolutamente em seu coração de que se encarregaria de garantir que Toda sensei assumisse a liderança do kosen-rufu como presidente da organização, e lutou sozinho para proteger seu mestre e fazer isso acontecer. Ele tinha 22 anos na época.

Shin’ichi ingressou na empresa de Josei Toda quando estava com 21 anos. Logo depois, os negócios entraram em crise, mas Shin’ichi protegeu seu mestre com dedicação e lealdade. Depois de superar essas dificuldades por meio dos esforços assíduos de Shin’ichi, Toda sensei pôde ser conduzido ao posto de segundo presidente da Soka Gakkai e assumir a liderança do kosen-rufu.

Aos 24 anos, Shin’ichi iniciou uma campanha de propagação como consultor do Distrito Kamata de Tóquio e alcançou a meta sem precedentes de 201 novas famílias em um único mês. Isso representou uma guinada crucial para se atingir o objetivo de vida de Josei Toda de 750 mil famílias, que ele anunciara em sua cerimônia de posse.

E aos 25 anos, Shin’ichi foi nomeado responsável interino pelo Distrito Bunkyo de Tóquio. Por meio de sua vigorosa luta, o distrito, que se encontrava estagnado, logo subiu para as primeiras colocações nos resultados de propagação de todo o país.

Shin’ichi ainda era jovem e não estava em posição de liderar a Soka Gakkai como um todo. Mas, tendo acolhido como missão a concretização do ideal do seu mestre, emitiu um lampejo de vitória a partir da organização que estava coordenando e continuou realizando conquistas significativas para o kosen-rufu.

Sempre se pode apontar uma infinidade de razões para justificar por que a pessoa não é capaz de manifestar seu potencial — é muito nova, não ocupa uma posição de liderança suficientemente alta, não tem tempo etc. Contudo, no que se refere ao cumprimento da missão e à responsabilidade em relação ao kosen-rufu, que constitui a ordem e o desejo do Buda, detalhes como idade e posição são irrelevantes. No mundo do budismo e da fé que abarca todo o universo, tais fatores não contam como obstáculos. Usá-los como desculpa para não conseguir evidenciar plenamente suas habilidades é ignorar o próprio potencial infinito. É o que significa ser derrotado pelas funções da maldade.

A questão essencial é se a consciência, a oração e a prática da pessoa estão em sintonia com seu mestre na fé. Shin’ichi era alguém que incorporava perfeitamente esses aspectos.

Como coordenador da Secretaria da Divisão dos Jovens da Soka Gakkai, aos 26 anos, Shin’ichi era, para todos os efeitos práticos, responsável pela Soka Gakkai como um todo. Em 1956, quando estava com 28 anos, estabeleceu um marco dourado na Kansai de Con­tí­nuas Vitórias, com a conversão de 11.111 novas famílias ao Budismo Nichiren em um único mês.

Shin’ichi declarou a si mesmo: “Os membros do Hosu são meus discípulos! Em outras palavras, todos eles são discípulos que incorporam o mesmo espírito e compromisso que Shin’ichi Yamamoto!”.

Nesse sentido, “Shin’ichi Yamamoto” pode ser considerado outro nome para campeões que se devotam ao kosen-rufu. Unidos ao seu mestre, eles hasteiam a bandeira da vitória. Por acreditar nisso, Shin’ichi disse aos membros do Grupo Hosu que, se o avanço da Soka Gakkai estagnasse no futuro, a responsabilidade seria inteiramente deles; por não terem se esforçado o suficiente.

Ele sentia o mesmo em relação às integrantes do Grupo Hosu da Divisão Feminina de Jovens.

Ao término da reunião, Shin’ichi compôs um poema e o ofereceu aos membros:

Vocês, jovens fênix,

deixem o ninho

como grandes fênix.

e alcem voo,

contemplando as cerejeiras

do kosen-rufu.


Shin’ichi tinha a firme convicção de que os integrantes de todos os grupos e, na verdade, os membros de toda a Soka Gakkai eram “Shin’ichis Yamamotos” que compartilhavam da missão pelo kosen-rufu.


3

Daisaku Ikeda (à esq.) incentiva casal do Distrito Kamata durante a sua atuação naquela organização em 1952


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Presidente Ikeda incentiva os integrantes do Grupo Hosu (Jovens Fênix) da Divisão Masculina de Jovens


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logotipo Rede da Felicidade


No topo: desenho mostra o jovem Ikeda [representado por Shin’ichi Yamamoto no romance Nova Revolução Humana] regendo canção em atividade no Distrito Bunkyo


Leia mais

Sobre a luta de propagação no Distrito Kamata no Especial desta edição. Clique aqui para ler. 

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.


Fonte:

IKEDA, Daisaku. Empenho Resoluto. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 23, p. 254-258.


Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Dai­shonin, v. I, p. 422, 2019.

3-2-2022

Grupo Coração do Rei Leão

“Ser o exemplo”

“Quando eu crescer, quero ser igual a você.” Quem em algum momento não ouviu essa frase, na maioria das vezes dita por uma criança, nosso filho ou não, que, por algum motivo, nos admira e projeta seu futuro naquilo que vê?

Sabemos que a primeira referência para as crianças são os pais, por isso não é incomum que os copiem em atitudes e até mesmo em hábitos do dia a dia. Elas observam com olhares atentos a expressão da mãe, do pai e dos demais integrantes da família.

Por essa razão, o famoso “ser o exemplo” se faz necessário e muito importante, principalmente quando se fala em convívio familiar. Talvez isso possa nos deixar muito preocupados, mas a questão é “Que pessoa estou sendo ou que conduta estou tendo para que meu filho sinta o desejo de se inspirar em quem eu sou?”.

Precisamos ensinar aos nossos filhos a importância da prática da fé. E, mais que falar, comprovar na vida os resultados dessa prática é essencial para que eles observem e se sintam incentivados a acompanhar a fé exercida no lar.

Realizar a prática assídua é necessário. Fazer gongyo e daimoku diariamente, estudar o budismo e pôr em prática as preciosas orientações de Ikeda sensei são atitudes necessárias e cruciais para um bom início de ensinamento de valores que nortearão a vida daqueles que mais amamos.

É fundamental que tenhamos consciência do nosso valor e o que queremos ensinar, contribuir e ajudar a fortalecer esses seres humanos para que possam fazer o mesmo por outras pessoas.

A relação que criamos com nossos filhos nos mantém ligados para sempre, e o ideal é que ocorra uma troca positiva, na qual os bons gestos prevaleçam e os resultados sejam cultivados a partir desses exemplos.

Para que isso se torne realidade, observemos as atitudes que estamos tendo em relação à vida. Qual a nossa conduta diante das dificuldades, dos desafios, das atitudes escolhidas e do modo de vida que escolhemos.

Ikeda sensei ensina:


Descobrir, desenvolver e lapidar os “valores humanos” é o foco das atividades promovidas pela Soka Gakkai Internacional (SGI). Sem esses esforços, não há como concretizar o objetivo maior — a paz mundial. Se a humanidade almeja um futuro brilhante, deve, como primeiro passo, cuidar, com carinho e atenção, das crianças.1


Ao longo dos anos, aprendemos com Ikeda sensei a importância de evidenciar uma vida que cultive o desejo de criar pessoas valorosas capazes de mudar o destino da humanidade. Assim, é imprescindível que entendamos que esse ideal se inicia no lar, na família, preservando suas diferenças, mas, acima de tudo, que nos respeitemos.

A realidade de inúmeras famílias é de extremo sofrimento, contudo, a prática da fé o remove e faz surgir a esperança. Daí a importância de os membros da família serem indivíduos proativos e que tenham um objetivo grandioso. O ideal do kosen-rufu é a concretização de famílias decididas a vencer seus dramas e que sejam, de fato, felizes e busquem fazer com que mais e mais pessoas também sejam.

O presidente Ikeda afirma:


A capacidade de “criar valores humanos” não depende do tempo de prática. A paixão de uma pessoa pelo ideal do kosen-rufu é o que move o coração de outras e é a partir disso que se inicia a “criação de valores humanos”.2


Nos últimos meses, vivemos uma situação de distanciamento social jamais imaginada. Famílias inteiras nessa condição. Mas com que olhar observamos esse panorama?

Para aquela pessoa que compreende tudo como uma preciosa oportunidade, seu olhar e seu sentimento se traduzem em “Que maravilha! Poderemos conversar mais; fazermos as refeições juntos; recitarmos gongyo e daimoku em família; estudarmos o budismo e nos aprimorar na fé. Essa é a real conduta de quem quer harmonia em seu lar e, consequentemente, na sociedade, pois, por meio de seu exemplo, comprova que há, sim, como mudar o que estamos vivendo, e assim tudo se torna uma grandiosa oportunidade para transformar seja o que for.

Sejamos, então, o exemplo!


Grupo Coração do Rei Leão da BSGI


Notas:

1. Terceira Civilização, ed. 480, ago. 2008, p. 24.

2. Idem, ed. 531, nov. 2012, p. 14.

3-2-2022

Relato

A vitória do Mestre é a vitória do discípulo

Eu me converti ao Budismo de Nichiren Daishonin no Rio de Janeiro, em 23 de maio de 1982, e atualmente vivo em Aracaju, SE, onde atuo como consultor de RE e responsável pelo Departamento de Estudo do Budismo (DEB) da RE Sergipe e da Sub. Nordeste 1 (CRE Leste, CGRE).

Em plena pandemia da Covid-19, em 26 de maio de 2020, fui internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) com neuropatia diabética no pé direito cuja orientação era a realização de cirurgia. O caso era grave, inclusive com prescrição de amputação do pé. Contudo, minha decisão era de que esse procedimento não seria necessário, mas sim uma recuperação convencional. Já vinha intensificando a recitação do Nam-myoho-renge-kyo (daimoku) com o objetivo de que tudo transcorreria normalmente, pois a Covid-19 já assolava e, devido a isso, o Huse estava superlotado de pessoas infectadas.

No dia seguinte, fui operado com total sucesso e a ansiedade se dissipou. Era a primeira vez que fazia algum tipo de cirurgia e naquele momento de pandemia, o que me deixou preocupado, pois, a partir daí, uma série de problemas começou. Durante três dias, “vaguei” pelos corredores do hospital sem lugar certo para ficar, diante da superlotação. Devido às normas adotadas pelo hospital, fiquei sozinho todos esses dias, sem contato com ninguém e sem minha família por perto. Estava num local em que alguém, em sã consciência, não gostaria de estar. Pessoas desesperadas pelos corredores, por falta de respiradores e de outros equipamentos. Nesse ambiente eu me mantinha sereno e confiante no meu daimoku, lembrando-me da frase de um dos escritos de Nichiren Daishonin: “O inverno nunca falha em se tornar primavera”.1

Depois de três dias, fui liberado para a enfermaria, saindo dos corredores, já com o apoio do meu filho. Sentia que tudo começava a melhorar. Passaram-se dez dias e os médicos decidiram que eu precisava ser operado novamente, devido a uma necrose, e teria de amputar os demais dedos do pé. Apesar dessas notícias pouco animadoras, continuei firme no daimoku e confiante na minha fé. Houve momentos em que cheguei a recitar daimoku das 22 horas às 5 horas da madrugada, totalmente confiante na recuperação.

Cheguei a passar quase duas horas deitado numa maca no corredor aguardando a segunda cirurgia — oportunidade para recitar muito mais daimoku. O curioso foi que, deitado ali, refleti bastante e percebi o que Nichiren Daishonin queria dizer com o princípio de que “o inferno é a própria Terra da Luz Tranquila”.2 Naquele momento, percebi a centelha do Gohonzon em minha vida palpitando forte e me revelando a essência da “possessão mútua dos dez mundos”.3

Cometeram erros graves na administração do meu prontuário, incluindo marcar a amputação do meu pé sem sequer me comunicar e obter minha autorização. Notei um movimento estranho e, em meio a isso, a enfermeira avisou que eu teria de ir à mesa de operação para a cirurgia. Nesse momento, convicto, manifestei minha força e, chamando a atenção de todos do hospital, exigi a presença do médico que me acompanhou durante o processo. Ao analisar a situação, ele mesmo resolveu tudo.

Também com daimoku, venci outra questão lá mesmo no hospital. Após a segunda cirurgia, informei sobre as fortes dores que sentia no pé. A enfermeira, sem perguntar, aplicou-me uma grande dose de morfina, o que me fez passar muito mal, comprometendo minha vida.

Tudo isso ocorreu muito rapidamente e, a partir daí, mais seguro, superei a terceira cirurgia, uma raspagem final do local, e iniciei a recuperação sem amputar o pé. Foi uma grande vitória da relação de mestre e discípulo, pois minha convicção é inspirada na postura do meu mestre, Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI). Temos o melhor mestre, praticamos o melhor ensinamento e formamos a melhor organização, a BSGI.

Hoje, eu me encontro muito bem, com saúde e na reta final da minha recuperação. Também estou feliz porque planejamos as atividades do DEB para 2022, envolvendo os jovens valores da RE Sergipe, com o propósito essencial de desenvolvê-los para que construam o futuro com base no estudo do budismo, cada vez mais fortes e capazes de influenciar os demais jovens da nossa sociedade.

Agradeço a todos da RE Sergipe, aos meus familiares e ao Mestre cujas orientações foram preciosas nesses momentos desafiadores e se transformaram em plena vitória.


14

Eurico Leite com a filha Bianca

15

na Universidade Federal de Sergipe, por ocasião da aprovação de homenagem ao Dr. Daisaku Ikeda, em 2017

16

no Japão, em 1987


18

no conselho para líderes da CRE Leste


Eurico Leite Lisboa, 72 anos. Administrador de empresas. Consultor de RE e responsável pelo DEB da RE Sergipe, CRE Leste, CGRE.



Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 560.

2. Ibidem, p. 477.

3. “Possessão mútua dos dez mundos”: Segundo este princípio, cada um dos dez mundos possui o potencial inerente a todos os dez. “Possessão mútua” significa que a vida não se fixa a um ou outro dos dez mundos, mas pode manifestar qualquer um dos dez — do estado de inferno ao estado de buda — a qualquer momento. O ponto fundamental desse princípio é que todos os seres, em qualquer um dos nove mundos, possuem a natureza de buda. Assim, cada pessoa tem o potencial para manifestar o estado de buda, da mesma forma que um buda também possui os nove mundos, não sendo, portanto, separado ou diferente das pessoas comuns (Brasil Seikyo, ed. 2.400, 31 dez. 2017, p. A10).

3-2-2022

Especial

Ímpeto que abre caminhos

REDAÇÃO

Josei Toda assumiu a presidência da Soka Gakkai em maio de 1951 e jurou concretizar 750 mil famílias na organização. Sete meses depois, o total chegava a 0,7% do objetivo e, pelo ritmo, seriam necessários cerca de noventa anos para atingi-lo.

No ano seguinte, ocorreu ampla reestruturação com a criação dos níveis de distrito, comunidade e bloco, mas o crescimento da organização caminhava a passos lentos. Naquela época, os distritos que realizavam mais shakubuku atingiam, no máximo, cem famílias em um mês. Com a percepção aguçada dos fatos, Josei Toda sabia que, seguindo aquele ritmo, a Soka Gakkai jamais seria uma grande organização. Foi então que ele chamou o destemido jovem Daisaku Ikeda, com 24 anos, e disse-lhe: “Daisaku, poderia entrar no Distrito Kamata [região de Tóquio] e fazer as coisas avançarem?”. O jovem vinha trabalhando dia e noite ao lado do presidente Josei Toda e entendeu perfeitamente o desejo do seu mestre: levar a felicidade ao maior número de pessoas. Kamata era a terra natal de Daisaku Ikeda. Numa sala da antiga sede de Nishikanda, em Tóquio, o jovem respondeu com firmeza: “Deixe comigo”. Também disse: “Agora é o momento de mudar a situação! Vamos abrir caminho para a vitória!”.1

Cabe ressaltar que, nesta época, Ikeda sensei havia se convertido ao budismo e se tornado membro da Soka Gakkai menos de cinco anos antes, em agosto de 1947. Mesmo assim, e apesar de ser muito jovem, já havia manifestado uma relação profunda com seu mestre, Josei Toda.

O primeiro passo foi definir estratégias, metas e objetivos claros. Em seguida, encontrar, dialogar e incentivar o maior número de membros, participar do maior número de reuniões de palestra e rea­lizar muitas visitas. Por que o mês de fevereiro? No início da campanha, em 1952, o presidente Ikeda clamou aos seus companheiros durante uma reunião realizada no bairro de Ota: “Fevereiro é o mês de nascimento de Nichiren Daishonin e do presidente Josei Toda. Vamos aproveitar esta significativa época para demonstrar nossa gratidão pelo maravilhoso benefício e felicidade que atingimos com nossa prática, ajudando outras pessoas a também se tornar felizes”.2 Todos os membros expressaram sua concordância em resposta a esse corajoso pedido.

O que se passava na mente do jovem Daisaku? Quais eram seus questionamentos? O Mestre comenta:


Quando assumi minha função no Distrito Kamata, estava com apenas 24 anos. Como poderia inspirar cada pessoa a entrar em ação com um genuíno entusiasmo e propósito? Eu o faria por meio de minhas próprias ações, de meu próprio suor e árduo empenho, mostrando resultados concretos. Havia decidido assumir total responsabilidade em atingir nosso objetivo. Tinha certeza de que, se me tornasse um bom exemplo, os membros reconheceriam meus esforços e depositariam confiança em mim.3


Atuando como consultor do Distrito Kamata e com a saúde bastante debilitada, o jovem líder se entregou inteiramente àquela missão. De onde extraía tanta força? Da forte ligação que tinha com seu mestre, Josei Toda. Por isso, desafiava a si mesmo com energia e coragem, mesmo sem muita experiência e com líderes bem mais veteranos que ele. Assim, com essa postura e dedicação, o presidente Ikeda consagrou o mês de fevereiro na história da Soka Gakkai como o período de grande propagação do Budismo Nichiren. Junto com os membros desse distrito, naquele fevereiro de 1952, numa época de frio intenso, 201 famílias ingressaram na Soka Gakkai. Logo após, Tóquio começou a avançar. Então, todos os distritos do Japão inteiro seguiram o mesmo caminho.

O número de novos membros na organização, no mês de janeiro de 1952, foi de 635 famílias. Após o recorde de conversões do Distrito Kamata em fevereiro, o número de shakubuku para o mês seguinte aumentou drasticamente, ultrapassando mil famílias — uma meta que há muito já havia sido objetivada, mas nunca alcançada. Em novembro e dezembro daquele mesmo ano, foi atingida a marca de 2 mil novas famílias. O total de membros, no início de 1952, era de 5.727 famílias. No fim desse ano, o número de famílias chegou a 22.324.

O histórico movimento de propagação empreendido no Distrito Kamata deu início a contínuas ondas de avanço da Soka Gakkai, impulsionadas por outras grandes lutas do presidente Ikeda, como no Distrito Bunkyo e na região de Kansai.

Ikeda sensei compartilha:


Abri um caminho para o avanço do kosen-rufu. Após esse fato, essa onda de propagação espalhou-se rapidamente para outras regiões do Japão e nosso movimento de compartilhar amplamente o Budismo de Nichiren Daishonin começou a crescer, mostrando um significativo progresso.4

“Como jovem tendo como ponto de partida a campanha de fevereiro, criei a regra básica do avanço e da vitória de toda a Soka Gakkai. Não são artimanhas nem táticas superficiais. Eu solidifiquei um caminho eterno de vencer com base na prática da fé de levantar-se só e prática da fé de luta conjunta de mestre e discípulo. Eu criei essa diretriz eterna de vencer com base nesses dois pontos, esse foi o impulso para a vitória”5


Pontos que podemos aprender com a luta no Distrito Kamata

1. Tudo depende da determinação e disposição do líder, que deve ter o desejo e comprometimento de realizar o kosen-rufu.

2. Ter um forte juramento feito ao Mestre, fundamentado numa firme convicção e numa forte oração de que conseguirá concretizar o kosen-rufu, mesmo que tenha de prosseguir sozinho.

3. Definir metas e objetivos claros que sejam aceitos por todos.

4. União e comprometimento de todos com o mesmo ideal.

5. Por meio de seu próprio exemplo, o líder adquire condições de incentivar outros e expandir toda a organização.


Concretizar os ideais do mestre

Nestes trechos de um de seus ensaios, o presidente Ikeda compartilha o espírito com que se dedicou ao inesquecível movimento de propagação do Distrito Kamata

“O primeiro passo de todo desafio é estabelecer metas claras. Se os objetivos forem vagos, as pes­soas encontrarão dificuldade para se referenciar e assumir como um desafio pessoal. Consequentemente, elas não empenharão sérios esforços na realização de tais objetivos.”

“Ao mesmo tempo, é importante não impor objetivos aos outros. Eles devem ser apresentados de uma forma que todos possam aceitá-los e sentir entusiasmo em realizá-los. Para esse fim, o líder central deve ter a firme decisão de assumir a responsabilidade pessoal de atingir a meta pretendida, mesmo que tenha de fazê-lo sozinho. A paixão e o entusiasmo que emanam desses líderes inspiram os outros a se dedicar ao máximo em prol do kosen-rufu.”

“Meu desejo era que os cem responsáveis pelo bloco do Distrito Kamata assumissem papéis centrais e fossem vitoriosos. Em vez de uma única pessoa avançando cem passos, cem pessoas avançariam um único passo. Orava e me empenhava incansavelmente no distrito, determinado a que nenhuma pessoa sequer ficasse fora dessa luta e que cada membro comprovasse os benefícios da fé.”

“A chave da vitória está em descobrir novos valores e combinar suas habilidades na organização. A palavra ‘organização’ nos leva a pensar numa estrutura monolítica e impessoal. Porém, na Soka Gakkai, as pessoas são valorizadas em primeiro lugar.”

“Todos os líderes do Distrito Kamata — incluindo os de comunidade e de distrito — participavam das atividades do bloco. As reuniões de palestra também eram realizadas em nível de bloco, pois isso permitia encontros mais pessoais e calorosos. Nesse ambiente simples era possível abordar os problemas e as preocupações de cada pessoa num diálogo de vida a vida. Nessas reuniões, cada companheiro que era inspirado com uma nova determinação se levantava com coragem para realizar o shakubuku.”

“Lutei com este espírito: ‘Apoiar o responsável pelo distrito e juntos fazer dele o melhor distrito do Japão!’. Empreendi todos os esforços para desenvolver a mim mesmo como um modelo de consultor de distrito. Como já dizia um filósofo da antiguidade, não é a posição que enobrece a pessoa, mas a pessoa que enobrece a posição. (...) O pensamento de que exercer uma função na organização torna alguém importante é um indício de autoritarismo. Esse é o tipo de comportamento de uma pessoa que se vangloria por trás de uma autoridade ‘emprestada’. Essa atitude só degrada o valor da posição.”

“Por maiores que sejam as dificuldades ou os sofrimentos encontrados ao longo do desafio, uma vez que o objetivo é alcançado, tudo se transforma em alegria e satisfação. (...) Todos estavam radiantes de felicidade. Alguns responsáveis pelo bloco literalmente dançavam de alegria. Nada poderia tê-los deixado mais felizes.”


Veja ensaio na íntegra na revista Terceira Civilização, ed. 521, jan. 2012.


16

Daisaku Ikeda (à esq.) dedicou cada momento de sua vida a tornar realidade os nobres anseios do seu mestre, Josei Toda

No topo: ilustração retrata o jovem Ikeda com membros da Soka Gakkai do Distrito Kamata, dialogando e se preparando para a grande luta de propagação


Notas:

1. Brasil Seikyo, ed. 1.809, 27 ago. 2005, p. B8.

2 Idem, ed. 1.641, 23 fev. 2002, p. A2.

3. Ibidem.

4.Ibidem, ed. 1.519, 14 ago. 1999, p. A3.

5. Ibidem, ed. 1.809, 27 ago. 2005, p. B8.

3-2-2022

Discurso

Um novo desafio para um grandioso progresso! Realizem diálogos que criem amizades genuínas

MINORU HARADA

PRESIDENTE DA SOKA GAKKAI


Sinceros parabéns pela realização da 6ª Reunião de Líderes em que nos comprometemos a alcançar um progresso dinâmico visando o centenário de fundação da Soka Gakkai, com o coração juvenil.

Em primeiro lugar, sobre a contribuição financeira do fim do ano passado, manifesto minha profunda gratidão pela nobre participação dos senhores, membros do Departamento de Contribuintes (Kofu). Muito obrigado!

Bem, este ano marca os cinquenta anos desde o primeiro diá­logo, em 5 de maio de 1972, entre um dos maiores historiadores do século 20, Dr. Arnold J. Toynbee, do Reino Unido, e Ikeda sensei. O livro de diálogos Escolha a Vida, traduzido até hoje para trinta idiomas, é usado como material de estudo em universidades do mundo e livro de cabeceira de inúmeras personalidades, como chefes de Estado, reitores e intelectuais.

Assim como foi com o Dr. Toynbee, em todos os seus diálogos, Ikeda sensei sempre dedica sua inteira atenção à pessoa diante de si para criar verdadeiros laços de amizade que jamais se abalem. Testemunhei por diversas vezes o drama em que essas amizades abriram amplamente as portas do kosen-rufu mundial transpondo as barreiras geográficas e temporais.

Por exemplo, houve uma época no Brasil, que estava sob o governo militarista, em que o preconceito e os rumores em relação à Soka Gakkai foram disseminados e, apesar de ter chegado ao país vizinho, Ikeda sensei teve o visto negado e não conseguiu desembarcar.

Todavia, os tempos mudaram e, em 1984, na transição do regime militar para um governo democrático, concretizou-se a visita de Ikeda sensei ao Brasil depois de um período de dezoito anos.

Um momento marcante envolveu o encontro de sensei com o presidente João Figueiredo. Para os preparativos, reuniram-se representantes da SGI e o ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, João Leitão de Abreu.

Nessa ocasião, o representante do governo perguntou o tipo de personalidade do presidente Ikeda. À medida que se aproximava o dia da entrada de sensei no país, novamente, invejosos orquestravam tumultos para obstruir o seu ingresso ao Brasil. Por causa disso, aquele encontro com o ministro se tornou um momento tenso sobre o que poderia ocorrer.

Um dos membros presentes respondeu ao questionamento do ministro apresentando um livro de diálogos e um álbum de fotos de Ikeda sensei. Ao abrir o álbum, o ministro viu uma foto e demonstrou grande surpresa, dizendo: “Ah, é ele!”. Era uma foto de sensei com o grande historiador Arnold J. Toynbee.

Na realidade, quando visitara Londres anteriormente, Leitão de Abreu havia comprado pessoalmente o livro de diálogos de Ikeda sensei e o Dr. Toynbee. E disse tê-lo lido por diversas vezes devido ao conteúdo extraordinário.

Ao ver a foto com o Dr. Toynbee, as dúvidas do ministro foram instantaneamente esclarecidas. Então, ele disse: “Há somente uma condição para que o presidente Ikeda se encontre com o presidente da República”.

Os representantes da SGI ficaram apreensivos com a palavra “condição”. O ministro continuou: “Gostaria que ele se encontrasse comigo também após se reunir com o presidente da República, mesmo que fosse brevemente”.

Ikeda sensei foi logo comunicado, respondendo de forma positiva. Então, conforme previsto, criou laços de amizade no encontro com o presidente Figueiredo, e dialogou separadamente também com o ministro Abreu.

A reunião com o presidente Figueiredo foi veiculada no noticiário vespertino de uma rede de televisão do Japão.

Desde essa ocasião, o ambiente que envolve a BSGI mudou completamente. E Ikeda sensei foi condecorado com inúmeras homenagens, dentre elas a Ordem do Cruzeiro do Sul, a mais importante honraria concedida pelo Estado brasileiro.

Que enormes possibilidades guardam as verdadeiras amizades estabelecidas com cada pessoa no âmbito do kosen-rufu! Almejando alcançar um grandioso progresso dinâmico, vamos nos estabelecer firmemente no grande solo e nos desafiar na criação de genuínos amigos.

Em uma entrevista ao Soka Shimpo [jornal dos jovens da Soka Gakkai], o professor Mitsunori Ishida, sociólogo do Departamento de Letras, Artes e Ciências, da Universidade Waseda, analisou, de forma perspicaz, o cenário de “conexão” da geração de jovens de hoje.

Os laços regionais ou sanguíneos de antigamente foram se enfraquecendo devido à concentração populacional nas grandes cidades. Os laços na empresa, a conexão que surgiu no lugar daquelas antigas formas de ligação, também começaram a se perder desde os anos 1990 com a desaceleração da economia.

Como resultado, a sociedade tornou-se cada vez mais individualizada. No passado podíamos criar naturalmente nossas conexões na própria vida diária, isto é, tínhamos uma rede de contato à nossa disposição. Porém, atualmente, cada pessoa precisa, por si própria, escolher e estabelecer suas conexões.

Além disso, com a disseminação das redes sociais a partir da segunda metade dos anos 2000, o professor Ishida diz que as pes­soas foram confrontadas com o desafio de “criar relações com pes­soas que as aceitassem”. Ao mesmo tempo, elas estão constantemente preocupadas com a possibilidade de não ser aceitas pelas pessoas à sua volta.

Ele compartilha a expectativa de que “num mundo onde as relações estão se tornando cada vez mais instáveis, a fé possa ser um alicerce importante não só no nível individual, mas também para sustentar as relações”.

No “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”, precisamos perceber e absorver de forma aguçada essas grandes mudanças sociais, como também pensar sobre a missão social da Soka Gakkai, acompanhando a época. Nós também precisamos mudar de forma audaciosa.

Observando de outro ângulo, isso quer dizer que, mesmo dentro da organização, a geração que passou a juventude nos anos 1990 que hoje são membros ativos na faixa etária de 40 anos, viveu numa sociedade em que fizeram escolhas e criaram as próprias conexões, ou seja, é uma geração que não possui uma rede natural de contatos.

É por essa razão que o primeiro passo é estabelecer como base do movimento pelo kosen-rufu diversas formas de “atividades de amizade”, para conhecer novas pessoas e ampliar a rede de relacionamentos. São necessárias a disponibilização de tempo e a compreensão das iniciativas individuais.

Vamos usar a criatividade em nossa localidade e nas divisões e dar início a um novo desafio visando ao progresso dinâmico.

Certa vez, o Dr. Josef Derbolav, autoridade alemã em educação e filosofia, perguntou a Ikeda sensei: “A partir de que tipo de motivação se concretizam os diálogos com intelectuais?”.

Ikeda sensei respondeu ao questionamento dizendo: “Pes­soas que possuem o profundo anseio pela paz mundial e pela felicidade dos outros acabam se encontrando naturalmente em algum lugar”.

Vamos também “unir o nosso coração” à ampla propagação do budismo e, como legiões a suceder a Ikeda sensei, criar redemoinhos de diálogos capazes de convocar aqueles de relação compartilhada com os emergidos da terra!

31

Minoru Harada, presidente da Soka Gakkai


32

Presidente Ikeda (terceiro da esq. para a dir.) dialoga com o historiador Arnold J. Toynbee (segundo) enquanto caminham em parque (Londres, 1972)

No topo: 6ª Reunião de Líderes da Soka Gakkai, realizada no Auditório Memorial Toda, em Sugamo, Tóquio, em 8 de janeiro de 2022. Os participantes seguem os cuidados sanitários do Japão em relação à pandemia da Covid-19

3-2-2022

Encontro com o Mestre

Adversidades são oportunidades para transformar nosso carma

Alguém que caiu ao chão se recupera e volta a se levantar deste mesmo solo. Aqueles que caluniam o Sutra do Lótus caem ao chão dos três maus caminhos [os mundos do inferno, dos espíritos famintos e dos animais] ou dos mundos humano e celestial; porém, finalmente, com a ajuda do Sutra do Lótus [Nam-myoho-renge-kyo], poderão atingir o estado de buda.1

A Prova do Sutra do Lótus

Por que pudemos encontrar a Lei Mística na era maléfica dos Últimos Dias da Lei? Nichiren Daishonin explica que isso se deve a uma profunda relação cármica que formamos com ela em virtude do acúmulo de imensurável boa sorte e benefícios em existências passadas.

O Budismo Nichiren nos permite transformar veneno em remédio. Venha o que vier, encaremos todos os desafios com o espírito de que “Chegou a hora de transformar o meu carma!”.

Aqueles que perseveram na prática budista com firme fé não precisam ter medo de nada! Adversidades fazem parte da emocionante história de nossa revolução humana, por meio da qual poderemos inspirar e conduzir outros à felicidade no presente e no futuro.

Publicado no Seikyo Shimbun de 19 de dezembro de 2019.


Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 375, 2020.

3-2-2022

Encontro com o Mestre

Vencer é transformar dor em alegria

Neste Encontro com o Mestre, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, incentiva sobre acumularmos o tesouro do coração e o que significa kosen-rufu. Ele fala também sobre o potencial que todos possuímos para transformar nossa tendência de vida

DR. DAISAKU IKEDA

Prezem a pessoa que está à sua frente neste exato momento e, com toda a sinceridade, façam o que pode ser feito agora. Acumulem o “tesouro do coração” para desfrutar uma vida plena embasada nas “quatro virtudes” — eternidade, felicidade, verdadeiro eu e pureza.

A pessoa que mais sofreu será a mais feliz. Experimentará a alegria da triunfante vitória, pois possui o direito e a missão de irradiar esperança e luz da boa sorte.

O poeta indiano Rabindranath Tagore (1861–1941), aclamado como grande mestre, escreveu em seu poe­ma Gitanjali: Oferenda Lírica:

Ilumines com a chama do arden­te desejo... Não passes momentos vazios na escuridão / acendas a chama do amor.

Tagore esteve pela terceira vez no Japão, em 1924, para incentivar o povo que se empenhava na reconstrução da terra devastada, um ano após o gigantesco terremoto que assolou a região de Tóquio. Ele comentou: “O que devemos considerar importante é a genuinidade do bem”.

Kosen-rufu não é fazer algo grandioso. Significa realizarmos, uma por uma, todas as pequenas coisas diante de nós, de forma persistente e consistente. Ter empatia pelo sofrimento da pessoa à sua frente e incentivá-la a enfrentar com sinceridade e entusiasmo tudo neste momento — são ações a ser realizadas por qualquer pessoa, de imediato.


Cumprir a missão no local em que se encontra agora

Há uma senhora de Namie, província de Fukushima, que está morando em Chiba para fugir das radiações da usina nuclear.1 Ela está separada da família vivendo somente com sua filha. Mesmo enfrentando a solidão inexplicável por estar em ambiente totalmente desconhecido, essa mãe procurou algo que estivesse ao seu alcance para incentivar os conterrâneos que vivem em Chiba. Decidiu marcar um encontro para tomar chá da tarde e reuniu-se com mais de dez pessoas. Após o encontro, essa senhora visita cada uma dessas pessoas periodicamente para ouvir os sofrimentos e desafios delas.

Ela disse: “O que posso fazer é muito pouco”. E assim, está sempre em busca de algo que esteja ao seu alcance e de forma proativa se dedica a realizá-lo. É por meio desse pequeno ato que ela está criando uma onda de desafio em busca da esperança de viver.

Sua situação atual é talvez desesperadora, contudo, essa mãe disse com firmeza: “Quero me empenhar sem remorso e com alegria, determinando que aqui é o meu lugar para cumprir minha missão” e “Quero viver de forma brilhante este momento único”.

Sem dúvida, o tesouro do coração está na vida dessas pessoas, sábias bodisatvas da terra que, de cabeça erguida, se dedicam em prol de outros. No escrito Perguntas e Respostas sobre Abraçar o Sutra do Lótus,2 que provavelmente foi redigido em março de 1263, consta:


Todos os lugares, exceto a Capital da Luz Tranquila, são mundos de sofrimento. Se abandonar o refúgio da iluminação inerente, onde acredita que encontrará alegria?


Estamos numa sociedade maculada pelo mal; mas, não há ‘Terra da Luz Tranquila’ distante dessa realidade. Portanto, devemos transformar o ambiente em que vivemos com destemida coragem, evidenciando a vida do estado de buda inerente à nossa vida pela recitação ininterrupta de daimoku, o Nam-myoho-renge-kyo.

Transformemos esse lugar em terra de esperança, de crescimento, de união e de vitória. Assim, vamos comprovar o potencial inerente à determinação de uma única pessoa aqui e agora.

Uma líder da Divisão Feminina (DF), a qual visitou várias vezes a região de Tohoku, relatou-me com incontida comoção sobre uma mãe de Soma, Fukushima. Essa mãe se levantou corajosamente da tristeza pela perda inestimável da filha mais velha, da mãe e da avó, vítimas do tsunami. As mães tratando as jovens como se fossem suas filhas; e elas, por outro lado, protegendo as veteranas do grupo Taho (Muitos Tesouros) com muito carinho como se fossem mães e avós. Foi com esse sentimento que realizaram a Reunião Nacional de Líderes e a Convenção de Tohoku com a união de todas. Essa mãe falou sobre a sua impressão: “Após a ocorrência da tragédia, não tinha esperança de realizar uma reunião desta proporção aqui em Fukushima. Mas conseguimos realizá-la em apenas dois anos! Por isso, tenho a certeza de que seremos incalculavelmente felizes; todos nós seremos absolutamente felizes!”. É isso mesmo! E assim será!

Vieram à minha mente as palavras do professor Ronaldo Mourão, astrônomo brasileiro com quem publiquei o diálogo Astronomia e Budismo:3


Meu sonho é que a alma, o espírito dos seres humanos, que emerge da desesperança, da escuridão, brilhe tão mais intensamente que Sirius, a mais brilhante estrela do firmamento. Por esse caminho, o nosso planeta, nesse mundo, pode ser outro.


Vamos brilhar cada vez mais como a “Suprema Torre de Tesouro” e presentear a comunidade, a sociedade, o mundo e o futuro com o infinito brilho da boa sorte.


Discurso publicado no Brasil Seikyo, ed. 2.176, 20 abr. 2013.


38

Presidente Ikeda e sua esposa, Kaneko, oferecem uma coroa de flores a uma integrante da

SGI-Bolívia durante Reunião Nacional de Líderes (Tóquio, jul. 2006)


No topo: Daisaku Ikeda, presidente da SGI, em momento descontraído com um membro de Okinawa durante visita à região (fevereiro de 1974)


Notas:

1. Em 2011, algumas regiões do Japão foram atingidas por um terremoto seguido de tsunami. Na província de Fukushima, o desastre provocou o vazamento de radiação da usina nuclear, obrigando inúmeras famílias a deixar a região.

2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 66, 2020.

3. MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas; IKEDA, Daisaku. Astronomia e Budismo — Uma Jornada Rumo ao Distante Universo. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, p. 60, 2009.

3-2-2022

Incentivo do líder

Sempre acreditar

Olá, companheiros de todo o Brasil, eu me chamo Kellen, tenho 30 anos e moro no Distrito Federal. Sou fisioterapeuta e atuo na área de reabilitação cardiopulmonar com ênfase na área hospitalar. Durante a pandemia, vivi o momento mais desafiador da minha vida profissional e pessoal, trabalhando em dois hospitais num cenário nunca imaginado por mim. Às vezes, sentia que estava dentro de um filme de terror.

Nesse período, não conseguia participar das atividades da organização ou realizar visitas on-line, pois estava sempre de plantão ou extremamente cansada física ou psicologicamente. Vários sentimentos se misturavam em meu coração, como medo, angústia, tristeza e estresse. Então, sempre que possível, recitava daimoku para que eu pudesse ajudar ao máximo os pacientes e também para ter proteção e saúde. Com isso, compreendi ainda mais quanto nossa vida é preciosa, única e frágil. Em meio a diversas vidas perdidas para a Covid-19, a cada alta hospitalar dos pacientes brotava a esperança de devolver para o lar um pai, uma mãe, um filho, amigo, companheiro, enfim, uma pessoa que alguém tanto ama.

O apoio incondicional dos companheiros e da minha família foi a minha fortaleza. Todos os dias, antes de ir ao plantão, já havia mensagens de incentivo no meu celular. Por vezes, eles acordavam bem cedinho para me ligar e desejar coragem, e, ao fim do dia, lá estavam eles novamente me enchendo de carinho, dizendo para que eu descansasse. As maravilhosas rainhas da felicidade sempre me lembravam de me alimentar bem e de beber bastante água. Os líderes da Sub. Distrito Federal, localidade à qual eu pertencia em 2020, com amor, supriam a atuação que eu não conseguia dar conta naquele momento. Quanta gratidão! Toda a proteção se manifestou em minha vida quando contraí o vírus junto com meu esposo e minha mãe: nós nos recuperamos em casa e sem sintomas graves. Hoje, guardamos esse momento como um grande benefício da prática da fé.

Estar conectada aos companheiros me fez estar ligada a Ikeda sensei todos os dias; e a cada momento de dúvida ou fraqueza, eu lia o seguinte poema do Mestre:1

Hoje, mais uma vez, não seja derrotada.

Hoje, mais uma vez, evidencie coragem,

trilhando o seu caminho

na estrada de seu juramento,

na estrada da vitória.

Essa rede de apoio dos amigos e companheiros da Gakkai foi fundamental para que eu cumprisse minha missão como profissional da saúde. Muito obrigada!


Kellen Matheus Moreira

Coordenadora da Divisão dos Estudantes de coordenadoria


Nota:

1. IKEDA, Daisaku. Pode Haver uma História mais Maravilhosa do que a Sua?. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, p. 205, 2018.

3-2-2022

Editorial

Sem se distrair

Neste momento em que os periódicos da Editora Brasil Seikyo estão sendo publicados apenas digitalmen­te, é bem provável que você esteja agora com o celular na mão ou em frente ao computador. Com este mundo da internet e dos aplicativos, esses dispositivos são janelas para muitas informações.

Por outro lado, sabemos que essas mesmas janelas não param de vibrar, acender luzes, emitir sons, mensagens e estímulos, fazendo com que sua atenção fique dispersa entre tantas coisas. E em quantas delas conseguimos nos concentrar ao mesmo tempo?

Segundo pesquisa científica,1 quando parece que estamos fazendo duas tarefas simultaneamente é porque uma delas é automática, tal como conversar enquanto caminha. Se duas tarefas exigem esforço cognitivo, então seu cérebro fica pulando de uma para a outra em poucos segundos. Isso significa que não tem como ouvir uma história de quem está à sua frente, enquanto escreve uma mensagem no WhatsApp, e garantir que ambas recebam 100% de sua atenção a todo instante.

Em seu recente discurso na 6a Reunião de Líderes , que consta na íntegra neste Brasil Seikyo, o presidente da Soka Gakkai, Minoru Harada, diz que “Em todos os seus diálogos, Ikeda sensei sempre dedica sua inteira atenção à pessoa diante de si para criar verdadeiros laços de amizade”.

No Encontro com o Mestre desta edição, o presidente Ikeda conta a história de uma senhora que, em meio aos desafios pessoais, se empenha para se encontrar com as pessoas a fim de ouvir seus sofrimentos e então incentivar uma a uma. Ikeda sensei nos solicita:

Prezem a pessoa que está à sua frente neste exato momento e, com toda a sinceridade, façam o que pode ser feito agora. (...) Kosen-rufu não é fazer algo grandioso. Significa realizarmos, uma por uma, todas as pequenas coisas diante de nós, de forma persistente e consistente. Ter empatia pelo sofrimento da pessoa à sua frente e incentivá-la a enfrentar com sinceridade e entusiasmo tudo neste momento — são ações a ser realizadas por qualquer pessoa, de imediato.


Com certeza, foi com o espírito de prezar cada pessoa que nosso mestre realizou a propagação do budismo no Distrito Kamata, há setenta anos. Leia matéria especial. 

Aproveitando que está com essa janela aberta, nós o convidamos a ficar concentrado e a entrar nas próximas páginas repletas de incentivos.

Ótima leitura!


Nota:

1. Smartphone, Uma Arma de Distração em Massa. El País Brasil, 25 jun. 2017. Tecnologia. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/06/23/tecnologia/1498217993_075316.html . Acesso em: 28 jan. 2022.

3-2-2022

Frase da Semana

Frase da semana

“E já que tem dívida de gratidão para com todos os seres vivos, deve ajudar todos eles a atingir o estado de buda.”1

Acreditando na natureza de buda do amigo com quem nos relacionamos, vamos conversar orando pela sua felicidade! Eis a campanha de fevereiro do bailar corajoso dos jovens.

Dr. Daisaku Ikeda

Publicada no jornal Seikyo Shimbun em 31 de janeiro de 2022.


Nota:
1. The Writings of Nichiren Daishonin [Os Escritos de Nichiren Daishonin]. Tóquio: Soka Gakkai, v. II, p. 636.

3-2-2022

Matéria Divisão dos Universitários e Herdeiros

Conexões para o futuro - a importância do diálogo

Divisões dos Universitários e dos Estudantes Herdeiro

Matéria a ser utilizada nas Atividades da Jornada da Juventude Soka e Comemorativas da DUni

Já parou para pensar na importância do diálogo ou dialogou com alguém bem diferente de você? Inspirados no Objetivo 5 da Agenda 20301 da Divisão dos Jovens (DJ) da BSGI — Relações Humanas —, que será desenvolvido por meio de várias atividades ao longo deste ano, a Divisão dos Universitários (DUni) e a Divisão dos Estudantes Herdeiro (14 aos 17 anos) propõem uma reflexão a respeito desse ponto fundamental para a criação de uma sociedade plural e harmoniosa.

Há cinquenta anos, no dia 5 de maio de 1972, na cidade de Londres, o presidente Ikeda iniciou uma série de diálogos com o historiador britânico Arnold J. Toynbee, mundialmente conhecido pela obra Um Estudo da História, em que examina o processo de nascimento, crescimento e queda das civilizações da perspectiva global.

Toynbee era cristão, contava com 83 anos e se desenvolveu sob os valores ocidentais. Ikeda, por outro lado, é budista, tinha 44 anos na ocasião do encontro e cresceu em meio à cultura oriental. Apesar das inúmeras diferenças, com base no princípio da dignidade da vida, refletiram sobre diversos assuntos que acompanharão a humanidade pelo vasto futuro.

A palavra “diálogo” vem do grego diálogos, e é formada pelo prefixo dia, que significa “através”, e por legein, que significa “falar”2. Portanto, resumidamente, o diálogo representa uma forma de interação entre duas ou mais pessoas que, por meio da palavra, expressam uma à outra sua opinião e percepção sobre determinado assunto.

Existem condições para que um diálogo aconteça?

Embora não exista uma “receita-padrão”, há alguns pontos básicos que tendem a caracterizar um bom diálogo, como a disposição de aprender, o respeito e a empatia pelo outro.

A disposição de aprender significa admitir que nosso conhecimento é limitado e parcial, e a interação com outro ser humano, de diferentes vivências e características, nos permite uma visão de mundo mais rica e abrangente. Já o respeito absoluto nos possibilita reconhecer a dignidade da vida do outro, ainda que haja discordância de ideias.

No livro Comunicação Não-violenta, o autor Marshall B. Rosenberg esclarece a importância do exercício de nos colocar no lugar do outro durante um diálogo:

A empatia está em nossa capacidade de estarmos presentes. Continuo a me espantar com o poder curativo da empatia. Repetidas vezes tenho testemunhado pessoas transcendendo os efeitos paralisantes da dor psicológica, quando elas têm contato suficiente com alguém que as possa escutar com empatia.3

Devo iniciar um diálogo me sentindo superior ao outro?

Falar “para alguém” é comum em relações hierárquicas e desiguais, em que apenas um tem o poder e a capacidade de transmitir informações, enquanto o outro somente a absorve de forma passiva. Diferentemen­te, falar “com alguém” significa construir valor a partir da diferença; complementar conhecimentos em prol de um objetivo comum.

Quando pensamos na diferença entre gerações, por exemplo, a sabedoria adquirida ao longo dos anos por aqueles mais experientes e a facilidade dos mais novos em acessar diversas ferramentas tecnológicas podem ser fatores de distanciamento ou de aproximação, a depender da nossa disposição em abandonar uma possível superioridade moral e conseguir, humildemente, se tornar completo com as características do outro.

Por isso, as interações entre filhos e pais na família, entre iniciante e veterano na organização e entre aluno e professor na escola ou faculdade devem ser estimuladas e cuidadosamente construídas. No livro Escolha a Vida, um Diálogo sobre o Futuro, que resultou justamente do diálogo com Toynbee, o presidente Ikeda ressal­ta o potencial desse tipo de contato:

Se as gerações mais velhas e mais novas adotarem como ponto de partida o reconhecimento da dignidade humana nesse sentido, confio em que será encontrado um caminho para a união de ambas. Isto, por seu turno, levaria à reconstrução do sistema de poder e da ordem educacional, e à criação de uma ordem inteiramente nova.4

Qual é a minha intenção neste diálogo? Falar por último significa ser vencedor?

Dialogar não é queda de braço entre vencedor e perdedor, entre alguém que dá a “palavra final”, enquanto o outro será derrotado por argumentos mais convincentes.

No livro Escolha a Vida, um Diálogo sobre o Futuro, é nítido o intercâmbio de ideias entre os participantes, que se revezam harmonicamente para propor temas relevantes; embasar e descrever com mais detalhes a sua opinião; ouvir atentamente uma colocação diferente; e oferecer sua conclusão final a respeito de um assunto.

Portanto, sem se limitar à vontade de que todos tenham a mesma opinião final, o mais importante é garantir que, ao longo do processo, todos possam se sentir à vontade para expor suas ideias de forma sincera e autêntica. Enfatizando o potencial do diálogo de humanizar as relações humanas, Ikeda sensei incentiva:

Armados de paciência e trajando o “manto da cortesia e da tolerância”,5 vamos insistir em sempre falar com os outros com uma voz clara e vibrante. Vamos dialogar de forma calorosa e alegre. Vamos realizar diálogos que inspiram e incentivam; diálogos transbordantes de filosofia. São esses diálogos que abrirão o caminho para um mundo realmente mais humano. E vamos nos empenhar ao máximo para ligar esses diálogos à contínua vitória de nosso movimento.6

E como saber se tive um bom diálogo?

Tão importante quanto o que se fala, é como se fala — por essa razão, gostaríamos de compartilhar algumas dicas práticas que podem ajudar em um diálogo mais formal, em uma prosa com um amigo e até na DR com o crush:7

  • Crie um ambiente favorável ao diálogo, em que os participantes se sintam à vontade e haja o mínimo de interferência externa.
  • Utilize um tom de voz adequado para se expressar de forma sábia.
  • Exercite a escuta ativa:8 além de ouvir atentamente a comunicação verbal, absorva cada detalhe da linguagem não expressa, como a postura, a expressão facial, as reações espontâneas e outros sinais sutilmente transmitidos ao longo da interação.
  • Não monopolize a palavra e, enquanto o outro estiver se expressando, jamais o interrompa e evite ao máximo desviar sua atenção com outras atividades.
  • Esteja pronto para reativar o diálogo quando perceber que a interação está se perdendo.
  • Ter a sensação de que haveria mais assunto para continuar o diálogo e dispor elementos para fazer uma autorreflexão futura são fortes indícios de que você acabou de ter um excelente diálogo. =)

Sobrepondo as diferenças e imbuídos do mesmo sentimento do presidente Ikeda de abrir novos caminhos para o futuro por meio do diálogo, vamos realizar conversas francas e inspiradoras, com a firme convicção de que esta é uma das ferramentas de conexão mais fundamentais entre as pessoas e de transformação da sociedade.

Poste sua foto tendo diálogos para o futuro e marque @seigangeneration

1

Presidente Ikeda (à dir.) dialoga com o historiador britânico Arnold J. Toynbee (Londres, maio 1972)

 

Notas:

1. Agenda 2030 da Divisão dos Jovens da BSGI: https://agenda2030dj.wordpress.com/portfolio/ 

2. Disponível em: https://origemdapalavra.com.br/palavras/dialogo/ . Acesso em: 8 de fev. 2022.

3. ROSENBERG, Marshall B. Comunicação Não-violenta: Técnicas para aprimorar Relacionamentos Pessoais e Profissionais. São Paulo: Ágora, 2006. p. 214.

4. TOYNBEE, Arnold J.; IKEDA, Daisaku. Escolha a Vida: Um Diálogo sobre o Futuro. Rio de Janeiro: Record, 1976. p. 142.

5. Gosho Zenshu [Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin]. Tóquio: Soka Gakkai, p. 971.

6. Terceira Civilização, maio 2006.

7. DR tem o significado de “discutir o relacionamento”; e crush é gíria empregada para se referir à pessoa amada.

8. TARTUCE, Fernanda. Técnicas de Mediação. In: Mediação de Conflitos: Da Teoria à Prática. São Paulo: Atlas, 2011. p. 7.

10-2-2022

Encontro com o Mestre

Torne feliz a pessoa diante de seus olhos

DR. DAISAKU IKEDA

Por que se inicia uma conversa?

É para tornar feliz

a pessoa diante de seus olhos.

Esse é o espírito primordial do budismo

desde a época de Shakyamuni.

É o desejo fundamental do Buda

mantido persistentemente por Nichiren Daishonin,

o Buda dos Últimos Dias da Lei, e

herdado pela nossa Soka Gakkai.

A tradicional Campanha de Fevereiro

é um emocionante drama da expansão do diálogo,

iniciado a partir do levantar resoluto

das pessoas que despertaram para

a missão dos emergidos da terra.

Orando profundamente —

para a felicidade daquele companheiro,

para o desenvolvimento do meu jovem sucessor —,

mergulha-se na linha de frente sem demora.

Deve-se perseverar sem relaxar

na repetição dessa oração e ação.



O que toca o coração das pessoas

não é a hábil arte da oratória

nem a retórica de belas palavras.

O sentimento desesperado de

“Levante-se!”, jorrando do fundo de sua vida,

é que começa a envolver o coração dos companheiros.

Incentivo é a inspiração da alma criada

pelas chamas da determinação mental.

Transformar a condição de vida,

lutando corpo a corpo contra os problemas reais

da vida diária que enfrenta.

Fora dessa órbita não existe

o caminho da verdadeira reforma social

nem a “pacificação da terra”.

O grande caminho da revolução humana,

que se encontra nesse ponto de partida,

é o incentivo para alguém.

A pessoa incentivada se levanta e

entrega o bastão do incentivo para

uma pessoa diante de seus olhos.

Esta, por sua vez, entrega o

bastão para a próxima.

Essa corrida de revezamento da prática da fé promove

a aceleração da revolução humana de cada pessoa.

Publicado no Seikyo Shimbun de 30 de janeiro de 2022.

No topo: Sob o formoso céu azul de inverno, é deslumbrante o amarelo das nanohana (flores de vegetais comestíveis similares ao brócolis). Foto tirada por Ikeda sensei em fevereiro de 2002 durante a sua visita ao Centro de Treinamento de Shizuoka, localizado na cidade de Atami. O colorido vívido das flores de nanohana, que começam a desabrochar por volta de fevereiro, prenuncia a esperançosa primavera. Certa vez, o presidente Ikeda escreveu: “As flores de nanohana se levantam anunciando repetidas vezes a chegada da primavera”. E concluiu: “Nós também queremos fazer desabrochar multicoloridas flores da amizade rumo à vitoriosa primavera”. Neste ano [2022], completam-se setenta anos desde a Campanha de Fevereiro, na qual Ikeda sensei abriu o caminho para a concretização do empreendimento de vida mais desejado por Toda sensei. Rumo à estação da esperança [primavera japonesa], façamos desabrochar as grandes flores da amizade, incentivando-nos mutuamente.

10-2-2022

Frase da Semana

Frase da Semana

Independentemente do que aconteceu até agora, o futuro pode ser mudado infalivelmente a partir da seriedade na oração e na ação. Com convicção na prática da fé de vitória absoluta, comece hoje e no local em que se encontra!

Dr. Daisaku Ikeda

Publicada no jornal Seikyo Shimbun em 8 de fevereiro de 2022.

10-2-2022

Editorial

A natureza resplandece 

Como uma cachoeira, feroz! 

Como uma cachoeira, incansável! 

Como uma cachoeira, sem medo! 

Como uma cachoeira, alegre! 

Como uma cachoeira, altiva!1

Um dos mais belos espetáculos da natureza é presenciar a força das águas, como na queda de uma cachoeira. Em nosso país, uma dessas experiências pode ser vivida nas Cataratas do Iguaçu, no Paraná. Como Ikeda sensei descreve, é um local em que “a natureza resplandece”.2 

Outra grande cachoeira, uma das mais famosas do mundo, são as Cataratas do Niágara, localizadas no Canadá. 

Ikeda sensei lembra o que viu quando visitou as Cataratas do Niágara dizendo que a água azul-esverdeada flui de forma maestral até se tornar uma corrente gigantesca que, pela força das quedas d’água, produz uma névoa branca com gotas de água que parecem dançar no ar. A luz do sol que reflete nessas gotículas dá vida a belos arcos-íris. Ele faz uma comparação com a beleza e a força desse fenômeno natural:

Da mesma maneira, no caminho do kosen-rufu, a vida das pessoas que continuam avançando diariamente de forma ininterrupta com volumoso espírito de luta em seu coração é dinâmica, e em seu topo resplandece sempre o arco-íris da esperança.3

Esta edição do Brasil Seikyo registra e comemora 35 anos desde que os membros da BSGI foram honrados com o poema A Longa e Distante Correnteza do Amazonas. É um denso e tocante texto, no qual Ikeda sensei relaciona a grandeza do maior rio em volume de água e extensão territorial do mundo com sua expectativa pelo avanço incessante do kosen-rufu do Brasil. Leia Especial. 

O jornal também traz uma notícia sobre os blocos e as comunidades, as verdadeiras nascentes do contínuo fluxo pela felicidade das pessoas, que lutam como uma cachoeira — de forma feroz, incansável, sem medo, alegre e altiva. Deixe-se banhar pelas ondas de incentivo, fazendo surgir assim o arco-íris da esperança em sua vida e na vida daqueles ao seu redor. 

Boa leitura! 

Notas: 

1. IKEDA, Daisaku. Songs from My Heart. Tradução: Burton Watson. Nova York: Weatherhill, Inc., 1997. p. 110. 

2. Brasil Seikyo, ed. 2.225, 26 abr. 2014, p. B2. 

3. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana, v. 30-I. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2020. p. 403.

10-2-2022

Notícias

Juventude imparável

REDAÇÃO

Mediante o atual cenário da saúde mundial, a Soka Gakkai, assim como a Associação Brasil SGI (BSGI), precisou se ajustar a essa nova realidade. A partir do desejo de estreitar os laços de amizade e se aprofundar sobre os mais recentes direcionamentos do Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), os jovens líderes centrais da BSGI tomaram uma iniciativa arrojada. Entre os meses de dezembro e fevereiro, promoveram diálogos on-line com líderes da Soka Gakkai e da SGI. Nos encontros virtuais, representantes da liderança da Divisão dos Jovens (DJ), da Divisão Feminina de Jovens (DFJ) e da Divisão Masculina de Jovens (DMJ) tiveram a oportunidade de dialogar com seus respectivos líderes em três diferentes atividades.

A primeira delas ocorreu no dia 16 de dezembro de 2021, ocasião em que dezenove líderes da DJ de coordenadoria e acima dialogaram com Akiyasu Shiga, coor­denador da DJ da Soka Gakkai. Entre os principais assuntos, discutiram pontos fundamentais na atuação dos jovens para o “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”. Akiyasu Shiga pontuou: “É essencial gravarmos o juramento seigan em nossa vida, conquistar a vitória do discípulo e descortinar o caminho do kosen-rufu daqui para a frente”.

No dia 12 de janeiro de 2022, foi a vez da DFJ, que, em seu diálogo, aproveitou para buscar direcionamentos que ajudassem no desenvolvimento das jovens do Brasil. Entre os pontos ressaltados, junto com as 33 líderes brasileiras que participaram, estava a importância de empreender esforços nas reuniões de pequenos grupos, de estudos e diá­logos, em que todas as jovens se tornam protagonistas. Estavam presentes no encontro Hiroko Ogushi, coordenadora da DFJ da SGI, e Reiko Hayashi, coordenadora do grupo Ikeda Kayo Kai da Soka Gakkai.

Fechando o ciclo, no dia 26 de janeiro foi realizado o diálogo da Divisão Masculina de Jovens. Os 21 participantes, líderes de coordenadoria e acima da DJ e DMJ, dialogaram com Mitsuo Nishikata, coor­denador da DMJ da Soka Gakkai. Sobre a importância da participação dos jovens nas reuniões de palestra, Mitsuo Nishikata destacou: “Acredito que é importante que a DJ não somente participe da reunião, mas, com a Divisão Sênior (DS) e a Divisão Feminina (DF), anime e revigore toda a organização”.

No topo: líderes da DJ, DFJ e DMJ participam de diálogos com líderes da Soka Gakkai e da SGI

10-2-2022

Conheça o Budismo

Grande voo da felicidade

REDAÇÃO

Dificuldades são fatos da vida. Todos nós passamos por desafios e isso é ainda mais evidente quando nos propomos a concretizar algo importante. Assim, a maneira como encaramos e vencemos as adversidades faz toda a diferença.

O objetivo da prática do Budismo de Nichiren Daishonin é manifestar a condição de felicidade absoluta na vida de cada pessoa, ou seja, de felicidade plena e indestrutível, que não está condicionada a fatores externos. Essa condição, denominada “estado de buda”, é revelada por um processo de profunda transformação interior com base na recitação do Nam-myoho-renge-kyo (daimoku) e em esforços constantes para aprender, pôr em prática na vida diária e ensinar a filosofia budista a outras pessoas.

Durante esse contínuo empenho de autoaprimoramento, é fundamental entendermos e reagirmos adequadamente à verdadeira natureza dos fatos e, em especial, das adversidades. O próprio surgimento das dificuldades é prova de que estamos avançando em direção à felicidade.

Por que surgem as dificuldades?

Como dissemos, quando abraçamos e praticamos a Lei Mística visando atingir a condição de buda, damos início a uma revolução para transformar fundamentalmente a nossa vida. E como em qualquer revolução, no exercício budista também forças contrárias se manifestam no interior da própria pessoa ou em meio às pessoas do seu relacionamento. São como as ondas que surgem quando o barco avança. Esses impedimentos, que aparecem no caminho do exercício budista, são caracterizados pelos “três obstáculos e quatro maldades”.1

Vencer obstáculos e maldades

Diante das dificuldades, há quem simplesmente desista e aceite tudo como falta de sorte, exima-se, lamente ou se ressinta, culpando outros ou o ambiente. Esse tipo de postura não contribui para a resolução das questões, principalmente em seu nível essencial. Em contrapartida, o presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, incentiva:

Quando a Lei Mística brota em nosso coração, nossa vida resplandece como o sol em perfeita paz e serenidade com força infinita. Esse é o estado de buda. A manifestação do estado de buda e a derrota das forças negativas são uma única coisa. As maldades existem tanto em nossa vida como em nosso ambiente. Porém, derrotá-las ou sermos derrotados por elas depende unicamente de nosso espírito e de nossa determinação. O importante é vencer incessantemente. A prática budista consiste em jamais desistir dessa luta. Devemos cultivar um espírito que jamais, de maneira alguma, seja arrastado por influências negativas.2

Diretriz eterna

A terceira das “Cinco diretrizes eternas da Soka Gakkai” é “Prática da fé para vencer as dificuldades”, idealizada pelo segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, com o desejo sincero de assegurar que cada precioso membro, sem exceção, tivesse uma vida genuinamente feliz e realizada. Ikeda sensei enfatiza:

O segredo da vitória reside em possuir a fé corajosa de um rei leão, enfrentando resolutamente todos os obstáculos. (...) Toda sensei salientava a importância de ultrapassarmos cada dificuldade com que nos deparamos. “Cada vez que sobrepujamos uma montanha de adversidades fortalecemos dentro de nós a condição de vida do estado de buda que nada será capaz de destruir.” O fator crucial é desafiarmos cada problema no momento em que ele ocorrer. Não devemos aguardar até nossa fé ser profunda o bastante para tanto. É por enfrentarmos dificuldades que lapidamos nossa vida e edificamos uma fé indestrutível como o diamante. Como afirma Daishonin, “Mas, uma espada que foi bem forjada resiste até ao calor de um intenso fogo”.3

Espero, portanto, que orem pela solução de seus problemas diante do Gohonzon. Quando transformamos problemas em oração ao recitarmos Nam-myoho-renge-kyo, a coragem brota de dentro de nós e a esperança começa a brilhar em nosso coração.4



Alçar voo

Para entendermos melhor como encarar as dificuldades, vejamos um exemplo citado pelo presidente Ikeda: o avião. Em uma entrevista aos jovens, o Mestre salienta:

Naturalmente, todo o mundo quer evitar problemas e sofrimentos desnecessários. Ninguém escolhe se preocupar ou sofrer. Mas será que a mera ausência de dificuldades ou de problemas é sinônimo de felicidade? Não. A essência da felicidade é a realização interior. E a maneira de alcançar o verdadeiro sentido de realização é enfrentar nossos problemas, trabalhar duro para resolvê-los e vencê-los. (...)
Um avião consegue voar porque a resistência do vento forte contra suas asas o levanta no ar. Os ventos fortes do sofrimento com que nos deparamos em nossa juventude nos permitem subir, rumar para o futuro. (...)
Há momentos na vida em que nos encontramos assolados por tempestades inimagináveis, mas se tivermos a coragem de enfrentá-las, definitivamente vamos superar todas. A fé é a mais elevada forma de coragem.5


Consciência da missão

Como vimos, enfrentar e vencer dificuldades fazem parte do processo de revolução humana. Entretanto, para que isso ocorra, é fundamental nos fortalecer com base na prática da fé. Se nossa energia vital for fraca, até os menores problemas causam lamentação e parecem difíceis de solucionar. Manifestar vitalidade, sabedoria e boa sorte para encarar as adversidades faz com que nos fortaleçamos e não recuemos diante delas. À medida que vencemos questões cada vez maiores, mais fortes nos tornamos, mais a felicidade se consolida no âmago de nossa vida. Feliz é quem transforma o ambiente de acordo com sua condição de vida elevada. Além disso, a verdadeira felicidade somente é conquistada no cumprimento da missão como bodisatva, ou seja, nos esforços para apoiar outras pessoas nessa jornada, conforme o Mestre nos incentiva:

Quando despertamos para nossa missão como bodisatvas da terra, uma força incrível emana de dentro de nós; todos os obstáculos com que nos deparamos se tornam dificuldades que escolhemos assumir por vontade própria para ajudar a conduzir outras pes­soas à iluminação. E ao sobrepujarmos tais obstáculos, cumprimos nosso juramento de bodisatva de auxiliar os outros a serem felizes.


Nichiren Daishonin nos ensina a transformar fundamentalmente nossa atitude em relação às adversidades — deixando de ter pena de nós mesmos, questionando “Por que eu?”, e adotando uma postura cheia de brio e confiança capaz de declarar “Deixa comigo!”.6


Importância de realizar o shakubuku

O próprio presidente Ikeda nos mostra que a sincera dedicação à concretização da missão como bodisatva da terra abre caminhos mesmo em meio às maiores dificuldades. Ele relembra o movimento de propagação do budismo (shakubuku) empreendido no Distrito Kamata, em 1952, onde atuou como consultor:

A Lei Mística possui o incalculável poder de convocar e manifestar o estado de buda em todos os seres vivos e em todos os fenômenos do universo pelo passado, presente e futuro. Por ocasião daquela Campanha de Fevereiro7 de setenta anos atrás, em 1952, eu percorria [as localidades], junto com os companheiros do Distrito Kamata, para a propagação do Budismo de Nichiren Daishonin com sentimento de gratidão [a Daishonin e a Toda sensei — ambos fazem aniversário no mês de fevereiro]. Com frequência, observava as estrelas que brilhavam no gélido céu noturno. Em meio à vastidão do universo, dialogava alegremente com os companheiros de juramento do remoto passado sobre a “maior das alegrias”8 em dedicar a vida ao drama da propagação da Lei Mística.9

Vamos visualizar as dificuldades de uma condição de vida elevada, enxergando-as como oportunidades preciosas para nosso próprio desenvolvimento. Assim, poderemos consolidar cada vez mais a indestrutível condição de buda, conforme o presidente Ikeda diz:

A correta fé no Budismo de Nichiren Daishonin nos proporciona as asas da coragem, da felicidade e da vitória por toda a eternidade. Quanto mais ferozes os ventos da adversidade, mais alto alçaremos voo pela amplidão do céu e elevaremos nosso estado de vida com total tranquilidade e ilimitada alegria. Sigamos em frente com confiança e orgulho, voando serenamente com as invencíveis e indestrutíveis asas Soka pelos céus da vitória eterna!10

Notas:

1. “Três obstáculos e quatro maldades” (sansho-shima): Vários obstáculos e adversidades que tentam impedir a prática budista. Os três obstáculos são: 1) obstáculo dos desejos mundanos; 2) obstáculo do carma, que pode se manifestar na forma de oposição do cônjuge ou dos filhos; e 3) obstáculo da retribuição, também interpretado como obstáculos causados pelas pessoas às quais o praticante deve obediência, como governantes e pais. As quatro maldades são: 1) maldade dos cinco componentes; 2) maldade dos desejos mundanos; 3) maldade da morte; e 4) maldade celestial.

2. Brasil Seikyo, ed. 2.095, 13 ago. 2011, p. A6.

3. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 99.

4. Brasil Seikyo, ed. 2.355, 21 jan. 2017, p. B2.

5. Idem, ed. 2.126, 6 abr. 2012, p. A2.

6. Idem, ed. 2.355, 21 jan. 2017, p. B3.

7. Campanha de Fevereiro: Em fevereiro de 1952, como consultor do Distrito Kamata, em Tóquio, Ikeda sensei iniciou uma dinâmica campanha de propagação. Naquele mês, junto com os membros de Kamata, ele rompeu o recorde até então de cem novas famílias convertidas por mês, concretizando 201 novas conversões.

8. The Record of the Orally Transmitted Teachings [Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, p. 212.

9. Brasil Seikyo, ed. 2.595, 22 jan. 2022.

10. Idem, ed. 2.489, 26 out. 2019, p. B14.

Fontes:

Os Fundamentos do Budismo Nichiren para a Nova Era do Kosen-rufu Mundial, p. 44 a 49, 2019.

IKEDA, Daisaku. Cinco Diretrizes Eternas da Soka Gakkai. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2017. p. 61-64.

10-2-2022

Relato

Coragem para vencer

Pratico o budismo de Nichiren Daishonin há quatro anos e, logo após iniciar na prática da fé, decidi fazer parte do Coral Esperança do Mundo (CEM). Pelo fato de o grupo não existir em Mogi das Cruzes, SP, cidade onde moro, participava dos ensaios nos municípios vizinhos. Nesse pouco tempo em que faço parte do coral, tive várias oportunidades maravilhosas de aprimoramento, sempre levando o grupo e meu mestre, Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), no coração.

Sou enfermeira formada desde 2014 e pós-graduada em enfermagem em cardiologia. Comecei a trabalhar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e Pediátrica, em São Paulo, SP. Mesmo não tendo experiência com crianças, fui aprovada para a vaga. Como precisava do emprego, aceitei. Ao longo dos meses, percebi algo errado comigo. Sentia extremo cansaço mental e físico, além de insegurança e desmotivação. Emagreci, pois comia mal e não conseguia ter uma boa noite de sono. Ao acordar, nunca estava disposta e inúmeras vezes pensei em desistir de viver. Não sentia vontade de fazer nada a não ser ficar deitada.

Um dia, enquanto ia para o trabalho, tive uma crise de profunda tristeza e de desespero e chorava incessantemente. Enxuguei as lágrimas, recobrei o pouco da minha consciência e me dirigi à entrada da UTI. Entrei em colapso e não consegui trabalhar. Contei para a minha chefe o que estava acontecendo e ela, por sua vez, me acolheu de forma muito humana. Fui encaminhada ao pronto-socorro e medicada com calmantes. Por recomendação médica, permaneci em repouso em casa por duas semanas. Diagnosticada com depressão, iniciei o tratamento imediatamente.

Pedi demissão do emprego, pois não achava correto cuidar da saúde de crianças com doenças tão graves já que não poderia dar o meu melhor para atendê-las devido à minha condição de saúde. Jamais pensei que essa doença um dia me afetaria, mas senti “na pele” como a depressão é incapacitante, severa e real. Eu me sentia totalmente incapaz de reverter tal situação.

Causei preocupação aos meus pais, porém nunca quis que sofressem. Aquela não era eu. Sempre pensava: “O que está acontecendo comigo?”. Certo dia, sentei em frente ao Gohonzon e olhei para uma foto de Ikeda sensei na mesinha do meu oratório. Peguei o juramento do CEM e me emocionei assim que o li. Da gaveta da mesinha, retirei o livro Coragem, de autoria do presiden­te Ikeda, e abri num trecho que aqueceu meu coração:

A vida é longa. Algumas vezes conseguimos ter êxito, outras, não. Não há necessidade de se sentir envergonhado por causa de reveses temporários. O importante é vencer no final, nunca perder o espírito de lutar, por mais difícil que seja a situação.1 (...)
Exatamente quando as circunstâncias estão difíceis é que devemos encorajar aqueles à nossa volta com um sorriso radiante. Se, aparentemente, não houver esperança para a situação, crie-a. Não dependa dos outros. Acenda a chama da esperança dentro do próprio coração.2

Sou discípula de Ikeda sensei! Sou a “esperança do mundo”! Assim como o Mestre incentiva, vou me levantar quantas vezes forem necessárias! Era como se ele falasse diretamente comigo. Senti todo o carinho de suas palavras quando li aquele trecho. Precisava me reerguer, cuidar dos meus pais e protegê-los por ser a única praticante budista da família. Tranquilizei-os, porque tudo aquilo passaria: continuaria lutando e venceria aquela doença; procuraria um novo emprego para ajudar nas despesas de casa e para pagar meu tratamento.

Venci com muita “fé, prática e estudo”. Conquistei um emprego como atendente e estoquista num supermercado, aqui perto de minha residência. Ouvi pes­soas dizendo que era uma pena eu ter feito faculdade para me tornar atendente de supermercado. Ao contrário do que elas pensavam, estava muito feliz em trabalhar nesse local, pois eu me levantei! Tenho a oportunidade de crescimento e conheci pessoas maravilhosas. Lá, também, posso falar sobre o budismo para outras pessoas. Nesse emprego, eu me sinto bem, sem o estresse de antes, os funcionários são legais e trabalhamos em união.

Em dezembro de 2020, fui promovida no trabalho, inclusive por sempre dar o meu melhor para atender o cliente. Hoje trabalho como auxiliar administrativa na mesma rede de supermercados. Meu salário aumentou um pouco e ainda estou transformando meu carma financeiro, mas garanto que o tesouro do coração sem dúvida é o mais precioso e me impulsiona a lutar todos os dias. Não penso em parar por aqui, mas, com essa chance, planejo cursar a pós-graduação que tanto desejo.

Sei que meu perfil não é de enfermeira de hospital, hoje compreendo isso e está tudo bem. Ainda tenho um longo caminho pela frente e muito a me desenvolver e a transformar. Continuarei a cuidar da minha saúde e relatarei minha vitória ao Mestre. Agradeço imensamente aos meus pais, ao meu irmão, que está no Japão e cuida de nós, mesmo distante fisicamente, à minha família, ao meu noivo Haroldo e à sua família, aos meus amigos, à família Soka e ao meu amado Coral Esperança do Mundo. Vocês me incentivam e me inspiram demais. Eterna gratidão a todos! Muito obrigada, sensei!

10

no local de trabalho atual

 

12

Paula com os membros da RM Mogi Centro-Leste


15

com os componentes do CEM

15

com o noivo, Haroldo

17

com os pais, Maria e Pedro, no dia de sua formatura da faculdade (fotos das atividades são de antes da pandemia)


Paula Haruka Sato, 29 anos. Enfermeira. Vice-responsável pela Divisão Feminina de Jovens (DFJ) do Distrito César de Souza, RM Mogi Centro-Leste, Sub. Ayrton Senna, CGSP.

Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Coragem. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2018. p. 55.

2. Ibidem, p. 56.

10-2-2022

Especial

Majestoso como o rio Amazonas

REDAÇÃO

Imagine que hoje seja seu aniversário, e a cada mensagem que chega, você se enche de alegria pelo carinho recebido. Sinceras demonstrações de afeto são capazes de melhorar o humor, os pensamentos e até a postura de uma pessoa. Falando em carinho, temos a oportunidade de receber, todos os dias, novas palavras de incentivo do Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), que fazem com que nos direcionemos ao caminho correto de nossa vida. Aos 94 anos, nosso mestre é incansável em seu propósito:

Por que escrevo?
Para acender a chama da esperança no coração dos amigos mergulhados na dor e na tristeza.
Escrevo para incandescer a flama da coragem! Para fazer ecoar o ritmado hino ao ser humano no coração daquela pessoa, desta também; e juntos trilharmos o grande caminho da justiça!1

Assim, há exatos 35 anos, os membros da BSGI recebiam do presidente Ikeda o poema A Longa e Distante Correnteza do Amazonas. E seus versos, dedicados à brilhante atuação de todos os seus integrantes, tornou-se o direcionamento concreto para a expansão do kosen-rufu, assim como a força do rio Amazonas. A realidade social e da nossa organização era totalmente diferente da que vivemos hoje. Após esse poema, um novo horizonte da BSGI resplandeceu.

Para entendermos a importância dessa homenagem, precisamos voltar um pouco mais na linha do tempo. Em 19 de outubro de 1960, Ikeda sensei visita o Brasil pela primeira vez e funda a BSGI. Mesmo enfrentando uma difícil realidade, os membros, na maioria formada por imigrantes japoneses que vieram tentar a vida no país, sozinhos, iniciaram a prática budista. Já em 1966, recebemos pela segunda vez o presidente Ikeda. A BSGI contava com 8 mil famílias. Infelizmente, em 1974, ele teve seu visto negado para entrar no país e, após dezoito anos, em 19 de fevereiro de 1984, recebemos Ikeda sensei pela terceira vez. Até então, o Brasil veio se desenvolvendo, e o crescimento da organização, sempre pautado na relação de mestre e discípulo, se tornou símbolo de coragem e esperança. A situação adversa foi vencida pela atuação dos veteranos e dos novos membros.

Sobre o poema

O poema é datado de 21 de fevereiro de 1987, data da inauguração do Auditório Presidente Ikeda da BSGI (atual Auditório da Paz do Centro Cultural Dr. Daisaku Ikeda), em São Paulo, ocasião em que ele foi apresentado.

O presidente Ikeda dedica versos aos veteranos, estabelece diretrizes para o avanço do kosen-rufu, fala sobre os jovens herdeiros, depositando suas expectativas nos integrantes da Divisão dos Jovens (DJ). Ele também descreve os episódios vividos em 1974, as três primeiras visitas ao país e relata o momento em que entrou no Ginásio do Ibirapuera, durante o ensaio geral para o 1º Festival Cultural-Esportivo da SGI em 1984.

Ikeda sensei escreveu o poe­ma em Miami, Estados Unidos, sendo A Longa e Distante Correnteza do Amazonas o primeiro dedicado especialmente aos membros do Brasil.

O texto original, em japonês, foi recebido por fax um dia antes da inauguração do auditório e os líderes centrais da época junto com os tradutores iniciaram um processo minucioso de preparativos para que o poema fosse apresentado aos membros o mais rápido possível.


Corresponder ao desejo do Mestre

Assim como o rio Amazonas, o maior rio do mundo em volume de água e o maior em extensão territorial,2 a BSGI, ao longo dos anos, venceu cada desafio com união, sabedoria e coragem. A sociedade reconheceu a visão humanística de Ikeda sensei com diversas homenagens. O movimento pelo kosen-rufu atinge todas as regiões do Brasil e, com esse desenvolvimento, criou-se o palco ideal para a expansão da organização. A conquista do Bloco Monarca, a ampliação de novas coordenadorias são exemplos desse avanço corajoso e ininterrupto. Essa emoção e gratidão também são demonstradas quando apreciamos uma apresentação da Orquestra Filarmônica Brasileira do Humanismo Ikeda (OFBHI) com a execução da canção que foi composta com base no poema.

A prática budista é sinônimo de felicidade e é fonte de coragem e sabedoria para transformarmos qualquer realidade. O crescimento da BSGI, desde a sua fundação, é pautado na sincera relação de mestre e discípulo.

O presidente Ikeda descreve no poema:3

Oh! Meus jovens heróis de sublime missão,
que bailam em chão brasileiro,
sejam majestosos
como o Amazonas!
Sejam imponentes
como o Amazonas!
E construam o grande rio do eterno kosen-rufu
como o Amazonas, que nunca conheceu a interrupção.

Uma vez mais, vamos alçar voo na organização de base, criando esse incessante fluxo do kosen-rufu, assim como o presidente Ikeda nos direciona no poema, e façamos nossa vida fluir como um eterno rio banhado de vitórias e de conquistas junto com Ikeda sensei e com os companheiros da organização.

Notas:

1. Brasil Seikyo, ed. 2.264, 28 fev. 2015, p. B4.

2. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/rio-amazonas.htm Acesso em: 8 fev. 2022.

3. Terceira Civilização, ed. 505, set. 2010, p. 20.

Trechos do poema A Longa e Distante Correnteza do Amazonas

Acalentando em meu íntimo as orientações do venerado mestre,

lancei-me à caminhada

do kosen-rufu mundial,

e cravei meu passo

no solo de São Paulo.

Meu corpo estava

desgastado e febril,

talvez pela longa viagem

pelo estrangeiro.

Houve vozes aconselhando-me

a deixar a visita

para outra ocasião.

Todavia,

o Brasil seria o pilar do kosen-rufu da América do Sul,

o esteio do hemisfério sul.

Lá, encontravam-se companheiros que me aguardavam ansiosamente.

Encorajando e incentivando

a mim mesmo,

assinalei o primeiro histórico passo nessa terra.

***

No morro do Corcovado

do Rio de Janeiro,

juventude com os saudosos companheiros,

o juramento de um futuro magnificente.

O aspecto de sua árdua luta,

na vastidão imensa dessa terra,

como uma joia preciosa,

jamais se afastou da minha mente,

nem por um momento sequer.

Oito anos depois — março de 1974.

Recebendo o convite para

uma nova visita,

parti rumo à travessia

do continente americano,

acalentando no coração a alegria de com todos me reencontrar.

Contudo, ou talvez pela

providência do tempo,

um contratempo interpôs-se

a essa viagem.

E a terceira visita deixou

de concretizar-se.

A tristeza de vocês,

exaurida de lágrimas,

foi um sofrimento

para mim também.

***

Oh! Meu Brasil!

Céu e terra que tanto amo!

Solo da paixão,

nação da esperança e

país do futuro.

Neste grandioso e rico chão,

diferentes raças e

variadas culturas,

diversos costumes e

diversificada natureza

e clima exuberantes.

Esses variados fatores mesclam-se em harmonia

neste Brasil — República Federativa.

As pessoas denominam isto:

unidade dentro da diversificação.

Na jornada do caos para o

cosmos — nossa meta comum,

promovendo o

aprimoramento recíproco e

restituindo a vida a cada indivíduo,

eis a terra das potencialidades

do século 21,

que encerra a vitalidade

juvenil, mas ígnea como o magma.

***

Os senhores iniciaram

a marcha da convicção,

a fim de executar a sinfonia

da felicidade.

Nas vilas das íngremes cadeias

de montanhas,

nas aldeias das florestas de profundo silêncio e

nas agitadas cidades onde ressoam as marteladas das construções,

ponto a ponto, a luz da Lei Mística foi acesa,

E esta luz da felicidade estendeu-se para todo o Brasil.

Em toda a eternidade, essa história jamais haverá de ser destruída.

Oh! Meus desbravadores

do kosen-rufu,

o caminho aberto com lágrimas

tornou-se, hoje, a inabalável e imensa estrada da paz.

A planta cultivada com suor

tornou-se, hoje, uma grande árvore de frutos da felicidade.

***

E os jovens companheiros,

herdeiros desse sublime espírito,

dispõem-se a desbravar ainda mais amplamente esse caminho,

e percorrem triunfantemente pelo Brasil — o paraíso da esperança.

Ouçam!

Ouçam os passos de

avanço dos jovens,

que, ao ritmo do dinâmico samba,

ecoando pela vastidão do céu,

fazem estremecer esta grande terra.

Vejam!

Vejam o ardor dos jovens de salvar este mundo,

resplandecendo e transformando no sol da paixão,

anunciam o despontar no horizonte

***

Myo é o princípio da revivescência.”

Oh! Grande e majestoso Amazonas,

Em seu leito corre

abundante volume d´água.

E essa correnteza,

nascida de uma gota,

atravessa montanhas e vales,

transformando terras ressequidas

em solos verdes e floridos.

Lavando a selva de suas margens,

abarca incontáveis afluentes.

Esse volume d´água ilimitado,

percorre uma longa jornada.

O avanço do nosso kosen-rufu,

sereno e magnificente,

é como esse grande rio.

Leia o poema na íntegra no Brasil Seikyo, ed. 2.360, 18 fev. 2017, p. A6 e A7. Clique aqui para ler. 

10-2-2022

Encontro com o Mestre

“Podemos, com certeza, vencer”

Neste Encontro com o Mestre, o presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, enfatiza que os encontros da Soka Gakkai são cheios de esperança e de coragem. Ele também fala sobre a essência do budismo, revelada em nosso comportamento como seres humanos, e nos direciona a renovar nossa decisão e postura diariamente

DR. DAISAKU IKEDA

Quando a época fica obscura e sombria — de fato, exatamente em ocasiões assim —, devemos avançar com ânimo e dinamismo. Precisamos nos esforçar para animar e estimular o espírito das pessoas ao nosso redor. As atividades da Soka Gakkai devem ser os encontros mais vigorosos, inspiradores e vibrantes do mundo. Se as reu­niões estiverem cheias de pessoas cansadas e desatentas, que ficam pensando “Ah, não! Outra reunião”, “Outra atividade, não”, até o aplauso delas vai parecer maçante [risos]. No início do nosso movimento, as reuniões eram incrivelmente vibrantes, e os aplausos, sempre entusiásticos e vigorosos. Atividades assim são revigorantes e fazem bem para a saúde.

Ser indiferente é um grande desperdício. Se andarmos por aí como se estivéssemos o tempo todo sonolentos, não podemos esperar por uma vida sem arrependimento. Vamos avançar com entusiasmo e vigor!

É de suma importância também que os líderes da Soka Gakkai mantenham a paixão e a vitalidade. A organização prosperou até agora porque sempre nos mantivemos concentrados e alertas. Em qualquer organização, o declínio começa invariavelmente quando os líderes se tornam negligentes, sucumbindo à arrogância e à condescendência. Isso não deve acontecer aos líderes da Soka Gakkai. Espero que vocês falem com segurança e convicção e sejam o tipo de pessoa em que todos possam confiar.

O grande defensor da independência da Índia, Mahatma Gandhi (1869–1948), disse: “Com toda a certeza, suas nobres aspirações serão concretizadas. A pessoa que se esforça pelo bem possui o objetivo de nunca se empenhar em vão”.1 Com forte determinação, podemos abrir o caminho para a concretização dos nossos sonhos. Além do mais, temos o poder da oração. Podemos, com certeza, vencer.

A vida é uma batalha. Devemos vencer, total e decisivamente, reunindo a última força que nos resta para a vitória! Nós não conseguiremos continuar vencendo se nos tornarmos convencidos e deixarmos todo o trabalho árduo a cargo dos outros. Também não conseguiremos conquistar a vitória final na vida se nos esquecermos de ter gratidão e consideração pelos outros, perdermos o kosen-rufu de vista e formos derrotados pelas funções malignas do negativismo interior.

A essência do budismo está em nosso comportamento como seres humanos. Um líder arrogante e presunçoso constrói a própria derrota. Como líderes, precisamos demonstrar o máximo respeito pelos membros — que são os nobres filhos do Buda — enquanto oramos e nos empenhamos muito mais arduamente que qualquer outra pessoa para abrir o caminho. Esses sinceros esforços impulsionarão uma onda para a vitória.

Permitam-me, agora, compartilhar as palavras de um escritor francês. Como dizia Antoine de Saint-Exupéry (1900–1944) em seu famoso livro O Pequeno Príncipe: “Pode-se enxergar claramente com o coração. O essencial é invisível aos nossos olhos”.2 Essa é uma passagem muito conhecida. No mundo do budismo, as coisas verdadeiramente essenciais também são visíveis apenas por meio da fé. A fé é a suprema sabedoria.

Meu mestre, Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, compreendia profundamente o coração de seus discípulos e eu fui plenamente treinado por ele. Sempre que se encontrava com alguém, Toda sensei podia dizer imediatamente se aquela pessoa estava mentindo ou se estava dissimulando a verdade. Ele me deu preciosas lições sobre a natureza humana.



Todo o processo é importante

Permitam-me também citar agora uma passagem de Liev Tolstói (1828–1910): “O esforço em prol do bem, o próprio processo em si, justifica nossa vida”.3

Conforme disse Tolstói, todo o processo é importante, não apenas o objetivo final. Isso não quer dizer que não podemos ser felizes até alcançarmos determinado propósito. A vida nos apresenta muitas situa­ções diferentes, mas, enquanto perseverarmos na prática budista, poderemos até desfrutar a luta contra as dificuldades e triunfar serenamente sobre elas.

Visualizo uma Soka Gakkai no futuro que será tão impressionante que mesmo aqueles que abandonaram nossa organização ficarão admirados com nosso extraordinário progresso.

O crescimento da Soka Gakkai é como o sol no céu. Eu mesmo desafiei tramas e conspirações e triunfei. Espero que vocês, da mesma forma, vivam como vitoriosos. Construí um caminho pelo qual todos podem triunfar na vida. Isso se assemelha ao caminho da verdade e da justiça. Se seguirem essa estrada, sua vitória está garantida.



As mulheres possuem uma força extraordinária

Desde a fundação da Soka Gakkai, as integrantes da Divisão Feminina (DF) têm sido a força motriz do nosso desenvolvimento e também a chave para a vitória. As grandes mulheres não são arrogantes nem interesseiras. Suas orações são fortes. Os membros da Divisão Feminina transformaram a solidariedade da nossa organização numa força indestrutível. Nada mais temos a fazer a não ser lhes agradecer. Ninguém jamais deve menosprezá-las nem tratá-las com desrespeito. Esse foi também o rigoroso pedido que tanto Makiguchi sensei como Toda sensei fizeram, e a Soka Gakkai continua sólida atualmente porque nós o pomos em prática.

Ninguém consegue competir com a força das mães. E ninguém se iguala às componentes da Divisão Feminina, que constantemente entram em ação. Sempre as estimei e as incentivei com toda a sinceridade. As integrantes da Divisão Feminina de Jovens (DFJ) são igualmente merecedoras do maior respei­to. É natural que também as valorizemos ao máximo. Os homens devem constantemente respeitar e apoiar as mulheres, expressando profunda gratidão pelo árduo trabalho delas. A Soka Gakkai não terá futuro se for dominada por indivíduos arrogantes e presunçosos.

Não importando quanto a situação seja intimidadora, nossos membros sempre continuam a avançar rumo ao nosso supremo ideal do kosen-rufu com dedicação e firme determinação de vencer. Não há outro mundo como o da Soka Gakkai em lugar nenhum.

Josei Toda disse: “Da forma como estamos dedicados a uma grandiosa missão, devemos superar todos os obstáculos por meio da nossa prática budista. Enquanto mantivermos uma fé forte e correta, não haverá nenhum obstáculo que não possamos vencer”.4

Por praticarmos o Budismo de Nichiren Daishonin, conseguimos triunfar sem falta sobre quaisquer dificuldades que encontrarmos na vida. Não há nenhuma adversidade que não possamos superar. Portanto, não há nada a temer nem com que nos sentirmos intimidados. Avancem com convicção, com uma coragem audaz. Vamos orgulhosamente dar continuidade à poderosa convicção de Toda sensei.

Por favor, saibam que estou sempre orando com toda a seriedade por sua felicidade e pelo seu bem-estar. Esse é meu papel.

Leia o discurso do presidente Ikeda na íntegra no Brasil Seikyo, ed. 1.965, 29 nov. 2008, p. A3.

 

2

Casal Ikeda se exercita demonstrando alegria e vitalidade (França, jun. 1999)

No topo: presidente Ikeda e integrantes da Divisão dos Estudantes (DE) se deliciam com uma raspadinha (Hachioji, ago. 1975)

Notas:

1. GANDHI, Mahatma. The Collected Works of Mahatma Gandhi [Obras Completas de Mahatma Gandhi]. Nova Délhi, Publications Division, Ministry of Information and Broadcasting, Government of India [Divisão de Publicações do Ministério da Informação e Difusão do Governo da Índia], 1975, v. 61 (25 abr.-30 set. 1935), p. 245.

2. SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. The Little Prince (O Pequeno Príncipe). Tradução: Richard Howard. San Diego: Harcourt, Inc., 2000. p. 63.

3. TOLSTÓI, Liev. A Calendar of Wisdom [Calendário da Sabedoria]. Tradução: Peter Sekirin. Nova York: Scribner, 1997. p. 260.

4. Brasil Seikyo, ed. 1.965, 29 nov. 2008, p. A3.

10-2-2022

Incentivo do líder

Cultivar uma força capaz de atrair a felicidade

Quanta gratidão por receber mais um auspicioso mês de fevereiro, o qual, para nós, membros da BSGI, é repleto de profundo significado, não é mesmo? Em especial, para a Divisão Feminina (DF), o dia 27 tem grande importância por ser a data em que comemoramos dois aniversários: o da Sra. Kaneko Ikeda, coordenadora honorária das Mulheres da Soka Gakkai Internacional (SGI), que completará 90 anos (1932), e os 29 anos da DF da BSGI (1993).

A Sra. Kaneko é uma mulher inspiradora. Pela serenidade de seu sorriso, ela consegue transmitir a convicção e a esperança de que, não importando as circunstâncias, desde que tenhamos a prática da fé e os direcionamentos do Mestre como base do nosso dia a dia, seremos capazes de ultrapassar e vencer quaisquer dificuldades.

E por falar em dificuldades, creio não haver nesse período de pandemia alguém que possa declarar não ter defrontado com uma ou outra adversidade, em dado momento. Realmente, toda a humanidade vem sendo assolada por essa tempestade. Por outro lado, a prática budista revelada por Nichiren Daishonin possui o propósito fundamental de estabelecer a felicidade na vida de cada ser humano, capacitando-nos a transformar tudo em vitória.

Para nós, mulheres, encontrar esse budismo praticado pela Soka Gakkai é um grandioso oásis, algo extremamente necessário para conseguirmos atender todas as demandas da sociedade. Tem sido desafiador desenvolver uma jornada que há muito deixou de ser dupla, passando para tripla, e por que não afirmar que, algumas vezes, chega a ser quádrupla. Ainda assim, mantermos nossa sanidade mental e autenticidade, e não nos perdermos de nós mesmas.

Em sua maravilhosa mensagem enviada para as mulheres do mundo neste ano, a Sra. Kaneko cita:

Uma das “Cinco diretrizes da Soka Gakkai” é “Prática da fé para vencer as dificuldades”. Há uma orientação de Toda sensei que meu marido compartilhou ao explanar essa diretriz: “O Budismo Nichiren é o ensinamento para tornar felizes, sem falta, as pessoas que se encontram em circunstâncias adversas. Quanto maiores os sofrimentos enfrentados com fé por uma pessoa, mais esta consegue manifestar uma força ainda mais extraordinária ao superá-los. É ela que se torna a verdadeira aliada de outras pes­soas infelizes.1

A essência feminina é a de cuidar, zelar e proteger todos ao redor. Isso é comprovado estatisticamente em nosso dia a dia quando observamos as áreas da educação e da enfermagem, por exemplo, em que sempre fomos a maioria. E, em períodos desafiadores como os atuais, temos de pôr esses atributos em ação, com intensidade e fre­quência bem maiores.

Eis por que precisamos recitar muito mais daimoku e nos apropriar de nossa ilimitada capacidade para inspirar o número máximo de nossas amigas com o grandioso empoderamento evidenciado a partir da recitação do Nam-myoho-renge-kyo.

Em seu recente livro Dedico às Mulheres Palavras do Coração, o presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, afirma:

Prezar as pessoas do fundo do coração e valorizar aquelas com quem compartilha e se relaciona. É com essa conduta em meio à rea­lidade da vida que a verdadeira compaixão resplandece. Quantas são as pessoas a quem você serviu de apoio e levou esperança; quantos corações tocou a ponto de sua existência ficar profundamente gravada neles? — pode-se dizer que o verdadeiro valor de uma existência se encontra nesse ponto.2

Busco sintonizar meu coração ao do Mestre e, dessa forma, extrair a coragem para continuar avançando com saúde, disposição e infinita esperança capaz de cultivar uma força que tenha o poder de atrair a felicidade. Tal qual a querida Sra. Kaneko, renovo meu juramento e convido você, preciosa companheira, para seguirmos juntas, de mãos dadas até onde nossa missão nos permitir. Vamos?

Roseli Barbosa

Vice-coordenadora da Divisão Feminina da BSGI

Notas:

1. Brasil Seikyo, ed. 2.599, 12 fev. 2022, p. 6-7.

2. IKEDA, Daisaku. Dedico às Mulheres Palavras do Coração. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 178.

17-2-2022

Caderno Nova Revolução Humana

Relatar vitórias

PARTE 25

Como fundador, Shin’ichi Yamamoto se empenhava ao máximo para participar dos eventos da Universidade Soka, dos Colégios Soka de Ensino Fundamental e Ensino Médio e da Escola Soka de Ensino Fundamental de Tóquio. Ele escolheu a educação como o grande empreendimento final de sua vida, e estava determinado a dedicar toda a sua energia para alcançar esse objetivo.

Em setembro de 1979, Shin’ichi se juntou a um grupo de estudantes, representantes da Universidade Soka e do Colégio Soka, na colheita de peras asiáticas em um pomar na cidade de Kunitachi. Também tirou fotos com alunos do curso por correspondência que participavam das aulas presenciais de outono no campus da Universidade Soka. Ele estava plenamente ciente das dificuldades de estudar enquanto se trabalha, porque havia feito o mesmo na juventude.

Após a Segunda Guerra Mundial, Shin’ichi se formou no curso noturno do Colégio Comercial Toyo [atual Colégio Toyo] e ingressou no curso noturno na Faculdade Taisei Gakuin [posteriormente, Faculdade Fuji; hoje, Universidade Fuji de Tóquio]. A partir de janeiro de 1949, um ano depois de iniciar os estudos nessa instituição, começou a trabalhar na editora de Josei Toda.

No outono daquele ano, os negócios de Toda sensei se viram num impasse devido às inconstâncias econômicas do período pós-guerra. Os dias de Shin’ichi foram consumidos no processo de encerramento das atividades das empresas de Josei Toda. Isso o obrigou a desistir dos estudos noturnos. Porém, Toda sensei compensou-lhe dando aulas particulares intensivas de ampla variedade de assuntos, o que Shin’ichi mais tarde chamou de “Universidade Toda”.

Cerca de seis anos depois de Shin’ichi tomar posse como terceiro presidente da Soka Gakkai, a Faculdade Fuji [atual Universidade Fuji de Tóquio], que sucedeu a Taisei Gakuin, sugeriu que Shin’ichi entregasse trabalhos de graduação para que obtivesse a formatura. Ele decidiu fazê-lo com o desejo de corresponder à generosa consideração da instituição e, em parte, para saldar sua dívida de gratidão com Yumichi Takada, falecido presidente da Taisei Gakuin de quem havia recebido aulas.

Nessa época, Shin’ichi estava extremamente ocupado viajando pelo Japão e também para o exterior, além de escrever o romance Revolução Humana. Ele comprou os livros necessários para escrever os trabalhos e se empenhou nos estudos durante as suas viagens e entre reuniões e outras atividades. Enfim, ele completou dez relatórios, incluindo um sobre a história econômica, intitulado: “O Estabelecimento e as Características Especiais do Capital Industrial Japonês”.

Essa experiência fez com que Shin’ichi compreendesse as dificuldades que os alunos do curso por correspondência enfrentavam. Por mais desafiadores que pudessem ser os estudos, ele não queria que fossem derrotados. Desejava que eles continuassem lutando sem medo até se formarem e receberem seus diplomas.

Um provérbio da Ásia Central diz: “O ferro é temperado pelo fogo, e as pessoas são forjadas pela adversidade”.

PARTE 26

Se a força jovem se desenvolver, o futuro resplandecerá de esperança. 

Durante a sua visita à Universidade Soka em setembro, Shin’ichi Yamamoto tirou fotos com os membros das equipes de rúgbi, que estavam prestes a jogar em um campeonato, e com representantes da equipe de beisebol e de tênis de mesa.

Em outubro, Shin’ichi falou na cerimônia de encerramento do encontro esportivo da Universidade Soka. Ele instou com energia os alunos a dominar o básico na época da faculdade para que pudessem lidar com os muitos desafios que enfrentariam na sociedade. Para levar uma vida de criação de valor, é importante se conscientizar da sublime missão que possui. E para cumprir essa missão, é indispensável constituir uma base sólida.

Shin’ichi também se juntou aos alunos da Escola Soka de Ensino Fundamental 1 de Tóquio para participar de alguns eventos, tais como o encontro esportivo e o Dia da Escavação das Batatas.

Ele visitou o alojamento do Colégio Soka e dialogou com alunos residentes e com aqueles que moravam em quartos alugados em casas de família. Disse-lhes que desejava que cada um se tornasse uma “presença brilhante” no local em que estivesse. “Presença brilhante”, segundo ele, eram pes­soas que incentivavam calorosamente os outros e lhes transmitiam esperança e coragem.

No dia 2 de novembro, participou do Festival Universidade Soka e, no dia 3, compareceu à convenção anual do Soyu-kai, associação de ex-alunos dessa universidade.

Shin’ichi tinha grande expectativa e forte convicção de que os graduados da Universidade Soka e das outras escolas Soka estenderiam as asas e voariam alto para os céus do século 21, lutando pela felicidade dos povos e pela concretização da paz no mundo. Ele sempre ficava feliz, energizado e encorajado ao ver o aspecto desses membros buscando o autodesenvolvimento e conquistando um grande desenvolvimento.

Um dos participantes da reunião de ex-alunos do Soyu-kai declarou com uma voz vibrante:

Sensei, nós reconfirmamos nossa convicção de que o tempo de declararmos nossa decisão ao fundador é simplesmente coisa do passado. Agora é hora de relatar nossos resultados sempre que nos encontrarmos, de anunciarmos o que realmen­te realizamos. Esse é o significado do “levantar dos discípulos”!

Um sorriso se estendeu no rosto de Shin’ichi. Ele disse:

— Entendi. Fico muito feliz em ouvir isso. Por favor, abram o caminho com a consciência de que todos são o fundador. Essa é a gloriosa tradição da educação Soka.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

17-2-2022

Aprender com a Nova Revolução Humana

Tecer fios dourados da vitória total

HIROMASA IKEDA

VICE-PRESIDENTE DA SGI


O presidente Ikeda começou a escrever a Nova Revolução Humana (NRH) há 28 anos [este ensaio foi escrito em 2021], no dia 6 de agosto de 1993, e terminou três anos atrás [em 2021], na mesma data em 2018. Ele descreveu essa batalha de 25 anos para concluir a série durante a sua existência como uma “luta intensa e ininterrupta”. Trata-se de um feito que, com certeza, podemos denominar histórico.

Seis de agosto é dia do lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki [em 1945] e 8 de setembro [2018] [quando a última parte do romance foi publicada no Seikyo Shimbun] é o aniversário da Declaração pela Abolição das Armas Nucleares, proferida pelo segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda [em 1957]. O presidente Ikeda escolheu essas datas específicas para iniciar e concluir essa obra como expressão de seu compromisso de transmitir e deixar, para as futuras gerações, um registro eterno do juramento que herdou do seu mestre de eliminar essas armas e garantir que a tragédia provocada pelo uso delas jamais se repita.

A partir de 2010, o foco central das atividades do presidente Ikeda convergiu para a continuação da Nova Revolução Humana. Creio que isso tenha sido possível graças ao caloroso apoio e orações de todos os membros ao redor do mundo, que extraíram alento e estímulo do romance. Nesse sentido, a conclusão do romance representa realmente a vitória da luta conjunta de mestre e discípulos Soka no século 21.

O derradeiro volume 30 termina com as seguintes palavras: “Seus olhos visualizavam o aspecto heroico dos majestosos jovens águias Soka alçando voo pelos céus do mundo, com vigor e envoltos pelo sol do amanhecer do terceiro milênio” (p. 349).

Essas palavras captam, de forma sucinta, o pensamento do nosso mestre ao se aproximar do final da obra. Expressam sua convicção de que os jovens sucessores continuarão surgindo como o raiar da manhã para ensejar uma era de coexistência pacífica.

Neste ensaio final comentando a Nova Revolução Humana, gostaria de reconfirmar alguns dos principais temas contidos nos trinta volumes como um todo.

Um deles é o conceito budista “carma adotado por desejo próprio” (ganken-ogo). Como consta no Posfácio: “Em outras palavras, o destino e a missão são os dois lados de uma mesma moeda. O destino se torna propriamente a nobre missão específica da pessoa”1 (p. 358).

Outro tema se refere à verdadeira natureza das várias funções da maldade e dos “maus amigos” que tentam obstruir o avanço do kosen-rufu no budismo. Constatamos ao longo da série que o requisito essencial para a verdade e a justiça prevalecerem no processo da concretização do kosen-rufu — luta incessante entre o Buda e as funções da maldade — é até que ponto somos capazes de desenvolver uma fé comprometida. O capítulo “Brado da Vitória” do volume 30, diz:

É o levantar na fé, com consciên­cia e decisão. [...].
Isso porque é com a conscientização do que está por vir, com a decisão de confrontar e lutar contra as grandes adversidades, que se lapida e fortalece a própria fé conquista a transformação do destino. (p. 52-53)

Como descrito, minuciosamente, no romance, acredito que a força propulsora que habilitou a Soka Gakkai a ultrapassar a infinidade de desafios que enfrentou foi a fé comprometida de Shin’ichi Yamamo­to. Nesse sentido, empenhar-se numa luta conjunta com o nosso mestre vincula consolidar essa fé comprometida e resoluta, com a qual estamos dispostos a encarar qualquer coisa.

Um novo guia para a humanidade

O presidente Ikeda redigiu o Posfácio em 8 de setembro de 2018, data em que o último episódio foi publicado no Seikyo Shimbun. Ele esclarece as circunstâncias que o levaram a escrever as obras Revolução Humana e Nova Revolução Humana, sua motivação e o significado da conclusão delas.

A Revolução Humana narra o drama de como “uma única pessoa”, presidente Josei Toda, assumiu o desafio de consolidar “uma mudança no destino da nação” e como, depois, ele e seu discípulo reconstroem a Soka Gakkai. A Nova Revolução Humana, por sua vez, retrata os esforços empreendidos por Shin’ichi e seus discípulos para “transformar o destino de toda a humanidade” por meio de sua luta conjunta pelo kosen-rufu mundial.

Exatamente de acordo com esse princípio [de “carma adotado por desejo próprio”], nascemos neste mundo maléfico dos Últimos Dias da Lei com variados destinos, tais como de doença, de dificuldade financeira, de harmonia familiar ou ainda de solidão e de sentimento de inferioridade, com o juramento seigan de salvar as pessoas imersas no sofrimento.

Como elucida esse trecho do Posfácio, todos possuem uma missão só deles a cumprir. Somos os bodisatvas da terra, bem como “os protagonistas e os extraordinários atores do grande drama que transforma as nevascas do inverno em primavera ensolarada e o sofrimento em alegria” (p. 358). Ele acrescenta: “Não é possível conquistar a felicidade pessoal, nem a prosperidade da sociedade, nem a paz perene do mundo, sem a realização da revolução humana” (p. 358).

Nossos dramas pessoais de transformação do carma podem, na verdade, servir de fonte de coragem e de esperança para as pessoas à nossa volta e na sociedade. Assim como declara nosso mestre, a filosofia e nossas provas reais de revolução humana fundamentadas no Budismo Nichiren com certeza serão “o novo guia da humanidade que já iniciou o terceiro milênio” (p. 359).

Diálogo interior com nosso mestre

Foi um privilégio contribuir, no decorrer dos últimos três anos aproximadamente, para esses ensaios comentando a Nova Revolução Humana. Muito mais que simplesmente narrar a história da Soka Gakkai, a obra também esclarece os princípios imutáveis do kosen-rufu; portanto, com cada comentário, analisei sinceramente de que forma destacar a relevância deles à luz de nossas atuais atividades.

Ao reler cada volume, percebi que, com isso, estava gravando mais profundamente o significado do romance, que resumi da seguinte maneira em meu coração:

1. Pode ser considerado um livro didático da fé para se aprender o espírito Soka.

2. Trata-se de um texto por meio do qual podemos manter um diálogo interior com nosso mestre.

3. Consiste num registro do juramento do nosso mestre, legado aos discípulos.

Como explica o Posfácio, a Revolução Humana e a Nova Revolução Humana representam o “diário do kosen-rufu da Soka Gakkai” (p. 351). Expressam “verdadeira história do espírito Soka” (p. 352) e podem ser consideradas como um “livro didático da fé” por intermé­dio do qual podemos estudar e cultivar o espírito da Gakkai.

Além disso, o presidente Ikeda expõe que devotou todo o seu coração ao escrever o romance, recordando-se de seus inestimáveis companheiros:

Lembrando-me dos preciosos companheiros que se empenham bravamente na fé, no Japão e no mundo, extraía as palavras do fundo da minha vida e me dedicava à elaboração e à revisão do texto com o sincero sentimento de enviar uma carta de incentivo a cada pessoa. Era também uma tarefa que realizava dialogando em meu íntimo com o mestre. (p. 353-354)

Para nós também, cada página do romance constitui uma oportunidade para abrir a porta do diálogo interior com nosso mestre. O presidente Ikeda expressa:

Registrei essas duas linhas iniciais para eternizar o juramento como discípulo de transformar a história do século de “guerra” para o século de “paz”, sucedendo o espírito e os ideais do meu mestre e do mestre predecessor. (p. 353)

Portanto, pode ser, inclusive, considerado um registro do juramento do nosso mestre, que ele, por sua vez, delega a seus discípulos.

O presidente Ikeda termina o Posfácio manifestando sua expectativa de que os membros da Soka Gakkai “façam da conclusão do romance Nova Revolução Humana um novo ponto de partida” (p. 359). É hora de cada um de nós assumir o grande palco do kosen-rufu e criar a própria resplandecente história de revolução humana.

“Eu sou Shin’ichi Yamamoto!” Com essa consciência e o olhar voltado para o quinto e o décimo aniversários da conclusão da obra, avancemos em nossa jornada de mestre e discípulo para cumprir o grande juramento pelo kosen-rufu e prossigamos tecendo os fios da magnífica trama da vitória humana em nossa vida.

Resumo do conteúdo do capítulo “Juramento Seigan”

Para realizar o grande ideal da paz, é necessária a mobilização da força e da paixão dos jovens. (p. 161)

Uma vez aberto, o caminho do intercâmbio deve ser percorrido repetidas vezes a passos firmes para consolidá-lo e expandi-lo como uma grande estrada. (p. 181)

A estrada da nova era do kosen-rufu também será repleta de provações. A menos que sejamos sábios e determinados, não podemos conquistar a vitória e a glória. (p. 270)

O objetivo do budismo é aliviar o sofrimento das pessoas. Isso não deve ser apenas um idealismo teórico, mas deve ser feito, de forma concreta, por meio da sabedoria aliada à ação. De nossa perspectiva, trata-se da “transfor­mação da fé em sabedoria”, isto é, a conquista da sabedoria do buda em nossa vida pela prática da fé. (p. 309)

A maior missão e a maior responsabilidade de um religioso na atualidade se encontram em fortalecer o compromisso de construir um mundo livre do flagelo da guerra e de unir os homens em torno do objetivo comum da concretização da paz e da felicidade da humanidade. (p. 322-323)

O desenvolvimento dos jovens, responsáveis pela próxima geração, e a vitória do discípulo eram sua maior alegria, felicidade e esperança. Esse era o coração do mestre, pois é nele que se encontra o vínculo da relação de mestre e discípulo. (p. 331)

1


2


3

 

Nota:

1. No Posfácio do volume 30, a frase citada tem a seguinte redação: “o destino e a missão são os dois lados de uma mesma moeda. O destino se torna propriamente a nobre missão específica da pessoa” (p. 358).

Traduzido do Seikyo Shimbun, jornal diário da Soka Gakkai, edição de 6 de agosto de 2021.

17-2-2022

Notícias

Obra épica de mestre e discípulo

REDAÇÃO

“Não há ato mais bárbaro que a guerra!” Com essa histórica frase, em 2 de dezembro de 1964, o presiden­te da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, começou a escrever o romance Revolução Humana nas terras de Okinawa, ilha ao sul do Japão. Desde essa ocasião, passaram-se 58 anos, e a Editora Brasil Seikyo (EBS) se prepara para publicar o primeiro dos doze volumes da coleção exclusiva dessa grandiosa obra. O anúncio foi feito na 2a Reunião Nacional de Líderes (RNL) da BSGI, realizada em 20 de novembro de 2021, e o lançamento está previsto para março próximo.

Iniciada pelo educador, pacifista e segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, e continuada por seu discípulo, Daisaku Ikeda, Revolução Humana era o título do romance escrito por Toda sensei, com o pseudônimo de Myo Goku, sendo publicado pela primeira vez na edição inaugural do jornal Seikyo Shimbun, em 20 de abril de 1951, e veiculado em série por três anos.

“Escrevi um romance”, disse-lhe seu mestre. Ao vê-lo com muita alegria guardar o original no bolso do paletó, o presidente Ikeda não conteve a emoção e decidiu um dia continuar a escrever a obra de Josei Toda, registrando a veracidade da vida e do legado do seu mestre. Essa decisão se solidificou ainda mais quando o jovem Ikeda o acompanhou à Vila Atsuta, em Hokkaido, terra natal de Josei Toda, em agosto de 1954. Isso se tornou inabalável ao ouvi-lo dizer que “É impossível escrever completamente sobre si mesmo”, em agosto de 1957, em Karuizawa, província de Nagano, oito meses antes do faleci­mento dele.

O presidente Josei Toda faleceu no dia 2 de abril de 1958 e, na cerimônia de sétimo ano do seu falecimento, Ikeda sensei anunciou que começaria a escrever o romance. Ele escolheu a ilha de Okinawa para redigi-lo por ter sido o local do Japão que sofreu os maiores danos decorrentes da Segunda Guerra Mundial.

O início do primeiro capítulo, “Alvorada”, narra “um senhor magro de meia-idade”, Josei Toda, deixando a prisão de Toyotama, em Tóquio. E termina quando o protagonista, Josei Toda, atinge a iluminação na prisão, isto é, a conscientização de sua missão como bodisatva da terra.

O presidente Ikeda adotou o pseudônimo de Ho Goku em relação a Myo Goku utilizado por Toda sensei. Ele descreveu a origem do seu pseudônimo: “No Budismo, Myo é a origem, e Ho, o fenômeno. Myo é o estado de buda, e Ho, os nove estados. Portanto, Myo é o mestre, e Ho, o discípulo”.1

O jornal Seikyo Shimbun começou a ser diário a partir de julho de 1965 e a publicação do livro passou de três para sete vezes por semana. O presidente Ikeda redigia em meio à vida extremamente atarefada, ora incentivando os membros, ora dialogando com intelectuais nacionais e internacionais.

Devido aos ataques maldosos do clero da Nichiren Shoshu e de traidores, em 1978, Ikeda sensei interrompeu a veiculação do romance no Seikyo Shimbun e, no ano seguinte, renunciou à presidência da Soka Gakkai, a fim de proteger os membros. Pela mesma razão, deixou de proferir discursos em atividades da organização, passando a se dedicar às visitas e a tocar músicas para os companheiros. Entretanto, nesse momento crucial, ele empunhou a caneta e voltou à ofensiva dando continuidade à obra. Ele afirmou:

Não podemos permitir que essa situação continue. Os membros estão sofrendo muito. Vamos retomar a publicação do romance no jornal. As críticas podem ser direcionadas somente a mim.2

A publicação foi retomada a partir do capítulo “A Virada”, do volume 11, em agosto de 1980.

Com o desenvolvimento do kosen-rufu mundial, a vida do pre­sidente Ikeda ficou ainda mais atarefada com as viagens para o exterior e os muitos encontros com intelectuais do mundo todo, sendo necessário suspender temporariamente a veiculação da série.

A partir do capítulo “Osaka”, também do volume 11, inicia-se uma corrida para a conclusão da obra.

Por meio da Revolução Humana, a intenção do clero de subordinar a Soka Gakkai foi frustrada e ficou claro que a organização tem como objetivo principal lutar em prol do kosen-rufu, conforme a ordem e o desejo do Buda.

O fim do manuscrito do 12º volume ocorreu no dia 24 de novembro de 1992.

A obra encerra com a cena em que o discípulo Shin’ichi Yamamoto [pseudônimo do presidente Ikeda no romance], desenvolvido pes­soalmente por Josei Toda, toma posse como terceiro presidente da Soka Gakkai. A cena final é a de Shin’ichi sendo erguido pelos jovens.

A última parte do romance foi publicada no dia 11 de fevereiro de 1993, aniversário de nascimento do seu mestre. Nessa época, o presidente Ikeda participava da cerimônia de outorga do título de doutor honoris causa, concedido a ele pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Durante a solenidade, ele disse com profundo sentimento de gratidão: “Quero dedicar ao meu mestre o inestimável título a mim outorgado como a maior honraria”.

Em 6 de agosto do mesmo ano, data que marca o lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima, ele começou, em Karuizawa, a redigir o romance Nova Revolução Humana, composto por trinta volumes. E a publicação no Seikyo Shimbun se deu a partir do dia 18 de novembro com a frase: “Não existe nada tão sublime quanto a paz...”3

O primeiro capítulo da Nova Revolução Humana se inicia com a cena da partida de Shin’ichi Yamamoto, empossado como terceiro presidente da Soka Gakkai, para o Havaí, o primeiro passo rumo à propagação fora do Japão. Essa obra retrata a história dos discípulos seguindo e expandindo o caminho do kosen-rufu em torno de Shin’ichi Yamamoto.

Dialogando diariamente em seu coração com seu mestre e orando pelo avanço e pela vitória dos companheiros de luta, Ikeda sensei continua se dedicando ininterruptamente a concretizar todos os ideais de Toda sensei.

O Clube de Incentivo à Leitura (CILE) da Editora Brasil Seikyo traz todos os meses lançamentos de obras do Dr. Daisaku Ikeda e de diversos autores que compartilham da filosofia do humanismo Soka.

No mês de março próximo, os assinantes do plano Diamante do CILE recebem com exclusividade o primeiro volume do romance Revolução Humana! Garanta o seu e comece a coleção!

Assine até 28/02/22 e receba já em março o kit em sua casa! 

Confira o vídeo no portal

www.cile.com.br

Fonte:

Brasil Seikyo, ed. 2.256, 31 dez. 2014, p. B4.

Notas:

1. Brasil Seikyo, ed. 2.434, 8 set. 2018, p. C4.

2. Idem, ed. 2.256, 31 dez. 2014, p. B4.

3. IKEDA, Daisaku. Alvorecer. Nova Revolução Huma­na. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 9.

4. Ibidem, p. 6.

 

17-2-2022

Relato

Campeã da vida

Recebi o Gohonzon, pelo qual sou muito grata, e pratico o Budismo de Nichiren Daishonin há cinco anos. Tive uma infância feliz, porém, aos 16 anos, meus pais se separaram e minha querida mãe perdeu minha guarda. Ela sempre foi excelente mãe e se fez presente mesmo com o distanciamento imposto. Ao completar 21 anos, decidi morar com ela, pois tinha uma dívida de gratidão pelo seu carinho e sua dedicação, além de também me preocupar com seu bem-estar. Essa decisão me afastou da Vila da Penha, bairro de minha infância, dos amigos e do jiu-jitsu, esporte que praticava e competia. Pouco tempo depois, minha mãe foi assassinada, momento muito doloroso da minha vida. Compreendi então por que sentia necessidade de estar próxima a ela.

Fui morar na Ilha do Governador com meu pai, irmão e minha avó. Anos mais tarde, meu único irmão faleceu em um acidente. Sofri uma dor imensa com a perda de mais um membro da família.

Entre 1997 e 2001, decidi retornar ao esporte, mas tive dificuldade em conciliá-lo com trabalho, estudos, afazeres domésticos, cuidar da minha avó, então com 99 anos, e do meu pai, tratando de um câncer. Carente de tempo e, sem condições para priorizar os treinos e as competições, deixei o esporte de lado. Formada em educação física, cuidava apenas dos meus alunos e esqueci do meu sonho de ser atleta.

Ao conhecer o Budismo de Nichiren Daishonin, muitas coisas mudaram em mim. A partir de então, conquisto imensuráveis benefícios por meio da prática da fé. Além disso, participar das atividades do Zenshin [grupo da Divisão Feminina (DF) da BSGI] me proporciona avanços em importantes setores da minha vida, como a vitória na harmonia familiar, no desenvolvimento profissional e na volta aos esportes.

Conquista de um sonho

Em 2021, com o objetivo de proteger a mim e aos meus familiares da contaminação da Covid-19, desafiei-me na recitação do Nam-myoho-renge-kyo e, com muito mais daimoku, venci. Também decidi voltar a competir, depois de vinte anos ausente do jiu-jitsu, e preparei-me por três meses para o campeonato nacional. Aquele era meu sonho e, para vivê-lo, tive de enfrentar também a idade. Senti que minha mente e meu corpo não respondiam da mesma forma que quando era mais jovem. Foi um grande desafio manter o treinamento durante a pandemia e uma luta diária comigo mesma para ter disciplina, comer corretamente, fortalecer-me, criar resistência e me adaptar à dinâmica atual do jiu-jitsu.

Enfrentei muitas adversidades, como seis lesões em seis meses, machismo, bullying e intolerância religiosa. Uma semana antes da luta, lesionada e sem poder treinar, aproveitei para me aprofundar ainda mais na prática da fé, na leitura do jornal Brasil Seikyo e das orientações do meu mestre, Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI). Incentivei bem mais as mulheres do meu bloco a superar as adversidades e intensifiquei a recitação do daimoku. No meu coração pulsava a certeza de não desistir da competição e de lutar pelo meu sonho.

Algumas horas antes da luta, cheguei ao local da competição e me dirigi ao vestiário. Estava sozinha e logo me veio à mente a imagem de Ikeda sensei. Olhando-me no espelho, recitei daimoku e me perguntei o que estava fazendo ali. A resposta veio em meu coração: “Você está representando a DF e a BSGI na sociedade. No budismo, é vitória ou derrota!”. Compreendi, naquele momento, que eu cumpria o juramento que fiz ao meu mestre de avançar sempre.

Durante o aquecimento mantive a tranquilidade e, com humildade, mas confiante da vitória, pisei no tatame. Ao cumprimentar minha adversária, recitei daimoku e pensei: “Que vença a melhor!”. Eu venci. Conquistei a medalha de ouro e subi ao pódio como campeã brasileira de jiu-jitsu de 2021. A maior vitória foi sobre mim mesma. Os benefícios são imensuráveis para quem pratica esse maravilhoso budismo.

Ainda tenho muito a melhorar como atleta e como pessoa e estou disposta a ser treinada para fazer a minha revolução humana. Existe um verso do poema Brasil, Seja Monarca do Mundo!, de autoria de Ikeda sensei, que traduz perfeitamente meu sentimento como atleta e membro da BSGI: “Não faz mal que seja pouco, / o que importa é que o avanço de hoje / seja maior que o de ontem. / Que nossos passos de amanhã / sejam mais largos que os de hoje”.1

Há também um trecho dos escritos de Nichiren Daishonin que me acompanha em todos os momentos:

Eu e meus discípulos, ainda que ocorram vários obstáculos, desde que não se crie a dúvida no coração, atingiremos naturalmente o estado de buda. Não duvidem, mesmo que não haja proteção dos céus. Não lamentem a ausência de segurança e tranquilidade na vida presente. Embora tenha ensinado dia e noite a meus discípulos, eles nutriram a dúvida e abandonaram a fé. Os tolos tendem a esquecer o que prometeram quando chega o momento crucial.2



Renovo minha decisão de, no “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”, 2022, avançar ainda mais em busca de novas conquistas, sempre ligada ao coração do Mestre, transbordante de nova e vibrante energia!

5

em atividade da Comunidade Ribeira (antes da pandemia)

 

6

competindo, também em 2021, como velejadora

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com o pai, Paulo Roberto e, com a avó, Adelaide

Ana Paula Amparo Gabriel, 48 anos. Educadora física e campeã brasileira de jiu-jitsu. Vice-responsável pela DF do Bloco Zumbi, Comunidade Ribeira, RM Ilha do Governador, CGERJ.

Notas:

1. Brasil Seikyo, ed. 1.617, 25 ago. 2001.

2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 296, 2020.

17-2-2022

Editorial

Manifestar sua capacidade

Han Ho era de família muito humilde. A mãe, viúva, enquanto vendia bolinhos de arroz para sustentar a família, incentivava o filho ainda pequeno a aprender caligrafia. Ele, por sua vez, se dedicava usando cada pedacinho de folha disponível e, quando não tinha mais, escrevia nas folhas das árvores ou até no chão. 

Com muita sabedoria, a mãe o enviou a um templo para receber educação formal em caligrafia. E recomendou que ele se esforçasse e ficasse lá por dez anos. Mas o jovem sentiu a falta de casa e em pouco tempo retornou. Tentou convencer sua mãe de que já tinha aprendido o suficiente.

Então, ela propôs que fizessem uma experiência. Eles apagariam a lamparina e, no escuro, Han deveria escrever suas caligrafias enquanto ela cortava seus bolinhos de arroz, assim testariam suas reais habilidades.

Quando acenderam as luzes, Han franziu a testa ao se deparar com seus ideogramas tremidos e desproporcionais. Já os bolinhos de sua mãe tinham a mesma perfeição em tamanho e forma de quando ela os cortava com as luzes acesas.

Com o rigoroso e caloroso ensinamento de sua mãe no coração, Han Ho voltou ao treinamento, e seu empenho sincero ao longo dos anos fez com que ele se tornasse um dos mais famosos calígrafos, reconhecido na Coreia e na China. 

Ikeda sensei conta essa história e conclui:

Os esforços dele em corresponder à mãe o ajudaram a elaborar firmes pinceladas, que foram descritas como “poderosas como as garras de um leão na rocha” e “vigorosas como um cavalo galopante”. O forte laço que compartilhava com a mãe possibilitou-lhe atingir esse patamar, e dessa forma ele foi capaz de saldar as dívidas de gratidão que tinha com ela.1

Ikeda sensei também, graças ao treinamento que recebeu do seu mestre, Josei Toda, e o sincero sentimento de corresponder a ele, extraiu seu máximo potencial. Ele descreveu sua trajetória quase como um diário. Nesta edição, Hiromasa Ikeda, vice-presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), expõe a conclusão da obra Nova Revolução Humana depois de 25 dedicados anos.

Com essa história sobre a sabedoria da mãe de Han Ho e com esse Especial, Brasil Seikyo homenageia a Sra. Kaneko, esposa de presidente Ikeda, que completa 90 anos no dia 27 de fevereiro. Esperamos que sejam fontes de inspiração para que você, leitor, também manifeste o seu melhor.

Ótima leitura!

Nota: 1. RDez, ed. 211, 6 jul. 2019, p. 6-10.

17-2-2022

Notícias

Curso de Formação para Grau Superior do Budismo

REDAÇÃO / COLABORAÇÃO LOCAL

No dia 12 de fevereiro, foi realizada a primeira aula do Curso de Formação para Grau Superior do Budismo da BSGI. O tema tratado foi “Construir o futuro da humanidade — A nobre tarefa de desenvolver valores humanos da próxima geração”, que consta na revista Terceira Civilização, edição 636, de agosto de 2021. O estudo, em formato virtual, foi conduzido por Giro Otani e Marcos Natividade, vice-responsáveis pelo Departamento de Estudo do Budismo (DEB) da BSGI.

O escrito de Nichiren Daishonin O Verdadeiro Aspecto de Todos os Fenômenos serviu como base para a primeira parte do encontro. Essa carta, segundo Giro Otani, revela de maneira direta e profunda a essência da prática budista nos Últimos Dias da Lei e, consequentemente, na atualidade. Reforçou ainda que é uma fonte básica para o desenvolvimento individual e uma diretriz para a atuação em prol do kosen-rufu, ou seja, para a ampla propagação dos ensinamentos do buda Nichiren Daishonin.

Na segunda parte, foi estudado um trecho do escrito Proteção aos Seguidores de Atsuhara. Sobre esse escrito, Marcos Natividade destacou a confiança de Nichiren Daishonin no discípulo Nanjo Tokimitsu, recebedor da carta.

Os dois trechos estudados tiveram como base as explanações do Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI).

O encontro foi encerrado com as palavras da coordenadora da Divisão dos Jovens (DJ) da BSGI, Monique Tiezzi, que reforçou sobre a confiança do presidente Ikeda nos membros da DJ e da Divisão dos Estudantes (DE) e que o estudo rea­lizado foi fundamental para que se compreenda os esforços que cada um empreende em prol do kosen-rufu. Relembrando um diá­logo recente entre representantes da DJ do Brasil e Akiyasu Shiga, coorde­nador da DJ da Soka Gakkai, Monique ressaltou um ponto que os jovens de todo mundo têm em comum: “a missão de transformar o grande mal em grande bem”. “Essa é a expectativa de Ikeda sensei em torno dos jovens da geração atual. É também a decisão que devemos ter neste momento para comprovar o trecho do escrito [de Nichiren Daishonin] que diz: ‘Quando um grande mal ocorre, um grande bem o sucederá’”,1 declarou Monique.


25

participantes do curso de diversas localidades

No topo: sala virtual com representantes do DEB e da BSGI


Fique de olho

Para quem deseja acompanhar o estudo pela primeira vez ou revê-lo, o vídeo ficará disponível na Extranet da BSGI até o próximo dia 22 de fevereiro.

Não perca: o segundo encontro do Curso de Formação para Grau Superior do Budismo está programado para o dia 14 de maio. Para mais informações, procure os líderes da sua localidade.

Nota: 

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 387, 2017.

17-2-2022

Notícias

Pensando positivo

REDAÇÃO

Com o apoio de diversos líderes da organização local, foi promovido no Bloco Pamplona I (Comunidade Pamplona, RM Vila Mariana, CCLP) um encontro virtual voltado para membros e convidados da localidade. O objetivo dessa atividade, que reuniu dezoito pessoas, foi discorrer sobre o tema “Positividade”, dentro da visão budista e com base nos direcionamentos do Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI).

O ponto alto do encontro foi o diálogo, por meio do qual os participantes conversaram sobre otimismo, a partir da ótica do Budismo Nichiren. Chegaram à conclusão de que é importante pensar positivo e acreditar na vitória, mas ter bom senso e não ignorar a rea­lidade. Entenderam também que é crucial manifestar equilíbrio e sabedoria no caminho para a vitória. O otimismo dentro do cenário atual foi abordado, com destaque para quão essencial é manter a condição de vida elevada e encarar tudo com esperança e convicção que, a cada dia, todas as adver­sidades serão superadas.

Segundo Marcelo Braz, vice-responsável pela Divisão Sênior (DS) da Comunidade Pamplona, presente ao encontro virtual, promover atividades como essa é fundamental para manter a união de todos. Ele declara: “É uma forma de mantermos os laços de amizade entre os membros e líderes da localidade; aliás, algo que já fazía­mos desde antes da pandemia. Também é uma maneira de as pessoas se sentirem acolhidas, mesmo sendo um encontro em formato virtual”.

Exercitando o olhar positivo sobre a atual situação, Marcelo destaca outro aspecto. Observa que, para alguns membros da localidade, que tinham dificuldade com o horário de chegada às atividades presenciais devido ao deslocamento, a reunião virtual possibilitou que eles pudessem assistir de onde estivessem. Assim, mais pessoas podem ter acesso às atividades.

17-2-2022

Especial

Mulher que inspira outras mulheres

REDAÇÃO

Em 27 de fevereiro de 1932, no bairro de Ota, Tóquio, nascia Kaneko, a terceira de quatro irmãos. No livro Kaneko Seu Sorriso, Sua Felicidade, ela fala da plena harmonia que havia em casa. Seu pai, segundo relata, era um homem simples e íntegro e fazia questão de manter a boa disciplina no lar. A mãe adorava estudar, tinha iniciativa e fazia tudo por si mesma. Até nos momentos que ela adoecia, não questionava e mantinha sua rotina. Kaneko nos conta que aprendeu com os pais a valorizar o ser humano.

Acredito que a maneira como se cumprimentam as pessoas é uma das preciosas disciplinas que se ensinam no lar. Caso não consigamos cumprimentar de forma adequada as pessoas, não poderemos manter uma boa relação ou um bom entendimento com elas.1

Ao nascer, por sugestão de seu avô, deram-lhe o nome de Kane. Quando ela se casou, por recomendação de Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, alterou seu nome para Kaneko, escrito em kanji. “Desde então tenho usado esse nome. Meus pais ficaram contentes e acharam que deveriam tê-lo escolhido desde o começo.”2

Mesmo crescendo em um lar alegre e feliz, Kaneko e seus familiares viveram os horrores da guerra. Seu pai trabalhava em uma fábrica de açúcar e precisou encerrar os serviços devido aos bombardeios. Com isso, toda a família teve de se refugiar em Gifu, cidade natal de seus pais, em 13 de abril de 1945. “Não há nada pior do que a guerra, que atira todas as pessoas no abismo da infelicidade. É uma tragédia que jamais deverá se repetir”,3 afirma Kaneko.

Conversão ao Budismo Nichiren

A família de Kaneko se converteu ao budismo em 12 de julho de 1941. Essa conversão foi motivada pela doença que acome­teu a mãe dela após o nascimento da filha. Tempos depois, a saúde da mãe foi restabelecida e juntas atuaram com Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda, nos primórdios da organização.

Durante as atividades realizadas na residência da família de Kaneko, por diversas vezes, agentes da polícia militar iam vigiá-los, devido às intrigas que começavam a surgir contra a organização. Makiguchi sensei e Toda sensei foram presos injustamente mais tarde, e apenas Toda sensei saiu com vida, decidido a reconstruir a organização.

“Decida por aquilo que você achar melhor”

Após o fim da guerra, a família de Kaneko voltou para Tóquio. Para ajudar no sustento da casa, ela começou a trabalhar nos fins de semana em uma padaria. Também atuou por um ano e meio num hospital próximo à sua casa. Seu trabalho era esterilizar as seringas e os instrumentos cirúrgicos em água fervente e embrulhar as doses de remédios em pó, além de ajudar no controle dos convênios de saúde. Ela ainda exerceu funções em um banco.

Por ter trabalhado num hospital quando frequentava o último ano do colégio feminino, cheguei a pensar em estudar medicina, mas meu pai não poderia custear os estudos. Pensei então em cursar uma escola de farmácia, que seria menos custoso (...); em um determinado momento, meus pais disseram: “Decida por aquilo que você achar melhor”. A partir desse dia recitei daimoku com maior seriedade.4


Kaneko optou por procurar um emprego e conseguiu vaga em um banco, sendo alocada para o setor de contas a pagar e com a responsabilidade de fechar o balancete diário.

O casamento e uma nova vida

Em outro recorte da história, a Soka Gakkai seguia firme no processo de reconstrução pós-guerra. Nosso mestre, Daisaku Ikeda, havia se convertido em agosto de 1947, lutando lado a lado com Toda sensei.

Kaneko tinha 19 anos quando se encontrou com o jovem Daisaku e, em 3 de maio de 1952, um ano depois da posse de Josei Toda como segundo presidente, eles se casam.

Ao pedir Kaneko em casamento, Ikeda disse: “Confie em mim e acompanhe-me”.5

Os anos que se seguiram marcaram o falecimento de Toda sensei, em abril de 1958, e dois anos depois houve a posse de Ikeda sensei, então com 32 anos, como terceiro presidente da organização. Kaneko estava com 28 anos e era mãe de três filhos, dedicando-se sempre à missão que abraçou. Ela comenta:

A minha principal tarefa como esposa era de apoiar meu marido da melhor forma possível para mantê-lo com boa saúde a fim de exercer plenamente o seu trabalho. Convivo desde então, diariamente, com essa tarefa.6


Mulher, grande mulher

No escrito O Sutra da Verdadeira Retribuição, Nichiren Daishonin afirmou claramente: “...a iluminação das mulheres é apresentada como exemplo”.7

Muitas mulheres, assim como Kaneko Ikeda, enfrentam ou já enfrentaram diversas situações, mas sem se permitirem ser derrotadas, pois representam o sol da esperança, da alegria e da felicidade.

Certa vez, Ikeda sensei disse:

Graças ao juramento e à dedicação de todas, o movimento da Divisão Feminina (DF) da Soka Gakkai se tornou a maior rede de solidariedade feminina do mundo pelo respeito à dignidade da vida e da paz deste século.8

Em outro incentivo, ele assegura:

A força das mulheres é como a força do solo. Quando o solo se move, tudo o que existe sobre ele também se movimenta. Até a fortaleza do autoritarismo e a montanha que parece inabalável acabam ruindo. O poder das mulheres é imensurável e não há nada que seja impossível para elas.9

Mulher, sinônimo de coragem

Diante do cenário atual, as mulheres Soka empreendem ações em sua rotina atribulada para que o fluxo do kosen-rufu não cesse, realizando sua revolução humana com alegria e união, comprovando infalivelmente a felicidade e a vitória.

No Brasil, o dia 27, além do aniversário da Sra. Kaneko, é também o dia de fundação da Divisão Feminina (DF) da BSGI, instituído em 27 de fevereiro de 1993, quando o presidente Ikeda se encontrava em sua quarta e inesquecível visita ao nosso país.

Em uma mensagem enviada para as mulheres, a Sra. Kaneko frisou a importância da mulher:

A presença de uma única mulher que abraça a Lei Mística — no lar, no trabalho ou na comunidade — é como o radiante sol da esperança que a tudo ilumina. Assim como o sol brilha em todas as direções e aquece tudo e todos sem nada cobrar, as mulheres Soka, por meio da sabedoria e consideração, direcionam as outras pessoas que ainda desconhecem o Budismo Nichiren a formarem uma ligação com esse ensino, plantando, desse modo, as sementes da felicidade no coração.10

Sendo assim, neste mês comemorativo do aniversário da Sra. Kaneko, as mulheres, sem exceção, merecem uma vibrante salva de palmas. De norte a sul do país, todas, transformam suas aflições e seus desafios em oportunidades de avanço ininterrupto. E sempre com sorriso no rosto.

Concluímos esta homenagem com uma das frases preferidas da Sra. Kaneko:

As lamentações apagam a boa sorte e a recitação do daimoku com sentimento de gratidão constrói a felicidade por todo o futuro. É uma frase que me motiva a buscar sempre o lado bom de todas as coisas. Sinto que essa disposição se tornou um hábito em minha vida.11

Esse é o aspecto real de uma mulher vitoriosa. Parabéns!

 

8

cerimônia de entrega do título de cidadã honorária de Brasília, capital federal do Brasil, a Kaneko Ikeda (Memorial Makiguchi de Tóquio, 16 jul. 1998)


9

Daisaku e Kaneko Ikeda no dia da posse dele como terceiro presidente da Soka Gakkai (3 maio 1960)

 

14

casal Ikeda e os três filhos — Hiromasa (à dir.), Shirohisa (ao centro) e Takahiro (à frente) — na entrada de sua casa em Shinanomachi, Tóquio (abr. 1967).


15

encontro do casal com os membros da BSGI por ocasião da Convenção Sul-Americana da SGI (Centro Cultural Campestre, 27 fev. 1993)

No topo: Kaneko e Daisaku Ikeda. Foto tirada pelo primogênito do casal, Hiromasa (Nagano, Japão, ago. 2004)

Notas:

1. IKEDA, Kaneko. Kaneko. Seu Sorriso, Sua Felicidade. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2006. p. 16.

2. Ibidem, p. 18.

3. Ibidem.

4. Ibidem, p. 34.

5. Ibidem, p. 52.

6. Ibidem, 67.

7. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 195.

8. Brasil Seikyo, ed. 2.326, 4 jun. 2016, p. A3.

9. Ibidem, ed. 1.569, 26 ago. 2000, p. A7.

10. Ibidem, ed. 2.073, 26 fev. 2011.

11. IKEDA, Kaneko. Kaneko. Seu Sorriso, Sua Felicidade. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2006. p. 139.

17-2-2022

Frase da Semana

Frase da Semana

Os veteranos devem apoiar seus sucessores com a determinação de torná-los “valores humanos” melhores do que eles próprios. Aí se encontra um sólido futuro! Dediquem auxílio e palavras calorosas aos nobres companheiros que se encarregam do kosen-rufu!

Dr. Daisaku Ikeda

Publicada no jornal Seikyo Shimbun em 15 de fevereiro de 2022.

17-2-2022

Encontro com o Mestre

Niigata - Grande solo da convivência harmoniosa

Niigata suporta desafios como o rigoroso frio e já vem superando inúmeros desastres naturais. As pessoas que nela vivem possuem o calor humano que não lhes permite ficar alheias à dor dos amigos em situações de dificuldade. É como se provassem que as circunstâncias adversas e os sofrimentos da vida podem ser transformados em “tesouros do coração” para incentivar os amigos — neste momento em que a sociedade enfrenta grandes adversidades, com essa convicção em mente, vamos provocar uma reação em cadeia do “drama da revolução humana” a partir do nosso primeiro passo.

DR. DAISAKU IKEDA

Em meio à breve troca

de palavras,

enquanto observava

os cisnes brancos,

a sinceridade do amigo

voa em meu peito.


No auge do frutífero outono, tudo parece começar a se preparar silenciosamente para receber o inverno.

É um tempo em que os seres vivos procuram unir forças com seus preciosos familiares e amigos para enfrentar os desafios do rigoroso frio, e também é o período do admirável trabalho de criação da próxima geração.

Todos os anos, nessa época do ano, os cisnes voam para o Japão como se fossem mensageiros do céu. Suas asas elegantes são fortes o bastante para fazer uma jornada de 4 mil quilômetros desde a Si­béria, de gelo, da nação vizinha Rússia.

E o local em que esses cisnes avistam do alto do céu e pousam confiando sua vida, é o “grande solo da convivência pacífica” de Niigata.

Se alguém perguntar

“Qual é o lema

dos cisnes brancos?.

A resposta seria esperança.

Esperança, ilimitada esperança.

Existem várias singularidades no alçar voo de um esplendoroso cisne, tais como ele ganhar os céus após uma longa corrida, avançar em direção ao vento, e, em vez de seguir sozinho, voar em cooperação com os demais.

Na vida também, para alçar voo rumo ao grande céu da vitória, serão exigidos uma longa corrida chamada perseverança, a coragem para desafiar os ventos das dificuldades e também os bons amigos com quem se incentivar mutuamente.

No conto infantil de minha autoria que dediquei aos meninos e às meninas chamado Príncipe do País das Neves, descrevi um momento de interação entre crianças e cisnes, e escrevi uma mensagem de esperança: “Não importa o que aconteça, jamais desista”.

Para as jovens que estudam na Universidade Feminina Soka e no Colégio Soka, instituições que fundei, o cisne é um símbolo do bailar da juventude puro e forte.

Sem falta se tornarão felizes

[Nota do redator: A primeira vez que Ikeda sensei visitou Niigata, terra natal do criador da educação Soka, professor Tsunesaburo Makiguchi, foi em fevereiro de 1954, em meio a um rigoroso inverno. Neste ensaio, sensei apresenta o drama do revivescer de jovens que havia incentivado na ocasião dessa visita e que posteriormente superaram questões de doença e de dificuldades financeiras, também contando com o apoio das pessoas ao redor. Ele escreve que, a partir da luta de uma pessoa, que enfrenta e vence suas dificuldades, se expande o “drama da revolução humana”.]

Shoko Ema,1 poetisa nascida em Niigata que compôs canções como Natsu no Omoide [Lembranças do Verão] e Okaasan [Mamãe], gravou em seu coração que “Não importa quão profunda ou longa seja a escuridão / Não há noite em que não chegue o amanhecer”, e salientou: “Não importa como seja o dia / é divertido viver”.

Dentre as pessoas que conheci durante a minha primeira visita a Niigata, havia uma jovem que lutava contra uma doença valvar cardíaca.

Seu pai e sua mãe enfrentaram questões de doença seguidamente e a família vivia em meio à pobreza e ao desespero, vendo o pouco dinheiro para o sustento desaparecer com a despesa dos remédios. Como filha mais velha de quatro irmãos, ela se formou no ensino fundamental e passou a trabalhar com todas as forças em prol da família e, nesse meio, também acabou ficando doente.

Entretanto, com essa jovem e outros companheiros, estudamos com seriedade a filosofia de vida da esperança na qual reconfirmamos: “A vida existe para sermos felizes”; “podemos superar quaisquer tempestades do destino”; e “todos podem ser felizes sem falta”.

Ela foi incentivada por muitos veteranos e, por fim, conseguiu vencer seu problema de doença. Então, passou a encorajar os amigos que sofriam com questões semelhantes à dela e, juntos, foram também superando suas adversidades.

Ela se casou e se tornou mãe de três crianças. Por toda a Niigata, existem companheiros que foram encorajados e incentivados por ela. Mulheres que choravam lamentando seu destino se tornaram o sol da localidade, iluminando a todos. Isso é exatamente a corrente do “drama da revolução humana”.

Essa mãe dizia: “Cada um dos problemas e sofrimentos agora são grandes tesouros do meu cora­ção. Eu existo hoje porque tive a boa sorte de ter bons veteranos e bons amigos”.

Ao pensar em Niigata, essa província veio sobrevivendo a contínuos desastres de grandes proporções, como incêndios, terremotos, excesso de neve e inundações. É por essa razão que o povo de Niigata possui um calor humano incomparável, que não consegue deixar de sentir empatia em relação à dor e ao sofrimento dos amigos e companheiros.

[Como exemplo disso, Ikeda sensei menciona a ação sincera dos moradores de Niigata que fizeram e enviaram 15 mil bolinhos de arroz para as áreas mais atingidas pelo grande terremoto seguido de tsunami no leste do Japão, imediatamente após o ocorrido. Ele ressaltou que o sentimento de empatia pela dor do outro significa apoiar as pessoas que sofrem e salvá-las dessa condição.]

O afeto é a chave para a educação

[Nota do redator: Existe um fato na história de Niigata conhecido como Kome Hyappyo [cem fardos de arroz]. Diz-se que o clã feudal Nagaoka perdeu a guerra Boshin no início da era Meiji e seu domínio se tornou um campo queimado, levando-o à pobreza. Mesmo nessa situação, ao receber cem fardos de arroz de ajuda, utilizou-os como meio para conseguir dinheiro para construir uma escola. Niigata é a principal produtora de arroz do Japão com alta qualidade e valoriza, sobremaneira, a “educação humanística”.]

Não consigo me esquecer daquela paisagem dos arrozais e dos campos de arroz em socalcos resplandecendo no grande solo de Niigata. Além de ser a maior produtora de arroz do Japão, a agricultura dessa província sustenta a alimentação e a vida dos japoneses.

Quanto suor e esforço devem ter sido empreendidos para o cultivo e a produção de cada grão e produto. Como filho de uma família que vivia do cultivo e da produção de nori [folhas feitas de algas marinhas], expresso minha sincera gratidão e respeito a todos os que se dedicam à agricultura e à pesca, em especial às mulheres, que são seus eixos principais.

Assim como vimos na famosa história dos “cem fardos de arroz”, Niigata possui uma cultura que valoriza a educação humana, que desenvolve a mente, o espírito e o corpo de maneira livre e sadia.

Os jovens pelos quais vim zelando também cresceram de modo admirável e estão atuando em prol da sociedade com o orgulho de ser de Niigata.

O Sr. Tetsuji Morohashi, estudioso dos clássicos chineses nascido nessa província, afirmou que o segredo da educação está no “afeto”, ou seja, no “coração amoroso”, que ajuda o “broto” dentro do outro a se desenvolver. E ele encontrou o melhor exemplo disso no amor puro e benevolente de uma mãe, que é a primeira a empoderar os filhos e ainda move o mundo.

O “coração que ama a vida” que as mães e mulheres de Niigata personificam não seria a própria imagem do “grande solo da convivência harmoniosa”, a qual nutre e desenvolve todas as coisas?

Em Niigata

está o lar de ouro,

canção de mãe.

20

foto tirada pelo presidente Ikeda:, Niigata é considerada um santuário natural do Japão como destino dos cisnes. Lago Hyoko, na cidade de Agano (maio 1971).

 

21

paisagem dos campos de arroz da cidade de Tokamachi, em Niigata. As espigas de arroz, que aguardam ser colhidas, irradiam um brilho dourado (set. 1985)

No topo: a bordo do trem expresso Benibana, que vai de Niigata a Yamagata, casal Ikeda dialoga pela janela com membros da localidade (abr. 1983)


Publicado no Seikyo Shimbun do dia 26 de outubro de 2020.

Nota:

1. A citação de Shoko Ema está em Shoko Ema Zen Shishu editado por Norio Yamada (Hobunkan Shuppan); Tetsuji Morohashi é mencionado em Makoto wa Tem no Michi — Toyo Dotoku Kowa (Reitaku Daigaku Shuppankai).

17-2-2022

Encontro com o Mestre

Rumo à primavera da esperança com o sentimento de “contínuas vitórias”

DR. DAISAKU IKEDA

Na vida ou na sociedade,

se determinar, resignado, que algo “é impossível”

diante das provações que se levantam,

será o fim.

Porém, ao se firmar a determinação mental de que

não há nenhum tipo de dificuldade

que não possa ser superado,

e continuar se desafiando,

poderá criar a esperança,

extraindo o potencial inexistente até então.

Mesmo que se encontre agora no inverno das provações,

não deve fechar o coração.

Na coragem de dar um passo em direção aos ventos gélidos,

emergem a força para lutar e

a força para não ser derrotado.

Nesse coração, já foi iniciada a primavera da vitória.

Os sofrimentos que surgem na caminhada da fé,

todos, têm um significado.

Mesmo as grandes circunstâncias,

que parecem não ter saída,

com o passar do tempo e

observando-as no longo prazo,

certamente se compreende que

“Então, era por isso” ou

“Foi para essa finalidade”.

Portanto, não é necessário oscilar entre alegria e tristeza

por acontecimentos momentâneos.

Quando se vive pelo kosen-rufu,

não há, em absoluto, destino que não possa ser transformado.

Todos são bodisatvas da terra e possuem

o direito de ser felizes.

Todos são protagonistas e atores famosos

da grande dramaturgia da transformação

dos sofrimentos em alegria,

do inverno de nevascas em primavera dos raios solares,

no palco da vida.

“Vitórias contínuas” é outro nome para a tenacidade indomável.

É a grandiosa convicção e espírito de luta de que

“Vou vencer infalivelmente!” e “No final, vencerei!”.

Não se esqueça de que onde há esse “espírito invencível”,

todas as adversidades se tornam nutrientes para

a sua revolução humana, e

a consecução da grandiosa condição de vida do estado de buda

pelas “três existências” — passado, presente e futuro.

No topo: Avanço corajoso Porto de Kobe, porta de entrada vislumbrante para o mundo. Foto tirada por Ikeda sensei em outubro de 1995, orando pela segurança e virtuosa boa sorte dos companheiros. Fazia nove meses do grande terremoto de Kobe (ou grande terremoto de Hanshin-Awaji). Na ocasião dessa viagem de orientação a Kansai, o Mestre participou da Convenção da Esperança de Hyogo para o Século 21, em conjunto com a Convenção da SGI, realizada no Centro Cultural Ikeda de Hyogo. Ele afirmou para os companheiros indomáveis ligados à relação de mestre e discípulo: “O Budismo de Nichiren Daishonin é a filosofia da infindável esperança”. Possuímos o Gosho, a escritura da vitória. E temos o Mestre que sempre nos oferece coragem. Portanto, sejam quais forem as barreiras que se levantarem, jamais seremos derrotados. [No Japão,] fevereiro é o mês em que, em meio aos ventos gélidos, começam a surgir os sinais da primavera. Com a cabeça erguida, vamos dar o primeiro passo de avanço.

Publicado no Seikyo Shimbun de 6 de fevereiro de 2022.

17-2-2022

Cidadania Global

Viver pela missão

REDAÇÃO


Lisboa, capital de Portugal, é tida por muitos como um local encantador. Repleta de padarias e bons restaurantes, é um destino bastante procurado por quem visita a Europa. É lá que vive o brasileiro Philipe Augusto Saúde Ribeiro de Souza com a esposa, Fabrícia, e a filha, Pilar.

“Pratico o Budismo de Nichiren Daishonin, por meio da Soka Gakkai Internacional (SGI), há 37 anos. Meu irmão Samuel e eu (com 5 e 9 anos, respectivamente) ingressamos na BSGI junto com nossa mãe, Hildete, em 1985, quando ela recebeu o Gohonzon”, revela Philipe. Atualmente, ele faz parte do Distrito Belém, pertencente ao Capítulo Lisboa Central, SGI-Portugal, no qual atua como vice-responsável pelo Departamento de Homens (equivalente à Divisão Sênior [DS] da BSGI).

Relembrar a atuação na época da BSGI é um prazer para Philipe, que revela detalhes de sua dedicação à organização: “Sempre fui muito assíduo nas atividades desde a época do Grupo 2001 (precursor da Divisão dos Estudantes [DE]), passando pela Divisão dos Jovens (DJ) até a Divisão Sênior. Antes de vir para Portugal, atuava como responsável pelas cinco divisões da RM Valqueire (Sub. Méier, CCSF, CGERJ) e também como responsável pelo Núcleo de Estudos Filosóficos e Religiosos (Nefir) da CGERJ”.

Em busca de novos horizontes profissionais, Philipe decidiu encarar a empreitada desafiadora de mudar de país. A escolha por Portugal foi planejada com a esposa. “O que nos motivou a mudar para cá foram as oportunidades profissionais que surgiram para nós; para mim, a possibilidade de continuar trabalhando como educador, pois sou professor há quinze anos. Para Fabrícia, a chance de avançar em seu projeto de abrir uma empresa com a irmã, que morava aqui havia alguns anos, sendo, inclusive, cidadã portuguesa.”

Philipe nos conta que a esposa e a filha foram primeiro para lá, em agosto de 2018, para agilizar a abertura da empresa e a matrícula de Pilar na escola, pois, em Portugal, o ano letivo começa em setembro. Ele seguiu para Portugal em dezembro de 2020, assim que concluiu seus compromissos profissionais.

Apesar de todo o planejamento, segundo Philipe, a mudança não foi tão tranquila: “Surgiram muitos obstáculos nesse período em que ficamos separados fisicamente, os quais foram superados com base na prática da fé, no estudo dos escritos de Nichiren Daishonin, nas orientações de Ikeda sensei e na dedicação às atividades da BSGI, no meu caso, e da SGI-Portugal, no caso delas, em especial, na propagação do budismo (shakubuku)”. Superando os desafios diários, Philipe continua a se dedicar assiduamente à organização. “Logo que cheguei aqui, comecei a participar das atividades on-line. Com os demais responsáveis da minha organização, continuo a me empenhar no incentivo aos membros e na realização do shakubuku.”

Unido ao coração do Mestre

Philipe continua a se dedicar nos estudos e nas leituras. Ele nos conta que lê diariamente a Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin e, por vinte minutos por dia, a obra Nova Revolução Humana (NRH), de autoria do presidente Ikeda. Segundo ele, “Sem pressa de acabar, buscando apenas obter a inspiração necessária para a vitória diária”. E enfatiza: “Desde que cheguei aqui, estou cada vez mais empenhado em vencer no campo profissional com o sincero objetivo de contribuir para o kosen-rufu de Portugal. Trabalho em um dos polos do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), instituição governamental na qual leciono disciplinas nos cursos de aprendizagem para jovens das classes populares, muitos deles em condições de vulnerabilidade social. Nesse contexto, além da recitação do daimoku, do gongyo e da prática do shakubuku diários, leio e releio, também diariamente, alguns trechos do volume 1 da NRH. Entre eles estão: “Para obter a confiança na sociedade é importante primeiro ser vitorioso em seu trabalho. Essa é a base de tudo”1 e “O trabalho é o esteio de nossa vida. Se não vencermos em nosso trabalho, não conseguiremos comprovar o princípio de que o ‘budismo é a própria vida diária’”.2

Quando perguntado sobre a relação com o presidente Ikeda, Philipe revela: “Daisaku Ikeda é meu mestre. Logo que ingressei na BSGI, passei a nutrir uma grande admiração por ele, pela sua luta, por liderar a propagação do Budismo de Nichiren Daishonin pelo mundo todo, quase ao custo da própria vida. Entretanto, com o passar dos anos, o sentimento mudou. Em meio aos meus esforços e vitórias pessoais (caindo e levantando várias vezes), e sempre tendo o Mestre como referência de dedicação em prol do kosen-rufu, a admiração deu lugar ao juramento de, assim como ele, com ele e por ele, viver pela minha missão. Não posso deixar de dizer que a minha mãe, a DJ, os veteranos e os grupos de treinamento da Divisão Masculina de Jovens (DMJ) Taiyo Ongakutai e Sokahan, dos quais fiz parte, foram fundamentais para essa transformação, a qual está em constante movimento ascendente. E desde que cheguei a Portugal, o sentimento de ser o Shin’ichi Yamamoto3 da minha localidade se intensifica cada vez mais, no trabalho, na comunidade e na organização”.

30

o irmão Samuel; a mãe, Hildete; Philipe, com a filha, Pilar, em seus braços; e Fabrícia, sua esposa, no Centro Cultural do Rio de Janeiro (2017)

No topo: num momento de lazer em Belém, Lisboa, Philipe com Fabrícia e Pilar (ago. 2021)

Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I. p. 60, 2019.

2. Ibidem, p. 238.

3. Personagem que representa o Dr. Daisaku Ikeda na obra Nova Revolução Humana, de sua autoria.

17-2-2022

Notícias

Comunidade Marília promove aprimoramento para líderes

REDAÇÃO

No dia 10 de fevereiro, foi promovido pela Comunidade Marília (Distrito Pq. Savoy, Sub. Leste-Esperança, CCLP) um encontro direcionado aos líderes de bloco e comunidade acerca do tema “A importância dos blocos e dos membros”. O aprimoramento em formato virtual teve participação de dezessete líderes da localidade e foram debatidos aspectos da atuação em prol do kosen-rufu, como dedicar-se constantemente, proteger todos os membros, recitar daimoku para manifestar sabedoria, e cumprir com as responsabilidades ao assumir uma função de liderança. Os pontos tratados no diálogo tiveram como base as orientações do Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI).

Os participantes contaram ainda com os direcionamentos e incentivos de Alessandro Ariga, responsável pela Sub. Leste-Esperança, que destacou ser fundamental ter um coração puro e jovial para que se progrida dinamicamente em meio aos desafios pessoais e da liderança. Ressaltou também ser essencial aprofundar-se na “fé, prática e estudo”, conforme consta nas diretrizes de avanço individual apresentadas pela BSGI para este ano. Outros pontos destacados por Ariga foram: viver com base no daimoku e no juramento seigan, a busca pelo autoaprimoramento com perseverança e paciência, atuando com sinceridade e seriedade.

Simone Leite, responsável pela Divisão Feminina (DF) da Comunidade Marília, revela que o objetivo de promover esse aprimoramento partiu da decisão feita pelos líderes de comunidade, em 2021, em desenvolver líderes de bloco para garantir que todos sintam a alegria de praticar o Budismo de Nichiren Daishonin e de pertencer à BSGI. Para conscientizar sobre a importância da participação nessa atividade, os líderes de comunidade, com apoio dos níveis acima, realizaram um intenso movimento de visitas que ajudou também a estreitar os laços de amizade entre todos.

17-2-2022

Nova Revolução Humana

Budismo é vitória

PARTE 27

Em 16 de novembro de 1979, foi realizada a Reunião Nacional de Líderes da Soka Gakkai em comemoração do 49o aniversário de fundação, no Auditório Memorial Toda de Sugamo, em Tóquio.

No bairro de Toshima, onde está situado esse auditório, existiu o Centro de Detenção de Tóquio, local em que o primeiro presidente, Tsunesaburo Makiguchi, e o segundo presidente, Josei Toda, foram presos pela opressão do governo militar. Makiguchi encerrou sua vida como mártir nesse lugar.

O Auditório Memorial Toda, localizado próximo ao local original da prisão, foi concluído em junho, sendo construído como um novo castelo da Lei Soka que encerra o espírito de “devoção abnegada pela propagação da Lei” dos dois presidentes. No entanto, Shin’ichi Yamamoto estava proibido de comparecer às reuniões e de proferir orientações, e se absteve de participar da cerimônia de inauguração.

Mesmo em meio a essa situa­ção, para louvar e agradecer às pessoas que se esforçavam para a inauguração, ele foi ao auditório no dia anterior ao da cerimônia e conversou com os companheiros, incentivando-os. A partir de então, de tempos em tempos ele ia a esse local e dialogava com os amigos do bairro de Toshima e do bairro vizinho de Kita, e também com os membros que visitavam o auditório, vindos de outras partes do Japão.

Shin’ichi estava decidido a criar uma grandiosa onda de vitórias do kosen-rufu a partir dessas terras do bairro de Toshima, onde o mestre predecessor deu a vida pela Lei. Uma vez estabelecida a forte decisão de lutar até o fim, é possível batalhar sob quaisquer circunstâncias. Existem caminhos para lutar, mesmo atrás das grades. Makiguchi, embora estivesse preso, falou até o fim a respeito da justiça Soka e de suas convicções, mesmo ao ser interrogado.

Consta nos sagrados escritos: “Quando um grande mal ocorre, um grande bem o sucederá”.1 O “grande mal” da morte do primeiro presidente como mártir na prisão abriu o caminho para a realização do “grande bem” da grande vitória do kosen-rufu.

No entanto, ficar apenas observando, sem fazer nada, não provoca mudanças. É preciso estar firmemente determinado e comprometido a transformar sem falta o “grande mal” em “grande bem” e tomar ações corajosas nesse sentido. Nossa determinação e nossos esforços reais são o que tornam realidade os ensinamentos de Nichiren Daishonin.

Nesse momento, em meio à condução de uma trama maquiavélica para confiná-lo e destruir a Soka Gakkai, a organização do kosen-rufu que existe conforme o desejo e a ordem do Buda, Shin’ichi iniciava sua devotada luta para abrir sem falta um caminho e romper essa situação.


PARTE 28

Como a Reunião Nacional de Líderes da Soka Gakkai do dia 16 de novembro seria comemorativa do 49o aniversário de fundação da Soka Gakkai, Shin’ichi Yamamoto desejava participar dessa atividade nem que fosse por um breve momento, para dar uma nova partida do kosen-rufu junto com os companheiros.

Ele subiu ao palco no meio da reunião. A grande maioria dos participantes não via Shin’ichi havia algum tempo e houve uma explosão de salva de palmas que estremeceu o auditório.

Em vez de fazer um discurso, ele tirou o paletó e se dirigiu ao centro do palco com um leque na mão.

— Hoje, vou reger [shiki, em japonês] uma canção da Soka Gakkai. Vamos cantar Ifu Dodo no Uta!

Foi a primeira regência de canção que Shin’ichi fez após a sua renúncia à presidência.

Houve uma salva de palmas ainda mais estrondosa.

Os discursos não são a única maneira de oferecer orientação ou incentivos. Qualquer batalha requer sabedoria, engenhosidade e criatividade. Independentemente de quais limites nos sejam impostos para nossas ações, se mantivermos uma determinação inabalável pelo kosen-rufu, nada bloqueará nosso caminho do avanço. Shin’ichi estava determinado a inspirar e a elevar o espírito de todos por meio da regência dessa canção.

Quando a empolgante melodia começou a tocar, o público aplaudiu repleto de alegria e de entusiasmo.

Como nós da Gakkai,

que avançamos por este

mundo conturbado...

Shin’ichi regeu a canção de modo imponente exatamente como exalta a letra, tal qual uma grande águia.

Em seu coração, ele bradava: “Levante-se, Grande Tóquio! Levantem-se, companheiros!”.

Na plateia, homens batiam palmas vigorosamente no ritmo da música e mulheres com lágrimas nos olhos cantavam com todas as suas forças. Havia membros da Divisão Masculina de Jovens (DMJ) com brilho no olhar imbuídos do ardente espírito de luta. Também havia integrantes da Divisão Feminina de Jovens (DFJ) com o rosto rosado que cantavam com radiante alegria.

Todos estavam em perfeita sintonia, a vida deles se fundira tornando-se uma só. Em meio às duras tempestades de adversidade, uma nova marcha para a vitória se iniciou a partir de Tóquio nesse dia.

Budismo é vitória. Por isso mesmo, nossa missão e nosso destino é alcançar infalivelmente a vitória na luta pelo kosen-rufu, não importando quantos obstáculos encontremos ao longo do caminho.

Aquele que é campeão do kosen-rufu será campeão da vida e também campeão da felicidade. A cada montanha que conquistamos em nossa jornada do kosen-rufu, o sol da alegria e da felicidade brilha ainda mais forte em nosso coração.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 387, 2020.

24-2-2022

Notícias

Sementes da Esperança e Ação

REDAÇÃO

No dia 17 de fevereiro, como parte do lançamento do projeto HUB ODS Amazonas, foi aberta a exposição virtual Sementes da Esperança e Ação, Transformando os ODS em Realidade. Criada pela Soka Gakkai Internacional (SGI), em parceria com a organização Carta da Terra Internacional, a iniciativa teve o apoio do Instituto Soka Amazônia (ISA), que desenvolveu a versão virtual brasileira.

Entre seus propósitos fundamentais, a mostra se propõe a promover a meta 4.7 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), relacionada a aspectos entre os quais estão direitos humanos e igualdade de gênero. A primeira versão dessa exibição, Sementes da Esperança — Visões de Sustentabilidade, Passos rumo às Mudanças”, foi realizada por todo o país e vista por mais de 200 mil pessoas.

Dividida em cinco eixos temáticos (1. Inspirar, 2. Aprender, 3. Refletir, 4. Empoderar e 5. Agir e liderar) a exposição virtual Sementes da Esperança e Ação traz conteúdos em forma de imagens, textos, áudios e vídeos. Seu caráter interativo permite que, durante o “tour vir­tual”, ao explorar o conteúdo extra disponível, o “visitante” acumule pontos e, ao final, se torne embaixador Sementes da Esperança e Ação. Isso possibilita a criação de multiplicadores de ideias sustentáveis preconizadas por ativistas e especialistas ambientais, aliadas ao pensamento de ícones da humanidade. E, como parte do conteúdo, constam depoimentos de personalidades ligadas ao tema. Entre elas estão Nyuon Susan Sebit William, advogada dos direitos humanos no Sudão do Sul (norte da África); e Jomber Chota Inuma, educador peruano, especialista em reflorestamento de terras indígenas do Brasil, voluntário do Instituto Soka Amazônia. É possível, ainda nesse trecho, conhecer mais sobre as ações do ISA. Permeiam ainda a exposição textos de Rabindranath Tagore, poeta, romancista, músico e dramaturgo indiano, e Tsunesaburo Makiguchi, educador japonês criador do sistema pedagógico da criação de valor.

Apresentada em versão física na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021 (COP-26), tem como base as ideias defendidas pelo Dr. Daisaku Ikeda, presidente da SGI e fundador do ISA, como forma de inspirar as pessoas comuns para o nobre propósito da coexistência harmônica.

A exposição Sementes da Esperança e Ação, Transformando os ODS em Realidade pode ser acessada por meio do site oficial (https://sementesdaesperancaeacao.com.br/) ou através do site do Instituto Soka Amazônia (https://institutosoka-amazonia.org.br/).

3

Algumas das telas que compõem a exposição virtual e interativa Sementes da Esperança e Ação

24-2-2022

Encontro com o Mestre

Propagar felicidade e amizade

Eu e meus discípulos, ainda que ocorram vários obstáculos, desde que não se crie a dúvida no coração, atingiremos naturalmente o estado de buda.1

Abertura dos Olhos

As integrantes da Divisão Feminina de Jovens (DFJ) estão dando continuidade resolutamente ao espírito dessa passagem, que tem sido cultivado por um número incalculável de membros desde a época pioneira do nosso movimento.

Uma juventude dedicada ao cumprimento do juramento pelo kosen-rufu ao lado de companheiros de confiança é nobre, destemida e bela. A radiância luminosa como o sol de sua jovem vida não pode ser apagada nem mesmo pela escuridão das mais árduas dificuldades.

As reuniões em pequeno grupo da DFJ [que estão ocorrendo atualmente por todo o Japão] propagam felicidade e amizade na comunidade e na sociedade como um todo. Recitemos daimoku e ofereçamos apoio para o feliz sucesso desses encontros!

Publicado no Seikyo Shimbun de 11 de janeiro de 2020.

Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 296, 2014.

24-2-2022

Relato

Ao som da vida e da vitória

Nasci em Ferraz de Vasconcelos, SP, em uma família já praticante do Budismo de Nichiren Daishonin. Pobre e vivendo numa área periférica com altos índices de criminalidade, sofri o peso da desigualdade; e desafiei a estatística, com minha própria vida, para construir uma história vitoriosa e transformar o impossível em possível.

Morava num “castelo do kosen-rufu” e, ao sair dele, via jovens envolvidos com o crime e com as drogas. Estudei em escolas consideradas “ninhos de delinquentes” e estava exposto a “caminhos negativos”, mas devido à profunda ligação com meu mestre, Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), desenvolvi sabedoria e norteei meu caminho me dedicando às reuniões da localidade, à entrega do Brasil Seikyo e aos estudos.

Por algumas vezes, apreciei o som vigoroso do Taiyo Ongakutai [grupo musical da Divisão Masculina de Jovens (DMJ)] e meu coração se enchia de esperança e de coragem. Nunca me esquecerei do dia em que fui entrevistado para entrar no Taiyo. Meu coração bateu mais forte quando vi o clarinete. Ingressei no grupo em 2006.

Próximo à apresentação no Imin 100, evento comemorativo dos cem anos da imigração japonesa no Brasil, em 2008, orei firme daimoku, porque queria tocar, porém não possuía instrumento, técnica e nem dinheiro para o uniforme.

Certo dia, minha mãe, Elaine, e eu recebemos a notícia de que Marcelo, meu pai, que prestava serviços na área de elétrica, havia sido preso acusado de roubo na saída de uma estação do Metrô de São Paulo. Sem entender nada e sem informações, entramos em desespero. Para piorar, não tínhamos dinheiro, visto que somente ele trabalhava. Respiramos fundo e recitamos daimoku. Nessa época, era raro ver nosso oratório fechado. Eu tinha entre 10 e 11 anos e via as contas chegando e a comida cada vez mais escassa. Minha mãe me dizia para ser forte, mas eu a escutava chorando dia e noite. Precisávamos tirar meu pai da cadeia.

Em consequência daquela situa­ção, passamos fome. Quando conseguimos algum recurso financeiro, compramos ingredientes para fazer sopa. Durante uma semana, tomávamos sopa no café da manhã, no almoço, na janta ou quando sentíssemos fome. Adicionávamos água para render para os próximos dias.

Enquanto minha mãe buscava apoio em fóruns e defensoria pública, para soltar meu pai, eu preparava e vendia as sobras de cobre que ele trazia para casa quando restava dos serviços. Não me esqueço de um dia triste em que um carro passou por minha mãe e por mim e nos xingou de “pobres miseráveis”.


Atraindo a boa sorte

Diante do Gohonzon e, como o rugido de leões, recitamos daimoku determinados a transformar aquela situação convictos de que não seríamos derrotados. De forma gradativa, os defensores públicos agiram de maneira eficaz no caso do meu pai. Começamos a ter retorno financeiro das vendas do cobre e compramos alimentos para nós e também para enviar ao meu pai. Guardávamos, inclusive, dinheiro para fazer contribuições financeiras (Kofu) e para adquirir o instrumento e o uniforme.

Um veterano do Taiyo me ofereceu aulas gratuitas de clarinete, mesmo eu não possuindo um. Por causa da distância, minha avó ia comigo, pois ela possuía gratuidade e tinha direito a um acompanhante. Eu me empenhava nas aulas e, ao retornar, recitava mais daimoku e descascava os fios de cobre. Como não há oração sem resposta, compramos um clarinete e meu uniforme. Além disso, comprovamos a inocência do meu pai e ele foi solto. Apresentei-me no Imin 100 e, daquele momento em diante, nunca mais passamos fome.

Sempre gostei da área de tecnologia e acalentei o sonho de me graduar e de me aprimorar por meio de cursos. Como não tinha condições de pagar uma faculdade, dediquei-me aos estudos (de madrugada e todo tempo que tivesse) para ingressar em uma universidade pública e conseguir um emprego para ajudar em casa. Passei em vestibulares com ótimas pontuações e, gratuitamente, realizei um curso técnico, graduei-me na faculdade e fiz extensão numa das instituições mais renomadas do país.

Como jovem, empenhei-me na localidade, nos ensaios do Taiyo Ongakutai e, posteriormente, na The Sun Orquestra [oriunda da banda masculina]. Apresentei o budismo para três pessoas, e uma delas, Mariana, tornou-se minha companheira de vida. Para superar as dificuldades, punha em prática as orientações do Mestre, incentivava as pessoas que sofriam e contribuía com o Kofu.

Vendo o exemplo do meu pai e incentivado por minha mãe a “me esforçar por três e dar o melhor em tudo”, empenhava-me com afinco no trabalho, sempre disposto a aprender e a aplicar as orientações de Ikeda sensei. Assim, fui reconhecido nas empresas em que trabalhei, onde falei do budismo para várias pessoas. Concretizei também um grandioso objetivo e trabalho em um dos maiores bancos do Brasil.

Por pertencer à BSGI, construo a vida que sempre sonhei. Atualmente, levo palavras de esperança e de coragem ao compartilhar minha história com jovens que cometeram algum tipo de delito, em ONGs e em projetos sociais.

Agradeço aos meus pais, pois, sem eles, eu não seria nem 1% do que sou hoje; ao meu mestre, que constantemente me ilumina em meio à escuridão; à minha esposa, sobre quem não possuo palavras para expressar tamanha gratidão; e a todos os companheiros da família Soka, porque sem eles nada seria possível.

Compartilho um trecho do poema Ao Ongakutai, que carrego em meu coração: “A marcha da Soka Gakkai / é rapidíssima, / de tal modo que / um ano equivale a cerca de dez anos. / Portanto, o avanço do Ongakutai / assim será doravante”. Meu avanço é prova disso.

 

10

Henrique com a esposa, Mariana


8

da esq. para a dir., ele e Mariana; Elaine e Marcelo (pais do Henrique) e a irmã, Naylla


9

antes da pandemia, na formatura da academia dos membros da The Sun Orquestra Júnior.


Henrique Almeida Martins Curticeiro, 25 anos. Gestor de tecnologia e projetos. Responsável pela DMJ do Distrito Lagoa Branca e pela Divisão dos Estudantes Herdeiro da RM Morumbi, Sub. Oeste, CNSP.

24-2-2022

Especial

Líderes da nova era

REDAÇÃO

O dia 5 de março é uma data bastante significativa para a Divisão Sênior (DS) da BSGI. Nessa ocasião, em 1982, foi fundada a DS do Brasil. A escolha da data foi inspirada na Soka Gakkai que, dezesseis anos antes, oficializava a existência da DS, pilar da luta na organização. No Japão, a cerimônia ocorreu às 17 horas, no auditório da sede central da Soka Gakkai, liderada pelo então presidente da Soka Gakkai e atual presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda. E marcava a abertura de uma renovada era, uma nova forma de atuar em prol do kosen-rufu, o movimento pela paz abraçado pela organização. Mas por que fundar a DS? Na obra Nova Revolução Humana, de autoria do presidente Ikeda, consta:

A fundação da Divisão Sênior foi decidida em virtude de sua importância para a nova fase do kosen-rufu e para o futuro da Soka Gakkai. Até então, essa divisão não havia sido oficializada pelo fato de estar sempre apoiando a Divisão Feminina e a Divisão dos Jovens. Entretanto, essa divisão deveria ser instituída oficialmente para atuar na linha de frente das atividades ao lado das outras divisões com o objetivo de estreitar os laços de confiança da Soka Gakkai com a sociedade.1

Ao mesmo tempo em que enfrenta os desafios da vida diária, vivenciando as mais diversas experiências, o integrante da DS se reformu­la e se reinventa para continuar a acompanhar o desenvolvimento de uma organização cada vez mais dinâmica. O presidente Ikeda tem grande expectativa também na DS. Ele confia no potencial de cada membro e em sua postura equilibrada, não ficando preso somente às suas experiências, mas também se abre para a energia e criatividade dos jovens. Aprofundando um pouco mais sobre o perfil do componente da DS, Ikeda sensei registrou:

Os integrantes da Divisão Sênior devem ser pessoas de grande paixão, coragem, vitalidade e ação. Se um sênior se levantar, os demais manifestam a chama da coragem. A responsabilidade e a força da Divisão Sênior são realmente grandiosas. A atuação da Divisão Sênior é muito importante e seu potencial é imensurável.2


DS da nova era

Ao completar quarenta anos de fundação, a DS encontra um contexto social bastante diverso. Além das evoluções tecnológicas e a agilidade como o mundo se reconfigura socialmente, e das diversas outras questões, enfrenta ainda uma realidade moldada pelos efeitos de uma pandemia. Sem dúvida, esse cenário exige muito de qualquer ser humano. A questão não é que se devem tornar super-heróis para vencer essa realidade, mas, sim, estar sempre preparados para ela. Como se preparar? Com base na prática da fé.

Outra questão fundamental é fazer uma franca reflexão e perceber quanto se está na órbita do Mestre, compreendendo e seguindo seus direcionamentos. Enfim, se realmente está correspondendo às expectativas de Ikeda sensei, tanto sobre a sua atuação como verdadeiro pilar de ouro do kosen-rufu quanto como cidadão. Esse questionamento é profundo. Justamente por isso, Brasil Seikyo perguntou a Fábio Oda, coordenador da DS da BSGI: “Qual o perfil do membro da DS da BSGI nesta nova era, nesta nova realidade social?”.

Antes de responder, Oda ressaltou que um dos maiores desafios para a atual geração de membros da DS é se adequar, compreender e lidar com essa nova cultura que vem se estabelecendo de alguns anos para cá. “Muitos elementos da sociedade atual não fizeram parte da nossa ‘formação’; dessa forma, torna-se um desafio se remodelar, reinventar-se. Recentemente, o presidente da Soka Gakkai, Minoru Harada, incentivou sobre alguns pontos relacionados a esse desafio.3 Dois deles são: a importância de sermos audaciosos em nossa mudança; e compreen­der, de maneira eficaz, as transformações da sociedade”, declara Oda. Sobre o perfil do integrante da DS da atualidade, Fábio Oda respondeu: “Dentro da DS, almejamos desenvolver uma geração de pessoas com base em quatro pontos a fim de que juntos possamos contribuir para o avanço do kosen-rufu e para o crescimento dos jovens”. Os aspectos a que Fábio Oda se refere foram extraídos do livro Pilares de Ouro Soka,4 uma compilação de orientações do presidente Ikeda para a Divisão Sênior. São eles:

Convicção no Gohonzon, no ensinamento budista e no Mestre.

Compaixão. Ser aquela pessoa que se levanta para apoiar e incentivar o outro.

Comprovação na própria vida das “Cinco diretrizes eternas da Soka Gakkai”.

Confiança conquistada como consequência de todos esses atributos pela postura e pelo caráter.

E quais as perspectivas da DS para a atuação dos membros neste “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”? A resposta é que, inspirados no exemplo do presidente Ikeda, devemos resgatar e aplicar na vida o sentimento e a coragem em relação ao desenvolvimento e à felicidade do povo brasileiro, ponto fundamental no plano de atividades da divisão para 2022. Fábio Oda ressalta: “Esse sentimento e essa coragem foram expressos pelo Mestre, na década de 1960, quando ele veio ao Brasil, mesmo não estando com boas condições de saúde. Diante de uma solicitação de cancelamento da visita por parte da comitiva, Ikeda sensei bradou: ‘Contudo, eu irei’5”. Fábio revela que na expressão “Contudo, eu irei” existe a decisão do presiden­te Ikeda de cumprir o juramento feito ao seu mestre, segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda. “Mesmo arriscando a vida, decidiu vir ao Brasil, pois aqui plantaria as sementes fundamentais que germinariam como uma frondosa floresta de desenvolvimento e de pes­soas valorosas, o que se comprovou, com seu apoio, todos esses anos.”

Um grande rei

Como homem,

haja o que houver,

jamais fugirei e cumprirei minha responsabilidade.

Quando se reúne

essa coragem,

surge a

verdadeira capacidade.

Nós, da Divisão Sênior, tornando-nos

a pedra fundamental, a parede e o pilar, devemos construir o castelo de valores humanos eternamente indestrutível

e transferi-lo confiando

aos jovens.

Por mais que a época seja turbulenta, solenemente,

devemos assumir a liderança

rumo à vitória.6

Esse é um trecho do poema Divisão Sênior, Levante-se com a Personalidade do Monarca, composto pelo presidente Ikeda. Nele, o Mestre revela aspectos a ser desenvolvidos pelos membros como coragem e responsabilidade no cumprimento de seus objetivos, essencialmente para o desenvolvimento dos jovens e na luta pelo kosen-rufu.

Corresponder aos direcionamentos como os destacados pelo Mestre, é comprovar a veracidade do budismo de “oração e ação” e polir-se como uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento social. Para os praticantes do Budismo de Nichiren Daishonin e membros da SGI, coragem é essencial para enfrentar as questões do dia a dia e ela precisa ser acompanhada de sabedoria. Aquele que consegue unir esses dois aspectos e pô-los em prática pelo bem comum comprova a denominação de “pilar de ouro”, ou seja, aquele que protege, desenvolve e abre todos os caminhos em prol do kosen-rufu.

Presidente Ikeda (à dir.) brada pela vitória junto com líderes da Divisão Sênior (Tóquio, jan. 2007)

Presidente Ikeda (à dir.) brada pela vitória junto com líderes da Divisão Sênior (Tóquio, jan. 2007)

 

12

Integrantes da DS da BSGI em atividade no Centro Cultural Campestre (Itapevi, SP, 26 ago. 2018)

No topo: Ilustração retrata o momento em que os participantes da Reunião de Fundação da Divisão Sênior da Soka Gakkai dão o brado da vitória em torno do presidente Ikeda (Tóquio, mar. 1966)


Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 10, p. 249, 2019.

2. Ibidem, p. 257.

3. Brasil Seikyo, eds. 2.597 e 2.598, 3 fev. 2022.

4. IKEDA, Daisaku. Pilares de Ouro Soka. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019.

5. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 216, 2019.

6. Brasil Seikyo, ed. 2.554, 4 mar. 2021.

24-2-2022

Especial

Preciosos encontros que transformam vidas

REDAÇÃO

A Soka Gakkai Internacional (SGI) é reconhecida mundialmente por seu eficiente movimento popular pela paz, cultura e educação com base no respei­to a todas as pessoas e no budismo da dignidade da vida. Esses esforços têm como alicerce principal as pequenas reuniões promovidas por seus membros. No Brasil, devido aos cuidados para combater a pandemia da Covid-19, embora a grande maioria das atividades esteja sendo realizada de maneira virtual, o espírito fundamental de prezar e valorizar uma única pessoa, por meio do diálogo solidário, se mantém como ponto central. Seja nas reuniões de palestra, nos estudos promovidos nos blocos, nas comunidades e nos distritos ou nas reuniões de diálogo em pequenos grupos, o distanciamento social dá lugar ao encontro que busca um objetivo em comum: a felicidade de todos.

Essa é uma importante prática que remonta os primórdios do budismo. Na Índia antiga, após atingir a iluminação, ou seja, manifestar o estado de buda, Shakyamuni expôs pela primeira vez seu ensinamento a um pequeno grupo de ex-seguidores ascetas, lembrando o formato das nossas atuais reu­niões de palestra.

No século 13, os discípulos do buda Nichiren Daishonin também se reuniam em torno dele ou de um dos recebedores de suas cartas para dialogar, incentivar-se mutuamente e aprender sobre o budismo.

O presidente fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, defendeu a propagação do ensinamento de Nichiren Daishonin durante a época opressiva da Segunda Guerra Mundial. A atitude corajosa dele resultou num considerável aumento no número de membros da organização [por volta do ano 1940].

Por que isso aconteceu? Por causa da “revolução na propagação” do presidente Makiguchi. Ele adotou o método de dialogar sinceramente com toda pessoa com quem se encontrava, e ia pessoalmente visitar cada uma em seu próprio lar. Ele concluiu que essa era a única maneira de propagar o ensinamento de Nichiren Daishonin. (...)

Depois de não obter resultados escrevendo livros e realizando grandes reuniões, o presidente Makiguchi chegou à conclusão de que a única maneira era conversar com as pessoas, uma de cada vez. Começou encontrando-se com um pequeno número de indivíduos que compartilhavam suas preocupações e aspirações. A partir de então, seus esforços de propagação se desenvolveram consideravelmente. Surgiram, assim, mais e mais pessoas capazes e que tinham a mesma opinião que ele. Além disso, seus novos esforços para dialogar individualmente logo resultaram em encontros com mais de quinhentos participantes. Os membros fortaleciam a fé em pequenas reuniões de palestra, atuavam e recebiam grandes benefícios. Isso deu início a uma reação em cadeia em que outros convidados, inspirados pelos relatos sobre a comprovação do budismo, também passaram a participar.

Para concretizar o objetivo de 750 mil famílias praticantes do Budismo Nichiren, meta lançada pelo segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, seu discípulo, o jovem Daisaku Ikeda, empreendeu esforços para incentivar os membros por meio das pequenas reuniões e das visitas familiares. Com o sentimento de que cada pessoa se tornasse realmente feliz, ele se dedicou ao diálogo incansável, por exemplo, durante os inesquecíveis movimentos de propagação nos Distritos Kamata, Bunkyo e Osaka. Ikeda sensei ressalta:

Falar de forma aberta e honesta com as pessoas e compartilhar seus sentimentos são os princípios pelos quais se originaram a Soka Gakkai e a força motriz que está por trás de seu crescimento. (...). As pessoas tendem a se preo­cupar mais com as grandes reu­niões ou eventos grandiosos. Mas a principal preocupação do budismo é sempre a revolução humana de um único indivíduo. Um único indivíduo que inicia uma sincera batalha em prol do kosen-rufu consegue criar uma mudança dinâmica e que envolve tudo. Por isso é tão importante incentivar e apoiar as pessoas que estão se empenhando na linha de frente, não importando o quanto seus esforços pareçam não ser notados. Quanto menor a distância entre as pessoas, mais rapidamente as ondas da simpatia, da alegria e da coragem irão se propagar e tocar o coração delas. Para propagar o kosen-rufu, é de suma importância encontrarmos e conversarmos com as pessoas.1

No volume 23, do romance Nova Revolução Humana (NRH), o personagem Shin’ichi Yamamoto [pseudônimo do autor, Dr. Daisaku Ikeda] cita seis pontos que os líderes do kosen-rufu devem aprender e gravar na vida:2


1. Valorizar ao máximo a orientação individual.
2. Dar importância às pequenas reuniões.
3. Dar importância ao uso das palavras.
4. Valorizar os relacionamentos com as pessoas.
5. Prezar os familiares dos membros.
6. Respeitar as pessoas.


Com relação à importância das pequenas reuniões, Ikeda sensei declara:

A razão pela qual devemos valorizar pequenas reuniões é porque nosso movimento somente se expande de forma ampla quando as pessoas conseguem discutir assuntos, livre e plenamente, até se sentirem totalmente satisfeitas. Se as reuniões de grande porte fossem comparadas às veias e às artérias, as pequenas reuniões representariam os vasos capilares. O sangue só consegue fluir pelo corpo todo quando os capilares estão funcionando bem. Se as reuniões em pequenos grupos não estiverem sendo satisfatórias para os membros, o espírito da fé e da prática budistas não fluirão por toda a organização. Qualquer instituição que ignore pequenas reuniões estará fadada a desmoronar no final.3

Em consonância com essa visão do nosso mestre, Lou Marinoff, presidente fundador da Associação Americana de Orientadores Filosóficos e professor de Filosofia do City College de Nova York, com quem sensei dialogou em 2003 e em 2007, afirma sobre as pequenas reuniões promovidas na SGI:

É nesse tipo de diálogo próximo, em que as pessoas ficam diante umas das outras e estabelecem entre si uma significativa relação de empatia, que se formam os elos de confiança que ultrapassam todos os tipos de diferença e inspiram o mútuo desenvolvimento.4

O professor Marinoff também chamou esse processo presente nas atividades da SGI de “uma forma de prática para atingir um autoconhecimento mais profundo ao ouvir as experiências dos outros”.5

O presidente Ikeda enfatiza sobre a importância de atividades como a reunião de palestra na época atual:

Em meio ao deserto espiritual da sociedade, caracterizado pelo isolamento e pela alienação cada vez maiores, nossas reuniões de palestra são como um “oásis de humanismo” transbordante de alegre e animado diálogo. Elas nutrem o espírito humano enquanto se propagam pelo mundo. A razão pela qual as reuniões de palestra ocasionaram uma resposta tão positiva no mundo todo é que nelas se encontra o espírito humanístico do Sutra de Lótus, que nos ensina a demonstrar a cada pessoa o mesmo respeito que teríamos para com o Buda.6

Ultrapassando todas as formas de diferenças entre os participantes, os encontros promovidos na base da organização são marcados pelo respeito mútuo e pela confiança, possibilitando que todos possam aprofundar a prática budista e consolidar a relação de mestre e discípulo na própria vida.

O movimento da SGI em prol da humanidade avançará na mesma medida em que as pequenas reuniões sejam mais motivadoras e repletas de calor humano, pois a paz e a verdadeira felicidade florescem em meio à vida diária e às vitórias de cada pessoa.


Pequenos encontros,

porto seguro da vitória

Encontros entre poucas pessoas

são eventos mais importantes.

Realizar apenas grandes reuniões

acaba se tornando uma via de mão única.

Verdadeira é a pessoa

que dialoga com os outros

profunda e agradavelmente,

individualmente,

olho no olho,

e é capaz de fazê-los despertar

com incentivos calorosos.

Esse despertar é duradouro.

Essa decisão é o gatilho

que provoca uma onda

que se expande em dez mil ondas.

A comunidade

é o “porto de reparo e

reabastecimento” do kosen-rufu.

Da mesma forma que os navios se

abastecem de combustível e alimento no porto,

e então zarpam repletos de coragem rumo ao grande oceano,

nossos companheiros

também partem da comunidade

e voltam para a comunidade.

A prosperidade da comunidade

é a vitória da Soka Gakkai!

Pai da independência da Índia, Gandhi

ia bravamente para qualquer localidade,

valorizando ao máximo

os pequenos encontros de pessoas.

Também o Dr. Luther King,

pai dos direitos civis dos Estados Unidos,

expandiu as ondas da vitória

tendo como eixo pequenos encontros.

São as linhas de frente.

São as unidades menores.

São os diálogos face a face.

Dentre todas as formas de encontro,

as mais importantes são as reuniões de palestra.

Assim, vamos hoje também

viver os dramas de diálogos de esperança!

Diálogos de vida a vida —

entre pessoas comuns do povo —

parece um ato discreto.

No entanto,

cria continuamente

a ligação de pessoa a pessoa,

transforma o coração dos indivíduos

e muda as opiniões.

A repetição desse tenaz diálogo

transforma

a corrente subjacente da época.

Dr. Daisaku Ikeda

Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.277, 30 maio 2015, p. B1.

10

Atividade de estudo do budismo promovida pelo Distrito Nações, CNSP (12 fev. 2022)

 
No topo: reunião de palestra da Comunidade Vila Lobato, em Ribeirão Preto, SP (jan. 2020). Foto tirada antes da pandemia da Covid-19


Fontes:

Brasil Seikyo, ed. 1.796, 21 maio 2005, p. B3.

Idem, ed. 1.393, 7 dez. 1996, p. 4.

Notas: 1. Brasil Seikyo, ed. 1.970, 10 jan. 2009, p. A3. / 2. IKEDA, Daisaku. Coragem. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 23, p. 208. / 3. Ibidem. / 4. Brasil Seikyo, ed. 2.172, 23 mar. 2013, p. A4. / 5. Idem, ed. 1.857, 26 ago. 2006, p. A3. / 6. Idem, ed. 2.028, 27 mar. 2010, p. A3.

24-2-2022

Encontro com o Mestre

Vença as dificuldades neste exato instante

DR. DAISAKU IKEDA

As pessoas gratas são denominadas humanas, ao passo que as ingratas nada mais são que animais — esse era o espírito tanto de Nichiren Daishonin como de Shakyamuni. Aquelas que compreen­dem quais são suas dívidas de gratidão merecem ser chamadas humanas. Por outro lado, as que não têm espírito de gratidão são simplesmente animais com aparência de seres humanos. Independentemente do sucesso que essas pessoas alcançam, a verdadeira natureza delas será sempre a dos animais. O ponto de extrema importância reside no fato de a pessoa ter ou não gratidão.

Nichiren Daishonin escreveu:

Desde que comecei a estudar a Lei transmitida pelo buda Shakyamuni e a praticar os ensinamentos budistas, sempre acreditei que o mais importante era reconhecer as obrigações para com os demais, e assim estipulei que meu primeiro dever seria saldar as dívidas de gratidão. Neste mundo, temos quatro dívidas de gratidão. Aqueles que as reconhecem são dignos de serem chamados seres humanos; aqueles que as ignoram, nada mais são que animais.1

Daishonin também disse, citando um episódio da época bastante conhecido:

A velha raposa jamais se esquece da colina onde nasceu.2 A tartaruga branca retribuiu ao ato de bondade de Mao Bao.3 Se mesmo criaturas inferiores têm essa consciência, os humanos deveriam ter muito mais!4

As pessoas diziam antigamente que, quando as raposas morriam, elas voltavam a cabeça na direção do outeiro onde haviam nascido. Mao Pao foi um guerreiro chinês que salvou a vida de uma tartaruga branca. Quando Mao Pao foi derrotado em uma batalha, a tartaruga apareceu e carregou o guerreiro para a segurança do outro lado do rio.

Esse episódio afirma que até os animais retribuem a gentilezas; o que não dizer então no caso dos seres humanos e ainda mais no mundo do budismo. Qualquer pessoa que trair a gratidão devida no mundo da fé será muito mais baixa do que qualquer animal.

A história nunca será mudada enquanto as pessoas de bem permanecerem em silêncio. Cada um de nós precisa ter fé em nossa força espiritual e procurar mudar a sociedade. Com isso, não apenas conseguiremos manifestar nosso potencial de forma plena, como também despertaremos no coração das pessoas a esperança e a fé no potencial humano.

Vencer cada questão com bravura e disciplina

A vida é uma batalha. Se não nos desafiarmos para vencer as dificuldades, não conseguiremos nos tornar fortes. Nós batalhamos para adquirir essa força. A Soka Gakkai lutou continuamente, sem retroceder, contra os “três poderosos inimigos” (sanrui-no-goteki) e os “três obstáculos e quatro maldades” (sansho-shima) que buscam obstruir o caminho budista para o kosen-rufu. É essa luta contínua que nos torna fortes.

Vamos continuar com nossa batalha decididamente, pela eterna vitória do kosen-rufu, pelo ilimitado desenvolvimento da Soka Gakkai. E pela felicidade e prosperidade de todos vocês, preciosos membros de nossa organização, existência após existência!

O escritor chinês Lu Xun (1881–1936) viveu durante um período em que seu país estava imerso em grande perigo. Como foi que a China, a mais importante civilização do mundo no passado, acabou chegando a esse impasse? Lu identificou uma das causas: “Quando não há estímulo externo, cessa o autoaprimoramento, o que faz as pessoas ficarem fracas e estagnadas”.5 Ele também escreveu que a China perdera a disposição de tentar aprender com as realizações positivas dos outros.6

É crucial buscarmos estímulos exteriores, mantermos nossa “antena” mental e espiritual precisamente sintonizada nos novos desenvolvimentos e estarmos preparados para aprender com eles. Tornar-se conservador, displicente e autoprotetor são maus presságios que levam ao declínio no futuro.

No mês de outubro [1954], o presidente Josei Toda bradou aos membros da Divisão dos Jovens: “Jovem, levante-se só! Um segundo e um terceiro também o seguirão”.7

Já se iniciou a nova batalha em prol do kosen-rufu para os próximos cinquenta anos. Eu também dei início a uma nova luta. Estou decidido. Avanço com a determinação de construir a Soka Gakkai, uma vez mais, a partir do zero.

A Lei Mística é o supremo ensinamento da esperança ilimitada, da força motriz para o incessante avanço. Por isso, temos de tomar a iniciativa com coragem e ilimitado vigor. Essa é a chave para abrir o caminho para uma nova vitória.

 

32

Mestre e discípulo lado a lado em todos os momentos. Jovem Daisaku Ikeda (à esq.) em atividade com Josei Toda (Japão, maio 1956)

No topo: Sempre encorajando os membros, presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, rege a canção Ifu Dodo no Uta (Auditório Memorial Toda de Kansai, Japão, maio 2008)


Discurso proferido na 42a Reunião Nacional de Líderes da Soka Gakkai, realizada em conjunto com a 3a Convenção da Região de Tyugoku 1, no Auditório Soka da Amizade Internacional em Sendagaya, Tóquio, no dia 7 de outubro de 2004. Leia na íntegra no Brasil Seikyo, ed. 1.777, 1º jan. 2005, p. A4. 

Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 126-127, 2014.

2. Esse trecho aparece nos “Nove Trechos” das Elegias de Chu e em outras obras chinesas. Um comentário sobre as Elegias de Chu, por Zhu Xi, da dinastia Song, afirma: “A velha raposa quando morre, volta a cabeça para a colina. Isso ocorre porque ela jamais se esquece do local onde nasceu”.

3. Essa história aparece na Coletânea de Histórias e Poemas. Quando o jovem Mao Bao, que mais tarde se tornou um general na dinastia Jin, caminhava ao longo do rio Yang-Tsé, ele viu um pescador se preparando para matar a tartaruga que havia pescado. Sentindo pena dela, Mao Bao ofereceu a própria roupa ao pescador em troca da vida da tartaruga e a salvou. Tempos depois, quando estava sendo perseguido por seus inimigos, Mao Bao foi parar na beira do rio Yang-Tsé. A tartaruga que ele havia salvado quando jovem apareceu e o carregou para a outra margem do rio.

4. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 722, 2014.

5. XUN, Lu. Wenhua pianzhi lun. In: Lu Xun Quanji [Obras Completas de Lu Xun]. Pequim: Renmin Wenxue Chubanshe, v. I, p. 44, 1996.

6. Ibidem.

7. Extraído de Jovens, Sejam Patriotas!, editorial do presidente Josei Toda publicado na edição de outubro de 1954 da revista mensal de estudo da Soka Gakkai, Daibyakurenge.

24-2-2022

Editorial

Polir a personalidade

Ele era um homem simples. Começou a trabalhar logo que saiu do ensino fundamental. Depois de muito suor, construiu uma oficina mecânica na garagem de casa. Com o apoio de sua esposa, chegou a ter trinta funcionários.

Os negócios prosperavam, mas a vida em família não tinha tanto sucesso. O marido saía todas as noites e levava uma vida boêmia. O casal vivia discutindo por causa do comportamento do marido. Essa situação deixava a esposa profundamente triste e angustiada, e isso se refletiu em sua saúde. Foi quando uma amiga lhe falou sobre o budismo e ela se converteu em março de 1957.

O marido também se converteu, mas não fazia gongyo, não participava das atividades e continuava levando a vida de sempre. A esposa, tomada pela desesperança, chegou a atentar contra a própria vida por três vezes e então foi internada pela família. Ela deixou o hospital depois de cem dias de internação. Mas foi a recuperação da esposa, a qual, mesmo nos momentos mais difíceis, recitava daimoku, que fez o marido despertar sinceramente para a prática da fé.

Os vizinhos deles, surpreendidos com a mudança da família, diziam:

— Hamada deixou totalmente as farras e sua esposa também conseguiu transpor a sua doença. Eles brigavam tanto, mas agora parecem que estão se dando muito bem. Será que foi graças à religião?1

Ikeda sensei narra a história de Hamada e Yukiko na obra Nova Revolução Humana.    

Hamada, quando se tornou responsável por uma comunidade, não se sentia digno em razão de sua pouca escolaridade e por vergonha de seu passado.

Ikeda sensei o incentivou:

— O valor de um homem não se determina apenas pelo seu grau de escolaridade ou posição social. Na nossa organização, o ponto fundamental é a prática da fé. Se o senhor polir a sua personalidade, todos os membros irão apoiá-lo (...). Aquelas cerejeiras [apontando para as árvores] ainda estão sem folhas, mas logo as flores brotarão de seu interior e encantarão a todos. Nós também não enxergamos o nosso interior, mas cada um possui o estado de buda na vida. Esta nossa natureza interior fará com que possamos abrilhantar ao máximo as nossas virtudes, cobrindo a nossa vida com flores de felicidade. O senhor deve ter convicção disso.2

Vamos celebrar a fundação da Divisão Sênior (DS) e, assim como Hamada e os membros da DS, nos esforçar pela felicidade das pessoas, enquanto polimos nossa personalidade.

Ótima leitura! 

Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana, v. 4. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2020. p. 87. 

 2. Ibidem, p. 89.

24-2-2022

Incentivo do líder

Estado de buda é comportamento

A história do movimento Soka é a comprovação da veracidade do princípio budista de “unicidade de mestre e discípulo”. Mestre e seus discípulos, sonhando e lutando juntos, expandiram o Budismo Nichiren para 192 países e territórios, concretizando a profecia do Buda da ampla propagação do budismo.

Um dos grandes tesouros é possuir bons veteranos que me direcionam para a prática da fé correta e a ter o mesmo coração que Ikeda sensei.

Sobre esse ponto, gostaria de compartilhar duas histórias, a primeira ocorreu entre os meus 14 e 18 anos. Na época, o jovem que era meu líder me visitava todos os domingos e, durante esses anos, ele me acompanhou até que eu pudesse caminhar com minhas próprias pernas e avançar na prática da fé e na vida.

A segunda, aconteceu anos depois. Na ocasião, meu avô estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e minha mãe pediu para eu retornar para casa e recitar daimoku, o Nam-myoho-renge-kyo. Durante a oração, por volta das 22h30, no momento em que eu começaria a chorar, ouvi palmas no portão. Era um líder da Divisão dos Jovens (DJ) da BSGI e a esposa, grávida. Eles oraram comigo, incentivaram-me e poucos dias depois o quadro do meu avô melhorou e ele teve alta.

Por lutar com a esposa desse líder, eu sabia que ele estava enfrentando grandes desafios no trabalho e de saúde. Então, ele poderia não ter me visitado e mesmo assim o fez.

Como ele conseguiu me atender quando eu mais precisava? Se fosse em outro dia, talvez as circunstâncias seriam diferentes. Sinto que essas pessoas atuam como extensão da vida do Mestre.

Sensei nos ensina que, por mais que possamos diferir do Mestre em sua sabedoria e compreensão, quando possuímos o mesmo comprometimento pelo kosen-rufu que ele, manifestamos a mesma condição de vida dele.

Ele reforça: “Os seres humanos possuem a capacidade de manifestar o poder do estado de buda em seu caráter e em suas ações. Por isso, o coração é essencial”.1

Portanto, conforme nosso mestre enfatiza, podemos entender que estado de buda é comportamento. São as ações na vida diária que demonstram nossa condição de vida. E para mudar nossa condição de vida por meio da oração, Daishonin afirma que três elementos são requeridos: “um bom mestre, um bom praticante e um bom ensinamento”.2

O presidente Ikeda orienta:

Orem para que em vez das maldades ou das forças negativas e destrutivas infiltrarem em seu ser, que entrem em sua vida Brahma (Bonten, em japonês), Shakra (Taishaku) e os deuses do Sol e da Lua — as forças protetoras e positivas do Universo!3

“Se fizerem isso”, ressalta ele, “sua força será multiplicada centenas, milhares de vezes. Com essa oração, com essa fé, vocês conseguirão concretizar uma transformação fundamental nas profundezas de sua vida. Esse é o segredo para realizar a revolução humana”.4

Seguindo o exemplo do nosso mestre, vamos orar e agir, fazendo de 2022 o melhor ano de nossa vida.


Diego Capelli

Coordenador da Divisão dos Jovens de coordenadoria

Notas:

1. Terceira Civilização, ed. 522, fev. 2012, p. 36.

2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 143, 2020.

3. Brasil Seikyo, ed. 1.579, 11 nov. 2000, p. A4.

4. Ibidem.

24-2-2022

Relato

O mar está para os corajosos

Sempre me questionei sobre a existência de um deus que determinava a felicidade ou a infelicidade das pessoas. E acreditava que deveria haver algo místico e buscava conhecimento sobre o assunto.

Em 1987, minha mãe já participava dos encontros da Soka Gakkai aqui em Belém, PA, sem que soubéssemos. Um dia, ela reuniu a família para falar que teríamos em casa o Gohonzon (objeto de devoção dos praticantes budistas) e que seria para nossa felicidade. No dia da consagração, os líderes da regional falaram da grandiosidade da Lei Mística e do Gohonzon, bem como da infalível lei de causa e efeito. Meus olhos brilhavam ao ouvir aquelas palavras.

Isso porque eu já era mãe, aos 20 anos, do Iury, de 2 anos, e estava num relacionamento que nunca tinha bons momentos. Participava das atividades às escondidas, mas ele descobriu e me proibiu, dizendo ser coisa de aproveitadores. Então, resolvi testar o poder do daimoku, a recitação do Nam-myoho-renge-kyo, para que ele aceitasse ir a uma reunião. E acordamos: ele participaria e, se percebesse que não era coisa boa, não mais iria. Ele concordou.

Fiquei em casa fazendo daimoku, para que ele retornasse decidido a praticar. E assim aconteceu: ele recebeu o Gohonzon, sendo meu primeiro shakubuku (pessoa a quem apresentamos o budismo). Uma grande alegria, pois, além do meu pai, dos meus irmãos e de mim, agora ele pertencia à família Soka.

No ano seguinte, adotamos uma menina, Nádla, e fui recebendo funções dentro da organização, com muita gratidão. Em 1994, esse com­panheiro foi trabalhar no Japão, as crianças e eu ficamos na casa de minha mãe e nos mantendo com o dinheiro enviado por ele. Não media esforços para levar meus filhos aos ensaios das bandas Taiyo Ongakutai e Asas da Paz Kotekitai, da Divisão dos Jovens (DJ) da BSGI. Porém, o relacionamento não resistiu à distância e às constantes brigas. Depois de onze anos transcorridos, houve o término de uma relação de quase vinte anos.

Entrei em depressão, sentia como se estivesse num poço liso e não conseguisse subir. Sofri também ameaças da família do meu ex-companheiro, a ponto de entregar a casa que construímos juntos. Fazia daimoku chorando na frente do Gohonzon, mas, quando me encontrava com os membros, sentia-me fortalecida. Esse é o maravilhoso ambiente das reuniões Soka.

Fé e foco

Uma voz interna foi ficando cada vez mais forte: precisava rea­gir. Assim, busquei forças nas orientações do sensei, e foi numa das cartas de Nichiren Daishonin, Um Barco para Atravessar o Mar dos Sofrimentos, explanada pelo Mestre, que li: “Quanto piores forem as adversidades que recaírem sobre o devoto [do Sutra do Lótus], maior será a alegria que ele sentirá devido à forte fé”.1 Queria manifestar essa alegria!

Então, decidi mudar radicalmente por meio de um trabalho que me proporcionasse construir tudo novamente, e rápido. Nessa época, iniciaram os preparativos para os 39 anos de budismo na Amazônia, e eu faria parte, por isso desafiei a recitação de muito daimoku.

O ano 2009 chegou e, em paralelo, fiz um curso de cozinheiro no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e passei a ouvir sobre trabalhar em navios. Tirei minha carteira de marítimo mercante. Meus filhos participaram alegremente da Convenção dos Jovens da BSGI, no dia 3 de maio desse ano, em São Paulo, e, por intermédio de um amigo praticante, consegui enviar currículo para a Transpetro.

Celebramos os 39 anos do budismo Soka na Amazônia em novembro, e eu ainda estava sem sinal de trabalho, mas firme no daimoku. No dia 20 de dezembro, recebi uma ligação solicitando a minha documentação para embarcar. Eu, que mal conhecia meu estado, conheci várias partes do Brasil e países que via apenas no mapa, como Singapura, China, Japão, Chile, França. Em 2012, minha filha, que já era responsável pela Divisão Feminina de Jovens (DFJ) de área, participou de um curso de aprimoramento no Japão. E com os dólares que conquistei na minha segunda viagem à China, ela pôde ir tranquilamente. Consegui custear também a faculdade tanto da Nádla como a do Iury.

Além do mais, conquistei o que tinha perdido: a “minha dignidade”. Por tantos benefícios, meu Kofu é pura gratidão e nunca deixei de assinar os periódicos, agora reunidos no BS+.

E o coração? Depois de vinte anos sozinha, decidi ter alguém com uma prática igual ou melhor que a minha. Há oito anos, reencontrei um companheiro da área onde eu atuava; e para ter certeza dessa união, resolvemos recitar três horas de daimoku cada um até o dia do nosso encontro, e para que nossas famílias também aceitassem. Passaram-se três meses, reunimos as famílias e nos casamos no budismo e no civil. Hoje, tenho um companheiro maravilhoso, Lauro Alan, e atuamos juntos na Área Mangueirão.

Quero agradecer à minha família, sempre comigo; à Divisão Feminina, tão presente também; e principalmente a Ikeda sensei, por ter trazido este budismo para o Brasil. Olho para trás e vejo aquela mãe jovem e assustada com o futuro. Agora, estou plenamente feliz, comprovando os benefícios de 33 anos de prática budista, ciente de que nunca estamos livres dos problemas, mas estarei sempre segura ao leme da prática da fé. A vitória é certa!

Muito obrigada, sensei!

Janne Pereira Sousa, 53 anos. Marítima, chef de cozinha. Responsável pela DF da Área Mangueirão, RM Augusto Montenegro, Sub. Amazônia Oriental, CRE Oeste.


24

Janne em seu ambiente de trabalho

40

saindo para visitas junto com a mãe Eunice e a filha Nádla (foto tirada antes da pandemia da Covid-19)


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família reunida, Janne, sentada, segunda à esq., ladeada pela filha. Atrás, de pé, terceiro da esq. para a dir., o marido Alan, com o filho Iury ao lado. (fotos tiradas antes da pandemia da Covid-19)

Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 33, 2020.

3-3-2022

Editorial

“Força de dez mil”

O lugar era humilde, uma sala de espera bem pequena. Muitas pessoas chegavam ali atormentadas por diversos problemas — doença, desarmonia familiar, dificuldade financeira, questões de relacionamento, discriminação, bullying. Elas perguntavam pela Soka Gakkai e procuravam pelo presidente Josei Toda. Eram homens e mulheres que buscavam desesperadamente por sua orientação.

O problema de cada indivíduo é único. Enquanto, uma a uma, as pessoas compartilhavam sua situação, Toda sensei as escutava com paciência e compaixão. Ele tinha uma fé inabalável na Lei Mística, por isso conseguia transmitir a certeza de que aquela pessoa diante dele superaria seus problemas e seria feliz, sem falta. 

Ikeda sensei conta sobre as lembranças daquela época. Era 1952 e 1953, cerca de setenta anos atrás, no pequeno escritório em Ichigaya:

Ele incentivou cada pessoa que estava diante dele, inspirou-a com esperança e fez surgir nela a força para enfrentar os problemas da vida. Seus incansáveis esforços eram uma corajosa batalha para responder ao desafio do infortúnio com o ensinamento da iluminação universal exposto no Sutra do Lótus.1

O comportamento humanístico de valorizar cada pessoa é a essência do budismo, a marca da Soka Gakkai. E ele ainda afirma:

Em meus encontros diretos com as pessoas, bem como por meio de cartas e respostas aos relatórios e comunicações das atividades dos membros, dediquei toda a minha vida para incentivá-las, considerando cada encontro uma oportunidade única e preciosa que não deixaria passar. (...) Diálogo de vida a vida e incentivo de vida a vida — são a essência da filosofia do budismo e o espírito central de toda religião.2


Aquelas pessoas que chegavam à recepção do prédio aflitas com seus problemas saíam completamen­te transformadas, sorrindo felizes e com o semblante brilhando de vigor.

Brasil Seikyo publica especialmente a recente mensagem de Ikeda sensei por ocasião da 7a Reunião de Líderes da Soka Gakkai e matéria sobre o inesquecível 16 de Março.

A palavra “incentivo” em japonês [hagemashi] é formada pelo ideograma chinês composto pelos símbolos de “força” e “dez mil”. Esperamos que você, com os incentivos desta edição, evidencie a “força de dez mil”.

Ótima leitura!

 

Notas:

1. Terceira Civilização, ed. 568, dez. 2015, p. 44. 

2. Ibidem.

3-3-2022

Encontro com o Mestre

Expandindo nosso esperançoso movimento de respeito à dignidade da vida

Muito obrigado pelos esforços para participar da Reunião de Líderes da Soka Gakkai, em conjunto com a Convenção de Hyogo, seja presencialmente ou por transmissão remota! Este encontro marca a partida para o progresso dinâmico de grande alegria rumo à primavera Soka a partir da minha amada “Kansai de Contínuas Vitórias” e da estimada “Hyogo de Contínuas Vitórias”!

Nichiren Daishonin cita um antigo provérbio: “Um é mãe de dez mil”1. Tudo começa a partir do sincero e corajoso diálogo com uma pessoa.

Foi em fevereiro de 1952, atuando em conjunto com a Campanha de Fevereiro2 no Distrito Kamata, em Tóquio, que um jovem companheiro, que se levantou com o mesmo espírito que eu, concretizou o primeiro shakubuku em Kansai3 por meio de sua luta resoluta de pioneiro. E daquele desafio difícil de ser compreendido pelas pessoas se iniciou a marcha rumo à internacionalmen­te reconhecida organização da “Grande Kansai do mundo” dos dias de hoje.

Meus sinceros parabéns pelos setenta anos do kosen-rufu da imponente Kansai!

Atualmente, os intrépidos jovens do “azul mais azul que o anil”, comparáveis a Kusunoki Masatsura,4 da canção Dainanko, bailam na vanguarda e se desafiam unidos em corpo com a família Soka. O grandioso futuro que se abre de forma animada a partir do diálogo budista sincero de pessoa a pessoa é promissor e esperançoso.


* * *

Ao longo desses setenta anos, os preciosos companheiros de Kansai e eu viemos compartilhando alegrias e tristezas da vida e do kosen-rufu, tal como consta nos escritos: “Compartilham alegrias e tristezas de um amigo”.5

Lembro-me de que, por ocasião do Incidente de Osaka,6 os companheiros de Kansai me entregaram um exemplar do Gosho na prisão onde eu estava detido para interrogatório. Esse exemplar no qual foi afixada a autorização da Casa de Detenção está cuidadosamente preservado para a posteridade.

Como estamos conectados por uma ligação diamantina chamada “Gosho como base”, não temos nada a temer. Há uma passagem dourada que lemos com profundidade com os companheiros de Kansai e gravamos em nosso coração:

Agora Nichiren e eu mantemos a relação de mestre e discípulo. Porém, como pessoa comum, precisa seguir e obedecer ao governante da nação. Por essa razão, talvez esteja enfrentando essas dificuldades. Mal posso conter as lágrimas [imaginando como suas dificuldades pessoais servirão para aliviar suas ofensas passadas]. (...) Mesmo que precise enfrentar as dificuldades atuais, sua mente é a mesma que a do Buda. Ainda que agora ingresse no domínio dos asura, certamente habitará a terra do Buda na existência futura.7


Neste mundo caótico, por mais que sucedam sofrimentos e dificuldades, os quais parecem ser infindáveis, nós, da Soka Gakkai, que vivemos pela propagação da Lei Mística, nos lançamos corajosamente em meio à sociedade, com a mesma mente que o Buda e o mesmo espírito de Nichiren Daishonin, abrindo a condição de felicidade eterna pelas “três existências” — passado, presente e futuro —, tanto nossa como a de outros, conforme o princípio da “tríplice transformação da terra”8 do Sutra do Lótus e do ideal do rissho ankoku [“estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra”] descrito no Gosho.

Esse é o espírito da Soka Gakkai que se originou com Makiguchi sensei e Toda sensei.

Na noite anterior ao veredicto de inocência de todas as acusações no Incidente de Osaka, bradei o rugido do leão do indomável juramento seigan na cidade de Amagasaki, em Hyogo, local de minha profunda relação com os membros de Kansai: “Com a consciên­cia e a convicção de discípulos de Nichiren Daishonin, sejamos os aliados das pessoas infelizes, e vamos edificar um mundo em que todos possam viver a verdadeira segurança e paz espiritual”.

Hoje, quando persistem as provações da pandemia da Covid-19 e de crescentes calamidades naturais, a rede solidária Soka de respeito à dignidade da vida está se tornando um apoio inestimável e a tábua de salvação para as pessoas do Japão e do mundo. Nossos membros estão demonstrando máxima resiliência com o espírito de superar quaisquer dificuldades com base no princípio budista de “transformação de veneno em remédio”.

Nesse sentido, o modelo da esperança, da coragem e da união se encontra nas nossas grandiosas organizações de Kansai e de Hyogo.

* * *

Em agosto de 1952,9 há sete décadas, a bordo do expresso Tsubame, atravessei a ponte metálica sobre o rio Yodogawa. E, contemplando o majestoso Castelo de Osaka brilhando sob o céu do pôr do sol, marquei meu primeiro passo em Kansai. Desse momento em diante, iniciamos e perseveramos na luta conjunta com os amigos do juramento do remoto passado para edificar o esplêndido castelo da paz e da segurança do povo eternamente indestrutível nesta grandiosa Kansai.

Por ocasião daquele grande terremoto de Kobe (terremoto de Hanshin-Awaji), em janeiro de 1995, os corajosos membros de toda a Kansai e de outras partes do Japão, verdadeiros heróis emergidos da terra, dedicaram-se incansavelmente aos esforços de socorro e de reconstrução, fazendo deste centro cultural, onde ocorre a reunião de hoje, e demais instalações da Soka Gakkai nas áreas afetadas de Hyogo e de Kansai, os locais de abrigo e de distribuição de suprimentos, isto é, os castelos de proteção ao povo. Como podemos nos esquecer desta nobre história?

Agora, finalmente, como um dos empreendimentos comemorativos do centenário de fundação da Soka Gakkai, será construí­do um auditório grandioso de Kansai a ser aguardado ansiosamen­te pelos membros de todo o mundo. Nos escritos de Nichiren Daishonin consta: “Se o lorde de um castelo for inflexível, então aqueles que o guardam permanecerão firmes”.10 Da mesma forma, solicito que, com a poderosa fé e a união de “diferentes em corpo, unos em mente”, os companheiros de Kansai, os lordes do honroso castelo de mestre e discípulo, expandam ainda com mais força a proteção das divindades celestiais. Desejo que promovam, mais uma vez, a grande marcha da justiça com alegria, tocando a canção da primavera da felicidade de contínuas vitórias, e recitando Nam-myoho-renge-kyo com a convicção de que nada supera “a estratégia do Sutra do Lótus”.11

Comemorando a Convenção de Hyogo de hoje, dedico duas caligrafias que registrei no passado no dia 16 de março [de 1983], “Dia da Divisão das Mulheres de Hyogo”:

“Grande Hyogo,

com céus e terras iluminadas,

adorne esta existência

envolta pelos benefícios,

tal como a lua cheia.”



“Confio a vocês, meus amigos,

a construção da

nossa Grande Hyogo.”


Por fim, oro profundamente pela saúde, pela harmonia e pelo triunfo de todos os companheiros do Japão e do mundo.

Tenham todos ótima disposição!

33

Caligrafia “Grande Hyogo, com céus e terras iluminadas, adorne esta existência envolta pelos benefícios, tal como a lua cheia.” Composta por Ikeda sensei em comemoração da Reunião de Líderes Representantes de Hyogo, em 16 de março de 1983

35

Caligrafia de Ikeda sensei: “Confio a vocês, meus amigos, a construção da nossa Grande Hyogo”.

 

37

apresentação do coral Himawari (Girassol) da Divisão das Mulheres de Hyogo (em 2021, o grupo completou cinquenta anos desde que recebeu a denominação), entoando a canção da BSGI, Saudação a Sensei, na 7a Reunião Nacional de Líderes

No topo: “O Budismo de Nichiren Daishonin é a filosofia da infindável esperança.” Ikeda sensei encoraja os indomáveis companheiros na Convenção da Esperança de Hyogo para o Século 21 (Centro Cultural Ikeda de Hyogo, out. 1995)


Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 135, 2020.

2. Campanha de Fevereiro: Em fevereiro de 1952, Ikeda sensei, como consultor do Distrito Kamata, em Tóquio, aos 24 anos, liderou as atividades de propagação e alcançou um resultado sem precedentes de 201 novas famílias convertidas no mês, rompendo o recorde anterior de cerca de cem shakubuku por mês.

3. Giichiro Shiraki, membro do Distrito Kamata, indicado pelo presidente Josei Toda para atuar na liderança do recém-criado Distrito Osaka, mudou-se para a região de Kansai, em fevereiro de 1952, onde iniciou sua luta de shakubuku. Ele concretizou a conversão do primeiro membro no Distrito Osaka, considerado o ponto de partida do kosen-rufu de Kansai. Mais tarde, o Sr. Shiraki se tornou o primeiro responsável pelo Distrito Osaka.

4. Kusunoki Masatsura (1326–1348) foi um líder militar japonês durante o período Nanbokucho. Quando era apenas um menino, seu pai, Kusunoki Masashige (1294–1336), um proeminente guerreiro samurai, separou-se dele ao partir para a sua batalha final e confiou a Masatsura o seu legado.

5. The Writings of Nichiren Daishonin [Os Escritos de Nichiren Daishonin]. Tóquio: Soka Gakkai, v. II, p. 964, 2006.

6. Incidente de Osaka: O presidente Ikeda, na época secretário-chefe da Divisão dos Jovens, foi preso injustamente por falsa acusação de violação das leis eleitorais por ocasião da eleição em Osaka para o parlamento no ano de 1957. O caso judicial iniciado nos tribunais em 18 de outubro de 1957 e concluído em 25 de janeiro de 1962 o inocentou de todas as acusações.

7. Passagem da carta A Refutação dos Três Grandes Mestres enviada ao sacerdote leigo Soya Jiro Kyoshin. cf . The Writings of Nichiren Daishonin [Os Escritos de Nichiren Daishonin]. Tóquio: Soka Gakkai v. II, p. 958-959, 2006.

8. cf. The Lotus Sutra and Its Opening and Closing Sutras [O Sutra do Lótus e seus Sutras de Abertura e Encerramento]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, cap. 11, p. 212-213.

9. Ikeda sensei chegou a Osaka em 14 de agosto de 1952, dia do quinto aniversário do seu primeiro encontro com Toda sensei.

10. The Writings of Nichiren Daishonin [Os Escritos de Nichiren Daishonin]. Tóquio: Soka Gakkai, v. II, p. 668.

11. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 267, 2018.

3-3-2022

Frase da Semana

Frase da Semana

Chegou o mês de março. Façam desabrochar as enormes flores da felicidade com a disposição de que agora é o momento de intensificar a fé! Avancem rumo a uma nova estação de paz e de harmonia de mãos dadas com as pessoas de seu relacionamento!

Dr. Daisaku Ikeda

Publicada no jornal Seikyo Shimbun em 1o de março de 2022.

3-3-2022

Caderno Nova Revolução Humana

Imponente como o sol

PARTE 29

Dia após dia, Shin’ichi Yamamo­to continuou a dialogar, orientar e incentivar os representantes das localidades e das divisões em locais como o Centro de Treinamento de Kanagawa e o Centro Cultural de Shinjuku.

Parte das revistas e dos tabloides prosseguiu com ataques e críticas à Soka Gakkai, publicando matérias falsas ou distorcidas. Mas Shin’ichi Yamamoto seguiu realizando orientações indivi­duais, com serenidade, tal como o sol que avança firme pela sua órbita. Nada é mais inspirador que ver companheiros a quem incentivou se levantarem na prática da fé, desafiarem e superarem os obstáculos do destino que tentam bloquear seu caminho e alcançarem uma vitória retumbante em sua vida.

Shin’ichi gostava de conversar com os jovens. Ao dialogar com vários líderes da Divisão dos Jovens (DJ) e da Divisão dos Universitários (DUni) no Centro Cultural de Kanagawa, ele perguntou:

— Faz mais de meio ano desde a nova partida da Soka Gakkai, como estão os jovens? Eles estão animados?

Um líder da Divisão Masculina de Jovens (DMJ) respondeu:

— Sim. Estamos nos esforçando. No entanto, todos estão sentindo muito a sua falta porque o senhor deixou de nos orientar nas reuniões.

Shin’ichi respondeu imediatamente:

— Se é assim que os jovens se sentem, então devem se levantar. Caso contrário, serão meros expectadores e não protagonistas. Jovem é aquele que decide assumir total responsabilidade e se tornar a força motriz do avanço.

Um líder da DMJ respondeu com certo constrangimento:

— Nós sugerimos novas ideias de atividades, mas nossos veteranos da Divisão Sênior (DS) geralmente não aprovam.

Shin’ichi disse com um sorriso:

— Jovens apresentam novas ideias e projetos, e os seniores, que são veteranos, se opõem — isso acontece em todas as organizações e na sociedade, em maior ou menor grau. Pessoas de mais idade possuem uma rica experiência no que quer que seja. Eles formaram um conjunto de princípios e abordagens a partir dessa experiência e tendem a julgar tudo com base nisso. Além disso, apoiadas na sabedoria da experiência, suas avaliações geralmente estão corretas. Porém, as pessoas mais velhas também tendem a reagir negativamente a coisas com as quais não estão familiarizadas. E quando os tempos mudam radicalmente, suas abordagens baseadas na experiência se tornam inúteis. Se não conseguirem discernir isso, poderão cometer erros de julgamento. Os líderes da Divisão Sênior precisam estar cientes disso e fazer um esforço positivo para ouvir as ideias e opiniões dos jovens.

PARTE 30

Os jovens ouviam atentamente as palavras de Shin’ichi Yamamoto com semblante sério.

Shin’ichi continuou dizendo:

— Da parte de vocês, como líderes da Divisão dos Jovens, precisam aprimorar sua capacidade de persuasão para obter apoio dos líderes da Divisão Sênior e da Divisão Feminina (DF). Precisam saber explicar de forma clara, organizada e lógica por que suas sugestões devem ser adotadas. Também é importante mostrar a base de suas ideias, por exemplo, citando dados concretos e exemplos reais. Se aquilo que diz faz sentido, ninguém pode deixar de aceitá-lo. Nichiren Daishonin afirma: “A razão vencerá seu senhor feudal”.1 O shakubuku é o melhor meio para desenvolver sua capacidade de persuasão. Também é importante ter a paixão característica da juventude. Quando jovens sucessores fazem pedidos sinceros e sérios para começar algo novo, seu entusiasmo naturalmente inspira as pessoas a apoiá-los em seus objetivos. E quando conseguem realmente tocar o coração das pessoas, a situação muda drasticamente. Além disso, precisam estabelecer um registro de resultados positivos. Se seus planos e propostas são inovadores e sempre provocam novas ondas de avanço, com certeza as pessoas passarão a aceitar suas ideias espontaneamente. Resultados positivos geram confiança. Não desistam imediatamente nem desanimem porque uma de suas sugestões não foi aceita. Se acreditam que aquilo que estão propondo é realmente necessário e importante, analisem as falhas ou os problemas apontados, corrijam-nos e rea­presentem a ideia quantas vezes forem necessárias. É importante ser persistente.

As palavras de Shin’ichi estavam embasadas na própria experiência. Em março de 1954, ele foi nomeado para o novo cargo de secretário da Divisão dos Jovens, e tinha sob sua responsabilidade o planejamento e a supervisão das atividades da Soka Gakkai. No começo, a diretoria mostrava sinais de discordância para quase todas as propostas apresentadas. Mesmo os encontros esportivos da Divisão dos Jovens, que depois deram origem aos grandes festivais culturais pela paz, não tiveram apoio inicialmente.

Mas, à medida que esses eventos obtiveram um grandioso sucesso a cada realização, eles se transformaram em um símbolo que representava a Soka Gakkai. Foi a vitória do poder da juventude.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.


Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 99, 2017.

3-3-2022

Matéria do Grupo Coração do Rei Leão

Crianças aprendem o valor do dinheiro com o exemplo dos pais

Um dos principais objetivos da educação financeira para crianças é fazer com que elas entendam que, como já diziam nossos pais e avós, “dinheiro não dá em árvore”. Isso significa que devemos lhes ensinar que os recursos são escassos e devem ser gerenciados.

Educar-se financeiramente parece muito simples, basta saber ganhar, planejar e gastar. Mas muitas famílias enfrentam dificuldades quando o assunto é a forma de se relacionar com o dinheiro. Pais que se esforçam para planejar e ter o controle do orçamento tendem a influenciar positivamente os filhos, que levam esse exemplo para a vida adulta. Por outro lado, famílias que tratam o dinheiro como problema e brigam por conta das finanças podem influenciar negativamente a visão das crianças.

Segundo pesquisa mais recente do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) Brasil em parceria com a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CDNL), 48% dos casais brasileiros brigam por causa das finanças. Na mesma linha, um estudo da empresa Slater & Gordon no Reino Unido feito com mais de 2 mil adultos descobriu que as preocupações com o dinheiro são o principal motivo de divórcio no país.

Ensinar os filhos a lidar com as finanças é uma atitude fundamental para que a noção de economia e a disciplina sejam assimiladas desde cedo, assim como a importância de não desperdiçar e cuidar do dinheiro. Planejar-se financeiramente é uma lição que pode e deve ser aprendida em casa. Conforme especialistas, controlar gastos e aprender a se planejar financeiramente é algo que deve saber desde os primeiros anos de vida e no ambiente familiar. Educação financeira é um desafio e requer o esforço de todos os envolvidos.

Listamos oito dicas de como introduzir a educação financeira no dia a dia da criança:

1. Explique como se usa o dinheiro

Ensinar para as crianças que muitas coisas custam dinheiro é o primeiro passo da educação financeira. Uma dica é apresentar, aos pouquinhos, o valor das coisas, de forma bem direta e fácil. Por exemplo, no supermercado, mostre uma nota de R$ 10,00 para as crianças. Então, ensine-as que é possível comprar alguns itens com esse valor. Também é importante enfatizar o que não se pode comprar com essa mesma quantia. A ideia é que a criança entenda, gradualmente, que as coisas que consumimos e compramos têm um custo. A partir daí, é possível introduzir conceitos como “caro” e “barato”.

2. Ensine de onde vem o dinheiro

Para as crianças pequenas, a fonte do dinheiro pode ser bastante utópica. Aliás, é bem comum os pequenos acreditarem que o cartão de crédito seja uma fonte infinita de dinheiro. No entanto, é essencial que os pais expliquem que eles ganham dinheiro por meio do trabalho e só assim conseguem comprar as coisas de casa. Além disso, devem ensinar sobre o valor do trabalho e das nossas responsabilidades.

3. Mostre que usar o dinheiro exige escolhas

Um dos pontos principais para que as crianças entendam mais sobre o dinheiro é compreender que são necessárias concessões. Ou seja, certa quantia permite apenas determinada compra. Portanto, se a criança deseja adquirir um doce, terá de escolher entre o sorvete e a barra de chocolate, por exemplo. Agora, se ele ou ela quiser um brinquedo, precisará juntar dada quantia. E, nesse momento, entra também o conceito de “poupança”. Assim, aos poucos, apresente as opções para que as crianças façam as próprias escolhas. E ainda, ensine-as a fazer planos para conseguir comprar as coisas que desejam.

4. Cofrinho ajuda!

Para incentivar as crianças a juntar moedas e poupar dinheiro, é uma ótima ideia usar um potinho ou um cofrinho. Melhor ainda se esse objeto for transparente, pois os pequenos podem ver o dinheiro se acumulando. Em seguida, incentive seu pequeno a estabelecer objetivos para aquela quantia. Dessa maneira, a criança pode guardar dinheiro para comprar um brinquedo ou realizar um passeio, por exemplo. Então, quando o objetivo for atingido, comemore o esforço. Juntar não é fácil, ainda mais para crianças pequenas, que ainda estão desenvolvendo a noção de tempo. Vale ressaltar todo o empenho!

5. E as mesadas?

As mesadas podem ser uma boa oportunidade para que as crianças maiores aprendam a juntar dinheiro e a gastá-lo com responsabilidade. Contudo, é importante definir um valor que seja condizente com a idade. Alguns profissionais recomendam a mesada apenas a partir dos 6 ou 7 anos, quando o pequeno ou pequena já possuem uma boa noção dos números e está iniciando o estudo de matemática na escola. No entanto, crianças menores podem ter alguma renda. Novamente, o ideal é definir um valor de acordo com a idade.

6. Ensine seus filhos a doar

Com a responsabilidade financeira vem também a responsabilidade social. Ensinar seu filho ou filha a doar certa quantia é bastante importante para que desenvolva a consciência social, a empatia e também para que aprenda a dividir. Além disso, a doação pode acontecer por meio do dinheiro ou não. Afinal, uma possibilidade é doar brinquedos, roupas e livros. De qualquer forma, toda doação auxilia também a educação financeira.

7. Cumpra o combinado

Por vezes, pode ser difícil ver seu filho ou filha chorando por querer um presente ou um doce. Porém, é fundamental cumprir o combinado. Explique, de forma gentil e firme, que o dinheiro exige escolhas. Pode parecer duro, mas é realmente importante que seu filho ou filha siga o combinado. E mais: entenda que, principalmente o dinheiro, não é infinito.

8. Inclua as crianças em alguma decisão financeira

Sabemos que é possível incluir as crianças no cotidiano da casa, pela divisão de tarefas domésticas, por exemplo. E que tal fazer o mesmo nas decisões financeiras da família? Inclua as crianças nas idas ao mercado, peça a opinião delas na hora de escolher um passeio ou até a assinatura de um produto. O importante é incluir os pequenos e pequenas nas decisões, explicando como funciona o orçamento familiar. Dividir as responsabilidades é uma maneira de as crianças se sentirem parte atuante da família. E não se esqueça de abrir espaço para perguntas.

Assim, como nosso mestre orienta:

Já que temos de viver, vamos viver alegremente com todas as pessoas. Vamos viver felizes com os pais e em harmonia com os irmãos. (...) A vida real pode ser muito difícil, mas cada um deve agir como um excelente protagonista da própria vida. Construam uma vida maravilhosa por meio de seu coração e de sua atuação.1

Vamos, juntos, fortalecer os protagonistas do século 21 com coragem, alegria e respeito.

Forte abraço!

Grupo Coração do Rei Leão da BSGI

Nota:

1. Brasil Seikyo, ed. 1.942, 7 jun. 2008, p. A2.

3-3-2022

Encontro com o Mestre

Flores da paz no local em que se encontra neste momento


DR. DAISAKU IKEDA

Nada supera a coragem.

Pode-se dizer que o

coração heroico das mulheres Soka

é propriamente a vida da “primavera”

para superar o “inverno”.

Em uma longa existência, há noites de tempestade.

Mas, ao atravessá-las, costuma surgir o brilho

de uma manhã de felicidade tão grande

quanto a profundidade dos sofrimentos enfrentados.

A pessoa que mais sofreu é quem se torna

a mais divina doutora do amor benevolente,

e consegue encorajar os companheiros que sofrem,

melhor que ninguém.

No coração das mulheres que vivem juntas com a Lei Mística,

o universo romanesco se abre radiantemente.

A coragem do Buda,

que é absolutamente invencível diante da infelicidade,

a compaixão do Buda,

que conduz as amigas de seu relacionamento à felicidade,

a sabedoria do Buda,

que cria amplamente a paz no local em que se encontra agora,

estão todas presentes no seu coração, nobres mulheres.

A afetuosa capacidade de agir com sinceridade

valorizando uma única pessoa próxima de si.

A capacidade de tolerar com amor compassivo,

aproximando-se das amigas com carinho caloroso.

A capacidade de dialogar ativamente,

avançando junto com todas, fazendo-as sorrir.

O humanismo incorporado pelas mulheres Soka,

com comportamento franco e autêntico,

fará resplandecer, com aroma cada vez mais elevado,

a transformação do século 21 rumo

ao século da paz e do ser humano.

Apesar de parecerem mais sóbrias e simples,

as ações que expandem a rede de solidariedade da felicidade,

transformando as próprias pessoas,

inspirando as que estão próximas,

no local em que se encontram neste momento,

são a batalha pela paz mais certeira

para mudar o mundo.

Ecoando o som do ininterrupto daimoku,

de forma cada vez mais vigorosa,

vamos nos lançar ao diálogo corajoso!

Façamos levantar o sol da esperança no coração

dos amigos com quem nos relacionamos!

Publicado no Seikyo Shimbun de 27 de fevereiro de 2022.


No topo: Fragrância da vitória
As adoráveis orquídeas, cheias de dignidade, são de uma nova espécie denominada Dendrobium Kaneko Ikeda (“Orquídea Kaneko Ikeda”) pelo Jardim Botânico Nacional de Singapura há quinze anos, no dia 27 de fevereiro de 2007. Essa designação foi dada no dia do aniversário da Sra. Kaneko Ikeda, louvando suas contribuições em prol da paz mundial Foto tirada por Ikeda
sensei na cidade de Tóquio, em dezembro de 2008. Desde a antiguidade, a orquídea é amada como uma flor nobre e símbolo de profunda e bela amizade. Em seus escritos, Nichiren Daishonin menciona: “O senhor uniu-se a um amigo na sala de orquídeas”.1 A rede de solidariedade pela paz das mulheres Soka — que possuem um coração sublime e caloroso —, a qual convida as amigas à felicidade, é comparável ao aspecto das orquídeas perfumadas

Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 23, 2014.

3-3-2022

Rede da Felicidade

Encorajar com o coração

Neste trecho do romance Nova Revolução Humana, Shin’ichi Yamamoto [pseudônimo do presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, na obra] incentiva os líderes participantes da reunião do conselho diretivo de Kyushu, Japão, realizada em maio de 1978, sobre a importância e a forma correta de oferecer orientação individual.


DR. DAISAKU IKEDA

Durante o conselho, Shin’ichi falou a respeito da postura do líder na realização de orientação individual.

Até então, Shin’ichi vinha enfatizando a significativa importância da orientação individual para que todos os membros trilhassem seguramente o grande caminho da felicidade, como também para o fortalecimento da organização e o desenvolvimento do movimento pelo kosen-rufu. E agora, já surgia, em toda a Soka Gakkai, a tendência de todos os seus líderes se empenharem na realização de orientações individuais.

As pessoas possuem, cada qual, uma condição distinta, seja pelas suas circunstâncias ambientais, pela sua personalidade ou pelas suas angústias. Por isso mesmo, é fundamental a orientação individual que, tendo como base os princípios universais do budismo, focaliza uma única pessoa e proporciona um diálogo franco e aberto.

— Hoje gostaria de falar mais informalmente a respeito de alguns assuntos — disse Shin’ichi Yamamoto ao iniciar suas palavras, e então passou a discorrer sobre a postura fundamental de um líder na orientação individual.

— Em primeiro lugar, jamais devem se deixar levar pelo sentimentalismo. Há pessoas que, mesmo sendo membros da Soka Gakkai, não têm muita consciência de realizar a prática e ainda manifestam palavras críticas à organização. Contudo, nessas ocasiões, jamais devem se levar pelo sentimentalismo a ponto de elevarem o tom de voz ou falar com aspereza. Se aquele que está na posição de orientar for dominado pela emoção, o ouvinte não abrirá seu coração. E se isso acontecer, tanto a orientação como o incentivo não terão efeito. Em segundo lugar, na orientação individual é essencial possuir uma convicção firme e inabalável em relação à fé. É por meio da nossa grande convicção da fé que tocamos e instigamos o coração e o espírito da pessoa. Esse é o ponto fundamental da orientação individual. É assim que a consistência lógica daquilo que falamos vai se tornando compreensível e ganha sentido. Portanto, ao realizar uma orientação individual, é importante preparar-se com firme recitação de daimoku para evidenciar forte energia vital. Além de transmitir sua convicção, também será necessário relatar suas experiências de comprovação da prática da fé, como também as de outros companheiros. Em terceiro, quero que gravem profundamente que jamais devem comentar com outras pessoas sobre assuntos que lhes for confidenciado. Especialmente os religiosos têm o dever de manter sigilo. Se por um terrível lapso o conteúdo de algo que foi confidenciado vazar, significará a quebra de confiança de toda a Soka Gakkai. Do ponto de vista do budismo, ao final representará um erro gravíssimo, que destrói o kosen-rufu. O quarto ponto é dedicar-se inteiramente à missão de orientar com perseverança e muita tolerância. Por exemplo, digamos que visitem um membro da organização de sua responsabilidade que não está participando das atividades e realizem orientação individual. É muito raro acontecer de este membro se levantar imediatamente e despertar novamente para a prática com uma só visita. Deve-se visitá-lo mais vezes em outras ocasiões e prosseguir incentivando-o com toda a paciência. É em meio a essa dedicação que nosso sincero coração toca o do outro, nasce a confiança, e a pessoa sente o desejo de voltar a se esforçar novamente. Na orientação individual, o que se exige é força, bem como capacidade de manter a continuidade.

A voz de Shin’ichi Yamamoto foi se tornando ainda mais eloquente:

— Mesmo no caso em que a pessoa para a qual realizamos a orientação individual desperte novamente para a prática budista, é importante preocupar-se, e continuar a incentivá-la, seja por telefone ou por cartas, procurando acompanhá-la: “Como será que ela está agora?”, “Ela já conseguiu superar aquela adversidade?”. Imaginemos um líder que acabou de assumir uma nova função. Então, cheio de entusiasmo, visita a residência de seus membros e faz orientações individuais. Contudo, se ele se limitar a visitar apenas uma única vez, é como abandonar o trabalho pela metade. Em quinto lugar, solicito que não se esqueçam de que o grande objetivo da orientação individual está no espírito budista de extrair o sofrimento das pessoas e lhes conceder a alegria. As pessoas buscam orientação depois de sofrer com vários tipos de adversidades e angústias. Por essa razão, uma vez que vão orientar, é extremamente importante que o incentivo possa minimizar e aliviar essa angústia. Por exemplo, digamos que exista uma integrante da Divisão Feminina que sofre porque o marido não faz a prática budista. Nesses casos, antes de tudo, devem falar: “Não se preocupe. Nossa vida é longa, não há necessidade de se afobar. Seu marido também nasceu com uma grandiosa missão. A oração de uma esposa que pensa sinceramente na felicidade do marido sem falta tocará a vida dele”. Diante dessas palavras, essa esposa com certeza ficará mais tranquila. Dito isso, poderão lhe falar a respeito de como lidar com a situação de maneira concreta.

Na orientação individual, é imprescindível possuir um coração que tem verdadeira estima e afeição pelo outro. É esse sentimento que se transforma em vários tipos de cuidados e preocupações em relação ao outro, e também se manifesta em forma de considerações e palavras de incentivo.

Na sua juventude, Shin’ichi costumava convidar integrantes da Divisão Masculina de Jovens (DMJ) ao seu apartamento para incentivá-los. Houve ocasiões em que os encorajou preparando-lhes uma refeição ou ainda ouvindo juntos clássicos como Bee­thoven. Além disso, onde quer que fosse, não só no seu Distrito Bunkyo, mas também em Sapporo, Osaka, Yamaguchi ou Yubari, ele sempre se dedicou intensamente às orientações individuais.

Havia um jovem que lutava para pagar as dívidas feitas pelo pai ao mesmo tempo em que sustentava os pais e seus irmãos menores. Também havia um membro da Divisão Sênior que estava doente e desempregado, tinha sob sua responsabilidade a esposa doen­te e ainda uma criança de colo. Todos se esforçavam ao máximo para sobreviver enfrentando a dura e cruel realidade. A orientação indivi­dual é o sagrado empreendimento que consiste em estender a luz da esperança para cada um desses companheiros e fazê-los resplandecer como budas.

Shin’ichi Yamamoto falou de sua própria experiência em relação à orientação individual:

— Até hoje, venho observando muitos líderes e sinto que todos aqueles que vieram se empenhando com sinceridade na realização das orientações individuais não se afastaram da prática budista. Isso porque a orientação individual é um árduo empreendimento sem qualquer ostentação que requer paciência e contínuo esforço. É pondo esse empenho em prática que se consegue aprofundar verdadeiramente a fé. Além disso, em meio aos esforços constantes de realizar a orientação indivi­dual, capacita-se a orientar as pes­soas com base na observação de si mesmo. É por isso que não se afastam da prática. Naturalmente, o shakubuku também é essencial. Contudo, se fizerem somente o shakubuku, e não cuidarem devidamente da sua orientação e do direcionamento após a conversão, acabará se tornando uma luta apenas de momento. Por um lado, como o resultado de shakubuku é algo visível aos olhos, quem o faz é aclamado e elogiado pelos companheiros ao redor. Houve pessoas que se deixaram levar pela vaidade e pela arrogância devido a isso e arruinaram sua fé. Por isso, destinar todas as forças para a orientação individual em paralelo com a realização do shakubuku é a condição indispensável para fortalecer a fé e elevar a condição de vida. O shakubuku e a orientação individual são tarefas para desbravar o espírito por meio do diálogo. Para isso, é necessário possuir coragem para desafiar as adversidades e persistência para não desistir até conseguir. Mas é justamente esse trabalho árduo que cultiva a vida das pessoas e produz o fruto da felicidade. Por favor, peço a vocês que se empenhem incansavelmente no diálogo sincero e continuem desbravando e cultivando a vida dos companheiros. A orientação individual é também o caminho para fortalecer a organização e fazer o calor humano fluir nela.

Todos observavam Shin’ichi com os olhos brilhando de ardente decisão. Ele então sorriu e disse:

— No mundo da Soka Gakkai, a orientação individual é realizada diariamente como algo muito natural. É uma grande rede de incentivos para superar as adversidades e é também um trabalho de restauração da relação de vida a vida entre as pessoas que acabaram sendo afastadas umas das outras nessa sociedade contemporânea. Tenho a convicção de que em meio a nossas ações existe um relevante e importante patrimônio invisível, não só da Soka Gakkai, mas da sociedade como um todo. Com certeza chegará o dia em que a sociedade e o mundo observarão com muito interesse esta verdade.

3

Presidente Yamamoto incentiva os participantes do conselho diretivo de Kyushu sobre a importância da orientação individual

 

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

Fonte:

IKEDA, Daisaku. Batalha Feroz. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 27, p. 259-264.

3-3-2022

Matéria da Divisão Sênior

Pilares de Ouro que vivem em sintonia com o Mestre

Caros companheiros da Divisão Sênior do Brasil, tendo em vista a importância do momento atual, propomos, nesta primeira matéria de 2022, desenvolver uma reflexão sobre os pontos fundamentais que norteiam o plano e os objetivos da nossa divisão.

Vivemos o segundo ano da década mais importante da história do kosen-rufu mundial. Neste momento, o presidente Ikeda está adornando a conclusão de sua grandiosa obra humanística construída em sete décadas. E é crucial para o sucesso desse empreendimento a criação das sucessivas gerações de discípulos que herdarão seu legado em prol da paz e da felicidade da humanidade.

A história da BSGI, a partir de 1960, retrata fielmente a força, a coragem e a benevolência do Mestre em dedicar a vida à felicidade do povo brasileiro. No registro histórico dos fatos dessa jornada consta que, na véspera da primeira viagem de Ikeda sensei ao Brasil, em outubro de 1960, quando estava nos Estados Unidos, ele tinha sido acometido de grave mal-estar, o que deixou os membros da comitiva muito preo­cupados com o risco de prosseguir com essa jornada. Por isso, aconselharam-no a ficar nos Estados Unidos e deixar a comitiva seguir para o Brasil cumprindo a agenda de compromissos.

Todavia, ao explicar os motivos da recusa à sugestão, o Mestre bradou: “Contudo, eu irei!”.

Nessa simples expressão está contida a ardente paixão do presidente Ikeda de corresponder ao seu mestre, Josei Toda, cumprindo o juramento de expandir o budismo para o mundo, mesmo que sua vida fosse interrompida em meio à batalha.

Naturalmente, num olhar comum, não seria anormal se Ikeda sensei aceitasse o conselho da comitiva. Isso porque seria temerário se algo de ruim acontecesse a ele. Então, evitar expor-se a um risco extremo de perder a vida pensando no futuro da própria Soka Gakkai era uma maneira até coerente de agir. Afinal, ele havia acabado de ser empossado presidente da organização e qualquer atitude tomada poderia causar uma fatalidade.

Por outro lado, os membros da comitiva poderiam perfeitamente dar seguimento e cumprir o plano traçado para a viagem ao Brasil de fundar o primeiro distrito fora do Japão.

Mas por que então o presidente Ikeda contrariou a lógica e recusou se preservar?

No meu coração, a resposta para essa escolha é a que definiu a forte ligação de vida dos membros brasileiros com o Mestre, e, consequentemente, a majestosa história de luta conjunta com Ikeda sensei por meio da correnteza da criação de pessoas valorosas para o desenvolvimento do movimento pelo kosen-rufu do Brasil.

Isso porque, se Ikeda sensei tivesse deixado a cargo da comitiva as tarefas daquela primeira viagem, protocolarmente tudo poderia acontecer conforme o planejado, mas a relação de mestre e discípulo não teria sido construída com tanta veracidade.

Os membros que o aguardavam, aqueles que sofriam os dramas mais rigorosos da vida deles, sem esperança e alegria, não teriam a mesma força e convicção para suportar, praticar e transformar seu destino se não fosse pelo apoio recebido diretamente do Mestre naquela ocasião. A postura e a coragem de sensei mudou a vida dessas pessoas que futuramente se tornariam pioneiras da BSGI.

Entendo que sensei se arriscou e se aventurou destemidamente porque desejou construir uma ligação da sua vida com o povo brasileiro para juntos, por toda a eternidade, expandir as ondas de vida a vida para o bem-estar e para a vitória do Brasil como modelo do kosen-rufu mundial, uma nação cuja essência étnica representa os aspectos virtuosos da cidadania global.

Arriscar a vida para plantar a semente do budismo no Brasil objetivando a felicidade de todas as pessoas para mim foi a mais elevada expressão de respeito à dignidade da vida humana do povo brasileiro.

Por isso, meus amigos, no plano deste ano da nossa divisão, adotamos o slogan “Contudo, eu vencerei!”. Assim, trago para a minha vida, neste momento, essa força, respeito, paixão e convicção do Mestre em se levantar a todo custo para transformar qualquer realidade oposta e vencer em prol da felicidade de si e dos outros. Esse ponto é a célula medular do espírito do nosso plano!

Com base nesse sentimento e disposição, nosso objetivo é criar membros valorosos na Divisão Sênior, que atuem no seu campo de ação e comprovem o que Ikeda sensei deseja e espera de nós, conforme ele expressa:

Mas no século 21 chegará enfim o tempo de a DS emergir efetivamente para atuar na localidade. Com o ímpeto da DS, construam uma sólida organização, e ainda, encarem e solucionem os diversos problemas que a sociedade local tem, edificando o castelo da cooperação humana. (...) Budismo é sociedade, e kosen-rufu da localidade é contribuição social. (...)1


A BSGI é uma organização de cultura sexagenária. Por intermédio dela, inúmeras gerações venceram e solidificaram as bases dessa gloriosa história junto com sensei. E agora, estamos vivendo um cenário bastante diferente considerando as características da geração de hoje, principalmente se olharmos para os jovens. É uma nova cultura.

Muitas vezes, essa geração demonstra hábitos, valores, comportamentos e tendências incomuns para o nosso cotidiano, realidade, costumes e tradição. Apesar de tudo estar perfeitamente na órbita natural do movimento de transformação da cultura social, é fato que essas mudanças criam barreiras e distâncias entre gerações, e isso precisa ser superado, vencido e integrado para o pleno desenvolvimento humano e social. 

Nesse sentido, visando estabelecer a contínua criação da sucessão de herdeiros, nosso ponto principal, creio que precisamos despertar e criar a melhor expressão da prática da fé para os tempos atuais, para que a nova geração consiga se identificar, compreender e praticar corretamente a essência desse ensinamento, adequando-se à época e conquistando sua convicção, seu protagonismo e suas vitórias.

Ikeda sensei, confiando ao nosso país a liderança do kosen-rufu mundial, delegou-nos a seguinte missão: “Brasil, Monarca do Mundo! Com os jovens do juramento seigan na vanguarda, construam um modelo de expansão da propagação do budismo”.

Meus amigos, diante desses enormes e inéditos desafios, simultaneamente, enquanto lutamos contra todos os infindáveis e severos obstáculos que se levantam diariamente diante de nós, quais são os pontos mais importantes que devemos considerar?

Em primeiro lugar, penso que é manifestar a poderosa força da fé na recitação do daimoku de juramento seigan. Orar, orar e orar, para que consigamos extrair a mais elevada virtude para agir, contribuir e comprovar.

Como segundo ponto, creio que é desenvolver a sabedoria para compreender e promover as mudanças necessárias do nosso “eu”.

Recentemente, na reunião de líderes no Japão, o presidente da Soka Gakkai, Minoru Harada, orientou três tópicos essenciais para a época atual:


1. “Perceber e absorver de forma aguçada as grandes mudanças sociais”.
2. “Pensar sobre a missão social da Soka Gakkai”.
3. “Mudar de forma audaciosa”.


Para mim, está claro que a forma autêntica e correta de entender e trabalhar esses aspectos fará com que consigamos superar os desafios e transpor a cultura organizacional de um passado glorioso para um futuro vitorioso, com os novos “valores humanos” na vanguarda.

Nosso papel será fundamental.

O conceituado futurólogo americano Alvin Toffler (1928–2016) disse: “O analfabeto do futuro não será a pessoa que não saberá ler e escrever. Será aquele que não quer aprender, a desaprender para reaprender”.2

Eis o ponto. Vamos refletir e expandir insistentemente o diálogo sincero sobre quais atributos precisamos aprimorar e aprender para desenvolver as habilidades necessárias a fim de contribuir para o desenvolvimento do supremo ideal do kosen-rufu nos dias atuais.

Tudo o que for necessário mudar ou fazer para a felicidade da família, dos amigos e companheiros, então, “Contudo, eu farei”!, “Contudo, eu mudarei!”.

A base filosófica para empreender essas mudanças consta nas orientações do presidente Ikeda, tais como alguns elementos que encontramos no livro Pilares de Ouro Soka, identificados em quatro atributos:3

1. Ter a mais elevada convicção no ensinamento e no Mestre.
2. Levantar-se com compaixão pelo sofrimento dos outros.
3. Comprovar a revolução humana pessoal.
4. Adquirir a confiança das pessoas por meio da integridade da vida.


Preciosos amigos, pilares de ouro, vamos juntos, em torno do presidente da BSGI, Miguel Shiratori, com muita disposição, união e coragem, promover as ações concretas para legitimar as mudanças necessárias pelo bem do futuro dos jovens e do progresso dinâmico.

Por favor, cuidem da saúde e de seus familiares.

Um forte abraço!

Fabio Oda

Coordenador da Divisão Sênior da BSGI

 

1

Líderes da Divisão Sênior da BSGI visualizam plano de atuação para 2022 com o presidente da BSGI, Miguel Shiratori (abaixo, à esq.)


Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Hino da Ampla Propagação. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 28, p. 39, 2020.

2. Cf. https://exame.com/colunistas/crescer-em-rede/chegou-a-hora-de-voce-desaprender/ Acesso: 21 fev. 2022.

3. IKEDA, Daisaku. Pilares de Ouro Soka. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019.

3-3-2022

Especial

A força do juramento

O dia 16 de março de 1958 marcou a última grande atividade do segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, e o primeiro passo dos jovens sucessores em torno de Daisaku Ikeda para assumir a missão de concretizar a paz no mundo

REDAÇÃO

Era uma manhã de domingo, gelada e límpida. Fim de inverno, no Japão. O dia 16 de março de 1958 foi histórico e determinou o avanço do budismo e da Soka Gakkai até o presente e por toda a eternidade. Lado a lado, o presidente Josei Toda, aos 58 anos, lutando para se manter vivo após os desgastes de uma incessante vida de herói em prol da paz, e seu jovem discípulo, Daisaku Ikeda, enfrentando as mais desafiadoras situações para corresponder fielmente ao mestre.

Josei Toda assumiu a presidência da Soka Gakkai em 1951 e lançou a meta de atingir 750 mil famílias. O desafio, aparentemente impossível, foi realizado em dezembro de 1957, principalmente pelo impulso de propagação de seu mais dedicado discípulo, o jovem Ikeda.

Devido ao cárcere e aos anos de esforço intenso, Josei Toda estava muito debilitado. Mas, em janeiro daquele ano, mostrou uma recuperação incrível, deixando todos boquiabertos. Ao completar 58 anos, em 11 de fevereiro, aparentava ter uma saúde melhor e dizia estar pronto para continuar sua liderança. Entretanto, Ikeda sabia que o tempo de vida do seu mestre não seria longo e arregaçou ainda mais as mangas para dar os toques finais aos ideais dele.

No dia 1o de março daquele ano, estava prevista a participação do primeiro-ministro do Japão na inauguração de um importante prédio de atividades construído pela Soka Gakkai. Contudo, a visita foi cancelada e ficou acertado que o político participaria do encontro dos jovens. No dia 1o, após a inaugura­ção, já no elevador, Toda sensei disse ao discípulo Ikeda: “Daisaku, agora já posso morrer sem arrependimentos, cumpri tudo o que lancei. Daqui para a frente, deixo tudo com você”. Josei Toda decidiu, então, realizar no dia 16 de março uma atividade que simbolizasse a concretização do kosen-rufu pelos seus jovens discípulos.

Dedicação aos bastidores

A liderança dos preparativos ficou por conta do jovem Ikeda. Para ele, não havia espaço para erros e tudo deveria ser perfeito.

A realização da atividade foi decidida no dia 8 de março, e a convocação para os jovens, feita três dias depois. Aqueles que receberam a notícia da atividade não conseguiram compreender de imediato seu intento. Os jovens que formavam aquela multidão vestiam-se humildemente, alguns usavam uniforme escolar. Eram pessoas comuns que desafiavam as rigorosas circunstâncias do dia a dia.

O presidente Josei Toda acompanhou os preparativos e sugeriu:

O frio ainda deve permanecer nessa época e, com certeza, eles chegarão com o estômago vazio. Por essa razão, quero oferecer algo quente para comerem. Estive pensando no que seria melhor. Acho que uma sopa de leitão seria ideal. A sopa bem quente, soltando vapor, aquecerá e nutrirá o corpo dos jovens.1



Outro momento especial dos bastidores é narrado pelo próprio Ikeda sensei:

Dias antes, o Sr. Toda já sentia dificuldades para caminhar, porém insistia em conduzir pessoalmente a cerimônia. Por essa razão, pedi aos meus companheiros que construíssem uma liteira [cadeira artesanal] para transportá-lo. Tirei a ideia de uma cena da obra histórica O Romance dos Três Reinos, no qual o general Chuko K’ung-ming, gravemente enfermo, conduz suas tropas na batalha sobre uma carreta. Porém, quando o Sr. Toda viu a liteira, disse: “É grande demais. Não serve para a batalha!”.
Alguns veteranos olharam com indiferença. Mas eu sabia que meu mestre estava muito feliz e emocionado pela dedicação do seu discípulo. Todavia, sua intenção era me treinar. Com extrema rigorosidade, disse-me: “Você não está preocupado com os rapazes que carregarão algo tão pesado? Precisamos de uma liteira mais leve e com mais mobilidade”. Ensinou-me até o último momento a estratégia do general com amor e rigorosidade.
“Desculpe-me pelo transtorno. Os jovens se dedicaram intensamente para construí-la. Por favor, utilize-a”, disse eu.
Ao ouvir essas palavras, Toda sensei sorriu e subiu na liteira. Após a cerimônia, meu mestre comentou: “Quando recuperar a saúde, gostaria de viajar pelo Japão naquela liteira”.2


Tudo estava preparado. Todavia, o primeiro-ministro cancelou novamente, na última hora, sua participação. Josei Toda decide, então, realizar a cerimônia ainda com mais vigor.

Em ensaio publicado na revista Terceira Civilização, de dezembro de 2000, o presidente Ikeda relata os fatos da inesquecível cerimônia:

O tempo no dia 16 de março de 1958 estava bom. Seis mil jovens discípulos cheios de orgulho e alegria reuniram-se no pátio em frente ao Grande Salão de Preleção, no templo principal. Ardentes de fé, convicção e paixão, observam o Monte Fuji, que resplandecia sob um manto de neve. Um intenso alvoroço propagou-se por todos os lados, como uma nova onda que se levanta das profundezas do mar. Todos estavam animados e cheios de vida.
No rosto de cada um deles brilhava a nobre missão e a pureza dessa gloriosa flor da juventude. Eles permaneciam de pé, perfilados ombro a ombro e sorriam. O coração desses jovens era um só. Nada poderia destruir a união com seu mestre nem o companheirismo que transcendia a vida e a morte. Na grande cerimônia do Dia 16 de Março, reunindo suas últimas forças, ele nos mostrou o espírito de luta de uma vida totalmente dedicada ao kosen-rufu. Foi uma cerimônia espiritual na qual ele transferiu a missão da realização do kosen-rufu a seus discípulos diretos e genuínos, os jovens leões que herdariam seu manto.
No dia, Toda sensei usava fraque, porém calçava chinelo. Estava tão debilitado a ponto de não calçar sapato social. Mesmo fraco, desejou estar junto dos jovens até o último momento de sua vida.
Na histórica cerimônia, meu venerado mestre clamou como o rugido de um leão: “O mundo da Soka Gakkai é o rei do mundo religioso!”. O clamor do mestre era para que nos tornássemos o “rei da humanidade” com força capaz de conceder esperança a toda a humanidade, possuindo no coração o orgulho de ser o praticante desse maravilhoso budismo.
Pela manhã, a neblina da primavera impedia de se avistar o topo do Monte Fuji, mas às 14h30, quando Toda sensei deixava o local em cima de uma liteira, o monte apareceu imponentemente para impressionar os presentes. Essa imagem está gravada profundamente no meu coração.3


Era o instante em que o mestre transmitia seu testamento aos discípulos. E dezessete dias depois, ele faleceu serenamente. Mas a chama do 16 de Março já ardia no coração dos discípulos, e mais ainda na alma do futuro presidente da Soka Gakkai, Daisaku Ikeda, que não se esquece jamais daqueles momentos épicos vividos ao lado do mestre. A vitória excepcional da Soka Gakkai Internacional (SGI) se deve ao juramento selado entre mestre e discípulo naquele evento. Um momento que deve ser vivido diariamente, por todos nós, em sentimento e nas ações, conforme Ikeda sensei enfatiza:

Forte determinação e nossas ações no presente definem o futuro. O Dia 16 de Março é o eterno ponto de partida da verdadeira causa, quando todos os discípulos se levantam. Para mim, cada dia é um renovado juramento, cada dia é 16 de Março.4

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Momentos de mestre e discípulo, lado a lado, em março de 1958 Daisaku Ikeda toca bumbo junto com seu mestre, Josei Toda


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Toda sensei é carregado numa liteira para preservar suas forças durante a cerimônia do 16 de Março


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Jovem Ikeda lidera marcha da banda musical masculina da Soka Gakkai

No topo: jovem Daisaku Ikeda (à esq.) dedica a vida a concretizar todos os ideais do seu mestre, Josei Toda (à dir.), como mostra o desenho, abrindo o caminho do movimento da SGI pela paz com base na relação de mestre e discípulo

Fonte:

Brasil Seikyo, ed. 1.930, 8 mar. 2008, p. B4.

Notas:

1. Terceira Civilização, ed. 294, fev. 1993, p. 41.

2. Brasil Seikyo, ed. 2.410, 10 mar. 2018, p. G2 e G3.

3. Idem, ed. 2.179, 11 maio 2013, p. B3.

4. Idem, ed. 1.979, 21 mar. 2009, p. A2.

3-3-2022

Incentivo do líder

Felicidade, venha cá!

Tanto a pessoa como as outras são importantes. Desejar somente a própria felicidade é egoísmo; desejar apenas a felicidade dos outros é hipocrisia. A verdadeira alegria existe quando a pessoa e as outras se tornam felizes juntas. O segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, afirmou: “Tornar-se feliz sozinho não é difícil, é relativamente simples. Mas a essência do Budismo de Nichiren Daishonin se resume em ajudar as outras pessoas a se tornarem felizes também”.1


Comecei a praticar o budismo num momento em que um dos meus grandes desafios era transformar o coração egoísta que busca somente a própria felicidade e compreender que não podemos ser felizes enquanto os demais sofrem. Compreendo, dia a dia, que o que conduz à felicidade genuína e duradoura é buscar a felicidade pes­soal, sem deixar de lado a preocupação com a felicidade dos que estão ao redor. E mais que isso, entendo, com minha própria vida, que este é um ensinamento de compreensão e do respeito mútuo entre as pessoas, sem exceção. Não há como existir paz se não houver a valorização de cada indivíduo e o respeito às diferenças.

Sobre o escrito Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, Ikeda sensei explana:

Para que a humanidade possa consolidar a paz e a felicidade genuínas, é imprescindível que se paute por uma filosofia fundamental que tenha como premissa a valorização da harmonia e a diversidade humana. (...) Quando essa filosofia que respei­ta a dignidade de todas as formas de vida se propagar pelo mundo e transformar a vida das pessoas no âmbito mais fundamen­tal, vai se abrir o caminho para eliminar a tragédia do ódio e do conflito. E também poderá transformar a doença crônica da humanidade — de se envolver repetidamente em guerras alimentadas por um ciclo de ódio. Aí repousa o profundo significado dos nossos esforços, somados aos dos nossos amigos da SGI do mundo todo, de compartilhar e propagar os ideais e os princípios humanísticos do Budismo Nichiren neste exato momento.2


Será que eu, como membro desta maravilhosa organização [BSGI], mantenho o mesmo coração benevolente de Nichiren Daishonin, abarcando os que sofrem, independentemente de idade, etnia, orientação sexual, classe social? E será que esse sentimento se reflete nas minhas falas, ações e na minha forma de pensar? Tenho me esforçado para cultivar um coração que não cria preconceitos nem prejulgamentos, e que consegue enxergar o potencial de cada pessoa, valorizando suas características.

Nestes anos tão desafiadores que estamos vivendo, muitos anseiam por mudanças e transformações. Como é maravilhoso praticar este budismo que eleva nossa condição de vida e, por meio da íntima transformação, nos capacita mudar o local em que estamos agora! Quando manifestamos a grandiosa condição do estado de buda, não somente nós, mas as pessoas ao nosso redor e o ambiente também desfrutam a mesma condição. Então, que essas mudanças e transformações partam de cada um de nós, de dentro para fora!

Vamos fazer brilhar o potencial máximo de cada um!


Aline Mie Hirai

Vice-coordenadora da Divisão Feminina de Jovens de coordenadoria

 

Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Felicidade. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 115. 2015.

2. Terceira Civilização, ed. 619, mar. 2020.

3-3-2022

Colunista

Rescisão consensual do contrato de trabalho

Um fim consensual para uma relação trabalhista, eis uma das grandes novidades e benesses trazidas pela reforma trabalhista, que ocorreu em 2017. Pois bem, atual­men­­te, tanto empregado como empregador podem, em comum acordo, rescindir o contrato de trabalho, cada uma das partes assumindo parcialmente o ônus das verbas rescisórias.

Antigamente, era tudo ou nada: ou o empregado pedia demissão e perdia quase todas as verbas indenizatórias ou a empresa dispensava o empregado e teria de pagar as verbas rescisórias completas para ele. Isto é, sempre o fim da relação de emprego era muito oneroso para uma das partes do pacto.

No caso de pedido de demissão, o empregado tem direito apenas ao recebimento dos dias trabalhados, férias vencidas e proporcionais, com o acréscimo do terço legal e décimo terceiro proporcional ou integral, além de ter de pagar o aviso prévio ao empregador. Na hipótese de o empre­gador dispensar o empregado, a empresa precisa pagar ao trabalhador saldo de salário, aviso prévio, férias vencidas e proporcionais, com o acréscimo do terço legal, décimo terceiro proporcional ou integral e ainda a multa de 40% sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

O acordo de rescisão contratual representa um meio-termo para empregado e empregador, por meio do qual ao empregado é assegurado receber 20% da multa sobre o saldo de FGTS e ainda o valor referente à metade do aviso prévio. A par disso, o empregado tem direto a movimentar até 80% do seu saldo de FGTS, além de receber o décimo terceiro salário e as férias integrais ou proporcionais. Nesse tipo de rescisão, o empregado não receberá o seguro-desemprego, sendo esta a única perda real que surge como “prejuízo” ao trabalhador.

Essa questão da subtração do seguro-desemprego é uma dúvida muito comum no dia a dia, mas se trata de uma verba que foi pensada para proteger quem é surpreendido com uma rescisão do contrato de trabalho, fato este que não está presente quando o fim da relação empregatícia se formaliza por vontade também do trabalhador. Isso porque, pela lógica, se acordou o encerramento do contrato, provavelmen­te, e já tem como esperada e até desejada a ruptura com a empresa.

Na realidade, a modalidade de rescisão por mútuo acordo veio regulamentar uma prática considerada ilícita no passado, que consistia numa simulação de dispensa sem justa causa, na qual o empregado devolvia parte das verbas rescisórias ao empregador e recebia a chave para levantamento do FGTS e as guias para acesso ao seguro-desemprego. Até hoje, muitos pensam ser este um acordo legal, mas não há previsão em lei para tal tipo de pacto, que era e ainda é bem comum.

Como a rescisão por mútuo acordo ainda é uma prática muito tímida no mercado, recomenda-se que o pedido desse tipo de rescisão seja escrito de próprio punho pelo empregado, com a justificativa do pleito e a transcrição das verbas que serão devidas.

Todo cuidado deve ser tomado para que seja tudo registrado e, por prudência, colhida a assinatura de, pelo menos, duas testemunhas. Pela falta de previsão, o entendimento majoritário entre os juristas é de que os empregados afastados por doença, em período de férias, entre outros afastamentos, não poderão ter seu contrato rescindido por essa modalidade.

É evidente que as rescisões contratuais, sejam trabalhistas ou não, guardam em si desconfortos naturais do final de um vínculo. Dessa forma, a previsão legal de uma modalidade de encerramento do contrato de trabalho por acordo entre as partes se apresenta como excelente ferramenta para mitigar as perdas que são costumeiramente suportadas tanto pelo empregado como pelo empregador quando do rompimento do pacto laboral.   

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10-3-2022

Caderno Nova Revolução Humana

União indestrutível

PARTE 31

Shin’ichi Yamamoto acrescentou:

— Não é exagero dizer que existem tantas opiniões quanto o número de pessoas. E é natural que aquelas de gerações diferentes tenham visões diferentes sobre as coisas. Mesmo que seja a realização de uma reunião de palestra, por exemplo, algumas pessoas podem querer que a atividade seja realizada durante a semana, enquanto outras prefiram que seja na noite de sábado ou de domingo. Alguns podem pedir que seja realizada na tarde do domingo, enquanto outros sugerem a tarde num dia da semana. Entretanto, como uma decisão precisa ser tomada, são escolhidos dia e horário que melhor se adequem à maioria. Depois que uma decisão é tomada após consultar a todos, é importante unir os corações e fazer o máximo de esforço possível para garantir o sucesso da atividade, mesmo que não seja aquilo que desejavam a princípio. Aqueles que organizam a reunião de palestra também precisam pensar nos membros que não podem comparecer nesse dia e encontrar maneiras para apoiá-los, talvez planejando realizar atividades em pequenos grupos em outros dias ou, ocasionalmente, alternando o dia da reunião de palestra para que todos possam fazer a prática com alegria e disposição. Além das reuniões de palestra, as pessoas também devem ter opi­niões diversas sobre como realizar atividades ou sobre aspectos do nosso movimento. Não existem regras absolutas ou maneiras perfei­tas de fazer as coisas no que diz respeito às atividades. Sempre haverá prós e contras de alguma maneira. Se surgir um problema, todos devem se reunir e pensar em formas de resolvê-lo ou minimizá-lo. É importante permanecerem flexíveis e terem mente aberta para unir forças.

Os jovens ouviam Shin’ichi meneando a cabeça em concordância. Ele olhou profundamente para cada um deles e enfatizou:

— Quando forem realizar atividades devem se atentar para não ficar desanimados, chateados ou ressentidos porque suas opi­niões não são aceitas. Isso não só enfraquecerá a fé de vocês, como também prejudicará de forma irreparável o nosso movimento pelo kosen-rufu. Muitas organizações e religiões já se fragmentaram por causa de conflitos e ressentimentos decorrentes de diferentes opiniões e ideias sobre como elas devem ser conduzidas. A Soka Gakkai jamais deverá seguir por esse caminho!

PARTE 32

Olhando seriamente para Shin’ichi Yamamoto, os jovens aguardavam suas próximas palavras.

Ele continuou:

— Pelo bem do futuro, hoje quero compartilhar com vocês o princípio mais crucial para o avanço do kosen-rufu. E isso é criar a união indestrutível de “diferentes em corpo, unos em mente”. Nichiren Daishonin escreveu: “Todos os discípulos e seguidores leigos de Nichiren devem recitar Nam-myoho-renge-kyo com o espírito de diferentes em corpo, unos em mente, transcendendo todas as diferenças que possa haver entre si, tornando-se inseparáveis como o peixe e a água. Esse laço espiritual é a base para a transmissão universal da Lei suprema da vida e da morte. Aqui reside o verdadeiro objetivo da propagação de Nichiren. Quando estiverem unidos assim, até o grande desejo da ampla propagação [kosen-rufu] poderá ser concretizado”.1 Aqui, Daishonin indica a diretriz fundamental a ser seguida por todos os “discípulos e seguidores leigos de Nichiren”, ou seja, nós, que devemos nos dedicar ao kosen-rufu. Inicialmente, ele diz: “Transcendendo todas as diferenças que possa haver entre si”. Daishonin está nos dizendo para banir qualquer tendência que possamos ter de deixar que nossas diferenças nos dividam ou discriminemos os outros. As pessoas diferem de várias maneiras entre si — em nacionalidade, etnia, cultura e costumes, em status social, posição, idade e formação, e também em seus pontos de vista e sensibilidade. Devemos transcender essas diferenças e retornar constantemente ao ponto básico de que todos somos companheiros de fé e bodisatvas da terra. Então, Nichiren Daishonin diz que devemos nos tornar tão “inseparáveis como o peixe e a água”. Isso significa perceber que compartilhamos um relacionamento próximo e inseparável como companheiros praticantes do Budismo Nichiren, respeitando e apoiando uns aos outros com base nessa consciência. Permitir que uma aversão pessoal a determinado líder possa impedi-los de praticar em sua organização local ou de participar das atividades é contrário a essas palavras de ouro de Daishonin. É também um sinal de que está sendo derrotado pela própria negatividade e egoísmo. Não é por acaso que estamos praticando o Budismo Nichiren juntos neste momento. Unidos por laços profundos desde o remoto passado de infinitos kalpa, surgimos nesta era maléfica e conturbada dos Últimos Dias da Lei para cumprirmos, juntos, o juramento que fizemos há muito tempo. Quando cada um de nós, companheiros da fé, despertar para o fato de que estamos aqui hoje por causa dessa relação cármica do distante passado, podemos cultivar laços ainda mais fortes e criar a poderosa força motriz do grandioso avanço do kosen-rufu.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 226, 2014.

10-3-2022

Conheça o Budismo

Assuma o comando

REDAÇÃO

Todo ser humano vive situações adversas em seu dia a dia. A maioria delas é solucionável, mas existem algumas que parecem fugir do controle das pessoas, por mais que elas se esforcem para resolvê-las. Por sentirem que não têm poder sobre esses acontecimentos da vida, muitas as encaram como fruto de um destino predeterminado, da sorte ou da vontade de uma entidade superior.

O budismo, por outro lado, ensina o conceito de “carma”. O termo tem origem no sânscrito karma ou karman e significa “ação”. Há mais de 2.500 anos, o buda Shakyamuni explicou a lei que rege toda a vida. Desde o início dos tempos, o homem tem procurado desvendar as diversas leis que governam o universo, como as leis da física e outras, porém consciente de que pode usar o conhecimento sobre essas leis a seu favor, e nunca destruí-las ou mudá-las. Da mesma forma, existe uma lei imparcial e imutável que rege toda a vida no universo, que o Buda denominou lei de causa e efeito.

Seja o protagonista

Shakyamuni também explicou que o destino de uma pessoa é criado por meio de seus pensamentos, palavras e ações. Para cada um deles, formam-se causas, positivas ou negativas, gerando efeitos na mesma proporção que, em dado momento, se manifestam na vida dela. O conjunto dessas causas acumuladas é chamado “carma”.

O grau do carma de uma pessoa é determinado pela força da intenção com que é feita a causa, e aumenta à medida que os pensamentos dão origem a palavras e ações. Varia, também, de acordo com o alvo dessas ações.

O budismo ensina que a vida é eterna e o carma é que determina a trajetória de uma pessoa, ou seja, as ações por ela praticadas formam o curso dessa existência e das futuras, assim como suas ações de um tempo passado são os fatores que definiram sua realidade atual. O carma de um indivíduo está constantemente sendo atualizado e alterado conforme suas ações, sendo ele o único responsável, tanto pelo seu presente como pelo seu futuro. Cada pessoa é protagonista de sua grande peça na qual ela própria cria o roteiro e o dirige. Esse é o modo de vida de um praticante budista da Soka Gakkai Internacional (SGI), hoje presente em 192 países, liderada pelo Dr. Daisaku Ikeda.

Essência da transformação

O carma formado a cada instante da vida é acumulado num repositório chamado alaya, ou “oitava consciência”. As experiências são depositadas nessa consciência e elas o acompanham por todas as existências, passando pelo ciclo de nascimento e morte. A força dessas ações depositadas como energia latente nunca diminui nem desaparece por si só. Ela sempre se manifestará quando houver condições propícias para isso. Mas, como tudo depende de cada indivíduo, ele próprio possui as condições de transformar seu mau carma e direcionar a vida para a felicidade, além de amenizar os efeitos cármicos. O modo mais rápido para obter essa transformação é recitar Nam-myoho-renge-kyo, ou a Lei Mística que permeia todo o universo, e atuar em benefício de outras pessoas realizando o bem maior e lhes ensinando o caminho dessa felicidade.

O diferencial no Budismo Nichiren é que ele proporciona uma ferramenta para que as pessoas transformem e revertam qualquer adversidade. Para isso, Nichiren Daishonin revelou o Nam-myoho-renge-kyo e inscreveu o Gohonzon, objeto de devoção que incorpora a vida do universo em sua forma mais poderosa e concentrada. Ao recitar Nam-myoho-renge-kyo, a Lei suprema que permeia todos os fenômenos do universo, diante do Gohonzon, a pessoa consegue fazer emergir de sua vida uma extraordinária força interior que no budismo é identificada como natureza ou estado de buda.


Crie seu destino

O Budismo de Nichiren Dai­shonin ensina o princípio da “transformação do destino”, segundo o qual a calúnia contra o Sutra do Lótus — a Lei correta que revelou por completo a iluminação das pessoas, o respeito ao ser humano e a felicidade de si e de outros — é a ofensa fundamental e o mal original que produzem mau destino. O princípio da transformação do destino aqui exposto significa transformar o mau destino fundamental originado da descrença e da calúnia contra a Lei correta, ainda nesta existência, por meio da prática de acreditar, proteger e propagar essa Lei. O âmago dessa prática é o daimoku do Nam-myoho-renge-kyo.

O surgimento da vida do estado de buda, como o sol em nosso interior, por meio da fé abraçando o Gohonzon e do empenho na recitação do daimoku para si e para os outros, faz com que as inúmeras ofensas do passado desapareçam assim como a geada e o orvalho.

Além disso, ao acreditarmos e propagarmos a Lei nesta existência, a força do benefício dessa prática faz com que os efeitos negativos do carma apareçam em nossa vida de forma leve, pelo princípio budista de “amenizar o efeito cármico”.

Carma adotado pelo desejo próprio

Uma pessoa que, apesar de enfrentar sofrimentos e dificuldades, transforma seu destino perseverando na prática da fé observará uma grande mudança no sentido de sua vida.

O Sutra do Lótus expõe o princípio de “carma adotado por desejo próprio” (ganken ogo). O ideo­grama gan significa “nascer com o desejo” e go quer dizer “nascer com carmas acumulados”. Os bodisatvas nascem pela força de seu desejo, e as pessoas comuns nascem por meio de seus carmas. Esse princípio indica que bodisatvas, com grandiosa boa sorte e virtude acumuladas por meio de exercícios budistas, se voluntariaram a nascer nesta era maléfica, manifestando seu próprio desejo. Eles abandonaram suas límpidas retribuições dos seus carmas, com o intuito de salvar as pessoas sofridas desta época.

Como resultado, esses bodisatvas experimentam os sofrimentos desta era maléfica, mas com um novo sentido. Isso porque uma pessoa que supera as dificuldades por meio da fé entenderá que o fato de viver as angústias nesta época não é de forma alguma seu destino, mas, sim, o resultado do juramento seigan de bodisatva para salvar as pessoas, compartilhando aflições e mostrando com seu exemplo a forma de superá-los.

O presidente Ikeda, em uma de suas explanações, expressa essa forma de viver como “transformar o destino em missão”, e explica:

Todos nós temos nosso próprio destino. Mas quando o olhamos de frente e compreen­demos seu verdadeiro significado, todas as dificuldades podem servir para nos ajudar a construir uma vida mais rica e profunda. E nossas ações na batalha contra nosso destino tornam-se um exemplo e inspira­ção para inumeráveis pessoas. Em outras palavras, quando transformamos nosso destino em missão, então o papel desse destino muda de negativo para positivo. Aquele que consegue transformar seu destino em missão é alguém que compreendeu o princípio do “carma adotado por desejo próprio”. Portanto, os que continuam avançando, considerando tudo como parte de sua missão, seguem em direção à transformação de seu destino”.1



Fontes:

Os Fundamentos do Budismo Nichiren para a Nova Era do Kosen-rufu Mundial, p. 47 a 49, 2019.

Terceira Civilização, ed. 396, ago. 2001, p. 12.

Brasil Seikyo, ed. 1.807, 13 ago. 2005, p. A7.

Nota:

1. IKEDA, Daisaku. Diálogo sobre Religião Humanística. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 2, p. 215 e 216. 2018.

10-3-2022

Notícias

Rainhas da felicidade em ação

REDAÇÃO

Em certa ocasião, o presidente da Soka Gakkai Internacional, Dr. Daisaku Ikeda, comentou sobre as atividades da Divisão Feminina (DF) em pequenos grupos:

A filosofia Soka é propagada mediante diálogos de coração a coração, por diálogos que promovem a compreensão e a confiança. Esses encontros em pequenos grupos organizados por integrantes da DF são microcosmos de harmonia humana.1


Essas palavras do Mestre retratam bem o espírito com que as integrantes da DF da BSGI realizam uma atividade primordial e que já se tornou rica tradição: os encontros do Grupo Coração. Normalmente promovida nos níveis de bloco e de comunidade, busca aproximar as participantes pelo diálogo, pelo mútuo incentivo e por compartilhar experiências, sobretudo da prática do budismo. A escolha da periodicidade e dos temas tratados fica a cargo de cada organização. Comuns a todos os núcleos são o formato virtual, em decorrência dos cuidados em relação à pandemia da Covid-19, a disposição, a criatividade e a alegria de cada localidade.

A atividade do Bloco Santa Cruz (CGSP), no litoral paulista, realizada em 18 de fevereiro, contou com a participação de Sueli Ogawa, coordenadora-geral da DF da BSGI, que incentivou sobre o poder da recitação do daimoku e sobre a força das mulheres para vencer as dificuldades. Valdete Lyra dos Santos, responsável pela DF do bloco, comenta: “Tivemos a presença de uma convidada, o relato de saúde maravilhoso de uma veterana e a participação de companheiras com mais de 70 anos, que antes tinham dificuldade com a tecnologia, mas, com nosso apoio, estão participando. Recitamos daimoku determinadas para que tudo desse certo na atividade e que todas se sentissem felizes e vitoriosas”.

Em Curitiba, PR, na Comunidade Novo Mundo (CRE Sul), a responsável pela DF, Lilian Stalchmidt, ressalta o apoio fundamental das líderes de distrito e acima para a atividade, promovida no dia 5 de março. “Enviamos o convite junto com a Mensagem de Ano-Novo do presidente Ikeda, que estudamos e foi tema de um produtivo diálogo, no qual cada participante citou o trecho que mais tocou seu coração, rendendo até um relato”, conta Lilian.

As integrantes da Comunidade Jardim Leal (CSMRJ), no Rio de Janeiro, exploraram o tema “Evidenciando o Meu Melhor a Cada Dia” em sua atividade, realizada no dia 15. “Um encontro de fé, força, coragem e comprovação, que nos impulsionou com a certeza da vitória. Nesse dia, houve uma troca de energia fundamental para nosso desenvolvimento. Obrigada pela oportunidade de fazermos parte dessa maravilhosa família Soka!”, comentou Maria de Fátima da Silva, responsável pela DF da comunidade.

 

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Comunidade Guararapes

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Comunidade Jardim Leal

4

Comunidade Novo Mundo

No topo: Bloco Santa Cruz

Nota:

1. Terceira Civilização, ed. 595, mar. 2018, p. 48.

10-3-2022

Relato

Um amor real

Quem nunca varreu situações para debaixo do tapete? Comigo não foi diferente. Vivi com sentimentos e relações de amor — ciclos intermináveis de dependência emocional e desgastes. Isso foi desde 2009 e se arrastava sem me trazer alegria e realização como mulher.

Anos depois, em 2014, em um luau no Leme, bairro do Rio de Janeiro, dois amigos me envolveram numa boa conversa, falando da experiência deles com o Budismo Nichiren e das atividades da Soka Gakkai. Na hora, fiquei muito curiosa, fiz várias perguntas e eles me explicaram de uma maneira contagiante, convidando-me para um encontro de bloco. Jamais me esquecerei do abraço caloroso da dona da casa logo que cheguei. Já de início, entendi que o budismo era a religião que me faria bem.

Eu tinha 26 anos e vinha buscando inserir a espiritualidade na minha vida de maneira mais presente, mas nenhuma das religiões até então me preenchia. Quando entendi que, para o Budismo de Nichiren Daishonin, todos possuímos a essência de buda e tudo depende e vem de nós, percebi que ali eu poderia me encontrar. Depois de dizer sim para o budismo em 2015, muitas situações vieram à tona.

Tendência cármica

Superficialmente, eu era bem resolvida e vivida pela Marina do Instagram, mas, na realidade, não era assim. Voltando ao meu relacionamento amoroso de 2009, demorei um longo tempo para descobrir que era extremamente abusivo. Após dois anos de término dessa relação, conheci outra pessoa, mas de novo a frustração. Foram anos de tentativa, de idas e vindas, de muito choro, e uma gravidez interrompida em 2017. Foi um baque enorme. Nessa época, eu ainda não ocupava nenhuma função na organização e tinha uma relação irregular de presença nas atividades e na prática do daimoku, a recitação do Nam-myoho-renge-kyo. Minha estrutura não estava firme, e, tamanha minha dependência, aquele era um assunto que me incomodava.

Decidi recomeçar minha vida, buscando manter consistência na oração e na ação, orando menos do que precisava, mas me sentindo sempre acolhida nas reuniões e na Divisão Feminina de Jovens (DFJ). Minhas líderes nunca me abandonaram, sempre me incentivando. Foi quando, em junho de 2021, a oportunidade de virar aquela situa­ção se apresentou bem à minha frente, com o desafio de recitar, durante cem dias, no mínimo, trinta minutos de daimoku, objetivo este proposto por um veterano. Eu já era líder de bloco pela DFJ e aquele desafio acendeu minha coragem. Precisava me erguer.

Lancei-me com disposição às atividades de bloco; e o daimoku produzia cada vez mais esperança em meu coração. Eu era a mesma Marina, agora elevada à potência máxima. Por esse motivo, munida de renovada determinação, conse­gui colocar um ponto-final naquela relação do passado. Estava solteira havia doze anos, tendo dez anos vivido uma história irreal de amor. Venci aquele ciclo interminável de dor e de sofrimento, de dependência emocional.

Como me senti vitoriosa, plena e livre! Logo depois, sem os olhos da ilusão, virei minha cabeça para o lado e vi o amor que sempre desejei, Allan, meu amigo há mais de dez anos. Demorei doze anos para perceber, tamanho sofrimento de não me sentir merecedora. É com certeza resultado da minha determinação verdadeira e do daimoku recitado.

E os reflexos do meu despertar na oração e ação também se estenderam a outros aspectos da minha vida. No campo profissional, sou professora de artes, formada em artes cênicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio), e passei a encarar a licenciatura como uma grande chave de mudança. Busco pôr em prática esse budismo maravilhoso, enxergando nos meus alunos a dignidade humana que cada um possui.

Num livro dedicado às jovens, ao explanar um trecho do escrito Atingir o Estado de Buda nesta Existência, Ikeda sensei diz:

A chave para qualquer mudança encontra-se em nossa transformação interior, na mudança de nosso coração e mente. Isso se chama revolução humana. Todos temos o poder de mudar. Quando compreendemos essa verdade da vida, conseguimos ativar esse poder em qualquer lugar, a qualquer hora, e em qualquer situação.1


Quanta gratidão! Estou há seis anos na família Soka e sinto ter evoluído em minha transformação de vida. Tenho muito ainda a aprender, mas que o daimoku nos dá essa força para agir com sabedoria eu já sei. Minha maior convicção é de que somos potências, somos praticantes do Sutra do Lótus e de que estamos aqui para ser verdadeiramente felizes.

Na organização, quero poder contribuir ainda mais. No início de março, fui nomeada líder da DFJ da Comunidade Paulo Silva Araújo, uma emoção avassaladora. Quero estar cada vez mais próxima das meninas, apoiando-as sempre, feliz por fazer parte de uma prática religiosa que respeita o ser humano, antes de tudo. Isso preen­che meu coração de amor e de esperança no mundo.

Gostaria de agradecer às minhas queridas líderes de divisão, aos veteranos e a todos os que me proporcionaram um ambiente para meu crescimento e desenvolvimento. Lutei para entender que nós, as jovens Soka, somos merecedoras de relações plenas, descobrindo também o amor em tudo o que fazemos.

Muito obrigada pela oportunidade!

Marina Sampaio, 34 anos. Professora de artes e atriz. Responsável pela DFJ da Comunidade PSA, RM Méier, CCSF.

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Ao lado do namorado, Allan

 

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Oficina cultural com seus alunos

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Marina, terceira na imagem, em visita on-line de suas líderes e amigas, Virgínia e Paula, respectivamente.

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Momento de encontro no bloco, foto tirada antes da pandemia da Covid-19

Nota:

1. IKEDA. Daisaku. Pode Haver uma História Mais Maravilhosa do que a Sua? São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2018. p. 77.

10-3-2022

Especial

Vencer a si mesmo, uma vez mais!

Reconfirmando o espírito do Dia 16 de Março, líderes da Divisão dos Jovens (DJ) da BSGI respondem a perguntas de representantes da juventude Soka brasileira com o objetivo de construir seu futuro e o da BSGI a partir de agora

Líderes participantes:

Monique Tiezzi, coordenadora da Divisão dos Jovens da BSGI; Edjan Santos, coordenador da Divisão Masculina de Jovens da BSGI; Livia Endo, coordenadora da Divisão Feminina de Jovens da BSGI e Camila Akama, coordenadora da Divisão dos Estudantes da BSGI

Carla Lorena, Amazonas: Livia, como nós, jovens líderes, podemos incentivar os membros e amigos mesmo lutando contra nossas próprias frustrações? E como podemos usar as redes sociais para conscientizar as pessoas sobre o futuro 2030 sem banalizar os temas?

Livia:
Suas perguntas são ótimas e de muita relevância para a época atual. Muito obrigada! Ikeda sensei compara o coração dos jovens à sensibilidade de um termômetro. Às vezes, os jovens sentem uma alegria imensa e acham que tudo à sua volta é maravilhoso. Em outros momentos, caem em profunda tristeza e chegam a pensar que são inadequados. Isso é mais comum na juventude, mas a verdade é que a vida das pessoas é feita de altos e baixos, com momentos de felicidade e de tristeza. Já a nossa decisão de atuar em prol da felicidade de todos, ou seja, cumprir nosso juramento, é constante e sólida.

Ikeda sensei nos incentiva:

Ao contribuir para a felicidade de outras pessoas, nós nos tornamos felizes. Este também é um princípio da psicologia. Como aqueles que estão sofrendo nas profundezas do inferno, a ponto de perder a vontade de viver, podem se levantar novamente? Se ficarem apenas pensando em seus próprios problemas, mergulharão ainda mais no desespero. Porém, o simples ato de ir ao encontro das pessoas que também estão sofrendo e oferecer apoio possibilita-lhes reaver a vontade de viver. A ação que empenhamos para ajudar o outro nos permite fortalecer nossa própria vida.1


Agora, vou responder à segunda pergunta. As redes sociais são um efetivo meio de comunicação e podem contribuir para o desenvolvimento humano, pela quantidade de conteúdo, abrangência e velocidade com que as ideias e opiniões chegam às pessoas. Por outro lado, pelas mesmas razões, podem ser fonte de disseminação de desinformação e até de discriminação. Acredito que a melhor forma de lidarmos com as redes sociais como ferramenta para a conscientização sobre temas que achamos importantes é fazer tudo com responsabilidade, perguntando a nós mesmos se aquilo que vamos postar ou compartilhar contribuirá para a vida daqueles que verão a mensagem. Esse não é um comportamento diferente do que deveríamos ter fora do mundo vir­tual. Ikeda sensei ensina sobre esse comportamento com seu exemplo. Ele conta que um dos fatores que fizeram com que ele tivesse sucesso em uma luta foi se perguntar “O que Toda sensei faria, o que diria se me visse agora?”, “Estaria me comportando de uma maneira que ele pudesse se orgulhar de mim, caso estivesse me observando?”.2

Vamos, juntas, rumo a 2030, nos perguntar constantemente se estamos deixando Ikeda sensei orgulhoso com nosso comportamento.

Gabriel Miranda, Rio de Janeiro: Ikeda sensei fala muito sobre 2030, confiando principalmente na Divisão dos Jovens. Quando olhamos para a sociedade atual, vemos várias questões negativas. Pensando nisso, pergunto como e qual seria a forma ideal de aplicarmos na prática os incentivos do Mestre visando esse futuro?

Edjan: Agradeço sinceramente à pergunta. Como um círculo vicioso, o que vem ocorrendo na sociedade causa angústias e aflições em nossa vida. Esses sentimentos parecem nos levar a um poço sem fundo em que acreditamos não ter como mudar. Entretanto, praticamos a filosofia do ilimitado potencial humano e quando conseguimos mudar a nós mesmos, de forma genuína, visualizamos transformar a sociedade e todo o mundo.

No capítulo “Coragem e Sabedoria”, da Nova Revolução Humana, Ikeda sensei orienta:

[...] O movimento da Soka Gakkai conecta a busca indivi­dual da felicidade com os ideais da revolução, de forma harmoniosa e sem contradições, assim como a Terra faz a rotação em torno de seu próprio eixo ao mesmo tempo em que realiza a translação em torno do Sol.3


Exatamente um ano atrás, Ikeda sensei nos orientou, em mensagem alusiva à reunião de partida da Divisão dos Jovens da BSGI:

Cada dia vivido com esse nobre desafio se tornará o drama da juventude da nossa revolução humana. Tenham a absoluta convicção de que este desafio se expandirá como uma rede solidária de jovens capaz de transformar até mesmo a história do mundo.4


Acredito que a forma ideal de aplicar os incentivos do Mestre na prática visando 2030 é vencer em nossa revolução humana, diariamente, por meio de uma luta coletiva em nossa organização de base, transformando o próprio núcleo familiar, o bairro, a cidade e toda a sociedade. Onde existe um jovem com esse coração, existe esperança.

Carlos Eduardo, Minas Gerais: Camila, nossos pais e líderes falam muito sobre a relação de mestre e discípulo. Como tornar realidade essa relação tanto em minha vida como na organização? E qual o seu sonho para a Divisão dos Estudantes?
Camila:
Carlos, obrigada pela pergunta. Tudo o que foi construí­do na Gakkai teve como base a relação do discípulo com seu mestre. Quando nosso Ikeda sensei conheceu Josei Toda, ele não sabia nada sobre a filosofia budista em si, mas vendo a postura e o ideal de vida dele e ser humano de grande integridade, sentiu que poderia confiar nele.

O primeiro encontro de Josei Toda com o presidente Ikeda completa 75 anos em 2022. Posso dizer que foi um marco que mudou o rumo da humanidade, Carlos. Hoje, nós, como discípulos de Ikeda sensei, podemos seguir nesse caminho junto com ele. Respondendo à sua questão, acredito que podemos tornar real essa relação de mestre e discípulo nos tornando pessoas de caráter excepcional, inspirando e influenciando positivamente outras pessoas ao redor. Não só as pes­soas da nossa localidade, como todas aquelas com as quais nos relacionamos e que ainda não conhecem a filosofia budista, a Soka Gakkai e os Três Mestres Soka.     

E respondendo à sua última pergunta, meu sonho para Divisão dos Estudantes é que cada um, o Sucessor Ikeda 2030 deste Brasil, cresça de forma íntegra, muito feliz e forte junto com sua família e seus amigos, enquanto cria sonhos para o futuro. E que desfrute grande boa sorte pelo aprendizado com Ikeda sensei, que sempre nos incentiva a viver com o espírito de jamais sermos derrotados, dedicando-nos à recitação do gongyo e daimoku todos os dias.

Eduarda de Oliveira, Paraná: Monique, o dia 16 de março marca o ponto primordial da Divisão dos Jovens. Como manter vivo, no dia a dia, o espírito de juramento dessa data tão especial? E como transmitir esse sentimento para as futuras gerações?

Monique: Duda, quero agradecer à pergunta e a necessária reflexão que ela nos provoca neste significativo mês de março. Muito obrigada! O dia 16 de março é uma data histórica da Soka Gakkai e representa a transmissão do bastão espiritual do kosen-rufu do mestre para seus discípulos.

Ikeda sensei afirma:

O propósito do kosen-rufu (...) é uma batalha espiritual fundamentada no diálogo para unir pessoas, construir redes de esperança e do bem entre cidadãos do mundo e concretizar assim o ideal de uma família humana global pacífica.5

Nesse sentido, o 16 de Março representa o levantar das pessoas comuns, em especial dos jovens, com o compromisso de combater os males da época e promover a paz a partir de uma ação embasada no humanismo budista, no exato local em que se encontram. E essa é a essência a ser transmitida às futuras gerações.

Mais que uma data a ser comemorada, é o momento de realizar uma profunda reflexão sobre as ações cotidianas e renovar o juramento pelo kosen-rufu. Conforme aprendemos com os Três Mestres Soka, a força desse juramento é capaz de não apenas transformar o mundo, mas ser a fonte de energia, coragem e esperança tão necessária para que cada um de nós conduza o dia a dia com significado, produzindo valor em direção a uma mudança positiva da humanidade. Esse é o espírito que Ikeda sensei nos ensina ao longo de seus 94 anos: todos os dias são 16 de Março! Com esse mesmo espírito, chegou a vez de a geração atual da juventude Soka do Brasil se levantar e cumprir seu juramento ao mestre!

Por isso, convido você e aos jovens de cada canto do país a se unir a nós nesse movimento, levantando-nos no exato local em que estamos para despertar as pessoas ao redor para o caminho da felicidade. Vamos, juntos, escrever as próximas páginas da história da Divisão dos Jovens do Brasil?

Bruno Gujev, São Paulo: No ano que Ikeda sensei denominou “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”, como o jovem de 2022 pode se inspirar a ter esse progresso dinâmico em sua vida?

Monique: Excelente pergunta, Bruno! Como jovens, é muito importante refletirmos sobre como encarar cada dia deste ano de profundo significado. A vida de Nichiren Daishonin e a luta dos Mestres Soka nos ensinam que o progresso dinâmico acontece quando superamos grandes dificuldades. Se refletirmos sobre a situação da maioria das pessoas, em especial dos jovens em decorrência do cenário atual, viver cada dia é uma grande batalha contra impasses e preocupações. Acredito que a denominação “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico” seja exatamente por essa razão, pois os incomparáveis desafios da época são o combustível necessário para avançarmos grandes distâncias em nossa vida e na sociedade.

Em resumo, acredito que promover o progresso dinâmico, enquanto jovens, é dar significado a cada novo dia, manifestando a decisão de lutar contra as dificuldades, sem recuar um único passo, com base na prática da fé e nos incentivos de Ikeda sensei. Assim, nossos dias se tornam passos concretos para expandir nosso potencial ilimitado da vida e garantir a vitória em todos os aspectos.

Desejo que possamos viver este “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico” de forma intensa e com grande significado, fazendo dele o melhor ano da nossa vida.

 

12

No topo: representantes da DJ em atividade no Centro Cultural Campestre da BSGI (foto tirada antes da pandemia da Covid-19)

 

Notas:

1. Terceira Civilização, ed. 540, ago. 2013, p. 14)

2. Brasil Seikyo, ed. 2.410, 10 mar. 2018, p. B3.

3. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 14, p. 73, 2020.

4. Brasil Seikyo, ed. 2.556, 20 mar. 2021, p. 3.

5. Idem, ed. 2.394, 4 nov. 2017.

10-3-2022

Incentivo do líder

Qual a sua decisão?

O Dia 16 de Março, que brilha radian­temen­te na história da Soka Gakkai, é o ponto primordial do solene levantar dos discípulos. Mesmo com a saúde debilitada, Josei Toda, segundo presidente da nossa organização, reuniu 6 mil jovens heróis com bravo aspecto para transmitir seu legado e reafirmar que seria dos jovens a missão de liderar a luta pelo kosen-rufu. É o significativo mês na história e o momento para renovar nossas decisões e firmar nosso juramento seigan. O dia da cerimônia espiritual da passagem do bastão da realização do kosen-rufu do mestre para o verdadeiro discípulo [Daisaku Ikeda, que dois anos depois assumiria a presidência da organização] e aos jovens leões sucessores. A partir daquela data, iniciou-se um grande avanço, determinando o futuro da Soka Gakkai e da humanidade.

A época está se tornando cada vez mais turbulenta. Existe uma confusão entre o bem e o mal, e não se sabe distinguir a verdade. Estamos vivendo uma era na qual os conflitos e as guerras não cessam e as pessoas falam mal umas das outras. Uma luta pelo poder sem respeitar vidas, e a ausência de diálogo. Estamos no “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico” e é a época para definir o destino da humanidade. As dúvidas aparecem e ficamos nos questionando sobre o que fazer.

Em sua mensagem intitulada Um Coração Sempre Jovem e Repleto de Ilimitada Esperança, Ikeda sensei orienta:

Em tempos difíceis, o caminho Soka consiste em manifestar o “coração de um rei leão” e desafiar nossas circunstâncias com base na “estratégia do Sutra do Lótus” — ou seja, a fé na Lei Mística. Ao transformar nosso carma em missão e vencer todos os obstáculos, demonstrando o grande poder benéfico da Lei Mística. Convertemos o lugar onde nos encontramos neste exato momento no palco para o drama da alegria e do progresso dinâmico que se desenrola continuamente.1


E como forma concreta para manifestar toda a força, o Mestre conclui:

O fator determinante para extrair esse poder latente em nossa vida é a oração imbuída do profundo juramento pelo kosen-rufu. É recitar o rugido do leão do Nam-myoho-renge-kyo. E nos unir solidamente aos nossos companheiros com o espírito de “diferentes em corpo, unos em mente.2


Acompanhando a época e de olho nas mudanças sociais, torna-se essencial encontrar o caminho para mudar o destino da humanidade. Com base na prática da fé, unindo nosso coração pelo ideal da ampla propagação do Budismo de Nichiren Daishonin e o espírito de transformar qualquer situa­ção, vamos criar oportunidades para gerar um ambiente de felicidade plena.

Jaime Takenaka

Coordenador da Divisão Sênior de coordenadoria

Notas:

1. Brasil Seikyo, eds. 2.592 e 2.593, 31 dez. 2021.

2. Ibidem.

10-3-2022

Editorial

“Defesas da paz”

O coração da humanidade se entristece com o conflito armado que acontece no Leste Europeu. Diante desta e de outras situações, é natural que as pes­soas se perguntem: “O que podemos fazer?”.

Certa vez, uma jovem fez uma sincera pergunta como essa para Ikeda sensei. Ela queria saber como poderia contribuir para o kosen-rufu mundial. O Mestre respondeu:

 — Tudo começa ao incentivar sinceramente a pessoa que está diante de você. A partir daí, o caminho estará definitivamente aberto.1

O fato de incentivarmos outra pessoa transforma nossa comunidade, nossa terra e até o futuro. No preâm­bulo da Constituição da Unesco constam estas famosas palavras: “Uma vez que as guerras se iniciam na mente dos homens, é na mente dos homens que devem ser construídas as defesas da paz”.2

Ao receber o primeiro aniversário da grandiosa cerimônia do kosen-rufu, Toda sensei já não estava mais entre seus discípulos. O jovem Daisaku Ikeda então disse para alguns representantes da Divisão dos Jovens (DJ): “Vamos fazer do ‘16 de Março’ um eterno dia de comemoração no calendário do nosso movimento pelo kosen-rufu!”.3 A partir dessa ocasião, março passou a ser o mês de reconfirmar o juramento de conduzir a vida guiado pelo nobre ideal de propagar o budismo, a filosofia da esperança, a todas as pessoas.

O diálogo entre os líderes da DJ neste Brasil Seikyo revela como podemos pôr em prática, nos dias de hoje, a herança recebida no histórico 16 de março de 1958. Também desejamos que você, leitor, construa suas “defesas da paz” ao ler o ensaio de Ikeda sensei, no Encontro com o Mestre e as palavras do presidente da Soka Gakkai, Minoru Harada.

Vamos contribuir para a mudança do mundo, começando pela transformação de cada um, como sensei incentiva:

A mudança do curso da história da humanidade — em que a “paz” nada mais é do que um interlúdio entre guerras — irá requerer de cada indivíduo uma forte resolução interior, uma determinação de vida sincera de buscar sua essência, a humanidade inerente e transformar todo o seu ser. Na SGI, chamamos essa luta incessante pela renovação interior de “revolução humana”. É o esforço resoluto para construir “as defesas da paz” dentro do nosso próprio coração.4


Ótima leitura!

Notas:

1. Terceira Civilização, ed. 595, mar. 2018, p. 6.

2. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Constituição da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. In: Basic Texts [Textos Básicos]. Paris: Unesco, 2014. p. 5. 

3. Terceira Civilização, ed. 552, ago. 2014, p. 46.

4. Idem, ed. 405, maio 2002, p. 3.

 

10-3-2022

Encontro com o Mestre

Flores humanas desabrocham invencíveis diante das provações do inverno

DR. DAISAKU IKEDA

Estamos tendo um inverno especialmente rigoroso e com muita neve no Japão.

Nichiren Daishonin escreve: “Estou vivenciando os oito infernos gelados”.1 Ao suportar na própria pele os rigores de muitos invernos, ele compreendia as dificuldades que seus discípulos enfrentavam.

Louvando o espírito de procura e a sincera devoção de uma discípu­la [a monja leiga Konichi], que lhe enviara uma carta durante um inverno com nevascas particularmente intensas, Daishonin afirma: “Foi quase como uma mensagem do buda Shakyamuni ou de meus falecidos pais; não tenho palavras para expressar minha gratidão”.2 Também podemos interpretar essas palavras como uma manifestação da profunda gratidão de Nichiren Daishonin pelos nobres membros da nossa família Soka nas regiões cobertas de neve, os quais perseveram pelo kosen-rufu com dedicação inabalável.

Estou orando de todo o coração pela saúde, proteção, boa sorte e segurança dos nossos preciosos companheiros. Meus pensamentos vão, sobretudo, para nossos “heróis sem coroa” que entregam o Seikyo Shimbun, jornal diário da Soka Gakkai, bem como àqueles que trabalham nos setores agrícola e pesqueiro, os quais travam uma batalha constante com condições climáticas severas.

Quero expressar minha profunda gratidão aos profissionais da área da saúde e, de fato, a todos os que estão se empenhando dia e noite para salvar e proteger vidas em meio à pandemia da Covid-19, ainda em andamento.

Também estou orando dia­riamen­te pela felicidade eterna dos que perderam a vida ao longo destes dois últimos anos, em decorrência dessa crise mundial de saúde sem precedentes. Firmemos a promessa de fazer tudo o que pudermos para obter o controle sobre a situação o mais rápido possível e ultrapassar esta fase.

* * *

Lembro-me de um episódio que ocorreu numa tarde de chuva de granizo no começo do inverno, em novembro de 1950. Meu mestre, Josei Toda, e eu estávamos trabalhando incansavelmente para resolver seus problemas nos negócios. Ele se virou para mim e disse sorrindo: “É um mundo frio lá fora”.

Estávamos travando uma luta feroz, embora ambos padecêssemos de uma saúde debilitada. Minha situação pessoal era tal que não podia comprar uma camisa ou um par de meias novas, e nem sequer tinha um casaco para me proteger do frio.

Toda sensei prosseguiu: “Mas, Daisaku, nós dois nascemos no inverno.3 Podemos ultrapassar isso juntos. Conto com você!”. As palavras dele acenderam uma chama cintilante em meu coração.

Desbravamos o caminho lutando com todas as nossas forças contra aquela árdua adversidade até, finalmente, Toda sensei se tornar segundo presidente da Soka Gakkai em 3 de maio do ano seguinte (1951).

Há uma passagem dos escritos de Nichiren Daishonin em particular cuja veracidade ambos comprovamos em nossa vida. Gostaria de compartilhá-la mais uma vez com todos vocês, meus queridos amigos que estão enfrentando bravamente os desafios da vida, inclusive no trabalho e na vida pessoal, lidando com doenças, cuidando dos outros ou criando filhos: “Aqueles que creem no Sutra do Lótus parecem viver no inverno, mas o inverno nunca falha em se tornar primavera”.4

* * *

Fevereiro deste ano assinala o 8000 aniversário de nascimento de Nichiren Daishonin.5 Sua vida devotada a propagar a Lei Mística mesmo suportando adversidades é profundamente inspiradora.

Numa carta para seu jovem discípulo Nanjo Tokimitsu, ele transmite seu sentimento: “Desde que nasci até hoje, não conheci um único momento de tranquilidade; meu único pensamento tem sido propagar o daimoku do Sutra do Lótus [Nam-myoho-renge-kyo]”.6

Ele também escreve: “Além de acreditar nele, deve incentivar outros a fazer o mesmo. Assim poderá salvar aqueles que foram seus pais em todas as existências passadas”.7

Desde o início deste “Ano dos Jovens e do Progresso Dinâmico”, nossos jovens, preciosos sucessores, vêm realizando magníficos esforços para expandir o nosso movimento.

Tenho a certeza de que Daishonin ficaria muito feliz em ver o empenho corajoso desses jovens bodisatvas da terra, que estão propagando a Lei Mística compassivamen­te e proporcionando uma nova esperança e inspiração ao mundo.

* * *

A tradição da Soka Gakkai de fazer de fevereiro um mês de esforços renovados para difundir o Budismo Nichiren reveste-se do espírito de romper muralhas de gelo. Trata-se de um esforço pioneiro para acender a luz da esperança no coração daqueles que estão sofrendo, compartilhando nossa convicção de que “o inverno nunca falha em se tornar primavera”.8

No início da Campanha de Fevereiro9 há setenta anos (em 1952), orei profundamente para que cada membro do Distrito Kamata, sem exceção, experimentasse a transformação interior que chamamos de revolução humana e fortalecesse sua convicção na fé. Sabia que a alegria que sentissem como resultado disso conduziria ao cumprimento da nobre tarefa de compartilhar o Budismo Nichiren para selar o juramento de Toda sensei de concretizar 750 mil famílias.

Quando estabelecemos o objetivo de alcançar o aumento de duas novas famílias por unidade (atual bloco), alguns disseram que se tratava de algo impossível. “Como podemos afirmar ser impossível antes mesmo de tentar?”, respondi. “Por que não tentamos e verificamos primeiro?”

O que habilitaria os membros a dialogar corajosamente com outras pessoas? Toda sensei apresentou três passos claros: com­preensão, reconhecimento e ação. Em outras palavras, eles precisavam: 1) compreender que compartilhar o budismo era responsabilidade deles e não algo a ser delegado a outros, 2) reconhecer que fazer isso os permitiria mudar o carma, e 3) agir com base nessa convicção.10

Com isso em mente, assumi a liderança indo ao encontro de meus vizinhos no prédio e de outras pessoas próximas a mim. Sempre que ficava sabendo de uma oportunidade para esse tipo de diálogo, ia depressa com meus companheiros participar da conversa.

Alguns membros ficavam desapontados quando seus esforços não produziam os resultados que esperavam. Nessas ocasiões, todos nós enaltecíamos o empenho deles e assegurávamos que tudo o que realizavam estava consolidando a boa sorte em sua vida.

O simples esforço de falar a alguém sobre o budismo produz imenso benefício. Além disso, planta as sementes do estado de buda no coração da pessoa. Essa dedicação não passará despercebida pelos budas e bodisatvas do universo.

Portanto, devotei-me a encorajar calorosamente todos os que encontrava nas reuniões de palestra ou em qualquer outro lugar, para que cada membro avançasse com uma atitude positiva e otimista.

Conforme foram falando com uma pessoa após outra, antes que percebessem, constataram que haviam atingido o objetivo.

O ímpeto do Distrito Kamata crescia dia a dia, espalhando-se por todo o Japão. Havia uma infinidade de histórias de revitalização e boa sorte obtidas por parte daqueles que se converteram ao Budismo Nichiren. Em especial, um membro de uma família iniciante naquela época depois se tornou líder central do kosen-rufu nos Estados Unidos.

* * *

A energia da Campanha de Fevereiro também estimulou o desenvolvimento de nossa organização em Kansai, que se transformou num grande movimento popular prenunciando o alvorecer do esforço para concretizar o ideal de Daishonin de construir uma sociedade melhor.

Havia um livro que meus companheiros de Kansai e eu estimávamos como um tesouro inesquecível: o romance Revolução Humana, de Toda sensei — escrito com o pseudônimo Myo Goku. Ele me presenteou pessoalmente com um exemplar no dia 3 de julho de 1957, em meio ao Incidente de Osaka,11 cinco anos após a Campanha de Fevereiro.

Estava lutando resolutamente em Hokkaido para proteger a liberdade religiosa dos membros da Soka Gakkai no Incidente do Sindicato dos Mineradores de Carvão de Yubari.12 Assim que garantimos a vitória, tive de viajar imediatamen­te para Okasa para comparecer ao interrogatório na sede da Polícia da Província de Osaka.

Toda sensei veio ao meu encontro no Aeroporto de Haneda, em Tóquio, onde fiz a conexão, e me instou: “Vá e lute!”. Ao nos despedirmos, ele me entregou um exemplar do seu livro, publicado naquele dia para celebrar sua libertação da prisão em 3 de julho de 1945.

Eu o li no avião a caminho de Osaka. Despertou tremendamente minha coragem e acendeu a decisão de me empenhar com o mesmo e poderoso espírito de luta do meu mestre. Com isso, saí para enfrentar com bravura a adversidade de ser preso por uma acusação da qual era inocente.

Mais tarde, escrevi na folha de guarda do livro: “Recebido de meu mestre, Josei Toda, em 3 de julho de 1957”. Na parte interna da contracapa, inscrevi um poema de Yanagawa Seigan (1789–1858) sobre o general japonês do século 12 Minamoto no Yoshitsune, cuja base era em Kansai:


A neve se acumula sobre o chapéu de palha dela,

o vento açoita a barra

de seu manto.

O que sente o bebê

ao chorar clamando tão vigorosamente pelo

peito da mãe?

Anos mais tarde, no topo do perigoso penhasco

do Monte Tekkai,

ele reúne suas forças

com o mesmo

vigoroso clamor.13


O poema conta a história da dama Tokiwa, mãe de Yoshitsune, fugindo das forças adversárias Heike, com os três filhos pequenos, com a neve se avolumando sobre o seu chapéu de palha e o vento rasgando suas vestes. Pergunta o que o seu bebê, Yoshitsune, deve estar sentindo quando chora para ser alimentado.

Adiante, diz que, muitos anos depois, Yoshitsune se torna o general que lidera as tropas de Minamoto contra o clã Heike. Na Batalha de Ichinotani, ele derrota o inimigo comandando um ataque surpresa a partir do penhasco de Hiyodorigoe no Monte Tekkai. A voz com a qual ele emite a ordem de ataque é a do bebê que muito tempo atrás se aninhava no colo da mãe em meio à neve.

Esse poema expressava minha determinação de transformar a situação e emergir de maneira triunfante.

Quantas pessoas decentes, de bom coração, haviam sido levadas a sofrer pela natureza demoníaca da autoridade tirânica? Mas eu corrigiria esses erros! Empoderaria os jovens dedicados à verdade e à justiça que conheciam o sofrimento dos homens e mulheres comuns, construiria uma rede de corajosos leões que não se deixassem intimidar por dificuldade alguma, e faria a canção da vitória do povo ecoar ampla e longinquamente!

Os membros de Kansai assumiram para si a minha determinação e construíram a invencível fortaleza de ouro da Kansai de Contínuas Vitórias.

* * *

Na Índia, a cada fevereiro, os membros se dedicam à ação denominada por eles de “Campanha Kamata”, promovendo grandes progressos no movimento pelo kosen-rufu.

Há trinta anos, em 11 de fevereiro de 1992, dia do aniversário de Toda sensei, proferi uma palestra na capital indiana, Nova Délhi, sobre o movimento popular não violento instaurado por Mahatma Gandhi (1869–1948).14

Gandhi estava cumprindo sua sentença final de prisão na Índia, no fim da Segunda Guerra Mundial, ao mesmo tempo em que meu mestre se encontrava encarcerado por opor resistência às demandas do governo militarista do Japão.

Mahatma Gandhi acreditava que a oração é a luta para conquistar a si mesmo e a chave para vencer corajosamente a escuridão interior e o desespero.15

Hoje, membros da organização na Índia, berço do budismo, e ao redor do mundo, oram pela felicidade da humanidade alicerçados em nosso juramento pelo kosen-rufu. Mesmo em meio à pandemia da Covid-19, o coração dos membros da família Soka está conectado.

Na recente Reunião Nacional de Líderes (realizada no dia 6 de fevereiro em Kobe), o Coral Girassol da Divisão Feminina (DF) da província de Hyogo deu uma empolgante audição com as mais amadas canções da Soka Gakkai de nossos membros do Brasil, que possuem laços profundos com Hyogo e Kansai. Foi um motivo de grande alegria para eles.

Representantes da Divisão dos Estudantes (DE) e da Divisão dos Jovens (DJ) de Hyogo também emocionaram os espectadores com sua maravilhosa interpretação de Dainanko (O Grande Herói Kusunoki).16

Cantei com fervor essa canção, com transbordante espírito de verdade e de justiça, diante do meu mestre muitas vezes em minha juventude. Senti-me imensamente gratificado e seguro por essa apresentação dos nossos jovens sucessores, que personificam a expressão “azul mais azul do que o próprio índigo”.17

Tanto Makiguchi sensei como Toda sensei apreciavam e sublinharam esta passagem dos escritos de Nichiren Daishonin: “Para que as orações sejam eficazes e os desastres desapareçam da nação, três elementos são requeridos: um bom mestre, um bom praticante e um bom ensinamento”.18

Unidos pelo supremo laço de mestre e discípulo e pelo espírito de “diferentes em corpo, unos em mente” (itai doshin), concretizemos nossas orações por nossa própria vida e pelo kosen-rufu e transformemos em remédio o veneno das grandes dificuldades que a sociedade e o mundo ora enfrentam. Dando continuidade ao desejo de Toda sensei de eliminar a miséria da face da Terra, vamos abrir o caminho para a materialização de um mundo realmente pacífico e próspero, pautados pelos princípios de afirmação da vida preconizados pelo Budismo Nichiren.

Pessoas de bom discernimento de todos os lugares expressam profunda confiança e esperança em nossos jovens cidadãos globais Soka.

Com calorosa solidariedade e vibrante energia vital, conclamo-os a romper as espessas muralhas de gelo do coração das pessoas e da sociedade e a tornar realidade a primavera da paz e da dignidade para todos. Desabrochando como belas e resilientes “flores humanas”, consolidem progressos dinâmicos cada vez maiores!

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Cerejeira Kanhi em plena floração na encosta cercada pelo verde. A flor escarlate parece dizer: “É primavera, hora de acender a chama da vida!” (foto tirada por Ikeda sensei no Centro de Treinamento de Okinawa, Japão, fev. 2000)

 

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Peônias, consideradas a monarca de todas as flores — seu brilho é como o sorriso dos amigos da SGI de todo o mundo (foto de Daisaku Ikeda, Tóquio, Japão)

No topo: visita do presidente Ikeda e de sua esposa, Kaneko, à Índia, imbuídos do juramento pelo “retorno do budismo para o oeste” (Nova Délhi, Índia, fev. 1992)


Notas:

1. Oito infernos gelados: Segundo a cosmologia budista e indiana da antiguidade, situam-se sob o continente de Jambudvipa, próximos dos oito infernos escaldantes. Seus habitantes são atormentados por um frio insuportável. Cf. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 222, 2014.

2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 38, 2019.

3. O presidente Josei Toda nasceu em 11 de fevereiro de 1900, e o presidente Ikeda, em 2 de janeiro de 1928.

4. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 560, 2014.

5. Nichiren Daishonin nasceu em 16 de fevereiro de 1222.

6. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 231, 2019.

7. Ibidem.

8. Idem, v. I, p. 560, 2014.

9. Campanha de Fevereiro: Em fevereiro de 1952, o presidente Ikeda, que na época atuava como consultor do Distrito Kamata de Tóquio, iniciou uma dinâmica campanha de propagação. Com os membros de Kamata, ele quebrou o recorde do mês anterior de cerca de cem novas famílias, convertendo 201 novas famílias ao Budismo Nichiren.

10. Cf. Traduzido do japonês. TODA, Josei. Toda Josei Zenshu [Obras Completas de Josei Toda]. v. 1. Tóquio: Seikyo Shimbunsha, 1981. p. 74.

11. Incidente de Osaka: Episódio em que o presidente Ikeda, na época coordenador da Secretaria da Divisão dos Jovens, foi detido e acusado erroneamente de violações à lei eleitoral num pleito suplementar para a Câmara dos Vereado­res em Osaka em 1957. No fim do processo judicial, que se prolongou por mais de quatro anos, ele foi totalmente absolvido de todas as acusações em 25 de janeiro de 1962.

12. Incidente dos Mineradores de Carvão de Yubari: Um caso gritante de discriminação religiosa, no qual mineradores em Yubari, Hokkaido, foram ameaçados de perder o emprego por ser membros da Soka Gakkai.

13. Traduzido do japonês. ITO, Nobu. Yanagawa Seigan-ou [Gifu: Yanagawa Seigan-ou]. Itoku-kensho-kai, 1925. p. 93.

14. A convite do Gandhi Smriti and Darshan Samiti (Gandhi Memorial Hall), o presidente Ikeda proferiu uma palestra intitulada “Rumo a um Mundo sem Guerras - Gandhismo e o Mundo Atual”.

15. Cf. GANDHI, Mahatma. The Collected Works of Mahatma Gandhi [Coletânea de Obras de Mahatma Gandhi]. Nova Délhi: The Publications Division, Ministry of Information and Broadcasting, Government of India, v. 38, p. 247-248, 1970.

16. Dainanko [O Grande Herói Kusunoki]: A canção descreve a comovente despedida entre o brilhante estrategista militar do século 14, Kusunoki Masashige (+1336), e seu filho, Masatsura. Quando o pai parte para a batalha, seu jovem filho declara que o acompanhará, pronto a morrer ao seu lado. Mas o pai pede ao filho que permaneça e viva para dar continuidade às suas aspirações. Dainanko é a canção, muitas vezes, entoada na Soka Gakkai como expressão do espírito de unicidade de mestre e discípulo.

17. Cf. The Writings of Nichiren Daishonin [Os Escritos de Nichiren Daishonin]. v. I. Tóquio: Soka Gakkai, v. II, p. 809.

18. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 143.

Publicado no jornal Seikyo Shimbun, de 21 de fevereiro de 2022.

10-3-2022

Frase da Semana

Frase da Semana

Em vez de procurar justificar por que não é possível fazer, desafie-se, determinando que conseguirá realizar. Para cumprir seu juramento, seja corajoso! Seja sábio!

Dr. Daisaku Ikeda

Publicada no jornal Seikyo Shimbun em 8 de março de 2022.

10-3-2022

Discurso do presidente da Soka Gakkai, Minoru Harada

“Vamos irradiar a brilhante luz da esperança na sociedade e na comunidade local!”

MINORU HARADA

PRESIDENTE DA SOKA GAKKAI

Sinceros parabéns pela realização da 7ª Reunião de Líderes e da Convenção de Hyogo! (...)

Em 1995, Ikeda sensei visitava os Estados Unidos em sua jornada pela paz e, pensando nos companheiros de Kansai que haviam acabado de sofrer o grande terremoto de Kobe (ou grande terremoto Hanshin), afirmou: “Nossos grandiosos amigos de Kansai, apesar de sua própria situação difícil, estão indo ao encontro das pessoas e oferecendo contínuos incentivos”. “Ninguém supera uma pessoa que cuida de outra e con­tinua incentivando os amigos.”

De fato, o aspecto invencível dos amigos de Hyogo e de Kansai resplandece hoje como a esperança do mundo. Sinceros parabéns, companheiros de Hyogo!

Este ano marca o 70º aniversário da Campanha de Fevereiro que deu origem ao “tradicional mês do shakubuku”. Passados nove meses da posse de Toda sensei como segundo presidente da Soka Gakkai, quando lançou o desafio de concretizar 750 mil famílias, a propagação não avançava como esperado e o máximo de conversões de um distrito não passava de cerca de cem famílias por mês. Com o intuito de abrir o caminho da ampla propagação, quem assumiu a liderança como consultor do Distrito Kamata, em fevereiro de 1952, foi Ikeda sensei, que estava com 24 anos. Ele concretizou efetivamente a conversão de 201 famílias no distrito e rompeu de forma extraordinária a barreira que impedia o avanço, acelerando o progresso dinâmico da Soka Gakkai rumo às 750 mil famílias.

De que modo essa luta histórica que marcou os anais do kosen-rufu foi promovida? Um líder do Distrito Kamata, que lutou junto com Ikeda sensei na época, deixou seu depoimento.

Para promover o shakubuku, o presidente Ikeda ensinou três pontos fundamentais aos companheiros de Kamata.

1. Shakubuku começa com a oração.

2. Shakubuku começa pela vizinhança.

3. Shakubuku é realizado compartilhando relatos de experiência.

Todos esses pontos foram postos em ação pelo próprio Ikeda sensei. Quando analisamos mais profundamente cada um desses três itens, não podemos deixar de ficar impressionados por condensar claramente a essência da “prática da fé da revolução humana” e da “prática da fé do kosen-rufu”.

Além disso, quando sensei anunciou a meta de concretizar duzentas famílias naquele mês, esse companheiro imaginou ser um número inalcançável e acabou afirmando que isso não era possível. Então, nosso mestre imediatamente respondeu de forma calorosa: “Deixe que eu realize!”. Assumir para si a responsabilidade e não delegar a alguém são o ponto de partida de todas as lutas.

Dentre os membros, houve aqueles que debocharam dizendo que Ikeda sensei estava lançando algo fora da realidade. Contudo, ao ouvir isso, afirmou serenamente: “Deixe que eu tornarei isso rea­lidade!”. Ele efetivamente o fez, demonstrando a prova real por meio de resultados. Que firmemos mutuamente a decisão de aprender e seguir os passos dessa luta exemplar do presidente Ikeda.

Passados setenta anos, nós estamos enfrentando agora uma barreira chamada pandemia do coronavírus.

Certa