RD
Construindo um Futuro Brilhante Baseado no Juramento
há 3 anos
Criando juntos inspiradoras histórias para as futuras gerações
Série de incentivos escrita pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, para a Divisão dos Estudantes Esperança e Herdeiro
Daisaku Ikeda
19/06/2023

Os irmãos Ikegami — parte 2 (final)
Há um bastão que desejo passar para vocês, meus jovens sucessores da Divisão dos Estudantes, corredores da justiça: o bastão da paz e dos direitos humanos que foi transferido do Mestre para o discípulo no mês de julho.
Às 19 horas, no dia 3 de julho de 1945, meu mestre, Josei Toda, foi libertado da prisão após dois anos. Ele e seu mestre, Tsunesaburo Makiguchi, foram presos pelas autoridades militares japonesas durante a 2ª Guerra Mundial. Herdando o espírito de Makiguchi, que faleceu na prisão em defesa de suas convicções, Toda sensei levantou-se só com o intuito de lançar um movimento popular de revolução humana.
Em Osaka, na mesma data e por volta do mesmo horário, doze anos mais tarde (1957), eu também fui preso sob falsas acusações [esse episódio ficou conhecido como Incidente de Osaka].1 Foi uma tentativa da natureza maligna do poder de obstruir o progresso da Soka Gakkai, que estava avançando a passos largos rumo à concretização do ideal de Nichiren Daishonin de “estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra”.
Quando fui libertado, em 17 de julho, depois de duas semanas de intensos interrogatórios, Toda sensei e vários companheiros da organização me recepcionaram no ginásio municipal de Nakanoshima. O prédio de tijolos vermelhos foi o local do Encontro de Osaka, onde nos reunimos para nos pronunciar em defesa da verdade e da justiça.
Uma faixa em frente ao recinto proclamava os ditos de Daishonin contidos na Carta para os Irmãos, que compartilhei com vocês na edição anterior: “Se a propagarem [esse ensinamento], demônios surgirão sem falta. Se isso não acontecesse, não haveria maneira de saber que esse é o ensinamento correto”.2
O budismo consiste em vencer. A gloriosa história da Soka Gakkai tem sido uma epopeia de intrépida superação de tempestades de adversidades e de pavimentação do caminho da paz e da felicidade para todas as pessoas.
***
Os irmãos Ikegami, Munenaka e Munenaga, enfrentaram forte oposição do pai, Yasumitsu, que deserdou duas vezes o primogênito Munenaka. Foi em meio a esses desafios que eles receberam de Nichiren Daishonin a Carta para os Irmãos, que os encorajava para que não fossem derrotados. Os irmãos, juntamente com suas esposas, uniram-se solidamente e ultrapassaram todos os obstáculos, conseguindo, finalmente, levar o pai a abraçar os ensinamentos de Daishonin.
Funções da maldade infalivelmente surgem quando progredimos no caminho da fé. Elas buscam dividir as pessoas, como no caso dos irmãos Ikegami, semeando a desunião.
Makiguchi sensei advertiu que indivíduos corruptos e inescrupulosos tendem a se unir e possuem uma capacidade astuta de se fortalecer cada vez mais. Alertou também que, se as pessoas boas e honestas permanecerem isoladas e desconectadas, a sociedade se tornará um lugar obscuro e perigoso. Por essa razão, reiterou ele, aqueles que defendem o bem devem se unir.3
A união dos bons e justos vencerá o mal e a injustiça.
Desejando que os irmãos Ikegami e suas respectivas esposas se mantivessem fortemente unidos, Daishonin continuou lhes oferecendo palavras de encorajamento e orientação, como “[…] devemos ser mestres da nossa mente em vez de permitir que ela nos domine”.4
Permitir que nossa mente nos domine significa ter uma mente fraca, que muda constantemente e que nos governa e influencia. Em contrapartida, “ser mestre da nossa mente” significa prevalecer sobre nossa fraqueza interior fazendo da Lei Mística a nossa base.
O Budismo Nichiren e nossos mestres da fé nos mostram o caminho para nos tornarmos mestres da nossa mente e triunfarmos na vida. Os membros da Soka Gakkai estão seguindo em frente nesta nobre estrada, encorajando-se mutuamente. Por isso, em vez de ficarem preocupados e sofrerem sozinhos, quando se depararem com obstáculos, sentem-se diante do Gohonzon e recitem Nam-myoho-renge-kyo resolutamente. Iniciem seus esforços a partir da sincera oração. E então, vão ao encontro de seus companheiros e, apoiando uns aos outros, empenhem-se para superar seus problemas com coragem, sabedoria e otimismo.
Daishonin também expressou: “Não importando que problema ocorra, considere-o simplesmente como um sonho e concentre-se no Sutra do Lótus [Nam-myoho-renge-kyo]”.5 Em outras palavras, aconteça o que acontecer, pensem nisso apenas como um sonho, abracem a Lei Mística e prossigam em seus esforços em prol do kosen-rufu.
Uma árvore robusta com raízes sólidas não tombará, mesmo em face da tempestade mais furiosa. De modo semelhante, aqueles que desenvolvem fortes e profundas raízes da fé ficarão bem, mesmo que, às vezes, fiquem ansiosos ou percam a confiança. Jovens que recitam Nam-myoho-renge-kyo em todas as situações sempre acham um caminho para seguir.
Vencer é tão importante quanto não ser derrotado por sua fraqueza interior. A melhor forma de lapidar o caráter e extrair o seu potencial é encarar a derrota com a renovada determinação de ser bem-sucedido na próxima vez.
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Ao centro, Lawrence Carter e Daisaku Ikeda apreciam a vista do alto do Auditório Memorial Makiguchi (Japão, set. 2000). Foto: Seikyo Press
O líder dos direitos civis americano, Dr. Martin Luther King Jr. (1929–1968), dedicou sua vida para combater o mal da segregação e concretizar o sonho de consolidar a união solidária do bem devotada em promover a paz e a harmonia. O Dr. King foi fortemente influenciado por seu mestre, Benjamin E. Mays, que exerceu a presidência da sua alma mater, a Faculdade Morehouse (Atlanta, nos Estados Unidos).
O Dr. Lawrence E. Carter, decano da Capela Internacional Martin Luther King Jr., herdou o espírito desses dois grandes homens, mestre e discípulo, e disseminou a mensagem deles no mundo todo. Ele também é membro do Conselho de Administração da Universidade Soka da América.
Certa vez, o Dr. Carter compartilhou os seguintes versos de um poema [O Homem que Pensa que Pode, de Walter D. Wintle] com os alunos das escolas Soka do Japão do ensino fundamental II e médio:
Se pensar que será derrotado, você será;
se pensar que não se atreverá a fazer, não o fará;
se tiver o desejo de vencer, mas pensa que não pode,
é quase certo que não conseguirá.
Se pensar que perderá, perdido está,
pois, neste mundo afora, descobrimos que
o sucesso começa com a intenção;
tudo está contido na disposição do espírito.6
Vocês, meus queridos membros da Divisão dos Estudantes que abraçaram a Lei Mística ainda muito jovens, têm o Nam-myoho-renge-kyo, a espada preciosa que lhes assegura a vitória absoluta!
Daishonin louvou os irmãos Ikegami por sua união e fé resolutas dizendo: “Poderia haver uma história mais maravilhosa do que a de vocês [que será narrada pelas futuras gerações]?”.7
Haja o que houver, nunca devem abandonar o Gohonzon ou se afastar da Soka Gakkai. Espero que se mantenham conectados à família Soka, participando das reuniões de palestra, das atividades da Divisão dos Estudantes e de outras maneiras.
Pensando em seus maravilhosos companheiros ao redor do mundo, enquanto recitam daimoku imbuídos do juramento de alcançar a vitória suprema, enfrentem com coragem as tarefas diante de vocês, uma a uma.
Os esforços constantes e tenazes de continuar avançando durante a juventude como corredores da justiça iluminarão o caminho para si e para os outros e servirão de inspiração para as gerações futuras.
Fonte: Traduzido da série de incentivos do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, sobre os discípulos de Nichiren Daishonin da edição de julho de 2019 do jornal Mirai (Futuro), publicação mensal da Soka Gakkai voltada para a Divisão dos Estudantes Esperança e Herdeiro.
No topo: Presidente Ikeda recebe flores de um Estudante (Japão, mar. 1977). Foto: Seikyo Press.
Notas:
1. Episódio ocorrido em junho de 1957, no qual o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, na época coordenador da secretaria da Divisão dos Jovens, foi preso e acusado falsamente de violar a lei eleitoral no pleito suplementar da Câmara de Vereadores de Osaka. No fim do processo judicial (25 de janeiro de 1962), que se arrastou por mais de quatro anos, ele foi inocentado de todas as acusações.
2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 524, 2020.
3. MAKIGUCHI, Tsunesaburo. Makiguchi Tsunesaburo Zenshu (Coletânea de Obras de Tsunesaburo Makiguchi). Tóquio: Daisanbunmei-sha, v. 6, p. 69, 1983.
4. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 525, 2020.
5. Ibidem.
6. WINTLE, Walter D. Poems that Live Forever (Poemas que Vivem para Sempre). Nova York: Doubleday, p. 310, 1965.
7. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 522, 2020.
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