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Conheça o Budismo

Brasil Seikyo

Datas Comemorativas

Datas Significativas

11 • Perseguição de Komatsubara (1264)

18 • Dia da Fundação da Soka Gakkai e publicação do Soka Kyoikugaku Taikei [Sistema Pedagógico de Criação de Valor] de Tsunesaburo Makiguchi (1930)

• Falecimento de Tsunesaburo Makiguchi (1944)

• Inauguração do Auditório do Grande Juramento pelo Kosen-rufu (Daiseido) (2013)

28 • Convenção Brasil Monarca do Mundo (2010)

4-11-2021

Incentivo do líder

“Respira fundo... e vai”

Atualmente, tenho visto pes­soas desanimarem da prática budista e, em alguns casos, pedirem afastamento das suas funções na nossa organização. Qual será a causa para essa situação?

Acompanhar uma pessoa por meio das visitas é importante. Mas que tipo de visita devemos fazer? Nossa missão como líder é orientar a pessoa a recitar daimoku, contudo, penso que precisamos esclarecer-lhe “com qual sentimento no coração estamos fazendo a prática ou devemos orar”. Isso fará toda a diferença, ou seja, se a pessoa faz daimoku pensando somente no problema em vez de entender por que está nessa situação e qual sua decisão para mudar, dificilmente consegue enxergar as várias soluções possíveis. No Gosho Carta para Niike consta a seguinte passagem:

Quando observo o que as pessoas estão fazendo, percebo que, embora professem a fé no Sutra do Lótus e se agarrem fortemente aos rolos de seus textos, suas ações contrariam a intenção do sutra e, portanto, se autocondenam aos maus caminhos.1


Portanto, precisamos melhorar nossas atitudes, direcionando-as para nossa revolução humana. Quando visitamos alguém para incentivá-lo, não basta perguntar se está tudo bem e já começar cobrando mais participação e resultados.

É preciso entender o contexto da situa­ção que a pessoa está enfrentando. Para isso, podemos começar perguntando, por exemplo, como está a saúde, o relacionamento familiar, a situação profissional ou sobre os estudos, e se a pessoa visitada já sabe qual a expectativa dela para este último trimestre e os objetivos para 2022.

Com uma pequena mudança em nosso coração, cria-se uma relação de amizade e companheirismo, cercado de empatia e esperança. Visitar somente por protocolo ou por estatística não cria valor. Nas visitas, não necessitamos falar muito, ter diversas reuniões, participar de vários grupos, mas precisamos ser felizes onde estivermos — esse é o objetivo da nossa prática da fé e da nossa organização.

Estudando o budismo, aprendemos sobre “bom amigo” (zentishiki). O bom amigo conduz outra pessoa à prática do budismo. O presidente Ikeda nos encoraja: “Concentrem-se em se tornar excelentes pessoas. Quanto melhores vocês se tornarem, melhores serão os amigos que encontrarão um dia”.2

Em outro incentivo, ele frisa:

Assim como Daishonin ensina, nós também aprimoramos nossa vida e realizamos nossa revolução humana ao enfrentarmos as dificuldades e ao combatermos e derrotarmos as forças negativas. É dessa forma que manifestamos o estado de buda. Vamos agir determinados para o fato de que, quanto mais ferozes as tempestades de críticas e ofensas, mais avançamos com vigor e mais fortalecemos nossa união, aprofundamos a fé e despertamos nossa coragem.3

Que possamos reavaliar nossa conduta e finalizarmos 2021, “Ano da Esperança e da Vitória”, como dignos campeões! Depende de cada um de nós selar a nova era em nossa vida.

Adolfo Kenji Ito

Vice-coordenador de coordenadoria


Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 293, 2017.

2. Brasil Seikyo, ed. 1.588, 20 jan. 2001.

3. Idem, ed. 2. 231, 14 jun. 2014.

4-11-2021

Encontro com o Mestre

Vencer as dificuldades é a fonte da felicidade indestrutível

Com forte fé, podemos suplantar qualquer adversidade, transformando-a em oportunidade para revelar o estado de buda que existe dentro de nós. Neste Encontro com o Mestre, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, oferece incentivos para impulsionar nossa transformação por meio da prática do Budismo de Nichiren Daishonin para vivermos plenamente

DR. DAISAKU IKEDA

Ao explanar o princípio de “quanto mais forte a fé, maior a proteção das forças positivas do universo”, Nichiren Daishonin declara:

Digo isso para o seu próprio bem. Sei que sua fé sempre foi admirável, mas, agora, deve fortalecê-la mais do que nunca. Somente assim as dez filhas demônios a protegerão ainda mais.1

Por mais que tenhamos nos esforçado no passado, é importante o desafio que assumiremos a partir de agora. Precisamos edificar uma fé mais forte do que a que tínhamos antes. As divindades celestiais, ou funções benevolentes do universo, nos protegerão se procedermos dessa forma. O surgimento dos “três poderosos inimigos” e dos “três obstáculos e quatro maldades” — de qualquer tipo de adversidade — é simplesmen­te um teste para a nossa fé, neces­sário para que manifestemos o estado de buda.

Por esse motivo, fortalecer ainda mais nossa crença é o caminho para superar as dificuldades e triunfar. Ao agirmos assim, não haverá adversidade que não possamos vencer. Como Daishonin afirma, “Por acreditarmos unicamente no Sutra do Lótus, podemos penetrar na torre do tesouro do Gohonzon”.2 Abraçar o Gohonzon do Nam-myoho-renge-kyo e nos empenhar para realizar o kosen-rufu nos permite entrar no mundo do estado de buda, que é o palácio da felicidade existente em nossa própria vida, onde quer que estejamos ou quaisquer que sejam nossas circunstâncias. Não temos motivo para nos preocupar, e nada temer.

Nichiren Daishonin declara: “Inde­­­pen­­dentemente de quantos inimigos terríveis os senhores enfrentem, livrem-se de todo o medo e jamais recuem”.3

Gravem profundamente no coração a recomendação de Daishonin de que não devemos nos sentir amedrontados e nunca abandonar nossa fé.


Adversidades são fonte de orgulho

Meu mestre, segundo pre­sidente da Soka Gakkai, Josei Toda, sempre incentivava os jovens a ler, especialmente obras literárias célebres. Ele repreendia severamen­te os que não liam. Se nos flagrasse lendo revistas sem nenhum valor positivo, ficava furioso. Lembro-me de que, na minha juventude, li avidamente as obras de Eiji Yoshikawa (1892–1962), autor de livros épicos como Romance dos Três Reinos e Musashi.

Yoshikawa certa vez disse a um rapaz de situação privilegiada algumas palavras marcantes que me acompanharam a vida toda.

Você é um jovem desventurado, porque não há infortúnio maior do que ver coisas belas demais e ter acesso à cozinha requintada demais desde tão moço. É triste ver esmaecer a sensibilidade — a habilidade de perceber a alegria como alegria — de um jovem.4


Aqueles que na juventude são cercados de todos os tipos de conforto, protegidos e mimados, não carecem de nada ou nunca enfrentam nenhuma dificuldade, não são, de forma alguma, felizes ou afortunados. São, de fato, os mais desventurados, pois não conseguem se desenvolver como indivíduos grandiosos.

A ausência de dificuldades não significa felicidade. A verdadeira felicidade e a alegria na vida repousam em não sermos derrotados pelas adversidades, em nos levantar novamente quando caímos, em suportar e sobrepujar obstáculos.

Dificuldades são inevitáveis. Nossa prática do Budismo Nichiren nos fornece o empoderamento para construir um forte eu capaz de encarar com bravura as provações, possibilitando-nos desafiar todas as situações com espírito positivo e enxergando-as como oportunidades de crescimento. Aqueles que possuem esse espírito de luta vencem no final.

Budismo é razão

A prática assídua do budismo faz florescer uma felicidade inigualável na vida, resultante do acúmulo de benefícios inconspícuos. Isso condiz com a razão; o budismo baseia-se na razão.

É por esse motivo que Daishonin nos instrui, repetidas vezes, a manter a prática budista por toda a vida, sem nunca desistirmos ao longo do caminho nem desviarmos da órbita da fé, não importando o que aconteça.

Uma vida sem esforço e de­safio, livre de obstáculos, pode parecer tranquila e agradável, mas, tal como uma criança que nunca foi exposta ao ar livre, cresce frágil e fraca. Uma vida, um espírito que nunca foi testado ou aprimorado não consegue alcançar a verdadeira felicidade, que só pode existir no coração de uma pessoa de forte e sólida identidade, capaz de superar confiantemente qualquer coisa.

Nesse sentido, sermos capazes de nos treinar enfrentando repetidas dificuldades é fonte de felicidade. E, mais que tudo, nossa prática budista dedicada à realização do kosen-rufu nos lapida para que tenhamos uma felicidade diamantina.

Quanto mais exercitarmos corpo, cérebro e espírito, mais fortes nos tornaremos, mais nos aperfeiçoaremos e maior será o potencial que manifestaremos. Sem exercícios, decaí­­mos rapidamente, com o risco de adoecer facilmente. Da perspectiva médica, isso é mais que natural.

No campo da fé, também. É somente desafiando-nos em meio às adversidades que atingiremos um estado de felicidade absolutamente indestrutível.

Nichiren Daishonin afirma: “As dificuldades surgirão, e estas devem ser consideradas como [paz e tranquilidade]”.5

O âmbito do kosen-rufu — no qual concebemos as dificuldades como paz e tranquilidade, como uma medalha de honra, e avançamos enquanto vencemos todos os obstáculos — é o “solo” no qual se cultivam e se desenvolvem pessoas de caráter verdadeiramente nobre.

Esse é o grandioso caminho para a construção da paz duradoura e, como Daishonin instrui, é a estrada soberana pela qual o ensinamento do budismo está sendo amplamente propagado.

Discurso do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, publicado no Brasil Seikyo, ed. 2.301, 28 nov. 2015.

 

flores

Foto tirada pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda. A orquídea exala sua fragrância e beleza, assim como o Budismo de Nichiren Daishonin transforma nossa vida quando o colocamos em prática (Japão, maio 2007)

No topo: presidente da SGI e fundador do Colégio Soka, Dr. Daisaku Ikeda, junto com os estudantes, em momento descontraído. Para ele, os estudantes são considerados tesouros do futuro. (Tóquio, 1970)

Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 642, 2016.

2. The Writings of Nichiren Daishonin. Tóquio: Soka Gakkai, v. I, p. 832.

3. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 415.

4. Traduzido do japonês. Yoshikawa Eiji to Watashi [Eu e Eiji Yoshikawa]. Tóquio: Kodansha, 1992. p. 248.

5. The Record of the Orally Transmitted Teachings [Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, p. 115.

4-11-2021

Especial

Jornada épica rumo ao centenário em 2030

REDAÇÃO

O início

Em 1903, aos 32 anos, Tsunesaburo Makiguchi publicou, pouco antes da Guerra Russo-Japonesa, a obra Jinsei Chirigaku [Geografia da Vida Humana]. A mentalidade da sociedade japonesa da época pode ser simbolizada pela atitude de sete famosos acadêmicos do Japão, da Universidade Imperial de Tóquio, que fizeram uma petição ao governo para que endurecesse sua postura com a Rússia, inflamando ainda mais a população à guerra. Já Makiguchi, professor desconhecido, enfocava a comunidade local, mas com a consciência de cidadania global. Aos 42 anos, Makiguchi foi nomeado diretor de uma escola de ensino fundamental em Tóquio, e durante os vinte anos seguintes desenvolveu os trabalhos de algumas das mais notáveis escolas públicas de Tóquio.

Uma das maiores influências do pensamento de Makiguchi foi o filósofo americano John Dewey, em cuja ideologia ele se baseou para criar uma mudança no sistema educacional japonês. Franco defensor da reforma educacional, Makiguchi se encontrava sob constante vigilância e pressão das autoridades.

Em 1928, aos 57 anos, Makiguchi conheceu o budismo e sentiu que havia encontrado nessa filosofia os meios pelos quais poderia concretizar os ideais que buscara durante toda a vida — um movimento pela reforma social por meio da educação.

Em 18 de novembro de 1930, Tsunesaburo Makiguchi e seu discípulo, o também professor Josei Toda, publicaram o primeiro volume do livro Soka Kyoikugaku Taikei [Sistema Pedagógico de Criação de Valor]. Eles decidiram chamar a editora de Soka Kyoiku Gakkai [Sociedade Educacional de Criação de Valor], que se tornou a instituição precursora da Soka Gakkai [Sociedade de Criação de Valor], e formaram um grupo para empreender atividades educacionais e religiosas.

Makiguchi pretendia publicar doze volumes da obra. O primeiro foi lançado em 1930; o segundo em 1931; o terceiro em 1932; e o quarto em 1934. Os oito volumes seguintes jamais foram publicados. Dez anos se passaram desde o lançamento do quarto volume até o falecimento de Makiguchi na prisão, em 1944. O ponto de vista do educador passou por uma grande mudança nesse período por ter se convertido ao Budismo de Nichiren Daishonin. Seu interesse por essa filosofia era tão grande que começou a se dedicar totalmente às atividades da Soka Gakkai. Nela, ele via a possibilidade de propagar seus ideais humanísticos em prol da educação.

Criação de valor

Em 1935, o estatuto da Sociedade Educacional de Criação de Valor ficou pronto. O artigo 1o estabelecia seu nome e o artigo 2o estipu­lava que seus objetivos estavam voltados para as pesquisas relacionadas à “criação de valor”, ao desenvolvimento de professores altamente capacitados e à reforma do sistema educacional do país.

Então, em julho de 1936, o primeiro dos seminários foi promovido pelo grupo e, em 1937, Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e mais de cinquenta pessoas realizaram uma cerimônia no Auditório Meikei de Tóquio, marcando novo começo para a organização, instituindo assim oficialmente a Soka Kyoiku Gakkai. Iniciou-se também um grande movimento de propagação do Budismo Nichiren com a realização de reuniões de palestra, que logo se tornaram uma atividade tradicional da organização.

Em 1940, foi promovido um segundo encontro. A organização havia atingido o número de quinhentas famílias, sendo necessária uma revisão em seus estatutos. Tsunesaburo Makiguchi foi nomeado presidente, e Josei Toda, diretor-geral. Nessa época, eclodiu a Segunda Guerra Mundial com a invasão da Polônia pelos nazistas. As tropas do Japão também avançavam, invadindo a China e a Coreia.

Makiguchi criticou abertamente a política dos governantes japoneses de unificar todos os ensinamentos ao xintoísmo, religião oficial do governo.

Como consequência, em junho de 1943, os líderes da Soka Gakkai foram convocados pelos clérigos a prestar esclarecimentos. Nessa ocasião, o clero sugeriu que os membros da organização acatassem a decisão do governo e abraçassem “provisoriamente” o talismã xintoísta. Makiguchi ficou indignado com essa proposta que feria totalmente o espírito do Budismo de Nichiren Daishonin. Em vista disso, todas as atividades da Soka Gakkai passaram a ser vigiadas pela Polícia Especial de Segurança.

Tsunesaburo Makiguchi não se intimidou e isso resultou na prisão dele, de Josei Toda e de vários líderes da organização, acusados de violar a Lei da Preservação da Paz e de desrespeitar os santuários xintoístas. Devido à pressão, somente Makiguchi e Josei Toda se mantiveram firmes e irredutíveis. Makiguchi foi enviado para a prisão de Sugamo e submetido a interrogatórios, sendo privado de todos os direitos, até de escolher o próprio advogado, sofrendo diversos tipos de dificuldades. Debilitado pela desnutrição, no dia 17 de novembro de 1944, ele pediu aos carcereiros que o transferissem para o ambulatório da prisão, onde logo entrou em coma e faleceu por volta das 6 horas da manhã do dia 18 de novembro de 1944, aos 73 anos.

Novo passo para a Soka Gakkai

Após ser libertado da prisão, em 3 de julho de 1945, Josei Toda deu continuidade aos ideais de Tsunesaburo Makiguchi, reformulando e construindo a base da organização, que passou a se chamar Soka Gakkai. Ele assumiu sua presidência em 3 de maio de 1951 e se engajou em amplo movimento de expansão do Budismo Nichiren no Japão, convertendo 750 mil famílias antes de falecer em 2 de abril de 1958.

Com o falecimento de Josei Toda, alguns duvidavam de que a Soka Gakkai sobrevivesse, mas a determinação e o empenho de seu discípulo, Daisaku Ikeda, fizeram com que as dúvidas se dissipassem do coração dos companheiros, devolvendo-lhes esperança e dando novo impulso à organização.

Em 3 de maio de 1960, Daisaku Ikeda assume a terceira presidência da Soka Gakkai. A data simboliza a unicidade de mestre e discípulo e o espírito primordial do Budismo Nichiren. Decidido a impulsionar o kosen-rufu mundial, no mesmo ano ele parte rumo ao exterior para estruturar a organização e estreitar os laços de amizade entre os povos — missão que vem sendo cumprida até hoje —, levando a filosofia budista para 192 países e territórios.

Em um discurso, Ikeda sensei diz:

Era 18 de novembro de 1930, uma terça-feira. Tsunesaburo Makiguchi, aos 59 anos, com o apoio de seu discípulo Josei Toda, na época, com 30 anos, publicou Soka Kyoikugaku Taikei. A criação da Soka Gakkai foi uma corajosa declaração pela eterna transmissão da Lei, revitalizando o fluxo do ensinamento correto e das doutrinas do Budismo de Nichiren Daishonin numa época em que estes se dispersaram. A unicidade de mestre e discípulo é eterna. O caminho da revolução humana ensinado pela Soka Gakkai possibilitou às pes­soas, uma após a outra, despertar e fincar vigorosamente raízes no lamaçal da sociedade como altivos budas. Essas pessoas incorporam a Lei Mística, fazendo com que a nobreza da vida desabroche com toda a magnificência.1

Neste momento em que comemoramos os 91 anos de fundação da Soka Gakkai, é hora de reconfirmarmos nossa determinação de corresponder aos ideais de Ikeda sensei e construirmos uma vida vitoriosa, contribuindo para a sociedade como pessoas valorosas, rumo ao centenário da organização em 2030.

Nota:

1. Terceira Civilização, ed. 507, nov. 2010, p. 5.



Fontes:

Brasil Seikyo, ed. 2.346, 5 nov. 2016, p. A3.

Idem, ed. 1.793, 30 abr. 2005, p. A7.

Idem, ed. 1.770, 6 nov. 2004, p. A6.

Terceira Civilização, ed. 393, maio 2001, p. 2.

Vamos escalar juntos o Monte Everest do kosen-rufu

Neste discurso, presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, comenta sobre o centenário da Soka Gakkai, a ser comemorado em 2030

Dr. Daisaku Ikeda

Na Reunião Nacional de Líderes [realizada em 25 de abril de 2001], sugeri que lançássemos nosso próximo grande objetivo para o ano 2030 — centenário de fundação da Soka Gakkai.

O pico do kosen-rufu é elevado. A Soka Gakkai chegou enfim à metade do caminho em sua escalada do Monte Everest do kosen-rufu. E sou profundamente grato pelo fato de ter chegado até aqui junto com todos vocês.

Vamos desfrutar uma longa existência e seguir para o topo dessa montanha com alegria, esperança e forte comprometimento, com o objetivo de concluir as bases do kosen-rufu. Apesar de alguns terem falecido no curso dessa jornada, eles atingirão o estado de buda e renascerão rapidamente. E como a vida e a morte são inseparáveis, eles continuarão a lutar pelo kosen-rufu como nossos eternos companheiros da fé.

A primeira difícil escarpa do século 21 está bem diante de nós. As pessoas que conseguirem subir essa escarpa, e vencerem esse desafio, serão vitoriosas em todas as batalhas. Os próximos anos serão muito importantes. Agora estou criando com seriedade o impulso para a vitória total da Soka Gakkai. Vamos deixar registrada uma história magnífica!

Gostaria que os jovens, com a força e a paixão inatas, adornassem essa ocasião conquistando uma admirável vitória pela causa do bem.

Não há felicidade maior que participar de uma significativa batalha. Essa é também uma maneira rápida de transformar o carma. Dos grandes desafios surgem os grandes benefícios. Toda sensei sempre dizia: “Gostaria que enfrentássemos perseguições maiores!”; “Será que não há alguma batalha maior para empreendermos?”. Makiguchi sensei possuía o mesmo espírito. E eu também.

A Lei budista é impressionante e insondável. Quanto maiores os esforços que empreendermos pelo kosen-rufu, maiores a força e a energia que surgem em nós. Nossa vida ficará transbordante de ricos benefícios.

Somente com esses incansáveis esforços construiremos uma base sólida e duradoura capaz de direcionar não apenas o Japão, mas também a humanidade. (...) Os que possuem um grandioso poder não são aqueles que detêm uma posição de autoridade, tampouco as pessoas famosas na sociedade. [O escritor francês] Victor Hugo (1802–1885) sempre conclamava aos seus concidadãos insistindo que não se considerassem pessoas sem importância. Ele os incentivava a demonstrar para os adversários a força colossal das pessoas despertas. (...)

Fonte:

Trechos do discurso proferido pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, na 6ª Reunião Nacional de Líderes da Soka Gakkai, realizada no dia 21 de maio de 2001 no Auditório Memorial Toda de Sugamo, em Tóquio, em conjunto com a 2ª Convenção Nacional da Divisão Feminina e com a reunião geral das regiões de Kyushu, Chugoku e Okinawa; e publicado no Brasil Seikyo, ed. 2.149, 29 set. 2012, p. B2.

4-11-2021

Relato

Crescer inspirada no Mestre

Conheci o Budismo de Nichiren Daishonin por intermédio de uma amiga, Tatiane Kruschefes. Ela já havia me falado sobre essa religião, mas meu coração ainda não tinha sido tocado. Num momento em que meu marido e eu atravessávamos grandes dificuldades, decidi participar das reuniões. Nos primeiros encontros, estudávamos sobre os “dez estados de vida”, que são dez condições diferentes de vida, conhecidas hoje como os “dez mundos”, e foi assim que me apaixonei pelos ensinamentos e pelas atividades da Gakkai.

A partir daqueles estudos, aprendi a não culpar os outros pelas minhas adversidades e a encará-las. Na época, meu marido e eu chegamos a nos separar, devido às diversas dificuldades. Quando isso aconteceu, eu o culpei pelo meu sofrimento, porém, com o budismo, compreendi que precisava transformar meu coração para que tudo ao meu redor se transformasse também. Retomei meu relacionamento e sigo aprendendo a cada dia. Em dezembro de 2014, no Centro Cultural Campestre (CCCamp), recebi meu Gohonzon. Estava grávida e não sabia.

Em 2019, assumi como responsável pela Divisão Feminina (DF) do Bloco Veneza e, desde essa ocasião, tenho várias oportunidades de representar Ikeda sensei onde ele não está. Reflito: “Qual deve ser minha postura para apoiar aos membros?” e “Qual seria a postura do meu mestre diante desta situa­ção?”. Entre tantos cuidados com os membros, nós lhes enviamos individualmente convites para as atividades, conversamos com eles para saber como se sentem e se estão conseguindo recitar daimoku e gongyo.

Revolução humana

Desde criança, tinha dificuldades de me concentrar durante a leitura, por isso era comum eu desistir de ler. Em 2020, com isolamento social devido à pandemia, defini algumas metas a ser alcançadas. Pensava: “Afinal, quando teríamos a oportunidade de aproveitar alguns dias para dedicar a algo?”. Na época, resolvi me dedicar a ler, na verdade, a ouvir. Em razão da dificuldade de me concentrar, fui incentivada pela Tatiane, e conheci os audiolivros. Ela me indicou diversas obras, e ouvir livros se tornou algo maravilhoso!

Na Comunidade Palmares, surgiu a ideia de gravarmos trechos da obra Nova Revolução Humana (NRH), a fim de popularizar os incentivos de Ikeda sensei entre os nossos membros. Uma oportunidade única, pois todos os que fazem parte da localidade se desafiam na leitura para gravar um trecho da NRH. A gravação serve também como incentivo para aqueles que não sabem ler ou que não conseguem por causa da idade avançada. Periodicamente, discutimos os trechos utilizados com um líder convidado. Essa iniciativa deu origem a um grande movimento de leitura na comunidade.

Sem me dar conta, a partir da prática de ouvir os audiolivros e das gravações, desenvolvi o hábito de ler, obtendo melhor concentração na leitura. Como consequência, cresci profissionalmente e, na organização, passei a apresentar algumas matérias em nossas reuniões de palestra, nas quais muitas vezes utilizo podcasts e “Incentivo do Dia” do BS+.

Que sensação incrível conseguir ler as obras escritas pelo buda Nichiren Daishonin e pelos Três Mestres Soka (Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e Daisaku Ikeda)! São textos extremamente atuais; até parece que foram escritos ontem! Precisamos ler para aprender e pôr essas diretrizes e ensinamentos em prática no nosso dia a dia.

Entre tantas preciosas orientações, percebi quanto o presidente Ikeda é um homem de sabedoria, de atitude e possui um coração grandioso. Em momentos tão difíceis, algumas vezes doente, ele sempre encontrava forças para participar das atividades e incentivar os membros. Ele me inspira!

Sei que sou humana e tenho altos e baixos, mas jamais deixarei de ser grata e lutar em prol da Gakkai e das pessoas. Essa é a minha decisão! Aprendi, lendo e ouvindo a NRH, a sempre refletir: “O que meu mestre espera de mim?”; “Ele aprovaria tal atitude da minha parte?”.

Agradeço ao nosso mestre; aos meus amigos e veteranos, que me incentivam diariamente; à minha filha, por ser uma companheira de luta e por orar junto comigo. Agradeço também por ela poder crescer na Gakkai, conhecendo os ensinamentos budistas e participando dos grupos horizontais; e ao meu marido, que, mesmo ainda não sendo convertido, está envolto pela boa sorte do nosso daimoku. Agradeço ainda pelas dificuldades, porque nelas eu enxergo a oportunidade de transformar veneno em remédio.

Estudando o budismo, aprendi a moldar minha conduta em relação a vários aspectos da vida. Lendo a NRH, aprendi a encarar as dificuldades, assim como a dialogar e zelar pelo próximo, mesmo nos meus momentos mais desafiadores e sem duvidar da vitória, como o trecho do escrito de Daishonin que diz:

Eu e meus discípulos, ainda que ocorram vários obstáculos, desde que não se crie a dúvida no coração, atingiremos naturalmente o estado de buda. Não duvidem, mesmo que não haja proteção dos céus. Não lamentem a ausência de segurança e tranquilidade na vida presente.Embora tenha ensinado dia e noite a meus discípulos, eles nutriram a dúvida e abandonaram a fé. Os tolos tendem a esquecer o que prometeram quando chega o momento crucial.1

Vanessa Antonialli Dauber, 38 anos. Professora de educação física. Responsável pela DF do Bloco Veneza, Comunidade Palmares, RM Santo André, CGSP.

familia

Vanessa com seu esposo e filha


Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v, I, p. 296, 2014.

4-11-2021

Notícias

Aplicativo a favor do verde

REDAÇÃO

Em ação conjunta, Instituto Soka Amazônia (ISA), Fundação Rede Amazônica (Fram) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) promoveram um ciclo de diálogos, iniciado em maio e encerrado em grande estilo nos dias 20 e 21 de outubro. O 6º Seminário Águas da Amazônia foi transmitido via internet, mas também contou com participação presencial, seguindo todos os protocolos de segurança recomendados pelos ór­gãos de saúde. Entre os presentes estavam Marcya Lira, secretária executiva do Fram; Dra. Denise Gutierrez, coordenadora de tecnologia social do Inpa; e Akira Sato, presidente do ISA.

Integrante da programação da 18a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, cujo tema estabelecido para 2021 foi a “Transversalidade da Ciência, Tecnologias e Inovações para o Planeta”, o 6º Seminário Águas da Amazônia procurou discutir justamente os três aspectos centrais do tema à questão das águas amazonenses. Como especialistas, foram convidados Thiago Terada, CEO da Águas de Manaus, empresa responsável pelo abastecimento hídrico, coleta e tratamento de esgoto da capital; e o Dr. Sávio Ferreira, pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.

Thiago Terada explanou sobre a busca de eficiência na gestão dos recursos hídricos na área urbanizada do município, assunto de grande interesse nacional. Já o Dr. Sávio discorreu sobre o efeito da expansão urbana da cidade de Manaus nos igarapés, e ressaltou alterações consideráveis nesses cursos d’água, comparando informações coletadas entre aqueles que ficam próximos às áreas urbanizadas e os que ficam mais distantes.

Tree Earth

Na ocasião, foi lançado também o aplicativo Tree Earth, parceria entre o ISA, VS Academy, Faculdades Idaam e Fram, cuja principal funcionalidade é, via geolo­calização, monitorar o plantio e o desenvolvimento de mudas plantadas ou apoiadas pelo ISA. Vicente Tino, CEO da VS Academy, idealizador do aplicativo, revela que o projeto foi desenvolvido a partir da necessidade do Instituto Soka Amazônia de apresentar à sociedade os resultados dos esforços empreendidos no plantio das mudas. Tino nos conta também que o projeto avançou tanto que ganhou outras funcionalidades, como calcular a emissão de gás carbônico do usuá­rio a partir dos seus hábitos.


Veja no BS+

Notícia comple­ta sobre o lançamento do aplica­tivo Tree Earth em:

https://app.brasilseikyo.com.br/conteudo/999559914/instituto-soka-amazonia-lanca-aplicativo

4-11-2021

Rede da Felicidade

Vencer a si mesmo

Em janeiro de 1963, Shin’ichi Yamamoto [pseudônimo do Dr. Daisaku Ikeda na obra Nova Revolução Humana] viaja com uma comitiva de líderes da Soka Gakkai para os Estados Unidos. Em Honolulu, ele participa da fundação do Distrito Havaí, transmitindo importantes e calorosos incentivos aos pioneiros da organização na região

DR. DAISAKU IKEDA

No início da noite foi realizada a reunião de fundação do Distrito Havaí no auditório da escola primária Kaewai, em Honolulu, com a presença de aproximadamente quatrocentos associados. Shin’ichi entrou no recinto acenando para todos os presentes e, em seguida, agradeceu pela calorosa recepção.

No auditório havia um grande palco onde foram colocadas cadeiras para os dirigentes e uma mesa coberta de tecido branco para os palestrantes, o que dava um aspecto imponente ao recinto. Shin’ichi subiu ao palco e, junto com os jovens, começou a descer as cadeiras.

Ele disse:

— Vamos realizar a reunião desta noite deixando de lado as formalidades. Todos nós somos iguais perante o Gohonzon. Assim, vamos ficar todos no mesmo nível. Por favor, desçam também a mesa. Como a reunião não é muito grande, as pessoas que sentarem no fundo não terão dificuldade de ver os palestrantes. Todos somos companheiros da família Soka, somos uma família mundial. Por isso não devemos criar diferenças entre nós.

Depois de tudo arrumado, Shin’ichi disse:

— Vamos começar a nossa reunião com muita alegria.

Após as palavras dos representantes da comitiva, foi anunciada a fundação do Distrito Havaí e em seguida a nomeação de seus dirigentes. (...)

Com a fundação do distrito, a organização foi ampliada de duas para oito comunidades. Os membros do Havaí se desenvolviam rapidamente. Na primeira visita de Shin’ichi, uma senhora chamada Katsue fez a seguinte pergunta a Katsu Kiyohara logo depois da reunião de palestra: “Se eu recitar daimoku, poderei ficar mais alta?”. Ela tinha estatura baixa e depois que se mudou para o Havaí, casando-se com um militar americano, começou a sofrer um forte complexo de inferioridade, pois a maioria dos havaianos eram altos. Ao encontrar-se com Kiyohara, que também era baixa, sentiu que poderia falar sobre o seu problema.

Quando Shin’ichi ficou sabendo da pergunta de Katsue, pediu que lhe transmitisse a seguinte recomendação: “Embora esteja preocupada com sua estatura, a senhora será certamente muito feliz mantendo o mesmo aspecto”.

Ao ouvir essas palavras, Katsue ficou um pouco decepcionada: “Mesmo recitando daimoku, existem algumas orações que não podem ser respondidas...”

Agora, nesta segunda visita de Shin’ichi, ela continuava, naturalmente, com a mesma estatura. Porém, crescera tanto na prática da fé como na disposição de prestar assistência às suas companheiras a ponto de ser nomeada uma das responsáveis pela comunidade.

Na reunião de fundação do Distrito Havaí, após a apresentação dos novos dirigentes e as palavras de decisão de seus representantes, Shin’ichi dirigiu-se ao microfone:

— Quero inicialmente dar os parabéns a todos por esta partida com a fundação do Distrito Havaí. Esta ilha é a terra em que assinalei o meu primeiro passo no movimento pelo kosen-rufu mundial. Por isso, espero que se empenhem junto comigo na ampliação do kosen-rufu e pela felicidade de todos como pioneiros desse movimento no mundo. Os senhores concordam?

A princípio, somente os membros que entendiam o japonês responderam com um “Hai!” (Sim!, jap.) e bateram palmas. Porém, quando Masaki traduziu as palavras de Shin’ichi para o inglês, toda a plateia respondeu com voz mais vibrante e as palmas foram mais intensas.

— Quando entrei na Soka Gakkai, havia apenas sete jovens. Ao vê-los, pensei: “Vou criar um dia a maior organização de jovens do mundo. Mesmo que ninguém o faça, eu a criarei sem falta”. Selei esse juramento ao presidente Toda em meu coração. Passados alguns anos, contamos atualmente com 560 mil membros na Divisão Masculina de Jovens e um pouco menos na Divisão Feminina de Jovens. Portanto, em pouco tempo, conseguimos formar a maior organização de jovens dentro do Japão. Quando existe uma pessoa que atua com seriedade e firme consciência de sua missão, tudo se desenvolve. Quero dizer a todos que a nossa atividade de propagação é um sublime ato de benevolência que ensina às pessoas o mais correto modo de vida, embasado no supremo ensino do budismo. Nossas ações visam, acima de tudo, à felicidade de cada um. Por essa razão, quando atuamos nesse sentido podemos criar boas amizades e um círculo de confiança entre as pessoas. Além disso, a propagação do ensino é o mais nobre exercício budista pelo qual podemos realizar a nossa revolução humana. Isso é possível porque a propagação se inicia com o ato de vencer a si mesmo, de superar a fraqueza interior e as dificuldades imediatas da vida.

Shin’ichi continuou a incentivar os companheiros havaianos.

– Quando nos empenhamos em falar sobre o budismo para os amigos, nosso coração se enche de alegria, elevamos nosso nível de vida e a missão como bodisatva da terra começa a pulsar em nosso espírito. Além disso, a propagação é a forma mais eficaz de promover a transformação do destino e a construção da paz e da felicidade perenes em nosso mundo. Por isso, desejo que uma grande bandeira da propagação do budismo seja hasteada pelos senhores aqui no Havaí. Porém, isso só é possível se criarem uma forte união. Hoje, o Sr. Mitsuru Kawa­kami foi nomeado responsável pelo Distrito Havaí. Se houver alguém que não concorde com essa indicação, por favor, levante o braço.

Naturalmente, não houve nin­guém que discordasse. Todos estavam felizes com a nova partida e dispostos a corresponder aos incentivos de Shin’ichi.

— Muito bem. Sinto-me agora mais tranquilo. Nichiren Daishonin nos ensina sobre a prática da fé, dizendo o seguinte: “Confie na Lei, não nas pessoas”.1 Portanto, a base fundamental de nossa fé é a Lei. E para concretizar o sublime objetivo do kosen-rufu devemos impulsionar as atividades com a firme e forte união de todos os companheiros. Se existir entre os senhores pessoas que não se simpatizem com seus dirigentes ou que reclamam por serem mais veteranos na prática da fé do que eles, e que por isso merecem ser dirigentes, estarão trocando a base fundamental, que é a Lei, pelo sentimentalismo em relação às pessoas. Essa atitude é um comportamento infantil de quem está sendo derrotado pela própria fraqueza, como também é o comportamento de pessoas que se desviaram do correto caminho da prática da fé. No final, criarão a própria infelicidade. Ao contrário, se os senhores apoiarem o dirigente central, serão da mesma forma protegidos pelos outros. Esta é a lei de causa e efeito. Por outro lado, as pessoas que se tornaram dirigentes devem agir com humildade e sem prepotência, procurando sempre cuidar da melhor forma dos seus membros. Os dirigentes existem justamente para se dedicar aos companheiros, oferecendo-lhes assistência, pois todos os que lutam pelo kosen-rufu são budas e bodisatvas da terra. E a boa sorte que poderão acumular é proporcional ao empenho com que incentivam os associados. Em todo caso, os senhores devem manter a confiança e o respeito mútuo por serem companheiros, cobrindo por outro lado as falhas de cada um. Desta forma, poderão criar uma forte união e multiplicar suas forças. Na escritura consta: “Se o espírito de ‘diferentes em corpo, unos em mente’ prevalecer entre as pessoas, elas alcançarão todos os seus objetivos, ao passo que se o espírito de ‘unos em corpo, diferentes em mente’ predominar, não conseguirão obter nada digno de nota”.2 Portanto, se os senhores atuarem unidos em prol do kosen-rufu, tudo se transformará em grande vitória. Com esta disposição desejo que avancem para criar um novo alvorecer na vida de cada um.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

 

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Membros pioneiros da Soka Gakkai no Havaí unidos para promover o kosen-rufu em sua localidade

 

Fonte:

IKEDA, Daisaku. Broto. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 7, p. 86-91.

Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. Editora Brasil Seikyo: São Paulo, v. I, p. 105, 2016.

2. Ibidem, p. 646.

Reger o seu universo

Durante a sua viagem ao Havaí, em 1963, Shin’ichi Yamamoto incentiva Emiko Haruyama, uma das líderes da organização nos Estados Unidos, sobre como encarar as dificuldades

— Emiko, como estão os membros na América?

Procurando as palavras certas, ela apenas conseguiu dizer:

— O que eu sinto é que a América é demasiadamente extensa... Essas palavras exprimiram todo o seu sentimento em não poder obter um resultado expressivo por mais que se esforçasse.

Shin’ichi respondeu-lhe sorrindo:

— Isso eu já sei. Entretanto, do meu ponto de vista, por mais que a América seja um país muito extenso, é como se fosse o jardim de minha casa. O mais importante é criar um elevado padrão de vida. Se você olhar um muro de pedra do nível do chão, terá a impressão de ser muito alto. Contudo, se o observar da janela de um avião voando pelos céus, não passará de uma minúscula saliência. Da mesma forma, com a mudança do padrão de vida, o modo de sentir e ver também muda. As dificuldades se transformam em desafios a serem superados com alegria e tranquilidade. A fonte dessa mudança é a recitação do daimoku com seriedade e forte determinação. Quando conseguir isso atuando ao mesmo tempo com coragem, conseguirá ter uma nova visão e derrubar a barreira que você mesma criou dentro de seu coração. O Nam-myoho-renge-kyo é a grande Lei que rege o nosso universo, e você será capaz de reger o seu universo.

Ao ouvir essas palavras, Emiko percebeu imediatamente que estava sendo derrotada pelo rigor da realidade devido à sua estreita visão, e não pelo fato de a América ser um grande país. Ela pensou consigo mesma: “O presidente Yamamoto não considera os Estados Unidos como um país distante. O que existe é a distância entre o meu pensamento e o dele”. Ela sentiu como se uma névoa estivesse se dissipando diante de seus olhos.

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ilustração retrata Shin’ichi Yamamoto dialogando com Emiko Haruyama.

 

No topo: ilustração retrata Shin’ichi Yamamoto incentivando os companheiros durante a reunião de fundação do Distrito Havaí (Honolulu, jan. 1963)


Fonte:

IKEDA, Daisaku. Broto. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 7, p. 82 e 83.

4-11-2021

Caderno Nova Revolução Humana

Perseverança e coragem

PARTE 65

O tempo dado para as palavras de cumprimento de Shin’ichi Yamamoto não chegou a dez minutos.

Até agora, nessas convenções, Shin’ichi lançava diretrizes da esperança e planos de sua grande aspiração pelo kosen-rufu. Também não foram poucas as vezes que anunciou propostas que indicavam meios para solucionar temas enfrentados pela sociedade e pelo mundo. Além disso, em sua maneira de falar, dialogando individualmente com cada participante e com um humor na medida certa, ora transmitia a todos uma sensação de aconchego, ora provocava grandes gargalhadas, e juntos vieram solidificando a decisão pelo novo avanço. Porém, essa convenção estava muito formal, sem qualquer ligação de vida a vida.

Após os cumprimentos de Shin’ichi, houve um discurso especial do sumo prelado Nittatsu, e então se passou para os cumprimentos do novo diretor-geral, Kazumasa Morikawa, e depois, do novo presidente, Kiyoshi Jujo.

Jujo relatou a decisão contida em seu coração de se esforçar para realizar um desenvolvimento estável, contínuo e constante sobre a sólida base edificada até então pelos três sucessivos presidentes.   

A convenção foi concluída conforme a programação.

Com certeza, nesse momento, os sacerdotes perversos do clero que caluniaram quase enlouquecidamente a Soka Gakkai e tramavam dominar os adeptos e os vigaristas ardilosos que agiram pelas costas estavam rindo com atroz satisfação: “Tudo ocorreu conforme o planejado. Está feito!”. Shin’ichi conseguia enxergar muito bem a imagem real da ruína daqueles que se tornaram presas da inveja e dos desejos. 

Ao andar pelo corredor após deixar o ginásio de esportes, algumas pessoas que estavam no campo, como uma senhora que carregava seu bebê nas costas, perceberam a presença de Shin’ichi, e correram para perto da cerca do campo, gritando: Sensei! Sensei!. Não eram participantes da convenção. Deviam ter ficado muito tempo do lado de fora aguardando, com a esperança de poder encontrá-lo, mesmo de relance. Em seus olhos, lágrimas brilhavam.

Shin’ichi acenou e disse:

— Obrigado! Cuidem-se!

Foi um encontro que durou apenas um instante. Mas aí havia a profunda junção de almas, que nunca mudará, independentemente do que aconteça. Havia a verdadeira ligação da Soka Gakkai.

“Quem protegerá de agora em diante estas nobres pessoas, os filhos do Buda verdadeiramente bons e honestos? Quem os fará felizes? Vou protegê-los sem falta, até o fim!”

Shin’ichi renovou sua decisão de proteger estritamente os membros.



PARTE 66

Após se despedir dos sacerdotes, a começar pelo sumo prelado Nittatsu, Shin’ichi Yamamoto entrou numa sala e solicitou à sua esposa, Mineko, que providenciasse papel japonês, tinta em carvão sumi e pincel. Nesse dia que registrava um marco na história da Soka Gakkai, ele queria deixar inscrito em forma de caligrafia seu juramento e seu sentimento aos discípulos.

Ele já tinha decidido os ideogramas que estariam na caligrafia.

O grande pincel com sumi correu vigorosamente pelo papel branco, fazendo um som como se estivesse arranhando-o.

Taizan (“Grande Montanha”)

Ele escreveu abaixo: “Orando para que meus amigos tenham uma prática da fé inabalável perante as tempestades”; “Registrado em 3 de maio de 1979, na Universidade Soka, após a cerimônia”.

Em janeiro de 1950, quando o empreendimento do seu mestre, Josei Toda, se encontrava em situa­ção extremamente crítica, Shin’ichi compôs um poema intitulado Orando ao Fuji.

Em um trecho desse poema constam os versos:

Dentro da casa em chamas

Da maior cobiça e avareza

do século

Vivo sem me apegar

à aparência externa da ostentação

Não temo críticas e ataques

Eu louvo o distante Fuji.

Naquele momento, em seu coração, o Monte Fuji sobrepunha-se à imagem imponente e heroica do seu venerado mestre, Josei Toda, que, buscando viver em prol do kosen-rufu, permanecia inabalável diante das tempestades de calúnias e de difamações.

Na caligrafia Taizan (“Grande Montanha”) estava contido o brado da alma de Shin’ichi:

“A Lei Mística é eternamente indestrutível. Nós, que vivemos até o fim pelo kosen-rufu, temos uma ilimitada esperança. Tal qual uma grande montanha, devemos permanecer inabaláveis por mais vio­lentas que sejam as tempestades. Existe necessidade de temer a algo? A Soka Gakkai manteve a ação de ‘devoção abnegada pela propagação da Lei’, conforme afirmado por Nichiren Daishonin. A organização veio avançando vestindo a armadura da perseverança. Mestre e discípulos Soka vieram vencendo em tudo por meio desta fé inabalável”

Shin’ichi correu o pinceu mais uma vez:

Oozakura (“Grande Cerejeira”).

Então, registrou logo abaixo, na lateral:

“Orando para que os benefícios dos meus amigos desabrochem com toda a exuberância”; “Dia 3 de maio de 1979. Na Universidade Soka. Unindo as mãos em reverência”.

Shin’ichi desejou com sinceridade: “Independentemente da árdua provação à qual seja exposto, a lei de ‘causa e efeito’ do budismo é rigorosa e absoluta. Avancem tendo no coração a ‘Grande Cerejeira’ Soka”.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

4-11-2021

Especial

Uma vida dedicada ao ser humano

REDAÇÃO

Da infância sem perspectiva para o educador comprometido com o desenvolvimento de seus alunos e também fundador da Soka Gakkai, organização que, em 18 de novembro, completa 91 anos. Nesta edição, apresentamos o legado de Tsunesaburo Makiguchi na área da educação.

Quem foi Tsunesaburo Makiguchi?

Antes de falarmos sobre as realizações de Makiguchi sensei na área da educação, vamos conhecer sua vida. Nascido no dia 6 de junho de 1871, na Vila de Niigata, no Japão, recebeu o nome de Tyoshiti Watanabe. De família muito humilde, pouco antes dos 3 anos foi abandonado pelo pai, Tyomatsu, e depois pela mãe, Ine. O tio Tendayu Makiguchi foi quem o criou, e do qual adotou o sobrenome Makiguchi. Sempre que podia, sua mãe o visitava; até que, um dia, quando passeavam pela praia, ela tentou acabar com a própria vida junto com a vida do filho, Tyoshiti, no mar, triste por ter de viver longe dele. Os dois foram salvos, mas nunca mais ele voltou a encontrar a mãe.

Ao completar 15 anos, Tyoshiti foi morar com outro tio, chamado Shiroji Watanabe, na cidade de Otaro. O tio era muito pobre e não tinha como colocá-lo na escola. Então, desde cedo, o jovem teve de trabalhar para ajudar nas despesas da casa. Seu chefe gostou muito dele e, quando foi transferido para Sapporo, levou-o consigo. Lá, conseguiu estudar e, aos 22 anos, formou-se professor e mudou seu nome para Tsunesaburo. Em 1894, casou-se com a jovem Kuma e tiveram oito filhos, quatro meninas e quatro meninos.

Tempos depois, ele se mudou para Tóquio. Em outubro de 1903, publicou sua grande obra, Jinsei Chirigaku [Geografia da Vida Humana]. Em 1919, conheceu Josei Toda na Escola Primária Nishimachi, onde Makiguchi era diretor. Entre os anos de 1924 e 1932, Makiguchi sofreu muito, pois perdeu quatro de seus filhos. Então, em junho de 1928, com 57 anos, converteu-se ao Budismo de Nichiren Daishonin. Josei Toda se converteu junto com seu mestre e, assim, fundaram a Soka Kyoiku Gakkai em 18 de novembro de 1930 (leia matéria na edição 2.586, de 6 de novembro de 2021).

Em 1940, com o início da guerra, o governo japonês obrigou os líderes da Soka Gakkai a abandonar o budismo e a praticar o xintoísmo. Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda não aceitaram essa imposição do governo e foram presos. Na época, Makiguchi tinha 72 anos. Em 17 de novembro de 1944, sentindo o corpo muito fraco e cansado devido à desnutrição, Makiguchi pediu para ser levado à enfermaria. Colocou seu traje de cerimônias e, mesmo debilitado, caminhou até lá. Por volta das 6 horas da manhã do dia 18 de novembro de 1944, ele faleceu, aos 73 anos. Seu discípulo, Josei Toda, saiu da prisão no ano seguinte, herdando o espírito do seu mestre e reconstruindo a Soka Gakkai.



O educador Makiguchi

Em 1930, Makiguchi expressou numa carta a um amigo: “Políticas educacionais recentes, bem como professores de salas de aula, tornaram-se completamente burocráticas e indiferentes, destruindo o propósito integral da educação. Isto põe o futuro do Japão em grave risco”.1

Sempre preocupado com a educação, Makiguchi sensei visua­lizava em seus alunos o grande potencial para a transformação da sociedade. Nos dias frios do inverno, em sua época como professor de ensino fundamental em Hokkaido, Makiguchi saía para ir ao encontro dos estudantes que estavam a caminho da escola e, quando a aula terminava, ele os acompanhava até a casa deles. Observava atentamente para se certificar de que as crianças mais franzinas não ficassem para trás, carregando, algumas vezes, as mais novas nas costas e segurando a mão das mais velhas. De manhã, preparava água quente para mergulhar as mãos dos alunos rachadas pelo frio.

Depois de se mudar para Tóquio, Makiguchi tornou-se conhecido como excelente diretor de escola, mas, por se recusar a bajular aqueles que ocupavam posições de autoridade, estes se ressentiam dele. Isso o levou a ser perseguido e transferido de um posto para outro.

Durante esse período, foi alocado como diretor numa instituição escolar (Escola de Ensino Fundamental de Mikasa) frequentada inteiramente por crianças de famílias pobres — muitas delas tão pobres que não tinham condições de comprar guarda-chuvas para os filhos se protegerem. Pagando do próprio bolso, ele provia alimentos, como bolinhos de arroz, para os que não podiam trazer lanche de casa — e, ao mesmo tempo, lutava para sustentar sua numerosa família. Para não constranger os necessitados, ele deixava a comida na sala do zelador, de modo que pudessem apanhá-la sem atrair a atenção.

Quando era forçado a deixar uma escola, os alunos choravam, e até os pais e professores enxugavam as lágrimas — prova do quanto ele era amado.

Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), certa ocasião, fez o seguinte comentário sobre Makiguchi sensei:

Tsunesaburo Makiguchi começou a praticar o Budismo Nichiren aos 57 anos, em 1928, ano em que nasci. Ele não era de modo algum um homem jovem. Em relação à expectativa média de vida na época, seria considerado idoso. Ele iniciou a prática do Budismo Nichiren no capítulo final de sua existência, e mesmo assim registrou feitos imortais na história do kosen-rufu. Nos derradeiros anos de sua vida, engajou-se numa luta incessante contra as autoridades militaristas do Japão e morreu nobremente na prisão em defesa de suas crenças. Makiguchi sensei emprega a expressão “uma alegria indescritível”. Ao adotar o modo de vida fundamental do Budismo Nichiren, transformou completamente a maneira como vivera até então, e percebeu-se capaz de empreender ações na sociedade com total liberdade e energia. Suas palavras nos transmitem a intensidade do entusiasmo dele em afirmar que nada poderia se comparar à alegria dessa experiência. (...) Por essa razão, Makiguchi ensinou que não devemos permitir que algo destrua nossa alegria, nem permitir que alguém destrua nossa fé e prática budistas, a fonte de nosso alegre espírito e modo de vida. Já que é para viver, viva com convicção e coragem, dedicando-se a um propósito grandioso! — esse era o espírito do fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi.2


Makiguchi compartilhava, com frequência, suas ideias com os familiares: “No futuro, haverá um sistema escolar que aplicará os métodos da pedagogia da criação de valor. Abrangerá da pré-escola ao nível universitário. O jovem Toda assegurará a continuidade de meu trabalho”.3

Onde o movimento da educação humanística está presente

Estados Unidos: Universidade Soka da América (2001)

Ásia: Escola Soka de Educação Infantil de Hong Kong (1992); Escola Soka de Educação Infantil de Singapura (1993); Escola Soka de Educação Infantil da Malásia (1995) e Escola Felicidade Soka de Educação Infantil da Coreia do Sul (2008)

Japão: Escola Soka de Ensino Fundamental e Médio de Tóquio (Tóquio, 1968) / Escola Soka de Ensino Fundamental de Tóquio (1978); Escola Soka de Ensino Fundamental e Médio de Kansai (Osaka, 1973;) / Escola Soka de Ensino Fundamental de Kansai (1982; Osaka); Escola Soka de Educação Infantil de Sapporo (1976) e Universidade Soka (Japão, 1971)

Brasil: Escola Soka do Brasil (2001) / Colégio Soka do Brasil (2017)

4

Ikeda sensei incentiva alunos da Escola Soka de Kansai (Universidade Soka, Japão, set. 2005)



4

Presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, em plantio comemorativo no início das obras da Universidade Soka (Japão, maio 1967) 

No topo: ilustração retrata Tsunesaburo Makiguchi (à esq.), a Universidade Soka da América (acima) e o presidente Ikeda com alunos do sistema educacioinal Soka (abaixo)

Fontes:

https://www.daisakuikeda.org/main/educator/edu-instit/soka-schools.html 

https://www.tmakiguchi.org/ 

https://www.sokaglobal.org/about-the-soka-gakkai/at-a-glance/legacy-of-the-founding-presidents.html 


Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Educação Soka — Por uma Revolução na Educação Embasada na Dignidade da Vida. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 185, jan. 2021.

2. Brasil Seikyo, ed. 2.393, 28 out. 2017, p. B2.

3. IKEDA, Daisaku, op. cit., p. 186.

Sugestão de leitura:

“A educação é a chave da mudança do mundo.” Esse é o brado de Daisaku Ikeda, presidente da SGI. É autor de Educação Soka — Por uma Revolução na Educação Embasada na Dignidade da Vida. Na obra, ele apresenta uma perspectiva a partir da qual é possível contemplar o objetivo fundamental da educação e seus processos de transformação. O livro está na versão e-book.

 

11-11-2021

Relato

Benefício inestimável

Sou carioca, morador de Teresópolis, RJ, filho de nordestinos, casado com a Carol, pai do pequeno Nicolas e do peludo Bolt. Pratico o Budismo de Nichiren Daishonin há 21 anos. Meu pai nunca frequentou escola, era pescador no interior do Ceará, responsável pelo sustento da família desde criança. Mudou-se para o Rio de Janeiro aos 17 anos. Minha mãe, também cearense, foi ainda criança com os pais para o Rio de Janeiro. Todos em busca de melhores condições de vida. Meus pais se conheceram na Rocinha, bairro da cidade, onde moravam e tiveram três filhos.

Em 2000, aos 15 anos, tive meu primeiro contato com a BSGI, numa reunião de palestra. Saí daquele encontro decidido a experimentar aquela oração diferente que aprendi e a verificar se traria algum benefício para minha vida. Meus pais foram contra e fui proibido de orar em casa. Com a prática budista, alcancei harmonia familiar e hoje minha mãe tem o próprio Gohonzon.

Viver a juventude na órbita da Gakkai foi uma grande boa sorte. Todos os desafios que enfrentei e as vitórias que obtive na vida são consequência da recitação do Nam-myoho-renge-kyo. Ainda aos 15 anos, com o objetivo de comprar meu oratório, conquistei o primeiro emprego temporário em uma livraria durante as férias escolares, e assim pude receber meu Gohonzon. Em 2003, consegui um emprego como professor de informática e iniciei a graduação em ciências da computação. Percebi que aquele trabalho não atendia aos critérios do “belo, bem e benefício”, conceito formulado pelo educador Tsunesaburo Makiguchi, fundador da Soka Gakkai, pois a remuneração era muito baixa e não existia expectativa de crescimento profissional.

Queria fazer um curso numa empresa renomada almejando um emprego melhor, porém não tinha dinheiro para pagar. Eu me candidatei a uma vaga de estágio nessa mesma empresa e, estudando sozinho, fui aprovado no processo seletivo. Pedi demissão do curso e me tornei estagiário, recebendo menos da metade do salário. Esforcei-me ao máximo e, em seis meses, fui contratado, passando a ganhar mais que no trabalho anterior.

Depois dessa experiência, tive oportunidades incríveis em grandes empresas até que, em 2008, surgiu a chance de participar de um processo seletivo para trabalhar, do Brasil, num projeto americano. Não falava praticamente nada de inglês e precisaria passar por uma entrevista. Lembrei-me do poema escrito pelo meu mestre, Daisaku Ikeda, para o Sokahan, grupo de treinamento do qual participei por treze anos, que diz: “Impossível é uma palavra / que foi banida da face da terra”. Durante duas semanas, fiz aulas particulares de inglês e me preparei para a entrevista na qual fui aprovado. Naquela empresa tive muitas oportunidades, inclusive de viajar a trabalho para a Inglaterra e os Estados Unidos. Apesar das condições oferecidas, ainda não me sentia realizado.

Em 2012, pedi demissão e abri minha empresa, com a certeza do sucesso e com um belíssimo escritório numa área nobre do Rio de Janeiro. Meses se passaram sem nenhum cliente. Contas pessoais e da empresa se acumulavam. Tentei de tudo, mas nada dava certo. Não via alternativa a não ser desistir e buscar um emprego. Li uma orientação de Ikeda sensei que diz: “Uma vez que decidiram sobre um trabalho, espero que não sejam o tipo de pessoa que desiste facilmente e que sempre está insegura e reclamando”.¹ Desafiei-me na recitação de daimoku em busca do impossível e um diretor da firma americana para a qual eu havia trabalhado me ligou e contratou os serviços da minha empresa. A partir daquele momento, entramos em franco desenvolvimento.

Em 2019, perdemos um importante cliente e as finanças se complicaram. Nova virada com o convite de um antigo chefe para trabalhar na multinacional em que ele estava. Ao compartilhar a proposta com minha esposa, ela me disse que pela nossa família eu deveria aceitar e não perder aquela oportunidade. Porém, aceitá-la implicou várias questões. Como exerço uma paternidade ativa, as viagens nos atrapalhariam. Li uma orientação do Mestre em que ele afirma: “Quero que cada um de vocês tenha sucesso em seu respectivo campo. Ser bem-sucedido é não fazer pela metade, é seguir o caminho escolhido até o fim”.² Orei firme daimoku e, com a decisão de ser bem-sucedido no caminho que escolhi, comprei a parte de um dos meus sócios. Com uma participação maior, pude continuar com o negócio. Mesmo com a empresa sediada no Rio de Janeiro, posso morar em Teresópolis, trabalhar de casa e oferecer qualidade de vida para minha família.

Os desafios continuam e sei que ainda não estou aonde sei que vou chegar. Oro diariamente, grato por todos os benefícios, pelo apoio dos veteranos, pela minha vida e por ter saúde para batalhar pelos meus objetivos. Por gratidão a Ikeda sensei, à sua dedicação e pelas orientações. Em uma delas, ele enfatiza:

Simplesmente canalizem toda a sua energia no trabalho atual e sejam pessoas indispensáveis nesse local. Orando fervorosamente ao Gohonzon e continuando a se esforçar ao máximo, sem deixar que tarefas ou atribuições desagradáveis os intimidem, acabarão encontrando um trabalho que apreciem, proporcione segurança financeira e produza o bem para a sociedade. Esse é o benefício da fé. E isso não é tudo. Quando olharem para trás, perceberão que seu árduo esforço nesse trabalho muito longe de ser satisfatório não foi em vão, e que tudo se transformou num patrimônio valioso para vocês. Compreenderão que tudo tem um significado. Posso lhes assegurar isso por experiência própria. Nossa fé se expressa na vida e na sociedade. Esse é o poder do budismo.3

Alberto Aragão, 37 anos. Empreendedor. Membro do Bloco Vale do Paraíso, Comunidade Teresópolis.

Notas:

1. Brasil Seikyo, ed. 2.074, 5 mar. 2011.

2. Idem, ed. 2.331, 16 jul. 2016.

3. Ibidem.

11-11-2021

Conheça o Budismo

Agora é a hora de ser feliz

REDAÇÃO

A questão do tempo é algo complexo e essencial dentro da perspectiva da vida. Sabemos que tudo tem seu devido tempo. Existe o período que passamos dentro da barriga de nossa mãe, a época de crescimento na infância e na adolescência, a de estudar, de se formar, de trabalhar e assim por diante. Não podemos obrigar uma criança recém-nascida a se formar imediatamente na faculdade, assim como não podemos exigir que uma árvore já dê frutos amadurecidos. Tudo depende da época e das condições propícias.

No budismo acontece algo muito parecido, pois um buda somente pode expor a Lei quando reúne quatro condições: tempo, resposta, capacidade e Lei. Tempo, no budismo, indica aquele em que o Buda aparece para expor a Lei em resposta à capacidade das pessoas que buscam seu ensinamento. Em outras palavras, é o tempo em que o Buda e as pessoas se encontram.

O levantar do Buda

O termo “neste momento” (niji) abre o capítulo “Meios Apropriados” (Hoben), do Sutra do Lótus, que recitamos em nosso gongyo diário. Sobre ele, o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, explicou:

“Neste momento” refere-se ao conceito de tempo empregado no budismo. Difere do tempo no sentido que costumamos usar para indicar as horas, as estações do ano ou para especificar uma época. Nem é comparável à típica introdução dos contos infantis “Era uma vez...”. O tempo, no sentido aqui expresso, corresponde ao momento em que um buda, percebendo a ansiedade das pessoas em ouvi-lo, aparece a fim de expor seu ensinamento.1



Do ponto de vista do Budismo de Nichiren Daishonin, podemos interpretar “neste momento” como indicativo do tempo em que o buda iniciou seu empenho para salvar a humanidade com a propagação da Lei Mística. Além disso, podemos dizer que “neste momento” indica o tempo em que seus discípulos se levantam unidos ao mestre para realizar o kosen-rufu, que é o movimento praticado pelos membros da Soka Gakkai para edificar uma vida de felicidade, inspirando os outros a fazer o mesmo.


Niji em nosso dia a dia

Se analisarmos nossa prática, entendemos que “neste momento” existe somente quando oramos ao Gohonzon e manifestamos determinação e consciência de nossa missão pelo kosen-rufu. É preciso determinar, orar e agir. Se não o fizermos, nosso ambiente em nada mudará. Mesmo que decorram cinco ou dez anos, “este momento” jamais chegará. Somente nossa sincera determinação pelo kosen-rufu cria o “tempo”.

Em conclusão, é o momento em que nós, espontaneamente, determinamos realizar algo pelo kosen-rufu e não quando é solicitado que o façamos. Refere-se a “este momento”, o tempo de sua missão. O presidente Ikeda enfatiza:

“O que importa é o coração.”2 Nisso se encontra a essência da vida. Nosso coração e nossa mente envolvem toda a sociedade, o mundo e o universo. Tudo se decide pela determinação em nosso coração neste exato momento.3


O grande escritor Romain Rolland (1866–1944) disse: “Viva o presente. Reverencie cada dia. Ame o presente, respeite o presente...”.4 Nichiren Daishonin nos ensina a grande alegria de viver o “agora” — o momento presente, que abarca tanto o passado eterno como o futuro infinito.

Todo dia é Ano-Novo

Independentemente da situação em que se encontra, quando uma pessoa se dedica seriamente à prática budista, é sua fé no presente, e não seu carma do passado, que exerce influência determinante em sua vida. Assim, com esse grande poder da fé, podemos “começar a partir de agora”, em qualquer momento que determinarmos. É esse ponto que Nichiren Daishonin enfatiza no escrito Carta de Ano Novo, por meio da qual nos ensina que celebrar esse dia fazendo oferecimentos ao Gohonzon é fonte de imensa boa sorte. Naturalmente, essa atitude é válida não somente no Ano-Novo, como na partida de cada novo dia. Daishonin também exalta o desenvolvimento que uma pessoa alcança por manter essa atitude na vida diária, tornando-se mais virtuosa e amada por todos.

“Neste momento” refere-se ao instante em que criamos a seguinte determinação do fundo do coração: “Hei de me levantar agora e lutar!”. É a partir desse instante que o destino começa a mudar, a vida começa a se desenvolver e a história tem início. Dessa forma, o niji da transformação da nossa vida é definido pela qualidade da nossa determinação individual com que nos levantamos em prol da realização do kosen-rufu, conforme Ikeda sensei afirma:

Fazendo uma reflexão, a vida nada mais é do que o acúmulo de cada momento presente. Se não for capaz de tornar o dia de hoje gratificante, não colherá nenhum resultado positivo amanhã. Pode fazer os maiores planos em longo prazo, mas se não valorizar cada momento, esses planos terminarão apenas como sonhos vazios. Causas passadas e resultados futuros estão todos contidos no “verdadeiro aspecto de todos os fenômenos” no presente momento, e a transformação de um único momento da vida pode extinguir os impedimentos cármicos do passado distante e também assegurar a boa sorte que se estenderá pelo eterno futuro.6

Notas:

1. Brasil Seikyo, ed. 1.876, 10 jan. 2007, p. A5.

2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 267, 2019.

3. Brasil Seikyo, ed. 1.906, 8 set. 2007, p. A8.

4. Idem, ed. 2.315, 12 mar. 2016, p. C4.

5. Idem, ed. 1.617, 25 ago. 2001, p. A3.

6. Idem, ed. 2.314, 5 mar. 2016, p. B3.

Fonte:

Brasil Seikyo, ed. 1.782, 5 fev. 2005, p. A5.

11-11-2021

Caderno Nova Revolução Humana

“Levantem-se juntos comigo”

PARTE 67

Eram 17h30 quando Shin’ichi Yamamoto partiu de carro da Universidade Soka acompanhado de sua esposa, Mineko. Ele não retornou à sede da Soka Gakkai, e seguiu para o Centro Cultural de Kanagawa, em Yokohama. Havia decidido em seu coração que promoveria uma nova batalha pelo kosen-rufu, a verdadeira batalha de mestre e discípulo, a partir do mar de Yokohama que se estendia para o mundo.

Chegaram a Yokohama às 19 horas, e o céu já estava encoberto pelo véu da noite. Ele observou o mar de uma das salas do Centro Cultural de Kanagawa. Ao baixar os olhos, viu o navio de carga e de passageiros Hikawa Maru atracado e preservado, que foi concluído em 1930, ano da fundação da Soka Gakkai.

A partir de então, a Soka Gakkai fez ressoar o badalar dos “Sete Sinos” e, agora, uma vez mais, iniciaria sua grande navegação.

Shin’ichi sentiu que enfim podia respirar.

Um líder próximo a ele lhe informou: “Seu nome foi noticiado no jornal desta manhã”.

Era o resultado de uma pesquisa de opinião pública realizada no Japão e nos Estados Unidos pelo jornal Yomiuri em conjunto com uma empresa de pesquisa de opinião norte-americana, a Gallup, e o nome de Shin’ichi constava na parte superior como o sexto de uma lista de vinte nomes de “Japoneses famosos mais respeitados e admirados” pela população japonesa. Em ordem decrescente eram Shigeru Yoshida, Hideo Noguchi, Ninomiya Sontoku, Yukichi Fukuzawa, imperador da era Showa e, depois, Shin’ichi Yamamoto.

O líder disse: “O senhor está em primeiro lugar como pessoa viva não vinculada a instituição pública, sendo também a única representante do mundo religioso”.

Ao relembrar o transcorrer desse dramático dia, Shin’ichi achou muito mística essa publicação. Sentiu também ser a manifestação da grande expectativa e do inestimável apoio dos companheiros.

Ele se lembrou de que, há três semanas, quando transmitiu sua intenção de renunciar à presidência a Deng Yingchao, viúva de Zhou Enlai, ela havia lhe dito: “Enquanto tiver o apoio do povo, não deve renunciar”. Sem dúvida, era seu incentivo que dizia: “Retribua à expectativa das pessoas! Retribua à boa-fé! Continue a lutar!”.

“Não importando em que posição seja colocado, continuarei a lutar! Começará enfim minha luta verdadeira e essencial!”

Aqui também, ele pegou o pincel e inscreveu os ideogramas:

Kyosen (“Luta Conjunta”).

E bradando em seu coração “Discípulos. Levantem-se juntos comigo”, registrou a seguinte inscrição na lateral:

“Na noite de 3 de maio de 1979. Com a decisão de seguir por toda a minha vida em prol do kosen-rufu com coração inabalável. Acreditando ter verdadeiros companheiros, uno minhas mãos em reverência”.

PARTE 68

O céu escuro foi gradativamente se tingindo em tom púrpura ressaltando delicadamente os contornos da península. Então, uma luz dourada correu na direção leste do céu, o mar cintilou e despontou uma agradável manhã de maio.

Era 5 de maio. Shin’ichi Yamamoto observava do Centro Cultural de Kanagawa a aurora sobre o mar. Esse era o feriado nacional do “Dia da Criança” e também o “Dia do Sucessor da Soka Gakkai”.

Shin’ichi foi informado por um líder de Kanagawa que um membro da Soka Gakkai da localidade, que possuía um iate, gostaria de conduzi-lo pelas proximidades do porto de Yokohama. Ele decidiu aceitar o convite e andar de barco por cerca de trinta minutos. O nome desse iate era “Século 21”.

O Centro Cultural de Kanagawa visto do mar também era maravilhoso. Ao pensar que aquele mar estava ligado ao Oceano Pacífico, visualizou o grande oceano do kosen-rufu mundial do século 21. Ele sentiu seu coração palpitar.

No dia anterior, 4 de maio, Shin’ichi havia dialogado com representantes dos beneméritos da província de Kanagawa, e nesse dia 5, conversou com os membros dos grupos Mukojimakai e Jotokai, formado por representantes dos Distritos Mukojima e Joto dos primórdios da Soka Gakkai, e agradeceu e louvou a dedicada luta de cada um deles. As rodas do incentivo de Shin’ichi focado nos membros beneméritos já estavam em vigoroso movimento.

Se possível, ele queria participar também dos encontros da Divisão dos Jovens e da Divisão dos Estudantes, os sucessores que assumirão o século 21, e incentivá-los de corpo e alma. E ainda, muitos membros passaram a se reunir por dias seguidos no Parque Yamashita que ficava em frente ao Centro Cultural de Kanagawa. Ele queria promover reuniões com esses companheiros e louvá-los com todas as suas forças. Contudo, isso não era permitido agora.

“Então, deixarei aos discípulos sucessores o espírito Soka em uma forma concreta para que este perdure por todo o futuro e por toda a eternidade!”.

Nesse dia, como legítimo dis­cípu­lo de Josei Toda, o mestre do kosen-rufu, confiou seu juramento ao pincel, e inscreveu de uma só vez:

Seigi (“Justiça”).

E no lado inferior direito, registrou: “Sozinho empunho a bandeira da justiça”.

“Agora, enfim é o verdadeiro momento decisivo! Não importando em que posição eu seja colocado, lutarei resoluto, mesmo que fique absolutamente sozinho. Com o coração de unicidade de mestre e discípulo, comprovarei sem falta a vitória. Justiça significa trilhar o grande caminho do kosen-rufu até o fim!”

FIM DO CAPÍTULO

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

11-11-2021

Especial

Abraço coletivo

REDAÇÃO

“Myoho-renge-kyo é a natureza de buda que existe em todos os seres vivos.”1 Essa afirmação do buda Nichiren Daishonin (1222–1282) revela algo muito especial, frequentemente discutido dentro da Soka Gakkai: a dignidade da vida humana. Todos os seres humanos são essencialmente dignos, e compreender a importância da vida de cada um é essencial para o convívio harmonioso na sociedade. O Dr. Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), filósofo e humanista, sempre ressalta esse aspecto em suas reflexões. Em uma delas, exprime que “O budismo ensina o valor e a dignidade de todas as formas de vida. Por isso, proteger e prezar a vida deve constituir a filosofia fundamental dos praticantes budistas”.2

Voltando à frase de Daishonin, ele afirma que todos os seres vivos possuem o estado de buda. Na sociedade, mediante tantas situações que vivenciamos ou que tomamos conhecimento, é até comum que inicialmente sejamos levados a sentimentos como tristeza, desesperança ou mesmo a revolta. Porém, sob a luz dos ensinamentos budistas, aprendemos sobre a nobre missão de prezar a vida e, consequentemente, cada pessoa. Não podemos ignorar o fato de que agimos de acordo com a condição de vida que manifestamos e, por vezes, algumas pessoas cometem atos impensados. É nesse ponto que percebemos a importância do empreendimento chamado kosen-rufu, pelo qual cada indivíduo desperta para seu imenso potencial e compreende como é essencial empoderar também os demais acerca dessa mesma consciência. Atuar em prol desse ideal é uma das facetas de prezar a vida, na qual você não se prende somente ao seu desenvolvimento, mas se dedica a evidenciar o melhor no outro.

Prezar a si e ao outro

Colaborar para o desenvolvimento das pessoas e da sociedade é um caminho no qual existem algumas etapas. Uma delas é a do desenvolvimento individual, ou do prezar a si mesmo. Nessa “fase”, aprendemos a importância de reconhecer nossas qualidades, potencialidades e nossos tesouros internos e valorizá-los. Quase paralelamente surge o autoaprimoramento e a compreensão de pontos que precisam ser melhorados. É no convívio com outras pessoas que polimos esses aspectos da nossa vida e assim podemos transformar nosso interior de maneira profunda. É por meio do autoconhecimento que despertamos também para a importância de prezar o outro. Não é fácil chegar até aqui. E, com o estudo do budismo, aprendemos que, com a recitação do

Nam-myoho-renge-kyo, conseguimos transformar o coração. Baseando-se na frase de Nichiren Daishonin, o presidente Ikeda afirma: “Portanto, se você recitar Nam-myoho-renge-kyo, mesmo uma única vez, diz ele [Nichiren], ‘estará chamando e reunindo ao seu redor a natureza de buda de todos os seres vivos’3 e sua própria natureza de buda também será ‘ativada e evidenciada’”.4

Zelar pelo núcleo familiar

Nos últimos meses, muito se falou sobre quanto as relações familiares foram impactadas pela pandemia. Entre aspectos positivos e negativos, tivemos muitas boas notícias a respeito de como as relações foram aprimoradas nesse período. Prezar a família está relacionado com aspectos como zelar pela saúde, estreitar as relações, dialogar, saber se o outro está bem, interessar-se de verdade por aquelas pessoas. Aumentaram as oportunidades de convívio, cresceram os momentos de dizer “eu te amo”.

O presidente Ikeda declara:

Como praticantes do Budismo de Nichiren Daishonin, devemos cuidar dos nossos integrantes da família e estimá-los. É importante que realizemos nossa revolução humana e nos desenvolvamos de modo que possamos nos tornar fonte de luz transmitindo o brilho da esperança a todos. O caminho direto para a construção da harmonia familiar é cada qual se transformar num radiante sol dentro da família.5

Atenção ao bloco e à comunidade

Uma maneira de exercitar o cuidado com as pessoas, além do nosso núcleo familiar, é o empenho nas organizações de base da BSGI. O companheirismo entre os membros do bloco e da comunidade forma uma sublime relação que deve ser permeada pelo respeito e conduzida pelo humanismo. Em essência, zelar pelos nossos companheiros de organização é algo que o presidente Ikeda sugere com certa frequência, conforme ele orienta:

Vamos nos empenhar em prezar cada pessoa, e juntos dialogarmos e nos incentivarmos mutuamente desejando o desenvolvimento da nossa localidade e da sociedade conforme o desejo de Nichiren Daishonin”.6

Combater a violência

Outra questão essencial quando se pensa em prezar a vida é o combate à injustiça e à violência, sendo a violência urbana um fenômeno recorrente nos tempos atuais. Conforme as cidades evoluem comercial e demograficamente, elas atraem para si tanto o bônus como o ônus, intrínsecos ao desenvolvimento. Temos cada vez mais acesso a notícias sobre injustiças sociais, violência doméstica, física, verbal e moral. Como reagir a isso tudo?

Enquanto budistas, aprendemos a importância da oração e da ação, sem uso da violência, utilizando a sabedoria. O diálogo é fundamental em todas as esferas e em todos os momentos. Como diz o personagem Jiro Honda, da obra Jiro Monogatari, “Sem o combate à injustiça, não pode haver um mundo de amor, harmonia e criação. E, sem um mundo assim, não pode haver orgulho nem alegria na vida”.7 Nossas orações têm o poder de harmonizar qualquer situação e é por meio das nossas ações, sempre prezando pelo bem social, que elas tomam forma.

Zelar pela saúde

Dentro da ideia de “prezar a si”, podemos relacionar ações concretas (obviamente dentro da realidade de cada um), tais como desenvolver bons hábitos de higiene, ter maior cuidado com a alimentação, não descuidar da saúde mental, realizar atividades físicas etc. Cuidar da própria saúde é, também, uma maneira de prezar as pessoas com as quais convivemos. Sobre a relação entre saúde individual e desenvolvimento social, o Dr. Ikeda afirma:

Só será possível alcançar um século de verdadeira felicidade, paz e saúde quando as pessoas do mundo inteiro evidenciarem o brilho da dignidade da vida, e todos puderem desfrutar juntos uma vida longa e realizada. Essa é a razão de existir do nosso movimento budista.8


Utilizando palavras do primeiro presidente da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, o Dr. Ikeda fala sobre o real significado de felicidade e destaca a importância da SGI nesse contexto:

Makiguchi sensei afirmou: “O principal requisito para a felicidade é saúde. E o segredo da saúde é se manter ativo”. Essa era sua firme convicção. A SGI é um oásis espiritual. Empreender ações visando o kosen-rufu ao lado dos nossos companheiros da organização nutre nossa vida, infundindo em nosso ser a energia que eleva nossa saúde e energia vital, e constitui um manancial de felicidade.9

Cuidar do planeta

Quando nos referimos a “prezar a vida”, um dos aspectos que normalmente está vinculado é o cuidado com o meio ambiente. O princípio budista de “unicidade da vida e seu ambiente”

(esho-funi), revela a necessidade de elevar nossa condição de vida, com a recitação do daimoku, para nos relacionar positivamente com o mundo.10 Dentro dessa lógica está contida também a necessidade de zelar pelo planeta.

É muito comum encontrar registros da forma como o Dr. Daisaku Ikeda pensa as questões ambientais, e suas propostas de paz enviadas anualmente à Organização das Nações Unidas (ONU) são bons exemplos disso. A Proposta de Paz de 2016, por exemplo, traz reflexões e proposições sobre temas como altruísmo, importância do diálogo e abolição das armas nucleares como abordagens para a valorização da vida. Além disso, ele delega aos jovens o papel principal da transformação da sociedade:

Mais que tudo, é a profundidade do compromisso que vive no coração da geração mais jovem que transformará o mundo onde armas nucleares ameaçam a vida e a dignidade das pessoas num mundo onde todas as pessoas vivam em paz e manifestem plenamente a sua dignidade inerente.11

Ação conjunta

O que moverá a sociedade para o caminho de valorização da vida é a conscientização do respeito mútuo. Porém, até que se atinja a coletividade, é fundamental o aprimoramento individual. Na SGI, o ato de valorizar a vida perpassa questões que envolvem os indivíduos e também o mundo, baseando pensamentos, palavras e ações na Lei Mística de Nam-myoho-renge-kyo. Nesse sentido, valorizar a vida não é uma ação furtiva, mas uma missão, conforme orienta o Dr. Ikeda:

Nada é tão vasto e poderoso como a vida dos bodisatvas da terra que recitam Nam-myoho-renge-kyo e ensinam outras pessoas a fazer o mesmo. Nosso movimento pelo kosen-rufu é um grande empreendimento — que abrange os céus, a terra e todos os seres vivos — para revelar a natureza de buda, o poder positivo inato das pessoas que foram devastadas pelo desespero e pelos infortúnios, divididas pela desconfiança e pelo conflito.
Nossos nobres membros, enquanto desafiam a própria revolução humana e combatem corajosamente os muros do carma que os afrontam, também oram pela felicidade das pessoas e pela paz no local em que residem. Rompendo as barreiras que dividem corações e mentes, eles construíram uma rede global dedicada à realização do ideal de Daishonin de “estabelecer o ensinamento para a pacificação da terra”.12

Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 135, 2020.

2. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 15, p. 284, 2019.

3. Cf. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 135, 2020.

4. Terceira Civilização, ed. 638, out. 2021.

5. Brasil Seikyo, ed. 2.352, 31 dez. 2016.

6. Idem, ed. 2.166, 2 fev. 2013.

7. KOJIN, Shimomura. Jiro Monogatari. Tóquio: Kokudosha Co. Ltd., 1975. p. 374.

8. Brasil Seikyo, ed. 2.356, 28 jan. 2017.

9. Ibidem.

10. Cf. Brasil Seikyo, ed. 2.443, 10 nov. 2018.

11. Terceira Civilização, ed. 573, maio 2016.

12. Idem, ed. 638, out. 2021.



Prezar a vida diariamente

Muito do que fazemos em nosso dia a dia configura “prezar a vida” tanto individual como coletivamente. Listamos aqui alguns pontos:

Atenção com a alimentação

Nos últimos meses, Brasil Seikyo trouxe em suas páginas algumas dicas da nutricionista Ana Paula Cony alertando para os cuidados com a alimentação e seus reflexos na saúde como um todo. Cuidar da saúde física é uma forma de prezar a vida. Abaixo, segue a lista dos textos e em qual edição de Brasil Seikyo encontrá-los:

2.546Voltando pro Eixo – alimentação após as festas de fim de ano.

2.551Comida de Verdade – alimentação em tempos de pandemia.

2.560Micro-organismos do Bem – cuidados com o intestino.

2.571O Melhor Combustível – relação entre cérebro e cuidados com o intestino.

2.576Pele Bem Cuidada – Relação entre a derme e a alimentação.

2.580Leve como uma Pluma – cuidados com a alimentação para ter um bom sono.


Mente sã: a minha e a do próximo

Colunista sobre psicologia no Brasil Seikyo? Essa novidade, assim como a nutricionista, foi um dos diferenciais do jornal neste ano. Rosa Carbone, psicoterapeuta, especialista em terapia cognitiva comportamental, vem colaborando com o periódico por meio de textos que nos faz perceber a importância de cuidar da nossa mente e de como apoiar aquelas pessoas mais próximas que atravessam alguma dificuldade de cunho psicológico. Junto com a prática budista, buscar cuidados com especialistas da saúde mental ou física constitui passos importantes para o desenvolvimento não só de si mesmo, mas também de núcleos ao redor, como família e amigos. Revisite aqui os textos de Rosa Carbone para BS:

2.548 / 2.549 Cuidado em Dobro – cuidados com a mente em épocas de isolamento social.

2.559Solte o Verbo – somatização.

2.567Donos da Própria Mente – TEPT: transtornos de estresse pós-traumático.

2.576Mergulho em Si – diferença entre psicoterapia, psicanálise e terapia.


Educação

Dedicar-se a estudar é fator fundamental para o desenvolvimento individual e, consequentemente, para se abrir ao mundo, o que impulsiona o pensamento de prezar a vida. Educar-se, assim como colaborar na educação de outras pessoas, também é prezar a vida. Em uma mensagem enviada em 2004, para a Coorde­nadoria Educacional da BSGI, o Mestre enfatiza:

A educação é o grande caminho que assegura a herança do humanismo do passado para o futuro. Espero que atuem como altivos pioneiros da educação humanística e avancem imponentemente pela estrada da unidade budismo-educação. Vamos construir prazerosamente o “século da educação” e o “século da Coordenadoria Educacional do Brasil”.1


Leitura e estudo

Assim como a educação, a leitura tem um grandioso poder: o de abrir a mente das pessoas. Ferramenta essencial para o desenvolvimento humano, por ser uma das formas de adquirir conhecimento e autonomia de pensamento, a leitura também é um fator considerável para o ato de prezar a vida. Fazer uma leitura mais crítica de obras literárias para refletir de forma mais abrangente é importante. Ikeda sensei frequentemente indica a leitura de obras clássicas ou cita destacados autores da sociedade contemporânea. Para os que não gostam muito de ler, uma dica valiosa é a experimentação. Ler um pouco dos clássicos, ou de ficção, ou de biografias etc. até descobrir o gosto pela leitura. Os audiolivros também são alternativas que podem ajudar bastante.


Zelar pelo ambiente

Ações concretas visando ao desenvolvimento global são um dos pontos fortes da BSGI. Por exemplo, a Divisão dos Jovens (DJ) está engajada em popularizar as ações da agenda 2030, tendo como base os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) adotados pela Organização das Nações Unidas (ONU), assim como desenvolver ações que colaborem para o seu estabelecimento. Outro exemplo é o do Instituto Soka Amazônia (ISA) que, por diversas frentes, atua incessantemente com ações de replantio, estudos sobre as águas e eventos de conscientização que abrangem um público cada vez maior. Sobre essa amplitude e também sobre as ações de plantio, o ISA lançou, recentemente, em parceria com instituições, o aplicativo Tree Earth, que ajuda no acompanhamento do desenvolvimento de mudas que foram plantadas com apoio da instituição.


Nota: 1. Brasil Seikyo, ed. 1.735, 14 fev. 2004.

18-11-2021

Terceira Civilização

Série

O princípio humanístico (capítulo 3, parte final/ capítulo 4, parte 1)

A origem da educação Soka

Unger: Quais são as origens da educação Soka?

Ikeda: A educação Soka (de criação de valor) começou com as abordagens educacionais humanísticas propostas por Tsunesaburo Makiguchi. Ele as pôs em prática quando era diretor de uma escola de educação básica e, com isso, desenvolveu um sistema de pedagogia de criação de valor. Sempre enfatizava que o objetivo da educação deve ser a felicidade das crianças. Esse brado foi no apogeu do militarismo japonês, que mobilizara as instituições educacionais para a formação de jovens que servissem ao nacionalismo imperialista e militarista. No entanto, Makiguchi queria evitar que as crianças fossem sacrificadas em benefício das necessidades sociais, e ansiava ajudar cada criança a desfrutar uma existência feliz, desenvolvendo seu potencial de modo amplo e ilimitado. Esse desejo é a base de todos os aspectos da pedagogia de criação de valor.

Makiguchi escreveu:

O importante é definir objetivos de bem-estar e proteção para todas as pessoas, incluindo a si mesmo, mas não apenas por interesse pessoal. Em outras palavras, é propiciar a melhora do outro e, ao fazer isso, a pessoa escolherá caminhos para a produção de benefícios para si e também para as demais. É um esforço consciente de criar uma vida em comunidade mais harmoniosa.1

Assim, o objetivo fundamental da educação Soka poderia ser descrito como promover a felicidade tanto de si como do outro e cultivar indivíduos que também sejam capazes de realizar esse propósito.

Unger: Entendo. Makiguchi, fundador da Soka Gakkai, defendeu uma educação de criação de valor e demonstrou como a fé pode vencer os problemas da vida. O tipo de educação humanística que ele propôs é essencial para cultivar cidadãos do mundo; isto é, aqueles que pensam e agem em âmbito global.

Como a rede mundial de educação Soka promove essa educação?

Ikeda: A Escola Soka de Ensino Fundamental 2 e Médio, ponto de partida da atual rede educacional Soka, iniciou em 1968. Nessa ocasião, sugeri cinco princípios para a educação humanística:

1. Sejam pessoas de sabedoria e paixão, sempre buscando a verdade e criando valor.

2. Jamais causem problemas aos outros e sejam responsáveis pelas próprias ações.

3. Sejam gentis e educados com os demais, rejeitando a violência, e valorizem a confiança e a harmonia.

4. Expressem e ajam com coragem, com base em suas convicções, em prol da justiça.

5. Cultivem um espírito empreendedor e cresçam como líderes respeitados no Japão e no mundo inteiro.

Depois, para o bem do século 21, propus outros cinco princípios:

1. Reconheçam a dignidade única inerente a cada vida.

2. Respeitem o caráter.

3. Mantenham a profunda amizade ao longo de toda a existência.

4. Rejeitem a violência.

5. Protejam o intelecto e a necessidade de ser intelectual.

Para minha profunda satisfação, graças aos esforços incansáveis dos nossos professores e funcionários, bem como à conscientização dos nossos estudantes, esses preceitos e princípios estão sendo postos em prática.

Unger: São todos direcionamentos importantes.

Ikeda: Desde as primeiras turmas, os alunos da Escola Soka de Ensino Fundamental 2 e Médio de Tóquio têm entoado a canção da instituição cuja letra indaga sobre os propósitos:

Com que propósito refinamos nossa sabedoria?

Com que propósito cultivamos a paixão?

Com que propósito amamos os outros?

Com que propósito nos esforçamos por glória?

Com que propósito trabalhamos pela paz?

Se os profundos princípios contidos nesses objetivos forem ignorados, os seres humanos e a sociedade enveredarão por um caminho de insanidade. A tradição das escolas Soka implica o aprofundamento da filosofia de cada pessoa pela constante indagação sobre o seu propósito, criando uma história pessoal por meio das ações empreendidas durante a juventude, e desbravando novos caminhos na vida.

Na cerimônia de abertura da Escola Soka de Ensino Fundamental 2 e Médio de Kansai, que haviam começado como colégios femininos, firmei outra diretriz: “Jamais se deve construir a própria felicidade sobre a infelicidade dos outros”. Disse também que, em comparação com o vasto mundo, as escolas Soka podem ser tão pequenas como uma semente de papoula, mas, se nossos alunos se mantiverem fiéis a esse ideal e porem em prática as diretrizes escolares, poderemos impactar todo o globo. A razão disso é que o princípio para uma paz duradoura é único e universal. Disse isso porque meu desejo é que nossos estudantes se tornem pessoas fortes e sábias e contribuam, onde quer que estejam, para a construção da felicidade e da paz de todos.

Unger: Eu me identifico genuinamente com isso.

Ikeda: Minhas expectativas com relação aos educadores das escolas Soka e da Universidade Soka é que sejam pessoas de primeira categoria, tanto em caráter como na atuação acadêmica, determinadas a se tornar um ser humano melhor. Espero também que criem uma instituição educacional onde os estudantes sejam prioridade. Do ponto de vista dos estudantes, os docentes constituem a maior parte do ambiente educacional. Um ponto fundamental da educação Soka é que, como líderes da educação humanística, os professores prezem os alunos da mesma forma que o fazem com os próprios filhos. Meu desejo é que sejam educadores dos quais os estudantes se lembrem com carinho, tenham gratidão por sua cordialidade e sejam pessoas para as quais eles demonstrem dedicação e atribuam as próprias realizações.

Em 1970, pouco depois do início das primeiras turmas, o conde Richard Coudenhove-Kalergi visitou a Escola Soka de Ensino Fundamental 2 e Médio para dialogar com os alunos e encorajá-los. Certa vez, ele escreveu que, para o indivíduo, o ato de conhecer pessoas boas e nobres era mais útil para seu processo de enobrecimento e desenvolvimento do que qualquer outra coisa.2

Unger: Com base em minha própria experiência, sei como é importante ter professores maravilhosos para a educação humanística dos jovens estudantes. Uma interação plena e imersiva entre as personalidades de educador e criança, feita por bons educadores, refina o equilíbrio das crianças no que diz respeito ao cérebro, corpo e coração delas.

Ikeda: Thomas Arnold (1795-1842), diretor da famosa escola pública inglesa de rúgbi, escreveu que não era um nome, mas a qualidade do corpo docente que fazia uma escola se destacar ou fracassar. Ele também acreditava que a influência do professor e a influência mútua entres os estudantes estimulada pelos educadores determinam a personalidade dos alunos.3

A educação humanística é destinada à formação e ao aperfeiçoamento do caráter como resultado das interações pessoais entre estudantes e educadores que consideram suas responsabilidades com um afeto tão grande como ao dedicado aos próprios pais. Como os educadores definem a educação, a revolução educacional requer uma revolução do corpo docente.

Unger: As palavras do senhor me ajudaram a compreender por que os olhos dos alunos das escolas Soka e da Universidade Soka irradiam um brilho de esperança. Por serem as crianças nossos tesouros mais preciosos, necessitamos escolher educadores para elas com muito cuidado. Hoje em dia, as escolas se mostram muito negligentes a esse respeito.

Se eu ocupasse uma posição de autoridade, daria máxima ênfase às escolas. Precisamos educar as crianças para que adotem uma visão global. A educação humanística lhes possibilita perceber o mundo inteiro com perspicácia. Isso significa uma visão que não só alcança o material, visível entre o céu e a terra, mas também sente de modo intuitivo os valores espirituais. As crianças que desenvolvem a compreensão com base numa perspectiva holística podem aprender a contribuir para o bem-estar de toda a humanidade. A educação humanística confere novo significado às ideias fundamentais da educação científica, tornando assim a ciência mais útil à humanidade.

Ikeda: Concordo. Se o conhecimento mais sofisticado for destituído da sabedoria que lhe torna útil para a felicidade humana, ele não só é inútil, como também um perigo potencial. Josei Toda costumava dizer que a maior ilusão da humanidade moderna é confundir conhecimento com sabedoria. O conhecimento sozinho pode levar às armas de destruição em massa. Por outro lado, é uma verdade inegável que também pode levar a enorme comodidade e riqueza industrial. A educação humanística é uma demanda altamente necessária para orientar o conhecimento na direção da felicidade e da paz. Nos próximos anos, será cada vez mais essencial a tarefa de desenvolver a sabedoria para empregar imensos conhecimentos e informações em prol da felicidade humana por meio da educação humanística.

Em todo caso, a reforma interior de um único indivíduo, sem dúvida, inspirará uma transformação naqueles que o rodeiam, desencadeando essa força transformadora entre os cidadãos comuns para guiar e moldar a opinião pública mundial. À medida que isso culminar numa onda de paz, uma nova cultura de paz florescerá em rica profusão. O ano 2007 comemora o cinquentenário da declaração de Josei Toda contra as armas nucleares. Nós, da SGI, estamos determinados a provocar uma grande maré de mudança nos tempos, de uma cultura de guerra para uma cultura de paz, sem poupar esforços para promover a educação pública sobre desarmamento e direitos humanos.

Capítulo 4, parte 1

O meio ambiente e a educação (parte 1)

Ikeda: As questões ambientais com as quais nos deparamos exigem medidas urgentes. Somos constantemente alertados sobre o efeito destrutivo do aquecimento global causado pelas emissões de dióxido de carbono por parte da indústria e de outras fontes. Além disso, a poluição atmosférica está esgotando a camada de ozônio que protege a Terra dos raios cósmicos nocivos. O desequilíbrio entre a natureza e a humanidade leva a raça humana e todo o planeta a entrar em crise.

Unger: Nossa relação com nossa Terra é chocante. Precisamos compreender a proporção em que nosso planeta está sendo explorado, quanto desperdiçamos nossos recursos naturais e quanto poluímos a água e contaminamos o ar. Temos apenas uma Terra — um único ambiente para viver —, e todos nós compartilhamos uma preocupação sobre a sua possível destruição.

Ikeda: Isso é pura verdade. Na segunda metade do século 20, quando o problema tinha tomado graves proporções que afetaram o planeta inteiro, finalmente compreendemos a magnitude do seu alcance. Também compreendemos que os recursos naturais que vínhamos desperdiçando não são de maneira alguma ilimitados.

Unger: A conscientização mais ampla da crise global pode apurar nosso senso de responsabilidade com o futuro. Salvar o planeta significa salvar todas as vidas. Nesse sentido, isso representa a maior de todas as justiças, a qual não devemos sabotar. A justiça nos obriga a recordar que, ao longo dos últimos quinze anos, as realizações na Europa têm sido tremendas. Tenho em mente a despoluição da água. Águas que outrora se encontravam em sério nível de poluição agora estão limpas o suficiente para os seres humanos se banharem.

Ikeda: Exemplo de grande importância simbólica. Recentemente, no Japão, a qualidade da água também melhorou a ponto de os peixes terem retornado a muitos rios que antes estavam poluídos.

Unger: Ato igualmente simbólico é a maior atenção dedicada ao bem-estar dos animais. Porém, ainda temos uma preocupação gigantesca: a pobreza em todo o ambiente global. E a única forma de combatê-la é eliminar as dívidas e acabar com a exploração daqueles que carecem de bens e recursos. A propósito, esse é um antigo ensinamento bíblico.

Ikeda: Um dos obstáculos ao impedimento da destruição ambiental global é a questão de como confrontar o desmatamento impensado em países em desenvolvimento e o crescente esgotamento de terras aráveis. E um agravante disso são os conflitos de interesses entre as nações em desenvolvimento e as industrializadas.

Na Cúpula da Terra de 2002, em Johanesburgo, as nações em desenvolvimento questionaram o direito de as nações industrializadas promoverem uma cultura de consumo ao mesmo tempo em que as pressionavam a combater a pobreza. Em outras palavras, surgiu um conflito sobre as formas de se estabelecer um equilíbrio entre o crescimento econômico e a conservação ambiental.

Unger: O que me causa ira profunda é a enorme ruptura entre o Norte afluente e o Sul carente. A África é uma tragédia humana para a qual o Ocidente tem contribuído. Como a cúpula de Johanesburgo indicou, as promessas de fazer algo a esse respeito permanecem vazias, enquanto a exploração excessiva prossegue de maneira irrestrita.

Ikeda: O único modo de resolver o problema do desequilíbrio entre desenvolvimento e meio ambiente seria as nações industrializadas olharem além dos próprios interesses e adotarem um ponto de vista global.

Unger: Concordo. No entanto, as opiniões hegemônicas e autoritárias que o Ocidente tem mantido impedem as nações industrializadas de ter uma visão global no sentido de melhorar o ambiente e de lidar com a reconstrução econômica das nações em desenvolvimento. Algumas nações ocidentais ainda desejam dominar tudo o que resta do período colonial.

Ikeda: Com certeza, enquanto as nações industrializadas não mudarem a sua forma de agir, o problema ambiental global só vai piorar.

Unger: Sim. Mas acredito que uma mudança de paradigma fundamental terá lugar no século 21 para transformar nossos valores: da ânsia de poder e de dominação à disposição de agir de forma significativa. Agir de forma significativa seria ultrapassar o apego aos interesses imediatos e ao desejo materialista e empenhar-se para construir os alicerces humanos por meio de esforços conscientes a fim de disciplinar e aprimorar a si próprio.

Ikeda: Em vez de sermos controlados pelo desejo, devemos, como indivíduos, adotar valores mais elevados e buscar a reforma e o aperfeiçoamento da própria vida.

Unger: Quando as nações industrializadas abraçarem esses valores e tratarem, em escala global, os problemas ambientais e a recuperação econômica das nações em desenvolvimento, o ambiente mundial experimentará uma melhora significativa.

Ikeda: A chave para a solução é a mudança nos critérios de valor. O Budismo Nichiren ensina que o tesouro do cofre (riqueza econômica) tem menos importância que o tesouro do corpo (talento e posição social), que, por sua vez, vale menos que o tesouro do coração (virtudes). E o acúmulo deste último, por meio de ações altruísticas, torna-se um tesouro insuperável. A afluência individual e a posição social não trazem a verdadeira felicidade. Nosso objetivo deve ser a felicidade tanto de si como de todos os demais. Podemos promover isso aperfeiçoando e elevando nossas características humanas e superando a ânsia de poder, de posição social e de desejos materiais.

Em Jinsei Chirigaku [em inglês, A Geography of Human Life (A Geografia da vida humana)], publicado em 1903, Tsunesaburo Makiguchi já visualizava um século à frente quando propôs que a humanidade avançasse de uma competição militar, econômica e política para uma era de competição humanitária. O que ele tinha em mente ressoa com a mudança de paradigma de valores que o senhor mencionou.

Notas:

1. MAKIGUCHI, Tsunesaburo. A Geography of Human Life [Geografia da Vida Humana]. BETHEL, Dayle (ed.). São Francisco: Caddo Gap Press, 2002. p. 286.

2. COUDENHOVE-KALERGI, Richard N. Ethik und Hyperethik [Ética e Hiperética]. Leipzig: Verlag der Neue Geist, 1922. p. 115. Tradução do alemão.

3. Cf. STANLEY, Arthur. Stanley’s Life of Thomas Arnold [A Vida de Tomas Arnold por Stanley]. Londres: J. Murray, 1901. p. 94.

1-11-2021

Crônica

A lição do sabiá

Cada vez mais aprecio o canto dos pássaros. Dentre os vários que ouço nos arredores de casa, um deles me trouxe uma reflexão valiosa.

Em 2020, atentei-me pela primeira vez ao trinado que lembrava a expressão “qualequié”. Eu me divertia com isso e imaginava por que ele estaria “protestando”. O pio do bichinho não variava muito, era só “qualequié” do nascer ao pôr do sol. Porém, com a chegada do inverno, fez-se um silêncio desconfortável: ele não estava mais por aqui. Fiquei triste, realmente peguei gosto por ouvi-lo.

Os meses se passaram e recentemente acordei ouvindo um “qualequié”. Senti uma felicidade maior do que imaginava, como se reencontrasse um velho amigo. Mas não foi só isso: com o passar dos dias, percebi que, aos poucos, ele foi incluindo novos pios em seu “repertório”. Essa inclusão de um som diferente a cada momento resultou, ao fim de alguns meses, num canto que não era mais uma repetição de um padrão, mas sim um trinado longo e variado.

O pássaro, em sua busca natural pelo aprimoramento, me fez refletir que a grande transformação é constituída por mudanças pequenas e diárias. Ponderei também como os pequenos avanços, por mais insignificantes que pareçam para quem os promove, podem inspirar os que estão ao redor, assim como o pio da ave continua a me motivar diariamente.

Neste mês de novembro, em que comemoramos os 91 anos de fundação da Soka Gakkai, faço dessa lição do sabiá, elevada pelo poema do Mestre, escrito há cinco anos especialmente para a ocasião, o novo ponto de partida da vida, junto com os companheiros de todo o mundo:

A história da vitória total

não pode ser escrita em uma manhã ou uma noite.

A fonte da grandiosa vitória se encontra

no constante e incansável avanço,

dia após dia;

no acúmulo das pequenas vitórias,

uma a uma.

Para se tornar o vencedor na história,

antes de tudo,

triunfe sobre a tristeza do seu coração.

Transforme a lamentação em decisão!

Não hesite! Não recue!

Com coragem, tenacidade,

inicie uma vez mais a caminhada

do avanço,

avanço,

e mais avanço!1

Mariana Travieso Bassi

Redação

Nota:

1. Brasil Seikyo, ed. 2.349, 26 nov. 2016, p. B4.

1-11-2021

Na prática

Energize a vida com daimoku

Desde os tempos remotos

Orar é uma ação extremamente nobre. Não é alguma coisa fora do comum, até porque somente os seres humanos oram e assim o fazem desde os tempos remotos, quando louvavam as divindades celestiais ao rogarem por períodos de boa colheita, aos entes falecidos ou mesmo para a segurança da tribo.

O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, certa ocasião comentou sobre o tema:

A oração é uma expressão de nossa reverência ao Universo, da nossa admiração pelas forças da natureza. A oração transcende a lógica, o racional, o científico. Surge do reconhecimento intuitivo e da percepção da relação, da correspondência entre o indivíduo e o Universo.
Juntar as palmas das mãos em oração é uma das ações mais nobres e respeitáveis do ser humano. A oração é algo natural na vida. Quando estamos com problemas, por exemplo, instintivamente desejamos obter ajuda e proteção.2

Assim, podemos dizer que sabedoria, coragem, saúde, determinação, disposição em vencer, ou seja, rigorosamente, tudo é obtido com a energia vital. E o buda Nichiren Daishonin nos mostrou como fazer isso.

Assim surgiu

Nichiren Daishonin (1222­–1282), após ter estudado minuciosamente as principais doutrinas da época, identificou a existência da Lei Mística — que rege todos os fenômenos do universo —, expressando-a como Nam-myoho-renge-kyo. Ele a recitou pela primeira vez em 28 de abril de 1253. 

Daishonin resumiu os ensinamentos budistas nessa única prática, tornando-a acessível para que todas as pessoas pudessem prover-se de energia vital transbordante, propiciando compreensão da dinâmica da vida e resultando em absoluta felicidade. O presidente Ikeda exprime:

Recitar Nam-myoho-renge-kyo é integrar a nossa vida com a Lei Mística. É a prática budista que funde nossa vida com essa Lei. É também uma batalha para vencermos a escuridão inata que tenta nos impedir de fazermos essa fusão. Quando vencemos a escuridão da ilusão e da ignorância por meio da fé e nos tornamos inseparáveis da Lei Mística, o infinito poder dessa grande Lei manifesta-se em nossa vida. Este é o imensurável benefício da recitação do Nam-myoho-renge-kyo.3

O movimento pela expansão dessa Lei Mística iniciou-se em novembro de 1930, mês de fundação da Soka Gakkai. E foi a Soka Gakkai que reacendeu o Budismo de Nichiren Daishonin, possibilitando que milhares de pessoas ao redor do mundo transformassem seu destino ao revitalizarem a vida com a recitação do daimoku. Veremos a seguir como efetivamente realizar essa prática.

Como orar?

Como vimos na ilustração inicial da matéria, para fazermos bom uso do celular é importante que ele esteja com a bateria carregada. E o processo é bem simples: basta conectar o smartphone ao carregador e acoplá-lo numa tomada. Pronto! Logo estará disponível para uso.

O presidente Ikeda, certa vez, comentou que a recitação do Nam-myoho-renge-kyo é a engrenagem que preenche a vida de energia vital, e que essa prática tem de ser leve, revigorante e vibrante como o galopar de um nobre corcel branco pelas vastas planícies. Além disso, ele orienta:

É importante também que recitemos com um coração honesto e aberto, tal como somos. Todos nós enfrentamos momentos de preocupação, tristeza ou angústia. Nessas ocasiões, devemos levar, sinceramente, todos os nossos sofrimentos para o Gohonzon, assim como uma criança busca o abraço de sua mãe.4

O ato de recitar daimoku com máxima sinceridade e genuína fé desperta a sabedoria e a coragem dentro de cada um de nós, independentemente da situação em que nos encontramos. Além do mais, consciente de que a vida é uma sucessão de desafios, Ikeda sensei detalha: 

Por exemplo, se fizemos algo de que lamentamos, podemos orar com a determinação de nunca mais repetirmos o mesmo erro, tornando nosso daimoku o primeiro passo em direção a um futuro novo e melhor. Quando enfrentamos um desafio decisivo, podemos orar forte e corajosamente com uma firme determinação de vencer. Quando lutamos contra [as adversidades], podemos orar com o coração de um rei leão, cheio de confiança de que venceremos essas funções negativas. Quando confrontamos a oportunidade de transformar nosso carma, podemos infundir em nosso daimoku uma inabalável determinação de não ser derrotado. Quando estamos felizes, podemos orar com um profundo espírito de gratidão. O que importa é que continuemos recitando Nam-myoho-renge-kyo em todos os momentos, “considere tanto o sofrimento quanto a alegria como fatos da vida”,5 tal como Daishonin ensina.6

Orar Nam-myoho-renge-kyo é o mecanismo que nos conecta à Lei Mística, resultando em uma vida repleta de vigorosidade — tal como o carregador de celular conectado à fonte de energia deixa o aparelho com a bateria completa, pronto para ser usado. ­

É importante ressaltar também que o benefício de orar não está associado à quantidade de daimoku que recitamos. O presidente Ikeda afirma que “O mais importante é recitarmos até nos sentirmos plenamente satisfeitos, alegrando nosso próprio coração. A eficácia de nossas orações é definida pela intensidade e profundidade da nossa fé, e por nossa determinação e atitude”.7 Essa é a condição exata para encararmos qualquer adversidade como a causa ou a oportunidade para um grandioso desenvolvimento.

Bom remédio

Além de propiciar pujante energia vital, praticar Nam-myoho-renge-kyo pode ser benéfico também à saúde, conforme consta no trecho a seguir, do diálogo do presidente Ikeda com representantes de médicos da Soka Gakkai.8

Presidente Ikeda: O gongyo e o daimoku que recitamos diariamente, de manhã e à noite, são uma prática excelente para manter e melhorar nossa saúde, por nos possibilitar entrar em harmonia com o ritmo do universo e aumentar nossa energia vital.

Dr. Shosaku Narumi: Podemos dizer que o daimoku é uma prática benéfica também do ponto de vista médico. A emissão da voz em postura ereta estimula as funções cardiorrespiratórias.

Presidente Ikeda: Quando recitamos o gongyo e o daimoku com uma voz ressonante, automaticamente realizamos a respiração abdominal. Ouvi dizer que esse tipo de respiração beneficia nossa saúde. Isso é verdade?

Dra. Chiaki: A inspiração e a expiração lenta, gradativa e pausadamente, características da respiração diafragmática, estimulam o sistema nervoso parassimpático e produzem um efeito relaxante e calmante.

Dr. Yoichi Uehigashi: Exercem também outras influências no organismo: melhoram a circulação sanguínea, elevam a temperatura das extremidades e estimulam o sistema imunológico. Tudo isso contribui para a prevenção da gripe e outros males.

Presidente Ikeda: Isso quer dizer que a respiração lenta realizada durante a recitação do daimoku tem um efeito benéfico para nossa saúde. Vejo que há um embasamento lógico que faz do daimoku uma prática eficaz.

Dra. Chiaki: Sim. Acredito que o ritmo ideal seja recitar aproximadamente um daimoku por segundo (ou sessenta por minuto), que coincide com as batidas do coração quando estamos relaxados.

Presidente Ikeda: Quando jovem, li Vidas Paralelas, de Plutarco. Esse notável pensador da Grécia antiga dizia que a emissão da voz era um exercício respiratório para manter a saúde e desenvolver a força.9 Ele não se referia apenas à força física, mas também à energia vital.

Dr. Narumi: Isso significa, portanto, que a recitação do daimoku aumenta nossa energia vital.

Presidente Ikeda: Nichiren Daishonin declara: “Ao tomarmos o remédio altamente eficaz da Lei Maravilhosa [Lei Mística], erradicaremos de nossa vida os sofrimentos infligidos pelos desejos mundanos, pelos três venenos — avareza, ira e estupidez”.10 Quando recitamos daimoku, “injetamos” em nosso corpo o melhor remédio que existe: o remédio da Lei Mística. Por essa razão, devemos recitar daimoku vigoroso e forte, capaz de expelir “todos os venenos” de nosso corpo.

Simplesmente recite daimoku

A oração provoca a mudança no coração, no mais profundo âmago da nossa vida. A energia vital gerada pela recitação do daimoku, além de trazer benefícios à saúde, conforme mencionamos anteriormente, não somente nos conduz a trilhar uma jornada de grandes realizações, mas nos habilita a inspirar, com nossa postura, outras pessoas a vencer seus intensos desafios. Esse conjunto de realizações é a mais preciosa fortaleza da boa sorte de um ser humano.

No Estudo da edição, Ikeda sensei reforça:

A oração no Budismo Nichiren consiste em extrair esperança com convicção indomável. A prática da recitação do Nam-myoho-renge-kyo é a fonte da sabedoria e do poder do Buda. Nossa capacidade de extrair grande energia vital se resume à força da nossa fé.
Quando estiver sofrendo, triste ou magoado, simplesmente recite Nam-myoho-renge de coração aberto. Continue recitando assim como você é, como se estivesse compartilhando seu sentimento com um pai benevolente ou uma mãe carinhosa. Desse modo, deve transformar seus problemas em orações.
O mais importante é que, conforme for recitando daimoku, sentirá a coragem brotar de dentro de si, enchendo-o de convicção de que triunfará sobre todas as preocupações. Mesmo que o problema não se resolva de imediato, chegará o momento em que “o sofrimento do inferno se desvanecerá instantaneamente”.11 Quando olhar para trás, constatará que a dificuldade causadora de tanta dor de cabeça se converteu numa oportunidade para expandir dinamicamente sua condição de vida. Suas orações ao Gohonzon farão o jubiloso sol de sua missão despontar em seu coração e possibilitarão que sua vida brilhe à máxima plenitude.12

Assim como o celular precisa estar conectado a uma fonte de energia para ser carregado, recitar Nam-myoho-renge-kyo — seja nos momentos de alegria ou de tristeza — possibilitará que a sua vida seja preenchida de transbordante e revitalizadora energia vital. 

Notas:

1. Disponível em: https://eaesp.fgv.br/producao-intelectual/pesquisa-anual-uso-ti Acesso em: 11 out. 2021.

2. IKEDA, Daisaku. Juventude Sonhos e Esperanças. São Paulo: Editora Brasil Seikyo. v. 2, p. 165, 2020.

3. IKEDA, Daisaku. Atingir o Estado de Buda nesta Existência. São Paulo: Editora Brasil Seikyo. 2019. p. 37-38.

4. Terceira Civilização, ed. 533, jan. 2013, p. 46.

5. Cf. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Brasil Seikyo, v. I, p. 713, 2020.

6. Terceira Civilização, ed. 533, jan. 2013, p. 46.

7. Ibidem.

8. Terceira Civilização, ed. 463, mar. 2007, p. 29.

9. PLUTARCO. Plutarch’s Morals [Obras Morais de Plutarco]. Tradução: William W. Goodwin (ed.). Boston: Little, Brown & Company, 1874. p. 265-266.

10. The Record of the Orally Transmitted Teachings [Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, 2004. p. 131.

11.  Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Brasil Seikyo, v. I, p. 207, 2020.

12. Terceira Civilização, ed. 639, nov. 2021, p. 62.

1-11-2021

RDez

Matéria do mês

Evolução

Há 52 anos, o homem pisou na Lua pela primeira vez e deu início a uma nova era de exploração espacial. Isso só foi possível com a evolução do próprio ser humano, que se esforçou para buscar meios de chegar ao espaço. Tal evolução impulsionou o desenvolvimento de novas tecnologias, inclusive aqui na Terra. Você sabia que algumas câmeras presentes em computadores e celulares possuem a mesma tecnologia das câmeras das naves e sondas espaciais?1

Assim como a tecnologia, nós também não paramos de evoluir: não vamos ser um Pokémon ou nos transformar em super-humanos, como o Homem-Aranha e a Mulher-Maravilha, mas, sim, como pessoas melhores, hoje mais do que ontem.

Evoluímos a partir do momento em que nos esforçamos em prol dos objetivos, da nossa felicidade e da de outras pessoas. Um exemplo de esforço é se desafiar nos estudos e na recitação do daimoku por mais de cinco minutos diários.

O ato de lapidar a nós mesmos constantemente para alcançar um estado de felicidade absoluta em que nada nos abala é também um exemplo de evolução. No Budismo de Nichiren Daishonin, a condição de plena felicidade é chamada de estado de buda. É um potencial inerente a todos. Contudo, é preciso avançar não apenas num dia, mas todos os dias. Agora uma pergunta: o que ocorre se a gente parar de evoluir?

Matéria do mês, ago. 2021, 1

Presidente Ikeda rege a canção para incentivar os membros a sempre avançar (Japão, jul. 1967)

Não avançar é o mesmo que retroceder

A foto acima ilustra a postura do presidente Ikeda que, a cada encontro com os membros, incentiva todos a avançarem sempre juntos, seja com palavras, tocando piano, regendo uma canção... são atitudes que inspiram cada um a seguir rumo à concretização dos próprios sonhos.

Com a pandemia, a rotina de muitas pessoas foi alterada radicalmente e cresceu a ideia de que este período é um “tempo perdido”. Desse modo, várias pessoas deixaram seus sonhos e objetivos de lado.

O presidente Ikeda afirma que “não avançar é o mesmo que retroceder”. Pense numa escada rolante que está descendo. Para subi-la, é necessário caminhar numa velocidade maior que a descida e, se parar, começará a descer tudo aquilo que subiu. O mesmo ocorre com a vida diária: a partir do momento em que acha que o período de isolamento foi um tempo perdido e para de evoluir, começa a retroceder.

Por isso, o Mestre diz:

O famoso escritor russo Henri Frédéric Amiel, cujos escritos também foram admirados pelo renomado escritor russo Leon Tolstói, declarou: “As pessoas que não avançam retrocedem... Aqueles que param de crescer já estão em declínio... Portanto, viver é triunfar incessantemente”. O pensamento dos grandes intelectos do mundo está de acordo com a sabedoria budista.
(Brasil Seikyo, ed. 1.716, 20 set. 2003, p. A3).

Já que evoluir termina com “ir” e ninguém evolui parado, então, como Sucessores Ikeda 2030, que tal resgatar os objetivos e “ir” avante, junto com o Mestre, sempre com a prática da fé em dia e muita ação para incentivar os amigos a fazer o mesmo?

Matéria do mês, ago. 2021, 2

Evoluir como um foguete

Sabe a #foguetenãotemré? Ela simboliza o ato de continuar a seguir em frente. Para ajudar você a se manter em constante evolução, a RDez separou algumas dicas para acelerar o seu processo de decolagem rumo ao futuro de avanços e vitórias:

1. Conhecimento, o primeiro passo

Busque aprender algo novo todo dia! Não caia na armadilha de que tudo o que aprendeu já é o suficiente. Permita-se surpreender com as novidades.

2. Ouvidos atentos

Escutar o que as pessoas que cuidam de você, seus familiares, professores, amigos e os mais experientes têm a dizer faz toda a diferença. Evoluímos muito conversando e interagindo também.

3. Sem pressa

Não fique ansioso pelo resultado final. Se olhar todos os dias para uma planta, não vai perceber seu desenvolvimento, mas dia a dia ela está crescendo, principalmente nas raízes. É preciso persistir e continuar acreditando que está no caminho certo, afinal, nem sempre a evolução é um processo rápido.

4. Experimente experimentar

“Acho que não consigo” e “Isso não é para mim, então, nem vou tentar”: essas frases são como cordas que prendem e impedem qualquer um de evoluir. Não caia nessa: arrisque-se em coisas novas! Você só vai saber se dará certo se tentar.

5. Avançar como um leão

Existe também o momento que vai precisar recuar um pouco. Às vezes, é preciso repensar no caminho a seguir, mas essa ação será o impulso para ir ainda mais longe. O buda Nichiren Daishonin afirma: “Dizem que o rei leão avança três passos e recua um para concentrar toda sua força e atacar (CEND, v. I, p. 431).

Com essas dicas, que tal colocar os motores para funcionar? Pense naquele ponto que deseja evoluir e conte: 3, 2, 1, decolaaaaar!

NRH na vida: para ler e aplicar!

Os sucessores da Soka Gakkai jamais devem interromper seu progresso em prol do kosen-rufu, sob circunstância alguma. Daishonin afirma: “Fortaleçam sua fé dia após dia e mês após mês. Se enfraquecerem em sua determinação, por pouco que seja, demônios se aproveitarão” (CEND, v. II, p. 263). Sigam sempre em frente com esse espírito, lembrando-se de que não avançar é o mesmo que retroceder.
(Nova Revolução Humana, v. 25, p. 40)

Nota:

https://revistagalileu.globo.com/Tecnologia/noticia/2020/01/6-tecnologias-do-dia-dia-que-so-existem-gracas-corrida-espacial.html. Acesso em: 30 jun. 2021.

2-8-2021

Cápsula do tempo

Teste seus conhecimentos sobre 26 de setembro de 1991

1. Em que ano Daisaku Ikeda recebeu o convite para discursar em Harvard?

a. 2019

b. 2000

c. 1987

2. Qual foi o tema do seu discurso?

a. “A Era do Soft Power e da Filosofia Interiormente Motivada”

b. “Construindo uma Era de Solidariedade Humana”

c. “Rumo à Era dos Direitos Humanos”

3. Quem proferiu o discurso de abertura?

a. O presidente Joe Biden

b. O professor John Montgomery

c. O mestre Josei Toda

4. O discurso teve como subtítulo “Para o Desenvolvimento de uma Nova Relação entre ***RESPOSTA***”.

a. Rússia e Canadá

b. Japão e Estados Unidos

c. Brasil e Alemanha

5. Sensei finalizou o discurso com o poema:

a. “Amizade”, do escritor norte-americano Ralph Waldo Emerson

b. “Brasil, Seja Monarca do Mundo”, de sua autoria

c. “Ou isto ou aquilo”, da poeta brasileira Cecília Meireles

capsula do tempo set. 2021 1

Líder da SGI discursa pela primeira vez na Universidade de Harvard, em 1991. Foto: Seikyo Press

***

Respostas:

1C — O convite para discursar na Universidade Harvard foi feito em março de 1987 pelo cientista político e professor da instituição na época, Joseph Nye. Ele leu as propostas de paz do presidente Ikeda e se encontrou com ele em 1989, quando reiterou o convite.

2A — “Iniciei meu discurso destacando que a força motriz da história quase sempre dependeu do hard power do poder militar, do autoritarismo político e da riqueza, mas que em anos recentes a importância relativa desse poder havia diminuído gradativamente, dando lugar ao conhecimento, à informação, à cultura e às ideias — os instrumentos do soft power. Disse que era nosso dever fazer desta tendência para o soft power uma substituição permanente ao hard power e que a espiritualidade de automotivação seria o meio para conseguir isso. Nesse sentido, a filosofia teria crescente importância e a consciência moral amplamente fundamentada e de valor universal se tornaria cada vez mais necessária. Defendi, portanto, uma restauração da filosofia que desencadeasse a energia inata do indivíduo” (Terceira Civilização, ed. 397, set. 2001, p. 4).

3B — Em suas considerações iniciais, John Montgomery declarou que o soft power, tema do discurso do presidente Ikeda, teria uma importância cada vez maior no futuro. Ele também falou das atividades do Mestre pela paz da humanidade.

4B — O discurso incluiu a história dos Estados Unidos e do Japão e abordou sobre as relações do passado entre os dois países.

5A — Daisaku Ikeda finalizou o discurso com um de seus poemas favoritos na juventude. O autor, Emerson, foi estudante em Harvard.

Datas marcantes do mês de setembro

Dia 8 • 1957 (64 anos)

Declaração pela Abolição das Armas Nucleares

Dia 12 • 1271 (750 anos)

Perseguição de Tatsunokuchi

Dia 21 • 1279 (742 anos)

Perseguição de Atsuhara

23-8-2021

Matéria da DE-Herdeiro

Vencer com os amigos faz toda a diferença

Durante a vida, conhecemos pessoas com características únicas e diferentes formas de pensar. Em comum, todas elas têm o mesmo desejo: ser feliz. Isso envolve várias coisas, como vencer nas conquistas pessoais, ter saúde e prosperidade. Quando praticamos o budismo, percebemos que temos tudo o que é necessário para alcançarmos esses objetivos. Ao mesmo tempo, entendemos que não basta ser feliz sozinho; é importante estender essa felicidade às pessoas ao redor.

DE-Herdeiro nov. 2021 ed. 239 1

Tente se imaginar daqui a dez ou vinte anos, quando tiver alcançado seu sonho ou obtiver sucesso fazendo aquilo que sempre quis. Apesar de se sentir realizado, essa felicidade será incompleta se familiares e amigos tiverem uma vida triste, sem conseguir desfrutar as mesmas alegrias que as suas. Somos verdadeiramente felizes quando conseguimos fazer os outros felizes também.

Nosso mestre, Daisaku Ikeda, viveu sua juventude num período em que o Japão estava em guerra. Ele sentiu na própria pele o impacto negativo de as pessoas e nações buscarem, de forma egoísta, somente a própria felicidade. Ao conhecer o budismo, percebeu que o caminho para evitar que desastres desse tipo se repetissem era o de propagar para as pessoas o respeito universal à dignidade da vida — movimento que conhecemos como kosen-rufu.

Tanto os esforços para a própria felicidade (prática individual) quanto os esforços pela felicidade de outras pessoas (prática altruística) são necessários para se conquistar a paz e a tranquilidade tão desejadas. Para isso, é importante aplicá-los no dia a dia no colégio, nas reuniões da organização, com a família e em qualquer lugar que você esteja. Isso não significa falar sobre o budismo o tempo todo mas ter atitudes coerentes com a filosofia que pratica e manter uma postura respeitosa e justa (lembre-se que mesmo as pessoas com quem você não se dá bem possuem o estado de buda).

DE-Herdeiro nov. 2021 ed. 239 2



Ao longo da vida, existirão momentos difíceis. É justamente nessas horas que deve tomar cuidado para não ter pensamentos egoístas. As orações devem ser direcionadas à vitória pessoal e também à felicidade das outras pessoas. Os obstáculos não podem se tornar motivos para se esquecer do sofrimento dos outros. Pelo contrário, é o momento de vencer junto com os amigos.

Vale a pena ajudar outra pessoa a compreender a grandiosidade da vida para transformar a sua própria vida, assim como o exemplo de acender uma lamparina para outra pessoa citado anteriormente.

Na escritura Perguntas e Respostas sobre Abraçar o Sutra do Lótus, Nichiren Daishonin solicita: “Recite o Nam-myoho-renge-kyo com atitude resoluta e sincera e recomende com veemência aos outros que façam o mesmo; isso permanecerá como a única lembrança de sua existência neste mundo humano” (CEND, v. I, p. 66). Ao colocar em prática esses esforços para a vitória pessoal e a de outras pessoas, com certeza, você construirá um futuro brilhante na juventude, acumulará boa sorte por várias existências e sentirá muito orgulho de ter feito a diferença para criar um mundo mais feliz e harmonioso.

DE-Herdeiro nov. 2021 ed. 239 3

Movendo o futuro

Você deve ter aprendido na escola sobre os movimentos de rotação da Terra, quando ela dá a volta nela mesma em 24 horas, e de translação, aquele que nosso planeta faz em torno do Sol em aproximadamente 365 dias.

Na série Construindo um Futuro Brilhante Baseado no Juramento deste mês, sensei faz uma comparação entre esses movimentos e a prática que fazemos para nós e para outras pessoas:

[...] nosso movimento com o propósito de cumprir o grande juramento pelo kosen-rufu é como a translação da Terra em torno do Sol. Os esforços pessoais para a nossa revolução humana — em outras palavras, para ultrapassar nossos problemas e dificuldades — são similares à rotação da Terra em seu eixo.

Se um dos movimentos da Terra deixasse de acontecer, todos os seres vivos teriam sérios problemas, pois dependemos do equilíbrio entre o dia e a noite e entre as estações do ano. Da mesma forma, nossa vida atinge o máximo potencial quando conseguimos criar esse mesmo equilíbrio entre o nosso desenvolvimento pessoal e os esforços pelo kosen-rufu e pela felicidade das pessoas.

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Você já pensou quantas pessoas ajudou com um gesto, uma frase ou uma conversa? Mesmo ações que aparentam ser pequenas podem fazer a diferença no dia ou até mesmo na vida de um amigo ou familiar.

Para se inspirar, lembre-se do que já fizeram por você e o que você já fez por alguém. E não esqueça que você tem potencial para fazer uma pessoa feliz enquanto está desafiando a sua própria felicidade.

Nota:

1. Gosho Zenshu, p. 1.598.

18-10-2021

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