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Proposta de Paz

Brasil Seikyo

Especial

Um discurso pela era do soft power

REDAÇÃO

Há trinta anos, em 26 setembro de 1991, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, expressava suas ideias no emblemático discurso que proferiu na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Com o tema “A Era do Soft Power e da Filosofia de Motivação Interior”, trouxe uma análise profunda e revolucionária sobre o comportamento humano no contexto social o qual se apresentava, pela ótica do humanismo budista. A palestra em Harvard significou, além disso, ampla perspectiva no mundo intelectual em defesa da paz e da dignidade da vida.


Provocar a mudança

O fim da década de 1980 e o início da década de 1990 representam um período de transições e de conflitos no mundo, como o término da guerra entre Irã e Iraque, em 1988, seguido da retirada da ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) do Afeganistão, em 1989, após dez anos de invasão; isso culmina na dissolução da URSS posteriormente. Ainda em 1989, cai o Muro de Berlim, marcando o fim da Guerra Fria. No entanto, a década de 1990 se inicia com a Guerra do Golfo. 

A época é tomada por autoritarismo, intolerância, desvalorização da vida e interesse pelo poder. O cientista político estadunidense e teórico de relações internacionais, Joseph Nye atribui tais características ao que ele denomina “hard power”. No fim da década de 1990, Nye difundiu este como um dos conceitos utilizados pelos Estados em relação ao poder, mas também o “soft power”, que corresponde à persuasão em vez da força.

O Dr. Ikeda se aprofundou no conceito de “soft power”, defendendo a crença da automotivação e dos contínuos esforços de cada pessoa para evidenciar seu potencial intrínseco, visando à criação de uma sociedade colaborativa e pacífica — atributos da cultura Soka. Isso significou um impulso na nova corrente de pensamento que surgia em meio a tantos desafios globais.

Antes de proferir o discurso em Harvard, Daisaku Ikeda dialoga com o Dr. Neil L. Rudenstine, um homem simples que se formou na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, e que na época se torna o 26º presidente de Harvard.

O líder da SGI relembra:

Perguntei-lhe diretamente: “Em uma época de intensas mudanças como a nossa, quais devem ser as prioridades máximas da educação universitária?” Sua resposta também foi direta: “Primeiro, os estudantes devem adquirir conhecimento básico em seu campo de estudo. Segundo, devem desenvolver uma profunda visão da vida. Se os estudantes possuí­rem uma sólida filosofia, eles serão capazes de realizar mudanças em seu ambiente flexivelmente e continuar a crescer”.1


Fundo de cena

O presidente Ikeda descreve aquele setembro de 1991, ocasião da palestra, realizada na cidade de Boston: “À medida que atravessávamos o rio Charles, o Oceano Atlântico ia se destacando à direita. Uma agradável brisa outonal acariciava a superfície do rio. Nosso destino era a Universidade Harvard”.2

O Auditório Weiner da John F. Kennedy School of Government [Escola de Governo John F. Kennedy] foi o local destinado àquele evento. As cadeiras enfileiradas formam um semicírculo em torno do púlpito. Um painel anunciava o título em inglês da palestra “A Era do Soft Power e da Filosofia de Motivação Interior”. O Dr. Ikeda detalha: “Recordo-me de que o evento começou por volta das 18 horas. Além do corpo docente de Harvard, a audiência incluía professores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, da Universidade Tufts e da Universidade de Boston. (...) Quando terminei, houve uma breve pausa, e então o auditório irrompeu em aplausos. Senti uma profunda gratidão”.3

Após, o próprio Dr. Joseph Nye, diretor do Centro de Assuntos Internacionais de Harvard na ocasião, e o professor Ashton Carter, diretor do Centro de Assuntos Científicos e Internacionais da Escola de Governo John F. Kennedy, expressaram suas considerações.



Como tudo começou

O segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, deu passos significativos para difundir o humanismo Soka no mundo acadêmico ao publicar uma edição revisada da obra de Tsunesaburo Makiguchi — Teoria do Valor (Kachi Ron) — e doar exemplares para 422 instituições acadêmicas em cinquenta países e territórios. Josei Toda dizia frequentemente que o princípio do respeito absoluto à dignidade da vida e o espírito de benevolência que constituem a filosofia budista sustentada pela Soka Gakkai deveriam ser inseridos nas instituições acadêmicas com o objetivo de levar a felicidade às pessoas. “Quando as universidades do mundo inteiro começarem a apreciar a filosofia budista, a estudar e a pesquisar sobre isso, surgirá certamente um novo movimento intelectual”.4

Com sua palestra, Ikeda sensei concretizava também o desejo de Josei Toda. No romance Nova Revolução Humana, ele descreve sobre o primeiro discurso que fez numa universidade fora do Japão, salientando seu anseio de chegar a Harvard. “Quando chegaram ao hotel, Shin’ichi [pseudônimo do presidente Ikeda na obra] disse aos líderes que o acompanhavam: ‘Gostaria de continuar proferindo palestras em universidades para divulgar amplamente o pensamento budista. Chegará o dia em que discursarei em distintas instituições como a Universidade Harvard’”.5

Anos depois, numa época improvável, Daisaku Ikeda discursa nessa universidade e também em vários centros universitários pelo mundo. “Esperava que meu discurso em Harvard, em particular, fosse um ponto de encontro do conhecimento ocidental e da sabedoria oriental, como também um diálogo brilhante tendo como enfoque um sério reexame dos princípios religiosos. Além disso, queria lançar uma nova luz sobre a história da perspectiva do ser humano”.6

Dois anos depois, em 24 de setembro de 1993, realiza o segundo discurso na instituição, intitulado “O Budismo Mahayana e a Civilização do Século 21”. “Em ambos os discursos em Harvard, minha intenção não foi expor o budismo como um oriental que se dirige aos ocidentais que pouco conhecem sobre a sua filosofia. Ao contrário, com base em propósitos comuns com meus ouvintes, tentei examinar a questão de como o pensamento budista pode contribuir para o mundo no século 21”.7


Avanço ininterrupto

A palestra em Harvard repercutiu amplamente nos Estados Unidos e em vários países, mas, principalmente, impulsionou o movimento pacífico promovido pela Soka Gakkai no campo da educação e da pesquisa com foco na criação de cidadãos globais.

Em março de 1993, é inaugurado o Centro de Pesquisas para o Século XXI de Boston, com a meta de se tornar uma rede de cidadãos do mundo. No mesmo ano, é inaugurado o Centro Ikeda para a Paz, a Aprendizagem e o Diálogo, em Cambridge, Massachusetts, Estados Unidos, cuja missão é construir culturas de paz por meio do aprendizado e do diálogo.

Além disso, vale salientar a ampliação do sistema educacional Soka com os ideais de formar líderes que atuem em prol da cultura, do humanismo e da paz, e para a coexistência criativa entre pessoa e ambiente.

Os temas expostos na palestra sugerem um modelo social de coexistência criativa e pacífica que se inicia com a autorreforma do ser humano. Podem ser considerados respostas assertivas no contexto atual envolto nas crises políticas, humanitárias, ambientais e até diante da crise pandêmica e os desafios socioeconômicos que uma pandemia traz, mas também dos avanços que podem ser realizados. “Hoje, mais de dez anos após meu primeiro discurso, o soft power na informação, conforme demonstrado pela atual revolução de tecnologia de informação, está tendo um forte impacto nos sistemas sociais. Através de recursos como a internet, as pessoas do mundo inteiro estão simultaneamente conectadas. Por essa única razão, mais que nunca, as pessoas necessitam de uma força de motivação interior de autocontrole e consideração pelos demais”,8 conclui.


O legado de Harvard

Harvard foi fundada em 1636, 140 anos antes da independência dos Estados Unidos, sendo considerada um centro do intelecto no país.

É a universidade mais antiga da América. Quando foi fundada, a matéria cálculo não era oferecida pela instituição, pois o cálculo ainda não tinha sido inventado.

De suas célebres salas surgiram figuras proeminentes atuantes em todos os campos, entre as quais seis presidentes estadunidenses, mais de trinta ganhadores do Prêmio Nobel e trinta recebedores do Prêmio Pulitzer.

A universidade se destaca por atender às exigências dos tempos e da sociedade de abrir as portas da educação para o mundo, sendo referida como “Nações Unidas privada” e um “conglomerado do saber”.

Possui 79 bibliotecas, sendo o sistema bibliotecário mais antigo do país.

Conta com um Departamento de Estudos de Sânscrito e de Hindi e um Centro de Estudos de Religiões Mundiais.

Pontos citados na palestra

1. Substituição permanente do hard power: “Iniciei meu discurso destacando que a força motriz da história quase sempre dependeu do hard power do poder militar, do autoritarismo político e da riqueza, mas que em anos recentes a importância relativa desse poder havia diminuído gradativamente, dando lugar ao conhecimento, à informação, à cultura e às ideias — os instrumentos do soft power. (...) A espiritualidade de automotivação seria o meio para conseguir isso”. 

2. Restauração da filosofia: “A filosofia teria crescente importância, e a consciência moral amplamente fundamentada e de valor universal se tornaria cada vez mais necessária. Defendi, portanto, uma restauração da filosofia que desencadeasse a energia inata do indivíduo”.

3. Japão e Estados Unidos: “Meu discurso teve como subtítulo ‘Para o Desenvolvimento de uma Nova Relação entre o Japão e os Estados Unidos’. (...) Discutindo sobre as relações do passado, salientei que a tendência do Japão moderno de oscilar entre os extremos da autoconfiança excessiva e a timidez devia-se à clara falta de autocontrole gerado interiormente”.

4. Contato entre culturas diferentes: “Argumentei ainda em meu discurso que, quando pessoas de diferentes culturas entram em contato, ambas as partes devem atuar a partir de uma espiritualidade voltada para o interior que fortaleça o autocontrole. Nesse sentido, defendi que o princípio budista de origem dependente, que sustenta que todos os seres e fenômenos existem ou ocorrem numa relação com outros seres ou fenômenos, tem grande importância como a chave para criar harmonia”.

5. Unicidade com o ambiente: “Também apresentei o conceito budista da unicidade do ser vivo e seu meio ambiente — a ideia de que o mundo subjetivo do indivíduo e o mundo objetivo do meio ambiente são dois aspectos integrantes da mesma entidade”.

6. Revitalização dos laços humanos: “Numa era de soft power, enfatizei que as pessoas procuram ansiosamente por uma filosofia que restaure e rejuvenesça laços humanos insubstituíveis como a amizade, a confiança e o amor”.


Fonte: Terceira Civilização, ed. 397, set. 2001.

LEIA O DISCURSO NA ÍNTEGRA

no Brasil Seikyo, ed. 1.793, 30 abr. 2005, p. A5.

Notas:

1. Terceira Civilização, ed. 397, set. 2001, p. 8.

2. Ibidem, p. 1 e 2.

3. Ibidem, p. 2.

4. IKEDA, Daisaku. Luz do Sol. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo. In: Brasil Seikyo, ed. 2.079, 16 abr. 2011, p. A13. Parte 3.

5. Ibidem.

6. Terceira Civilização, ed. 397, set. 2001, p. 3.

7. Ibidem, p. 6.

8. Ibidem, p. 7.

16-9-2021

Notícias

BSGI integra Projeto Primavera Dourada

REDAÇÃO / COLABORAÇÃO LOCAL


No dia 1o de setembro foi realizada a cerimônia de inauguração da grande cortina dourada de tsurus [ave japonesa, símbolo de saúde, boa sorte, felicidade, longevidade e fortuna] de papel instalada na entrada principal do Boulevard Shopping Londrina, PR.

Essa ação faz parte do Projeto Primavera Dourada cujo objetivo é fomentar a esperança na população, em meio à pandemia; comemorar a chegada da primavera; e divulgar o Setembro Dourado, considerado pelos órgãos de saúde pública o mês da prevenção do câncer infantojuvenil. Além disso, a produção dos pássaros de papel é revertida em fundos pelo shopping para uma organização não governamental (ONG) da cidade.

A BSGI da localidade integra a equipe de participantes convidados para a produção das dobraduras em conjunto com outras 23 organizações de origem japonesa presentes na região. E as entidades colaboradoras foram homenageadas com um tsuru de madeira pela participação.

No total, foram confeccionados 32 mil tsurus dos quais mil foram produzidos por 25 membros da Divisão Feminina (DF) e da Divisão dos Jovens (DJ) da BSGI durante o mês de agosto. “Ficou muito bonito! É emocionante de se ver e realmente nos transmite esperança!, cita a vice-responsável pela DF da Sub. Norte do Paraná, Marcia Matsu­naga Moriyama.

16-9-2021

Notícias

Aplicativo a favor do verde

REDAÇÃO

Em ação conjunta, Instituto Soka Amazônia (ISA), Fundação Rede Amazônica (Fram) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) promoveram um ciclo de diálogos, iniciado em maio e encerrado em grande estilo nos dias 20 e 21 de outubro. O 6º Seminário Águas da Amazônia foi transmitido via internet, mas também contou com participação presencial, seguindo todos os protocolos de segurança recomendados pelos ór­gãos de saúde. Entre os presentes estavam Marcya Lira, secretária executiva do Fram; Dra. Denise Gutierrez, coordenadora de tecnologia social do Inpa; e Akira Sato, presidente do ISA.

Integrante da programação da 18a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, cujo tema estabelecido para 2021 foi a “Transversalidade da Ciência, Tecnologias e Inovações para o Planeta”, o 6º Seminário Águas da Amazônia procurou discutir justamente os três aspectos centrais do tema à questão das águas amazonenses. Como especialistas, foram convidados Thiago Terada, CEO da Águas de Manaus, empresa responsável pelo abastecimento hídrico, coleta e tratamento de esgoto da capital; e o Dr. Sávio Ferreira, pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.

Thiago Terada explanou sobre a busca de eficiência na gestão dos recursos hídricos na área urbanizada do município, assunto de grande interesse nacional. Já o Dr. Sávio discorreu sobre o efeito da expansão urbana da cidade de Manaus nos igarapés, e ressaltou alterações consideráveis nesses cursos d’água, comparando informações coletadas entre aqueles que ficam próximos às áreas urbanizadas e os que ficam mais distantes.

Tree Earth

Na ocasião, foi lançado também o aplicativo Tree Earth, parceria entre o ISA, VS Academy, Faculdades Idaam e Fram, cuja principal funcionalidade é, via geolo­calização, monitorar o plantio e o desenvolvimento de mudas plantadas ou apoiadas pelo ISA. Vicente Tino, CEO da VS Academy, idealizador do aplicativo, revela que o projeto foi desenvolvido a partir da necessidade do Instituto Soka Amazônia de apresentar à sociedade os resultados dos esforços empreendidos no plantio das mudas. Tino nos conta também que o projeto avançou tanto que ganhou outras funcionalidades, como calcular a emissão de gás carbônico do usuá­rio a partir dos seus hábitos.


Veja no BS+

Notícia comple­ta sobre o lançamento do aplica­tivo Tree Earth em:

https://app.brasilseikyo.com.br/conteudo/999559914/instituto-soka-amazonia-lanca-aplicativo

4-11-2021

Terceira Civilização

Humanismo/sociedade

Por dentro da Proposta de Paz 2020

Artigo elaborado com base na seção Proposta de Paz: Principais Ideias da edição de maio de 2020 da revista Terceira Civilização, com o objetivo de que você, leitor, possa “dar a largada” em sua leitura da Proposta de Paz deste ano do Dr. Daisaku Ikeda.

Desde 1983, sempre em 26 de janeiro, dia da fundação da Soka Gakkai Internacional (SGI), o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, envia à Organização das Nações Unidas (ONU) sua Proposta de Paz. Nela, o Dr. Ikeda relaciona acontecimentos, cenários políticos, econômicos e sociais recentes, com experiências, teorias e propostas práticas para que cada leitor, seja ele líder ou cidadão comum, possa se empoderar e agir positivamente a fim de construir um futuro melhor para todos.

Em 2020, ano icônico em que a SGI completa 45 anos e a Soka Gakkai noventa anos, o Dr. Ikeda — que também comemora sessenta anos de sua posse como terceiro presidente da Soka Gakkai — apresentou a 37a proposta à ONU, intitulada Rumo ao Futuro Compartilhado: Construindo uma Era de Solidariedade Humana. Nela, discute temas atuais com foco nas mudanças climáticas e seus impactos no ambiente, na sociedade e na economia globais. Paralelamente, ele ressalta a importância de considerar a proporção de tais efeitos nas parcelas mais vulneráveis da população, como mulheres, idosos, crianças e pessoas com deficiência. E dá um passo além, ao analisar essas questões de uma perspectiva otimista, encarando-as como oportunidades de fazer as vozes de todos serem ouvidas e iniciar uma “era de solidariedade humana”. Para isso, ele propõe três compromissos:

1. “Não deixar ninguém para trás”: lembrar que por trás dos números existem histórias e pessoas, e quanto mais vulneráveis elas são, mais expostas estão às mudanças climáticas e aos demais perigos e tragédias atuais.

2. “O desafio da construção”: em vez de focar apenas nos problemas e na crise, construir modelos possíveis de um futuro melhor e planejar caminhos práticos de ação conjunta para se chegar a tal futuro.

3. “Ação pelo clima liderada pelos jovens”: ao apresentar os jovens como força propulsora da época e do futuro, é reforçada a importância não só de incluí-los em todos os processos de diálogo nas Nações Unidas, mas como permitir que eles tomem a dianteira na proposição e realização de projetos locais e globais.

Além dos compromissos, o Dr. Ikeda indica quatro propostas concretas para a criação de uma sociedade global sustentável:

1. “Construir apoio para o TPAN”, com foco na ratificação do tratado por parte tanto dos países signatários como dos que ainda não o assinaram, para finalmente pôr um fim à era nuclear.

2. “Negociações multilaterais pelo desarmamento nuclear”, considerando a ameaça apresentada pela atual situação dos tratados em vigor e o perigo cada vez maior do uso de novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial (IA) aliada aos arsenais nucleares.

3. “Tornando visível o invisível”, a partir da realização de fóruns que deem visibilidade a ações e vozes locais, e que levem ao estabelecimento de medidas práticas para combater cada um dos desafios atuais. Aqui, o Dr. Ikeda ressalta com ênfase ainda maior o papel crucial das mulheres, das situações normais às épocas de grandes calamidades.

4. “Educação para crianças em situação de crise”, retomando a importância de olhar para cada história por trás dos números, e assegurar, com isso, o futuro da própria humanidade.

Para ler a Proposta de Paz 2020 na íntegra, acesse: https://app.brasilseikyo.com.br/conteudo/999556569/rumo-ao-futuro-compartilhado-construindo-uma-era-de-solidariedade-humana 

15-5-2020

Humanismo/sociedade

Local de vidas compartilhadas

Trecho extraído da Proposta de Paz da edição de maio de 2020 da revista Terceira Civilização, com foco no primeiro compromisso exposto pelo Dr. Daisaku Ikeda: “não deixar ninguém para trás”.

O primeiro compromisso deve ser nunca deixar para trás os que lutam para sobreviver em situações adversas. Em anos recentes, a dimensão dos danos causados por desastres naturais se expandiu, devido a eventos climáticos extremos. Tais impactos afetam tanto os países desenvolvidos como os em desenvolvimento. No ano passado, os tufões Faxai e Hagibis atingiram diversas regiões no Japão, sendo a causa de vendavais, chuvas intensas e inundações a deixar vastas regiões do país sem água e energia elétrica, destruindo o tecido da vida diária.

(...)

Tanto o clima como o comércio afetam de forma profunda a economia e a sociedade. Nesse sentido, acredito que a visão do presidente fundador da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi (1871–1944), estabelecida em seu trabalho Jinsei Chirigaku [Geografia da Vida Humana], de 1903, merece nossa atenção. Makiguchi comparou a natureza limitada no tempo do conflito militar com a natureza constante e duradoura nos tempos da competição econômica. A primeira, disse ele, acontece subitamente e produz um terrível sofrimento do qual estamos conscientes, enquanto a última ocorre gradualmente e sem drama, de forma a não chamar a atenção.

Makiguchi buscou ressaltar que, por conta da crueldade da guerra ser bem visível, as pessoas têm consciência clara dela e criam oportunidades para evitar um mal maior por meio de negociações ou mediações. Não é o caso da competição econômica, conduzida de forma contínua e em parte inconsciente, cujos efeitos são vistos como determinados por meio de um processo de “seleção natural”. Dessa forma, eles desaparecem no cenário da vida social, tornando-nos suscetíveis a ignorar as condições desumanas e o sofrimento que resultam deles.

Na época de Makiguchi, o mundo era assolado pelas forças do imperialismo e do colonialismo, e se considerava natural buscar prosperidade à custa de outras sociedades. Essa visão do mundo implicava aceitar que certos setores ou grupos seriam sacrificados e que a privação deles não nos afetaria. Ideia essa construída nas profundezas da sociedade como uma camada de sedimentos ou de lodo.

Dessa forma, a competição econômica da “sobrevivência do mais forte” tende a acelerar sem trégua a previsão de Makiguchi de que “em última instância, o sofrimento que ela causa é muito mais devastador (que o da guerra)”. No século 21, quando globalização e integração econômica avançaram muito além do tempo de Makiguchi, tais riscos são maiores que nunca.

Makiguchi jamais negou o valor da competição no funcionamento da sociedade, considerando que o empenho mútuo pela excelência é fonte de energia enriquecedora e de criatividade. Mas ele considerava problemática a tendência de ver o mundo exclusivamente como um local de competição pela sobrevivência, ao alicerçarmos nosso comportamento no pressuposto de que nossa vida é independente de todas as demais e na contínua negação dos efeitos de tal comportamento. A base do pensamento de Makiguchi era a consciência de que este mundo é, acima de tudo, um local de vidas compartilhadas.

Para ler a Proposta de Paz 2020 na íntegra, acesse: https://app.brasilseikyo.com.br/conteudo/999556569/rumo-ao-futuro-compartilhado-construindo-uma-era-de-solidariedade-humana 

29-5-2020

Humanismo/sociedade

Redirecionar o curso da história

Trecho retirado da Proposta de Paz da edição de maio de 2020 da revista Terceira Civilização, com foco no primeiro compromisso exposto pelo Dr. Daisaku Ikeda: “não deixar ninguém para trás”.

Em seus primeiros anos, a Soka Gakkai era mencionada de forma depreciativa como organização de pobres e doentes. Por meio do encorajamento mútuo, essas pessoas comuns, descartadas pela sociedade, conseguiram se reerguer das profundezas da infelicidade, história da qual temos muito orgulho.

(...)

Quando me tornei terceiro presidente da Soka Gakkai, há sessenta anos, iniciei minhas ações concretas pela paz mundial viajando aos Estados Unidos, onde visitei a sede das Nações Unidas em Nova York. Assim estava agindo como herdeiro da visão do meu mestre. A partir de então, o apoio à ONU tornou-se o pilar central do nosso engajamento social, fortalecendo nossas relações colaborativas com indivíduos de mesma visão e organizações civis, enquanto continuamos a desenvolver iniciativas para encontrar soluções para os desafios globais.

Logo depois da minha visita a Nova York, em 1960, a Nona Sinfonia, de Beethoven, foi apresentada na sede da ONU como parte das celebrações do Dia da ONU (24 de outubro). O concerto foi realizado por sugestão do secretário-geral da época, Dag Hammarskjöld (1905–1961). Até então, apenas a parte final da Nona Sinfonia, o quarto movimento com o comovente coro Ode à Alegria, era executado, mas no aniversário de quinze anos de fundação da ONU, a obra foi apresentada na íntegra.

Hammarskjöld disse ao público:

“Quando a Nona Sinfonia se inicia, entramos em um drama repleto de conflito extremo e de ameaças sombrias. Mas o compositor nos leva adiante e, no começo do último movimento, nós ouvimos novamente os vários temas, agora como uma ponte em direção à síntese final”.

Ao comparar o andamento da Nona Sinfonia com a história humana, Hammarskjöld expressou sua esperança de “nunca perder a fé em que os primeiros movimentos um dia serão seguidos pelo quarto movimento”.

A convicção de Hammarskjöld ressoa com a progressão de eras históricas apresentadas por Makiguchi em Geografia da Vida Humana. As formas de competição militar, política e econômica pelas quais pessoas e sociedades buscam sua própria segurança e prosperidade à custa de outros preocupavam muito Makiguchi no começo do século 20. Infelizmente essas ideias ainda fazem parte do nosso mundo.

Mas, assim como a sessão coral do quarto movimento da Nona Sinfonia começa com a frase O Freunde, nicht diese Töne! [Oh, amigo, esses tons não!], seremos capazes de criar novas abordagens para transformar formas enraizadas de competição. Makiguchi propôs que a essência dessa transformação deve surgir do que ele chamava de “competição humanitária” ou “formas de competição humana”, nas quais um lado se beneficia ao mesmo tempo em que trabalha pelo bem dos outros. Ao gerar uma solidária ação global para confrontar o desafio das mudanças climáticas, podemos e devemos produzir esse tipo de mudança de paradigma, abrindo novos horizontes na história humana.

Acredito que o centro desse desafio é o compromisso de nunca abandonar aqueles em circunstâncias difíceis e alarmantes. Ao agirmos com base nesse compromisso, onde quer que estejamos, podemos transformar a crise sem precedentes das mudanças climáticas em oportunidade de redirecionar o curso da história.

Para ler a Proposta de Paz 2020 na íntegra, acesse: https://app.brasilseikyo.com.br/conteudo/999556569/rumo-ao-futuro-compartilhado-construindo-uma-era-de-solidariedade-humana 

3-6-2020

RDez

Matéria da Divisão da Esperança

A paz começa comigo!

Já ouviu falar sobre direitos humanos? O que são e por que existem? Prepare-se, pois nesta matéria vamos aprender a importância deles em nossa vida. Então, vamos nessa!

Os direitos humanos em prol da paz

A Organização das Nações Unidas (ONU) é uma organização internacional formada por vários países que voluntariamente se empenham pelo bem-estar de cada vida humana e pela paz entre os povos através de ações humanísticas, assim como as ações do nosso mestre, presidente Ikeda. 

A ONU afirma que os direitos humanos são aqueles que todas as pessoas têm, independentemente de raça, gênero, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição. Esses direitos incluem, por exemplo, o direito à vida, à liberdade de opinião e de expressão, ao trabalho e à educação. Isso significa que você, sua família, todas as pessoas do mundo e eu têm o direito de viver bem e ser feliz. 

Quando conseguimos pôr em prática o respeito pelas pessoas, mesmo por aquelas que não são tão próximas, estamos respeitando os direitos humanos que temos em comum de vivermos em harmonia. Esse respeito significa dar valor à dignidade da vida que cada um tem, é sinônimo de paz.

Cilindro de Ciro

Feito de barro e datado de 539 a.C (mais de 2.550 anos atrás!), é considerado por muitos historiadores como o primeiro tratado de direitos do homem, um precursor da Carta de Direitos Humanos. Foi descoberto em 1879 e a ONU traduziu, em 1971, a todos os idiomas oficiais. O texto gravado nele foi escrito pelo rei da Pérsia Ciro II, e possui um caráter humanitário, pois ele é considerado responsável pela repatriação de povos que foram deslocados de seus lares de origem. 

Fonte: https://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/marcos/cilindro/

As propostas de paz do Mestre

Você sabia que Ikeda sensei se relaciona com a ONU em prol da paz? Desde 1983, Daisaku Ikeda escreve todos os anos sua proposta de paz e a envia à ONU. 

Nelas nosso mestre sugere soluções concretas para que a humanidade possa resolver os principais problemas globais que vem enfrentando nos últimos anos como aquecimento global, desigualdade de gênero, armas nucleares, refugiados, entre outros. O presidente Ikeda orienta que o propósito dessas propostas é provocar uma nova onda de paz, pois nossa “voz possui o poder de mover o coração das pessoas e de mudar a sociedade e o mundo. Um novo passo se inicia a partir da nossa fala” (Brasil Seikyo, ed. 2.418, 5 maio 2018, p. D1-D4). 

Apesar de as propostas abordarem temas globais, não podemos pensar que estão distantes de nossa realidade como membros da Divisão dos Estudantes. Assim como Ikeda sensei incentivou, nossa voz, postura e coração são capazes de transformar a sociedade para melhor e isso inclui sala de aula, lar, bairro e todos os locais que frequentamos. Mas como fazer isto?

Nossas ações pela paz 

A paz não é para ser deixada a cargo de outros em locais distantes. É para ser criada dia a dia, em nosso esforço para cultivar a preocupação e a consideração pelos outros, fortalecendo os laços de amizade e confiança em nossas respectivas comunidades com nossas ações e exemplos. (Brasil Seikyo, ed. 1.635, 12 jan. 2002, p. C1) Temos a boa sorte de fazer parte de uma organização que preza pela dignidade da vida de todas as pessoas e um mestre que nos orienta e incentiva a sermos este Estudante que promove a paz e inspira aqueles ao redor a fazer o mesmo. Fazemos isso acontecer quando conversamos com aquele amigo que está passando por algum problema, ajudando nossos pais em casa, estudando com um colega que tem dificuldades naquela matéria, brincando com alguém que está um pouco isolado, dando um alegre “bom-dia!” a todos que encontrar pela manhã... Basicamente quando agimos de forma sincera, nos preocupando com os outros — sabendo que somos mais felizes quando somos felizes juntos!

Poema¹ do presidente da SGI, Daisaku Ikeda

Paz – A Base para a Eterna Felicidade da Humanidade

Há um caminho 

Que os pássaros seguem 

Quando voam pelo céu. 

Há um caminho 

Que os peixes também seguem 

Quando nadam pelo mar. 

Há um caminho 

Que as estrelas seguem

Quando viajam pelos céus. 

E há o caminho do princípio 

Que os seres humanos 

Devem seguir. 

E esse caminho 

Não é nenhum outro 

Que o caminho da paz. 

Vamos começar com 

O que podemos fazer. 

Vamos avançar, 

Mesmo que seja um milímetro. 

Vamos escalar essa montanha 

E atravessar esse rio! 

Vamos nos lançar 

Sobre esses campos 

E cruzar aquela colina! 

Vamos correr para aquela cidade 

E conversar com nossos amigos!

[Box] #SeiganGeneration

Cultura de Paz

Confira a Proposta de Paz 2019 na revista Terceira Civilização, ed. 609, maio 2019 e fale dela no Seigan Generation ou na reunião de palestra. Conte com seus responsáveis da de ou da Duni!

8-6-2019

Matéria de Capa

Daisaku Ikeda – construção de pontes da paz no mundo

Ao dialogar sobre direitos humanos, meio ambiente, cultura de paz e não violência, o presidente Ikeda cria pontes de amizade por meio de suas propostas de paz e ações na sociedade. Saiba mais!

Faz 37 anos que nosso mestre, Daisaku Ikeda, profere sua Proposta de Paz em 26 de janeiro, Dia da Soka Gakkai Internacional (SGI), e a envia anualmente à Organização das Nações Unidas (ONU). 

A ONU tem como base os seguintes objetivos: a manutenção da paz e segurança, a proteção e o respeito aos direitos humanos, a ajuda humanitária e o desenvolvimento sustentável e o fim da discriminação e da opressão. ¹Esse compromisso abraça os ideais da SGI, que defende a paz, a cultura e a educação embasadas na dignidade da vida do ser humano. 

A Soka Gakkai Internacional iniciou suas atividades como organização não governamental (ONG), de status consultivo no Departamento de Informação Pública das Nações Unidas (DIP), em 1981, e foi registrada no Conselho Econômico e Social (Ecosoc) em 1983,² ano em que Ikeda sensei publicou sua primeira Proposta de Paz. Desde essa época, as atividades da organização cresceram a serviço da paz, cultura, ajuda humanitária, desenvolvimento sustentável e educação em direitos humanos.

Refletir e aplicar na vida diária

Em suas propostas, Ikeda sensei procura oferecer reflexões sobre o papel da sociedade diante dos problemas sociais e expõe suas ideias com base na filosofia budista, propondo alternativas que solucionem esses problemas, não somente no âmbito governamental, mas também no individual, ou seja, destacando de que forma o ser humano, como cidadão, pode contribuir para a paz.

Neste ano, a Proposta de Paz tem como enfoque as mudanças climáticas e seus impactos no ambiente, na sociedade e na economia global. Ao analisar tais questões, visualizamos uma perspectiva otimista encarando-as como oportunidade de fazer a voz de todos ser ouvida e iniciar uma “era de solidariedade humana”. E propõe três compromissos, sendo o primeiro deles “não deixar ninguém para trás”, ou seja, construir uma sociedade que se baseie na abordagem de “esforçar-se para proteger não só a própria vida, mas também a vida dos outros”.

Por suas ações, Daisaku Ikeda tem recebido inúmeros prêmios, inclusive lhe foi concedida a Medalha da Paz da ONU.³

Dados sobre a Proposta de Paz

Edições

O presidente Ikeda enviou anualmente para a ONU 37 Propostas de Paz, sendo a primeira proferida em 1983.

Processos

A Proposta de Paz enviada em janeiro à ONU é também encaminhada para as editoras da SGI de vários países. Assim que a Editora Brasil Seikyo (EBS) a recebe, inicia-se o processo de tradução pela revista Terceira Civilização. Ao final de fevereiro, o texto é passado por três revisões e em abril é diagramado e fica pronto para ser publicado em maio.

Revisão

De 1996 a 2017, o poeta amazonense Thiago de Mello foi o responsável pela revisão da Proposta de Paz.

Atualmente, a revisão da proposta é realizada pelo escritor e acadêmico Cícero Sandroni, genro de Austregésilo de Athayde, que foi presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2008 e 2009. Sandroni é o sexto ocupante da cadeira de número 6 da academia.

Onde achar

Desde 2013, impreterivelmente no mês de maio, a revista Terceira Civilização publica em português a Proposta de Paz. A mais atual você encontra no app BS+.

NRH na vida

O budismo é uma filosofia que defende a dignidade absoluta da vida; e nosso movimento de revolução humana consiste num processo de transformação no qual, por meio de nossos próprios esforços, desenvolvemos o universo interior — as forças criativas inerentes à nossa vida. Trata-se de um movimento para visualizar e edificar um século 21 no qual as pessoas sustentem novos ideais de afirmação da vida.

(Nova Revolução Humana, v. 24, p. 12)

1-9-2020

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Proposta de Paz