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Martin Luther King Jr.

Martin Luther King Jr.

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Redação

01/08/2023

Martin Luther King Jr.

Martin Luther King Jr. nasceu em 1929, em Atlanta, Estados Unidos. Ele lutou fervorosamente contra a discriminação racial e se tornou um importante líder do movimento pelos direitos civis americanos. A dedicação dele estava solidificada na filosofia de Mahatma Gandhi da não violência, e King acreditava genuinamente que o amor pelo próximo é a força capaz de mudar a sociedade. Conheça mais detalhes da trajetória de vida, a partir das considerações do presidente Ikeda, desse grande líder pacifista.

“Eu tenho um sonho de que, um dia, nas rubras colinas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos senhores de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade. ”Assim bradou o jovem de 34 anos diante de uma grande plateia no Memorial Lincoln, em Washington, DC, Estados Unidos, no dia 28 de agosto de 1963.

Seu nome é Martin Luther King Jr. Ele é um herói do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos que enfrentou a discriminação racial em busca de igualdade e dignidade humana.

No país, a terceira segunda-feira de janeiro foi oficializada como feriado nacional, em homenagem ao aniversário do Dr. King Jr. (15 de janeiro). O espírito da liberdade e da paz vem sendo herdado continuamente.

No século 19, o norte e o sul dos Estados Unidos se confrontaram pela questão da escravidão. Mesmo após a Proclamação da Emancipação dos negros estabelecida pelo presidente Lincoln, as raízes da discriminação racial permeavam fortemente o seio da sociedade ainda no século 20.

A violência contra os negros era desenfreada. Quem resistisse, corria risco de morte.

Foi nesse meio que, em dezembro de 1955, irrompeu o movimento de boicote aos ônibus, em Montgomery, estado do Alabama, após a prisão injusta de Rosa Parks.1 O Dr. King Jr., que na época tinha 26 anos, liderou o movimento. Isso acendeu a tocha da luta pelos direitos humanos que posteriormente se espalhou por todo o país.

O Dr. King Jr. disse: “Devemos construir diques de coragem para conter a correnteza do medo”.

Na mesma época, crescia a perseguição do poder da maldade contra a Soka Gakkai, que emergia como força popular no Japão. Quem se levantou aos 29 anos para enfrentar os ataques da opressão, tais como o Incidente do Sindicato de Mineradores de Carvão de Yubari e o Incidente de Osaka, em 1957, foi Ikeda sensei.

Quando a história se move, por trás dela está a luta indomável de jovens que se erguem por um ardente ideal e a de pessoas anônimas do povo.

O Dr. N. Radhakrishnan, presidente do Conselho Indiano de Pesquisas Gandhi, afirmou: “O Dr. King inspirou as pessoas dizendo ‘Eu tenho um sonho’. E o Dr. Ikeda despertou e levantou as pessoas declarando ‘Nós temos uma missão’”.

O Dr. King Jr. nasceu em 1929, filho de um reverendo em Atlanta, no estado da Geórgia. Quando era estudante do ensino médio, ele fez um discurso sobre o direito dos negros em um concurso de oratória e venceu. Mas, em sua lembrança, ficou marcada a humilhação que passou no ônibus de volta para casa, ao ser forçado a ceder seu lugar a um homem branco.

Após se formar na prestigiosa Faculdade Morehouse, o jovem entrou para o seminário. Em sua busca por uma forma para resolver os conflitos raciais, ele encontra a filosofia de Mahatma Gandhi, pai da independência da Índia, e se convence de que a não violência, embasada no amor pelo próximo, é a força capaz de mudar a sociedade. Posteriormente, casa-se com Coretta Scott e se torna ministro de uma igreja no Alabama. Ele conquistou o título de doutorado em teologia em 1955.

O movimento de boicote ao ônibus” se iniciou em dezembro desse ano. “Cada passo em direção ao objetivo chamado ‘justiça’ está associado a sacrifício, sofrimento e luta, o que significa que o esforço incansável e o entusiasmo do indivíduo dedicado são essenciais.” O Dr. King Jr. liderou a luta pelos direitos humanos e pela justiça com essa crença em seu coração.

Em fevereiro de 1960, vários estudantes negros realizaram o movimento sit-in [“ficar sentado”]. Eles ficaram sentados no balcão por vários dias exigindo a abolição do isolamento racial no refeitório do terminal de ônibus.

O Dr. King Jr. também participa do movimento e é autuado e preso junto com os alunos. O movimento ficou conhecido em todo o país por meio da mídia, e o governo acabou ordenando a proibição da segregação racial.

Na marcha de maio de 1963 em Birmingham, Alabama, cerca de mil estudantes e crianças prosseguiram com seu ato de desobediência sem sucumbir ao medo da violência implacável.

O que os movia era o “orgulho de estar avançando e a confiança de que nós venceríamos”, disse o Dr. King Jr. Nem é preciso dizer que foi a coragem da juventude que se tornou o trampolim para a histórica Marcha sobre Washington.

Em agosto, ao som das vozes entoando a canção We Shall Overcome [Nós Venceremos Sem Falta], mais de 200 mil pessoas transcendendo diferenças de cor ou de crenças lotaram a praça do Memorial Lincoln em Washington, DC.

Em seu discurso, o Dr. King Jr. bradou altivamente:

“Eu digo a vocês hoje, meus amigos, então, embora enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã, ainda tenho um sonho. E um sonho profundamente enraizado no sonho norte-americano”.

No ano seguinte, a Lei dos Direitos Civis foi promulgada e o Dr. King Jr. recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Mesmo depois disso, ele prosseguiu com sua caminhada pelos seus ideais. Mas, um dia, após proferir seu discurso em Memphis, estado do Tennessee, foi atingido por uma única bala onde estava hospedado (em abril de 1968). “Eu tenho um sonho” — ele viveu pelo seu sonho de liberdade e igualdade e encerrou precocemente sua nobre existência aos 39 anos.

Reflexões do presidente Ikeda sobre Martin Luther King Jr.

“O Dr. Ikeda incorpora a filosofia da não violência de Gandhi e King.” O Dr. Lawrence Carter, decano da Capela Internacional Martin Luther King Jr., da Faculdade Morehouse, alma mater do Dr. King, não cansa de elogiar as contribuições de Ikeda sensei em prol da paz.

A Capela Internacional da faculdade concedeu o prêmio “Supremo Erudito” a Ikeda sensei, em setembro de 2000. A partir do ano seguinte, apoiou a realização da exposição Gandhi, King e Ikeda: Um Legado de Construção da Paz, que vem divulgando amplamente os pensamentos e as ações das três personalidades como uma mostra itinerante ao redor do mundo.

Pessoalmente, Ikeda sensei fez amizade com “guerreiros dos direitos humanos” que estiveram ao lado do Dr. King Jr. nos movimentos pelos direitos civis.

No campus da Universidade Soka da América, em Los Angeles, (na época) fundada pelo presidente Ikeda, a esposa do Dr. King Jr., Coretta Scott King, proferiu uma palestra com o tema “O Legado de Martin Luther King” (outubro de 1995).

Ikeda sensei também se encontrou por três vezes com o aliado do Dr. King Jr. e proeminente historiador Dr. Vincent Harding, e publicou com ele uma coletânea de diálogos intitulada America Will Be!: Conversations on Hope, Freedom and Democracy.

Nessa obra, sensei declara:

“Desde que não se perca o ‘sonho’, a ‘esperança’ continuará viva. Por pior que seja a tempestade, desde que haja a ‘esperança’, a grande marcha do povo, essa grande correnteza da justiça, não poderá ser contida”.

Além disso, citando palavras do Dr. King Jr., sensei veio incentivando continuamente os amigos que vivem pelo majestoso sonho da paz mundial.

“Era convicção do Dr. King de que ‘a vitória final só pode ser alcançada enfrentando muitas dificuldades em curto espaço’. Tanto na vida como na história, existem momentos em que as dificuldades se sobrepõem de uma só vez. Na verdade, esses momentos são justamente a chance para abrir o caminho da vitória.”2

“O líder americano dos direitos civis, Dr. Martin Luther King Jr. (1929–1968), disse: ‘Vamos nos levantar... Com prontidão ainda maior. Vamos fortalecer ainda mais nossa determinação’.3 Nossa determinação a partir deste momento e nossas ações a partir deste ponto são importantes. A incessante batalha é a força motriz para concretizar conquistas monumentais. O que fazemos agora, a partir deste momento, decide tudo.”4

A vitória do movimento popular da Soka Gakkai de resplandecente esperança começa “a partir de agora”, “a partir daqui”, e “a partir de mim”.

No topo: Exposição Gandhi, King, Ikeda no hall da Prefeitura da Cidade de São Paulo (SP, fev. 2009) Foto: BS

Notas:

1. No dia 1º de dezembro de 1955, Rosa Parks, jovem afro-americana, foi detida por se recusar a ceder seu lugar no ônibus a um passageiro branco.

2. Do ensaio “Nosso Grande Caminho da Vitória”, publicado no Seikyo Shimbun em 7 de julho de 2010.

3. KING, JR., Martin Luther. I Have a Dream: Writings and Speeches that Changed the World [Eu Tenho um Sonho: Escritos e Discursos que Mudaram o Mundo]. WASHINGTON, James Melvin (ed.). São Francisco: Harper San Francisco, 1992. p. 201.

4. Do discurso proferido na 36ª Reunião Geral de Líderes da Nova Era, publicado no Brasil Seikyo, ed. 2.026, 13 mar. 2010.

Trechos do famoso discurso “Eu Tenho um Sonho” de Martin Luther King Jr.

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