Reflexões Sobre a NRH
TC
[44] O poder do povo
19/01/2019
![[44] O poder do povo](https://extra2.bsgi.org.br/media/impressos/TC/605/20130424-3-1.jpg)
A fé é a força que nos permite superar qualquer dificuldade. Oro todos os dias para que aqueles que vivem nas áreas afetadas enfrentem essas árduas adversidades como vencedores.
Em Yamanashi, há um lindo parque chamado Manriki. Visitei-o diversas vezes em minhas viagens à cidade. Está localizado na parte central do rio Fuefukigawa, uma área que há séculos sofre com inundações. Chama-se Manriki [Esforços de Todos] porque as pessoas da região uniram forças para construir uma barragem e assim conter as enchentes. O nome expressa a esperança daqueles que a construíram de que a barragem oferecesse uma proteção tão forte e inquebrantável como o esforço combinado.
Shingen Takeda (1521–1573), grande senhor feudal de Yamanashi, conhecido por suas proezas como guerreiro, compôs o seguinte poema:
O povo é nosso castelo.
O povo é nossa muralha.
O povo é o fosso de nossas fortificações.
Essas palavras, assim como o nome do parque, cantam o orgulho de um povo que uniu forças em prol de uma meta comum.
O nome do parque sempre evoca um sorriso em meu rosto, porque para mim ele é o símbolo perfeito de nossos membros de Yamanashi, que estão fazendo um progresso notável trabalhando juntos em harmonia.
Guardo ternas lembranças de infância do rio Tama, que nasce no nordeste da província de Yamanashi, na montanha Kasatori, da cordilheira de Chichibu. Até as primeiras décadas do século, o Tamagawa era um rio caudaloso e bravio que transbordava frequentemente. A parte baixa do rio demarca o limite entre Tóquio e a província de Kanagawa. As barragens do lado de Tóquio, a capital, foram concluídas em grande parte no final do século 19, porém a maioria dos trechos do lado de Kanagawa carecia de barragens protetoras e sempre que chovia muito as inundações causavam danos a essa região.
Os cidadãos de Kanagawa submeteram reiteradamente petições ao governo local para a construção de um sistema de diques, mas seus apelos foram ignorados. Naqueles dias, a prioridade eram os gastos militares e havia várias restrições a qualquer despesa para o controle de inundações. Além disso, o governo de Tóquio se opôs à construção por achar que, com novas barragens do lado de Kanagawa, se corria o risco de elevar o nível das águas do rio do lado de Tóquio. Consequentemente, o pedido foi negado. Desde a época em que Tóquio era a capital imperial, os funcionários concentrados nessa cidade mostravam uma tendência terrível e profundamente arraigada de pôr suas necessidades acima das necessidades da nação.
Em 1914, o rio Tamagawa transbordou novamente, e a região de Kanagawa ficou coberta pelas águas. Os habitantes da região, que sofreram durante anos, não suportando mais aquela situação, uniram forças e marcharam até a sede do governo em Yokohama. Vestiam roupas de agricultores e sandálias de palha e, como símbolo de sua união, todos usavam chapéus de bambu. O número estimado de manifestantes varia grandemente de 100, 1.500 e até 2 mil. Alguns desses manifestantes eram mulheres.
Eles avançaram cruzando riachos e correntes de lama provocados pela enchente e enfrentaram os policiais destacados para vigiá-los. Foram detidos e somente poucos representantes puderam se encontrar com a autoridade máxima da região.
O porta-voz do grupo apresentou veementemente a questão, porém o governador nem sequer tentou corresponder a essa demonstração de sinceridade.
Diante dessa atitude, os cidadãos enfurecidos formaram a “Liga para a Construção de Barragens ao Longo do Tamagawa”. Eles se organizaram, a união e a determinação deles aumentaram e o movimento tomou impulso.
No ano seguinte, quando se aproximava a estação das chuvas, começaram a juntar dinheiro para construir barragens, porém a polícia os impediu de realizar os planos.
Por que eram obrigados a ser vítimas, ano após ano? Por que a permissão para construir as barragens lhes era negada?
Não desistiram. Lutaram contra a injustiça com uma arma secreta: a sabedoria.
Decidiram que se não podiam conseguir permissão para a construção das barragens, solicitariam autorização para elevar o nível da estrada que corria ao longo do rio. Com o pretexto de melhorar a estrada, construiriam suas barragens. Essa ideia brilhante, nascida de uma luta desesperada, incitou a ação do novo governador, e deram início aos trabalhos.
Obviamente, o governo de Tóquio se opôs ao projeto e mandou interditar as obras. Contudo, o trabalho prosseguiu apesar das dificuldades. O novo governador e os habitantes, unidos em seu propósito, não podiam ser detidos. Enfrentaram muitos reveses e empecilhos ao longo do caminho, mas finalmente em outubro de 1916 concluíram o tão esperado sistema de diques. Esse foi o verdadeiro triunfo da determinação e da perseverança do povo.
Disse um sábio da antiguidade: “O governante é o barco, e o povo, a água. A água pode fazer o barco flutuar ou afundar”. O povo é o verdadeiro soberano, e é sua força que muda o curso da história.
A Soka Gakkai é uma organização do povo, para o povo e pelo povo. Por essa razão, as pessoas de poder temem seu crescimento, valem-se de todo tipo de planos e esquemas para impedir seu avanço e a atacam com uma enxurrada de perseguições hediondas. Porém, por mais força que empreguem, a grande barragem do povo, construída com a aliança do bem, não se romperá. Por quê? Ela é uma barragem que mostra a vitória da cidadania, a maior força que o século 20 produziu.
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